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História Oikawa acha um cara gostoso - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


A história foi escrita por mim, mas betada pela incrível @kjuzera. Leiam as obras dela também, valem a pena!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Toda noite de sexta-feira os terceiranistas se reúnem para assistir um filme. Hoje, a casa escolhida foi a de Oikawa, já que seus pais foram viajar à negócios. Isso permitia que eles ficassem até tarde acordados, mesmo que Iwaizumi insistisse que dormir cedo era mais adequado para atletas e estudantes.


Os garotos colocaram colchões no chão da sala, fizeram pipoca, compraram sorvete, pegaram cobertores e travesseiros. Depois de tudo pronto, decidiram que iriam assistir a saga de "Vingadores".


– Se a Scarlett Johansson me chutasse assim eu pediria por mais… – Matsukawa falou no meio do filme. Hanamaki o rebateu no mesmo instante.


– Eu prefiro a Elizabeth Olsen. Ela é tão gata. 


– Eu pegava as duas. – Oikawa disse no meio da conversa.


– Sensato. – Hanamaki respondeu e Matsukawa concordou com a cabeça.


– E você, Iwa? Pegaria quem do elenco? – Matsukawa perguntou.


– Ninguém. – Iwaizumi respondeu rispidamente.


– Ah, qual é. Certeza que alguém ali te deixa babando. 


Iwaizumi revirou os olhos e ponderou um pouco qual seria sua resposta. 


– Sabem o Chris Hemsworth? 


Os outros três acenaram com a cabeça.


– Nem guindaste. – Iwaizumi disse e riu quando os garotos ficaram boquiabertos.


– Não esperava isso de você. – Hanamaki disse incrédulo.


– Vão dizer que vocês não sentariam nele de cabelo curto em "Thor:Ragnarok"? 


– Com certeza sentaria. – Matsukawa e Hanamaki responderam em uníssono e os três começaram a gargalhar. 


Iwaizumi era gay, Matsukawa e Hanamaki, panssexuais.


Oikawa era hétero. Por isso ele sempre fica um pouco deslocado quando seus amigos começam a falar de outros caras.


Pelo menos, era o que acontecia até hoje.


– Eu acho o Tom Hiddleston mais bonito. – Ele disse inesperadamente. Os três passaram a encarar Oikawa, o que fez com que ele percebesse o que acabara de dizer e ficar vermelho. – N-não que eu ache ele gostoso ou algo do tipo. – Ele disfarçou e desviou o olhar envergonhado. 


Iwaizumi, Matsukawa e Hanamaki se entreolharam e sorriram. Oikawa não entendeu o que foi aquilo, mas não teve tempo de perguntar já que todos voltaram sua atenção ao filme.


Quando os garotos foram embora e Oikawa ficou sozinho, nada tirava da sua cabeça o que havia acontecido.  


Não que ele fosse daqueles homens com masculinidade frágil que não assume quando acha outro homem bonito. Ele falou no sentido de achar um cara atraente, mesmo que tivesse negado isso na hora. 


E agora ele estava desesperado.


"Será que eu sou gay?"


Foi o que ele passou a cogitar. Mas essa suposição logo foi descartada quando Oikawa pensou em algumas garotas gatas com as quais ele já tinha ficado e ainda se sentia atraído por elas.


Talvez fosse porque ele falou do Tom Hiddleston. Ele era rico e famoso, qualquer um se atraia por ele. E foi com esse pensamento que Oikawa dormiu.


Na manhã seguinte, ele seguiu convencido de que o que havia sentido foi apenas por uma pessoa específica, já que era uma celebridade. E esse pensamento foi extremamente reconfortante. 


Ele se sentia meio mal por ficar aliviado por não gostar de homens. Parecia um pensamento homofóbico, mas na verdade era medo. Medo do que sua família pensaria, não havia como prever a reação deles.


Medo do que as pessoas na escola falariam. Ele era popular e nem todos acolhiam homossexuais tão bem.


Medo de prejudicar sua carreira no vôlei de alguma forma. E se isso acontecesse, Oikawa não sabia se sobreviveria. Ele era tão dependente de vôlei quanto de oxigênio.


Aos sábados, Oikawa e sua irmã saiam juntos. Eles se amavam muito e faziam isso para nunca perderem o contato, já que são praticamente unha e carne. 


Decidiram ir ao shopping hoje. Tomaram sorvete, não sem antes postar uma foto dele no Instagram, pois aparentemente se exibir é coisa de família. Ficaram perambulando entre uma loja e outra como duas crianças, mesmo Oikawa tendo dezoito anos e ela vinte e sete. 


Enquanto a irmã de Oikawa estava provando algumas roupas, o garoto ficou esperando do lado de fora do provador. Na seção feminina era impossível não ficar de olho nas garotas que escolhiam o que comprar e uma menina chamou mais sua atenção do que as outras. Pele bronzeada, cabelos compridos e morenos, pernas longas e sensuais. Toda a beleza era acentuada por um vestido floral extremamente praiano.


Ele estava prestes a ir flertar com ela quando viu um garoto se aproximando dela. Pela camisa pólo preta, era fácil identificá-lo como um dos funcionários da loja. 


O garoto tinha cabelos negros, que contrastavem perfeitamente com sua pele clara. Os braços dele pareciam esculpidos e ficavam ainda mais lindos nas mangas apertadas da camisa. Ele se virou de costas por um instante e Oikawa teve um vislumbre da bunda incrível que o funcionário tinha, ainda mais sexy nos jeans justos. 


Porra, como ele conseguia ser tão gostoso.


– Tooru! – A irmã de Oikawa chamou, dispersando-o de seus pensamentos.


– Sim? 


– Eu te chamei três vezes e você não ouviu. 


– Desculpa… – Ele disse sem jeito. – Eu tava… distraído.


– Tá, tá. Só diz se fiquei bem nesse vestido.


– Óbvio que sim! Minha irmã perfeita fica bem em tudo. Vai conquistar corações com esse vestido aí.


– Eu sou casada.


– Ah, é… Meus pêsames.


Os dois riram antes de ela entrar novamente no provador. 


Quando Oikawa chegou em casa, foi direto para o seu quarto e se jogou na cama após trancar a porta. O fez por puro hábito, já que não havia ninguém em casa.


De novo. Ele tinha achado um cara gostoso de novo. E agora parando para pensar, sua vida é repleta de homens gostosos.


O capitão de Karasuno era gostoso demais, com aquelas pernas grossas e torneadas. O levantador de Date Kou tinha um corpo lindo, apesar da cara besta. Até mesmo o merdinha do Ushijima é bonito com aquele traseiro enorme.


A cabeça de Oikawa parecia prestes a explodir de tantos caras gostosos invadindo sua mente. 


Como ele nunca percebeu que se sentia atraído por eles?


De qualquer maneira, ele percebeu que gostava de garotos. Seus medos podiam se tornar realidade e isso o estava assustando muito. 


Oikawa não fazia a mínima ideia de como lidar com isso, mas ele não pode ficar guardando esse peso todo para si. Foi algo que ele aprendeu anos atrás, quando seu egoísmo em querer lidar com tudo sozinho quase o levou à ruína. Foi assim que Oikawa aprendeu a contar com seus amigos.


E era isso que ele iria fazer. 


– Que foi? – Iwaizumi falou ao atender a ligação de Oikawa.


– Iwa-chan, poderia atender seu melhor amigo mais gentilmente, não acha?


– Não. Se for só isso, vou desligar. 


– Espera! Tenho algo importante pra falar… 


– A última vez que você disse isso foi porque os pães de leite que comprou tinham acabado. E na anterior foi porque uma garota não quis ficar com você. E na-


– Hajime, é algo sério de verdade. – Oikawa disse, sua voz confirmando que o assunto era, de fato, importante.


 – Certo, fala logo então.


– Eu… – Ele ainda estava um pouco hesitante, mesmo sabendo que poderia confiar em Iwaizumi.


– Anda, porra. 


– Tá! Eu gosto de garotos, é isso. Pronto, falei. – Oikawa exclamou. Felizmente seus pais não estavam porque com certeza teriam ouvido ele gritar.


– E? – Iwaizumi perguntou, como se fosse algo completamente simples.


– Como assim "e"? Você não tá surpreso?


– Eu já sabia, cara.


– Como? – Oikawa gritou outra vez. – Nem eu sabia. 


Oikawa conseguiu ouvir Iwaizumi rindo e ficou levemente irritado por ele rir em uma situação como essa.


– Certeza eu não tinha, mas suspeitava. – Iwaizumi respondeu.


Oikawa não retrucou. Iwaizumi não falou mais nada. Um silêncio ensurdecedor pairou durante a chamada. E quando Oikawa fica em silêncio, a coisa é muito séria.


– Você tá bem com isso? – Iwaizumi perguntou.


– Mais ou menos…


– Fala o que sua cabecinha de merda tá pensando.


Oikawa suspirou fundo antes de responder.


– Eu tô com medo do que vão dizer. De como todo mundo vai reagir.


– Sua família?


– Também, mas eu me referia a tipo… todo mundo mesmo, sabe?


– Sua família vai aceitar de boa, relaxa. 


– Como você tem tanta certeza?


– Porque eu sou seu melhor amigo e sou gay. Eles sabem disso e nunca se importaram. Inclusive sua mãe já veio conversar sobre garotos comigo.


– O quê? – Oikawa disse assustado e ficou um pouco vermelho pela vergonha de imaginar sua própria mãe e seu melhor amigo conversando sobre isso.


– É sério. – Iwaizumi riu novamente. 


– Tá e as outras pessoas? Na escola, por exemplo. – Oikawa perguntou nervoso. Ele não tinha medo do que fariam, ele era forte e sabia muito bem se defender. Poderia quebrar um bando de homofóbicos na porrada facilmente. Mas, a ideia de não ser bem aceito é bastante aversiva. E era exatamente disso que ele tinha medo.


– Se alguém fizer qualquer coisa contra você eu mesmo resolvo. Jamais vou deixar alguém fazer mal pra você. – Iwaizumi respondeu em um tom firme. 


Um tom que passou tanta confiança que Oikawa ficou até surpreso.


E aquelas palavras atingiram o coração dele de uma forma inimaginável. Ele sempre soube que poderia contar com Iwaizumi para qualquer coisa. Ele é seu porto-seguro afinal. 


Mas a confirmação disso em palavras era tão bom de se ouvir. Tão bom que fez os olhos de Oikawa ficarem marejados.


Sem querer, ele acabou soluçando um pouco alto.


– Você tá chorando? – Iwaizumi perguntou parecendo desesperado. 


– Claro que não! – Oikawa respondeu na mesma hora, mas a voz embargada lhe entregava. 


– Sei…


Oikawa respirou um pouco e secou os olhos com as costas da mão. 


– E então… como se sente sabendo que agora tem a chance de provar meu maravilhoso beijo? – Oikawa perguntou zombeteiro.


Iwa-chan🦖❤  encerrou essa chamada.


Oikawa encarou o seu celular rindo. Ele gostava de caras, mas tudo bem. Tudo continua igual. 


Ou melhor, algo mudou. Agora, ele não tinha mais medo.


Dois dias se passaram. Era segunda-feira de manhã, e Oikawa foi correndo se juntar aos seus amigos na quadra da escola, onde eles sempre se encontravam antes de começar a aula.


– Sou bissexual. – Oikawa disse ofegante por ter vindo correndo para dar a notícia, completamente ansioso. 


– Até que enfim se descobriu, né? – Hanamaki falou nem um pouco surpreso.


– Tava demorando, isso sim. – Matsukawa completou da mesma maneira que o outro.


– Por que todo mundo sabia que eu sou bissexual antes mesmo de eu saber? – Oikawa perguntou cruzando os braços e fazendo um bico. 


– Sei lá, cara. Acho que os boiolas reconhecem um ao outro. – Matsukawa sugeriu. 


Hanamaki e Iwaizumi começaram a rir. Oikawa e Matsukawa os acompanharam logo depois.


– Agora você não fica mais perdido no assunto quando falamos de garotos igual o Iwa fica perdido quando falamos de garotas.  – O ruivo zombou e levou um soco no ombro de Iwaizumi por isso. 


– Falando nisso, tem um atendente de uma loja no shopping muito gato. Queria que ele sentasse na minha cara. – Oikawa falou ao lembrar do cara de ontem.


– Caralho, você se descobriu agora e já tá assim? – Iwaizumi reclamou e fez com que todos rissem.


Depois de listarem os colegas de classe mais bonitos da turma, decidiram ir para sala já que a aula iria começar. Mas, antes de saírem da quadra, Oikawa sentiu um aperto em seu ombro.


– Fico feliz por confiar na gente e ter nos contado. Pode contar com a gente no que precisar, tá? – Hanamaki falou. 


Matsukawa veio pelo lado e apertou seu outro ombro.


– Vamos estar sempre aqui por você. – O moreno disse. 


Oikawa sentiu-se acolhido outra vez. E porra, essa é a melhor sensação do mundo. Como se estivesse sendo envolvido em um cobertor quentinho quando se está com frio.


– Obrigado. Vocês são incríveis. – Oikawa os agradeceu e os dois sorriram. 


Oikawa olhou por cima dos ombros procurando por Iwaizumi e o viu sorrindo também.


Um sorriso tão meigo que fez seu coração palpitar.


Talvez ele goste mais de um garoto específico do que dos outros.


Notas Finais


Ficou curta, mas espero que gostem. Vou começar a publicar mais coisas aqui. Ou seja, até a próxima.


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