1. Spirit Fanfics >
  2. Odalisca >
  3. Reino Unido

História Odalisca - Capítulo 2


Escrita por: UmraoJaan

Notas do Autor


Voltei com mais um capítulo! Espero que gostem!

Capítulo 2 - Reino Unido


Londres, 2003.

O salão estava cheio de gente. Estava numa festa da empresa em um dos hotéis mais caros de Londres, o Mandarin Oriental Hyde Park, que contava com a presença dos sócios majoritários, principais parceiros de negócios e até membros importantes do governo e embaixadores de países de todo o globo. Não se fazia sessenta anos de empresa aberta todo dia, não é mesmo? Além do notável aniversário, o grupo InoShikaCho, que abrangia a Nara's company, havia assinado um contrato bilionário com uma petroleira egípcia no mês anterior. Shikamaru estaria mentindo se dissesse que não estava orgulhoso da empresa da família e dele mesmo, claro, porque tal contrato não teria sido possível se ele não tivesse se esforçado tanto dois anos antes nas negociações com Rasa Sabaku, um homem extremamente rico que possuía bastante influência nos países islâmicos do norte da África, que fizera a gentileza de sugerir ao governo Egípcio que contratos comerciais com o grupo InoShikaCho poderiam ser vantajosos para ambas as partes.

O Nara por vezes perguntava-se se o homem teria feito o mesmo se soubesse que Shikamaru transara com a filha dele uma dezena de vezes — no mínimo — enquanto era hóspede em sua casa no Marrocos.

Observou a rua pelas grandes janelas do salão por alguns minutos, distraidamente, sem saco naquele momento para bancar o bom anfitrião da festa, seus pais, seus dois amigos — Ino e Choji — e os pais deles teriam que dar conta por algum tempo.

Carros passavam rapidamente pela rua abaixo, até que um deles — um SUV que deveria custar uns cem mil euros — parou na porta do hotel e de dentro dele saiu Rasa Sabaku, o que era bastante lógico visto que ele fora convidado para a festa, afinal, fora ele quem dera o pontapé inicial para que conseguissem o melhor contrato da história da empresa. No entanto, assim que o ruivo pôs os pés na calçada, Temari saiu do carro também. Shikamaru quase caiu para trás. Fazia dois anos que não via aquela problemática, desde que ele fora embora da mansão marroquina dos Sabaku após fechar negócios com Rasa.

Em dois anos vira Rasa umas oito vezes, e esbarrava com os filhos homens dele de vez em quando em algum evento, mas nunca vira Temari. Imaginara — baseando-se no pouco que sabia sobre ela — que a mulher não se metia nos negócios do pai, mas talvez tivesse errado em seu julgamento. Não demorou nem dez minutos para que ambos adentrassem no salão.

Shikamaru sentia as mãos suarem. Temari fora o ponto alto daquela fatídica viagem, com certeza, mas também era seu principal segredo. Ninguém sabia do que tiveram, nem mesmo Ino e Choji, e ele duvidava que ela teria contado para alguém. Não é que os dois tivessem tido algo mais sério, não, esse não fora o caso, o acordo desde o início fora sexo para matar o tédio extremo que os dois passavam dentro daquela casa, não houve sentimento algum. Todavia, os dois acabaram conversando bastante na época, depois que transavam, mas na frente do pai e dos irmãos Temari voltava a ser o bloco de gelo que sempre fora antes de eles se relacionarem.

O Nara, de certa forma, dava graças a deus por não tê-la visto mais, porque ninguém — absolutamente ninguém — poderia saber do que tiveram. Se seu pai soubesse, o mataria, isso era certo. O enviara para fazer negócios, não para fazer sexo com a filha de um possível parceiro comercial e ex-colega da faculdade. E se, que Deus o ajudasse, Rasa soubesse, estaria ferrado. Se o ruivo se ofendesse poderia começar a se recusar a fazer negócios com eles e o prejuízo seria milionário. Tudo por causa da incapacidade de Shikamaru de se controlar quando se tratava de Temari Sabaku.

Até hoje, dois anos depois, o Nara não estivera com ninguém que se comparasse àquela problemática.

Seus pais se adiantaram para cumprimentar os recém-chegados, e sua mãe o chamara, acenando com a mão para que fosse até eles. Foi até lá com a maior dignidade que conseguiu reunir no momento, precisava se concentrar para não levantar nenhuma suspeita de seus pais ou de Rasa. Cumprimentou o ruivo com um aperto de mão e repetiu o gesto com Temari, a qual manteve o olhar impassível. Conversa vai conversa vem com o mais jovem entre os Nara procurando uma brecha que não aparecia nunca para sair dali, enquanto tentava não ficar encarando Temari — que, diga-se de passagem estava linda naquela noite — até que o assunto focou-se na Sabaku.

— Temari está fazendo mestrado em administração empresarial na Universidade King's College aqui em Londres há alguns meses. — comentou Rasa, depois que lhe serviram uma taça de espumante — Quando acabar vou colocá-la para gerenciar toda a área de exportações pelo leste europeu, gosto de deixar os negócios sempre entre família e Temari é muito competente, vem me ajudando com a empresa há anos.

Então Shikamaru realmente errara ao deduzir que ela não se envolvia na empresa do pai.

— Ah! Isso é ótimo! Também temos sorte com Shikamaru, sempre foi responsável com relação aos negócios da família. — falou sua mãe. Os olhos dela brilhavam ao olhar para Temari — Você é tão bonita, querida! E pelo visto também é bem inteligente, o que na minha opinião é a melhor qualidade que uma mulher pode ter. Não é verdade, Shikamaru?

Ele conhecia aquele tom de voz, era típico de quando sua mãe queria bancar a casamenteira. Temari certamente percebeu, pois lançou um olhar discreto para ele, arqueando levemente uma sobrancelha como se quisesse saber qual seria a resposta dele. O Nara não tinha certeza se sua mãe queria que ele respondesse se a Sabaku era uma mulher bonita ou se inteligência era a melhor qualidade que alguém do sexo feminino poderia ter, mas, de qualquer forma, assentiu com a cabeça enquanto limitava-se a dizer:

— Claro, mãe.

— Você conhece bem a cidade, querida? — voltou a perguntar Yoshino.

Temari fez que sim com a cabeça.

— Conheci os principais pontos turísticos quando cheguei, antes das aulas começarem.

— Mas não conhece a Escócia?

— Não tive a oportunidade ainda.

Shikamaru sabia muito bem o que sua mãe estava planejando.

— Ah! Então venha passar o feriado da Páscoa conosco em nossa propriedade nas Terras Altas! Rasa, venha também! Será um prazer recebê-los!

O homem balançou a cabeça.

— Infelizmente não posso, Sra.Nara, tenho compromissos na Espanha.

Yoshino até tentou fingir que estava triste com a notícia, provavelmente Rasa e Temari não perceberam que ela não se importava nem um pouco se ele ia ou não, contanto que Temari fosse. Shikamaru queria se enterrar no chão.

— E você, querida? O que acha?

Ele imaginara que ela recusaria, que diria que tinha que estudar, talvez provas ou qualquer outra desculpa esfarrapada do tipo. No entanto, o momento seguinte o lembrou do porquê aquela maluca o seduzira tão fortemente, do porquê cedera perante qualquer mínima demonstração de interesse da parte dela... porque Temari era imprevisível, e misteriosa, e instigante! Shikamaru nunca sabia qual seria a atitude dela, e ela sempre dava um jeito de surpreendê-lo, era sempre ousada e não tinha medo do perigo.

Temari era um furacão.

E o furacão sorriu com uma simpatia ímpar para sua mãe, desviando os olhos rapidamente para ele, provocativa, mas discreta o suficiente para parecer apenas um olhar de relance sem nenhuma intenção.

— Será um prazer, senhora Nara, pode contar que eu vou com certeza.

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

 

Na merda. Estava na mais completa merda.

Para seu terror a Páscoa tinha chegado e ele se encontrava na propriedade de sua família na Escócia, tendo Temari como visita. Felizmente, Ino e Choji estavam lá, então talvez a Sabaku maneirasse. Seus pais chegariam no dia seguinte, pois seu velho tivera um "imprevisto de última hora na empresa", mas a verdade com certeza era que sua mãe queria deixá-los sozinhos na esperança de que ele e Temari pudessem se relacionar mais, provavelmente Yoshino achava que se somente jovens estivessem presentes, algo poderia se desenrolar.

Era nisso que pensava enquanto se dirigia à piscina da propriedade, mas é claro que se enganou pensando que ela pegaria leve com ele porque tinham companhia — ele se esquecera que aquela mulher adorava o perigo, a adrenalina que sentia quando havia a possibilidade de ser pega — porque lá estava ela com um bikini minúsculo que deixava aquele corpo maravilhoso a mostra.

O restante da manhã foi um suplício. Temari o provocava com o olhar quando ninguém estava olhando, demorava-se para passar o protetor solar nos seios e coxas, chupou os dedos de uma maneira sexy demais para limpá-los depois de comer um dos pacotes de salgadinho que Choji tinha levado para eles e ficou deitada com a bunda para cima enquanto pegava sol.

Em dado momento, entrou na casa com a desculpa de pegar mais bebida na cozinha somente para livrar-se da presença tentadora da hóspede, e Ino o seguiu. Abriu a geladeira a procura de uma cerveja gelada, a bebida combinaria com os hambúrgueres que Choji preparava lá fora para eles almoçarem.

Ino se escorou na ilha da cozinha, observando-o, e não demorou muito para que começasse a falar.

— Sua mãe quer que você e Temari tenham um rolo, na verdade ela adoraria se vocês porventura acabassem namorando. — comentou despretensiosamente.

— Ela te falou isso, foi?

Ino riu.

— É claro que sim, sua mãe me conta tudo sobre você e me pediu ajuda para juntar vocês.

O Nara revirou os olhos.

— Minha mãe é uma intrometida...

— Mas eu não preciso ajudar em nada, não é? — aqueles olhos claros o encaravam com malícia. Ino era terrível, ela descobria tudo. — Você estava comendo ela com os olhos lá fora... e ela quer é se trancar num quarto com você, Temari é discreta mas nada escapa à Ino Yamanaka. — sua amiga franziu o cenho — Vocês tiveram algo no Marrocos, não é?

— Mas que merda, Ino... — resmungou resignado.

— Eu sabia! — ela estava quase pulando de alegria — Você voltou muito estranho daquela viagem! Sabia que tinha acontecido alguma coisa por lá... e agora você e Temari a um passo de se agarrarem...

Shikamaru quis enfiar a cabeça num buraco.

— Não conte pra ninguém isso!

Ela riu.

— Pode deixar, não vou falar nada. — desencostou da ilha e foi até a geladeira, pegando uma cerveja também — Pelo jeito que as coisas estão indo não dou nem dois dias pra vocês transarem.

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

 

Não foram necessários dois dias. Naquela mesma noite, durante a madrugada, Temari esgueirou-se para o quarto dele. Shikamaru estava acordado, fumando um cigarro em sua varanda quando a porta abriu e ela entrou no recinto.

Ele não disse nada quando ela pegou seu cigarro e pôs na boca, dando uma tragada. A visão da loira soprando a fumaça produzida para fora de seus lábios femininos era extremamente sexy, e ele tinha certeza de que ela sabia disso.

— Gostei dos seus amigos. — disse ela, quando devolveu o cigarro para ele. O Nara não disse nada — Se não quiser ficar comigo, Nara, é só falar e eu saio desse quarto.

Pensando racionalmente, talvez devesse mandá-la embora, mas definitivamente não era isso que queria.

— Você gosta disso, não é, Temari? Adora provocar as pessoas e se sentir superior no processo. — não era realmente uma crítica, apenas estava expondo sua percepção acerca dela.

A Sabaku sorriu.

— Não vou mentir pra você, Nara. Eu gosto bastante. — ela apoiou-se na balaustrada da varanda — Eu gosto de provocar, mas não provocaria alguém simplesmente pela diversão. Preciso estar interessada.

— Está interessada em mim então?

— Não é óbvio?

Talvez fosse, mas Shikamaru ficava burro como uma porta na presença daquela mulher.

— Dois anos atrás... quando nós fodíamos escondidos na minha casa, foi bom demais. — ela sorriu nostálgica — Eu estava tão entediada... você aparecer foi uma benção. Achei que não nos veríamos mais, mas agora que estamos isolados de novo, dessa vez na sua casa, eu pensei: por que não? Por que não repetir a dose?

Tragou o cigarro, sem deixar de encarar a mulher. Por que não? Bom, talvez porque as empresas de suas famílias tivessem negócios e não pegaria bem se o pai dela descobrisse..., mas qualquer objeção nesse sentido que Shikamaru tivesse não importou muito naquele momento. Estavam os dois ali, ela queria e ele também. Por que não? Talvez ele se arrependesse depois, todavia simplesmente disse:

— Não tenho objeções.

E então logo estavam colados um no outro na varanda, e depois na cama. As roupas foram tiradas com pressa, beijos famintos foram trocados, bem como carícias íntimas demais. Temari gemia enquanto ele lambia e beijava a intimidade dela, as pernas pressionando a cabeça dele. Ele virou-a quando ela estremeceu de prazer, no auge de seu êxtase, passando a beijar as costas nuas, descendo até a nádega direita, a qual deu uma leve mordidinha. Levantou o quadril dela, deixando-a de quatro na cama. Depois pegou uma camisinha na carteira, que estava no bolso de sua calça jogada no chão.

— Posso, odalisca?

A Sabaku assentiu, ainda manhosa pelo orgasmo recente, e ele se enterrou dentro dela, impulsionando devagar a princípio, mas logo ganhando velocidade nos movimentos. Sentiu as paredes internas dela o ordenharem e soube que ela estava fazendo aquilo de propósito, controlando a vagina para que ele gozasse mais rápido.

Quando se derramou soube que aquele era um caminho sem volta. Era quase como se fosse um dependente químico. Provara a droga, e então a largara e passara dois anos em abstinência, e agora a droga retornava para sua vida, uma tentação sem igual. Era impossível resistir. Shikamaru soube que estava perdido.

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

 

Colocou o dedo na frente dos lábios, pedindo silêncio. Temari o olhou sem entender nada, mas ficou quieta.

Iriam embora da propriedade no dia seguinte, inclusive os pais de Shikamaru que haviam chegado mais tarde. Nesse meio tempo, ele e Temari ficaram bastante juntos, não só de uma maneira sexual — afinal ela se esgueirara para o quarto dele todas as noites — mas realmente passaram tempo juntos, conversando, fumando, ou apenas juntos em silêncio.

O Nara apontou para mais ao longe na campina. Ino e Choji estavam uns duzentos metros atrás deles, comendo o lanche que o Akimichi tinha preparado, mas ele decidira mostrar a Sabaku um pouco da paisagem local — e dos animais também. Os olhos de Temari brilharam quando identificou o que ele tinha apontado uns quinhentos metros na frente deles.

— É um cervo?

Ele assentiu, feliz consigo mesmo ao vê-la sorrir largamente.

— É tão fofo!

Aquela não era a Temari misteriosa e sedutora, aquela era uma nova face que ele estava começando a conhecer e admirar. A Sabaku era uma pessoa doce quando queria e simpática também — bem diferente da mulher fria que ele conhecera no Marrocos. Sinceramente, ele não fazia ideia do que provocara uma mudança tão drástica de personalidade, pelo menos não no início daquela semana, quando voltaram a conviver depois de dois anos, no entanto, agora, depois de conhecê-la melhor, tinha impressão de que aquela pessoa fria do Marrocos não passara de uma fachada para seduzi-lo na época e — maldita fosse — ela conseguira.

Observando-a agora, tinha medo de que essa nova faceta — alegre, curiosa, vibrante — também fosse alguma artimanha, algum teatro para manter o interesse dele.

O cervo afastou-se ao longe. Shikamaru andou pela campina com Temari em seu encalço, queria mostrar mais coisas a ela, e achava que a cachoeira ao leste seria um local interessante. Não havia nada de particularmente especial lá, mas era bonito de qualquer forma.

Ela tirou os sapatos e colocou os pés na água quando chegaram, olhando o próprio reflexo. O Nara sentou-se em uma pedra observando-a em silêncio.

— O que te incomoda, Shikamaru? — ela não se virou para ele quando fez a pergunta.

Ficou surpreso por ela ter notado que estava inquieto, pelo visto não era o único observador ali.

— Vamos embora amanhã, e então o que temos acaba?

Temari deu um leve sorriso.

— Depende. — respondeu num tom misterioso. Ele tinha certeza de que ela adorava se fazer de difícil.

— Do quê?

— De você. — falou de maneira direta — Se você vai me chamar para sair quando voltarmos para Londres ou não.

A Sabaku o fitou com olhos inquisidores, aquela afirmação fora muito mais uma pergunta do que qualquer outra coisa.

— Depende. — foi a vez de Shikamaru provocá-la um pouco. Não gostava muito dos joguinhos dela, mas precisava descobrir quem era a verdadeira Temari, então talvez obtivesse alguma informação entrando no jogo — Vou descobrir quem você é, Temari? Ou vou ser o cara que você usa quando precisa de sexo e manipula dependendo do seu humor?

Imaginou que ela fosse ficar ofendida, mas — como sempre — ela o surpreendeu. Temari riu com gosto, andando em sua direção. Quando parou na frente dele, pôs a mão no queixo masculino, levantando seu rosto de forma que seus olhos encarassem os dela.

— Essa sou eu, Shikamaru. Essa mulher que ficou com você a semana inteira.

— Então quem era a mulher do Marrocos? Fria e distante? — perguntou direto. Talvez joguinhos não funcionassem ali afinal.

— A exata mesma pessoa, mas aquela era a Temari te avaliando, vendo se valeria a pena te levar para a cama ou não, e, depois disso, te seduzindo. — ela deu um sorriso largo e inclinou a cabeça para trás, observando o céu azul acima deles — E deu certo, não?

Shikamaru ainda não estava satisfeito.

— E a Temari da festa? Quem era?

Ela voltou a encará-lo.

— A Temari que queria te levar para a cama de novo, que decidiu que voltar a te provocar talvez fizesse esse desejo se realizar. — riu baixinho — E deu certo de novo, não foi?

— E essa Temari? A de agora? A que quer que eu a chame para sair em Londres?

Dessa vez algo parecido com insegurança passou pelos olhos dela, fazendo-a morder o lábio inferior antes de dizer:

— A que está profundamente interessada por você, e que quer passar mais tempo contigo e ver no que isso vai dar.

Resolveu perguntar somente para ter certeza.

— Está querendo me dizer que quer ter algo mais sério comigo?

Ela sentou-se ao lado dele na pedra.

— Gosto de você. — e então fez uma breve pausa, encarando a cachoeira — Gosto o suficiente para querer te ver mais vezes e, se acabarmos nos dando bem o suficiente para isso, por que não tentar algo sério?

Shikamaru ponderou por alguns instantes. Também gostava dela, mesmo que a achasse uma problemática difícil de decifrar. Admitia para si mesmo que queria conhecê-la melhor, todas as faces, desde a Temari misteriosa e distante até a alegre e simpática. É claro que havia a questão dos negócios, seria terrível acabar entrando em um relacionamento sério com ela e porventura terminar o namoro, pois seria no mínimo desconfortável encarar o pai e os irmãos dela de novo numa sala de reuniões, ou pior, ela própria. Contudo, mesmo com esse risco talvez valesse a pena arriscar, afinal, gostava dela o suficiente para isso, fazia anos que não se interessava tanto por uma mulher.

— Acho que tudo bem então, vou te ligar para combinarmos algo em Londres. — disse, e Temari sorriu para ele — Mas tem uma condição. — ela o olhou atentamente — Meu pai e o seu nunca poderão saber sobre o que aconteceu no Marrocos.

— Está com medo de levar uma bronca, Nara? — inqueriu provocativa.

— Sim.

Ela riu.

— Não se preocupe, não vou falar nada.

 

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>.

 

O salão de estilo clássico do Hotel Ritz estava cheio, mas felizmente todos eram educados o suficiente para não falarem alto. O Ritz era um dos melhores hotéis de Londres, sua arquitetura clássica dava um charme imbatível ao local, e seu chá da tarde era sabidamente o melhor da cidade.

Vinha saindo com Temari havia três meses, combinavam de ir aos mais diversos lugares: baladas, parques, restaurantes, pontos turísticos históricos da cidade, teatro, cinema... o apartamento dele... enfim, estavam se vendo com bastante frequência, para a alegria de Yosinho, sua mãe. Não estavam namorando, não ainda, pelo menos, mas pelo andar da carruagem ele imaginava que isso não fosse demorar a acontecer.

— Foi uma ótima ideia sua vir aqui. — comentou Temari, colocando um bolinho de chocolate na boca.

— Que bom que está gostando.

Ela comentara três dias antes que nunca tinha tomado um chá da tarde típico inglês, então Shikamaru resolvera levá-la ali para que pudesse passar por essa tradicional experiência.

— Esses bolinhos são uma delícia. — ela olhou em volta — E esse salão é magnífico, adoro esse estilo mais clássico.

Sorriu involuntariamente ao observá-la. Já não encarava Temari da mesma forma que antes, agora ela não era mais tão misteriosa assim, ele já conseguia entendê-la melhor, após muitas conversas sobre suas vivências. Ela era um furacão e adorava provocar, gostava de seduzir e de se sentir poderosa, mas também era carinhosa quando estavam sozinhos, além de ser muito inteligente e esforçada. Parecia fria a primeira vista, pois não se entregava com facilidade, mas a partir do momento em que se sentia confortável, era mais falante e aberta. Tinha defeitos também: orgulhosa, explosiva e mandona, pelo que ele tinha visto até aquele momento.

Em algum ponto da conversa deles, o assunto passou a ser o mestrado dela.

— Entro de férias em três semanas. — falou após beber um gole do chá — Tenho passagem comprada pra Espanha, estou inscrita em um concurso de dança do ventre que participo todo ano nessa época.

— Em Madri?

Ela assentiu.

— Eu não conheço a Espanha, acho que passei... o quê? Três dias em Madri uma vez numa viagem de negócios e só. — olhou para ela segurando um sorriso — Se incomodaria de me apresentar o país, Odalisca? Estou mesmo precisando de umas férias...

— Isso me parece algo sério. — disse a Sabaku, parecendo tentar manter a expressão indefinida — Não acho que seja algo que uma ficante faria.

Ele também tentou manter o semblante sério.

— Concordo. Acho que seria mais o papel de uma namorada.

Temari não conseguiu mais segurar o sorriso, e Shikamaru não estava diferente. Todavia, ela conseguiu manter a voz o mais serena possível quando declarou:

— Isso soa bem melhor. 


Notas Finais


O próximo cap (e último) posto domingo que vem! Feliz páscoa pessoal!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...