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História Of Days Gone By ( descontinuada) - Capítulo 6


Escrita por: Sussurrations

Capítulo 6 - Seis


Sim, hoje o teu filho esteve aqui. De um fato preto bem engomado e de vincos certos, um chapéu de feltro para o sol fora do sombreiro do riquixá que o trouxe até aqui e um par de óculos idêntico ao que usavas para a leitura.

É muito parecido contigo, ele. O cabelo de obsidio, a pele de alabastro e os olhos cinzentos como uma tempestade que surgiam em ti quando perdias a paciência ou o contacto com a realidade...

O mesmo nariz aristocrático e um bocado pequeno, a voz grave, profunda, suave, que nem a tua. Até os modos dele lembram-me os teus; como ele fala, olha, ri, senta, anda. Como ele tenta ver através de mim e sem esforço algum consegue tal como tu fazias; aquele ar de angústia acompanhado de um sobrolho franzido, tal como acontecia contigo quando lias-me e com os punhos cerrados desviavas o olhar porque algo no que viste deixou-te sufocado e amargo, à beira de lágrimas.

— admito que durante toda a nossa conversa ( se é que podemos chamar a pequena troca de palavras entre nós de conversa), eu senti que eras tu ali na minha frente e por várias vezes chamei-o, inconsciente e acidentalmente, pelo teu nome ganhando dele o mesmo sorriso quebrado e branco que me davas toda a vez que ou tu, ou eu, ou ambos quebravamos. —

Ele sabe sobre nós.

Diferente da tua esposa e dos teus outros filhos, ele sabe sobre nós.

“ Foi o Otou-san quem me contou. ” disse-me ele assim que nos acomodámos na minha sala de estar maximamente moderna e europeia com chávenas de chá preto com açúcar para mim e sem açúcar para ele. E  desmontou qualquer pose de bom anfitrião que eu tentava passar no mesmo instante como encontrar-te naquele dia com os pulsos cortados na sala de estar da nossa pequena cabana desmontou um bocado da minha sanidade.

Chorei na frente dele sem saber o que fazer ou dizer; o medo, vergonha, culpa pelo que tivemos e fizemos e nunca naquela época tomou-me em forma de ditas emoções, fazendo-me trémulo e friorento.

Ele, o Hiroshi, o jovem que literalmente é a tua cara chapada e jamais filho de outro, nada disse nem nada fez enquanto me assistia afogar no desajuste emocional que virei desde a tua morte, silenciosamente esperou que eu me recompusesse e só então voltou a falar.

“ Eu não o julgo. ” ele deu de ombros naquilo que sei que foi inconsciente, longe do tom sóbrio e adulto que queria passar da sua abordagem. “ Não vos julgo. ” desta vez não deu de ombros, mas sim deu mais um gole do seu chá nos maneirismos que far-te-iam murmurar sobre jovens modernos e sem maneiras pois não é nem assim como se bebe chá e muito menos como se pega uma chávena. “ A sério. Eu conhecia o meu pai. ” ele olhou-me, fitou-me e só largou de mim depois do que disse a seguir. “ E por isso muito cedo aprendi a entender o relacionamento dele com a minha mãe, o casamento deles. ”

Se senti-me menos envergonhado, sujo e culpado? Sim. Se senti-me aliviado por não estar a lidar com um filho que acha que destrui eu em parte qualquer tipo de felicidade matrimonial dos seus pais? Claro. Tanto que me senti à vontade para respirar diante dele e do seu sorriso quebrado.

“ Ele amava-o muito. ” outro gole, sua voz apequenada mas clara mesmo assim. “ Mais do que amava-nos a nós. ” e ele me olhava novamente como se a procura da minha mais singela reação à suas palavras que de facto não sei qual foi ou se o satisfez. “ Tanto que fez o que fez por si  como demorou mais tempo para fazê-lo por si. ” e talvez ali, pelo como ele virou tu, eu tenha chamado-te, franzido o cenho e desviado o olhar, cerrado a boca e respirando fundo naquele modo que normalmente te faria rir e beijar-me todo e dizer que eu daria uma ótima, ótima esposa. Se bem que no meu caso, no nosso caso, um ótimo, ótimo, esposo teu. Mas ele não se riu, e eu sabia que não eras tu.

Não, o Hiroshi apenas abaixou a cabeça e também respirou fundo e deixou o silêncio debruçar-se sobre nós, abraçar-nos e ser nossa maior companhia. Foi assim até o chá e seus acompanhamentos cansarem-nos e as luzes do pós meio-dia e os sons da primavera servirem de maior entretenimento.

Ele suspirou em algum ponto, levantou-se e remexeu na sua mala de mão preta e tirou dali várias folhas de papel encadernadas, caminhou até mim e entregou-mas, o mesmo sorriso de antes no rosto. “ Dele para ti. ”

Aceitei e a agradeci, mas ele não largou de imediato novamente fitando-me e fitando-me, sua mão livre suspensa no ar como se indecisa para com onde ir até assentar no topo da minha cabeça no teu toque por vezes quente como o verão, o teu polegar correndo a cicatriz que tenho mesmo no canto do olho direito como gostavas de fazer, a intimidade que só tu tiveste para comigo neste mundo, o carinho que faz-me suspirar e fechar os olhos, dizer “ Ryuunosuke... ” em súplica e esperar que respondas, faças algo para tornar em brasa as chamas dentro de mim que já me consomem e fazem-me, diante de qualquer um aposto eu, parecer menos homem pois contigo ser homem não é o que as pessoas definem como tal.

“ Homem sortudo foi o meu pai. ” disse ele num suave lamento e igualmente suave ânsia que só vim a compreender quando comecei a ler estas folhas de papel encadernadas.

O Hiroshi deu-me as costas depois disso, pegou em suas coisas e curvou-se profundamente para mim e insistiu que não precisava de ser acompanhado até a porta e foi-se embora depois de breves minutos calçando seus sapatos pretos muito bem engraxados e deixando-me só confuso e sem fôlego, trémulo do desejo que em parte deixou-me enjoado pois sentiu-o para com o tu que não és tu, mas o teu filho. O teu filho mais velho. O rapaz de quem, tal como com os dois outros, evitavas falar como se fazê-lo fosse algum pecado.

E foi tão forte que tive de levantar-me e ir vomitar pois sujo me sentia novamente. Um pervertido, doente e desavergonhado que por instantes desejou poder abrir as pernas para um rapaz muito mais novo e com idade para ser seu filho; para o rapaz que teu filho é e tão idêntico a ti é que de joelhos eu para ele  ficaria enquanto era tomado e tocado por trás e chamaria por ti a cada estocada, profunda, superficial, longa e curta e divina pois sinto a tua falta e tenho, tive naquele momento em que fechei os olhos e abri a boca, a certeza de que até nisso ele parece-se contigo. Que ele fode igual, faz amor igual, toca igual, chupa igual, lambe igual, mete e brinca com os dedos igual, tem o membro igual, perfeito para mim, em mim...

Desculpa! Eu não deveria dizer isto. Desculpa! Desculpa! Desculpa! Desculpa!Desculpa!Desculpa! Eu sou doente. Sempre fui. E tenho piorado ultimamente. Perdoa-me... Juro que nunca mais digo ou penso em coisas destas. É uma promessa que nunca, jamais, quebrarei.

Perdoa-me...



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