História Ohana - Capítulo 1


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Categorias Bruno Mars
Personagens Bruno Mars
Tags Amor, Bruno Mars, Família, Lembranças, Passado, Reencontro, Romance
Visualizações 21
Palavras 9.089
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Bem, eu não sei explicar, mas eu tenho uma ligação muito forte com a "Praia", o mar e qualquer coisa que venha de lá.
Então vez ou outra vocês vão encontrar isso nas minhas escritas.
Não tenho bem como explicar essa história, nem encontrei palavras que pudessem ser uma boa sinopse, mas se vocês lerem vão compreender!
Quando encontrarem a frase (COLOQUE A MÚSICA AQUI), coloquem essa música para tocar: https://www.youtube.com/watch?v=V1bFr2SWP1I
Obrigada pela leitura.

Capítulo 1 - Aloha wau ia oe


Fanfic / Fanfiction Ohana - Capítulo 1 - Aloha wau ia oe

Havia uma época em que as coisas eram bem mais fáceis. Sim, havia. Onde o sol nascia no horizonte do mar e haviam milhares de estrelas reluzentes no céu. Agora tudo o que Bennie via eram as placas de neon e os outdoors digitais da Times Square, em Nova Iorque. As estrelas ainda estavam lá, em algum lugar do Havaí junto a uma garota de pés descalços correndo de seu então melhor amigo pela areia da praia. Eram dias maravilhosos, nos quais ela vislumbrava uma vida de grandeza, fora de lá, e mal sabia quanta falta sentiria da simplicidade de se voltar para casa no fim do dia com o rosto bronzeado depois de passar o dia inteiro debaixo do sol.

Nos dias atuais, Bennie tinha tudo com o que havia sonhado. Um cobertura espaçosa, o carro do ano, seu nome estampado por todos os cantos. Era uma atriz renomada, concorrendo ao Oscar pelo título de melhor atriz do ano pelo último filme do qual tinha participado. Mas ainda lhe faltava algo. Não era mais uma tarde no shopping, nem uma noitada na balada com seus amigos, nem mesmo mais um número em sua conta bancária - já haviam números demais lá - mas sim a simplicidade que possuía naqueles anos dourados de sua juventude. Precisava do calor do Havaí e o frescor do fim da tarde. Rever a casa na qual cresceu e quem sabe até mesmo visitar o túmulo de seus pais, que jaziam no cemitério local de Waikiki.

Entretanto, não se havia tempo para isso. Planejou quase vinte viagens antes de finalmente desistir. Cancelou a maioria por conta de gravações e uma pequena porcentagem porque estava cansada demais para enfrentar um longo voo até a terra dos vulcões. Era como se o destino não quisesse que Bennie voltasse para lá, talvez estivesse privando-a de algo ou reservando algo melhor. O momento certo. Ela nunca saberia dizer. A não ser que finalmente conseguisse comprar as passagens e embarcar em um avião, desligar o telefone e abraçar os céus. Coisa tal que definitivamente parecia mais distante do que nunca.

Pelo menos, até a manhã de segunda-feira do dia vinte e dois de Dezembro de dois mil e dezoito. O celular de Bennie tocou em cima de seu criado-mudo, despertando-a de um dos únicos dias o qual conseguiu selecionar minuciosamente para dormir algumas horas a mais. A grandeza de seu mau humor ao atender a ligação foi semelhante à animação de sua manager do outro lado da linha. A voz estridente ecoou em sua cabeça fazendo-a latejar. Céus! Amava a Justine com todo o seu coração, mas nunca havia conhecido alguém com uma voz tão irritante quanto a dela.

- Boas novas, mon chéri! - mesmo depois de anos morando nos Estados Unidos, ela não perdia a sua mania de usar expressões francesas - Você vai finalmente voltar ao Havaí.

Bennie se levantou de supetão, pondo-se sentada à beira da cama. Todo o seu sono havia se dissipado com a pronúncia daquele nome. Havaí. Tudo que viesse de lá a interessava. Seu amor pela sua terra natal não havia morrido ou desaparecido com os anos, pelo contrário, passara um tempo adormecido, mas agora pulsava em seu peito como nunca antes. Mal podia esperar pela sua aposentadoria. Isso porque ainda estava no auge de seus trinta e dois anos.

- Preciso de explicações - Bennie falou depois de recuperar-se do susto.

- A praia em que gravaria aquele comercial para o perfume da Dolce & Gabbana foi interditada por uma “infestação” de águas vivas – Justine, como uma boa defensora dos animais, pronunciou aquela palavra com tanto nojo que parecia querer vomitar – Como se não fossem eles a estar invadindo o habitat natural daquelas pobres criaturas.

Um riso escapou dos lábios de Bennie, fazendo com que Justine soltasse um murmúrio ofendido, questionando-a qual o motivo da graça sendo que estava apenas dizendo a verdade. Se ela não tivesse a interrompido, teria ouvido todo um discurso sobre proteção de animais e a importância de se manter o equilíbrio marinho, que aquele era um sinal de que as coisas não andavam muito bem debaixo daquelas águas.

- Está tudo bem, Anne. Eu amo as águas-vivas também! – Bennie revirou os olhos – Mas por qual motivo irei voltar ao Havaí?

- Certo – Justine se recuperou – O diretor insistiu que gostaria de uma praia como aquela, porque ela possui um brilho especial e todo aquele papo maluco paranoico de que o lugar é diferente de Santa Monica na Califórnia.

- Querida, se você tivesse crescido em um lugar como o Havaí saberia diferenciar a beleza das praias – desta vez, fora Bennie que se sentira ofendida – mas chega de enrolação e me diga logo o que aconteceu.

- Não me apresse! – Justine riu – Então ele disse que o único lugar mais próximo seria a praia de Waikiki, em Honolulu.

O coração de Bennie se acelerou como o de uma garotinha apaixonada aos dezesseis anos. Saltando como o seu peito costumava a saltar quando ela tinha esta idade. Quando reprimia o amor que sentia pelo seu melhor amigo por conta da distância que só crescia entre os dois a medida que os tempos iam mudando e ser uma líder de torcida já não era mais tão “cool” como antigamente e novas maneiras de se tornar popular surgiram. Tais como saber tocar um instrumento.

- Iremos no dia 23, durante a madrugada. Gravaremos no dia 26 ao final da tarde e então você terá todos os outros dias para fazer o que quiser por lá – Justine continuou, melhorando o que se era impossível de melhorar.

- Você está de sacanagem comigo? – Bennie se levantou da cama, saltando como uma criancinha que havia acabado de ganhar um doce – Eu nem acredito que finalmente vou conseguir voltar ao Havaí e o melhor, a trabalho e com dias de folga!

- Pois é! Vai receber dinheiro o suficiente para ter uma overdose alcoólica na noite de ano novo – Justine brincou.

- O suficiente para que nós duas tenhamos uma overdose – Bennie se jogou na cama – O que acha de sairmos hoje a noite para comemorar?

- No mesmo lugar de sempre? – Justine respondeu, referindo-se a uma das boates mais bem frequentadas de Nova Iorque.

- Te busco as oito – Bennie respondeu, finalizando a ligação.

O brilho de alegria nos olhos de Bennie descrevia com perfeição o tamanho de sua felicidade ao saber que finalmente conseguiria voltar ao Havaí. Depois de tantos planejamentos minuciosos e falhas, o destino conseguiu mexer alguns pauzinhos e realizar o seu desejo. Tinha certeza de que aquela semana em uma casa à beira da praia seria o suficiente para repor toda a sua energia esgotada por aqueles longos anos de uma vida corrida e a explosão de seu sucesso repentino. Seu antigo melhor amigo costumava afirmar com tanta veemência que tinha certeza de que ela alcançaria o topo que quase acreditava que podia haver um dedo dele naquilo tudo.

Ambos alcançaram o topo, em suas respectivas áreas, mas isso também trouxe a distância. Não apenas entre um estado e outro, poderiam se falar por telefone, mensagem, cartas, corujas ou qualquer outra coisa que lhes permitisse a comunicação, mas ele havia passado muito tempo ocupado com o montante de garotas que apareceram na porta de sua casa depois de seu sucesso mundial como cantor. E, desde então, há quase nove anos completos, não se falavam mais.

 

Na madrugada do dia vinte e dois para o dia vinte e três, voltou para casa apoiada nos ombros de Justine. Havia ficado tão feliz que acabou exagerando na bebida. A cada quinze palavras que falava, cinco delas eram Havaí. Todo mundo já estava sabendo de sua viagem, até mesmo os desconhecidos para os quais ela gritava na balada que “estava voltando para sua terra natal em breve”. O que, de certa forma, foi uma tremenda burrice, pois logo sua extrapolada estaria estampada na capa de alguma revista de fofoca e Justine seria quem ficaria responsável por afastar os fãs malucos que a seguiriam até o Havaí.

Graças aos Deuses e a esperteza de sua empresária, nenhuma revista havia conseguido fotografar aquele furo e na noite em que viajaram, conseguiram passar com facilidade pelo aeroporto, misturando-se ao montante de pessoas que também viajariam para algum lugar, para passar a noite de Natal com seus familiares e amigos. Ou simplesmente porque queria ficar bem longe dos mesmos.

Justine era a única família de Bennie. Desde que perdera seus pais, há seis anos, estivera sozinha no mundo. Todos os outros managers que passaram pela sua vida mais lhe roubavam e passavam a perna do que a ajudavam em qualquer coisa. Foi Justine que esteve ao seu lado quando ela teve um “pequeno” problema com drogas. Foi ela quem conseguiu acobertar aquilo tudo e não deixar que sua carreira fosse por água abaixo da noite por dia. Bennie não sabia como agradecer com palavras e contentava-se em pagá-la um salário maior do que o padrão e pagar todas as despesas das viagens que faziam, inclusive o extras.

Depois de exaustivas nove horas e meia de voo, saindo de Nova Iorque onze horas da noite, chegaram no Havaí as duas horas da madrugada. Eram seis horas a menos e planejaram tudo com antecedência para que chegasse na ilha em um horário o qual pudessem dormir e acordar ainda na manhã do dia vinte e quatro. Infelizmente, a diferença de horário as manteve acordada por quase duas horas até que finalmente conseguiram adormecer em um curto sono de quatro horas.

Bennie acordou às oito da manhã, deixando que Justine conseguisse dormir por mais alguns minutos. Ela tomou uma ducha rápida e abriu a mala, a procura de algo que pudesse vestir, entretanto, não encontrou nenhuma peça a qual combinasse com a atmosfera do lugar. Já não existia nada em seu guarda-roupas que tivesse a cara do Havaí, decidiu por fim, vestir uma calça jeans e a regata mais simples que tivesse. No caminho após o café da manhã, pararia em alguma loja e compraria alguma coisa.

Andando pelas ruas de Waikiki, mal conseguia reconhecer o lugar. Muitas lojas novas haviam surgido no lugar das quais costumava conhecer. Afinal, já haviam se passado mais de dez anos que não visitava o lugar. Não estava ali nem mesmo quando seus pais morreram e nem mesmo chegou a ir ao funeral. Não se martirizava por isto, não seria capaz de vê-los sendo enterrados a sete palmos do chão sabendo que não tinha tido a chance de se despedir deles.

Havia conversado com sua mãe e seu pai um dia antes por Facetime e na manhã seguinte, ficou sabendo do acidente. Perdeu os dois de uma vez só. Este fora um dos motivos pelos quais teve o problema com as drogas. Estar ali depois de tanto tempo lhe causava um misto de amargura e felicidade. Sua amargura não vinha de estar ali, mas sim de sua tristeza por não ter visto sua mãe pessoalmente por quase quatro anos antes de ela falecer, mas também podia sentir a sua presença lá. Como se seu espirito estivesse a acompanhando durante todo o percurso que fez até que encontrasse uma loja de departamento.

Não se dava para comparar aquele lugar a nenhuma outra loja de departamento em todo os Estados Unidos. As cores e estampas eram vibrantes, vivas, enchiam aos olhos. Nem mesmo a Florida, Califórnia ou qualquer estado costeiro possuía uma diversidade tão grande. Bennie perdeu-se em meio a todas aquelas roupas, enchendo duas sacola inteiras. Teria que comprar uma nova mala e mandar despachá-la. Não pretendia demorar muito mais para voltar ali de novo e poderia usar aquelas roupas quando o fizesse. No fim, saiu de lá com mil dólares a menos, que não fariam nenhuma falta, mas que haviam a trazido um imenso prazer. Finalmente poderia se misturar aos nativos e voltar as suas origens da maneira correta.

Quando voltou ao hotel, Justine já havia acordado e tomado seu café. Ela chegou no quarto, despejando uma sacola inteirinha sobre a cama que a manager havia dormido. Justine a encarou confusa, olhando todas aquelas peças. Vestidos, saias, blusas, biquínis.

- Anda – Bennie gesticulou com as mãos para que ela se levantasse da cama – Coloque uma roupa e vamos sair.

- Isso tudo é pra mim? – Justine pegou algumas peças na mão, analisando-as – Merci Beaucoup, mon amur! Olha só essa saia, essas cores – ela se levantou, colocando a saia sobre o quadril – O que acha? Essa saia, com essa blusa.

- Parfait! – Bennie a respondeu, arriscando um francês carregado de sotaque.

As duas logo estavam na recepção, esperando pelo carro que haviam alugado para uma tour pela cidade. Justine seria quem dirigiria, claro, havia arriscado andar no banco do passageiro com Bennie algumas vezes, mas preferia não tentar mais. Ela dizia que Bennie dirigia como uma grávida em pleno trabalho de parto. Seja lá o que isso significasse, a cena não lhe parecia nada agradável.

Era quase onze horas da manhã e passavam pela rodovia que cercava a praia de Waikiki quando o telefone de Bennie tocou em seu bolso. Ela imaginou que deveria ser alguma coisa relacionada ao trabalho e então nem se arriscou a atender, mas então o aparelho virou mais uma vez, obrigando-a a pegá-lo. Um número desconhecido apareceu no identificador de chamadas, franzindo o seu cenho por ser um número local.

- Atende pra mim, é um número desconhecido – Bennie falou a Justine, que arregalou os olhos.

- Está maluca? Estou dirigindo! Não quero ser multada em pleno Havaí.

Justine até tentou, mas não teve jeito. Bennie atendeu a ligação e enfiou o aparelho em seu ouvido, obrigando-a a atender. A mulher suspirou profundamente e então falou cordialmente:

- Bom dia, aqui quem fala é Justine Duret, sou manager de Bennie Baxter – ela fez uma pausa – Está procurando por Bennie Kamealoha – Justine arregalou os olhos, assustando-se pela pessoa do outro lado da linha ter conhecimento a respeito de seu sobrenome real, detalhe o qual nem mesmo os meios de pesquisa possuíam – Só um minuto vou passar para ela.

Bennie contou em silencio por dez segundos, como sempre fazia quando pedia a Justine que atendesse ao telefone em seu lugar. Era meio que um meio de parecer que ela realmente estava distante quando o aparelho tocou. Então, pôs o telefone próximo a Justine novamente, que por sua vez informou.

- Srta. Baxter, uma ligação da Srta. Kailani – Justine disse, torcendo os lábios em desdém a formalidade.

Mas no exato instante em que ouviu aquele sobrenome, Bennie não conseguiu fazer nada além de permanecer estática por pelo menos cinco segundos antes de finalmente conseguir colocar o celular na orelha. Seu coração pulsou mais rápido que o normal, ela só conhecia apenas uma pessoa com aquele sobrenome.

- Sim? – Bennie perguntou, esperando ouvir outra voz em vez daquela, recordava-se nitidamente da voz dela.

- Ficou tão importante agora que até as velhas amigas são atendidas pela secretária?

Um milagre não aconteceu. Reconheceria aquela voz mesmo em meio a uma multidão, afinal, cresceram juntas. Tal como com seu antigo melhor amigo, primo-irmão de Jaime, que apesar de ter nascido de outra pessoa, considerava a Bernie, mãe de Bruno, como uma mãe também. Ela fora adotada pela família Hernandez ainda pequena, sua mãe verdadeira havia morrido e seu pai teve muitas dificuldades para cria-la sozinho.

- Jaime? – Bennie estava boquiaberta, sem acreditar – Meu Deus! Quanto tempo.

- Então você vem ao Havaí e não avisa? É assim que me trata depois de todos esses anos? – Jaime perguntou em um tom extremamente brincalhão.

- Me desculpe! Estou aqui a trabalho, cheguei as duas horas da manhã – Bennie tratou de se explicar – Como você está? E as garotas?

- Estamos todos bem – não sabia se, mas Bennie jurou ter ouvido o som de Jaime umedecendo os lábios – Papai, Pres, Titi, Tahiti, Eric...

Uma pausa. Bennie sabia exatamente o que aquilo significava. De todas as irmãs, apesar de ser próxima de todas elas, Jaime foi a única que tinha conhecimento sobre a paixão de Bennie por Bruno durante a adolescência. Na época em que a pressionou a contar disse que “podia ver o brilho nos olhos dela quando o olhava e que aquele não era um simples brilho no olhar de quem vê o outro apenas como um amigo”. Jaime provavelmente tinha certeza de que, mesmo depois de todos aqueles anos, ainda era difícil ouvir aquele nome.

Principalmente porque Bruno, inconscientemente, sempre a esnobou. Pelo menos, era o que dava a entender pelas suas atitudes. Ele a afastou, gradativamente, como se realmente quisesse ficar longe dela. Talvez tivesse conhecimento sobre seus sentimentos e pensou que fosse melhor daquela forma. Cada um para o seu lado. Talvez pensou que Bennie fosse se livrar daquele sentimento com o tempo.

E ela provavelmente se livrou. Apesar da distância e das raras ocasiões em que conversaram, Jaime acompanhava a sua vida pelas matérias que lia nas revistas e das entrevistas. Bennie tinha tido ao menos quatro namorados no período de dez anos que ficou sem ir ao Havaí.

- E o Bruno – Jaime pigarreou – A propósito. Quero que venha passar a noite de ação de graças na casa do papai. Ele também vem. Vai viajar para cá para passar o ano novo conosco. Deve chegar durante a tarde.

- E a namorada dele? – Bennie perguntou, arrependendo-se logo em seguida por sua língua solta.

Assim como Jaime, Bennie também acompanhava a vida de Bruno, raras as vezes, mas vez ou outra acabava por ver alguma notícia sobre ele. Pelo que havia lido estava namorando a cerca de seis ou sete anos. Aquilo a causou uma pontada no peito, uma pontada bem leve, que dissipou-se rapidamente. Já não era mais apaixonada por ele, de forma alguma, mas não se conseguia facilmente apagar marcas do passado.

- Terminaram há alguns meses. Seis ou sete, eu acho – Jaime a respondeu formalmente.

- Finalmente aquela vaca foi embora – gritou uma voz ao fundo que, pelo tom doce, mesmo com o palavrão, julgou pertencer a Tiara.

- Titi! – Jaime a repreendeu – Desculpe por isso. Sabe, Tiara e ela tiveram alguns desentendimentos no passado.

Uma risada quase brotou dos lábios de Bennie, mas ela se conteve a apenas ouvir as duas em uma pequena discussão sobre quem estava mais errada na história. Não prestou atenção nas palavras, não queria se meter em assuntos pessoais. Sentia que já não tinha intimidade para tal, mesmo que Jaime houvesse a ligado e agido como se nunca houvessem parado de se falar. A conversa se estendeu por quase um minuto, até que Jaime mandou que Tiara calasse a boca para que pudesse terminar de conversar com ela.

- Então, você vem? – Jaime finalmente a questionou, interrompendo sua respiração por alguns segundos.

- Huh – Bennie pigarreou, reconcertando-se – Claro, claro.

- Ótimo! Vou te mandar o endereço novo, coloque no GPS. Vamos começar as festanças as sete horas da noite.

Bennie mal teve tempo de se recuperar antes que Justine a enchesse com milhares de perguntas a respeito da ligação. Quem era Jaime Kailani? De onde se conheciam? Para que ela havia lhe convidado? E por que havia ficado repentinamente nervosa e pálida?

- Ela me convidou para passar a noite de ação de graças na casa do Pete, quero dizer, do pai dela – Bennie a respondeu por fim, tentando se desvencilhar do assunto para que pudesse absorver tudo aquilo.

- Tem certeza que é só isso, mon chéri? – Justine a questionou, sem tirar os olhos da estrada – Me parece ter algo a mais nessa história. Sabe que pode confiar em mim.

De certa forma, com o fato de Justine estar olhando para a estrada e não para ela, Bennie sentiu uma confiança extra para falar. Não havia nada que escondesse dela. Apesar de tê-la contratado apenas para cuidar de sua carreira, as duas haviam se tornado grandes amigas e, as vezes, era como se fossem irmãs. Não existia ninguém naquele mundo em quem Bennie confiasse mais do que nela.

Então ela contou. Desde o princípio recordando-se de sua adolescência. Das tardes em que, depois do colégio, ia com Bruno para a praia e os dois surfavam. Ou melhor, Bennie surfava, pois Bruno nunca fora realmente bom naquilo. Vivia caindo na agua e engolindo meio litro de água salgada. Saia tossindo enquanto ela gargalhava atrás dele.

Falou também sobre como, no início, ela era a Líder de Torcida, a qual todos queriam ser amigos e como no início do último ano letivo isso mudou. Bruno começou a se destacar, tocando seu violão e cantando para as garotas, explicando como isso os afastou por conta do sentimento que reprimia por ele.

Contou sobre as noites em que saiam escondidos e iam para o Alohalani Kaanaanna Karaokê, enchiam a cara com vodca barata que furtavam de uma loja de conveniência durante o caminho, a qual pertencia a um senhor de bigodes e barba longa que não conseguia se recordar o nome.

E, por fim, explicou os últimos anos desde que, aos dezessete anos, Bruno mudou-se para Los Angeles a fim de crescer no ramo musical e ela, quando completou dezoito, mudou-se para lá também e quando conseguiu se engrenar no mundo cinematográfico mudou-se para Nova Iorque. E como isso os afastou de uma vez por todas, como quando ela mudou-se da Califórnia sem nem mesmo se despedir dele.

Justine nada disse, sabia que dizer qualquer coisa naquele momento apenas a deixaria ainda mais melancólica e nostálgica e Bennie provavelmente acabaria chorando e isolando-se de todo o restante do mundo por estar envergonhada por fazer isto. Então, apenas quando voltaram para o hotel ela se manifestou.

- Sabe – disse ela enquanto as duas almoçavam – Vai ser bom revê-lo. Quem sabe a amizade de vocês dois não volte a ser a mesma?

- Duvido muito que isso seja possível, Justine – Bennie comentou com a boca parcialmente cheia – Temos vidas igualmente atarefadas e moramos longe um do outro.

- Bem, pelo menos vocês vão conversar de novo. Nada os impede de mandar uma mensagem de texto um para o outro.

- Ele teve todas as oportunidades do mundo para fazer isto durante todos esses longos nove anos – Bennie deu de ombros, bebericando o refrigerante – mas nunca o fez.

 

 

Quando terminavam de se arrumar, o sol estava quase se pondo. Já passava das seis e quarenta e até mesmo Bennie estranhou aquilo. Havia se desacostumado com esse aspecto do Havaí. O sol se refletia no mar, tornando-o alaranjado, em um extremo contraste com o céu azul-lilás. Mas ao mesmo tempo, as duas cores pareciam se completar como nenhuma outra combinação no mundo. Ela sorriu ao ver dois adolescentes correndo pela areia.

Depois da ligação inusitada de Jaime, descobriu que ela provavelmente havia visto uma notícia em uma coluna de fofoca em um jornal de celebridades. Um repórter que havia estado na mesma boate que Bennie, a ouvirá dizer em claro e bom som que estaria voltando para sua terra natal. Até mesmo conspirações de que ela estaria se aposentando das telas surgiram depois disto. Não se daria ao trabalho de comentar, pelo menos não por enquanto, precisava daquele tempo pra si mesma.

Verificou o endereço que Jaime havia lhe enviado, não ficava muito longe dali. Menos de quinze minutos de carro. Não demoraria muito para que estivessem lá, um pouco mais tarde do que o combinado, mas não faria muita diferença. A essa hora, Bruno também já deveria ter chegado e o pensamento de revê-lo depois de nove anos fez o seu peito se apertar. Não sabia como seria a recepção dele quanto a ela, apesar de ter se afastado primeiro, havia se mudado da Califórnia sem nem mesmo avisá-lo que faria isso.

Bem, não havia nenhum tipo de obrigação em fazê-lo, mas ainda assim sentia-se um tanto culpada por isto.

- Não fique tão aflita – Justine passou a mão pelo seu ombro – Até parece uma adolescente apaixonada.

- Ugh – Bennie careteou – A única coisa que me aflige é que é um tanto estranho rever todos eles de uma vez depois de tanto tempo.

- Vai dar tudo certo – Justine sorriu com ternura – Está pronta?

Bennie assentiu com a cabeça e então deixaram o quarto, seguindo diretamente para o carro. Ela dirigiu desta vez, procurando fazer isto da maneira mais tranquila possível, mas mesmo assim Justine disse que se ela ingerisse qualquer gotícula de álcool não a deixaria tocar naquele volante de forma alguma.

Justine era o seu anjo da guarda. Apesar de ser meio desmiolada, cuidava para que Bennie andasse sempre na linha e não corresse o risco de voltar ao seu antigo vicio. A controlava até mesmo na bebida para que não extrapolasse os seus limites. Claro que, as vezes, a deixava um pouco livre para que pudesse aproveitar a vida. Apenas quando estava por perto.

Tal como o GPS indicara, não demorou muito mais que quinze minutos para que chegassem lá na velocidade em que foram. Bennie destravou o cinto de segurança e desceu do carro, seguida por Justine, que parou ao seu lado e a encarou, esperando que ela tomasse alguma atitude.

Porém, Bennie permaneceu parada no mesmo lugar, encarando a casa iluminada com pisca-piscas, decorada com bonecos de neve de plástico e um enorme pinheiro cheio de luzes coloridas. Há quantos também não comemorava o dia de ação de graças ou o natal? Talvez o seu último houvesse sido com Justine, em dois mil e quinze, mas não tinha certeza.

- Por que não liga para ela e avisa que está aqui na frente? – Justine a propôs, notando sua indecisão – Talvez eles não ouçam a campainha.

E foi isto que Bennie fizera, pegara o celular de sua bolsa e discara o número de Jaime, o qual já havia salvado em sua agenda mais cedo para que não corresse o risco de perder. Estava sempre recebendo ligações. Diretores, astros, suas amigas e até mesmo de fãs um tanto assustadores que descobriam seu número de alguma forma.

No quinto toque, ela atendeu, já estava com a voz embargada e se ainda fosse a mesma Jaime de antes, provavelmente já tinha tomado uma ou duas taças de vinho. Bennie avisou-a de que estava na frente da casa e Jaime a pediu que fosse até a porta.

Assim que a porta se abriu, Jaime sorriu radiante, como se estivesse realmente muito feliz por revê-la. Seus olhos analisaram-na dos pés à cabeça e ela torceu o lábio ao encará-la novamente.

- Uau! Tem certeza de que é a mesma Kamealoha que eu conheci? – brincou.

- Pare com isso, Jaime. Olhe só para você! Continua uma Hernandez como sempre.

Era uma espécie de piada secreta. Jaime costumava dizer que os Kamealoha tinham um gene forte que só criava pessoas muito bonitas e Bennie dizia o mesmo dos Hernandez. Um elogio discreto, que somente as duas e as outras garotas entendiam. Até mesmo Bruno ficava confuso as vezes porque nunca entendera o real significado daquilo. Costumava dizer que “não passava de bobagem de garotas”.

- É muito bom revê-la, Bennie – Jaime a abraçou amorosamente – E quem é essa?

- Está é Justine Duret, minha manager e segunda mãe – Bennie falou, recebendo um olhar severo de Justine – Não que tenha idade o suficiente para isso – ela sorriu, amenizando um comentário.

- É um prazer conhece-la, Justine – Jaime a abraçou também – Vamos, entrem!

“Gente olha só quem chegou, é a Kamealoha” Jaime gritou e sua voz ecoou pela casa, mesmo com a música alta, trazendo ao Hall da casa três irmãs escandalosamente animadas. Tiara, Presley, Tahiti. Todas abraçaram Bennie calorosamente, elogiando-a a ponto de fazê-la corar. Estava acostumada com os comentários vindos das revistas, fãs, mas de alguém tão familiar assim soava completamente diferente. Muito mais verdadeiro. Apesar de saber que alguns dos quais recebia de fora também eram reais.

Junto a elas veio um montante de crianças. Não seria um exagero dizer que era um montante. Eram realmente muitas crianças, as quais não conhecia. Um bebê no colo de Pete e outra no colo de Marley.

- Meu Deu! Costumava ser apenas o pequeno Marley na última vez em que nos vimos – Bennie comentou surpresa – Que não é mais o pequeno Marley, veja só que homem lindo que ele se tornou! – tamanha era sua emoção, que até mesmo sua voz embargou.

- Essas três são maquinas de parir filhos – Tiara, como sempre desbocada, comentou.

- Cale a boca, Titi! – Tahiti reclamou – Estes são, Jaimo, Zyah, Nyjah, Haze e o pequeno Lion e a Selah – referiu-se aos bebês.

- Ainda tem o Liam, a Mila e a Vida – Tiara completou – mas o Eric e a Cindia não puderam vir esse ano. Estão passando o ano novo com a família da Cindia.

As apresentações e comentários foram tantos que a presença de Bruno até mesmo se dissipou de sua mente. Pete a abraçou fortemente e disse que havia feito muita falta naquela casa. Sua distração fora tanta que só se deu conta de mais uma presença, quando ele surgiu pela porta, adentrando ao Hall com um suéter azul marinho, bordado com uma foto sua e os dizeres “Pop Pop It’s showtime!”. Só então, Bennie reparou que Pete usava uma peça idêntica a dele.

- Ouvi dizer que temos uma invasão Kamealoha na casa – Bruno sorriu, encontrando o seu olhar com o dela. Seu sorriso parecia ainda mais bonito que antes.

Ele firmou o seu olhar no dela por quase dez segundos antes de finalmente se aproximar. Os dois se entreolharam, sem saber bem o que fazer, até que finalmente Bruno se aproximou dela e a abraçou. Seus braços enlaçaram-na pela cintura, como costumava fazer quando como eram adolescentes, e seu rosto se afagou em sua nuca, eram apenas alguns centímetros a menos mais o suficiente para que sempre acabasse ali.

O perfume novo era tão agradável quanto o que costumava usar quando jovem, mas havia algo a mais do que ele não ser mais um cara de vinte e quatro anos cheio de sonhos para realizar. Ele já havia realizado todos eles e isso o dera um charme a mais. Uma expressão mais firme. Mas o seu olhar meio sério meio sacana continuava o mesmo com o passar do tempo. De repente, era como se nunca haviam deixado de conversar. Foi muito mais fácil encara-lo daquela forma, com tanta receptividade. E o melhor, Bruno não parecia triste e infeliz como Bennie imaginou que ele estaria pelo término recente de um relacionamento duradouro. Era como se ela, quem quer que fosse, já tivesse sido superada antes mesmo de partir.

Seu olhar estava leve quando se afastaram, como se houvesse tirado um enorme peso de seus ombros. Talvez assim como Bennie, também sentia-se chateado pelas coisas terem acabado daquela forma. Ele foi ao outro cômodo e voltou com um embrulho dourado nas mãos, entregando-o de forma sútil para a mulher em sua frente. E aliás, que mulher. Bruno havia a visto diversas vezes nos filmes que ela fez. A propósito, ele havia assistido a todos eles, sem exceção. Sua ex-namorada sempre reclamava quando a via e ele anunciava todo feliz “costumávamos ser melhores amigos na adolescência”.

- Jaime só me avisou que você vinha quando cheguei durante a tarde – Bruno coçou a nuca, a julgar pelas suas olheiras, ainda não havia dormido – Então não é exatamente um presente de natal decente, mas pelo menos vai te fazer lembrar de mim.

Bennie franziu o cenho ao abrir o pacote, com um sorriso miúdo nos lábios. Não esperava uma atitude daquelas, tal como não esperava que fosse tão simples revê-lo. Ela abriu o pacote como uma garotinha de cinco anos, revelando um suéter idêntico ao que Pete e Bruno estavam usado. O sorriso em seu rosto identificou-se, achando engraçado em usar um suéter com uma foto dele estampada.

- Muito obrigada, Bruno – Bennie riu, vestindo o Suéter por cima do vestido que usava – Como estou?

- Ainda mais bonita com a minha foto em você – Bruno respondeu risonho.

Os olhares dele se reencontraram e Bennie sentiu suas bochechas queimarem, provavelmente haviam ficado ruborizadas. Bruno havia feito aquele comentário sem nenhuma maldade, mas “ainda mais bonita”... Isso significava que ele a achava bonita? O pensamento fez a sua mente dar um giro de trezentos e sessenta graus.

- Bom – disse Jaime interrompendo-os, provavelmente percebendo o constrangimento de Bennie – Vamos começar a festança?

À noite seguiu com muitos gritos de criança e muita falação. Não era nem nove horas da noite e as irmãs de Bruno estavam pra lá de Bagdá com as taças de vinho que haviam tomado. Tiara, envergonhando a todas, recordava-se das coisas que aprontaram quando eram adolescentes, fazendo Pete fechar a cara algumas vezes, mas ele sorria logo em seguida, sabendo que podia ter orgulho das mulheres que havia criado junto à Bernie.

Chegou o momento, é claro, que falaram sobre ela e o clima mudou de algo radialmente feliz, para algo fúnebre. Mas logo as lembranças alegres dela trouxeram de volta os sorrisos no rosto de todo mundo. Bernadette fora uma mãe maravilhosa, uma verdadeira guerreira e pode ver seus filhos tornando-se bem sucedidos. Claro que, se ela estivesse ali as coisas seriam diferentes, mas seu espírito estava presente e emergia muito mana dele, acalentando os corações deles.

Bruno cantou junto às irmãs as musicas prediletas dela. Count on me, a qual Bennie teve o privilégio de vê-lo escrever ainda em sua juventude, antes da fama. Marry you, If I knew... Todas músicas que falavam sobre as coisas que Bernie mais presava: amor, amizade, compaixão e carinho.

Na hora dos agradecimentos, não faltaram coisas para se agradecer. Demorou quase uma hora até que todos terminassem de falar e finalmente chegasse a vez de Tiara, que agradeceu por poder ter todo mundo reunido naquela noite e que, apesar de faltar algumas pessoas, sabia que eles estavam presentes lá em espírito. Agradeceu pela casa que Bruno havia comprado pra todas elas e para seu pai. Agradeceu pelas conquistas que todos tiveram durante todos aqueles anos e pelo pai sempre presente. Agradeceu pelas irmãs tê-la dado sobrinhos maravilhosos e disse que era grata até mesmo quando a faziam de babá. E, por fim, não podia desperdiçar a sua chance de soltar uma graça:

- E, enfim, gostaria de agradecer a Deus por ter livrado o meu irmão de uma Víbora, sangue-suga e pseudo-latina. Obrigada por ter aberto os olhos dele e trazido ele para perto da nossa família novamente – deu um sorrisinho maldoso ao terminar de falar.

- Titi! – Jaime a repreendeu pela terceira vez na frente de Bennie somente naquele dia – Cale a boca!

Bennie encarou a Bruno, preocupada com como ele iria reagir diante do comentário de sua irmã, mas ao contrário do que pensou, ele ria baixo, soltando o ar pelas narinas. Até mesmo Pete permitiu-se rir da bobagem que a filha falará.

- Não fale assim Titi – Bruno comentou, recuperando-se – Ela não era tão ruim assim.

E então, depois das finalizações, finalmente puseram-se a comer. Até mesmo Justine havia tido a sua chance de falar. Além de uma família musicalmente talentosa, haviam mulheres bem sucedidas na gastronomia, estava tudo muito mais delicioso que Bennie sequer podia cogitar um dia preparar. Bruno repetiu duas vezes o pudim que Tiara preparara, recebendo um “gordo” como resposta quando ele pediu pelo segundo prato.

Já passava da meia noite e a música ainda tocava no rádio. Elvis Presley, Michael Jackson, James Brown, Prince... todas as influências com a qual Bruno crescerá musicalmente e pessoalmente falando. Tudo nele refletia os cantores os quais Pete sempre ouvia e que, consequentemente, ele passou a amar tanto quanto o pai.

As garotas acabaram com uma garrafa e meia de vinho e perto das uma da manhã, dançavam pela sala, soltando gargalhadas. Era quase duas quando finalmente puseram as crianças para dormir.

Bennie sentou-se na varanda de trás da casa, com uma taça de vinho em mãos, aguardando pela volta das irmãs. Justine estava na sala conversando com Pete e Bruno, falando das maravilhas da França e de como a cidade de Paris era bonita à noite. Ela já havia ouvido aquela história milhares de vezes, então preferiu ausentar-se da conversa.

Enquanto bebericava o vinho, ouviu passos vindo em direção a onde estava. Voltou seu olhar a porta, esperando que fosse Jaime ou até mesmo Tiara, mas tudo o que viu fora Bruno, com um maço de cigarro e um isqueiro na mão.

- Ainda fuma? – Bruno perguntou, certos vícios eram muito difíceis de se matar, cigarros, dinheiro, mulheres...

- Só não conta pra Justine – Bennie brincou, aceitando um dos palitos que Bruno a ofereceu – Ela me mata se souber.

- Ela é amiga sua? – ele perguntou, acendendo o cigarro – Não que eu queira me meter na sua vida.

Bennie arqueou a sobrancelha, como se Bruno houvesse acabado de cometer uma gafe. Desde quando Peter Hernandez pedia desculpa por fazer perguntas indiscretas? Havia um certo “ela é somente sua amiga ou você também curte garotas?” no fundo daquele questionamento.

- Ela é minha manager – Bennie sorriu – mas também é minha mãe nas horas vagas. Justine anda sendo um pouco mais rigorosa, desde...

Uma longa pausa enquanto Bennie se assustava com a facilidade com que se abria com todo mundo daquela família, principalmente Bruno. Havia se esquecido de como era aquilo. Era como se todos eles fossem tão receptivos que não podia evitar.

- Se não quiser não precisa falar – Bruno pôs a mão em seu joelho, fazendo-a perder o ar por um segundo – Mas sabe que pode se abrir comigo. Costumávamos sempre se abrir um com o outro, lembra disso? Não sei nem mesmo porque nos afastamos.

- Eu também não – Bennie respondeu, mudando rapidamente o rumo – Bem, soube que meus pais morreram em um acidente de carro em dois mil e doze?

- Sim – Bruno mordeu o lábio inferior – Jaime me falou. Um ano antes da minha mãe.

- Sim, eu sinto muito – Bennie torceu os lábios – Bem... Eu tive um problema com – ela engoliu a própria saliva – Com heroína.

Bruno franziu o cenho e então relaxou a expressão. Havia tido um problema com cocaína no início de sua carreira e naquela época tudo o que desejou fora ter a presença de Bennie ao seu lado, sem que fosse massacrado. Ele sabia que sua família tinha razão em dizer todas as coisas que disseram, principalmente sua mãe, a decepcionou profundamente, mas as vezes tudo o que queria era alguém que lhe abraçasse e dissesse “está tudo bem, foi só um erro” e ele tinha certeza de que Bennie faria isso.

E foi isso que ele fez por ela, a abraçou sem nem mesmo pensar duas vezes. Afagou-a em seu ombro, tentando não encostar o cigarro nela. Meio desajeitado, mas Bennie ainda parecia caber perfeitamente em seus braços.

- Eu sinto muito – falou – De verdade.

Realmente sentia muito, por muitas coisas. Sentia muito por ter mudado do Havaí em termos não tão bons com ela. Sentia muito por em Los Angeles não atender às suas ligações propositalmente. Por inventar desculpas quando ela o convidava para sair. Por não ter falado com ela por quatro meses antes que se mudasse da Califórnia para Nova Iorque. Mas principalmente sentia muito por tê-la afastado cientemente por conta do sentimento que nutria por ela desde que se conheceram, Bruno nunca acreditou que alguém como Bennie pudesse notar algo em um cara completamente sem juízo, ela sempre lhe pareceu muito responsável.

Bem, aparentemente, as coisas haviam mudado.

 

Definitivamente, Bennie não precisava disso. Mas o diretor do comercial insistiu que ela se bronzeasse durante o ensaio no dia vinte e cinco.

“eu sei que a sua pele já é bronzeada, mas depois de tanto tempo em Nova Iorque não acha que está um pouco pálida demais?” Ele repetiu incansavelmente enquanto Justine tentava convencê-lo de que não havia necessidade alguma naquilo. Mas, no fim do dia, quando Bennie se olhou no espelho, uma lágrima solitária rolou em seu rosto. Não de tristeza, mas sim, porque se parecia bem mais com a adolescente que corria de pés descalços do que antes. Estava feliz. Feliz por pelo menos uma semana poder voltar a ser uma nativa da ilha. Era como um sonhar acordada.

Na manhã do dia vinte e seis, não se havia muito o que fazer. Não era muito difícil gravar um comercial tão simples como aquele, não depois de quase nove anos de carreira, então ela é Justine dedicaram o tempo a assistirem a apresentação de uma banda local no espaço comum do hotel, ir à academia e ao salão com o diretor para os preparativos. Fizeram seu cabelo, unhas, maquiagem e, perto das cinco e meia da tarde seguiram para a praia. Ela repassou tudo mais cinco vezes para que tudo saísse perfeito.

Estava ensaiando pela última vez quando notou a presença de um rosto familiar, quase caiu na areia da praia ao perceber quem era. Ela parou no mesmo instante e pediu licença ao diretor, caminhando em direção ao sorriso radiante de Bruno.

- Isso é apenas coincidência do destino ou... Estou sendo perseguida? – Bennie brincou, ouvindo o diretor resmungar alto atrás dela – Não ligue para ele. É um chato! – referiu-se ao homem que ainda reclamava.

- Estou te perseguindo – Bruno falou sério, mas logo riu – Brincadeiras a parte, Tiara me avisou que estava aqui a trabalho, bastou uma pesquisa rápida para encontrar sua localização – ele deu de ombros – Foi a Tiara quem pesquisou, eu sou péssimo com a tecnologia.

Bennie riu, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, o diretor do comercial gritou dizendo que precisava gravar aquilo antes das 19 para voltar no voo das oito para Los Angeles e editar tudo antes do ano novo. Ela suspirou e despediu-se dele, pensando que fosse embora assim que se afastassem.

Mas Bruno permaneceu lá, não só durante o término do ensaio, mas como durante a gravação do comercial. Bennie, que achava que gravar não seria difícil, começou a ficar nervosa. Quando o diretor veio para dar os ajustes finais em sua aparência e abriu o kimono de seda que usava, sua respiração falhou. Era bem mais complicado fazer aquilo na frente do homem que você foi apaixonada por quase dez anos.

Durante todo os takes, não olhou para Bruno nenhuma vez, mas sabia que ele estava a observando. O sol estava se pondo quando terminou, eles analisaram as gravações e então o homem, que parecia muito ranzinza, a agradeceu e disse que lhe mandaria uma cópia por e-mail quando terminasse de editar. Os dois se despediram e Justine a encheu de perguntas a respeito da presença de Bruno. Ela não soube responder, afinal, nem mesmo havia compreendido o porque.

Bem, não até caminharem em direção a ele novamente que por sua vez ainda possuía o mesmo sorriso amigável de antes. Uma garota se aproximou, interrompendo a Bennie antes que pudesse dizer qualquer coisa e pediu por uma foto. Bruno posou para a câmera do celular e então a abraçou. A garota agradeceu e então voltou-se para Bennie, com um olhar surpreso no rosto. Sua boca se abriu em um formato de “o” e em sua mente um turbilhão de perguntas surgiram, mesmo que não fosse as fazer.

Por que diabos Bennie Baxter estava no Havaí? Por que ela estava na companhia de Bruno? Será que os dois estavam tendo um affair? Mal conseguiu conter sua felicidade por encontrar dois famosos no mesmo lugar.

- Oh. Meu. Deus! – ela falou pausadamente – Bennie Baxter. Garotas! É a Bennie! Venham aqui! – anunciou para o seu grupo de amigas que a esperavam a uma distância razoável.

Logo, todas garotas amontoavam-se animadamente para tirar fotos com Bennie. Elas elogiavam seu cabelo, seu corpo, sua pele, tudo o que era possível se elogiar. Bruno também foi obrigado a tirar mais cinco fotos para que todas pudessem guardar de recordação. Mas antes de ir embora, uma delas, não se conteve como a primeira ao perguntar:

- Vocês dois estão juntos?

Bennie arregalou os olhos, seu nervosismo foi tanto que nem conseguiu falar nada.

- Não – Bruno tomou partida, rindo da expressão triste que a garota fez – Somos melhores amigos de infância.

- É realmente uma pena – disse a primeira garota – Bom, obrigada pelas fotos.

E lá se foram elas, conversando animadamente. Bennie ouviu uma terceira garota dizer “vocês deviam ter imaginado que eles se conhecessem, ela nasceu aqui em Waikiki também, um ano depois dele!”. Ela então se permitiu rir de toda a situação. Também acreditaria num possível romance caso encontrasse duas pessoas, que nunca viram juntas antes, no Havaí.

- Aposto que não são nativas – Bruno comentou.

- Pois eu aposto que são – Bennie replicou – Calorosamente animadas.

- Bom, pensando assim, faz sentido – Bruno sorriu, com a ponta da língua entre os dentes – Deixe eu falar antes que esqueça, as garotas querem que vocês passem o ano novo conosco. Quero dizer, não só as garotas, eu também, mas elas me pediram par vir falar com você pessoalmente e te obrigar a ir mesmo que não queira. Vai ser na minha casa. Deve ter percebido que não se há espaço para dormir na casa do meu pai quando está cheia. As crianças vão passar o ano novo em um playground e os adultos festejar.

Bennie demorou um tempo para absorver tudo e então, sorriu.

- Isso não foi um convite, não é?

- Não – Bruno deu de ombros – Foi meio que uma ordem.

Combinaram de que Bruno as buscaria no hotel as sete da noite do dia trinta e um. Foi incrivelmente esquisito a angústia que lhe perseguiu nos cinco dias que se arrastaram vagarosamente. Nem mesmo Justine conseguia conter o espírito ansioso de Bennie.

Ela foi ao shopping mais uma vez, escolher uma roupa completamente branca para usar. Passaram quase a manhã inteira prova do milhares de peças até que Bennie encontrasse alguma que lhe agradasse. Bennie sempre foi bastante ligada à moda, desde a sua adolescência, então demorava horas até encontrar qualquer coisa que considerava bonita.

Por fim, optou por um vestido simples, na altura dos joelhos, que movia-se revoltosamente com a força do vento, sorte a dela não estar vestindo nada embaixo além do biquíni e, também, sorte a dela que as pessoas lá não estavam desesperadamente procurando por uma foto indiscreta, ninguém nem mesmo notava a sua presença, com exceção de alguns poucos olhares curiosos que a seguiam ao perceber quem ela era.

Um senhor, de olhos miúdos e características chinesas, até mesmo disse quando foram a sua loja de penhores a procura de alguma coisa para levar como lembrança: “Vejam só se não é a pequena Kamealoha, não cresceu muito desde a última vez em que nos vimos, hein?”. Bennie fez-se de ofendida e logo soltou uma risada. Não era nada surpreendente que ela encontrasse alguém que a conhecia desde a infância por lá além de Bruno e as irmãs dele.

Enquanto aguardavam por Bruno no hall do hotel, sentadas em uma das poltronas de espera, Justine não conseguia parar de pensar em uma coisa, a qual permaneceu em sua mente, mas que havia se esquecido de questionar antes.

- Eu não entendi aquela coisa de “Você continua a mesma Hernandez de sempre” – comentou, interrompendo Bennie em uma mensagem de texto que enviava pelo celular.

Bennie riu, largando o celular de lado após enviar a mensagem. Seus olhos nunca pareceram tão brilhantes quanto naquele momento e Justine notara isso assim que seu olhar cruzou com o dela.

- Quando éramos adolescentes, Jaime costumava dizer que só haviam pessoas lindas na minha família – explicou – ela disse que era devido ao “Gene Kamealoha”. Então eu passei a dizer que o “Gene Hernandez” também era muito forte – Bennie riu sem graça – Eu sei que não faz o menor sentido agora, mas fazia quando éramos duas adolescentes de treze anos.

Justine recostou-se na poltrona, sorrindo para o nada.

- Faz sentido sim – falou.

Sim. Fazia muito sentido.

Bruno chegou poucos minuto depois da curta conversa que tiveram, dirigia um Cadillac e abriu a porta da frente para que Bennie entrasse. Seu ideal de sentar-se atrás na companhia de Justine havia ido por água a baixo, ela não podia simplesmente recusar sem nenhuma justificativa plausível. Não havia obrigatoriedade nenhuma para que ela acompanhasse a sua manager.

Depois de um cumprimento formal, onde Bruno a abraçou e depositou um beijo em sua bochecha, permaneceram em silêncio durante boa parte do percurso, até que, em um comentário que tonteara Bennie, Bruno quebrou o silêncio.

- Você está – ele pigarreou, tentando se concentrar na estrada – incrivelmente bonita. Se me permite o comentário.

- Obrigada – Bennie sorriu timidamente – você também está... muito bem.

Bennie quase enfiou o rosto entre as mãos. “Muito bem”? Era isto que definia Bruno? Definitivamente não. Quase perdeu o ar ao vê-lo com aquela camisa branca, por baixo de uma jaqueta preta e branca, decorada com andorinhas da região do peito e uma bermuda de seda preta que parecia muito, muito fina. Ela mordiscou o lábio, tentando encontrar alguma coisa para dizer.

- Muito bem? – Bruno se virou para ela por um segundo, arregalando os olhos – É só isso que tem a me dizer depois de todos esses anos? O que aconteceu com a garota que dizia “quem é que não vai querer você?” quando eu era o patinho feio do colégio?

(COLOQUE A MUSICA AQUI)

Uma risada abafada pela mão ecoou da parte de trás do carro, Justine ria dos dois a ponto dos olhos dela lacrimejarem. Bennie também começou a rir de si mesma e logo todos os três riam enquanto Justine colocava lenha na fogueira dizendo “oh Bennie, pobrezinho, muito bem? É como dizer que ele é no máximo arrumadinho”.

- Não foi isso que eu quis dizer – Bennie ainda ria, tentando se defender – Quero dizer. Acho que o Bruno é o homem mais bonito que eu já conheci, mas...

Ela interrompeu sua fala, percebendo o sorriso que Bruno tinha nos lábios. Não era como se ele achasse mais graça, mas tinha certeza de que seu ego havia se inflado com aquele comentário quase involuntário.

- Bem melhor assim – Bruno brincou, tentando disfarçar sua reação – Não acha Justine?

- Com toda certeza – Justine encarou Bennie, que tinha seu olhar fixo a estrada, sabendo que provavelmente aquilo se remoeria dentro dela pelo resto da noite – Foi um elogio e tanto.

E assim, um silêncio voltou a se estagnar no carro até o momento em que chegaram na casa de Bruno e ele foi quebrado pela gritaria das garotas do lado de dentro da casa. Ele, mais uma vez abriu a porta para Bennie, que desceu sem nem olhar em seus olhos. Ainda se sentia muito constrangida pelo comentário que fizera. Fora algo involuntário, mas que viera do fundo de seu coração. Ela realmente nunca havia conhecido homem algum que considerasse mais belo que ele.

Jaime dançava na sala com Tiara enquanto tinha uma taça na mão. Elas pararam assim que viram Bennie entrar pela porta, abraçando-a com toda amorosidade do primeiro dia, depois voltaram a sua dança maluca no meio da sala.

- Você está magnifica – Pete elogiou a Bennie após abraça-la – Se eu tivesse alguns anos a menos e não te conhecesse desde que era uma criança, provavelmente flertaria com você.

- Papai! – Tahiti arregalou os olhos, rindo.

- O que foi? – Pete deu de ombros, olhando para Bruno e comentou: - Um homem desta família já teve a sua chance e a deixou passar. Não posso ter a minha? – e piscou para Bennie, que simultaneamente encarou a Bruno.

Seu coração poderia ter dançado uma valsa triste naquele instante se tivesse vida própria. Bruno sorria para Presley, que provavelmente havia acabado de lhe contar alguma coisa engraçada. Seus olhos se encontraram com o de Bennie e ele abriu um sorriso mais largo ainda. Bennie sorriu de volta, imersa em seu próprio turbilhão. Haviam tantas coisas dentro da sua mente naquele instante, tantas memorias, tantas lembranças que mal conseguia manter-se de pé.

A noite seguiu animada, não havia como se ficar triste no mesmo espaço de um Hernandez, agora imagine sete deles na mesma casa. As garotas conversavam alto, Bruno soltava gargalhavas, Justine já havia passado da conta na bebida e, em um certo ponto, Pete tocava violão no sofá enquanto todo mundo cantava junto.

Vendo aquela cena, Bennie imaginou como seria se ela fizesse parte daquela família. É claro que, sabia que todos ali a amavam, mas como as coisas seriam se ela fosse definitivamente uma Hernandez? Desta forma, voltaria a ter uma família, alguém que a tratasse como um pai, teria irmãs e até mesmo sobrinhos.

Sonhou acordada tantas vezes com aquilo e por tantas vezes aquilo lhe pareceu tão distante que não conseguia sentir vontade de se interessar por mais ninguém. Suas suplicas aos céus nunca haviam resultado em nada. Sempre permanecera no mesmo lugar, como sua melhor amiga. Bem, pelo menos até as coisas mudarem e os dois se afastarem.

Uma distância que havia sido quebrada naquela viagem repentina. As coisas finalmente pareciam ter entrado no eixos. Sua vida parecia finalmente completa novamente. Era como se os Hernandez fosse uma parte importante dela. Como se, não os tivesse em sua vida, ela parecia oca e sem sentido.

As lembranças da infância, quando se conheceram, passaram em sua mente como um filme. Aquele pequeno menino de olhos arredondados e cabelos rebeldes que nunca ficavam no lugar que Bernie os deixava. As covinhas que Bennie tanto enfiava o dedo para perturbá-lo, fazendo-o corar. Os dois brincando no quintal da antiga casa onde a família toda morava.

Talvez aquele fosse o seu destino. Ser apenas uma amiga. Algumas coisas deveriam ficar presa ao passado. Enterradas a sete palmos dentro de um baú. Algumas coisas foram feitas para nunca acontecer.

E, talvez, ela e Bruno nunca seriam nada mais que ex-melhores-talvez-de-novo-amigos.

Durante a queima de fogos, reuniram-se todos do lado de fora da casa. Bruno esteve ao seu lado o tempo todo e a brisa marítima trazia o seu novo perfume em direção a Bennie. E o cheiro lhe pareceu novamente familiar.

Os cachos dele sacodiam com a rebeldia do vento, tal como seu vestido e os seus cabelos também. Lágrimas escorriam do rosto das meninas. E também dos olhos de Bennie. Apenas não pelo mesmo motivo.

- Ei Kamealoha – Bruno disse assim que os fogos diminuíram.

- Sim, Hernandez? – Bennie sorriu, tentando controlar as lágrimas.

- Vou para Nova Iorque em três semanas – uma lagrima solitária escorreu do rosto de Bruno e ele fungou – O que acha de sairmos para tomar um drinque?  



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