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História Óculos embaçado (Romance Gay) - Capítulo 1


Escrita por: Gomes-EL

Notas do Autor


Espero que gostem da minha primeira história original.

Capítulo 1 - Outra vez


  Acordo com o sol iluminando meu rosto. Logo tomo consciência que tudo irá voltar ao normal. Em pensar que há meses atrás tinha começado as férias e agora acabou, entretanto é o último ano e depois adeus e rumo a faculdade.

— Don, levanta já está na hora. — Falou minha mãe batendo na porta.

— Já estou indo. — Coloco o travesseiro sobre rosto e logo depois levanto indo para o banheiro com a roupa que usaria no dia.

  Bem deixa eu apresentar-me a vocês, como descobriram agora pouco meu nome é Don e tenho 17 anos. Meu tom de pele é moreno moderado ou claro nunca sei como definir ou como falar de uma forma correta, cabelos pretos, olhos escuros, magro e altura talvez 1,70m.

— Quer carona para escola? — Perguntou o meu pai.

— Não, vou a pé mesmo, obrigado. — Digo terminando de escovar os dentes.

  Saio do banheiro e volto ao meu quarto para pegar minha mochila, celular e fone. Tendo pegando tudo desço as escadas encontrando Giulia esperando no sofá.

— Achei que a donzela não ia terminar nunca. — Falou ela vindo me abraçar.

— Desculpa, tinha ido mais rápido se soubesse que já estava aqui. — Correspondo ao seu abraço. — Saudades de você.

— Finalmente você vai sair de casa, ver a luz do dia.

— Você sabe que eu prefiro ficar em casa, e não tenho vontade para sair por aí. E também você nem estava aqui, passou as férias longe de mim. — Faço biquinho.

— Bobin, não tive escolha. Vamos se não iremos chegar atrasados.

— Estou indo mãe, se cuida. — Grito para que ela pudesse ouvir de onde estivesse na casa.

— Tchau Tia Clarice.

— Vão com Deus crianças. — Respondeu ela gritando.

  A Giulia é minha melhor amiga desde do 9° ano, que foi quando ela entrou na escola. Só tenho ela como amiga, pois é difícil para eu fazer amizades. A gente se conheceu durante um trabalho de história que era em dupla com o colega do lado, e felizmente ela havia sentado ao meu lado e daí em diante nossa amizade só foi crescendo. Ela mora do lado da minha casa então combinamos de sempre um buscar o outro para irmos juntos.

— Don? Você me ouviu? — Ela toca meu braço e eu volto dos meus pensamentos.

— Desculpa acabei me perdendo nos meus pensamentos.

— O que você espera desse último ano? Eu estou criando bastante expectativas.

— Nada demais, sempre é a mesma coisa então dá no mesmo.

— Sabia que você tem que ser mais positivo.

— Eu diria que eu sou realista. Prefiro não criar expectativas para depois não me frustrar, entendeu.

  Ao chegarmos na escola podia-se ver os grupinhos de amizade que passaram as férias sem se ver, eufóricos querendo contar tudo o que aconteceu nesses meses. Passava ano após ano e isso ainda me assustava, aglomeração, gritaria. Isso causa-me ansiedade e pânico, querendo apenas um canto silencioso.

  Giulia e eu adentramos o prédio que havia mais barulho ainda. Ela acenava para algumas pessoas, já eu permanecia na minha apenas observando envolta, rezando para acabar logo. Paramos enfrente a lista das turmas, e pela nossa felicidade estávamos na mesma sala.

— Imagina se mudam a gente no último ano? O barraco tava pronto naquela direção. — Diz Lia fazendo nós dois rirmos.

— Tinha todo o meu apoio. — Digo ainda rindo.

  O sinal toca terminando com a farra de alguns alunos, e todos andando apressados para irem para suas salas. O mesmo se refere para nós dois.

  Entramos na sala e escolhemos nossas mesas, era um meio termo entre não tão perto do professor, mas também não era o fundão, basicamente o meio da fileira. A primeira aula era biologia, a professora se chamava Luna, eu gostava de biologia principalmente por causa dela, conseguia entender facilmente pelo seu jeito de explicar, pela paciência e vontade de ensinar que ela tem.

— Bom dia alunos. — Falou a professora iniciando a aula.

— Bom Dia Sora. — Todos responderam juntos.

— Saudades do rostinho de vocês. Espero que vocês tenham aproveitado as férias. Porém agora vamos focar nos estudos, é o último ano e eu desejo que todos sejam aprovados.

  Como é primeiro dia de aula quase não tem nada de conteúdo, entretanto seguia prestando atenção e cada palavra dita pela jovem professora. E assim percorreu a aula até o sinal tocar fazendo com que todos levantassem de suas mesas indo em direção a próxima sala.

  Todos se acomodaram em suas classes e a matéria da vez era física. E vamos de decadência, física no primeiro dia assim de cara. Meu Deus é ter ódio dos alunos, exatas como eu odeio vocês. A professora já chegou passando matéria no quadro, e eu só tinha vontade de chorar de raiva por não estar entendendo nada.

  Os minutos pareciam que estavam contra a minha felicidade demorando uma eternidade para passar. Entretanto finalmente veio aquele som que ecoava por toda a escola, o sinal.

— Alunos, não precisam levar a mochila quem não quiser, pois teremos mais um período de física depois do recreio.

—Tá de sacanagem, isso é ódio acumulado para nossa turma. — Digo bem baixinho para que somente Lia ouvisse.

— Concordo, porém pela glória do senhor, recreio. — Falou Lia levantando as mãos, assim como eu ela odeia exatas.

— Glória, glória. Também teve vontade de chorar de raiva, por não estar entendendo nada que ela falava? — Pergunto após já termos saído da sala e longe o suficiente para que a professora não ouvisse.

— Óbvio, ela estava falando grego. Só queria pular pela janela e voltar na próxima aula. —Rimos. — Você vai se juntar a gente? — Geralmente ela passava o recreio com umas amigas de outra sala, e que nesse ano acabaram caindo de novo em salas separadas. Tinha amizade com elas, entretanto gostava de ficar sozinho no recreio a maioria das vezes ou só com Lia.

— Obrigado, mas não vou. Prefiro ficar sozinho, preciso me abster desse caos todo.

— Tem certeza? Não gosto que fique sozinho. — Perguntou ela e eu assinto.

  Analiso o melhor local para ficar, era um banco isolado com árvores envolta que tinha visão de toda cantina. Sento e coloco meus fones ouvido, pondo minha playlist de pop latino. Que fazia com que eu me sentisse eu mesmo e acalmava-me diante de todo aquele barulho.

  Observava todos os alunos ali conversando, e tentando relatar tudo das férias naqueles poucos minutos. E um aluno chamou minha atenção, ele era alto sua pele era clara, seus cabelos eram um castanho escuro, usava óculos. Ele se destacava ali no meio da multidão o único com mochila. Devia ser aluno novo.

  Algumas músicas da minha playlist se passaram então o sinal tocou sinalizando o fim da alegria de todos. Encontro com Giulia e voltamos juntos para a aula de física.

  Eu diria que o senhor abençoou o tempo e acelerou ele. Essa aula passou tão rápido, que nem parece que estamos indo para última do dia. Ao entrarmos na sala ela estava organizada de trio e não de dupla como nas outras, só poderia ser história.

— É história, nem acredito. — Digo feliz por ser a nossa matéria preferida.

— Parece que iremos nos conhecer novamente. — Fala a loira se sentando na mesa da parede, sobrando a do meio e a da ponta. Sento-me na do meio

— Bom dia. — Falava Ellie enquanto entrava triunfalmente e todos responderam juntos. — Saudades de vocês dois. —  Referiu-se a nós, pois ela adorava a gente e nós ela.

— Nós também estávamos. — Respondeu Giulia e eu apenas sorri.

— Licença. Desculpa o atraso estou bem perdido, posso entrar? — Perguntou o menino do recreio ao qual tinha chamado minha atenção.

— Pode sim, seja bem vindo. — Respondeu Ellie.

— Posso sentar com vocês? — Perguntou ele tímido.

— Cla... Claro. — Acabo gaguejando quando nossos olhares se encontram.

— Você é da nossa turma mesmo? Não estava nas outras aulas. — Perguntou Lia ao menino.

— Sou sim, acabei me atrasando e perdendo as primeiras aulas e chegando na hora do recreio. E quando achei que não podia acontecer mais nada, na aula anterior estava na turma errada. — O menino fala e nós três rimos juntos.

— Olha recomendo um banho de sal grosso. Prazer em conhecê-lo, Giulia ou Lia se preferir.

— Ei, Lia só eu posso. — Rimos. — Sou o Don. — Estico minha mão para cumprimentar e ao sentir o toque de sua mão na minha, sinto um frio na barriga.

— Eu me chamo Henry Heathcliff, vocês podem chamar do que preferir tanto Henry ou Heathcliff. — Dizia ele colocando seu material na mesa.

— Bom, turma como vocês já estão acostumados sempre passo um trabalho em dupla. Então nesse ano não será diferente. — Por alguns segundos fiquei triste por Henry, já que não faria parte do nosso trabalho. — Entretanto não será em dupla e sim em trio. Os trios já estão formados, e são a ordem de trio que vocês estão sentados. No final da aula darei mais detalhes.

— Será o destino juntando mais uma amizade a nós? — jogou no ar Lia.

— Menina, ele mal chegou e já tá forçando o menino virar nosso amigo. — Dou um tapinha de leve em seu braço.

— Será um prazer ser amigo de vocês, vocês transmitem uma vibe boa. Mas o porquê do destino?

— É porque foi assim que essa doída e eu nos conhecemos em um trabalho de história dessa professora. — Respondo e nossos olhares se encontram novamente causando um leve arrepio em mim. Seu olhar era penetrante e profundo, seus olhos claros só intensificavam.

— Que demais. — Diz ele animado com o relato.

  A aula de história foi simplesmente demais, essa professora consegue transformar 1hr em 10min, Henry se enturmou mais com a gente. A professora de história deu mais detalhes do trabalho, seria a mitologia grega e teríamos que escolher um Deus, e representá-lo de alguma forma para a turma. E por ser um trio ela espera algo muito bom.

— Tchau Henry nos vemos amanhã. — Digo acenando para ele juntamente com Giulia.

— Tchau até amanhã. — Responde ele com sorriso, que de algum modo causou uma estranheza em mim.

— Ele é legal né. — Disse Lia brincando de não pisar nas linhas da calçada.

— Até o momento sim. — Entro no jogo. — Ponto para mim você pisou. — Grito.

 — Pisou, pisou. — Dizia ela enquanto ria. — Parecemos crianças.

— Isso é ruim? — Falo pensativo, mas tomando cuidado para não pisar em nenhuma linha.

— Claro que não, queria voltar para minha infância.

— Já eu não queria, mas sim ter uma nova infância.

— Ué por quê? Quer falar sobre isso.

— Pisei em uma linha. — Mudo de assunto imediatamente.

  Giulia e eu somos muito amigos, mas não gosto de falar da minha vida principalmente dos meus traumas. O que é ruim, porque parece que falta algo na nossa amizade.

— Mais tarde vem aqui em casa. — Falo enquanto ela caminha até sua porta.

— Vou sim.

  Entro em casa, meu pai estava deitado no sofá, sinto o clima pesado que essa casa exalava. Nunca mais fomos os mesmos depois daquele dia, nunca fui o mesmo com ele depois de ter consciência de tudo que aconteceu na minha infância, e eu só peço uma luz na escuridão dessa casa. Vou para o meu quarto colocando a mochila na cadeira e me jogando na cama com o meu celular e fone.



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