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História "Ocean eyes-Olhos de oceano" Billie Eilish (Mitológico) - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Ondas


Fanfic / Fanfiction "Ocean eyes-Olhos de oceano" Billie Eilish (Mitológico) - Capítulo 3 - Ondas

 -81 de novembro de 157 (07:12h da tarde)

Querido diário...



Venho a vós contar mais uma de minhas aventuras. Claro, se assim preferir nomear. Lembro-me de sair cedo da casa de repouso, diria que até cedo demais para os meu horário normais. E tratei de me apressar, direcionando meus passos para a feira mais próxima. Enquanto me sentia banhada pelo fraco sol que acabara de nascer no horizonte.


Precisava encontrar um livro ou coisa do tipo que listasse com precisão algumas lendas ou mitos de criaturas sobrenaturais. Então sim, voltei a ativa e estou mais focada que nunca no meu antigo objetivo: encontrar uma criatura sobrenatural. E irei achar, nem que isso me custe algo mais caro do que eu possa pagar.




Sinto que esse é um caminho sem volta, e meu peito implora para que eu não encontre. Para que pare com Tudo e apenas descanse. Pois se encontrar, tenho medo de não poder ser normal nunca mais.




Procurei com vários mercadores. Todos diziam não ter nada do tipo do livro que procurava, até porque, a maioria dos aldeões são analfabetos. Poucos são aqueles com a proeza da leitura ou a habilidade da escrita. Eu também seria um dos pobres coitados, ignorantes da sabedoria mesmo tendo nascido em uma boa família prestigiada na sociedade, se não tivesse de uma certa forma obrigado meu irmão primogênito a me ensinar as letras, hoje não saberia nem escrever meu nome. Até porque mulheres não têm o direito de aprender algo tão valioso. Mas é nítido que seguir costumes não é do meu feitio.


Voltando a história, bom... Fiquei nessa mesma até o início da tardezinha, quando encontrei uma velha senhora de vestes esfarrapadas me chamando através de um aceno de mão.


Ignorei, até porque não a conhecia. Nunca tinha a visto em toda minha vida, portanto concluí que ela devia estar se referindo a outra pessoa com tal gesto, apesar de olhar especificamente para mim. Me concentrei em voltar a assuntar todas as diversas banquinhas de mercadores que vendiam inúmeras bugigangas que acredito que possam ter sido roubadas por aí.


Mas apesar de tudo não conseguia achar nada parecido com um livro, e nem se quer com esse tema tão específico.




"—Senhor, tem certeza de que não tem nada parecido com um livro ou talvez... algo que eu possa utilizar para fazer uma pesquisa sobre coisas sobrenaturais?"


"—Claro que não garota, se eu tivesse provavelmente iria saber... bom... eu acho. Se eu soubesse ler eu poderia te dizer com clareza."


"—Então como sabes que não tem algo do tipo se não consegue nem ler o título do livro?"


"—Eu sei porque não tenho livros para vender! Por isso tenho certeza de que não tenho um livro que fale sobre isso. Mas não tenho certeza de que não tenho algo parecido com um livro que aborde o assunto."


"—Isso está um pouco... confuso. Não acha?"


"—Bom, o que quero dizer é que não tenho nada que fale sobre sobrenatural e seja escrito. Pronto. Acabei com suas dúvidas? E a propósito, o que você faria com um livro? É uma garota! Não pode saber ler."


"—Tá bom. Você vende dentes de vampiros verdadeiros, que diz ser real. E não possui um livro qualquer?"


"—Sim! Presas de vampiros fresquinhas, até com um pouco de sangue. Aquelas criaturas asquerosas estavam em formato de morcegos quando eu as retirei com toda a força que tinha. Originais e em ótimo qualidade!"




Ele deve achar que sou lesa ou algo do tipo para acreditar nesse papo furado, ou que ao menos nasci ontem para ser tão ingênua. Esse mentiroso não consegue nem se quer ler, quem dirá lutar contra um vampiro de verdade com 3× a força humana. E duvido que esse cara tenha algum resquícios de força por debaixo da obesidade que se mostrava presente na sua barriga caída sobre as calças. O triste é saber que tem pessoas que compram. Acreditam nessas besteiras. E no final apenas vão adquirir doenças através do "produto".




"—Tem presas de morcegos e não tem um livro que fale sobre criaturas sobrenaturais?"


"—Exatamente. O que qui há garota? É muito mais fácil perguntar sobre esses mitos para um ancião. Ele vai saber te contar as histórias!"


"—Só não vão saber falar com coerência e completa verdade. Saber falar qualquer um sabe, difícil é que seja com franqueza. No livro tenho mais chances de que sejam história reais."


"—Está chamando os anciãos de mentirosos?"


"—Não me entenda mau. Eles só não são de confiança. Você que é mentiroso. Olha aí, o seu produto é inteiramente falso. E isso sim é verdade."


"—Quê? Você está louca? Só vendo coisas de qualidade! Isso é uma afronta."


"—Qualidade? Só passa de um charlatão que passa pobres ingênuos para trás e os presenteia com prováveis doenças em troca. De você não compro nada. Passai bem."


"—Olha aqui sua macho fêmea!"




Com certeza posso dizer que ele deve ter pronunciado várias coisas rudes por enquanto que eu me distanciava de suas farsas. Mas não liguei, nem sequer me importei com suas palavras. Apenas segui meu caminho, enquanto sentia meu corpo cansado e dolorido implorar por um descanso.


Me afasto de todo o movimento daquele burgo, me sentando cautelosamente por debaixo de uma grande árvore. Sentindo a nostalgia me dominar ao encarar deslumbrada as várias folhas meias secas que insistiam em se manter presas aos galhos da árvore, elas me lembravam minha casa, minha família.


Quando percebo, me pego duvidando de minhas habilidades. Será se vou conseguir se quer ver algum sobrenatural na minha vida? Ou talvez tenha feito errado em deixar os meus para provar o impossível a eles. Será se acreditaram em mim?


Óbvio que não.


Mas não custa tentar, né? Essa odisseia incrivelmente chata é só uma forma de provar a mim mesma que não estou errada, não sou louca e que não minto ao acreditar em seres da noite. Uma forma de alimentar meu ego frágil. Talvez sim... Talvez não.


Sou acordada de meus pensamentos mais profundos ao perceber alguém se aproximando. Já me coloco em alerta, pronta para me defender de algum perigo. Não seria a primeira vez que tentam me apedrejar nas ruas, ou talvez seja o dono daquelas porcarias falsas que se manteve ofendido e veio "tirar satisfações".


Me levanto em um pulo, e de imediato suavizo minha expressão. Era só a senhora que provavelmente estava acenando para alguém próximo a mim. O que ela queria era o único porém alí.




"—Boa tarde senhorita!"


"—A senhora estava falando comigo quando tentava chamar a atenção de alguém com um aceno de mão?"




Ela pareceu se acanhar um pouco ao perceber que eu nem mesmo a comprinentei. Já estava um pouco cabeça quente com o mercador e também prefiro o estilo "curta e grossa". Não posso perder tempo.




"—Sim. Era com a senhorita que eu me referia. Perdão se não fui clara. Me chamo Maria, mas pode me chamar de Dona Maria!"


"—Certo Maria. O que te trás aqui?'




Prometo que não era minha intenção amedrontá-la, diário. Mas essa são sempre as suas reações ao ter o menor diálogo que for comigo. Vejo ela engolir em seco antes de prosseguir.




"—Bem... Não é que eu esteja te seguindo ou algo do tipo mas.... ouvi sua conversa com o mercador. E tenho o que precisa."


"—Você tem um livro que fale sobre sobrenaturais?"


"—Acho que tenho. Bom... Eu também não sei ler mas... pelos desenhos que estão grafados no livro... posso dizer que fala sobre essas coisas."


"—Certo."




Digo bem desconfiada, a olhando com um pouco de deboche. Mas não posso culpá-la por nada. É só uma senhora que parecia querer ajudar.




"—Ei, pegue. Olhe e tire suas próprias conclusões! Pela forma como falava, tenho certeza que tem o dom da leitura. Esse é um dos livros que tenho. Vago a dias atrás de alguém que possa lê-lo para mim."




A senhora diz, tentando quebrar um pouco do clima pesado, enquanto me entregava um grosso livro de capa marrom escuro. Me sento no chão novamente, enquanto estudava as escritas na capa do livro. "O Conde Drácula" era o que estava escrito.

Solto um pequeno sorriso esperançoso ao perceber o assunto que o livro tratava. Isso pareceu tranquilizar a senhora que se sentou vagarosamente ao meu lado na grama. Me observando em silêncio foliar devagar as folhas amareladas por culpa do tempo, porém sem me dirigir alguma palavra, enquanto que eu lia pequenos trechos do que estava escrito. Formando um pequeno resumo na minha própria cabeça.




"—Esse livro não conta exatamente sobre criaturas sobrenaturais, mas narra uma história sobre um vampiro em específico chamado Drácula. É o mais perto que cheguei de um livro sobrenatural, e acho que me serve para descobrir um pouco sobre o vampirismo. Muito obrigada por isso! Quanto te devo Maria?"




Digo por fim fechando o belo livro, fixando toda minha atenção na mulher de longos cabelos ondulados e loiros que sorria gentil com os poucos dentes que lhe restava.




"—Não me deve nada! Eu apenas quero um favor em troca do conteúdo do livro."


"—E que favor seria esse?"


"—Quero que me ensine a ler!"


"—Como?"


"—Bem... tenho uma biblioteca em casa. Cheia desses tais livros. Era dos meus filhos, mas depois de sua partida acabou que o salão ficou para mim. E me sinto muito sozinha e entediada naquela casa. Confesso que adoraria saber ler para ter com o quê passar o tempo."


"—E como eu sou uma garota que sabe ler, significaria que seria mais fácil de pedir uma ajuda. Já que os homens não aceitariam."


"—Exatamente."


"—Huuummmm..."


"—Tenho vários outros livros lá! Pode ser que você encontre algum que te chame a atenção! Pode achar o que procura! E só preciso me ajudar com as letras para ter acesso aberto a toda a informação que tenho disponível."




Nunca fui uma boa professora, eu confesso. Nunca tive dom para ensinar, só para aprender. Então tive receios de aceitar. Mas quando me lembrei daqueles lindos olhos púrpura acabei por ter certeza da minha resposta. Aquela mulher não é humana, e eu vou descobrir o que ela é.

A senhora me deixou levar o livro por hoje, mas amanhã mesmo tenho de estar presente em sua casa para ensiná-la o que sei. Não parece uma tarefa difícil, mas não pretendo cantar vitória antes da hora.






Oito e meia da noite:

Passei o resto da tarde estudando aquele livro encantador, e fiz várias descobertas sobre vampiros. E pode ser que a garota seja uma vampira. Vampiros são muito bonitos e manipuladores, conseguem ter qualquer um em suas mãos a qualquer momento. E a maior prova de que ela é uma vampira: vampiros só saem de noite, e de dia... Somem.


Casa completamente com a descrição da bela garota. A única coisa que não parece fazer sentidos são as cores dos olhos. Dizem que vampiros tem olhos vermelhos, e a mulher esbanja belos olhos púrpura. Mas isso não quer dizer que toda a minha teoria foi descartada. Vai que ela é diferente dos outros.



O único problema em saber que ela é uma vampira é o medo que sinto pelo meu pescoço. Não quero acabar jogada em algum lugar sem sangue. Ninguém sensato iria venerar esse final... eu espero.


Assim que o momento chegou eu já estava lá dentro da taverna. Esperando a moça aparecer. E como minha companhia estava o belo blazer que ela me emprestara. Tenho planos de usá-lo como desculpas para me aproximar.

Me mantenho em um lugar escondido e isolado, ainda fixada na leitura longa e prazerosa daquele intrigante livro. Ou ao menos era o que eu tentava me obrigar a fazer, até porque era impossível me manter focada na leitura com tantos barulhos, gargalhadas e bebedeiras. Fora que eu não podia deixar que ninguém percebesse que eu tinha um livro e sabia ler. Esse seria mais um motivo para caçoarem de mim, me olharem feito uma aberração e testarem minha paciência.



E pior ainda era saber que ela estava prestes a aparecer. Isso fazia meu coração acelerar e tirar a minha concentração. Eu não poderia estar apaixonada por outra mulher, isso é muito errado e seria capaz até mesmo de me condenar a forca. Usar roupas masculinas e não entrar nos padrões femininos é uma coisa, adulterar com outra mulher é totalmente diferente. Eu não posso me interessar. Nunca poderemos ter nada.



Tudo o que ela é pra mim é... Um trabalho. Ela é uma sobrenatural! E por isso estou tão fissurada em sua ilustre presença. Essa tem que ser as minhas desculpas. Lebianismo é demais até para mim.

Ouço as portas da taverna serem abertas com cautela. E por elas entra aquela mulher, tão linda quando sempre, estalando o silêncio por onde passava e mais uma vez encantando homens de todas as partes, gostos e status familiares. Casados, solteiros, prometidos ou eu, que não sou um homem e que estou sozinha e encalhada vamos assim dizer.



A mulher cortava o bar com seus passos leves, chamando a atenção de quem fosse. E a conversa apenas voltou quando a moça se senta perfeitamente comportada na mesma mesa de sempre, os garçons trazem a mesma comida de sempre previamente preparada para a sua chegada, e o meu peito se alegra como sempre. Tudo estava normal... Claro, se não fosse a minha ousadia que hoje estava aflorada.

Me levando imediatamente, colocando meu plano em prática. Chego próxima ao balcão, sussurrando para que o garçom prepare e leve para a mesa da moça um prato típico dessa nação: um pão de alho. Logo ao finalizar a especiaria, foi rapidamente entrega para a mesa da moça que já terminava sua refeição.



Ela olhava para a comida que eu paguei para que fosse entregue com curiosidade. Parece até que nunca comia algo que não fosse o mesmo de sempre. Em seguida afasta o prato para longe de si, como se não fosse comer. Tomo seu blazer nas mãos, escondendo meu livro por debaixo de seu tecido. Me direciono até sua mesa e me sento ali. A encarando calada.

De princípio ela não pareceu me perceber, mas logo levantou sua cabeça para minha direção, com suas bochechas estufadas e farta de tanta comida que estava em sua boca. A moça me olha meia sem jeito por seus modos, e coloca sua mão sobre os lábios, tentando mastigar tudo o mais rápido possível para disfarçar sua gafe. Mas eu sei que aquela tarefa parecia difícil por culpa da quantidade que ela tentava engolir.



Sorrio de lado, tentando acalmar meu coração e não me mostrar tão ansiosa. Será se fui audaciosa ao extremo? Àquela altura todos estavam parados, calados e atentos ao nos encarar, talvez impressionados com a minha ousadia, talvez atrás de sua reação. Parece que não é comum que alguém tente se aproximar dela.

Me permito ignorar o nosso redor, e balanço na mão direita seu blazer, tentando disfarçar minha timidez.




"—E-esta aqui o seu blazer. Eu vim devolver... e me desculpe pela sua vela. Infelizmente esqueci de trazê-la."




Ela faz sinal de positivo com a cabeça, ainda dando olhadas para a mesa enquanto tentava mastigar devagar. Ela também parecia envergonhada, tímida pela minha presença. Coloco o blazer na mesa, e empurro a peça de roupa para o seu lado. E ela nada fez. Continuo olhando para baixo e tentando mastigar com a mão na frente dos lábios. Confesso que ela fica extremamente fofa assim, apesar de não entender como ela gosta da comida desse muquifo. Acho que ela tem o paladar bem... Peculiar para não dizer ruim.




"—E-e para te agradecer.. e-eu pedi que te trouxesse esse pão de alho. Bom... É a minha comida favorita então... Achei que talvez você pudesse gostar."




Ela pisca seus olhos duas vezes seguidas enquanto me encarava com curiosidade. Logo direcionando suas orbes púrpura para o pratinho no cantinho da mesa que continha o pãozinho de bela aparência mais gosto... em aberto. Acompanho de perto seus lábios finalmente engolirem toda a comida que antes mastigava.

Ela encara por um tempinho o pão, e depois de muitos segundos de tensão finalmente toma a comida nas mãos e dá uma mordida. Confesso querido diário, que menti. Odeio pão de alho, e odeio mais ainda qualquer gororoba que venha desse estabelecimento medíocre.

Mas ela pareceu gostar. Ainda não disse nada, não me avisou se aprovou minha atitude ou não, mas mordia com entusiasmo o pãozinho, sorrindo fechado enquanto mastigava, satisfeita com o quê saboreava. Bom... Isso significa que uma vampira ela não é. Mas também pode significa que ela não é humana, porque para gostar de uma... Coisa dessas só pode que não tem paladar.




Mas se ela gosta já é o suficiente para me deixar satisfeita.




A garota termina seu pãozinho, parecendo pronta para ir embora. Então toma seu blazer nas mãos, o que acaba revelando meu livro que estava escondido por debaixo do tecido. Como pude me esquecer do livro? Droga! Agora ela vai pensar que sou a estranha que pensava que ela era uma vampira.




Bem... É exatamente isso o que eu sou. Mas ainda sim não quero que ela saiba.




A moça põe em suas mãos meu livro, parecendo estudá-lo de uma forma inocente, enquanto o tocava de maneira afobada, olhando de um lado para o outro sobre suas linhas, girando o objeto de cabeça para baixo ou apertando suas vista enquanto se focava no livro. Como se nunca houvesse visto um antes. Como se não entendesse o que era aquilo.


Na verdade isso era bem provável já que poucos aqui sabem ler. Não acho que seria tão distante a possibilidade de nunca ter visto um livro. Então ela começa a analisar as gravuras desenhadas entre as folhas, a fim de entender do que se tratava.


Ao notar sua dificuldade tento ajudar, tocando de leve no livro como se pedisse autorização para retirá-lo de suas mãos. E mais uma vez ela pareceu tímida, direcionando suas orbes para a mesa obviamente constrangida com a sua atitude e devolvendo o livro sobre a madeira da mesa com um pequeno receio.




Sorrio de leve, tomando o livro nas mãos e o colocando novamente de cabeça para cima, logo em seguida o empurrado sobre a mesa na direção da garota para que agora sim ela possa enxergar com clareza as diversas gravuras.

Ela volta a encarar o livro, mas dessa vez sem tomá-lo nas mãos. Ela apenas o deixou repousado sobre a mesa. Pela expressão que se formou em sua face, posso deduzir que agora, finalmente ela conseguia identificar os desenhos.




"—Parece que é um livro que conta sobre vampiros. Criaturas noturnas sugadoras de sangue. Não sei ao certo mas acho que seja isso."




Minto um pouco, fingindo de uma certa forma não saber ler já que ao nosso redor ainda tinham vários homens, um silêncio perturbador e diversos olhares sobre mim. Então a história de eu saber ler tem que ser um segredo.

Ela balança sua cabeça em um sinal de positivo, sem retirar seus olhos do livro. Parecia deslumbrada com o que via. E isso me fazia feliz de uma certa forma. Sentindo-me vitoriosa por ter conseguido a impressionar com tão poucas coisas. E nem sei por que desse sentimento.




"—Mas você não me disse seu nome... Queria que pudéssemos ser amigas. E acho que esse pode ser um bom passo."




Ela não deixa de olhar o livro em silêncio. Parecendo me ignorar. Aquilo fez eu me sentir uma idiota. Acho que passei dos seus limites.

Então ela agarra uma das páginas do livro e puxa com força, obrigando a folha a se destacar quase que por inteira.




"—NÃO!"




Grito ao me assustar com a sua atitude. Apesar de eu ter de uma certa forma "comprado" aquele livro com o meu trabalho futuro, ainda sim tenho apego por esse objeto. Não queria que rasgasse ou amassasse. Então ao vê-la quase terminar de arrancar a folha acabei tendo um mine surto, o que a fez parar com a sua atitude imediatamente, olhando para mim assustada.

Era como se seus olhos perguntassem "eu não podia ter feito isso? Foi errada minha atitude?"


Respiro fundo me acalmando, olhando para ela com ternura. O que está feito está, certo?




"—Pode terminar de arrancar. Fique com a página."




Então ela volta sua atenção para o livro, terminando de destacar a página com mais cautela dessa vez. Logo em seguida observo a garota posicionar a página na frente de seu rosto, apontando com a unha uma palavra que estava escrita em inglês: Wave. 




"—Que palavra é essa? O que significa?"




Pergunto fingindo ainda não saber ler. Ela entreabre seus lábios, a fim de tentar pronunciar aquela palavra.




"—W...ei..ve"




Ela diz vagarosamente e bem pausado, como uma criança aprendendo a soletrar. Sua voz era doce e angelical. Parecia a voz de uma garotinha de 9 anos. Era infantil demais para a sua aparência sedutora, mas ainda sim fofa e combinava perfeitamente com a sua personalidade tímida, gentil e recatada. Eu já estava apaixonada por aquela vozinha, e queria ouvi-la a todo segundo.


"—O que é Weive?"


Pergunto sem entender aonde a garota queria chegar. Então ela retira a folha da frente de seu rosto, dessa vez apontando para si mesma com o dedo indicador e repetindo dessa vez com mais velocidade.




"—Weive!"

"—Então você é Weive?"




Ela sorri, confirmando minha tese. Sorrio de volta meio sem jeito, e lá no fundo me sentindo nas nuvens. Então ela se chama Weive!




"—É um belo nome."




Elogio cruzando meus braços e fechando o sorriso enquanto me encostava no encosto da cadeira. Voltando a bancar minha aparência de durona. Mas por dentro estava mais derretida que manteiga!




"—Me chamo Billie, Billie Eilish. É um prazer te conhecer Weive."




Ela me dá outro sorriso fechado, e se levanta da mesa se preparando para ir sem me dizer mais nem uma palavra. Ela apenas coloca seu blazer novamente nos ombros e agarra meu livro nas mãos, o abraçando contra o peito com toda cautela e carinho, e saindo da taverna com ele em mão. 

Estava tão encantada com seu sorriso que nem percebi que ela se foi levando com sigo o livro que eu iria precisar ainda amanhã de manhã. Acho que ela gostou até demais do livro que trouxe. Quando caio em mim, voltando para o aqui e agora já era tarde demais para recuperá-lo.



E tudo o que me restou foi uma página. Uma única página que falava sobre a beleza do mar e a formosura das ondas que quebravam na pequena praia abaixo da montanha em que o castelo do Conde Drácula estava situado. Falando de Wave's(ondas). Ou como se pronuncia o nome dela, Weive.




E foi esse o meu dia querido diário. Ela finalmente falou comigo, certo que não foi bem uma conversa, até porque ela só pronunciou seu próprio nome. E agora o mais difícil de lidar nem é com o acontecimento, e sim com todas as perguntas que os caras da taverna fizeram se referindo a como eu consegui fazê-la dizer algo pela primeira em anos. Acho que vários outros tentaram puxar papo com ela, mas apenas eu consegui tirar dela uma palavra até hoje.

Confesso que isso aumentou meu ego. E agora estou mais disposta do que nunca a tentar uma aproximação.

Deseje-me sorte querido diário!












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