História Ocean Secrets - jikook - Capítulo 4


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bts, Deuses, Jikook, Kookmin, Mitologia, Sope, Universo Alternativo, Yaoi, Yoonseok
Visualizações 13
Palavras 4.121
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Lemon, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


mais um! obrigado por lerem :)

Capítulo 4 - F é


Lumpur, Pitu Kali.

Centenas de vozes entoavam uma antiga cantiga melodiosa e alegre, a música ecoava por todo o templo a céu aberto que se erguia em meio à vasta vegetação plana ladeada por árvores altas, flores das mais diversas espécies e colunas de madeira pesada. Havia também o altar grandioso e adornado por ervas daninhas cheia de espinhos perigosos que aos poucos gotejavam o veneno de tom esverdeado para dentro do cálice lustroso feito completamente de ouro.

Uma mulher se destacava entre todos os presentes, suas vestes eram transparentes e seus pés estavam descalços. Ela continuava ajoelhada diante do altar, seu longo cabelo negro voava a favor do vento quente que fazia as chamas acesas sobre as colunas dançarem sem parar.

A mulher era a única que não cantava, mas sim murmurava uma oração que apenas ela sabia, os lábios carnudos batiam rapidamente e as os dedos enlaçados junto ao peito, ela sorria de olhos fechados.

E com exatamente vinte e dois metros de altura se erguia diante de todos os presentes ali a estátua feita mármore branco, bronze e madeira do deus Ayu, ou apenas Seokjin. De pé com ambas as mãos estendidas para segurar dentro delas um punhado de terra negra, usando vestes douradas e uma coroa trançada de folhas de oliveiras no topo da cabeça. Jin sorria terno assim como as duas raposas de bronze que permaneciam deitadas ao redor de seus pés descalços, seus olhos brilhavam graças ao fogo que iluminava o ritual.

Quando a mulher ergueu-se de seus joelhos e caminhou lentamente até o altar recolheu o cálice que transbordava a seiva mortífera, as folhas das copas de cada árvore se agitaram e ao fundo um estrondo calou as vozes e a canção. O maior vulcão do continente reagiu, um garotinho pequeno escondeu o corpo magrelo atrás das pernas do pai e quis chorar ao encarar os olhos amarelos da estátua.

— Seokjin apareceu em meus sonhos. – a mulher, Hyunju, era a sacerdotisa daquele continente e a última de sua linhagem pura dos que se chamavam Filhos de Ayu. Sua pele era como canela, seus olhos eram escuros como a noite e sua autoridade era indiscutível. – Ele mostrou-me um orvalho em chamas, mostrou-me sangue minando dos rios e mostrou-me quatro estrelas caindo; uma queimava, outra era partida ao meio por um raio, a terceira se desfazia em pó e a última... Era engolida pelo mar.

Hyunju olhou para seu deus representado na estátua e depois mergulhou um dedo dentro da seiva, fazendo pingar veneno sobre os próprios pés. Por dentro temia, mas todos aqueles olhos esperançosos viam em si a líder escolhida por Seokjin, à mulher que recebera dele todas as dádivas divinas.

Então, a sacerdotisa necessitava manter sua fé.

— E Seokjin ordena que homem algum ou mulher alguma tema, o orvalho queimará, o sangue sujará nossas águas e as estrelas cairão diante de nossos olhos, mas Pitu Kali será imortal. Essa guerra não para nenhum kali.

Dito isso sugou o dedo envenenado, sentiu no palato o sabor doce e suave da seiva, as vozes se exaltaram em desespero por sua vida, as crianças caíram em pranto. Hyunju tinha fé em seu deus, ela bebeu até o último gole daquele doce veneno e caiu de joelhos diante de seus seguidores. Não morreu, não sentiu nada.

Seokjin cumprira sua promessa, os kalis eram imortais.

 


Busan, Heajeong.

Quando Octavia atracou-se ao porto leste da ilha o dia estava acabando e o Sol dava lugar a Lua. Ainda havia pessoas transitando para todos os lados, comerciantes gritando suas promoções e o cheiro de peixes e frutos do mar atraia moscas aos montes, volta e meia poderia perceber um roedor faminto correr entre as barracas improvisadas carregando entre os dentes restos de comida e arrancando gritos das mulheres.

O chão úmido sustentava as poças de chuva do dia anterior e algumas crianças brincavam sobre elas pulando e espirrando água suja para todos os lados pouco preocupados com as reclamações dos adultos que eram alvos da brincadeira inofensiva.

Jeon Jungkook saltou para fora do próprio barco sem dificuldades, carregando em um ombro uma trouxa de panos quase limpos.

— Ficamos no barco, capitão? – Jackson questionou deixando de lado as cordas pesadas do convés.

— Hoje é um dia para comemorar, Jack.

— Comemorar o que? – o mais baixo cruzou os braços fortes e arqueou uma sobrancelha.

— Que eu esteja vivo.

— Grande motivo. – a voz delicada, porém carregada de sotaque da região central de Pitu Kali se fez ouvir enquanto Jisoo saltava para fora do barco carregando grandes bolsas de panos. – Agora vamos navegar com o risco de sermos naufragados por um deus.

— Jisoo, não seja tão pessimista. – outro marinheiro, esse chamado Suho, sorriu gentil depois de saltar para fora do barco também. – Nosso capitão é um homem de muita sorte.

— Homem nenhum fica vivo depois de ver Jimin.

— Por que o teme tanto, mulher? – Jungkook ajeitou a trouxa de panos sobre o ombro. – Os deuses não são como pais acolhedores? Temor e medo são coisas diferentes.

— Que andam de mãos dadas, capitão. Prefiro não meter-me com divindades.

— Não acredita nos deuses, Jisoo? – Suho a provocou com um sorriso ladino.

— Acredito o suficiente para manter-me longe deles, bastardo.

Jungkook riu junto a seus homens enquanto Suho recebia as zombarias comuns entre eles. Afastando-se do navio foi recebido com alegria por todos que o reconheciam pelo caminho, curvando-se com educação para os mais velhos e afagando os cabelos sujos das crianças.

Toda a ilha de Haejeong se estendia até perder de vista a olho nu e mesmo menor que qualquer um dos outros quatro continentes grandiosos do planeta não perdia quando se tratando de vegetação rica e clima agradável. Foi à última a ser habitada e apenas quando homens e mulheres refugiados da Grande Guerra entre Bukit e Ireng Jambon fugiram sem rumo pelo mar aberto fadados a morte pela morte ou sede. Aos poucos perdeu parte da vasta vegetação para dar lugar aos casarões de madeira ou barro até que a Irmandade dos Piratas reclamou por sua dominância e decretou Busan como capital.

Jeon Jungkook nascera ali em um dos casebres beira-mar com teto feito de folhas pesadas das palmeiras; filho do capitão Jeon Jungseok e da meretriz Yeppeun que, segundo as histórias dos mais velhos, era tão linda que sua beleza irritou Hyuna, então a Deusa-Mãe ordenou que Jimin a afogasse nas águas mais frias dos oceanos.

Já Jungkook pouco se lembrava da mãe. Ela viveu até seus três anos de vida e seu pai, quando ainda vivo, nunca lhe dissera o que de fato havia sucedido a mulher. Então, ele cresceu dentro de um barco. Tomava lições das letras enquanto manejava uma espada; aprendia a contar números forçando os braços infantis no timão pesado navegando pelo mundo inteiro ao lado do pai. Jungkook amava o oceano, não era e nunca fora um homem da terra, nunca pegava no sono sem o balanço das ondas quebrando contra o casco gasto de Black Octavia.

Um pirata desde o nascimento, sem registro no Livro dos Vivos ou dos Mortos, batizado no gosto salgado do mar e fadado a morrer nele.

A taberna ainda levava a fachada feia de sempre e as crianças pioravam tudo enquanto brincavam de atirar bolos de lama uma nas outras gritando com suas vozes infantis a cada vez que algum adulto os amaldiçoava por tanta bagunça. Jungkook desviou de uma pequena garotinha que não passava dos seis anos, mas teve as botas atingidas por respingos de lama e praguejou. O interior da taberna mal iluminada acomodava apenas quatro mesas de madeira com duas cadeiras cada, o ambiente cheirava a maresia, conhaque e sabão de gordura. Os dois homens que dividiam uma das mesas ergueram seus copos para Jungkook e ele sorriu enquanto se curvava um pouco sem parar de caminhar até o balcão alto e limpo.

— Olá, Sandara.

A mulher se virou em direção a Jungkook e suas sobrancelhas se ergueram antes que o pano de prato em seu ombro atingisse o peito do Jeon com violência várias vezes, mas enquanto ela o batia, Jungkook ria.

— Moleque queres matar-me do coração?!

— Te acalme, Sand. – sorriu. – Vais assustar os clientes.

— Está espelunca não sabe o que é um cliente há anos! Aqueles dois bebem e nunca pagam!

— E por que ainda vende a eles?

— Porque gosto da companhia. – ela deu de ombros e depois caminhou até Jungkook para segurar-lhe o rosto dentro das mãos mornas que cheiravam a sabão. Sandara era uma mulher vivida e que durante a juventude vivera anos ao lado do pai de Jungkook, é o que mais semelhante ele tinha de uma mãe. – Deixe-me ver você. Tem comido bem?

— Como um touro. – assentiu e segurou os pulsos da mulher.

— Essas são suas roupas sujas? – questionou encarando a trouxa que continuava pendurada no ombro de Jungkook. – Deixe-as no corredor, amanhã mandarei que lavem no rio.

— Obrigado. Desculpe por demorar tanto a voltar, Sand.

— Oh, Jungoo. – seu tom de voz era doce quando o chamava pelo velho apelido e os dedos magros acarinhavam o rosto de Jungkook. – Tua casa é o mar e eu compreendo, és como teu pai era... Mas eu ainda temo por sua vida, sabes que é como um filho para mim e oceano é perigoso.

— Eu sei.

O olhar de Sandara mudou de pesaroso para confuso e depois para algo surpreso. As mãos deslizaram para fora do contato e tocaram os ombros largos. Onde estava o discurso de Jungkook que debochava dos perigos dos mares? O que acontecera com sua falta de temor?

— O que aconteceu contigo, Jungoo?

— Vou contar-lhe tudo. Eu prometo, mas não agora. – Jungkook tomou as mãos de Sand dentro das suas e as beijou com carinho. – Preciso de um banho descente e de alguma comida.

— Oh, sim. Claro. – assentiu. – Seu quarto continua no mesmo lugar! Toalhas limpas e sabonete que fiz na última lua cheia, abençoados por Yoongi. Suba e se lave, depois vou fechar a taberna e jantaremos juntos.

— Onde está Namjoon? – arqueou as sobrancelhas.

— Onde estaria? – bufou.

— Na casa de Gayoon?

— Nunca soube de homem mais-

— Vou subir, Sand. – interrompeu aos risos e a mulher se esticou até conseguir deixar um beijo terno na testa dele. – Obrigado.

A Casa de Gayoon era há mais de quatro décadas o cabaré mais popular e freqüentado da capital Busan. Um casarão dos primeiros a serem erguidos na ilha e popular por causa de todas as paredes serem cobertas por barro vermelho vivo dando a impressão que mesmo durante as noites mais escuras, Gayoon se mostrava para os olhos humanos como um templo dos prazeres.

E em um dos pequenos quartos mal iluminados por algumas velas e também abafado, o capitão Kim Namjoon poderia se encontrando enquanto trepava com um garoto que não passava dos vinte um anos.

O corpo nu do garoto estava coberto de suor e suas mãos trêmulas buscavam suporte junto à cabeceira gasta de madeira enquanto os joelhos queriam ceder e deixar cair o corpo exausto e entorpecido pelo prazer. O cabelo loiro continuava sendo puxado pela mão forte enquanto a outra o mantinha próximo pelo quadril magro.

Gotas de suor escorriam do cabelo de Namjoon pelas laterais do rosto e pescoço, juntando-se pelo caminho até o queixo pequeno para pingar em direção a lombar alheia. Mais suor brotava da pele amorenada e ensopava a camisão branco com os botões abertos que ele ainda vestia, ensopava também os calções embolados nas coxas firmes que limitavam seus movimentos. Ele fodia o garoto com força e sem parar, um sorriso pequeno não deixava seus lábios enquanto era agraciado com os gemidos desesperados que enchiam o quarto.

O garoto, de nome Dawn, gozou pela segunda vez choramingando de prazer e não demorou nada para que Namjoon o acompanhasse grunhindo alto e apertando os olhos enquanto sorria largo.

Dawn desabou sobre os lençóis quase limpos e Namjoon continuou de joelhos sobre o colchão, respirando forte até acalmar o corpo e os espasmos deliciosos do orgasmo. Ele, então ficou de pé a ajeitou o calção negro no lugar para depois servir mais cerveja preta no copo de barro e beber tudo de uma vez encarando o rapaz que parecia manhoso o encarando de volta.

— O senhor é o meu cliente favorito. – repetiu o que sempre dizia.

— Obrigado. – serviu mais um copo de cerveja.

— És um dos poucos que se importa também.

— Importo-me com o que? – caminhou até a cama para recolher o cinto de couro negro.

— Conosco, senhor. – remexeu as pernas bonitas e isso atraiu o olhar do capitão. – Com o nosso prazer. O senhor nunca se satisfaz antes de nós, seja um homem ou uma mulher. E nunca machuca.

— Prazer deve ser compartilhado, Dawn.

— O senhor gosta de Dwan? – ainda nu, o rapaz se aproximou até estar de joelhos diante de Namjoon que se mantinha ocupado vestindo as calças escuras. – Gosta de trepar com Dwan?

— Gosto. Você é o mais bonito daqui.

O sorriso do garoto foi quase brilhante mesmo que seus dentes fossem em grande maioria amarelados pelo mascar das folhas de sibda desde os onze anos. E cantarolando de pura felicidade do ego amaciado, Dwan se vestiu outra vez com o camisão surrado e os calções não muito melhores. Namjoon aproximou-se para afagar-lhe os cabelos loiros e depois entregou em suas mãos três uangs enferrujados.

— Obrigado, Dwan. Duas são para entregar a casa e uma é para que compre bons peixes para fazer um ensopado grosso. Sua mãe ainda está adoecida?

— Não senhor! Com as ervas que comprei minha irmã fez um xarope e ela passa bem. Obrigado, meu capitão. – se curvou duas vezes e Namjoon sorriu. – Que os deuses o guardem.

— Não acredito nos deuses, Dwan, mas aceito seu agradecimento se prometer cuidar de sua mãe e irmã como tem feito.

— Eu vou! – assentiu. – Obrigado!

Dawn saiu do quarto e fechou a porta. Namjoon abotoou a calça e depois transpassou o cinto pelos passadores firmes enquanto observava o porto pela única janela pequena do cômodo. De longe avistou as velas curvadas do Octavia e um alívio o tomou por inteiro só de saber que Jungkook havia regressado após seis meses sem notícias concretas sobre ele a tripulação. Ataques da marinha real se tornavam mais comuns a cada dia e, apenas naqueles meses, quatro navios haviam simplesmente desaparecido no oceano com suas vastas tripulações preocupando toda a ilha e Irmandade qual ele comandava desde que Bang Min padecera por uma doença misteriosa.

Foi então que um arrepio aterrorizante atingiu sua espinha como se dedos frios estivessem lhe arranhando a pele por dentro do corpo. O capitão se virou e olhou diretamente para as duas espadas esquecidas sobre uma cadeira no canto do quarto, não estavam longe, mas Namjoon apenas não conseguia se mover. Os pés descalços mais pareciam grudados no chão de madeira, as pernas fortes não respondiam a sua vontade de movimento e o arrepio tornava-se mais frio a cada segundo.

A primeira vela se apagou como se um sopro a atingisse. Era sete e todas elas foram se apagando, uma a uma, afundando o quarto em uma escuridão assombrosa e gelada. As paredes pareceram se aproximar o confinando no lugar e seu coração passou a bater violentamente quando as chamas voltaram a se ascender de uma vez.

Porque mesmo com seu pensamento cético enraizado por acontecimentos durante sua curta e complicada vida, mesmo sendo ateu e desprezando o Agamamismo presente pelos outros continentes, Kim Namjoon sabia que chamas azuis não eram comuns.

Engoliu a saliva e lentamente voltou os olhos para a cadeira outra vez, seu corpo inteiro tremeu diante da visão que lhe surgiu. Suas espadas estavam sendo manuseadas e o aço brilhava ao reflexo das chamas azuladas das velas, a mão que segurava os cabos de madeira eram magras e pálidas, veias negras eram desenhadas como marcas dolorosas até as unhas grandes e também negras.

— Esse aço só pode ser encontrado aqui.

A voz passiva não parecia encaixar a figura que pertencia. O homem se vestia completamente de preto, as vestes largas do quimono exibiam escamas como as dos répteis; seus cabelos escuros se mantinham perfeitamente penteados e seus lábios arroxeados faziam par com os olhos do mesmo tom. Era Kwon, ali diante de seus olhos, era o Princípio, a existência, deus do submundo e das trevas. Da Morte.

— Não me dirás nada, Namjoon? – a espada foi erguida até que o aço brilhasse em um tom de roxo. – Quer tocar-me para ter certeza de minha existência?

— É um sonho?

— Oh, não. É real! Onde está a sua fé?

— Eu não a possuo. É algum feiticeiro?

— Acreditas em feitiços, mas não acredita nos deuses? – uma das grossas sobrancelhas se ergueu. – Tu não sejas piegas, Namjoon.

— Por que um deus haveria de vir até mim? É absurdo.

— Eu vim até tu porque foi necessário.

— Como?

— Tu és o meu escolhido. – Namjoon franziu as sobrancelhas e Kwon ficou de pé. Logo suas vestes negras varriam o chão por onde passava, mas os pés descalços deixavam pegadas de piche onde pisavam. Ele cheirava a vinho e rosas, não fazia barulho algum enquanto se movia e as chamas azuis tornavam-se mais fortes. – Outra vez és tu.

— Do que falas?

— Falo da guerra, Namjoon. Da guerra que outra vez mudara todo o Universo.

— Guerra? – Namjoon estava confuso.

— Quatro estrelas moldadas do Sol, do meu riso... As feridas da Lua se abriram outra vez e Hyuna está prestes a despertar de seu século de descanso. – Kwon ergueu o rosto, ele era belo como a própria morte. – Os olhos de Jimin caíram sobre ele e quando Hyuna acordar saberá, ela vai caçá-lo e matá-lo, então Jimin caíra para dentro de toda a sua ira... Outra vez.

— Não me venhas com histórias e lendas que os estrangeiros costumam contar para assustar suas crianças, eu não acredito em nada disso! Não serei nada teu!

— Os continentes ruirão...

— Não!

— Haejeong será engolida pelo oceano...

— Que os deuses matem uns aos outros, que explodam! Mas que poupem os humanos de suas brigas egoístas!

— Isso é impossível, Namjoon.

— Crianças morrem de fome todos os dias! Mulheres são estupradas diante de seus homens que nada podem fazer! As chuvas destroem plantações e a seca as mata antes mesmo de nascerem! Peste, fome e tragédias! Vocês deuses não acham que já o suficiente?! Ainda querem nos colocar no meio de suas guerras?!

— Não podemos interferir no arbítrio humano, essas são as conseqüências de seus atos. – ele suspirou e Namjoon riu com escárnio.

— Então nós não podemos também interferir em suas guerras...

— É Jungkook, Namjoon.

O capitão se calou e seu riso cessou. Os olhos lilases de Kwon brilhavam graças às chamas das velas e sua expressão parecia cansada como se carregasse peso em suas costas.

— Jungkook?

— É ele. Jimin o encontrou, seus olhos viram Jungkook.

— O que? Sejas claro! O que há com Jungkook?

— Não tenhas medo.

As mãos magras se ergueram até tocarem o rosto assustado de Namjoon, os polegares cobriram-lhe os olhos e uma pressão intensa lhe arrancou um ofego surpreso. A mente do capitão viajou por um caminho onde feixes de luzes azuis lhe mostravam imagens embaçadas por água. Seu corpo flutuava como se nadasse e sua respiração não era negada de forma alguma. E havia só escuridão, havia o nada e silêncio, então algo nasceu como uma planta, desabrochando como a morte, soube que era Kwon pelo brilho dos olhos lilases que o encaram brevemente. Depois houve a luz atravessando um infinito e Hyuna nasceu dali, nasceu vida e igualou a balança. Bilhões de anos avançados enquanto ambos se moviam devagar. Hyuna chorou por solidão e Kwon riu por desespero. Do riso nasceu o Sol, das lágrimas nasceu a Lua. Hoseok era grande e aquecia, Yoongi era pequeno e iluminava. Então, Namjoon os assistiu fazendo amor e jurando amor por toda a eternidade, viu o amor de Hoseok crescer e se expandir até explodir e espalhar poeira pelo infinito, o Sol moldou esferas e presenteou a Lua com àquela que mais adorou; chamou-a de Terra. Yoongi o amou ainda mais e queimou suas mãos ao moldar com chamas do próprio Sol quatro estrelas menores. Namjoon assistiu quando Sol e Lua sopraram vida nas estrelas e as deixaram cair na Terra dividindo-a em continentes.

Mais bilhões de anos até que o primeiro homem surgisse, mas milhões de anos até que se multiplicassem e cobrirem a Terra. A água tornou-se turva, sangue a manchou enquanto batalhas aconteciam diante de seus olhos, Kwon ceifava as almas corrompidas e Hyuna colhia as almas puras. Então a história se torna confusa, Kwon traiu a companheira e caminhou entre os homens, ele sente amor e teme Hyuna. Hoseok lhe presenteia com magia e Yoongi lhe jura proteção. Uma criança nasceu e sua existência é desconhecida, seu nome não é escrito no livro branco, Jimin o encontra... Há tanto amor... Até que uma espada manchada de sangue se ergue e o oceano inteiro torna-se sangue. A visão se desfez e ele podia reconhecer Jungkook debatendo-se sob água, ele podia ver Jimin o segurando pelo pescoço e mais que isso, Kim Namjoon viu muito bem a espada feita de luz que atravessava o peito do deus das águas. Mas apenas ele a via.

É o suficiente.

Kwon se afastou e o capitão caiu de joelhos tragando o ar como se não respirasse há minutos! Enxergando pontos brancos ele procurou pelo deus e o encontrou de pé perto de si. Namjoon estava assustado como nunca esteve antes.

— O que era...

— É a história do mundo, Namjoon.

— Eu vi Jungkook!

— A alma dele escapou, eu não posso evitar... Ele é... – Kwon sorriu antes de continuar. – Ele sempre renasce.

— Hyuna vai matá-lo?

— Ela o matou em todas as outras vezes. Ela escolherá Jimin, sempre o escolhe.

— E o que fará dessa vez diferente?

— Dessa vez eu vou lutar. Eu preciso de ti, Namjoon.

— Por que eu?

— Porque tu és um líder e eu quero que lidere.

— E se recuso?

— Se recusa... Jungkook morre outra vez. – Kwon se aproximou até espalmar as duas mãos nas costelas de Namjoon. – Tu aceitas?

 

 

Jungkook aproveitava da água morna e permanecia imóvel dentro da tina alta de madeira. A pele estava limpa assim como os cabelos, cheiravam a sabonete de eucalipto e mel. A única muda de roupas limpas permanecia pendurada sobre uma das barras do chuveiro esquecido e as botas sujas penduradas na única janela alta. Ele suspirou e tateou o próprio peito até tocar o metal do medalhão que raramente tirava do corpo. Preso por corda fina trançada, pesando pouco e em forma de círculo. A única coisa que sua mãe o deixara antes de morrer. O símbolo ali cravado lhe era confuso, viajou o mundo quase por inteiro e ainda assim não conseguira conhecer sequer uma pessoa que o decifrasse. Nem nos templos mais antigos. Qualquer que fosse era mais antigo do que o homem poderia calcular.

E enquanto Jungkook encarava o medalhão seus pensamentos voltaram até o rosto de Jimin, até os olhos azuis em fúria e a voz autoritária. Já vira tantas belezas pelo mundo, mas nenhuma delas se comparava a beleza do deus. Parecia quase familiar.

Mal ele sabia que estava sendo observado.

— O que tanto tu olhas Jimin?

Yoongi aproximou-se do filho mais velho e tocou seus ombros sobre as vestes douradas e macias, acariciando com um toque frio a pele macia. Jimin continuou em silêncio encarando a tina de porcelana onde as lágrimas da Lua lhe mostravam a imagem do humano se banhando. Havia algo nele, algo que despertava curiosidade no deus.

— Por que tu não me deixaste matá-lo, Yoongi?

— Porque tu não poderias mesmo se tentasse. – afagou os cabelos cinzentos de Jimin. – O nome dele é Jeon Jungkook.

— É algum filho perdido de Seokjin?

— Oh, não. E Jin já parou com isso, não o provoques.

— Quem é ele então? Por que eu não poderia feri-lo? – ergueu os olhos azuis para encarar a Lua.

— Pelo mesmo motivo que me impossibilita de ferir Hoseok.

— Eu não compreendo. Desde que o vi, desde que o toquei... – levou as duas mãos até o peito e apertou as vestes com os dedos. – Dói.

— Jimin. – Yoongi se curvou até deixar-lhe um beijo na testa. – Por favor, se lembre. – suplicou com os lábios sobre a pele do filho. – Por favor.

Jimin fechou os olhos e a dor em seu peito dobrou, ele quase curvou o corpo, mas antes que o fizesse antes de qualquer coisa a voz inconfundível de Kwon sussurrou contra seu ouvido direito.

— Lembre-se, Banyu.

Na Terra, os oceanos se agitaram. Naquele banheiro pequeno, dentro daquela tina de água morna, Jungkook arregalou os olhos quando o medalhão vibrou contra seu peito. E acima das nuvens, no templo sobrenatural da Lua e do Sol, Banyu se lembrou.

Jimin se lembrou e sussurrou:

Jungkook...


Notas Finais


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