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História Ocean - Harry Styles - Capítulo 2


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Notas do Autor


Demorei, não?
Estava pensando em desitir, mas vou dar outra chance a história, desculpem pela demora.

Capítulo 2 - Segundo


Ana acordou-se sobressaltada, respirando apenas superficialmente, tinha suor por todo o seu corpo fazendo a seda fina de seu vestido colar em sua pele.

Ela perguntava-se se alguém teria escutado seus gritos, decidiu que a resposta era não quando ninguém armado correu para seu encontro.

A sua cabeça latejava de uma forma desastrosa, pela janela ela via o céu em um azul claro acinzentado com leves ondulações de laranja, não devia passar da madrugada.

Depois de algum tempo percebeu que não conseguiria voltar a dormir, assim, levantando-se a contragosto de seu corpo, que protestava fielmente contra seus passos no mármore gelado.

Ana caminhou lentamente até o toalete para jogar água no rosto, viu sua imagem refletida no espelho embaçado.

Ela parecia morta, declarou com espanto, os lábios de um assustador tom arrocheado, sua pele estava palida e com um terrível aspecto opaco.

Respirando fundo, Ana ignorou qualquer sinal de doença em seu rosto e voltou para o quarto, determinada a vestir um corpete sem ajuda de sua criada, colocar o mais confortável de seus vestidos e juntar-se a uma caminhada pelo final da madrugada.


◇◇◇

Harry estava de pé excepcionalmente cedo naquele dia em particular, ele podia jurar que era o primeiro do castelo a acorda-se, claro que tal julgamento foi posto de lado rapidamente.

Ao alojar-se na biblioteca pode ouvir os primeiros indícios de que mais alguém queria aproveitar o dia desde cedo.

Olhando por uma fresta da grande porta de madeira vermelha trabalhada, Harry pôde ver Ana, ela estava entrando pela porta da frente do castelo, os braços ao redor do corpo tentando proteje-la do frio.

Ela subiu as escada que levariam ao andar principal, e logo quando Harry concluiu que ela não voltaria ela desceu as escadas novamente.

Dessa vez ela trazia consigo um grande casaco de uma cor inidentificavel no escuro, e tambem carregava um cobertor grosso.

Harry franziu as sobrancelhas, garota imprudente, vagando pelos jardins tão cedo da manhã, como se não estivesse ciente dos perigos que aquilo poderia trazer.

Revirando os olhos Harry pois-se a seguila, fazendo o minimo de barulho para não chamar a atenção da garota.

Harry surpreendeu-se quando ela adentrou a floresta. Espantado, correu atrás da menina que parecia se atrair pelo perigo eminente.

Mas ele se surpreendeu mais uma vez quando, ainda escondido por trás de uma árvore, Harry a viu estender o coberto no chão.

Ela estava em uma área limpa, livre de árvores, arbustos ou qualquer erva daninha, o espaço formava um perfeito circulo, escondido entre as árvores volumosas da floresta.

Ana deitou-se sobre o tecido e apenas adimirou o céu, nem um pouco ciente da presença masculina a alguns poucos metros de distância.

- droga - sussurrou, ele não queria a incomodar, mas também não podia deixar-la sozinha no meio da floresta, muito menos ficaria tomando conta dela ali, em pé, desconfortavelmente entre duas árvores praticamente coladas.

- você deveria voltar para o castelo - falou em um tom auto e autoritário, Ana se assustou, sentando-se rapidamente pôs uma mão sobre o coração - não posso deixar você ficar aqui, sozinha e no meio da floresta.

- e-eu...- Ana se sentia constrangida, mas também um pouco irritada, depois de anos aprendendo táticas para conseguir fugir dos guardas agora ela deveria aprender como despistar Harry - não se preocupe, eu sempre venho aqui, não a perigo nenhum.

Harry riu sarcasticamente, negando com a cabeça, perguntava-se o que fez para ter uma garota tão estupida e inconsequente em seu caminho.

- está realmente me dizendo que...isso que você faz. Fugir no meio da noite, quero dizer, é uma coisa frequente no seu cronograma?

Ana se repreendeu silenciosamente, sentindo as bochechas esquentarem.

- entenda como quiser - disparou, se arrependendo de imediato ao ver a expressão do homem a sua frente - não me entenda mal, senhor Styles, é só que esse lugar é importante para mim, eu eu ficaria realmente agradecida se o senhor pudesse manter isso em sigilo.

Harry abriu a boca para contesta-la, mas logo a fechou em um linha fina, respirou fundo enquanto movimentava o corpo desconfortavelmente.

- posso compreender seu ponto - falou a contragosto - ninguém ficará sabendo sobre suas pequenas "fulgas", mas quero que volte para o castelo agora, e terei de proibi-la de vir aqui novamente sem supervisão....

Ana abriu a boca espantada, mas logo a fechou tentando manter um pingo de compostura que ainda lhe restava, ela sorriu falsamente e puxou o cobertor do chão, logo passando por Harry em direção do castelo, ela não falou mais nada, já que sabia que se abrisse a boca cairia aos prantos ali mesmo, ou pior, atacaria o príncipe.

◇◇◇

A família real estava reunida, sentados ao redor da grande mesa de carvalho envelhecido, decorada com pequenos arabescos em ouro.

Dankam estranhou o pequeno atraso de Anelise, sentado no pequeno trono a ponta da mesa, ele olhava constatemente para a porta a espera de sua criança.

Hugo e Harry papeavam sobre o festival da prata, comemoração logo aconteceria em Storn, a grande festa que atraía povos de todos as cidades na jurisdição da coroa.

- pretende lutar esse ano, irmão? - perguntou Hugo, ainda concentrado em seu prato.

- não sei, minhas abilidades com espadas estão em um estado muito...peculiar, no momento - Harry sorriu de leve para a confusão no rosto do irmão, claramente empacado sobre o que "peculiar" significaria neste exemplo.

No mesmo momento barulhos de saltinho pelo mármore se fizeram presentes, Dankam sorriu abertamente para Ana quando ela finalmente se juntou a eles.

- tubo bem, querida? - Hugo perguntou, para a total surpresa de Harry - estava começando a achar que não se juntaria a nós.

- oh...sim estou ótima, sinto muito se preocupei vocês, mas de qualquer forma... - Ana direcionou seu olhar para Dankam, que franziu as sobrancelhas - gostaria de falar com o senhor, se não for problema - Ana olhou de soslaio para os príncipes que a encaravam, mas logo desviou o olhar.

- sinta-se a vontade, querida - Ana engoliu em seco, gostaria de conversar a sós com Dankam, mas não incomodaria o próprio rei.

- gostaria de sua permissão para deixar o castelo hoje... - murmurou, o rei arregalou levemente os olhos, nunca houvera a intenção de prende-la, mas a garota havia escolhido não sair por si mesma, então a pergunta o surpreendeu de uma forma consideravelmente boa.

- não vejo problemas, mas irá acompanhada eu supunho? - havia um tom de repreenda em sua voz, o rei não seria estupido de deixar sua protegida vagar sozinha por Storn, Deus era testemunha de seus inimigos, aqueles que não perderiam uma chance de o ferir.

- na verdade, foi um convite do sr. Reyse. - Hugo franziu as sobrancelhas atraindo a atenção de Harry.

- que intenção Aleck poderia ter ao chamar você para fora do castelo, desprotegida? Não quero ser infortuno, mas o garoto é regente de um território inimigo, pai - a essa autura Hugo dirigia a fala diretamente ao rei.

- é realmente curioso, Hugo - o rei armou uma carranca irritada em seu rosto - mas o mais curioso é como o senhor Aleck Reyse conhece a querida Ana? - Dankam a olhava aquisitivo.

- não culpem a garota por sua recém descoberta libertinagem - Harry comentou despreocupado, o pequeno sorriso ladino brincando em seu rosto.

- não sou libertina, senhor Styler - Ana falou com uma acidez até então desconhecida por Harry - conheço Aleck desde muito antes de conhecer o senhor em pessoa - agora quem carregava o sorrisinho de deboche era Ana, Harry apenas deu de ombros, equilibrando o braço nas costas da cadeira, claramente desconfortável.

- eu não sabia disso - Dankam falou, fazendo com que Ana se sobressaltasse, apenas agora lembrando de sua presença ou da de Hugo na sala, por um momento estavam apenas ela e Harry.

- ele é meu conhecido desde os sete anos, seu pai, duque de Calíx, estudou na mesma academia que meu pai, por isso sempre nos conhecemos - Ana mordeu o lábio receosa, indecisa se deveria continuar com a explicação, mas enfim cedeu. - ele foi um dos homens que lutou com você pela minha guarda, mas quando soube que o rei tomaria conta de mim, percebeu que eu estaria em boas mãos.

Ana respirou fundo, havia falado muito em uma única manhã, odiava isso, e odiava ainda mais falar enquanto estava sendo observada, principalmente por compenetrantes olhos verdes, que no momento parecia gelidos, talvez levemente zangados.

- tudo bem - o rei declarou fazendo Ana sorrir de leve, mas logo seu sorriso se desfez - contanto que leve mais alguém com você. além de um guarda, mas com isso não precisa se preocupar, ele não ficará a vista.

Ana desepsionou-se, mas tratou de esconder a emoção com um sorriso amarelo, a posibilidade de ver seu antigo amigo a havia alegrado, mas não seria a mesma coisa se estivesse frequentemente vigiada.

-eu posso acompanha-la - declarou harry chamando a atenção de todos na mesa, Ana levantou uma sobrancelha repreendendu-o com um olhar, mas Harry apenas sorriu - eu vou visitar a vila hoje, não seria incomodo manter um olho na querida Ana.

Ana concordou silenciosamente e se retirou da sala, pela segunda vez no dia, querendo evitar o assassinato do príncipe pelas suas próprias mãos.

◇◇◇

Agora na torre, Ana tentava escolher uma vestimenta adequada para seu passeío, o dia estava particularmente frio, embora o sol brilhasse no céu.

Ela dançava entre as placas de mármore enquanto cantarolava despreocupadamente.

O sol brilhava em raios prateados, entrando pelo janela de vidro levemente esverdeado em seu quarto, Ana sorriu ao ver um pássaro pousar no palanque de sua janela, logo correndo em sua direção.

O ato fez Ana tropeçar em sua cômoda, derrubando um frasco e perfume, o vidrinho rolou arteiro para longe de suas mãos, parando em baixo de sua cama.

Ana bufou de leve enquanto se abaixava para tentar alcançar o frasco, então empurrando um pouco a cama de madeira, excepcionalmente pesada, ela conseguiu alcançar o perfume, que havia parado de rodar ao se prender em um pequeno buraco em uma placa de madeira.

Estranhamente, aquela era a unica parte do chão que era amadeirada, sendo escondida por baixo da pesada cama, Ana se sentiu estupida por nunca ter percebido a excepcional falha no mármore do piso.

O buraco era bem localizado, e não parecia feito por acidente, lembrava a Ana da entrada do sótão em sua antiga cabana, Ana aproximou-se do chão, querendo puxar a tábua de madeira, sua curiosidade era maior do que tamanha idiotice que o ato parecia demonstrar.

Ana ainda chegou a deslocar a tábua levemente, mas foi interrompida por batidas na porta de seu quarto, e como uma criança que foi pega no pulo, a menina encaixou a madeira novamente no chão e empurrou a cama de volta para seu lugar.

Ao abrir a porta, deparou-se com os mais belos e calculista olhos verdes, que pareciam excepcionalmente frios naquele dia em específico.

- posso ajuda-lo? - Ana perguntou, estranhando a amargura que sua própria voz demonstrou, Harry parecia ter percebido também, pois ergueu as sobrancelhas, mas logo riu, o que deixou Ana ainda mais zangada.

- quero saber se a senhorita já está pronta? - Ana arregalou os olhos, perdeu tanto tempo analisando o chão que acabou esquecendo o compromisso.

- estarei pronta em alguns minutos. - garantiu. Respirando fundo para se recompor, Harry torceu o nariz de leve, contrariado, mas logo aquieceu.

◇◇◇

Foi muito complicado para Harry deixar o orgulho de lado e acompanhar Ana até o "senhor Reyse" o nome do possível pretendente trazia um gosto metálico a sua boca.

Claro que ele não daria um minuto de sossego ao "casal", Harry soltou um leve rosnar que parecia ter rasgado toda a sua garganta no percurso, qualquer leve menção ao, talvez, próximo duque de Calíx e Ana como um par o deixava enojado, estranho, considerando que Harry não o conhecia.

- o senhor está bem? - Ana perguntou, estava curiosa, mas forçava uma caranca de tédio e desinteresse.

- e por que eu não estaria? - ele ergueu uma sobrancelha enquanto perguntava com prepotência.

- não sei, eu apenas não estou habituada a ouvir seres humanos...rosnando - ela arrastou cada sílaba da palavra rosnando, enviando uma onda de calor diretamente a "masculinidade" de Harry, sua inocência não a impedia de soar completamente sedutora aos ouvidos do príncipe.

Harry prendeu a vontade de rosnar uma segunda vez, murmurando um "estou bem" nada condizente, e logo virou o rosto novamente para as ruas de paralelepípedos que levava ao porto.

Harry se sobressaltou ao ver Ana aumentar o passo em direção a um homem, arregalou os olhos de leve, deveria ser o tal Aleck, seus olhos se arregalaram ainda mais ao ver o sorriso e Ana crescer enquanto o homem beijava sua mão enluvada.

Harry lembrava do sentimento que era beijar a mão de Ana, mas na ocasião ela estava sem luva, e particularmente ofegante, depois que foi acusada pelo próprio Harry de ser mais uma das meretrizes do rei, ahh...Harry ainda tinha essa vantagem, sentiu a pele quente de Ana sob os lábios, uma sombra de um sorriso se formou em seu rosto, "touché, meu amigo, desta vez eu venci" mas tal pensamento logo foi substituído por outro rosnado.

Droga, ele tinha que para com isso, não era um cachorro, ao menos, não completamente, mas Reyse acabara de tocar o rosto de Ana delicadamente, ele não tinha vergonha?! Poderia sujar a reputação de uma dama com muito menos.

Harry pigarreou, fazendo a atenção de Reyse finalmente se voltar para ele.

- não me falou que tinha companhia, querida Ana...- Harry quis rir com o quão falso soou o "querida Ana", mas ele prendeu o riso, se contentando om um pequeno sorrisinho de deboche, sorriso a qual Ana ergueu uma sobrancelha.

- Harry...Styles - falou com condescendência, Reyse arregalou levemente os olhos, era de conhecimento popular que o sobrenome Styles pertencia apenas a realeza.

- Reyse...Aleck...quero dizer, duque de Calíx...ao seu dispor, magestade - Harry prendeu o riso mais uma vez.

- ora, vamos...sabemos que eu não sou o rei, e você também não é o duque...ainda...se bem me lembro - murmurou a última parte baixinho, mas teve a certeza que ele ouviu - não precisamos de toda essa formalidade, certo?

- certamente - Murmurou contrariado - mas então, querida Ana....- Harry revirou os olhos - ainda não me falou o motivo de ter incomodado o sr. Styles a te acompanhar.

- não é incomodo algum, posso te garantir, não gostaríamos de manchar a reputação da...querida Ana...gostaríamos? - perguntou ameaçador.

- a que "reputação" se refere?! - Ana murmurou enraivecida.

- como? - Harry contestou, em duvida se teria escutado corretamente.

- nada - falou um pouco alto demais - eu não disse nada...apenas não estou me sentindo muito disposta - respirou fundo sabendo que seus momentos de liberdade acabariam antes mesmo de terem começado.

- então Ana, podemos dar uma volta, estou certo de que um pouco de ar fresco te deixará muito mais disposta - ele perguntou amavelmente, mas para Harry ele parecia superficial e apático.

- você não estava se sentindo mal quando saímos, Ana - ela revirou os olhos desejando com todas as forças que ele sumisse.

- é apenas uma dor de cabeça, logo passará, tenho certeza.

- ah...não quero que fique doente, acho que seria melhor voltarmos ao Palácio, sim?! - Ana arregalou os olhos.

- acho que... - Aleck tentou a ajudar, maz foi interrompido por um dos marinheiros da encosta.

- senhor Reyse, o capitão encontrou o que você pediu, me disse para convoca-lo imediatamente - Aleck sorriu vendo sua oportunidade.

- pedi que meu capitão encontrasse os mapas de toda a restrição da coroa, não gostaria de vir comigo? Garanto que planejar rotas de navegação não é tão desinteressante quanto paresse.

Ana quase aquieceu, porém ao ouvir Harry pigarrear, percebeu que havia perdido sua chance.

- sinto muito, Aleck - Ana o abraçou levemente - espero que possamos nos encontra novamente em melhores circunstâncias...

Harry fez um aceno de cabeça, deixando para trás um, quase, duque embasbacado, não pôde conter o sorrisinho debochado.

Ofereceu o braço a Ana, que aceitou com muita relutância, o que o fez erguer uma sobrancelha.

- tudo be...

- por quê me tratou feito uma criança na frente de Aleck? - explodiu amtes mesmo que Harry terminasse a pergunta.

- ora, não seja insolente, ele claramente tem péssimas intenções por baixo do sorrisinho amarelo - Ana riu com sarcasmo, se assustando com a própria reação, o que estava acontecendo com ela?

- quais intenções ele poderia ter, senhor Styles? Gostaria de lembrar-lhe que sou apenas a filha órfã de um comandante, não tenho uma reputação como o senhor sugeriu.

- mas..

- e ainda que tivesse - Ana continuou - Você não tem o direito de me negar a opinião, estamos no século 19, caso queira lembrar, e não sou sua subordinada, você não tem direito sobre mim - ela sacudiu a cabeça com tanta força que um pequeno lacinho se desprendeu de sua cabeça, fazendo uma fraja de castanho dourado cair sobre seu rosto, tirando toda e qualquer atenção que Harry poderia ter prestado a seu surto.

Sua mão foi involuntariamente até os fios escuros que pousavam em sua testa, deslocando-os para trás de sua orelha, Ana arfou, não era essa a resposta que ela esperava em relação as suas reclamações.

- vamos para casa, lá podemos conversar - Ana humideceu os lábios contrariada, e Harry desejou por um momento que fosse a sua própria lingua a desempenhar este papel.

Ele tirou a mão que ainda repolsava no rosto de Ana rapidamente, o que raios estava acontecendo com ele aquela tarde, parecia ter voltado os 16 anos, babando por qualquer mulher bonita.

- não! - Ana falou de repente, o confundindo demais para seu próprio gosto. - não...

- não? - ele lutou contra a própria mente para descobrir sobre o que seria sua negativa, mas acabou ficando sem sucesso.

- não quero voltar para...o castelo - Ana ainda não conseguia chamar a construção triste e solitária de casa, mas esperou que Harry não percebesse. - quero andar pela cidade, qualquer coisa que tenha para me dizer, me dirá aqui! - ela tentou não vacilar, por mais que seu rosto ainda mostrasse uma pontada de medo, é claro que se Harry quisesse ele a obrigaria a voltar para casa.

- você está alterada, Ana...não vai querer fazer um escandalo no meio de uma praça pública, vai?! - Harry perguntou entredente, por um momento desejou a entediante e recatada Ana de volta...não isso não era verdade, aquela garota é insuportável, ele preferiria bem mais essa versão da adoravel Ana.

Ana respirou fundo, querendo esconder a irritação por trás dos olhos fechados.

- eu não vou voltar para o castelo! - não era a intenção de Ana agir como uma garota mimada e contrariada, mas aconteceu e agora que ela estava batendo pé, indo em direção ao único lugar que ela conhecia, Harry não tinha escolha, a não ser segui-la.

◇◇◇

Ana suspirou ao perceber que seus pés a levaram inconscientemente até o velho chalé de seu pai, ele ainda estava em perfeitas condições, em uma área habitada por ninguém, tendo apenas uma visita anual de uma visinha generosa que cuidava do local.

As árvores que circundavam a construção de madeira haviam crescido, deixando o terreno oculto por entre uma pequena floresta que parecia assombrada pelos olhos da garota.

Ana se aproximou da porta, tocando os arabescos entalhados na madeira e circundados com um ferro escuro e agora enferrujado.

- Ana..? - Harry tentou chamar mas a garota apenas se distanciou de seu toque.

Ana se curvou sobre um vaso marrom com algumas trepadeiras mortas, deslocou a peça levemente para o lado, e em um pequeno buraquinho no chão coberto por folhas de um verde musgo, estava uma chave de prata polida.

Harry suspirou derrotado, dando espaço para que a, agora calada, Ana pudesse abrir a porta, a chave entrou facilmente na fechadura, que fez um barulho quebradiço e desagradável por não ser usada a meses, a porta se abriu com um estrondo, arrastando-se pelo chão, também de madeira.

Harry entrou na instalagem logo após Ana, tudo estva em perfeito estado, exceto por algum excesso de poeira, mas tirando isso, nem parecia abandonado.

- pode me dizer o que estamos fazendo aqui? - Harry perguntou impaciente, ficar sozinho com Ana, em uma casa completamente vazia não lhe parecia uma boa idéia.

- pode ir embora, não precisa ficar de olho em mim a toda hora, diferente do que pensa, não sou uma criança. - falou séria ao sentar-se no sofá de cor marfim.

- então por quê está agindo como uma? - Ana riu sarcasticamente e Harry se arrependeu de ter perguntado.

- EU estou agindo feito uma criança, senhor Styles? Deveria se olhar no espelho.

- qual o motivo de toda essa raiva? Até parece que eu matei o homem... - falou um pouco auto demais.

Ana não queria admitir que tinha segundas intenções em relação a Aleck, seu pai falara uma vez que quando ela fosse de alguém sairia de casa, e serviria ao marido, mas la no fundo ela desejava se casar com um homem que a trataria ao menos um pouco bem, e que a mostraria o mundo em toda sua totalidade e beleza, e a libertaria da torre a que está presa.

- você não entenderia...- murmurou desacreditada, fazendo Harry revirar os olhos.

- tente, sou um ótimo ouvinte - falou com sinceridade, por mais que ainda com certa raiva.

Ela tentou negar, mas a insistência do homem a sua frente era inigualável, principalmente no momento em questão

- antes de meu pai morrer ele...ele... - Harry suspirou, não queria força-la a falar, mas quando ia interrompe-la ela continuou - ele me fez prometer que eu casaria com alguém que cuidaria de mim como ele cuidou...

- é por isso que... - Ana mandou ele se calar com apenas um olhar - desculpe...

- e ele fez o seu pai o prometer a mesma coisa - Harry levantou uma sobrancelha em confusão - e ele aceitou... - uma lagrima quente molhou sua bochecha - agora ele quer que eu me case até o final do ano, e ele acha que...que o lorde Frederick é... - ela não conseguiu terminar a frase, mas foi o bastante para fazer o sangue de Harry ferver.

- ele quer que você case com Frederick? - Ana aquieceu, Harry se viu em fúria ele não enxergava mais nada além do ódio que o moveu de alguma forma desconhecida de volta até o castelo.

◇◇◇

As portas da sala principal se abriram em um estrondo ruidoso, do lado de fora uma pequena tempestade se iniciava, Harry caminhou a passos leves e calculados, por sorte o rei desposava ali em frente a lareira em uma conversa animada com Hugo.

- você... - Harry sossurrou com a voz estremamente rouca, Ana gritou seu nome, ele não percebeu que ela o seguia de volta para o castelo até aquele momento - ME ENCARE, COVARDE!!! - seu grito foi estrondoso, os poucos serviçais que ali se encontravam fungiram de fininho.

- ora, Harry, o que é tudo isso? - a frase foi calma, porém entonada pelo rei de forma ameaçadora.

- como ousa pensar em faze-la casar-se com Frederick? - o rei não o respondeu, finalmente sua ficha havia caido - COMO OUSA??? - gritou mais uma vez.

- acalme-se, Harry, ainda não a nada certo, é apenas um acordo e... - do outro lado da sala Hugo se revoltava em silêncio, porém era covarde demais para interferir.

- COMO OUSA? - ele se negava a ouvir explicações vazias, estava cego pela raiva e pelo orgulho ferido, por isso sua última frase carregava todos os arrependimentos de uma vida, em um tom leve e mortal - como ousa querer que ela se case com o filho do homem que matou minha mãe?

"O filho do homem que matou sua mãe" a frase pairou no ar, inconfundível, porém sem respostas.










































Notas Finais


Até o próximo


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