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História Ocaso grego - Parte III - Capítulo 4


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Notas do Autor


Mais um capítulo fresquinho para vocês, suas lindas. Tenham um ótimo final de semana...

Capítulo 4 - Hipocrisia


Fanfic / Fanfiction Ocaso grego - Parte III - Capítulo 4 - Hipocrisia

Depois de dois dois dias e meio no casarão. Xena e Gabrielle voltaram para o palácio com as crianças. Dessa vez, Ísis voltou com elas dentro da carruagem e era nítido que ela não queria estar ali. Apesar do desconforto, ela não estava de cara feia, mas a briga com sua mãe ainda estava rendendo e ela preferiu ficar em silêncio.

Lila e Ulisses não queria voltar, mas Gabrielle havia mais audiência para realizar e Xena tinha uma reunião com Demócrito. Sem falar que Eve e os gêmeos estavam tendo aulas particulares com outro filósofo, então as tarefas não podiam ser adiadas.

Diferente de Ísis, Eve e os gêmeos começaram a ter aulas muito novos, então entraram uma rotina e não reclamavam muito em ter que ficar algumas marcas de velas com um professor. A filha mais velha da imperatriz, por outro lado, vinha estudando agora por conta própria e quando possuía dúvidas, questionava qualquer pessoa.

Ao chegarem no palácio no fim da tarde, Ísis saiu da carruagem e foi direto para seu aposento com Talos. Ela não estava mais brava por causa da discussão, mas não sabia como chegar para sua mãe e se desculpar. Eve e os gêmeos esperaram pelas mães e finalmente entraram.

Eles foram para o aposento real e a primeira coisa que Gabrielle fez, foi pedir para os servos encherem uma tina de água e colocar no quarto de Lila e Ulisses, os dois agora dormiam no quarto que um dia foi de Ísis e Eve e assim como as irmãs mais velhas, ambos estavam destinados a saírem de lá quando ficassem maiores.

Assim que a tina foi cheia, Gabi convocou os dois menores e como sempre, reclamaram até se renderem. Enquanto a rainha dava banho neles, Xena ficou sentada na frente da lareira com Eve. A menina sabia muito bem que não iria escapar de um banho também, mas aproveitou aqueles momentos para ter a atenção de Xena.

-Mãe...- Chamou Eve que encarava o fogo junto com Xena.

-Sim?- Com uma paciência rara, Xena perguntou.

-Se Solan vai ser rei e Ísis vai herdar a fazenda da vovó um dia, o que eu vou fazer quando crescer? - A menina perguntou séria.

-O que você quiser. - Xena olhou para a menina e recebeu um olhar de confusão.

-Eu não sei o que quero ser... - Falou ela desviando o olhar.

-Você ainda é nova, cerejinha. Não precisa escolher ainda. - Disse Xena apertando a bochecha da criança.

-Como você descobriu que queria ser imperatriz? - Eve olhou muito curiosa para sua mãe e Xena congelou na hora. Ela não queria contar para sua filha sobre a ganancia e maldade que seu coração possuía na época. Ela tinha medo de que aqueles olhos brilhantes a olhassem com medo e a partir dali negasse o seu abraço.

-Eu conheci pessoas que queriam me colocar no poder e eu acabei aceitando a ajuda deles.- Respondeu Xena de forma não mentirosa, mas bem resumido.

-E por que eles queriam que você fosse a imperatriz? – Eve ainda estava curiosa e Xena só queria que ela esquecesse aquela história.

-Bom...- Ela começou a pensar bem nas palavras. –Eu era uma boa estrategista em batalha e sabia lutar muito bem. Eles queriam uma pessoa que pudesse defender a Grécia, então me ajudaram a me tornar imperatriz. - Era inevitável não pensar na cara dos malditos que a manipularam e depois tiveram as cabeças cortadas.

-Legal...Acho que eu quero ser imperatriz também. - Eve disse alegre e se esqueceu do detalhe que Solan era herdeiro.

-Você pode ser, mas só se Solan desistir. - Xena riu e não mencionou o fato de que se o garoto morresse quem assumiria era ela.

-Só o Solan? Mas Ísis vem depois dele, não é? - A menina começou a raciocinar.

-Tem razão...- Xena até pensou em dizer que Ísis não era sua filha de sangue e que seu conselho se recusava em aceita-la como a segunda na linha sucessão depois de Solan, mas Eve teria muito tempo para aprender sobre aquilo ainda.

-Xena, pode dar banho em Eve?- Gabrielle apareceu na porta que ligava o aposento dos gêmeos e o seu toda molhada e descabelada.

-Uou. Isso foi um banho ou uma guerra? - Xena falou animada ao ver o estado de Gabi.

-Uma guerra. - A loira concordou e Xena riu com Eve.

A noite terminou tranquila, porém, mais uma vez Xena foi dormir chateada por Ísis não ter jantado com elas e não ter dito boa noite. Ela não queria dar o braço a torcer pelo simples fato de que Ísis precisava entender a responsabilidade que tinha e passar a mão na cabeça dela era inadmissível.

 

******************************

Na manhã seguinte, Demócrito ficou aguardando a imperatriz no gabinete e depois de 30 minutos de atraso ela apareceu. Xena não parecia muito confiante com aquela reunião, afinal, já faziam oito verões que estava atrás da maldita adaga e não havia nenhum sinal dela. Demócrito achava poucas coisas e nenhuma dela dava uma informação concreta, então, pela milésima vez, Xena se viu diante do filósofo e com as expectativas baixas.

-Desculpe o atraso, Demócrito. Ulisses inventou de se pendurar nas cortinas.... - Xena começou a dar satisfações, então se lembrou que ela era a imperatriz e não tinha que dizer nada para ninguém. –Enfim. O que tem ai? - Xena visualizou pela primeira vez depois de entrar na sala que Demócrito estava carregando mais pergaminhos que o normal.

-Majestade, depois de quase uma década, eu acredito que fizemos uma descoberta magnifica. - Demócrito se levantou com muita empolgação e deu um rolo velho para Xena.

-O que é?- Xena mais do que depressa desenrolou o pergaminho e começou a passar o olho por ele. –Isso é um conto? - Ela estranhou.

-Eu andei investigando alguns mitos sobre Zeus e o que achei foi surpreendente. – Demócrito parou ao lado de Xena e leu uma frase do primeiro pergaminho. – “O deus dos céus recordou com carinho da ninfa Adamanteia, e decidiu procura-la em seu refúgio sagrado...” Demócrito olhou para Xena.

-O que tem a ver essa ninfa com a adaga, Demócrito? - Disse Xena não entendendo nada.

-Foi essa pergunta que me fiz numa noite e pesquisei sobre ela. Adamanteia cuidou de Zeus durante toda a infância e o protegeu de seu pai Cronos até ele ter idade para cumprir a profecia e se tornar o pai de todos. Na lenda, diz que a ninfa amarrou o cesto de Zeus entre a terra, o mar e o céu e assim ele NUNCA FOI ENCONTRADO...- Demócrito estava esperançoso de que Xena fosse acompanhar seu raciocínio e enfatizou a última frase.

-Tem outras histórias? - Xena perguntou curiosa e querendo saber onde aquilo ia dar.

-Sim. Veja esta. - Demócrito desenrolou outro pergaminho. – “.... Zeus caminhou por quilômetros até chegar no fim do mundo. Com seus raios nas mãos, ele criou uma ponte e adentrou ao sarcófago de sua infância...- Demócrito olhou para Xena e ela observou bem o termo “sarcófago de sua infância” sublinhados.

-Sobre o que é este conto? - Ela perguntou confusa novamente.

-Sobre a vez que Zeus se enfureceu com seus irmãos e se exilou para ficar em paz. - Demócrito explicou sobre o que se referia a história de onde tirou o trecho.

-Certo, então temos duas vezes a menção de um lugar no qual Zeus se recorda com carinho e se refugia sempre que precisa. - Xena falou alto e Demócrito vibrou.

-Exato. No primeiro conto, se recordou de sua mãe de criação e foi atrás dela e no segundo Zeus se refugiou no local onde cresceu. O que em tese, seria o mesmo lugar nas duas histórias - Demócrito concluiu.        .

-Tem mais algo, Demócrito? - Xena começou a ficar agitada.

-Sim. – Ele puxou mais um pergaminho. –Este pergaminho está em grego antigo. Eu demorei luas para traduzi-lo e é basicamente sobre Hera, esposa de Zeus, o expulsando de casa. Aparentemente é algo bem normal entre casais disfuncionais, mas nesse trecho aqui...- Demócrito mostrou mais linhas sublinhadas. – ...ele é questionado para onde iria e afirma que está a caminho de Prostasia (ΠΡΟΣΤΑΣΙΑ), que no atual grego significa “proteção”. E ele repete esta palavra várias vezes enquanto caminha. - O filósofo mostrou a mesma palavra se repetindo várias vezes e Xena ficou curiosa. – O interessante é que essa palavra deu origem ao termo “morada” no grego atual e por outros textos que analisei, Zeus sempre parece se referir a uma morada nos momentos de desespero e posso te garantir que não é o Olimpo. - Terminou ele.

-Só pode ser esse lugar que o pergaminho da adaga se refere, Demócrito. - Xena falou eufórica.

-Exato, nós confirmamos assim, que a adaga pode estar realmente em uma caverna, mas não em uma qualquer, mas sim, em uma muito importante para Zeus. -

-A única localização que temos até agora é a que você mencionou... “entre a terra, o mar e o céu”. Onde pode ser isso? Um lugar que flutua? - Xena ficou confusa e ela odiava aquele sentimento.

-Eu estava me perguntando se poderia ser algum lugar divino onde os deuses habitam, mas é muito claro quando diz “entre a terra, o mar e o céu.” Só pode ser aqui, no nosso mundo. - Falou Demócrito.

-Temos que investigar todos os mapas possíveis, Demócrito, lugares ermos nas redondezas ... - Xena se levantou rapidamente. -Algo me diz que estamos perto depois de tanto tempo. - Xena sorriu e o filósofo concordou.

Para os dois, não havia um lugar mais perfeito para esconder um objeto mortal, do que no próprio refúgio que um dia manteve Zeus vivo.

 

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Xena ficou a manhã toda com Demócrito no gabinete e quando não haviam mais o que discutir, finalmente encerraram o assunto e remarcaram a próxima reunião para a próxima lua. A imperatriz estava toda eufórica. Ela não estava se contendo em saber de tudo aquilo e precisava muito contar para alguém. Porém, quem?

Gabrielle odiava aquele assunto, ela acha que Zeus iria atirar um raio na cabeça de Xena a qualquer momento. Solan, que era a melhor opção estava em Atenas e Mioll tirou dois dias de descanso depois que Xena voltou do casarão.

-Droga. - Falou para si mesma.

A caixa de correspondências que a morena havia em seu gabinete estava cheia, mas a vontade de lê-las era pouca. Depois de ver que sua ampulheta havia terminado de escorrer a areia, Xena percebeu que já era começo da tarde e provavelmente seu almoço iria ser servido a qualquer momento. Xena se espreguiçou e resolveu ver como estavam as audiências com Gabrielle. Numa hora daquelas já era para terem acabado e seria ótimo se pudessem almoçar juntas.

Ela então saiu do gabinete e desceu as escadas até chegar no primeiro andar. Logo no fim da escadaria, ela passou pelo salão vazio e entrou pela grande porta lateral que dava para a sala do trono.  Xena avistou alguns guardas ali conversando com três camponeses. Eles pareciam estar recebendo orientações e ao lado direito, estava Gabrielle em pé, ao lado de seu trono com um dos escribas. Ela estava lendo um pergaminho e prestes a assinar ele.

-Obrigada!- Disse ela ao escriba que pegou o pergaminho e se curvou ao ver Xena chegar.

-Pode ir.- Disse Xena para o escriba que se afastou.

-Oi.- Gabi sorriu para Xena e elas trocaram um beijo tímido por causa da presença dos guardas e camponeses ali.

-Terminou?- Xena se referiu as audiências.

-Graças aos deuses sim. - A loira suspirou de alívio. -Precisamos colocar almofadas novas nesses tronos de mármores. Meu traseiro fica dolorido depois de levantar. - Gabi reclamou.

-Posso dar um jeito nele... No seu traseiro no caso - Xena ergueu uma sobrancelha e Gabi riu enquanto dava uma tapinha nela.

-Como foi sua reunião? As coisas andam na mesma? -  Gabi perguntou já esperando uma resposta nada feliz de Xena.

-Sim. Nada de novo. - Xena deu a resposta que Gabi queria e viu um olhar de satisfação no rosto dela.

-Que pena, amor.- Gabi tocou o rosto da imperatriz.

-Você fica feliz quando digo que não teve nada. - Xena retrucou.

-Por mim você já tinha parado com isso. Você brincou com os deuses uma vez e teve sorte. Não quer dizer que vá ter sorte mais uma vez. - Gabi agora falou dura enquanto enrolava um pergaminho.

-É o futuro dos nossos filhos que estão em jogo, Gabrielle. Você viu e ouviu pessoalmente a ameaça que aquele embuste fez. - Xena se referiu furiosa sobre Ares.

-Nossos filhos precisam de você aqui e no AGORA. O futuro e o destino deles está fora do nosso controle, Xena. E eu ainda acho que Ares só estava desestabilizando você. -Gabi olhou firme para Xena.

-Ele jurou me matar, Gabrielle. Um dia ele virá atrás de mim e não posso lutar contra um deus de mãos vazias. – Aquela conversa estava indo para um rumo diferente do que Xena queria.

-Você é a mulher mais inteligente que conheço, amor. Tem que ter um jeito de lidar com ele sem cutucar na ferida de Zeus. - Gabrielle deu um cutucão na barriga de Xena e a morena sentiu um desconforto.

-Ai. - Exclamou Xena tocando na barriga.

-Vamos almoçar. Estou faminta. - Falou Gabrielle com as mãos cheias de pergaminhos e desceu as escadas que deixavam o trono nas alturas.

Elas não conseguiram dar muitos passos, pois a porta gigante de madeira que dava entrada para a sala do trono explodiu de gente. Xena puxou sua espada e agarrou o braço de Gabrielle, colocando sua rainha atrás de si. A multidão se aglomerava em volta de guardas e gritavam coisas sem sentindo.

Xena e Gabi ficaram novamente perto do trono e a multidão só não chegou perto delas, pois os guardas barraram.

-O que é isso?- Gabrielle perguntou.

Xena estava pronta para matar qualquer um, quando notou que as palavras de ódio e ofensa não eram para elas, mas sim para um grupo de maltrapilhos que estava sendo protegidos pelos guardas.

-MAJESTADE! - Gritou um guarda em tom de misericórdia.

Vários guardas reais saíram pelas portas laterais e se direcionaram para ajudar seus colegas e a multidão, mesmo vendo tantas fardas, não recuaram.

-SILÊNCIOOOOOO. - Xena gritou, mas sua voz não era nada em comparação a gritaria.

Um homem sujo passou por baixo dos braços de um guarda e tentou acertar a cabeça de um dos reféns. Xena então desceu as escadas, pegou o homem pelo peito e pelas pernas e o atirou por cima dos guardas. A multidão pareceu voltar a si e começaram a gritar acusações.

-SILÊNCIOO. - Gritou ela de novo e desta vez, o povo se calou. -QUE HADES É ISSO? - Xena perguntou para o soldado que se apresentou.

-Majestade, esse bando está sedo acusado de múltiplos assassinatos por toda Grécia. - Disse o homem apontando para um grupo de no mínio vinte pessoas.

-Explica isso direito. - Xena falou rígida enquanto se sentava em seu trono. Gabrielle estava tão nervosa com aquela situação que levou um tempo para se sentar também. Não era a primeira vez e nem a última que uma comoção daquele porte acontecia.

-ALTEZA, SÃO ASSASSINOS! - Gritou um homem na multidão para Gabrielle e mais gritos seguiram até Xena levantar a mão pedindo silêncio.

-Majestade. Esse grupo vem rondando a Grécia por mais ou menos cinco verões. Eles pregam um tipo de religião nas vilas e se o povo não adere, eles matam. - O soldado respondeu e a multidão começou a gritar de raiva.

-Cinco verões? Como eu não fiquei sabendo disso? - Xena se assustou e se colocou de pé novamente. A multidão gritava vaias a cada minuto.

-Aparentemente eles começaram com aldeias pequenas e atiravam os corpos nos barrancos como forma de ritual. Mas desta vez foi diferente. - Disse o soldado. -Eles começaram a pregar essa manhã no centro de Corinto e depois de serem impedidos pelos guardas, começaram a nos atacar e dizer que iriam aniquilar a cidade toda. – O guarda terminou e a multidão protestou novamente.

-Esses 20 homens? - Xena achou um absurdo somente aquelas pessoas quererem aniquilar a cidade toda.

-Havia muito mais, majestade, mas uns fugiram e outros morreram. O que conseguimos pegar foram esses e o líder. - O guarda disse triunfante.

-Onde está o líder? – Xena perguntou enquanto chegava mais perto da multidão.

Do trono, Gabrielle olhava tudo aquilo incrédula. Como podia alguém liderar um massacre daquele, ainda mais em nome de uma religião desconhecida.

Os guardas trouxeram uma pessoa encapuzada até Xena e a colocaram de joelhos, em seguida puxaram o pano e revelaram o rosto de uma mulher.

-NAJARA?- Gabrielle reconheceu na hora a mulher que foi imposta como líder do grupo e se adiantou para se por na frente dela. -Isso é um engano, não é?- Gabi riu nervosa, mas Najara que tinha o rosto machucado não se manifestou.

-Você é a líder desse grupo?- Xena perguntou friamente. Seus olhos arregalados e a respiração tentando ser controlada demonstravam que ela estava tão surpresa quanto Gabrielle.

-Sim.- Respondeu Najara e a multidão se comoveu novamente, mas com gritos mais altos e enfurecidos.

-Impossível. – Gabrielle exclamou alto e as pessoas ficaram confusas. -Najara, a última vez que te vi você era uma guarda real e não uma pregadora assassina. - A rainha se manifestou boquiaberta e Xena queria tudo naquele momento, menos sua mulher perto de Najara.

-Você confessa os assassinatos? - Xena não sabia muito bem como levar aquela situação, mas Najara parecia calma demais para quem estava sendo acusada pela cidade toda.

-Não.- Najara falou calma e Gabi sentiu um alívio. -O que eu e meus companheiros fizemos foi em nome do bem maior...- A multidão começou a gritar. -...Nos seguimos o caminho da luz...- Ela parecia convicta do que estava falando.

-Vocês mataram durante cinco verões em nome do bem maior?- Xena falou boquiaberta e Gabrielle começou a tremer. A última imagem que ela tinha de Najara era aquela mulher atenciosa e humilde. Najara havia sido a primeira amiga de Gabrielle naquele palácio e aceitou ela sem preconceito nenhum.

-Nós não matamos ninguém, mas purificamos as almas sujas e sedentas por perdão. - Najara respondeu aquilo ainda convicta e a multidão uivou.

-Majestade, isso é uma confissão. - Disse o guarda.

-PENA DE MORTE! - Gritava várias pessoas. -QUEREMOS PENA DE MORTE. –

-Xena, não! - Gabi segurou firme o braço de Xena enquanto olhava Najara machucada.

-Gabrielle, ela confessou! - Disse Xena baixo e nervosa com o fato de sua mulher estar se envolvendo sentimentalmente com a acusada.

-Ela precisa ser ouvida melhor. - Gabi respondeu com os dentes cerrados e ainda segurando firme o braço da imperatriz.

-Solta meu braço, Gabrielle. – Disse Xena reparando nos olhares da multidão para sua mulher.

-Ela tem que ser ouvida. - Insistiu Gabrielle.

-LEVEM OS ACUSADOS PARA AS MASMORRAS. - A multidão urrou de protesto e Xena abriu os braços para tentar acalma-los. -ELES SERÃO OUVIDOS E INVESTIGADOS COMO QUALQUER OUTRO CRIMINOSO. SE FOREM CULPADOS, TERÃO A SENTENÇA EQUIVALENTE AO CRIME. - Xena terminou de falar e depois de ver Najara e seus homens serem tirados de lá, saiu rapidamente da sala do trono com Gabrielle.

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Xena estava desnorteada com aquilo. Ela nunca mais esperava ver a cara de Najara em seu palácio, mas pelo jeito a bacante tinha dado um jeito de torrar todo o dinheiro de recompensa pelos serviços naquela ideia bizarra de “caminho da luz”.

-Xena.- Gabrielle chamou enquanto dava corridinhas atrás de Xena. -Você não pode sentencia-la de morte, Xena! – Gabi insistiu.

-Você ouviu a confissão, Gabrielle. Ela confessou e a lei diz que morte se paga com morte. - Xena falou aflita e sem parar de andar pelo corredor largo.

-Ela foi sua melhor guarda, Xena. Não pode trata-la como uma qualquer. - Gabi falava firme enquanto dava as corridinhas atrás de Xena.

-Ela não foi minha melhor guarda, Gabrielle.- Xena ficou irritada com aquela afirmação.

-Mas ela cuidou de mim durante a guerra do Peloponeso. - Gabi puxou o braço de Xena e a imperatriz parou bruscamente.

-E MATOU OUTRAS MILHARES. NÃO TEM COMPARAÇÃO. – Xena falou quase gritando com raiva.

-Você tem que me prometer que vai escutar com calma a história dela e avaliar. Xena, pelo jeito ela foi movida por alguma fé, a lei tem de ter algo que oriente esse tipo de caso...- Gabrielle estava ainda mais aflita.

-NÃO TEM.- Xena gritou e deu eco no corredor. -Eu fiz a lei, Gabrielle. - Xena virou e começou a andar novamente.

-Pois você tem o poder de refaze-la dependendo do que Najara contar. – Gabi voltou a andar atrás de Xena.

- Ela matou gente, Gabrielle. Minhas leis são claras ...-

-VOCÊ ESTÁ SENDO UMA HIPÓCRITA! - Gabrielle berrou interrompendo Xena e a morena parou bruscamente para olhar nos olhos dela. A loira não queria ter chamado Xena de hipócrita naquele momento, mas escapou.

Os olhos azuis da imperatriz deram um olhar assustado e de surpresa para sua mulher. De todas as pessoas no mundo, a última que ela esperava receber aquele julgamento, seria de Gabrielle.

-Quer saber, Gabrielle. - Xena deu um passo para traz.

-Xena... descul...- Gabi tentou se desculpar.

-Não... quer saber. Eu não vou me atrever a opinar sobre esse caso. Ele é seu. Tome as decisões que quiser. - Xena deu um olhar frio para Gabrielle e saiu andando mais uma vez.

-Xena, eu não quis dizer aquilo. - Gabi sentiu um aperto no peito.

-Quis sim. - Xena parou bruscamente de novo. -É por isso que você irá julgar, Najara. Porque eu não vou carregar mais uma morte nas costas para você jogar na minha cara. - O olhar frio e magoado de Xena perfuraram Gabrielle.

Xena subiu o último lance de escadas que levava para sala de estar. Gabrielle tentou se justificar novamente, mas Xena não quis ouvir. Ela entrou na sala e viu Ulisses, Lila e Eve brincando no tapete.

-MÃE, OLHA O QUE EU FIZ. - Ulisses disse animado.

-Ei, deixe me ver isso. - Xena continuou ignorando Gabrielle e se abaixou perto de Ulisses.

-Xena!- Gabi tentou mais uma vez.

-Eu já fiz minha decisão, Gabrielle. Melhor começar a trabalhar nisso antes que seja tarde demais. - Xena disse de costas e Gabi entendeu o recado.

A loira saiu da sala de estar e se exilou em seu escritório. Ela não soube explicar o que a motivou a defender Najara daquele jeito, mas sabia que errou com Xena ao ponto de perder a fome.

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Depois que o sol se pôs, Gabrielle ficou mais um tempo em seu escritório no terceiro andar lendo todo o tipo de lei possível. Os olhos dela estavam ardendo e a cabeça levemente latejando. Ela sentiu sua lombar doer e observou os inúmeros pergaminhos jogados no chão.

Definitivamente não havia nada ali que ajudasse Najara e todos os últimos 5 imperadores antes de Xena, pareciam concordar que a pena de morte era a mais justa. A loira não teve psicológico para encarar Najara naquele dia e estava determinada a ouvi-la somente no dia seguinte.

Gabi então, jogou mais um pergaminho no chão e resolveu voltar para seu aposento. Talvez Xena já estivesse menos chateada e elas poderiam conversar e resolver tudo com um bom cálice de vinho.

Quando a loira entrou em seu quarto, descobriu que as velas estavam quase todas apagas e um silêncio mortal caia sobre lá. A loira caminhou lentamente em direção a cama e viu que não somente Xena estava dormindo, como também Eve, Lila e Ulisses. Os três estavam encaixados em alguma parte do corpo da imperatriz e dormiam profundamente.

Gabi sentiu algo estranho naquele momento. Se sentia culpada e arrependida do que dissera mais cedo, mas já que Xena estava dormindo com as crianças, significava que iriam dormir brigadas aquela noite. Significava que naquela cama não teria espaço o bastante para ela.

Com o coração dolorido e determinada a resolver as coisas no dia seguinte, Gabi se retirou e foi dormir no antigo quarto que havia sido seu, depois que foi libertada da escravidão.



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