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História Odd Look - Capítulo 4


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Notas do Autor


Hello from the outside ~ lê-se com a voz da Adele ~ como vocês estão?
Esse é o meu capitulo preferido de Odd Look por vários motivos, mas o principal é porquê contem as primeiras interações kaisoo, FINALMENTE SENHOR!!! Além de contar flashbacks de como o Jongin conheceu e apaixonou pelo Kyungsoo na Era do terror na França, e vou ser sincera com vocês eu acho esses flashbacks( as cenas em itálico) uma preciosidade, papo de mãe coruja mesmo kkkkkkk.
Espero que vocês gostam e se emocione lendo, Boa Leitura!!!

Capítulo 4 - P1-Passado; Bon Coeur


Não é a pior noite de inverno em Nova York, mas o frio é suficiente para fazer com que a maioria das pessoas permaneça em casa, aquecidas junto aos seus amores – ou aos seus problemas. 

O ar frio daquela noite gelada em contato com o rosto descoberto de Jongin não era o pior frio que ele já enfrentara. Esse título pertencia ao inverno russo, quando Napoleão declarou guerra contra o país e sua política um pouco mais condescendente com os mutantes. A tolerância naquela época se traduzia na perda de todos os bens materiais mas não da própria vida, situação  completamente diferente da realidade atual.  

Se fosse a séculos atrás, os jovens mutantes que festejavam a duas esquinas de distância, com os seus verdadeiros olhos iluminados, estariam mortos ou implorando por misericórdia em questão de minutos. Mas hoje eles têm o direito de, talvez, passar apenas uma noite em uma cela fria à morte. 

Era risível a mudança de tratamento com o passar do tempo, mas não era o suficiente.  

Nunca era. 

Mesmo que Jongin desejasse que fosse. 

Talvez ele fosse um maldito perfeccionista do caralho, que buscava um alto grau de controle antes de fechar os olhos e finalmente se livrar do frio intenso que corroía os seus ossos, buscando calor em sua morte. Ou ele apenas queria ver novamente o seu amado, seu Kyungsoo sorrindo para as gérberas da primavera francesa.  

Porém, se Jongin fosse dolorosamente sincero, o que ele realmente desejava era a prática do maldito lema da Revolução Francesa. Liberdade, igualdade e fraternidade. Três palavras que foram responsáveis  por tanta dor e sofrimento para os mutantes, seus amigos e familiares, mortos pelo fanatismo de pessoas que esqueceram que eles também eram merecedores  dos direitos atrelados  a estas três palavras.  

Talvez era pelo choro e pelos gritos abruptamente silenciados que ele não pôde impedir que Jongin continuasse a puxar o respiro fundo seguinte  para dentro dos seus pulmões. Pois Kyungsoo não era o único que se comovia e chorava por se sentir incapaz de salvar essas vidas, afinal Jongin também estava lá. 

E ele ainda permaneceu nesse mundo mesmo depois que  Kyungsoo se tornou uma das vítimas do fanatismo e do preconceito, e milhares de outras tiveram o mesmo destino ao longo das décadas.  

Talvez, as suas próprias lágrimas que secaram em conformismo ao longo do tempo fossem uma justificativa aceitável para a sua existência prolongada. Talvez, justificasse a forma como ele brincava de Deus ao roubar energia vital dos fios de vidas de pessoas sem rostos. 

Se Jongin fechasse os olhos e se distraísse com a música em seus fones, ele até poderia acreditar em sua própria desculpa enquanto ignorava o fato de que ele acabara de roubar um pouco mais de energia vital para sobreviver, um ou dois dias, da mulher que atravessa a rua à  sua frente, repetindo  a mesma ação com o homem assistindo algum show em sua sala, na casa logo à esquina. 

Talvez Kim Jongin fosse apenas um ladrão sutil e acomodado com seus crimes enquanto andava sem rumo na madrugada fria de Nova York, porém ele só tinha uma certeza. 

Nada superaria o frio de perder o seu amado Kyungsoo.  

 

“Então, você é o famoso Bon Coeur?” Eu digo observando o homem à minha frente, cujas ações são tão comentadas nos becos escuros e imundos de Paris. 

A figura menor possui um trapo preto ocultando metade da cara, junto a um chapéu em sua cabeça, para manter o seu anonimato. Apesar de suas ações serem consideradas genuínas e bondosas, o anonimato e as suas fugas são as únicas coisas que o impediram de ser morto pela lei dos suspeitos. 

Há algum tempo o apelido do homem em minha frente vinha atraindo alguns sussurros curiosos de pessoas e mutantes que habitavam os becos escuros e sem leis de Paris. Bon Coeur era um homem respeitado por garantir que alguns mutantes conseguissem fugir da perseguição do Comitê de Segurança Geral, e suas ações eram um fio de esperança dentre o terror que 1793 trazia. 

O homem à minha frente, que olhava para baixo com o corpo completamente imóvel, observava pelo canto do olho os meus passos curiosos em sua direção. Ele sabia que tinha sido pego depois de sair do ponto de encontro que teve com a meretriz e sua filha, ambas mutantes, que contavam com as poucas moedas e instruções de fuga oferecidas pelo Bon Coeur. 

“Você é mais baixo do que eu imaginei” E a minha chacota é respondida pelo movimento rápido do braço do outro homem, cuja  faca que segura corta o ar em um arco mortal, que provavelmente cortaria o meu pescoço se eu não desviasse rápido o suficiente. 

Para um homem da sua altura, Bon Coeur possuía força e habilidades de lutas que fariam inveja a inúmeros militares e pessoas de caráter duvidoso que já encontrei. Foi difícil manter uma postura defensiva quando eu estava claramente em desvantagem, e apesar do soco forte de sua destra que cortou o meu lábio inferior, eu fiquei feliz em saber que aquele coração não era tão ingênuo quanto diziam. 

Afinal, o homem que chutou o meu joelho esquerdo, fazendo o meu corpo desmoronar, sabia muito bem que em tempos de terror e da santa guilhotina, o questionamento sempre viria depois do sangue ou de uma fuga bem realizada. Além do fato de que era totalmente aceitável apunhalar uma pessoa que duvidasse da sua identidade e das suas crenças. 

E quando a faca afiada perfurou o meu estômago, em um golpe forte que espalhou meu sangue sobre as minhas roupas sujas e miseráveis, fazendo meus olhos brilharem em dourado, eu soube que o homem que atendia por Bon Coeur era muito mais interessante que os boatos descreviam. 

Aquele humano que deixou escapar uma maldição em sua voz grave e celestial depois de me esfaquear não poderia ser simplesmente descrito como dono de um coração bondoso ou misericordioso. Afinal, o homem que eu observava com olhos débeis pela perda de sangue era forte e honrado o suficiente para sujar as suas mãos com aquilo que ele acreditava. 

Talvez, Bon Coeur fosse o espírito revolucionário que a França há muito tempo procurava. 

 

“Você acordou” A voz no canto esquerdo da sala decadente e sem nenhuma mobília me cumprimentou quando os meus olhos se abriram. 

Eu não precisava de muito tempo para saber que o homem que me esfaqueou se apiedou de mim e cuidou das minhas feridas, mesmo que o meu poder garantisse que a energia vital reservada em meu próprio fio de vida fosse  usada para curar as minhas feridas. Se não fosse essa anomalia incoerente do meu poder, eu não duraria tanto tempo sobrevivendo nos cortiços e becos de Paris. 

“Os rumores sobre você estavam errados” Eu começo, tentando me arranjar sobre o chão frio da sala escura enquanto escuto o som da chuva forte, tão incomum na primavera francesa. “Um verdadeiro Bon Coeur não esfaquearia uma pessoa com boas intenções” E o som em zombaria que o outro homem deixa escapar é quase alto o suficiente para sobrepor o meu gemido de dor ao me colocar sentado, apoiado na parede úmida e mofada. 

“Um verdadeiro Bon Coeur não deixaria você sangrando em um beco qualquer” O outro homem diz e agora é a minha vez de retribuir sua ironia. 

“Acredite, você não seria o primeiro a me fazer sangrar ou me abandonar à beira da morte em um beco qualquer” E a implicação nas minhas palavras deixa nós dois em silêncio, pois as estacas com as cabeças decepadas, encharcadas  sob a chuva violenta, são provas suficientes para saber o que acontece com os mutantes na França. 

Depois da Revolução Francesa, tão comemorada por todo o povo, a monarquia e o clero não foram os únicos perseguidos. Os mutantes, que tinham os seus poderes exibidos como animais nas festas diárias e ostentosas, tiveram o mesmo destino.  

Com os jacobinos no poder, a crença de que os mutantes pertenciam à escória que manchava o progresso francês foi intensamente alimentada, ao ponto de grande parte da população francesa estar disposta a eliminar as ditas “aberrações” com as próprias mãos. 

“Você luta muito bem” Eu começo, novamente sob o silêncio do outro homem, prestando atenção no seu fio de vida que contém um adorável aspecto colorido, como se fosse um canteiro de gérberas selvagens. “Nunca vi um estilo assim”  

“Elogios vão te levar a algum lugar?” O deboche da voz do homem arranca um sorriso zombeteiro dos meus lábios. 

“Quem sabe?” Eu pergunto, fingindo uma inocência que nunca me pertenceu. “Já estamos num quarto.” Eu revelo o óbvio, ganhando uma pequena risada do outro homem. 

“Cuidado,” A voz divertida aconselha e o céu decide escolher aquele momento para iluminar o quarto com a luz de um relâmpago, que revela o brilho da faca que Bon Coeur sustenta em suas mãos, como medida de proteção. “Você não vai querer entrar em um jogo onde não conhece todas as cartas.” 

“Talvez eu queira.” Eu respondo, com a voz cheia de audácia. 

“Você é apenas um pirralho que quer brincar com a vida.” Ele declara e o meu sorriso aumenta ainda mais. 

“Você tem razão. É por isso que eu quero ajudá-lo, Bon Coeur” E dessa vez a risada alta que sai do homem sentado à minha frente demonstra muito bem a sua resposta negativa para o meu pedido. 

 

“Continuar me perseguindo não vai fazer com que a minha resposta mude” O baixinho responde e eu apenas dou de ombros, andando de costas para poder olhar o rosto oculto do homem que em nenhum momento me mostrou algum vislumbre da sua face.  

Depois da conversa que tive com Bon Coeur, onde manifestei o meu desejo de trabalhar com ele, ganhando a sua risada de escárnio toda vez que eu argumentava, fazer com que o baixinho mudasse de ideia se tornou um desafio nos últimos dias. 

Afinal, as ruas miseráveis em que sempre vivi vinham perdendo muito mais que os seus negócios e atividades ilícitas. Os gritos bêbados e segredos vendidos ou trocados eram a cada dia substituídos pelo silêncio do medo e pelo canto de La Marseillaise, quando o carrasco se encaminhava até a praça pública para cortar novas cabeças. 

As canções que aclamavam a glória da revolução e as vitórias militares eram os únicos sons aceitáveis que poderiam se sobrepor ao silêncio. Qualquer questionamento era uma sentença de morte na república da guilhotina. Porém, para pessoas com um fio colorido como o homem à minha frente, o medo não impedia  suas ações como fazia a respeito das suas palavras. 

“Boa noite para você, baixinho” E o apelido que lhe dei nas últimas semanas apenas faz com que o homem balance a cabeça em resignação. “Você sabe, se eu fosse você, evitaria andar pelas ruas ao leste. Há rumores de que os vira-latas irão ladrar por aqueles cabarés”  

“O que faz você ter certeza de que vou ter a minha canela mordida?” Ele pergunta, sabendo muito bem que vira-latas é a expressão usada para designar os sádicos do Comitê de Segurança Geral, e ‘ter a canela mordida’ é outra para ser pego e ir para a guilhotina. 

“Apenas lhe alertando.” Eu aviso e jogo uma sacola de moedas no seu rosto, a qual  o outro homem pega com facilidade. “Talvez você queira contar com algumas moedas a mais nessa noite.” 

“Algum vira-lata deixou cair a sua sacola de ossos quando tropeçou na calçada?” O outro homem pergunta, divertido, e eu apenas suspiro em uma bela atuação de pesar. 

“O pobrezinho levou um belo tombo, mas passa bem mesmo com um ou dois dentes a menos em sua carranca.” E a risada que eu arranco sobre o silêncio primaveril daquela madrugada é suficiente para que eu me vire e ande em direção às sombras dos becos de Paris. 

Sem temer em ter a minha cabeça decepada, ou algo pior, pois aquelas vielas sempre foram o meu lar apesar do silêncio imposto pelo medo. 

 

A fuga que Bon Coeur orquestrou foi realizada com sucesso, a pequena família cuja filha mais nova, de apenas dez anos, era única mutante, conseguiu deixar Paris depois que  aconselhei o seu benfeitor a traçar um caminho que evitava a parte leste da cidade. 

Porém, quando o homem solitário e anônimo voltava pelos becos escuros, ele cruzou o caminho com quatro vira-latas que faziam rondas aleatórias por aqueles becos. E não importava o quão habilidoso Bon Coeur era, quatro contra um não era uma luta justa. O baixinho conseguiu nocautear o primeiro com um chute em sua cabeça, que fez o homem estalar o crânio no chão lamacento. 

Porém, quando aplicava uma joelhada no segundo e uma cotovelada no terceiro, o quarto vira-lata não teve nenhuma hesitação em apunhalar as costas do homem que resistia à investida sádica e cruel. Eu estava longe demais para impedir que a faca retirada encontrasse as costas do baixinho em um golpe mortal, então fiz a única coisa que poderia fazer. 

Deixei com que os meus olhos brilhassem, visualizando aqueles três fios de vida, bêbados em sua maldade e puxando completamente aquela energia doentia para o meu próprio fio. Energizar o meu próprio fio era uma sensação estranha, que esfriava todo o meu corpo sob o calor abrasador da madrugada quente de Paris.  

Não era a primeira vez que eu tirava vidas de outras pessoas com o meu poder; ter um poder como esse enquanto se morava nas ruas perigosas e duvidosas de Paris era, talvez, a única garantia de acordar vivo no outro dia. No entanto, isso não impedia que meu corpo estremecesse nas horas seguintes com os espasmos de dor ao acomodar toda aquela energia extra. 

Contudo, eu não tinha tempo para pensar em minha dor, eu precisava sair daquele beco escuro antes que olhares curiosos se fizessem presentes, e levar comigo o homem que sangrava pela facada em suas costas.  

Examinando a figura deitada no chão, que respirava com dificuldade, eu retirei a minha camisa para pressionar o seu ferimento, logo amarrando uma faixa de pano para impedir o sangramento o máximo possível. Só depois de me certificar da eficiência do meu trabalho é que eu olhei para o rosto coberto, que dificultava a respiração do homem ferido. 

Retirar o pano era a coisa certa a se fazer e eu não pensei duas vezes na ação, que me revelou o rosto do homem mais bonito que os meus olhos um dia viram. Bon Coeur era dono de uma beleza única, seus traços suaves e fortes contrastavam perfeitamente com a autoridade que aquele rosto, mesmo desacordado, emitia. 

O homem que peguei em meus braços era lindo, com suas sobrancelhas grossas, bochechas redondas e nariz pequeno, além da boca suculenta e rachada que prendeu sem esforço os meus olhos por aqueles instantes em que me deixei encantar pela sua beleza. 

“Você sabe, essa não era a forma que eu esperava pagar aquele favor.” Eu digo baixinho, testando a força dos meus braços antes de dar o primeiro passo para sair daquele beco. 

Tentando não pensar demais no frio doloroso em meu corpo, que sempre sinto depois de usar o meu poder. 

 

 

 

São quase quatro da manhã quando me acostumo com todo o efeito colateral de usar o meu poder, para energizar o meu fio de vida. É claro que o frio e a fadiga ainda estão lá e continuarão pelas próximas horas. Porém, quando saio de uma das lojas de conveniência com alguma imitação de café em minhas mãos, eu decido que já está na hora de lidar com os dois mutantes que me seguem. 

Um deles é Kim Minseok, que acompanha a mulher que Sehun mencionou ter o poder de rastrear pessoas através de algum objeto. Os dois me seguiram durante as últimas duas horas, esperando que eu os levasse para o apartamento que ocupo com meus dois amigos, o que era exatamente previsto pelo plano que Sehun orquestrou. 

Se não fosse a minha percepção elevada e o meu poder, eu não teria capturado suas presenças. Entretanto, eu não iria facilitar para eles e foi por isso que caminhei até o grupo de motoqueiros, que se aglomeravam em frente a um bar no final da rua, ficando feliz pela minha carteira estar abastecida por notas altas para executar o meu pequeno plano. 

Foi fácil trocar toda aquela quantidade de dinheiro que eu tinha pela chave da Yamaha YZF de um cara absurdamente bêbado, sem que ninguém ao redor arriscasse um segundo olhar. Além disso, foi divertido quando os fios de vida dos dois mutantes que me seguiram ficaram chocados com o fato de, depois de andar pela cidade sem rumo, eu havia simplesmente “comprado” uma moto. 

Ver o queixo caído de Minseok e o sorriso de aprovação da mulher que o acompanhava quando passei por eles me fez lembrar de velhos tempos, quando eu corria pelas ruas de Paris, fugindo dos vira-latas que queriam morder minha canela.  

E com esse sentimento de nostalgia, eu não me importei em  levantar a minha mão esquerda, em um gesto provocativo que repeti incontáveis vezes naqueles tempos. Com o dedo do meio levantado, eu acelerei pelas ruas de Nova York, saboreando o frio da madrugada invernal e a adrenalina em minhas veias. 

Quase me esquecendo da dor em meu corpo. 

Quase. 

 

Chanyeol e Sehun estavam em seu quarto dormindo quando entrei no apartamento. A primeira coisa que fiz foi retirar o moletom e o capacete, depositando-os no balcão da cozinha antes de pegar uma garrafa de água na geladeira. 

O passeio em alta velocidade tinha feito aflorar um pequeno sorriso em meu rosto, afinal, quem não ficaria feliz depois de trocar uma Yamaha YZF R-15 por 1.500 dólares? Só o mero pensamento fez com que o meu sorriso crescesse um pouco mais, pois agora eu tinha uma nova moto em minha coleção. 

Não era como se eu não tivesse dinheiro para comprar uma moto que, há anos, tinha interrompido a sua fabricação. Na verdade eu tinha e muito. Porém, o meu eu consumista que se dava o luxo, com muita frequência, de colecionar os mais variados tipos de carros e motos esportivos, sempre ficaria contente com uma nova adição. 

A névoa de alegria quase foi suficiente para me distrair quando três homens entraram na cozinha do apartamento, depois de perceberem que a porta estava aberta. Um deles era Kim Junmyeon, que estava acompanhado por um homem com fio de aspecto quase transparente, e outro com um fio estável e forte como a terra. 

“Vocês foram rápidos.” Eu digo, sem deixar que o pequeno sorriso se desmanchasse no meu rosto, mesmo com ataques simultâneos de dois dos três invasores. 

Primeiro, eu desvio com um passo para a direita do ataque de Junmyeon, batendo com força em seu pulso para que ele largue a faca em sua mão. Para logo em seguida, sustentar o peso do meu corpo no pé esquerdo para aplicar um chute de alcance médio, que acerta a coluna do de fio transparente em um sonoro crack

Os ataques só começam a ficar um pouco difíceis de acompanhar quando Junmyeon mescla seus golpes ao seu poder de manipular água, como uma distração, enquanto os outros dois continuam com a postura ofensiva. Apesar da dificuldade, eu consigo me sair razoavelmente bem, mesmo que os golpes que defendo tenham como objetivo me ferir gravemente.   

Porém, o que me preocupa, enquanto desvio do golpe que apenas rasga a minha pele em um corte raso, é a presença cautelosa do homem atrás de mim. Mesmo vendo que a sequência de golpes dos seus companheiros não está entrando da forma planejada, o dono do fio terroso não apresenta nenhum indício que vai entrar na luta. 

Tudo o que os meus sentidos captam é que o homem que se posiciona estrategicamente atrás de mim e observa tudo com uma paciência perigosa, como se ele tivesse esperando o momento certo de coordenar o seu ataque com os outros dois. 

E esse momento chega quando eu escorrego ligeiramente no chão molhado, o que acontece em um precioso segundo, que é suficiente para que Junmyeon e o homem de fio terroso ataquem com a brecha que eu lhes ofereço. Em um movimento rápido, eu viro o meu corpo para o último pois ele, diferente de Junmyeon, está armado com uma faca e teoricamente seu ataque é mais forte. 

Era para ser um movimento simples, sem surpresas e que eu realizei inúmeras vezes. Eu levaria o golpe de Junmyeon, enquanto pararia o do outro homem. Porém, o destino gosta de brincar com as pessoas e a simples visão do rosto do homem de fio terroso machucou muito mais do que qualquer dor física que o meu corpo sentia. 

Pois a familiaridade daquele rosto, com traços tão familiares e vivos, me lembrou do que o meu coração há muito tempo tinha perdido. 

Quando Junmyeon acertou o chute em meu joelho, quebrando-o, eu simplesmente cedi, pois toda a minha atenção estava concentrada naquele rosto que se misturava com as feições de um outro homem, que agora só existia em minhas memórias.  

Eu não reagi quando a mão destra que segurava a adaga preta cravou em meu peito, causando uma dor absurda por sentir o meu pulmão ser perfurado. Tudo o que os meus olhos cansados conseguiam visualizar era o sorriso do meu amor, sobrepondo a feição séria e impassível do homem tão familiar, mas ao mesmo tempo desconhecido, que me segurava no lugar.  

Ma moitié...” O nome carinhoso sai dolorosamente da minha boca e a lágrima solitária que desliza pelas minhas bochechas encontra com o meu sorriso cansado.  

Pois em meu torpor, entre amor e dor, eu só consigo ver à minha frente a minha outra metade. 

 


Notas Finais


"O jeito que ele me esfaqueia é diferente"
- Kim Jongin, Odd Look

Vocês gostaram? Deixam eu saber seus pensamentos, dúvidas ou críticas e até o próximo capítulo, se cuidem!


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