1. Spirit Fanfics >
  2. Ocaso grego - Parte III >
  3. O feitiço da Huldra

História Ocaso grego - Parte III - Capítulo 46


Escrita por: pamelaguimaraes

Notas do Autor


Atrasada, mas cheguei. Uhuuul

Espero que gostem e tem um recadinho para vocês no final do capítulo 😍

Capítulo 46 - O feitiço da Huldra


Fanfic / Fanfiction Ocaso grego - Parte III - Capítulo 46 - O feitiço da Huldra

Xena mal podia acreditar no que havia acontecido. Depois que Gabrielle limpou o rosto de Brunnhilda, Mioll lavou as feridas com água do odre e as três perceberam que não seriam capazes de se locomover por ali com a quarta guerreira inconsciente. Então, prepararam um acampamento por entre as árvores que estavam, deixaram Brunnhilda quieta e permaneceram em silêncio enquanto cada uma processava o ocorrido. 

O clima estava tenso entre elas e um medo do inevitável crescia. Elas haviam agora somente a certeza que estavam em perigo, mas não sabiam quando os perigos apareceriam. Antes de perceberem que as fúrias haviam possuído Brunnhilda, Ares parecia distante e silencioso, mas agora que viram a influência do deus da guerra em sua jornada, elas passaram a ter a impressão de que ele estava à espreita e rindo delas. 

No entanto, aquele não era o único risco que corria. Elas estavam no meio da floresta mais evitada de toda a Escandinávia, devido à forças místicas que traziam nada além de desespero aos seres humanos. As Huldras não eram amigas e por mais que tivessem formas humanas, não possuíam os sentimentos de compaixão e amizade. As ninfas defensoras da floresta eram tão letais aos homens, quanto as mulheres e também as sentiam espreitadas. 

-Brunnhilda é a única que conhece esse lugar. Se ela estivesse acordada, poderíamos entender melhor o que se passa aqui.- Disse Mioll aflita enquanto continuava ao lado da prima e se sentindo mal por não ter percebido que toda aquela mágoa era na verdade forças místicas em sua cabeça.  

Xena por outro lado estava envergonhada e se sentindo mal por ter acusado e machucado uma mulher inocente. Ela não conseguia encarar Mioll e nem Gabrielle e só conseguia agradecer aos deuses por não ter causado tanto dano a mulher da forma que realmente queria. Ao ver o rosto cortado e roxo da mulher, Xena pensou que conseguia fazer bem pior do que aquilo e em tese, Brunnhilda teve sorte por sair com machucados mais superficiais. 

As mulheres continuaram sentadas em silêncio até que já pareciam estar a uma eternidade na floresta escura e finalmente se sentiram um pouco mais seguras, afinal, nada havia acontecido ainda. 

Quando o tempo ficou incerto devido a falta do sol, elas passaram a sentir muita fome e Gabrielle resolveu falar:

-Precisamos comer, mas não parece ter nenhum tipo de animal aqui para caçarmos.- A loira começou. 

-Não podemos nos separar.- Mioll respondeu e Xena olhou para ela. -Mesmo que estivéssemos vendo vestígios de vida animal, não poderíamos nos separar e procurar comida. Esse lugar é traiçoeiro.- A general respondeu. 

-As árvores mudam de lugar.- Xena finalmente falou com sua voz pesada e as duas mulheres a olharam como se fosse louca. -É por isso que perdemos a entrada da floresta.- 

-Como pode ter certeza disso?- Mioll começou. -Estamos a marcas de velas sentadas aqui e nenhuma dessas árvores se mexeram.-

-Eu estive olhando. As árvores mudam de lugar toda vez que alguém ou algo passa por elas. Assim que sairmos daqui, o caminho irá mudar e não saberemos se estamos andando em círculos.- Xena falou e apontou para uma árvore que estava a dez passos delas que mudou a algumas marcas de vela atrás.  

-Merda.- Mioll falou e Gabi choramingou.

-Deve ser assim que as Huldras confundem as “presas” Nos faz andar em círculos e nunca acham o caminho de volta.- Gabi enfim constatou e Xena concordou. 

-Se você viu a árvore mudando de lugar, então significa que algo passou por elas. As ninfas já sabem que estamos aqui.- Mioll falou e um estalo não muito distante as fez virar o pescoço assustadas.

-Brunnhilda precisa acordar logo e nos dizer o que sabe sobre esse lugar.- Mioll passou as mãos pelos cabelos da prima e pela primeira vez, Gabrielle pode ver medo estampado na carranca de general.  

-Mioll.- Xena chamou e a mulher olhou para ela. -Me perdoe. Eu me descontrolei e…- Xena estava se sentindo verdadeiramente mal. 

-Tudo bem.- Mioll falou, mas não havia nada bem naquilo. A nórdica contraiu os lábios e amansou suas próximas palavras. -Você pode se desculpar com ela quando acordar. Sabe, Xena, eu sei que sua fúria já nos salvou muitas vezes, mas você mesma me ensinou que se não pudermos confiar no parceiro de jornada, então devemos nos considerar mortas.- 

-Sua prima me afrontou e não a conhecia bem, Mioll. Eu não posso negar que deixei minha fúria me cegar, mas nem você soube diferenciá-la do estado normal.- Xena disse por fim e Mioll suspirou.

-Todas erramos. Agora precisamos nos unir novamente para sobreviver.- Gabi falou por fim e todas concordaram. 


**********************

Nova Cartago 

Ísis e Morgana ficaram um bom tempo na banheira e só pararam quando alguém bateu na porta procurando pela mulher. Assim que saiu, Ísis tinha uma expressão boba no rosto e um sorriso frouxo. Já Morgana parecia se sentir vitoriosa e estava adorando os olhares tímidos que Ísis dava. Elas tiveram que se separar e não voltaram a se ver naquele dia. 

Quando Ísis entrou no aposento, Lexa estava lá irritada porque não conseguia prender corretamente o peitoral da armadura. Ela precisava descer e jantar com mais gente sem importância e se passar por Xena, mas estava cada vez mais cansada daquilo. Assim que a jovem entrou, a mulher percebeu como a sobrinha estava andando mole, com um sorriso bobo na cara e em um possível devaneio. A garota jogou sua sacola com os pertences de banho na cama e se deitou sem olhar para a tia.

-Pelas bochechas rosadas a água do banho devia estar muito quente.- Lexa disse indo até a sobrinha e a garota desfez a cara de boba. 

-Ah! Sim, estava bem quente e com muito vapor.- Ísis disse, mas Lexa riu. A jovem não entendeu aquilo e temeu que a mulher suspeitasse de algo. 

-Fico contente em te ver de bom humor. Tenho um jantar e acredito que você não vá querer ir junto, não é?- A tia perguntou e Ísis concordou. -Certo. Se comporte.- Lexa finalmente prendeu o peitoral e foi saindo. Antes de sumir atrás da porta, a mulher olhou sua sobrinha e falou. -Quer me contar algo, Ísis?- 

-Sobre o que?- Ísis ficou rígida e Lexa parecia estar falando séria. -Não tenho nada para contar.- A menina se sentou e Lexa sorriu.

-Tá certo então. Mas lembre-se que pode contar comigo caso queira dizer ou até… perguntar algo.- Lexa piscou e saiu do quarto. Ísis ficou séria e soube que sua tia estava ligando os pontos. 

A princesa voltou a se deitar na cama e logo que esqueceu sua tia, o sorriso se formou novamente. Ela nunca havia presenciado algo tão incrível como aquilo. Estar com Morgana e ter dado aquele beijo e depois aquele envolvimento significou algo importante. Ísis sentia seu corpo arrepiar constantemente ao se lembrar dos beijos, do toque e da sensação e tudo o que queria era poder falar com Morgana ainda naquela noite, mas algo dizia a ela que seria mais interessante aguardar e ver o que o dia seguinte teria reservado. 

No dia seguinte, Ísis teve seu desjejum e saiu do aposento. Ela olhou para todos os lados e não teve nenhum sinal de Morgana. A jovem então, ficou com receio de ir até o aposento da mulher e parecer cansativa e se dirigiu ao jardim. Ao chegar lá, descobriu que estava vazio e sentiu-se triste por não saber se ia atrás de Morgana ou não. 

Não levou muito tempo, até que a figura que Ísis tanto desejava aparecesse no jardim. Morgana veio com seu típico sorriso largo e com sua presença. Ísis sentiu seu coração bater tão forte que pensou que ele escaparia do peito, então sorriu de volta.

-Foi até seu aposento, mas não te achei.- Morgana disse e Ísis ficou feliz em saber que a mulher havia procurado por ela. -O que acha de irmos até o mercado e comprar algumas coisas?- 

-Que coisas? - Ísis quis saber. 

-Ah, qualquer coisa. Só quero sair daqui.- Morgana falou e Ísis mais do que depressa assentiu. 

O guarda que seguia a princesa constantemente sempre que ela saia as acompanhou e assim começaram a andar pela feira. À medida que iam andando e conversando, Ísis ficava interessada em saber o que Morgana havia achado do banho no dia anterior, mas a mulher não comentava nada. A princípio a princesa acho que Morgana estava evitando o assunto por causa do guarda, então dispersou, porém, em determinado momento, o guarda não notou que elas se distanciaram em uma das tendas de ornatos e Ísis teve a impressão da morena se quer parecer lembrar do que tinham feito. Aquela sensação a deixou esquisita e com pouca vontade de falar. 

Ísis começou a ficar confusa e não compreendeu até que ponto era normal duas pessoas ignorarem o sexo feito no dia anterior, mas com medo de parecer infantiu ou até aborrecer Morgana, a jovem nada disse. Assim que foram enjoando da feira, as garotas resolveram partir e voltar para o palacete. Naquela altura do campeonato, Ísis estava pouco falante, pois a falta de consideração de Morgana a estava matando e por um breve momento a morena notou.

-O que tem?- Ela quis saber após Ísis dar uma resposta curta. 

-Nada… Acho que é o sol.- Ela falou de volta e o que mais aborreceu a princesa foi Morgana levar a resposta como algo justificável. 

As mulheres entraram no palacete e ficaram a sós. Ísis pediu para um servo o almoço e elas comeram juntas numa varanda perto do jardim e Morgana continuava conversando normalmente como se nunca tivessem se tocado. Ísis sentiu seu peito apertado e não entendeu o que estava acontecendo. A princípio ela achou que Morgana teria alguma obrigação, depois achou que estava cobrando da mulher algo que não devia e por último uma tristeza que não soube explicar com uma ansiedade horrível a acometeu. 

Sem querer demonstrar sua frustração, Ísis terminou de comer e ficou em silêncio. Aquela atitude foi capaz de incomodar Morgana, mas a mulher ainda tratava a jovem como se ela não tivesse motivos para estar “estranha”.

-O que você tem?- Morgana falou e Ísis suspirou. A jovem por um momento quase disse a verdade, mas então se ocultou.

-Não estou me sentindo bem. Estou com dor de cabeça. Vou subir um pouco e dormir.- Ísis se levantou e esperou pelo menos um pouco de preocupação em Morgana, mas não a encontrou.

-Tá bom.- A morena usou um tom de leve espanto e Ísis se retirou. A princesa suspirou profundamente e entre aquele furacão de sentimentos, chorou.


***********


Escandinávia

As mulheres estavam exatamente onde montaram o acampamento. Em determinado momento elas perceberam que o sol estava se pondo e a escuridão da floresta caía num breu total, ainda mais escura que antes. As mulheres conversaram sobre a possibilidade de ascender uma fogueira, mas Mioll achou melhor não, pois fogo seria uma ameaça a natureza e poderia atrair as Huldras ferozes. Gabi até teve a ideia de pegar a pedra da Lua para ajudá-las no escuro, mas Xena pensou que não chamar atenção seria melhor, sendo assim, elas preferiram se aninhar e adormecer. O único problema foi a fome que não deu trégua. Elas haviam acabado com toda a comida que tinham e havia somente farelos. 

Xena que ainda estava extremamente preocupada com aquela situação não pregou os olhos e deixou Gabrielle se aninhar bem para se aquecer. Enquanto isso, Mioll ficou bem perto de sua prima e a manteve quente a noite toda. Enquanto a imperatriz se mantinha acordada e com a culpa ainda em seu peito, Gabrielle tentava dormir pelo menos um pouco, mas ela descobriu logo o porquê não conseguia. 

-Eu posso te senir.- Gabi disse baixo em determinado momento e Xena olhou para ela. -Posso sentir suas emoções.- Xena suspirou e respondeu:

-Estou me sentindo mal pelo o que fiz.- A morena olhou para cima e na escuridão, Gabi teve dificuldades de ver o rosto. -Eu não tenho jeito, Gabrielle. Sempre terei essa besta dentro de mim que se descontrola. -

-A Xena que conheci verões atrás não se arrependia da mesma forma que agora.- Gabi disse mais do que de pressa e Xena virou sua cabeça para olhá-la, apesar de não ver. -Você é alguém melhor… e eu me orgulho de você.- Gabi ergueu o pescoço e beijou o que pareceu ser os lábios de Xena. 

-Obrigada.- A morena respondeu e Gabrielle pode sentir que aquela angústia que vinha de Xena e não a permitia dormir diminuiu. Ela então sorriu, fechou os olhos e Morpheu a encontrou naquela floresta densa. 

Na minha seguinte, Xena despertou do leve cochilo que conseguiu dar e sua teoria que as árvores se mexiam foi confirmada, pois assim que despertou, parecia estar num lugar completamente diferente. 

A morena se mexeu bruscamente e acabou acordando Gabrielle e Mioll. As duas olharam à volta com olhares perdidos e quando tiveram consciência que o local do acampamento estava mudado, levantaram correndo.

-Pelos Deuses. Isso é terrível. - Disse Mioll e Gabrielle suspirou. 

Elas começaram a olhar a volta, até que ouviram um som vindo debaixo. Ao olharam, viram Brunnhilda com os olhos abertos e tentando se sentar.

-Brunnhilda, graças aos deuses.- Disse Mioll e fez com que a prima continuasse deitada. 

-Onde estamos…. deuses. Não é possível que não sonhei com aquilo.- Disse ela e ao movimentar os lábios, um dos machucados no local soltou um pouco de sangue. 

-Como está se sentindo.- Mioll perguntou e Xena ao ver a mulher acordou, suspirou por vergonha. 

-Parece que uma árvore caiu em cima de mim.- Brunnhilda falou enquanto olhava para Xena e a morena coçou o pescoço.

-Sinto muito. Eu não sabia que estava sendo usada pela Fúrias.- Xena falou e voltou a se sentar na pele. 

-Pois é… Eu também não notei. Só… sentia muita raiva e não conseguia pensar em outro lugar que não fosse aqui.- Brunnhilda se justificou e Xena jogou a cabeça para trás.

-Brunnhilda, você precisava de mais tempo para descansar, mas essa situação é de emergência. Acha que tem condições de nos contar sobre essa floresta e as Huldras?- Mioll se sentou ao lado da prima e todas ficaram olhando. 

Brunnhilda teve sorte de não ter nenhum olho roxo, somente algumas veias dele pareceram estourar e uma mancha vermelha contornava uma parte da íris direita. A loira suspirou, gemeu de dor ao se ajeitar na pele e apontou para um odre de água. Gabrielle mais do que depressa pegou a água e ajudou a mulher a beber. Xena não pode negar que não gostou daquilo, mas não estava no direito de falar nada. A mulher deu uma bela golada, suspirou de novo e todas puderam notar medo nela. 

-A floresta é em grande parte uma ilusão. Ela é densa e enorme de fato, mas não é da forma que estamos vendo.- Brunnhilda falou com dificuldade, pois sua costela parecia doer. 

-E o que é?- Gabi perguntou e Brunnhilda limpou o pouco de sangue do lábio com a língua. 

-As huldras não são perigosas porque seduzem os homens e transformam mulheres. Elas são perigosas por serem sádicas e perversas. Elas brincam com quem entra aqui e só no final realizam o que desejam. - Brunnhilda dizia pausando. 

-O que quer dizer?- Xena perguntou e Brunnhilda deu um olhar de mágoa para ela. Em seguida voltou a falar.

-Elas mudam a floresta para nos perdermos. Nos fazem andar muito, nos esgotam e provavelmente vão nos fazer chegar a um extremo para nos separar. Se forem homens, vão deixá-los vulneráveis ao ponto de não suportarem a sedução e desejarem relaxar um breve momento nos braços de uma dama. E no caso de mulheres…- Ela fez uma pausa e seu lábio tremeu. -No caso de mulheres… Vão nos fazer brigar entre si, até sobrar a mais forte e somente assim, a transformara numa Huldra.- 

-Ótimo.- Disse Mioll e todas sentiram-se tensas. -Tem como sair daqui?- Ela perguntou em seguida. 

-Sim…- Brunnhilda falou. 

-Então temos que nos preparar. Como é que saimos?- Xena disse animada e Brunnhilda a deu um olhar triste e cheio de dor.

-As huldras tem de autorizar.- Brunnhilda falou enfim e a resposta não foi nada do que queriam ouvir. -Vamos ter de encontrar, capturar uma e nos fazer levar até sua lider. A partir disso, teremos de convencê-la a nos liberar.- 

-E você sabe como encontramos uma?- Mioll quis saber e Brunnhilda assentiu com a cabeça, mas tinha medo em seus olhos. 

-Confie em mim.- Naquele momento a mulher deixou claro que preferia não dizer e todas suspiraram.

Naquele instante, apesar de Xena estar se sentindo mal pelo estado que deixou a companheira de viagem, ela parou para refletir e digerir tudo, porém, ela não evitou em pensar que Brunnhilda sabia demais sobre aquele lugar e a sensação de que ela escondia algo só aumentava. 

Xena nunca se enganava com relação a ninguém e ela sabia disso. Por esse motivo estava preocupada. O pior de tudo, é que depois da injustiça que cometeu, não poderia confrontar a mulher pois Gabrielle e Mioll ficariam contra ela, então teria de esperar a hora certa.


Notas Finais


Pessoal, eu já postei quatro capítulos da fic sobre a Cristina. Se chama Cristina, o rei da Suécia.
Está muito legal a história e garanto q vão gostar. O link está aqui abaixo. Correm lá pra conferir. Beijão

https://www.spiritfanfiction.com/historia/cristina-o-rei-da-suecia-22447078


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...