História Of all the people in this universe I chose you- Kim Taehyung - Capítulo 1


Escrita por:

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Kim Taehyung (V), Personagens Originais
Visualizações 57
Palavras 4.142
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura💕

Capítulo 1 - Capítulo um


Fanfic / Fanfiction Of all the people in this universe I chose you- Kim Taehyung - Capítulo 1 - Capítulo um


Faltando pouco para eu completar meu décimo sétimo ano de vida minha mãe  resolveu que eu estava deprimida, provavelmente porque quase nunca saía de casa, passava horas na cama, lia o mesmo livro várias vezes, raramente comia e dedicava grande parte do meu abundante tempo  livre pensando na morte.

Sempre que você lê um folheto, uma pagina da Internet ou sei lá o que mais sobre câncer, a depressão aparece na lista dos efeitos colaterais. Só que, na verdade, ela não é um efeito colateral do câncer. É um efeito colateral de se estar morrendo. Mas a mamãe achava que eu precisava de tratamento, então me levou ao meu médico comum, o Jin, que concordou que eu, de fato, estava nadando numa depressão paralisante e totalmente clínica e, portanto, ele ia trocar meus remédios e, além disso, eu teria que frequentar um Grupo de Apoio uma vez por semana. 

O grupo era formado por um elenco rotativo de pessoas com várias questões psicológicas desencadeadas pelos tumores. A razão de o elenco ser rotativo? Efeito colateral de se estar morrendo. 

O Grupo de Apoio era megadeprimente, óbvio. A reunião acontecia toda quarta-feira no porão de uma igreja episcopal. Nós nos sentavamos em uma roda bem no meio da cruz: onde os dois pedaços de madeira um dia se cruzaram, onde esteve o coração de Jesus.

Sabia disso porque o Namjoon, Líder do Grupo de Apoio e o único naquele lugar com mais de dezoito anos, falava sobre o coração de Jesus todo raio de reunião, sobre como nós, jovens sobreviventes do câncer, estávamos sentados bem no sagrado coração de Cristo, e tal.

Bem, era assim que acontecia no coração do Senhor: os seis ou sete ou dez de nós chegávamos lá de pé/de cadeira de rodas, comíamos um pouco daqueles biscoitos velhos com limonada, sentavamos na Roda da Esperança e ouvíamos o Namjoon contar pela milésima vez a história ulteriormente e superinfeliz da sua vida. Sobre ter tido câncer nas bolas e acharem que ele ia morrer, mas não morreu, e ali estava, já adulto, no porão de uma igreja na 137 cidade mais linda dos Estados Unidos, divorciado, viciado, em videogames, quase sem amigos, levando uma vida sem graça  explorando seu fantástico passado com câncer, relando para terminar um mestrado que não vai melhorar sua perspectiva de progresso na carreira e esperando, como todos nós, que a espada de Dâmocles traga para ele o alívio do qual escapou muitos anos atrás, quando o câncer levou seu testículo  e lhe deixou algo que só a alma mais generosa poderia chamar de vida.

Aí  nós nos apresentávamos: Nome. Idade. Diagnóstico. E como estávamos no dia. Meu nome é Lizy, dizia na minha vez. Dezesseis. Tireoide, originalmente, mas com uma respeitável colônia satélite há muito tempo instalada nos pulmões. E está tudo bem comigo.

Depois do ultimo da roda, Namjoon sempre perguntava se alguém queria se abrir. E ai começava a punheta grupal de apoio mútuo: todo mundo falando de lutar, combater, vencer, remitir e examinar. Para não ser injusta com o Namjoon, ele nos deixava falar da morte. Mas a maioria ali não estava morrendo. A maioria viveria até a idade adulta. Como o Namjoon.

A única coisa que salvava no Grupo de Apoio era um menino chamado Hoseok, um magrelo de rosto comprido, com cabelos loiros e lisos que cobriam um de seus olhos.

E seu problema eram os olhos. Ele teve um tipo de inacreditavelmente improvavel de câncer ocular. Um olho foi extraído quando ele era pequeno, e agora o Hoseok usava um par de óculos fundo que garrafa que fazia os olhos (tanto o de verdade quanto o de vidro) parecerem sobrenaturalmente grandes, como se a cabeça inteira fosse basicamente o globo ocular de mentira e o de verdade olhando pra você. Pelo oque pude entender das raras vezes que ele se abriu para o grupo, uma recorrência colocou o olho que resta em perigo mortal.

O Hoseok e eu nos comunicavamos quase exclusivamente por meio de suspiros. Cada vez que alguém falava de dietas anticâncer, de cheirar cartilagem de tubarão em pó ou sei lá, ele me olhava e suspirava de leve. Eu balançava a cabeça em um movimento microscópico e dava um suspiro em resposta.

Então o Grupo de Apoio deu oque tinha que dar, e depois de algumas semanas eu passei a surtar quando tocavam no assunto. Na verdade, na quarta-feira em que conheci o Kim Taehyung, tinha feito de tudo para me livrar da ida à sessão de grupo enquanto estava sentada no sofá com a mamãe, no meio da terceira parte da maratona de doze horas da temporada anterior de America's Next top Model , que confesso, já tinha visto, mas mesmo assim...

_ Me recuso a ir ao Grupo de Apoio...- disse para minha mãe 

_ Um dos sintomas da depressão é a falta de interesse em participar de atividades._ disse minha mãe terminando de dobrar algumas roupas

_ Por favor mãe, deixa eu ficar vendo America's Next top Model. Isso é uma atividade.

_ Televisão é passividade Lizy

_ Pô mãe, por favor...

_ Lizy, você ja é adolescente. Não é mais uma criancinha. Precisa fazer amigos, sair de casa, viver sua vida.

_Se quer que eu aja como adolescente, não  me mande para o Grupo de Apoio. Compre uma carteira de identidade falsa para mim e aí eu vou sair a noite, beber vodka e tomar baseado.

_Para início de conversa, não se toma baseado

_Viu? Esse é o tipo de coisa que eu saberia se você comprasse uma carteira de identidade falsa para mim.

_Você vai para o Grupo de apoio

_SAAAAAAAAAACO

_Lizy, você merece uma vida!

Aquilo me fez calar a boca, mesmo não tendo conseguido entender o que a ida ao Grupo de Apoio tinha a ver com a definição de vida. De qualquer jeito, concordei em ir- depois de negociar direito de gravar o episódio e meio do ANTM eu ia perder.

Ia ao Grupo de Apoio pelo mesmo motivo que uma vez  deixei enfermeiras com um ano e meio de faculdade me envenenarem com substâncias químicas com nomes exóticos: queria fazer meus pais felizes. Só tem uma coisa pior nesse mundo que bater as botas aos dezesseis anos por causa da um câncer: ter um filho que bate as botas por causa do câncer.

...

Mamãe parou na entrada de carros circular atrás da igreja às 4h56. Fingi que estava ajeitando o cilindro de oxigênio por um segundo só para ganhar tempo.

_ Quer que eu carregue até lá dentro?- mamãe disse se referindo ao cilindro

_Não, está tudo bem- respondi sorrindo mínimo 

O cilindro verde só pesava uns poucos quilos e eu tinha um carrinho de aço para transportá-lo.   Aquilo me fornecia dois litros de oxigênio por minuto através de uma cândula, um tubo transparente que se dividia bem embaixo do meu pescoço, passava por tras das orelhas e se juntava de novo nas narinas. A geringonça era necessária porque meus pulmões faziam um péssimo trabalho como pulmões.

_Eu te amo Lizy- disse enquanto eu saia do carro

_Eu também te amo mamãe. Vejo você as seis.

_Faça amigos- Ela gritou pela janela abaixada enquanto eu me distanciava.

Não quis usar elevador porque isso é o tipo de coisa que você faz nos seus  "Últimos dias no Grupo de Apoio", então eu fui de escada. Peguei um biscoito, coloquei um pouco de limonada num copo descartável e me virei.

Um garoto olhava fixamente para mim.

Eu tinha quase certeza de nunca ter visto aquele cara na vida. Alto e magro, mas musculoso, ele fazia a cadeira de plástico, daquelas usadas em sala de aula, parecer minúscula. Cabelo negros, liso e curto. Parecia ter a minha idade, talvez um ano mais velho, e estava sentado com o cóccix na beirada da cadeira, uma postura péssima, com uma das mãos enfiada até a metade do bolso da calça jeans escura.

Desviei o olhar, repentinamente conciente da quantidade infinita de coisas erradas em mim. Eu estava com uma calça jeans velha, que algum dia foi justa mas que agora ficava  folgada nos lugares mais estranhos, e uma camisa de malha amarela com o nome de um grupo da qual eu nem gostava mais. Tinha também meu cabelo: cortado na altura dos ombros, e que fazia séculos que não via um pente. Além disso minhas bochecas que mais parecia de um esquilo, estavam ridiculamente redondas, efeito colateral do tratamento. Eu era uma pessoa de proporções normais com um balão no lugar da cabeça. Isso sem falar do inchaço nos tornozelos. Mesmo assim, dei uma espiada rápida  e os olhos dele ainda estavam grudados em mimm

Foi então que entendi o verdadeiro sentido de aquilo ser chamado de contato visual.

Andei até a roda e me sentei ao lado do Hoseok, a duas cadeiras do garoto. Olhei de novo, rapidamente. Ele ainda me observa.

Na boa, vou logo dizendo: ele era um gato. Se um cara que não é gato encara você sem parar, isso é, na melhor das hipóteses, esquisito, e na pior, algum tipo de assédio. Mas se é um cara gato...na boa...

Peguei meu celular e apertei uma tecla para ver as horas. Os lugares na roda foram ocupados por azarados de doze a dezoito anos e, então, o Namjoon deu início aos trabalhos com a prece da serenidade.

O garoto ainda estava me encarando. Senti meu rosto ficar vermelho. 

Por fim, resolvi que a melhor estratégia seria também  olhar fixamente para ele. Afinal de contas, os garotos não detem o monopólio da Atividade de Encaradora. Foquei nele enquanto o Namjoon explicava pela milésima vez sua ausência de bolas etc; e aquilo virou um jogo do sério. Depois de um tempo o garoto sorriu e, até que enfim, desviou os olhos cor de jabuticaba. Quando me olhou de novo, arqueei as sombrancelhas como quem dizendo:ganhei.

Ele deu de ombros. O Namjoon prosseguiu e, enfim, a hora das apresentações chegou.

_Hoseok, talvez você queira ser o primeiro hoje. Sei que está enfrentando um grande desafio no momento.

_ É - Hoseok disse cabisbaixo- Meu nome é Hoseok. Tenho dezessete anos. Parece que vou precisar ser operado em duas semanas, depois vou ficar cego. Não estou reclamando nem nada porque sei que poderia ser  pior, como no caso de alguns aqui, mas, quer dizer, ficar cego é, tipo, uma droga.  Ter uma namorada me ajuda. Além de amigos como o Taehyung- Ele balançou a cabeça na direção do garoto, que agora tinha nome.- Pois é...- continuou. Ele estava tenso. Era perceptível. Hoseok olhava parar as mãos, os dedos cruzados parecendo o topo de uma tenda indígena.- Não há nada que possa fazer para mudar isso.

_ Estamos do seu lado Hoseok!- Namjoon disse- Vamos lá, pessoal, digam para o Hoseok ouvir!

Então todos nós num uníssono, dissemos:

-Estamos do seu lado Hoseok!

O Janed foi o próximo. Ele tinha doze anos. Sofria leucemia.  Desde que se entendia por gente. E estava bem. 

A Lívia  tinha dezesseis anos e era bonita o suficiente para ser o alvo do olhar do cara gato. Era frequentadora assídua das reuniões - estava em um longo período de remissão de um câncer de apêndice, que eu fui as sessões do grupo- que se sentia forte, oque para mim, com aquela chuvinha de oxigênio fazendo cosquinhas no nariz, era o mesmo que tirar onda.

Outros cinco falaram antes do cara gato. Ele deu um sorrisinho quando chegou sua vez. A voz era baixa, aveludada e supersensual.

_Meu nome é Kim Taehyung - disse- tenho dezessete anos. Tive uma pitada de osteossarcoma um ano e meio atrás, mas só estou aqui hoje porque o Hoseok pediu.

_E como está se sentindo?- Namjoon perguntou.

_Ah, maravilha- Kim Taehyung deu um sorrisinho- Estou numa montanha-russa que só vai para cima, amigão. 

Quando chegou minha vez eu disse:

_ Meu nome é Elizy Tomphsom. Tenho dezesseis anos. Tireoide com metástase nos pulmões. Estou bem.

A hora passou rápido. Lutas foram recontadas, batalhas ganhas em guerras que com certeza seriam perdidas; a esperança virou tábua de salvação; famílias  foram celebradas e recriminadas; foi consenso que os amigos não entendiam nada; lágrimas foram compartilhadas, e consolo, oferecido. Nem eu nem Kim Taehyung tínhamos soltado uma palavra até que Namjoon disse:

_Taehyung, talvez você queira falar de seus medos para o grupo

_Meus medos?

_Eu tenho medo de ser esquecido- disse ele- Tenho medo disso como um cego com medo do escuro.

_Calma ai- Hoseok disse abrindo um sorriso.

_Estou sendo insensível?- perguntou o Taehyung- Eu posso ser bem cego quando o assunto são sentimentos das outras pessoas.

Hoseok estava rindo, mas o Namjoon levantou um dedo, repreendendo-o.

_Por favor, Taehyung. Voltemos a você e suas questões.  Disse que tem medo de ser esquecido?

_Alguem, ahn, alguém gostaria de fazer algum comentário?

Eu não frequentava uma escola de verdade havia três anos. Meus melhores amigos eram meus pais. Meu terceiro melhor amigo era um escritor que nem sabia que eu existia. Eu era relativamente tímida- de jeito nenhum o tipo que levanta a mão pra falar.

E, mesmo assim, só dessa vez, resolvi abrir o verbo. Levantei a mão, e o Namjoon, a satisfação estampada na cara, disse:

_Elizy!

Eu estava, tenho certeza de que foi isso que ele pensou, me abrindo.

"Me tornando parte do grupo"

Olhei na direção de KimTaehyung, que me encarava. Dava quase para ver através dos olhos dele.

_Vai chegar um dia- eu disse- em que todos vamos estar mortos. Todos nós. Vai chegar um dia em que não vai sobrar nenhum ser humano sequer pra lembrar que alguem já existiu ou que nossa espécie fez qualquer coisa nesse mundo. Não vai sobrar ninguém para se lembrar de Aristóteles ou de Cleópatra, quanto mais de você. Tudo oque fizemos, construímos, escrevemos, pensamos e descobrimos vai ser esquecido e que tudo isso aqui- fiz um gesto abrangente - vai ter sido muito inútil. Pode ser que esse dia chegue logo e pode ser que demore milhões de anos, mas, mesmo que o mundo sobreviva a uma explosão do Sol, não vamos viver para sempre. Houve um tempo antes do surgimento da consciência nos organismos vivos, e vai haver outro depois. E se a inevitabilidade do esquecimento humano preocupa você, sugiro que deixe esse assunto para lá. Deus sabe que é isso que o munfo faz.

Eu tinha aprendido aquilo com o meu escritor favorito, Peter Van Houten, o autor recluso de Uma aflição imperial- de todos os meus livros, o mais próximo de uma Bíblia. Peter Van Hounter era a única pessoa que eu conhecia que parecia: entender o que era estar morrendo, e, não ter morrido. 

Assim que terminei fez-se um longo silêncio, e eu pude ver um sorriso se abrindo de um canto ao outro no rosto do Taehyung- Não o tipo de sorriso cafajeste do garoto tentanto parecer sensual ao me encarar, mas um sorriso sincero, quase maior que a cara dele.

_Caramba!- disse baixinho- Não é que você é mesmo demais?

Nós dois não falamos mais nada até o fim da reunião. Quando todos se deram as mãos e o Namjoon nos guiou em uma prece.

_Senhor Jesus Cristo, estamos aqui reunidos em Seu coração, como sobreviventes do câncer. O senhor e somente  O senhor nos conhece como conhecemos a nós mesmos. Nos guie pela vida e para a luz em nossos períodos de provação. Oremos pelos olhos do Hoseok, pelo sangue de Janed e do Michael, pelos ossos do Taehyung, pelos pulmões da Elisy, pela garganta do Harry. Oremos para que o Senhor consiga nos curar e para que possamos sentir o seu amor e sua paz, que  excedem todo o entendimento. E nos lembremos em nossos corações daqueles que um dia conhecemos, amamos e que foram para a sua casa: Maria, Kade, Joseph, Haley, Abigail, Angelina, Taylor, Gabriel...

A lista era grande. Tem muita gente que morta no mundo.  E enquanto o Namjoon continuava a ladainha, lendo a relação em uma folha de papel porque era muito comprida para ser decorada, fiquei de olhos fechados, tentando elevar os pensamentos em oração, mais a maior parte do tempo imaginava o dia em que o meu nome ocuparia um  lugarzinho ali, bem no fim da lista, quando ninguém  mais está prestando atenção. 

Quando o Namjoon acabou, entoamos juntos aquele mantra idiota- VIVENDO O MELHOR DA NOSSA VIDA HOJE- e foi o fim da reunião. 

O Kim Taehyung empurrou o corpo para fora da cadeira e caminhou na minha direção.

O andar dele era tão cafajeste quanto o sorriso. Ele parou na minha frente, mas manteve uma certa distância para eu poder olha-lo nos olhos sem ter de esticar o pescoço. 

_Qual seu nome?

_Elizy

_Não, o nome completo

_Ahn, Elizy Tomphsom Lancaster.

Ele ia me dizendo alguma coisa quando Hoseok se aproximou.

_Só um instante -Falou, levantando um dedo, e virou-se para Hoseok- Isso foi pior do que você tinha dito, na verdade.

_Eu disse que era um tédio 

_Por que você se dá o trabalho de vir aqui?

_Sei lá. Meio que ajuda...?

O Taehyung inclinou o corpo achando que assim eu não conseguiria ouvi-lo.

_Ela vem sempre?- Não deu escultar o comentário do Hoseok, mas o Taehyung respondeu:- Quer saber?- puxou Hoseok pelos ombros e deu meio passo pra trás. - Conte a Elizy sobre a ida ao médico!

_Ta, é que eu fui ao médico hoje de manhã e estava falando ao meu cirurgião que prefiria ser surdo a ser cego. E ele disse: "Não é assim que as coisas Funcionam". Ai eu falei, tipo:"É, eu sei que não é assim estou dizendo que preferia ser surdo a ser cego se pudesse escolher, mas sei que não posso." E ele: "Bem, a boa notícia é que você não vai ficar surdo." Eu disse: "Obrigado por esclarecer que meu câncer no olho não vai me deixar surdo. É muita sorte minha ter um gênio como você me operando."

_Ele é mesmo um gênio- Falei.- Vou tentar arrumar um câncer no olho para poder conhecer esse cara.

_Boa sorte. Então, ta. Ja vou indo. A Mônica ta me esperando. Preciso olhar bastante enquanto eu posso. 

_Literalmente- Taehyung disse 

_Literalmente?

_Estamos literalmente no coração de Jesus

_ É 

Eu ri. O Taehyung balançou a cabeça, me olhando 

_Oque foi?

_Nada

_Porque está olhando pra mim desse jeito?

Ele deu um sorrisinho.

_Porque você é bonita. Eu gosto de olhar pessoas bonitas, e faz algum tempo que resolvi não me negar aos prazeres simples da existência humana.- Um silêncio constrangedor seguiu.- Quer dizer, principalmente por que, como você deliciosamente me observou, tudo vai acabar em total esquecimento, e tal...

Eu meio que engasguei, ou suspirei, ou soltei o ar de um jeito que pareceu uma tosse, e disse:

_Eu não sou boni...

_Voce é tipo uma Natalie Portman milenar. Tipo a Natalie Portman em V de Vingança. 

_Não vi esse filme

_Serio?- ele perguntou- Garota linda, de cabelo curto, rejeita a autoridade e não consegue resistir a um cara que ela sabe que vai ser um problema. É a sua biografia, pelo menos até aqui, pelo oque posso ver.

Cada sílaba que saia da boca dele flertava comigo. O.k., ele meio que me deixava a flor da pele. Eu nem sabia que garotos podiam de deixar assim. Bom. Pelo menos não,tipo, na vida real.

Uma menina mais nova passou por nós. 

_ E ai, Alisa. Tudo Bem?- ele perguntou.

Ela sorriu e balbuciou:

_Oi Taehyung. 

_Gente do Memorial-Ele explicou. 

Memorial era o grande hospital de pesquisas.

_Qual você frequenta?

_O hospital pediátrico- Respondi, meu tom de voz mais baixo do que eu pretendia. Ele fez que sim com a cabeça. A conversa parecia ter chegado ao fim.- Bem- falei, mechendo a cabeça  vagamente na direção dos degraus que levavam para fora do Coração Literal de Jesus. Inclinei o carrinho de oxigênio para apoiá-lo nas rosinhas e comecei a andar. O Taehyung foi mancando ao meu lado.- Então, a gente se vê na próxima? Talvez?.

_Voce deveria assustir, ao V de Vingança

_Tá, vou ver se acho para assistir.

_Não. Comigo. Na minha casa.- Ele disse- Agora.

_Eu mal conheço você, Kim Taehyung. Você pode muito bem ser o assasino do machado.

Ele concordou.

_Tem toda razão, Elizy Tomphsom. 

E passou por mim, os ombros dando a forma á camisa polo verde, as costas retas, os passos da direita um pouco mais marcantes enquanto andava firme e confiante apoiando no que eu determinei ser uma prótese.  Às vezes o osteossarcoma leva um dos membros só para dar uma sondada em você. Depois, se gostar, leva o restante.

Mamãe não tinha chegado ainda, o que era estranho, porque ela quase sempre estava lá  esperando por mim. Olhei em volta e vi que uma garota alta, morena e boazuda imprensava o Hoseok na parede de pedra da igreja. Eu podia escultar os ruídos  estranhos das suas bocas grudadas, e ouvi o Hoseok dizendo "sempre", e ela respondendo com "sempre" também. 

O Taehyung apareceu do meu lado e sussurrou:

_Eles são grandes adeptos de demonstrar afeto em público. 

_Qual é o do "sempre"?

_"Sempre" é o lema deles. Sempre vão se amar, e tal. Pelo meus calculos, e sendo bastante conservador, eles devem ter trocado quatro milhões de mensagens de texto com a palavra sempre no ano passado.

Mais dois carros chegaram, levando embora Jaed e Alisa. Aí sobramos só o Taehyung e eu, observando Hoseok e a Mônica, que continuavam frenéticos, como se não estivessem encostados na parede em um local de oração. Ele pôs a mão no peito dela, por cima da blusa, e apalpou o mamilo, a mão imóvel enquanto os dedos se mexiam. Fiquei me perguntando se aquilo seria gostoso. Não parecia, mais resolvi perdoar Hoseok levando em conta o fato de que ele estava para ficar cego. Os sentidos devem aproveitar enquanto ainda há apetite, e tal.

_Imagine a última ida de carro até o hospital- falei, baixinho.- A última vez que você vai dirigir um carro.

Sem me olhar, o Taehyung disse:

_Você está atrapalhando a minha vibe aqui, Elizy Tomphsom.  Estou tentando observar o amor adolescente em sua esplendorosa estranheza.

_Acho que ele está machucando o peito dela

_É. É difícil saber ao certo se ele está tentando excitar a menina ou fazer um exame de mama.

Taehyung enfiou a mão no bolso e tirou de lá, por incrivel que pareça, um maço de cigarros. Levantou a rampa da caixinha e colocou um cigarro na boca.

_Isso é sério? Você acha isso legal? Ai, meu Deus, você acabou de estragar a coisa toda.

_Que coisa toda?

O cigarro prendia apagado na boca, do canto que não sorria.

_A coisa toda em que um garoto que não é pouco atraente ou pouco inteligente ou, aparentemente, de forma alguma pouco tolerável  me encara e chama minha atenção para utilizações incorretas da literalidade e me compara a atrizes e me convida para ver um filme na casa dele. Mas é você tendo um raio de um câncer. Ai, meu Deus. Deixe eu só dizer para você como é não conseguir respirar? É UM INFERNO! Totalmente decepcionante. Totalmente. 

_Uma barmatia?- ele perguntou, o cigarro ainda na boca.

Aquilo deixava sua mandíbula contraída. E a linha da mandíbula dele, infelizmente, era tudo...

_Uma falta trágica - Expliquei dando as costas pra ele.

Dei um passo na direção do meio-fio, deixando o Kim Taehyung para tras, e foi então que eu ouvi um carro dando partida mais adiante na rua. Era a mamãe. Ela tinha ficado ali, esperando que eu, tipo, fizesse amigos ou coisa assim.

Senti um misto de decepção e raiva crescendo em mim. Nem sei direto que sentimento era aquele, sério, só que havia muito dele, e eu queria dar um soco na cara do Kim Taehyung  e ao mesmo tempo trocar meus pulmões por outros que não fossem péssimos.  Eu estava de pé bem na pontinha do meio-fio com meu All-Star Chuck Taylors, o cilindro  de oxigênio no carrinho ao mwu lado parecendo aquela bola de ferro que fica presa com uma corrente no tornozelo de um prisioneiro, e na hora que minha mãe ia encostando o carro senti a mão dele pegar a minha.

Puxei a mão mas me virei pra ele.

_Eles não matam se você não acender-disse quando minha mãe parou junto ao meio-fio- E eu nunca acendi nenhum. É uma metáfora. Tipo: você coloca a coisa que mata entre os dentes, mas não da a ela o poder de completar o serviço. 

_É uma metáfora -falei, hesitante.

Mamãe esperava, quieta.

_É uma metáfora - repetiu.

_Você determina seu comportamento com base nas ressonâncias metafóricas...

_Ah, é - Ele sorriu. O sorriso largo, meio bobo e sincero.- Sou um grande adepto da metáfora, Elizy Tomphsom. 

Eu me virei para o carro.  Uma batidinha na janela. Que se abriu. 

_Vou ver um filme com o Kim Taehyung-Falei- Grave,  favor, os próximos episódios da maratona do ANTM para mim.




Continua???





Notas Finais




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