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História Off the Rails - Capítulo 8


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Notas do Autor


oiiii, desculpa demorar quase um mês pra att mas é que esse cap me pegou de jeito!!! eu disse lá o tt que ia att só amanhã mas eu fiquei ansiosa e quis postar logo hoje

muito, muito obrigada pelos 545 favs, mds, eu to muito feliz de verdade sz

esse capitulo é lindo!!!!! eu to muito apaixonada nele, serio, espero que gostem tbm

usem a tag da fic no tt pra gente conversar sobre a att é #tkofftherails

boa leitura <3

Capítulo 8 - Friday night


Fanfic / Fanfiction Off the Rails - Capítulo 8 - Friday night

Taehyung se sentia cansado. Não fisicamente, o baterista gostava do ritmo quente que sua vida era, os ensaios junto a seus amigos sempre eram bons apesar das recorrentes reclamações de Yoongi, o tempo passava rápido e consequentemente sua mente ficava ocupada e livre de pensamentos ruins sobre a falta que a mãe fazia todos os dias. 

Além do mais, havia conhecido Jeongguk e mesmo que estivesse falando com o garoto de sorriso doce e olhinhos inchados a pouco tempo, sentia que ele possuía algo de bom que faria Taehyung se sentir melhor ainda. Percebeu isso quando o Jeon apagou seu cigarro e lhe ofereceu um chiclete no lugar, nenhum de seus ficantes anteriores havia feito isso consigo, normalmente os rapazes com quem ficava pedia um pouco e ficavam até horas da madrugada fumando. Mas com Jeongguk fora diferente, percebeu o quanto o mais novo odiava a prática e o cheiro e não pensou duas vezes em jogar o objeto fora. 

Taehyung se sentiu muito bem quando Jeongguk lhe deu o chiclete de melancia, mesmo que gostasse mais do sabor de tutti-frutti. 

— A gente já pode ir, hyung? Estou morrendo de sono — Taehyung estava sentado na ponta do palco com uma lata de cerveja da mão e ao ouvir a voz sonolenta de Hoseok, levantou a cabeça para fitar os três amigos sentados na mesa. 

— Espera, vou falar com o Minseok sobre o cachê e então poderemos ir — Yoongi levantou-se da cadeira, levando consigo sua latinha de cerveja. Jimin estava cochilando com a cabeça deitada sobre a madeira da mesa com os braços cobrindo o rosto. 

— Quer ir me ajudando com a bateria pra adiantar, Seok-hyung? — Taehyung perguntou, balançando as pernas. 

— Vamos, tô morrendo de sono, quero ir logo pra casa. 

Os dois subiram no palco, puxando a madeira que ficava embaixo da bateria para fora, no entanto, precisaram desmontá-la no caminho até o carro. Seokjin e Namjoon, ainda estavam por lá esperando os mais novos irem embora e ajudaram no processo até o veículo. Eram quase meia noite e todos precisariam acordar cedo no dia seguinte por ser segunda-feira. 

— Tae — Namjoon chamou, quando estavam voltando para dentro do bar, observando o baterista bocejar ao virar-se em sua direção. Taehyung estava morrendo de sono, com os olhos vermelhos e inchados, só esperando Yoongi terminar de resolver as coisas sobre o pagamento para poder chegar em casa e apagar na cama. —, vou te dar o dia de folga amanhã. 

— Sério, hyung? 

— Você está tão cansado, não tem problema dormir mais um pouquinho na segunda-feira. Mas é pra descansar mesmo, está bem? 

— Está bem! Quero dormir até meio-dia, acordar só pra almoçar e dormir de novo — falou empolgado, abraçando Namjoon bem apertado. — Obrigado por ter vindo hoje, hyung. Eu achei que você e o Jin-hyung não conseguiriam aparecer.

— Eu deixei o posto nas mãos do Baekhyun e o Jin largou uma ruma de prova em casa pra corrigir quando chegássemos — disse rindo, imaginando como o irmão mais velho ficaria maluco quando voltassem para casa e se lembrasse daquele tanto de simulado que deixou em cima da mesa da sala de estar para poder prestigiar a Inside the Rails. Mas valia muito a pena, o sorriso que Taehyung sustentava não deixava indicativos para que Namjoon se arrependesse de ter tirado uma noite para ir vê-lo tocando.

— Ah… hyung — Taehyung chamou por Namjoon antes de entrarem no bar definitivamente. Do lado de dentro, eles conseguiam ver Jimin ainda cochilando na mesa e Hoseok pedindo mais uma latinha de cerveja e nada de Yoongi. 

Hm?

— Você acha que o Jin-hyung tem algum simulado sobrando? Sabe… — o baterista baixou os ombros, sentindo-se um pouco envergonhado. —, pra eu tentar responder. Eu quero de verdade voltar a estudar. 

— Ele com certeza tem! — o Kim mais velho exclamou sorrindo, achando adorável como Taehyung estava com as bochechas bronzeadas um pouco avermelhadas naquele momento pela vergonha de expor seu pedido. — O Jin sempre imprimi provas a mais caso algo dê problema e eu tenho certeza que ele não se importaria de dar uma delas a você. 

— Obrigado — o baterista disse, verdadeiramente feliz em escutar aquilo. Queria muito voltar a estudar no início do ano seguinte e começar a tentar responder provas era uma boa ideia para exercitar a mente, seria mais uma coisa para ocupá-la. 

— Eu levo para o trabalho na terça. Vou pedir um simulado geral para o Jin-hyung e vou querer saber como foi seu rendimento no final — Taehyung admirava os dois irmãos, eles eram muito inteligentes e mesmo que Namjoon administrasse um posto de bairro simples, o rapaz de cabelos rosados havia se formado na faculdade de administração alguns anos atrás, só não quis atuar naquilo, preferindo ficar cuidando dos negócios de sua família ao contrário de Seokjin, que estudou para ser professor. 

— Certo, hyung. — O Kim mais novo sorriu, sentindo-se extremamente feliz com aquilo. 

— Vamos? — Yoongi apareceu na porta do estacionamento, segurando um Jimin sonolento pela cintura, sendo seguido por Hoseok que ainda mantinha uma lata de cerveja nas mãos, com os olhos pesados de sono. Taehyung assentiu, querendo muito se deitar e dormir o mais rápido possível. Se despediram de Namjoon que foi procurar pelo irmão perdido e saíram do bar. 

— Resolveu pra onde vai, Tae? 

O mais novo murmurou uma afirmação baixa, encostando a cabeça no ombro do Park e cochilou por um tempo, até ser acordado novamente com a delicadeza bruta de Yoongi. Taehyung resolveu que iria para a casa de Jimin quase no último segundo porque não queria ficar sozinho em casa e, também, não queria deixar o melhor amigo irritado sem sua presença por ter ficado o tempo inteiro com Jeongguk. Queria conversar direito com o Park sobre o garoto, tentar fazê-lo ao menos simpatizar com o Jeon — claro que teria que ocultar a parte que Jeon Jeongguk era filho de Jeon Jeonghan o arqui-inimigo de Park Kyungmi no mundo da advocacia. Sabia, porém, ser uma tarefa difícil fazer Jimin mudar de opinião e sequer sabia sobre o que Yoongi disse na sexta-feira para o melhor amigo. 

Estava totalmente no escuro.

Yoongi deixou Jimin e Taehyung primeiro para tirarem a bateria e a colocarem na garagem dos Park com cuidado, os dois tentaram não fazerem barulho ao entrarem na residência escura, mas foi em vão quando o mais novo tropeçou no canto de um dos móveis a caminho do quarto do Park e bateu o dedinho, ainda estavam cansados mas o sono parecia ter ido embora por causa de toda aquela adrenalina momentânea.

Ai! Merda! 

— Taehyung, fala baixo — Jimin reclamou, puxando o baterista pelo pulso em direção a escada, mas o Kim continuava resmungando de dor no caminho até o segundo andar da casa. Se Taehyung reclamasse um pouquinho mais alto com certeza acordaria os pais do Park e nenhum dos dois queria aquilo ou ouviriam de Sunghyun reclamações por chegaram tão tarde. 

— Mas é que tá latejando, acho que vai ter que amputar — fez careta, mas aquilo só fez Jimin rir um pouco pelo drama exagerado do mais novo. Desde muito pequeno Taehyung sempre fora muito sensível a dores físicas, principalmente porque precisou arrancar uma unha quando caiu de bicicleta quando tinha sete anos. Aquilo doeu como um inferno. E quanto tinha dez anos, ele e Jimin estavam brincando no quintal e o mais velho teve a grande ideia de fechar o portão de madeira na cara de Taehyung para ele não passar e ganhar a corrida que faziam, resultando em uma torção no pulso e a palma da mão toda ralada. 

— Meu Deus, que drama — continuou puxando Taehyung pelo pulso até chegarem em seu quarto. Jimin ligou a luz e fechou a porta, arrancando a camisa de paetê que a mãe de Yoongi criou para aquela apresentação. — Nossa, como isso coça. Por que eu sempre fico com as roupas mais doidas? Você está com uma jaqueta relenta. — Coçou os olhos ao final da fala, bocejando em seguida.

— Eu fico sentado e no fundo o show inteiro, ninguém vê minha roupa — Taehyung disse tirando a meia para ver como seu dedinho estava. — Olha só como tá vermelho! 

— Tá um pouquinho vermelho mesmo — Jimin abaixou próximo ao melhor amigo, analisando o dedinho magrelo e suspirando. — Quer colocar gelo?

— Quero — ralhou baixo, formando um bico nos lábios que tirou do Park um riso soprado. Taehyung sempre ficava mais manhoso e retraído quando se machucava, mesmo que fosse algo pequeno como um dedinho que bateu em um móvel. Mas ele entendia aquilo, Taehyung passou por muita dor depois que o pai faleceu, física e emocionalmente.

Jimin saiu do quarto a passos curtos e leves, não querendo acordar os pais de forma alguma e pegou o gelo e um paninho na cozinha logo voltando ao quarto encontrando Taehyung ainda mexendo em seu dedo. Sentou-se ao seu lado e entregou tudo ao melhor amigo que bem rápido cobriu o dedo deixando-o geladinho e suspirou aliviado. 

— Melhorou? — Jimin perguntou quando ouviu um suspiro deleitoso do mais novo ecoar pelo quarto e deixou um beijo em seu ombro ainda coberto pela jaqueta. Taehyung acenou que sim de olhos fechados e encostou a cabeça na do Park, sentindo-se cansado do longo dia. — Ficou tristinho de repente, por quê? 

— É que eu tô com saudades da minha mãe — Taehyung disse sincero, sequer se importava com o gelo derretendo e molhando o chão do quarto. Tinha vezes que era insuportável aquele sentimento e recorria a meios não tão legais para fazê-lo passar quando estava sozinho, por isso tentava sempre estar junto dos amigos, porque eles faziam Taehyung ocupar a mente e não pensar na negligência de Yeoreum e na falta que ela fazia na vida de seu único filho. 

— Ah, Tae… — Jimin se afastou um pouco, vendo que os olhos castanhos estavam cobertos de lágrimas salgadas. Aquilo lhe partia o coração, principalmente porque presenciou todo o caos na vida do melhor amigo quando ele foi expulso de casa antes mesmo de completar dezoito anos e sabia como doía nele pensar na mãe. — Você quer falar sobre isso? 

Taehyung negou, enxugando as lágrimas com a mão que não segurava o gelo em seu pé, mas continuou perto de Jimin que passou a lhe fazer um cafuné na cabeça. O mais velho fechou os olhos, sempre se perguntava porque aquelas coisas haviam acontecido com o Kim, ele era uma pessoa tão boa — vulnerável em diversos momentos —, carinhosa e amorosa. Taehyung sempre foi uma criança sorridente, feliz e extrovertida que mesmo depois de cair tantas vezes se levantava e continuava brincando. Às vezes tirara os pais do sério por ser um pouco desobediente como qualquer criança, mas tinha muito amor para dar. Jimin sabia que tudo o que aconteceu de ruim com Taehyung foram decorrente da morte de Hansung. O homem era o espelho do filho e ele ficou sem chão depois disso. Não o culpava, mas culpava Yeoreum por não ter ficado e ajudado o único filho quando ele mais precisou.

Então, Jimin ficou ali ao lado do melhor amigo até que ele dormisse em seu ombro e o gelo fosse uma mera lembrança da saudade que Taehyung sentia.

[...]

Quando Taehyung acordou na segunda-feira, Jimin não estava mais em casa e o rapaz deduziu que seu melhor amigo havia ido para a faculdade. Era quase onze horas quando despertou completamente e decidiu descer para fuçar a geladeira e comer algo. Sunghyun estava passando pano nos móveis da sala quando Taehyung apareceu no primeiro andar e a mulher sorriu em sua direção. 

— Bom dia, querido, dormiu bem? — A mulher perguntou, Taehyung já fazia parte daquela família e Sunghyun ficava extremamente feliz quando o adolescente dormia ali. Sentia sempre que o Kim acordava bem mais revigorado em manhãs que acordava na casa dos Park do que sozinho em seu apartamento. 

Taehyung assentiu, coçando a nuca. 

— Quer ajuda, tia Sunny? 

— De jeito nenhum — a mulher respondeu, sorridente. Em qualquer outro momento não hesitaria em dar mil e uma tarefas para que Taehyung ou até mesmo o filho fizesse enquanto estivessem ali, mas naquele momento, não era necessário —, Jimin disse que você ganhou o dia de folga porque estava muito cansado. Eu deixei Kimchi no microondas pra você porque achei que ia acordar mais tarde, então vá lá comer e depois pode voltar a descansar. 

— Tem certeza, tia Sunny? Eu posso ajudar se você estiver mesmo precisando. — Sunghyun negou novamente, enxotando o garoto para fora da sala com o pano que usava para limpar os móveis. Taehyung saiu correndo do cômodo, estava mesmo precisando dormir mais um pouco e se deliciou com o Kimchi da senhora Park. 

Quando voltou para o quarto de Jimin, Taehyung entrou em um dilema enorme sobre ir tomar banho ou ir dormir. Ainda estava com a roupa do dia anterior então, depois de muito pensar, pegou umas roupas do melhor amigo e decidiu trocar sem tomar banho mesmo. Foda-se. Estava sozinho mesmo, quando Jimin chegasse da faculdade tomaria banho porque, provavelmente, ouviria reclamações do mais velho sobre estar fedorento em cima de sua cama limpinha. 

Se jogou na cama de casal do Park e enroscou as pernas no travesseiro dele, fechando os olhos e sorrindo quando a imagem de Jeongguk lhe beijando na noite anterior cobriu seus pensamentos. Taehyung sabia o que estava acontecendo consigo, e não queria impedir de estar apaixonado por alguém que parecia fazê-lo tão bem em pouco tempo. Ele tinha os olhos tão escuros como a noite e lábios rosados como pêssego, era tão bom beijá-lo, aquilo causava uma euforia grande no baterista e nunca havia se sentido assim por ninguém antes. Com Jimin não era a mesma coisa, porque Taehyung nunca foi apaixonado pelo melhor amigo, e com todos os outros meninos não havia chegado nem perto dos arrepios que o Kim sentira noite passada quando juntou os lábios aos do Jeon depois de ouvi-lo lhe provocar dentro do bar. 

Sentiu a enorme necessidade de puxá-lo para o lado de fora e grudá-lo em seus braços e fora isso que fez, sentindo-se muito bem ao enroscar os braços longos em torno da cintura delgada do outro e a textura macia da língua morna contra a sua. Merda. Estava mesmo apaixonado por Jeongguk e sentir ciúmes do garoto falando o quão cobiçado era, apenas mostrava que isso era verdade.

Não tinha para onde fugir.

E, Taehyung não queria fugir de maneira alguma. 

Adormeceu pensando em como queria observar mais vezes os olhos curiosos e redondos de Jeongguk e como queria senti-lo sorrir durante seus beijos, conversar com ele como fizeram na primeira madrugada que passaram juntos na casa do mais novo e como estava ansioso para estudar consigo. 

Acordou quando já havia anoitecido com xingamentos de Jimin perto de seu ouvido, exatamente como previra que iria acontecer. 

— Acorda, seu fedorento, nem tomou banho e tá com essa sovaqueira no meu travesseiro! 

— Ah, Jimin, mais cinco minutos, por favor — Taehyung resmungou, virando para o lado oposto no qual o Park estava, mas não adiantou nada quando o corpo alheio se jogou contra o seu. As mãos gordinhas se enfiaram dentro da blusa velha que o baterista pegou em seu guarda-roupa e começou a fazer cosquinhas na pele bronzeada da barriga alheia. 

Taehyung ofegou, tentando sair das mãos monstruosas do melhor amigo, mas falhando miseravelmente quando começou a rir alto embaixo dele.

Jiminie… — tentou falar, mas Jimin era muito bom em fazer cosquinhas. —, eu vou morrer!!!

— Você vai pagar por dormir com esse sovaco de cecê no meu travesseirinho. Eu enfio a cara aí, sabia? — Jimin ralhou, não estava irritado com isso de verdade, mas gostava de fazer cócegas em Taehyung porque ele era muito sensível na região das costelas e o baterista precisava sorrir um pouco. 

— Eu juro que não faço mais! Eu pro-pro… prometo de dedi-dinho… Jiminie! — Quando Taehyung já chorava de tanto rir, Jimin decidiu que já era o suficiente e saiu de cima do mais novo com um sorriso vitorioso no rosto e o Kim franziu o cenho e cruzou os braços quando se recompôs finalmente. — Isso foi cruel, okey. 

— Vai tomar banho, tá empesteando meu quarto todo. — Jimin apontou para o banheiro e mesmo que Taehyung já fosse fazer aquilo quando acordasse, mostrou a língua para o melhor amigo que como um bom garoto de dezenove anos que era, revidou com a mesma ação. — Mas espera — o Kim parou no meio do caminho, fitando Jimin até ele voltar a falar. —, você trocou de roupa, trocou de cueca também? 

Taehyung sorriu travesso e correu para o banheiro, gritando lá de dentro quando fechou a porta e não tinha chances do Park atacá-lo novamente com cócegas: 

— Peguei sua cueca favorita!

 

—X—

 

A segunda-feira começou com gosto de preguiça para Jeongguk depois de chegar em casa morrendo de sono no dia anterior. O resto da semana se seguiu dessa forma por ter que estudar para as provas que viriam em breve, fora as atividades extras que fazia pela tarde, mas o que deixava o adolescente com disposição era ter mensagens de Taehyung na tela bloqueada de seu celular quando chegava em casa. 

Conversou com o baterista a semana inteira, se conhecendo um pouco mais, descobrindo o que ele gostava de fazer e o que não gostava, marcaram de se encontrar na sexta-feira para o ensaio, Taehyung alegando que o buscaria ao fim do período escolar. Ensaiou para a primeira fase da audição da faculdade em agosto e fugiu das perguntas de Jeonghan sobre a universidade de direito. 

Quando, finalmente, chegou na sexta-feira o pátio do colégio estava uma loucura, as meninas pareciam mais agitadas que o normal murmurando umas paras as outras sobre o baterista gostoso da Inside the Rails que estava parado no portão principal do colégio. Jeongguk, porém, passou por todos os seus colegas sem saber o que estava acontecendo, com o cenho franzido e perguntando ao melhor amigo o que estava havendo, mas Youngjae parecia tão mais perdido do que o próprio Jeon. 

— Ei, Dahyun — chamou uma das meninas que tinha como amiga, ela sentava ao seu lado na sala e era a terceira mais inteligente de acordo com o ranking do terceiro ano. A garota de cabelos castanhos que adorava colocar apliques coloridos falsos embaixo dos fios porque tinha medo de pintá-los e acabar estragando, virou-se para Jeongguk, deixando as outras meninas conversando sobre o tal assunto, até então, desconhecido.

— Oi, Guk-oppa, o que foi? 

— Por que estão todas agitadas assim? Tá tendo algum evento importante que eu deveria saber e não sei?

— Você não viu lá fora? — ela perguntou, passando os dedos longos pelos fios para jogá-los para trás. Jeongguk negou, olhando para o melhor amigo que ainda não sabia de nada pela expressão tão confusa quanto. — O baterista daquela banda, Inside the Rails, está lá fora, ele tá todo gostos-. 

Merda — xingou baixo interrompendo a fala da amiga, tentando não chamar atenção. —, eu esqueci completamente. 

Dahyun lhe fitou curiosa, mas Jeongguk apenas fez um gesto com a mão indicando que depois explicava o que estava acontecendo, despediu-se apressado do melhor amigo que ficou para acompanhar a menina e mais algumas amigas até suas casas sem o mais novo para apostar corrida. 

Jeongguk apareceu no portão segundos depois com a respiração acelerada e, uau, Kim Taehyung poderia ser considerado o homem mais bonito do mundo ao seus olhos, principalmente com um pirulito na boca e óculos escuros, encostado em sua Harley-Davidson preta com os braços cruzados sem fitar ninguém em específico. 

— Está esperando a muito tempo, baterista gostoso? — Perguntou ao se aproximar, chamando a atenção do mais velho para si. Taehyung tirou os óculos, colocando-os atrás de sua nuca e puxou o palitinho do pirulito para fora da boca, não havia mais o doce apenas a haste mordida e Jeongguk não achou que ele poderia ficar ainda mais sexy com aquele objeto preso em seus lábios rosados. 

— O suficiente pra deixar todas essas meninas com as pernas bambas — murmurou com a voz rouca, sem desencostar da moto. Jeongguk se aproximou um pouco mais, sabendo que todos estavam observando-o interagir com o baterista gostoso da Inside the Rails que estava ali apenas para buscá-lo e mesmo assim causava uma cena e tanto. Ainda se perguntava como nunca havia ouvido falar deles antes, quando todos na sua escola os conheciam. 

— Só as meninas? — questionou chegando mais perto, parando a poucos centímetros do corpo esguio do mais velho que prendeu as orbes castanhas em si. 

— Pode ser que um garoto rico de olhos escuros também esteja com as pernas bambas agora — o mais velho disse, baixo o suficiente apenas para que Jeongguk escutasse, colidindo seu hálito de morango com o do mais novo. 

Jeongguk riu, passando a língua pelos lábios cor de pêssego. 

— Com certeza ele não está. 

Oh, é uma pena — Taehyung fingiu lamentar, passando os dedos magros pela franja esverdeada, tirando alguns fios revoltos que caiam por cima de seus olhos sedentos. —, eu adoraria deixá-lo com as pernas bambas. 

Quando Jeongguk deu mais um passo, pronto para beijar Taehyung e acabar com aquele joguinho que começaram de repente, um pigarro próximo estourou novamente a bolha que se encontravam. O mais novo olhou para o melhor amigo que mantinha um sorrisinho debochado no rosto com Dahyun ao seu lado. 

— Devo lembrá-los que vocês dois ainda estão em frente a uma escola de Ensino Médio e muita gente aqui não aceita dois homens se beijando. 

— É a segunda vez que você me atrapalha beijar o Taehyung sabia, Jae? — Jeongguk grunhiu, mas se afastou por saber que o melhor amigo estava certo e só fazia aquilo para poupá-lo do falatório e burburinhos que viriam no dia seguinte. 

— Dessa vez foi por uma boa causa ou vocês dois se comeriam aqui na frente dos portões… — Dahyun riu um tanto envergonhada da fala despudorado de Youngjae e puxou o rapaz pelo braço para que fossem logo embora. — Até amanhã, Guk. E bom ensaio pra vocês dois — acenou, sorrindo de canto.

Tchau, Jae — Jeongguk acenou de volta, negando várias vezes com a cabeça. — Ele é impossível. 

Taehyung riu, entregando o capacete extra para o mais novo.

— Vamos, estamos atrasados. 

Jeongguk entrelaçou os braços na cintura do baterista e observou seus colegas com expressões surpresas, algumas garotas pareciam chocadas em vê-lo montando na moto do Baterista Gostoso da Inside the Rails, mas o rapaz não poderia se importar menos com isso, quem estava sentindo o aroma de morango no pescoço de Taehyung era ele e estava mais do que satisfeito com isso. Mesmo que Youngjae tenha dito que estavam em ambiente escolar e alguns dos adolescentes ali não gostassem da ideia de dois homens se relacionando, Jeongguk quis chegar perto da pele amorenada do mais velho e deixar um curto beijo que o fez arrepiar e sorrir presunçoso antes de dar partida na moto.

[...]

Jeongguk olhava para o céu claro enquanto era guiado por Taehyung até o vagão de trem, a brisa da tarde era tão gostosa que deixava os pelos do pescoço e braço do mais novo arrepiado — ou era porque os dedos longos do baterista estavam entrelaçados ao seus e estava gostando daquilo mais do que imaginou. Os cabelos escuros balançavam de um lado para o outro, às vezes algumas mechas batiam em seus olhos e deixava uma coceirinha de leve em suas pálpebras. E não demorou mais do que cinco minutos pisando nos trilhos enferrujados, tirando os olhos do céu para fitar as costas largas do Kim que eram escondidas por uma jaqueta de couro marrom e pedaços de pele do pescoço bronzeado que estavam à mostra, quando eles pararam em frente a porta de correr metálica do vagão, Jeongguk sentiu-se ansioso de uma maneira não tão boa pela primeira vez desde que a ideia de participar da Inside the Rails veio a tona e Taehyung pareceu perceber a confusão rápida que o parceiro começou  a ter com a própria mente e puxou-o delicadamente pelos pulsos, fazendo o Jeon ficar de frente para si com os peitos quase colados um no outro. 

— Não precisa ficar nervoso, Jeongguk — o baterista disse, subindo a carícia que havia iniciado no dorso da mão alheia para os braços relativamente malhados do mais novo coberto pelo blazer do uniforme que apreciava o mínimo contato entre as duas peles com sutileza. —, são meus amigos, e todos te querem aqui também.

— Nem todos. 

Tinha Jimin, que havia deixado explícito sua opinião — sendo ela totalmente contra — sobre um novo membro na banda e Jeongguk sabia muito bem disso. Ele conseguia notar que o rapaz não aceitava sua vinda para a Inside the Rails e Jeongguk tinha uma breve noção do porquê aquilo ocorria, mas não sabia se era certo externar seu pensamento para Taehyung quando o Kim parecia muito feliz com sua ida até o trailer. 

— O Jimin é um pouco difícil de lidar, mas com o tempo ele vai aceitar. Ele legal, talvez, em breve, vocês até virem super amigos. Eu não digo melhores, porque esse cargo já é meu — Taehyung disse tudo com um sorriso no rosto, observando Jeongguk arquear uma sobrancelha antes sua fala apressada. — Confie em mim, Guk, o Jimin só precisa ser polido devagar. 

— Está bem — murmurou, fechando os olhos quando Taehyung chegou perto, fazendo Jeongguk grudar as costas na parede de metal do vagão de trem. As respirações se cruzavam e eram quentes como aquela tarde, mas gostosas de se sentir como a brisa fresca que acariciava seus corpos. O baterista chegou ainda mais perto, levando uma das mãos ao maxilar definido do mais novo. —, eu confio em você.

Taehyung sorriu com a fala que saíra num suspiro entrecortado dos lábios rosados de Jeongguk, fechando seus olhos quando os narizes se tocaram e pôde sentir a ponta gélida lhe tocar a pele. Foi rápido quando as bocas se juntaram e a sensação fora igual para ambos os adolescentes, Taehyung levou a outra mão até a cintura fina do Jeon e apertou-o contra o blazer sem graça da escola dele suspirando contra os lábios mornos quando o mais novo levou as próprias mãos para o pescoço bronzeado. 

Eles aprofundaram o ósculo poucos segundos depois de tê-lo iniciado, a pontinha das línguas se tocaram e o choque na base da coluna foi quase insano, parecia que estavam se beijando pela primeira vez sem qualquer vontade de pular níveis como fora na festa em que se conheceram. Era a primeira vez que se beijavam com sentimentos verdadeiros aflorados dentro dos corpos e aquilo parecia ser o suficiente para fazê-los continuar, no entanto, a porta pesada do vagão sendo arrastada para o lado os fez se afastar e, ainda ofegantes, observaram Yoongi abrir um sorriso presunçoso e arquear as sobrancelhas. 

— Por quanto tempo os pombinhos fariam a gente esperar pra começar o ensaio? Jeongguk tem que aprender a música ainda.

— Não muito, hyung. — Taehyung virou-se para o mais velho, ainda sentindo o peito de Jeongguk perto do seu e a respiração quente batendo contra seu pescoço. — Estamos indo. 

— Rápido, eu tenho aula hoje às sete, e preciso terminar a droga de uma música ainda — Yoongi falou sem muita paciência, ele sempre ficava no limite nos ensaios e Taehyung não o culpava por agir dessa forma, o rapaz de fios mentolados almejava seguir carreira no mundo da música e precisava se esforçar bem mais que os demais da banda. Ele não tinha um plano b como todos os outros e nem fazia isso por diversão. Hoseok dava aulas como substituto na academia de dança que frequentava e Jimin em breve se formaria na faculdade de Direito e, Taehyung... bom, Taehyung apenas esperava que as coisas melhorassem para si daqui a algum tempo. 

Depois disso, Taehyung se afastou de Jeongguk a contragosto, mas esboçou um sorriso genuíno mostrando o formato retangular de sua boca e a fileira branca de seus dentes. 

— Quer dormir na minha casa hoje? — O baterista questionou parecendo tímido em pedir algo desse tipo para Jeongguk, deslizando a ponta dos dedos pela pele macia da bochecha rubra do mais novo depois que Yoongi sumiu novamente dentro do vagão — amanhã é sábado, eu não entro cedo no trabalho então... a gente podia ficar juntos hoje à noite.

— Eu não tenho roupa, hyung — Jeongguk lamentou, mas se o problema era apenas esse, Taehyung já tinha a solução e enrugou o nariz fazendo o mais novo sorrir com a visão.

— Sua calça moletom e sua cueca estão comigo, lembra? Você me emprestou no dia que fui pra sua casa. — o mais novo assentiu, não queria recusar aquele pedido de forma alguma, mas ainda havia um pequeno problema.

— Eu quero muito, Tae, mas eu preciso falar com minha mãe antes e perguntar se eu posso. Como ela gostou de você, provavelmente vai deixar, mas ainda assim tenho que perguntar. Quando acabar o ensaio eu ligo e pergunto, está bem? 

— Está — o baterista sorriu e roubou um selinho rápido dos lábios atrativos de Jeongguk antes de puxá-lo para dentro do vagão. 

Jeongguk não havia parado para imaginar como seria aquele ambiente por dentro. Era amplo e muito bonito, e parecia acomodar todos os instrumentos musicais da banda. Havia um sofá de couro gasto próximo a uma escada velha, um móvel alto e escuro abaixo de um espelho emoldurado, uma mini geladeira próxima à porta de correr. Atrás da bateria de Taehyung, tinha uma parede preta, riscada com giz de cera coisas aleatórias ao redor do nome Inside the Rails. 

Uau — Jeongguk esboçou sua surpresa, atraindo a atenção dos demais membros da banda para si. 

— É bem maneiro, não é? — Hoseok jogou os braços em torno do pescoço alheio, sorrindo largo para o mais novo membro da banda. 

— Nossa… é bem legal — estava sorrindo tanto observando todos os cantos do vagão que não notou como Taehyung piscava em sua direção com um sorriso bobo preso nos lábios rosados. 

— Tudo legal e maneiro, mas o Jeongguk precisa aprender a música — A voz de Yoongi ecoou pelo lugar até chegar nos ouvidos do mais novo que assentiu indo até onde o rapper e líder da banda estava com folhas nas mãos. Jeongguk as pegou e encostou-se na parede ao lado do Min passando a ler as partituras, com uma perna apoiada atrás de si. 

— É uma boa música. — disse, sorrindo para Yoongi que retribuiu contente. O mais velho sempre ficava feliz quando alguém elogiava suas composições, visto que, passava muito tempo elaborando e criando cada frase, era sempre bom receber um elogio de vez em quando.

— Yoongi faz ótimas músicas, só fica meio estressado compondo. Dá medo — Hoseok sorriu divertido ao dizer andando até onde o mais novo membro da banda estava. — Hoje o ensaio vai ser somente com você e o Jimin, okey? — Jeongguk assentiu. — Você precisa aprender essa música e harmonizar com a voz dele e na próxima sexta vamos tocar todos juntos pra você pegar o ritmo. 

— Agora que está tudo certo, vamos, Jimin, levanta — Yoongi fez um gesto com a mão chamando o mais baixo, que estava sentado no sofá com uma cara de poucos amigos. O Park suspirou e se levantou sem qualquer vontade de ensaiar naquele dia, mas se esforçou a fazer aquilo porque sabia que era importante para o Min e era comprometido com a banda tanto quanto todos ali presentes. 

Taehyung sentou-se no lugar que o melhor amigo estava antes e passou a observar o ensaio com uma lata de refrigerante nas mãos, acompanhado de Hoseok que se esparramou ao seu lado. Yoongi ficara com a parte difícil, auxiliar Jeongguk e fazer Jimin não se irritar com o mais novo quando esquecia a letra e tinham que fazer tudo de novo. No entanto, a combinação de vozes era perfeita e no fim, Taehyung estava certo em dizer que a voz do Jeon era realmente incrível e combinava com o timbre agudo do rapaz de fios alaranjados. Jimin não podia negar que a harmonização das duas vozes ficou perfeita quando acertaram o tom e a letra da música o que deixou Yoongi com um pouco mais de humor no ensaio. 

Jeongguk estava se divertindo com aquilo, às vezes trocava olhares cúmplices para o baterista que enchia a garganta com líquido gaseificado geladinho e lhe devolvia o olhar com as íris amendoadas carregadas e um sorriso de canto preso nos lábios cor-de-rosa. Era um ótimo passatempo para o Jeon, quando provavelmente, em outro momento, estaria sozinho em sua casa, estudando ou jogando com Youngjae pelo computador se não houvesse nenhuma festa para irem. Além do mais, se Jeongguk quisesse entrar mesmo para o mundo artístico, fazer parte de uma banda seria um ótimo começo para sua futura carreira incerta. Mesmo que ainda não tivesse coragem de conversar sobre isso com seu pai, o rapaz de cabelos negros suados e sorriso moldando sem rosto enquanto cantava a canção que falava sobre um falso amor que não era perfeito e machucava — era uma boa letra, Yoongi realmente tinha talento pra compor —, tinha certeza que esse era mesmo seu sonho. 

Ao longo da tarde, realmente viu que Hoseok estava certo no dia da primeira apresentação que assistira de Inside the Rails. Yoongi perdia a paciência muito fácil com erros, principalmente quando eram interrompidos por Taehyung que era mais tagarela do que todos os cinco juntos e ria muito alto enquanto conversava com o Jung e pulava no sofá, parecendo totalmente imperativo. Jeongguk o achava fascinante, toda aquela aura alegre do baterista era contagiante e o fez ficar ainda mais empolgado durante todo o ensaio. 

Jeongguk estava realmente feliz com aquilo, mesmo com alguns gritos do rapper, todos pareciam contentes naquele vagão de trem esquecido da estação, até mesmo Jimin que estava concentrado na música e deixava sua voz falar por si só. Tudo ocorreu bem e o Jeon torceu para que pudesse realmente continuar fazendo parte daquilo.

[...]

Depois do ensaio Jeongguk ligou para Eunbi perguntando se poderia dormir na casa de Taehyung e, como ele imaginava, a Jeon mais velha não viu problema em deixá-lo passar a noite com o rapaz simpático e tímido que lhe fez companhia a madrugada toda, mas pedira ao único filho que chegasse em casa antes do jantar ser servido no sábado pois Jeonghan estaria presente. Taehyung ficou tão feliz em saber que o mais novo dormiria consigo naquele dia que resolvera levá-lo para comer torta no restaurante que saíram pela primeira vez. 

Dessa vez, não houve boquete no banheiro. 

A lanchonete estava cheia naquela noite, eram quase sete e meia — Yoongi quase socou todos eles por atrasarem no ensaio e fazê-lo perder o primeiro horário de aula na faculdade — quando chegaram e tiveram um pouco de dificuldade em achar uma mesa vaga. O Karaokê estava ocupado, havia uma enorme fila para usá-lo e, os dois rapazes, desistiram de tentar cantar naquele dia. Quando se sentaram, uma garçonete com roupa de Pin Up veio atendê-los. Taehyung pediu uma torta de morango bem recheada e Jeongguk optou pelo mesmo já que não sabia muito o que tinha ali sem que fosse hambúrgueres gordurosos que comeram — ou tentaram — da última vez.

— Eu gosto muito daqui — Taehyung murmurou quando a garçonete se afastou após eles fazerem o pedido, atraindo a atenção do mais novo totalmente para si. — A gente já tocou muito aqui e é bem divertido. 

— O lugar é muito bonito e hoje está lotado, nossa — o mais novo riu, apoiando a cabeça contra a mão e fitando o baterista a sua frente. 

— É porque a primeira vez que viemos foi a tarde, o horário de pico aqui sempre é a noite. 

— Percebi — pontuou, sorrindo. — Eu gostei muito e dessa vez eu espero que a gente consiga comer. — Finalizou com uma gargalhada alta sendo acompanhado por Taehyung, não que não quisesse outro boquete do baterista, mas o clima estava gostoso para uma conversa entre duas pessoas que estavam trocando beijos a pouco tempo. 

— A gente pode fazer os dois… — Taehyung o olhou com uma sobrancelha arqueando, sorrindo de canto. Os olhos cor de mel brilhavam na direção do mais novo e tirou de Jeongguk um riso soprado. 

— Podemos, mas eu quero comer primeiro. 

— É você quem manda. 

Os dois rapazes ficaram mais ou menos uma hora no restaurante conversando e saboreando a torta de morango que pediram. Jeongguk contou mais sobre querer ser dançarino no futuro e como queria viajar para alguns lugares quando acabasse a escola para conhecer a cultura da dança dos países, assim como Taehyung expressou como tinha vontade de conhecer Nova Iorque e a Índia, mas nunca teve a chance de ir e, que por enquanto, seu foco era todo para a Inside the Rails e em conseguir voltar para a escola no ano seguinte. 

— O que achou da torta? — Estavam, agora, andando lado a lado pelas ruas da cidade, sentindo a brisa fresca da noite tocando em seus rostos, em direção a casa de Taehyung que ficava algumas quadras a frente. 

Hm… — Jeongguk suspirou olhando para o céu, levando uma das mãos a barriga satisfeito. —, eu com certeza comeria muito mais dessa torta. 

— É a minha torta preferida no mundo todo. 

A noite estava fresca e a brisa tocava ambas as peles com sutileza. Taehyung sorria enquanto caminhava ao lado de Jeongguk ouvindo reclamar que precisava logo de férias da escola. O mais novo contara sobre a audição da faculdade e como estava ansioso para terminar a coreografia que estava fazendo para a apresentação em agosto. E eles continuaram assim até subirem as escadas do apartamento do Kim.

Taehyung sabia que estava entrando em uma zona perigosa quando chamara Jeongguk para dormir em sua casa, era muito raro levar alguém para lá por não se sentir acolhido em seu próprio apartamento, mas mesmo assim quis arriscar, principalmente pelo garoto de cabelos negros ter causado palpitações frenéticas em seu peito em tão pouco tempo. Não sabia se estava pronto ainda para admitir ao Jeon que estava gostando dele. Taehyung não namorou com ninguém, todos os rapazes com quem ficara anteriormente não passavam de casos de uma ou duas noites no máximo.

Mas com Jeongguk parecia diferente.

Sentia seu corpo ser puxado como um imã para perto do Jeon, querendo estar perto o máximo que podia e a sensação era tão boa que não queria mais parar e Jeongguk parecia compartilhar da vontade de estar grudado a si então, não controlou a língua quando fizera o pedido antes do ensaio. Torceu a tarde inteira para que Eunbi deixasse-o dormir consigo e quando a mulher deu a confirmação, o baterista vibrou por dentro de felicidade. Era estranho estar apaixonado tão repentinamente e o sentimento parecia apenas crescer a cada dia que passava trocando mensagens com Jeongguk de madrugada. 

Talvez fosse pelo fato de ser um pouco carente de atenção, mesmo que tivesse seus amigos, o peito de Taehyung clamava por algo mais do que amizades. Taehyung queria amar e ser amado. 

Quando chegaram ao apartamento do Kim, todo lugar estava escuro por ter passado o dia inteiro fora e quando lembrou-se que sua casa era deveras simples ficou envergonhado por um momento. Jeongguk morava em uma mansão de três andares com uma sala de cinema enorme e Taehyung morava em um apartamento pequeno que fora comprado por Yoongi — ele era muito grato por isso, mas não conseguia não se sentir envergonhado por estar com um Jeon em sua residência — e sua mãe depois que Yeoreum lhe colocou para fora por causa de seus vícios ruins e sua sexualidade. 

— Ei, o que houve? — Jeongguk o arrancou para fora de seus pensamentos ao tocar em seu ombro largo, esperando que Taehyung acendesse alguma luz e pudessem enxergar os próprios pés. 

— Nada… hm… vamos para meu quarto — Taehyung falou baixo, pegando na mão do mais novo e o guiando pelo corredor escuro. Parecia bobo pensar isso, mas eram suas inseguranças falando alto e o baterista não sabia lidar com elas ainda. 

— Mas, hyung, tá tudo escuro. Eu não tô enxergando nada — Jeongguk reclamou em um muxoxo no mesmo tom baixo do outro, tropeçando nos próprio pés por não saber onde estava pisando direito, mas o trajeto foi rápido pelo apartamento ser pequeno e depois de fechar a porta atrás de si, Taehyung ligou a luz. Seu quarto tinha um pouco mais de sua personalidade, como posters de bandas de rock do The Cure e Queen e polaroids com seus amigos espalhadas pela parede branca. A cama no canto do quarto estava um pouco revirada, com os lençóis bagunçados, por ser preguiçoso demais pela manhã para arrumá-la quando a noite bagunçaria tudo novamente. 

— Agora está enxergando — o baterista sorriu, ainda acanhado por ter tido coragem de levar Jeongguk até sua casa. A passos curtos, andou até sua cama, sentando-se nela e chamando o mais novo com os dedos longos para se sentar também. Ele logo o fez, ficando ao lado do baterista que parecia totalmente diferente do rapaz dentro do vagão de trem, que falava pelos cotovelos e não parava quieto enquanto observava o ensaio. 

— Tem alguma coisa errada, hyung? — não queria invadir a privacidade do Kim, mas aquela mudança súbita de comportamento o fez ficar preocupado de repente, ainda mais porque haviam passado o dia juntos, saíram para comer e em todo momento o baterista demonstrava confiança em seus movimentos, contando várias coisas sobre si para Jeongguk, mas Taehyung negou rápido ao seu questionamento, coçando a nuca um pouco nervoso com aquilo.

— Vamos ver um filme, mas você vai ter que logar sua Netflix no meu computador, eu não tenho. — Sorriu amarelo, puxando o notebook que estava perdido entre os lençóis e ligando. O objeto demorou um pouco para ligar, estava velho e lento, mas ainda funcionava. Quando o computador ligou, o mais novo colocou seu login e os dois se acomodaram um do lado do outro. — O que você quer ver? — Perguntou, arrumando as cobertas em seus pés, depois que jogaram os sapatos pelo quarto. 

Hm... — Jeongguk fez uma careta engraçada enquanto pensava, arrancando de Taehyung uma gargalhada rouca. — Que tal a gente vê algum filme de terror? Você gosta? 

— De jeito nenhum! — Protestou, negando com a cabeça várias vezes. 

— Você gosta de musical, hyung? 

— Eu amo! — Taehyung empolgou-se, depois de filmes de tubarão, seu gênero preferido era musicais. 

— Você já viu Mamma Mia? 

— Sim, o primeiro só. O segundo não tem na Netflix e eu queria muito ver.

— Então vamos vê-lo — Jeongguk pegou o computador do colo do mais velho, fechando a aba da Netflix. 

— Por onde? — O mais velho perguntou, observando o Jeon abrir outra aba e digitar o nome do local onde iriam vê o filme. — Você tem Telecine Play

— Minha mãe assiste muito filme, então meu pai fez assinatura em quase todas as plataformas de streaming da SKY.

— Nossa... gente rica é foda mesmo. 

Jeongguk riu, e depois de fazer seu login no Telecine Play, colocou o filme e encostou-se na parede junto ao Kim, no entanto, não dera nem cinco minutos de filme e o mais velho começou a se remexer na cama, chamando a atenção do garoto de fios pretos que o olhou com uma sobrancelha arqueada. 

— O que está acontecendo? 

— É que eu tô desconfortável aqui, posso me deitar no seu colo? — Jeongguk não conseguia entender o que estava acontecendo com Taehyung, ele não parecia nada com o garoto cheio de atitude que fora buscá-lo na escola e nem o mesmo rapaz que o fizera quase transar com ele no meio de uma festa lotada. O baterista estava um pouco acanhado, talvez fosse por estar com Jeongguk em sua casa, mas não queria ser invasivo. Abriu um sorriso grande, mostrando os dentes proeminentes em direção ao mais velho, afinal, a ideia era ótima e, por isso, tirou o computador do colo, colocando-o de lado por um momento e dando pausa no filme que ainda estava em seu início. Taehyung engatinhou até ficar entre as pernas de Jeongguk e deitou as costas no peito do mais novo, parecendo bem mais confortável. — Podemos ver o filme agora.

Jeongguk pegou novamente o computador do mais velho e colocou em seu colo, achando muito melhor ficar daquele jeito por conseguir abraçar o tronco do Kim que pareceu gostar do contato. Por incrível que pareça, eles viram o filme inteiro e Taehyung se emocionou completamente com o final quando a Donna aparecia cantando com a Sophie depois dela ter dando a luz a um bebê que se chamava Donny. Jeongguk sentiu os pelos do corpo do mais velho se arrepiarem abaixo de suas mãos com aquela cena, e achou muito fofo vê-lo fungar e tentar esconder que estava chorando. 

O filme acabou quase meia-noite, mas nenhum dos dois estavam com sono e a timidez de Taehyung pareceu ir embora completamente no instante em que Jeongguk tirou o computador de perto deles e o colocou na mesa de cabeceira ao lado da cama. O mais velho virou-se para o Jeon e puxou a gola de seu uniforme com força querendo tomar o mais novo em um ósculo fervoroso como vinha almejando desde que o ensaio encerrou, e nem haviam se dado conta que passaram o dia todo fora e nenhum dos dois trocou de roupa ao chegar. Os lábios se tocaram com voracidade, e Jeongguk suspirou contra a boca rosada do baterista quando a língua faminta dele invadiu a sua em uma intromissão mais do que bem vinda. O contato, porém, não durou o suficiente para que o mais novo conseguisse tocar Taehyung como queria, o baterista logo se levantou, estendendo uma das mãos em sua direção.

— O que vai fazer, Taehyung? — Perguntou curioso, aceitando as mãos alheias. Os dedos foram entrelaçados e o Kim puxou o corpo quase do seu tamanho para perto de seu peito, as respirações pesadas se chocaram e Taehyung sorriu próximo aos lábios cor de pêssegos do mais novo.

— Vamos dançar. 

— Dançar? — ele perguntou, achando inusitada a sugestão do outro.

— Você não quer ser dançarino na Broadway? Com certeza sabe dançar. — Taehyung sorriu se aproximando um pouco mais, de repente, todas as suas inseguranças anteriores haviam ido embora para que pudesse apreciar melhor a companhia de Jeongguk. 

— E o que vamos dançar? — Jeongguk fitou o baterista, enxergando as avelãs penetrantes brilharem. As íris de Taehyung eram cintilantes, diferente de qualquer olhar que o mais novo já vira antes. Talvez fosse a vasta imensidão que pareciam carregar a cada piscada, não saberia dizer ainda, mas tinha certeza que gostava de observá-las. 

Taehyung não respondeu, apenas alcançou o celular em cima de cama e procurou pelos fones de ouvido dentro da segunda gaveta de sua mesa de cabeceira, levando um deles até o ouvido do Jeon e colocando o outro no seu próprio. Desbloqueou o aparelho e, em poucos segundos, uma melodia que Jeongguk conhecia muito bem tomou conta de sua audição. 

Friday I’m in Love — ele disse sorridente, levando as mãos para o pescoço amorenado do mais velho, enquanto sentia o peito tocar o do outro com sutileza. Taehyung não parecia apressado naquele momento, após da play na música do The Cure e deixá-la tocando em um volume agradável nos fones de ouvido de ambos, começaram a balançar o corpo no ritmo da música, com as mãos do baterista tocando a cintura fina do outro. —, tem alguma coisa que queira me dizer com essa essa música? 

 

I don’t care if Monday’s blue

(Eu não me importo se segundas são tristes)

Tuesday’s gray and Wednesday too

(Terças são cinzas e quartas também)

Thursday, i don’t care about you

(Quinta, eu não me importo com você)

It’s Friday i’m in love

(É sexta, e eu estou apaixonado)

 

Taehyung não sabia se deveria responder ainda, apenas sentiu vontade de fazê-lo ouvir aquilo que não tinha coragem de dizer por achar que estava cedo demais para isso. Caramba, se conheciam a poucas semanas, não fazia sequer um mês que estavam saindo e o baterista já estava apaixonado por Jeongguk.

— Talvez… — falou baixo, as bocas se tocando brevemente, mas sem se beijarem de fato. —, mas ainda não é a hora. Eu só quero que você aproveite um pouco minha companhia. 

 

Monday you can fall apart

(Segunda-feira, você pode despedaçar-se)

Tuesday, Wednesday break my heart

(Terças, quartas quebram meu coração)

Oh! Thursday doesn't even start

(Quinta ainda nem começou)

It's Friday I'm in love

(É sexta-feira, eu estou apaixonado)

 

— Gosto da sua companhia. — Jeongguk segredou, fechando os olhos para apreciar o som da música do The Cure e sentir as mãos macias de Taehyung tocando sua cintura de leve. Mesmo que a música não fosse, de fato, calma, os corpos se mexiam levemente, de um lado para o outro contrariando as batidas do vocalista. No entanto, parecia certo de que fosse dessa forma. 

De alguma maneira, os dois corpos se encaixavam no abraço envoltos pela música de rock que embebedava seus ouvidos. Talvez fosse porque Jeongguk gostava muito de música, ou porque Taehyung estava apaixonado, mas parecia correto aproveitarem aquele momento daquela forma ao invés de estarem se agarrando luxuriosamente como das primeiras vezes — não que não quisessem trocar beijos famintos e amassos ferozes, mas naquela sexta-feira, o baterista queria que fosse assim. Dançar com Jeongguk a música de uma de suas bandas de rock favoritas para tentar passar algo que nem sabia se era correto afirmar ainda para o mais novo deixou-o eufórico e a timidez de outrora sumiu quando, finalmente, os lábios se tocaram, causando um choque elétrico gostoso em ambas as colunas. 

 

I don't care if Monday's black

(Eu não me importo se Segunda é negra)

Tuesday, Wednesday heart attack

(Terça, quarta ataque do coração)

Thursday, never looking back

(Quinta nunca olhando para trás)

It's Friday I'm in love

(É sexta-feira, eu estou apaixonado)

 

— Você é tão bonito, Jeongguk-ah — o mais velho disse em um sussurro contra os lábios pêssegos do Jeon, ao fechar os olhos em seguida e inclinar a cabeça para que pudesse tocá-los. O mais novo sorriu sem mostrar os dentes ante a fala de Taehyung que guiava seus corpos de um lado para o outro. Taehyung estava com hálito de refrigerante e torta de morango e a mistura parecia tão certa para Jeongguk que o rapaz de fios negros chegou um instintivamente pouco mais perto da boca quadrangular do baterista. — It’s friday i’m in love… 

— Eu sei o que isso quer dizer, Taehyung — a voz doce e baixa de Jeongguk contra os lábios finos do mais velho pareciam uma melodia melhor que a música tocando no fone aos ouvidos do Kim. O quarto estava escuro e a luz da lua que entrava pela pequena janela no meio do cômodo quase não iluminava muita coisa, mas era o ambiente perfeito para aquelas doces declarações implícitas em uma música de rock. — Oh! Thursday watch the walls instead… It’s friday i’m in love… — cantou baixinho, fechando os olhos e deixando que seu nariz tocasse no do outro a sua frente que estava com a ponta gelada e gostosa. 

 

Monday you can hold your head

(Segunda, você pode por sua cabeça no lugar)

Tuesday, Wednesday stay in bed

(Terça, quarta fique na cama)

Oh! Thursday watch the walls instead

(Oh quinta, assista às paredes pra variar)

It's Friday I'm in love

(É sexta-feira, eu estou apaixonado)

 

— Só… só continua dançando — Taehyung sussurrou, sorrindo e encostou os lábios finalmente nos de Jeongguk. As dedos longos e finos apertaram a cintura delgada do Jeon e puxou o corpo musculoso mais para perto de si. 

Aquela proximidade passou a ser um pouco perigosa agora que sabiam que não eram apenas um caso de uma noite ou duas, a partir do momento que tinha sentimentos envolvidos, o jogo se tornava completamente diferente. Mas parecia bom para os dois naquele momento, e talvez eles tivessem espaço para nutrir o sentimento que irrompia para fora ao som da música nos fones de ouvidos de Taehyung. 

O estalo do beijo ecoou pelo quarto quando se separaram devagar ainda se olhos fechados e Jeongguk tocava os fios de cabelos castanhos na nuca do mais velho quando voltaram para o ósculo novamente. As línguas se esbarraram suavemente, entrelaçando-se uma na outra no ritmo dos The Cure e ela se repetiu por mais dez minutos até que os dois rapazes se separassem finalmente.

 

Saturday wait

(Sábado, espero)

And Sunday always comes too late

(E os domingos sempre chegam muito tarde)

But Friday never hesitate

(Mas sexta, nunca hesite)

 

Ainda com os fones conectados ao seus ouvidos, o baterista guiou Jeongguk até sua cama, deitando-se sobre o colchão e caindo por cima de si em um rompante surdo. Ambos riram contra os lábios um do outro e o Kim deitou a cabeça no peito alheio, sentindo-se bem naquele momento por toda sua insegurança ter ido embora, sabendo que o Jeon não iria julgá-lo por não ser bom o bastante para ter terminado o ensino médio, por ter sucumbido cedo demais a coisas ruins após a morte de seu pai e por estar apaixonado antes da hora. 

— A gente pode ir devagar — a voz grossa soou baixa contra a blusa do uniforme do mais novo que passou a acariciar os fios sedosos do baterista. A música ainda tocava no fone de ouvido que caíra de seu ouvido quando seu corpo fora parar no colchão alheio. 

— Nosso devagar pode ser diferente. — O baterista sorriu sincero com a fala do outro, sentindo o coração palpitar contra o peito.

Afinal, era sexta-feira, e Taehyung estava apaixonado por Jeongguk.


Notas Finais


OFF THE RAILS AGORA SERÁ ATUALIZADA APENAS NO WATTPAD
https://my.w.tt/uYzym66Pd4
meu ccat pra perguntas é guelbs_
e não se esqueçam de usar a tag no tt #tkofftherails


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