1. Spirit Fanfics >
  2. Oceano >
  3. Um

História Oceano - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Oi gente, depois de muito enrolar eu finalmente decidi postar essa fic e, já adianto que, isso só aconteceu porque tive muito apoio das minhas amigas. Espero muito que gostem da história mas antes preciso esclarecer alguns pontos e dar um pouco de contexto

Essa história toda surgiu porque estou fazendo um curso de escrita criativa na faculdade. Os capítulos que vou postar, são os textos que escrevi para as aulas com um ajuste ou outro (fora a adaptação para KiriBaku né)... Bem, eu sempre vou deixar aqui nas notas iniciais o link para o blog da faculdade caso queiram dar uma olhada no texto original referente ao cap postado e é isso
[https://escritacriativaunip.tumblr.com/post/612878270681219072/aula-1-amanda-monteiro
https://escritacriativaunip.tumblr.com/post/612970981048418304/aula-2-amanda-monteiro]

Vou tentar postar as terça na parte da tarde, mas não prometo nada. Os textos das aulas geralmente são curtos e eu preciso juntar duas aulas para dar um cap, então é provável que as atualizações sejam semana sim e semana não

Por ultimo eu quero deixar, novamente, os créditos dessa capa lindíssima, quem fez foi a @buddiehoe no twitter, um anjo na minha vida mesmo essa garota

Chega de enrolação, prometo que vou falar menos nos próximos capítulos.

Capítulo 1 - Um


  

Não sei dizer ao certo em que ano estamos, ou melhor, estou. Diferente dos humanos, aqui debaixo d’água o tempo não faz diferença, não cultuamos o sol e todo o seu calor. Muito menos tememos o que não é iluminado pela lua na escuridão. 

Tudo o que sei da terra firme me foi contado pelos anciões, uma vantagens de ser da realeza, é ter acesso ao conhecimento. Apesar de não ter a mínima curiosidade a respeito da imensidão do mundo no qual os respiradores de ar vivem, me conforta saber que o meu mar é bem maior do que a barreira de corais que protege o meu reino. Reino que meus pais governam.

Nossa sociedade é, atualmente, dividida em cinco níveis e tudo gira em torno disso. Nós, scyllas, somos a nobreza, ocupamos o centro dos corais. A família real é composta pelos descendentes da ninfa Cila e o humano Glauco — sim, para nós é uma bela história de amor e não uma tragédia como Ovídio contava e Glauco não é nem de longe aquela criatura horrenda que foi descrita.
Ao leste ficam as sereias, elas são nossas protetoras primárias. As responsáveis por afastar os humanos e capturá-los para que sirvam de alimento para as tartarugas de guerra — falarei delas em breve. Sereias são também responsáveis pelas artes, de todos os tipos, de pinturas a esculturas, de dança a principalmente música. Os homens são fascinados por elas e pela sua beleza; Se encantam e se deixam levar mesmo sabendo que vão morer, não é a toa que Odisseu ficou tão famoso, sua ideia de proteger os ouvidos com cera foi genial ao ponto de ser reconhecido até mesmo pelos anciões.

No lado oeste da cidade, vivem os tritões. Homens, cidadãos de classe média. Eles são os responsáveis pelo nosso entretenimento, todas as semanas, todos se reúnem para assistir suas lutas contra o temido Kraken. Até hoje, nenhum deles venceu, e essa é a melhor parte. Os tritões fazem todo tipo de trabalho mas são divididos em 3 classes, os guerreiros que já citei, soldados do nosso exército, e trabalhadores braçais

Ao Sul, a parte da cidade que se dá para o mar aberto, é dominada pelas tartarugas de guerra. Imensas tartarugas mordedoras com cascos impenetráveis, elas nos protegem das demais criaturas que habitam o oceano como leviatãs, hipocampos e a caríbdis da cidade vizinha. Os Hipocampos são os que dão mais trabalho, desde que Poseidon desapareceu e eles não tem mais a ocupação de puxar sua carruagem, eles se reproduziram sem parar e vagam sem rumo pelo mar atrás do seu mestre. No entanto, não os matamos, eles são os únicos seres que as tartarugas capturam com vida e servem a família real e os anciãos, tanto para trabalhos nobres como companhia.

Por fim, acima de nós, ao norte, habitam os anciões. Seres indefinidos, tão antigos quanto Kaos, entidades amorfas detentoras de todo o conhecimento do mundo. Conhecem todo o passado, vivem sempre no presente e assim como Pítia podem ver o futuro, apesar de não precisarem do mimado do Apolo para isso.

Falando mais sobre mim, fazer parte da nobreza é algo inato a minha pessoa, creio que se tivesse nascido como um simples tritão, seria extremamente frustrado. Um rebelde que fazia de tudo para conquistar o lugar que ocupo hoje em dia. Nasci para ser um governante, frequentar os bailes da mais alta classe e ter todas as minhas vontades cumpridas. Como os anciões dizem, sou especial, sou mais inteligente do que muitos intelectuais e filósofos, quanto a minha força, posso ser comparado a um bárbaro que treinou a vida toda para derrotar o kraken no coliseu, mas só de pensar nessa comparação me causa repulsa. Me recuso a me comparar com um ser que serve apenas para entretenimento. 

Apesar de ser homem, minha beleza e minhas habilidades são superiores a de qualquer sereia. Já recebi diversos sonetos se declarando, elogiando desde os meus cabelos longos e  loiros, como se fossem beijados por Apolo, até meus olhos vermelhos como a fúria de Atena durante uma batalha. Meus traços sendo repetidas vezes comparados ao de Adonis e até mesmo a Afrodite. Todos deveriam se sentir honrados por isso. Meus tentáculos tinham a cor real, roxo, não eram um azul comum como as nadadeiras dos demais cidadãos, e óbvio que isso foi muito elogiado. Ao contrário dos guerreiros, meu corpo não tinha músculos muito definidos. Era magro e pálido, mostrava que eu não perdia tempo com trabalhos braçais e não chegava perto da superfície a Eras. Me entediava esses comuns repetindo coisas que já sabia.

Reconheço que minha fama é a de ser um príncipe metido e arrogante. Não sou o mais amado entre o povo, talvez os servos sintam algum tipo de simpatia por mim, mas nunca me dei ao trabalho de notar. Não costumo faltar com respeito gratuitamente, ainda mais para com aqueles que me servem, mas também não aceito deslizes. Se eu não posso errar, ninguém mais pode. 

Fui criado entre a perfeição e para ser perfeito. Quando criança, era punido severamente ao menor dos erros, repreendido diante de todos. Meu pai dizia que a vergonha de errar iria me ajudar a ser um bom líder, se eu não aguentava a humilhação de quebrar um vaso antigo sem querer e ser exposto diante dos meus servos, faria de tudo para que essa humilhação não se repetisse diante de todo o meu povo em um grau ainda maior. 

Em todos os meus 18 anos, nada além das mais finas e raras jóias podiam tocar o meu corpo. Feitas sob medida para mim, com um valor inestimável. A joalheira costumava me dizer que nem mesmo Poseidon em pessoa as usaria tão bem quanto eu. Pode ser exagero, mas passei a acreditar nisso com o tempo. O melhor para o melhor. 

Meu grande sonho é chegar no poder, e não digo ganhar a coroa, quero tomar o lugar do deus desaparecido. Sumiu dos mares para subir aos céus para falar com seu irmão, e nunca mais desceu do olimpo. Covarde. Os homens dizem que ele governa e cuida do mar com uma calma imperturbável e que sempre ajuda os marinheiros, discordo disso. Ele é um deus fraco que foge de conflito e tenta conseguir migalhas de adoração dos humanos 

Aqui embaixo, dizem que esse sumisso foi planejado, que é um teste e, apenas os maiores governantes ganhariam a honra de substituí-lo, mas que até hoje, ninguém digno o suficiente assumiu o trono a ponto de merecê-la. 

Se me perguntar, posso nomear cada um dos erros do meu pai e dos reis anteriores, assim como posso dizer mil e um jeitos de consertar cada um deles. Nas minhas mãos, os sete mares se tornariam uma utopia e ninguém pode me dizer o contrário. Que me contrariem dentro de suas cabeças e vivam o suficiente para me ver provar o inverso. 

Indo para exemplos mais práticos: No aniversário dos meus 16 anos, passei a ser considerado um adulto e, apesar de todos já me conhecerem, fui apresentado formalmente a sociedade. Com isso, meu pai teve a “brilhante” ideia de fazer uma pequena mudança nas regras do desafio do coliseu. A partir desse dia, sereias também poderiam batalhar — nem preciso dizer que elas têm bem mais cérebro que os tritões e nenhuma se inscreveu para tal — e também, quem ganhasse o desafio, além das honras, glórias e dinheiro, teria minha mão em casamento. 

Segundo ele, eu não poderia governar sozinho, ninguém pode. Tentei lutar contra, me rebelei pela primeira vez, mas não podia me passar por um covarde publicamente. Ele sabia que se não fosse desse jeito, eu nunca teria um parceiro ou parceira por livre e espontânea vontade.

Meu nome público não vem ao caso e meu nome verdadeiro é sagrado, o que importa é que, de todo modo fui obrigado a vir assistir uma batalha. Geralmente costumo gostar de assistir, meu passatempo favorito, mas no caso, hoje seria um tritão novo, vindo de uma família de guerreiros. Odeio assistir tritões inexperientes que só conseguiram chegar aqui porque tem um sobrenome importante, suas batalhas costumam durar menos do que o tempo necessário para me deslocar ao coliseu; Tão sem graça quanto as histórias dos humanos lutando contra leões no ave cristo

Mas hoje tinha algo de diferente, assim que ele entrou, capturou minha atenção. Não sei se foram os seus cabelos absurdamente vermelhos assim como sua cauda, ou a sua estranha confiança. Só de vê-lo já podia sentir que hoje seria divertido como nunca. Se esse tritão era capaz de arrancar um sorriso de mim, ele seria capaz de vencer o Kraken.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...