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História Ojeriza - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Oi gente.
Essa fic se passa dois anos depois dessa tobiizu: https://www.spiritfanfiction.com/historia/lovers-when-its-cold-18380782
Pra quem veio de LWIC pra cá, olá novamente! ♡
Enfim, boa leitura.

Capítulo 1 - Parte 1.


Hashirama Senju passou a mão no vidro, removendo parcialmente a névoa causada pelo banho quente. O cheiro de seu sabão favorito preenchia todo o banheiro — o que o acalmava profundamente. Estava prestes a começar mais uma de suas sessões. Precisava se conectar, se acalmar.  Não poderia sair dali e ir atrás de seu objetivo caso estivesse agitado. Regra número um.

Molhou o rosto uma última vez antes de torcer o registro e aniquilar a saída de água. Ainda naquele momento etéreo onde o vapor e o aroma que tanto gostava o preenchiam por todos os ângulos possíveis, Hashirama começou a fazer um breve exercício de respiração. Poucos minutos depois ele enfim saiu do cubículo onde havia se lavado. Fechando a porta de vidro atrás de si, Hashirama secou-se devagar, um pedaço de pele de cada vez.

A espera fazia parte de tudo aquilo, é claro. E Deus sabe como havia esperado muito. Exatamente dezessete horas. Dezessete horas em que seu corpo lidava com estímulos e com distrações vindas de todos os lados. Felizmente essa estava sob seu controle. Esta era sua vingança e sua auto-repreensão.

Quando acabou, buscou seu quimono com as mãos, o achando sem delongas em cima da longa bancada de mármore. O vestiu como se o tecido lhe estivesse oferecendo uma benção. Ao terminar de enlaçar a cintura, olhou-se no espelho, o vapor começando a sumir devagar, causando manchas no vidro.

Seus cabelos estavam soltos e molhados. Desembaraçou-lhe os fios com cuidado, reverenciando suas madeixas como deveria. Deixou-as soltas por ora, esperaria secar mais um pouco antes de amarrá-las para o alto. Suspirou uma última vez antes de deixar o lavabo. Ao adentrar em seu quarto outra vez o carpete no chão lhe fez uma suave cócega.

            Seu quarto era grande, digno de um patriarca Senju. Havia mais ouro e frescuras na decoração do que desejava, mas isso vinha com o título. E por mencionar sua posição na hierarquia da família, usou disso para escolher aquele ambiente em específico. Após as reformas que a casa precisou sofrer há quase um ano atrás, Hashirama aproveitou da oportunidade e escolheu se alojar no canto mais extremo do terreno. Seu quarto ficava após um longo corredor, e não havia nada além de natureza ao seu entorno.

Assim, seu espaço privado era também seu templo e só ele era permitido ali. Seus criados sabiam bem disso também.

            Ao enfim terminar de atravessar o quarto, seus olhos finalmente encontraram o que tanto queria. Através de alguns metros de corda negra, em cima de sua grande cama ordenada por cetim claro, contrastava a figura de Madara Uchiha. Seu corpanzil estava amarrado por todas as extremidades: através da barriga e das costas; os braços estendidos para o alto, juntos; as pernas abertas, com uma barra de ferro a segurando na posição certa. Em sua boca uma bela mordaça vermelha.

Seus cabelos negros espalhados pelos ombros e travesseiro também eram uma visão e tanto. Mas nada fazia o interior de Hashirama reverberar tanto quanto a expressão feroz em seus olhos.

E de saber que em poucos minutos ela mudaria completamente.

 

***

 

Ao abrir os olhos tudo que Hashirama encontrou foi a penumbra. Sabia que era dia pelos sons do lado de fora das paredes de madeira, mas por dentro de seu quarto tudo era um breu. Gostava assim, as grossas cortinas tampando cada centímetro de janela, ocultando cada raio de sol. Balançando a ponta dos pés, o líder dos Senju permitiu-se fugir da realidade que lhe esperava assim que abrisse as portas.

Era Ano Novo, e com isso haveria três dias de festas, cada dia com seus rituais. O primeiro era sempre o mais agitado. As famílias primárias e secundárias dos Senju e dos Uchiha iriam se reunir na grande casa. Esta que havia passado por uma longa reforma durante o ano. Justamente para abrigar todas aquelas pessoas.

Dois anos e meio haviam se passado desde que seu irmão mais novo, Tobirama, havia se casado com o irmão mais novo dos Uchiha. O que parecia ter desencadeado uma febre, pois em seguida vários casais surgiram, vários casamentos foram realizados e agora havia hordas de crianças pelas casas. O que alegravam a todos, claro. Incluindo a si mesmo, pois estava morrendo de saudade de seu recém sobrinho.

Apenas Madara, Hashirama e a senhora Uchiha — além de claro, os envolvidos — sabiam da realidade de Izuna e Tobirama. Para todos os efeitos, Izuna havia engravidado decentemente; através de uma barriga falsa incrível que seu irmão criara, e com a participação de uma mãe que não desejava a criança, foi-se possível formar o teatro perfeito. Para todos os efeitos, os dois tinham dado à luz a um menino lindo e saudável. O que ele era de fato. Isso que importava. E Hashirama mal podia esperar para pegá-lo no colo e cheirar aquele pescoço fofo com cheiro de leite.

Rindo sozinho só de imaginar, pôs-se de pé. A agitação corria por suas veias e o dia já havia começado. Permitiu-se dormir algumas horas a mais do que normalmente, mas teria de compensar. Havia muitos detalhes para resolver, mas nada que não fosse capaz.

E também havia outro motivo para o sangue correr tão rápido em suas veias... Madara estaria ali. E haveria bastante tumulto. Balançou a cabeça para afastar as idéias perversas e tomou uma rápida ducha, saindo então porta afora. O dia lhe felicitando conforme diversos sons lhe preenchiam os ouvidos.

Atravessar o longo corredor que separava seu quarto do restante da casa não demorou muito e logo Hashirama se encontrava no meio de um escarcéu de funcionários e de entulhos passando daqui para ali a fim de formarem algo até o final do dia. Havia a falação interrupta também, e todo aquele fuzuê alegrava seu coração de patriarca.

Caminhando rapidamente até a cozinha, entrou enfim onde queria: naquele mar de comida. Havia de tudo um pouco, e seus dedos rapidamente foram nos bolinhos em cima da mesa. Grunhindo de prazer ao morder o doce, Hashirama logo percebeu a cozinheira principal lhe fingindo pregar uma bronca. Brincando um pouco com as suas queridas funcionárias, tratou de forrar o estômago bem e foi para seu escritório.

Abrindo as portas de seu espaço pessoal, Hashimara não teve dois minutos de silêncio. As pessoas começaram a ir e vir por ali em quantidades vulgares, colocando a mente do Senju para trabalhar. Havia muitos detalhes a se resolver para que aqueles três dias parados pudessem acontecer. Era preciso organização interna e externa. Era preciso guardas tomando conta do perímetro e Hashirama queria ser justo e fazer um revezamento. E isso demandava tempo e muita comunicação.

Quando finalmente abaixou a cabeça, respirando fundo, Hashirama sentiu seu corpo pesado. O cansaço era assim, entrava sorrateiro na primeira brecha achada. Hashirama repousou seus olhos por cima das papeladas soltas, por cima do grande tonel de tinta e...

A batida na porta foi sutil e respeitosa. Somente um macho em sua casa fazia isso. Levantando-se, fez questão de abrir a porta si mesmo. Tobirama lhe sorria do outro lado, com Izuna em seu encalço. Nos braços do irmão o bebê de um ano segurava um de seus brinquedos favoritos até ver Hashirama. Ao se encontrarem, tanto adulto quanto criança abriram um sorriso estonteante e ergueram os braços em direção um do outro. O abraço foi paternal e repleto de amor.

Hashirama riu do alívio do irmão de livrar seu colo pelos próximos minutos. Estava prestes a fechar a porta quando seu olhar encontrou o de Madara. Este estava alguns passos atrás do irmão e do cunhado, e ao ficar distraído com seu sobrinho, não o notou. Sorriu para ele como sempre e gesticulou para que ele entrasse na sala também.

Madara odiava Hashirama. Odiava aquele sorriso. Odiava aqueles olhos que haviam tinido com uma luxúria descarada. Quando Hashirama lhe ergueu a mão e deu-lhe passagem, Madara captou cada nuance de sujeira vinda do Senju. E ao se acomodar na cadeira próxima da parede, esforçou-se para acreditar que o calor em seu corpo era pela raiva... Era sim.

Hashirama usou boa parte do seu auto controle para fingir que a presença de Madara não estava lhe afetando. Eles faziam isso há anos e Hashirama ainda não conseguia acostumar — brincavam de gato e rato. Hashirama sempre se sentia frustrado em tudo que era relacionado ao Uchiha. Ele sempre rebatia seus planos, sempre ia contra suas opiniões. Nunca abaixava a cabeça. E se Hashirama fosse honesto consigo mesmo, admitiria que eram justamente essas características que o faziam amar tanto Madara. E que despertavam sua ânsia de subjugá-lo.

Quando seu sobrinho se balançou, indicando querer o colo de Izuna, Hashirama despertou de seu leve torpor sexual e entregou a criança. Voltando-se para detrás de sua escrivaninha, deu uma olhada em Madara, apenas pra encontrá-lo o olhando com a mesma intensidade do outro lado da sala. Hashirama sorriu, a ira naqueles olhos sendo o combustível que precisava. Voltando-se para o irmão, começaram a debater os assuntos restantes.

Tobirma falou por aproximadamente vinte minutos. Tanto Madara quanto Hashirama se mantiveram em silêncio, a seriedade. Izuna amamentava o pequeno com a mamadeira que trouxeram pronta de casa e enquanto a voz do irmão mais novo se debulhava em informações precisas e importantes, Hashirama ouviu com atenção. Colocando seu relacionamento estranho com Madara para o fundo de sua mente por alguns instantes, e se concentrou no que era importante.

Alguns minutos depois, levantou-se.

— Deixo isso com você, irmão.

Tobirama lhe reverenciou, recolhendo os papéis que havia trazido para mostrar seu ponto de vista. Hashirama viu pelo canto do olho Madara se movimentar em direção a porta.

Quando a abriu, a família estava de costas para si, e com isso Madara pôde encarar Hashirama sem preocupação. Ao encontrar o rosto de Hashirama seu corpo se aqueceu novamente, daquele jeito que nem ele poderia negar que era sua fome por sexo. Praguejando, Madara virou o rosto, saindo do cômodo. Enquanto ia em direção ao pátio e se sentava, observando as pessoas irem e virem, sentiu aquela tão comum raiva de Hashirama.

Deus, como o odiava! E como o queria. Hashirama era tão certinho, tão querido. Sempre tão atento com tudo e com todos. Cresceram juntos em lados opostos da guerra, e durante todos esses anos Hashirama sempre lutou pela mesma coisa. E havia alcançado seu objetivo. Estavam unificados, em paz. Para Madara, olhar para Hashirama era como olhar num espelho e ver refletido nele todo seu fracasso pessoal. Ao mesmo tempo em que não era exatamente isso.

Um dos motivos para Madara odiar tanto Hashirama era porque quando ele o tocava... ele o via. Hashirama conseguia extrair tudo que havia dentro de si. Hashirama o tornava subserviente. Hashirama alcançava a violência que havia em seu coração e a usava contra si. Ele conseguia torcê-lo e colocá-lo em posições que não gostava nada.

E a cereja no topo de tudo era saber o quanto de fato curtia isso. Do quanto ansiava pelos momentos roubados, pelos momentos em que Hashirama o tomava pelos cabelos e o maltratava. Era um maldito sádico! E ainda assim, ele não o julgava. Ele dava exatamente o que Madara precisava.

Olhar para Hashirama acendia essa ojeriza dentro de Madara pelo simples fato de que toda vez que o fazia, ele precisava confrontar a verdade: de que queria mais.

Enquanto trancava a porta detrás de si, Hashirama acompanhou a conversa que Izuna havia iniciado. O bebê agora estava devidamente alimentado e trocado. Pronto para algumas horas de diversão. E Hashirama estava mais do que pronto para satisfazê-lo.

— Vocês dois. — Hashirama disse, a voz grossa contrapondo com o sorriso largo. — Me dêem esse bebê aí e vão descansar. Se acomodem no quarto de sempre.

Esticando os braços, Hashirama pegou o pequeno Uchiha. Dando as costas para os pais, o Senju foi em direção à Madara que estava sentado mais uns metros à frente. O mesmo não sentira sua presença ou realmente não o viu, pois quando o chamou pelo nome, o viu dar uma leve sobressaltada.

— Vamos brincar com seu tio mal humorado — Hashirama brincou, sentando-se perto do Uchiha que ainda mantinha sua carranca usual. — Incrível como você e Tobirama não se dão melhor. Vocês são farinha do mesmo saco.

Madara não lhe ofereceu nada além de um rolar de olhos. Então se virou para o menino e o sorriso que deu foi tão bonito que Hashirama sentiu seu coração falhar uma batida. Em seguida veio aquele sentimento tão comum em seu peito: a sensação de nunca conseguir alcançar Madara além da cama. Suspirou languidamente, o pesar em cada uma das suas células. Mas assim como veio, se foi. A conformidade de saber que a relação carnal que tinha com Madara era tudo que um dia teriam era a base dos pensamentos de Hashirama. Sem essa noção ele não conseguiria levar tudo aquilo adiante.

Hashirama se levantou e foi até a cozinha. Buscou alguns bolinhos, do mesmo tipo que havia comido de manhã, mas também foi atrás de um pouco de café e de algum pão salgado. Quando voltou, Madara brincava com o menino em seu colo. Estavam de pé, alguns metros a frente de onde estavam outrora, e Madara o segurava em frente de uma macieira. O menino tinha seus braços esticados tentando tocar uma das maçãs vermelhas e prontas para consumo que haviam penduradas no entorno de cada galho. Madara por sua vez o segurava com um dos braços, o outro estava na mesma direção, apontado para a fruta. O Uchiha segurava o sobrinho com tanto amor, o olhar estava direcionado para o menino e não havia nenhum traço de hostilidade em suas íris. Hashirama então chegou mais perto e conseguiu ouvir Madara tentando ensinar as cores e a palavra maçã pra o pequeno. Sorrindo e ignorando aquela pontada de dor em seu peito, o Senju se aproximou, oferecendo tudo que havia trazido.

Madara lhe agradeceu e os três sentaram-se debaixo da árvore, onde passaram os minutos seguintes comendo em silêncio — exceto pelo bebê, com os diversos timbres e entonações de seu gaguejo.

Aquele espaço tênue onde não falavam nada e apenas curtiam o sobrinho durou menos do que Hashirama gostaria. Quando se deu conta seu olhar já havia congelado em cima de Madara. E ele retribuía. Incrível como era sempre assim. Eles se prendiam nessa bolha onde parecia haver apenas os dois. Eles se encaravam por minutos, o brilho nos olhares indicando que queriam fazer muito mais do que olhar...

— Posso pegá-lo de volta?

O som da voz de Tobirama quebrou todo aquele momento. Ambos viraram o rosto um contra o outro. Hashirama pegou o bebê e levantou-se, sorrindo para o irmão como se nada tivesse acontecido. A expressão de Tobirama indicava que ele havia visto mais do que Hashirama gostaria, mas não havia nada se fazer, exceto fingir. Madara por sua vez afastou-se feito um raio, sumindo do ponto de vista do Senju.

— Ele comeu um pouco com nós dois, viu?!

— Sem problemas. Izuna quer dar banho e colocá-lo para dormir um pouco antes do almoço — comentou. — Já ajudamos com a estrutura do jardim também.

— Obrigado. E é bom que ele descanse mesmo — Hashirama disse, apertando as bochechas carinhosamente do menor. — Haverá muitas crianças daqui a pouco aqui pela casa, ele vai poder brincar muito.

Tobirama concordou sorrindo. Então olhou para o espaço vago causado pela ausência do Uchiha e por fim, deu uma leve fuzilada em direção ao irmão que apenas ergueu uma das sobrancelhas como se desafiasse o mais novo. Este deu de ombros e foi embora. O bebê acenou da melhor maneira que pôde para o tio que ficara para trás. Quando não pôde mais vê-los, Hashirama soltou o ar pesadamente.

Mesmo que sua secreta queda fosse descoberta por seu irmão, não via problema. Tobirama não tinha culhões para manter qualquer ameaça, além de que seria o sujo falando do mal lavado. Total. Afastou-se da macieira com a testa franzida. Sua relação com Madara não levaria a nada, e mesmo sabendo disso não conseguia parar. Estava prestes a ir em direção à cozinha, para pegar alguma coisa líquida e preferencialmente gelada quando sentiu um par de mãos agarrarem sua cintura e seus cabelos.

Felizmente, antes que fizesse algum movimento de defesa seu nariz captou a essência de Madara. Aquele cheiro tão característico penetrou suas narinas na mesma velocidade com a qual se deixava ser arremessado contra uma parede. A madeira atrás de si chiou conforme seu peso era estacionado em cima dela. Ao seu lado, a porta de papel semi transparente mostrava que ainda estavam no pátio. Apenas tinha sido levado para dentro de uma das salas privativas.

Antes que tivesse tempo para raciocinar mais além, sua boca foi atacada por um par de lábios de seda. As carnes úmidas de Madara foram para cima da sua, a língua penetrando e buscando a sua enquanto os quadris do Uchiha ondulavam em direção aos seus. Todos aqueles metros de tecido não conseguiram segurar a ereção que Madara ostentava. A dureza dele fazia força contra a pélvis de Hashirama, que não perdeu tempo. Devolveu aquela esfregada com a mesma potência. Os pênis rígidos como aço se encontrara, aqueles dois mastros prontos para o ato.

Desvencilhou-se do abraço de Madara e apertou-lhe as nádegas, fazendo-o gemer contra sua boca e a satisfação tomou seu peito. Simplesmente amava quando Madara sucumbia e lhe atacava. O que tornava tudo aquilo ao menos tolerável era que ele o desejava tanto quanto. E também havia uma maldita satisfação em saber que Madara o tinha como seu inferno pessoal.

Afinal, ele era o seu. Todo aquele amor infantil, cultivado durante a adolescência, e nunca colocado em prática, foi levado ao limite conforme atingiram a idade adulta. Hashirama permitiu-se lembrar enquanto seus lábios ainda se esfregavam com força, de como tudo aquilo começou.

Uma noite quente. Muito saquê. Estavam sozinhos há horas e quando Hashirama deu por si estava em cima de Madara, o beijava com tanto afinco quanto estava fazendo nesse instante. Madara naquele dia específico enrijeceu exatamente como estava naquele momento. Algumas coisas não mudavam.  Ainda bem, pois suas partes baixas sabiam exatamente onde tudo aquilo ia chegar. Afastando a boca, partiu o beijo e sorriu ao ver o rosto de Madara tão perto. Ele mordia o lábio, claramente sentindo as ondas de prazer.

E foi nessa brecha, enquanto o Uchiha aproveitava aquele momento tão sublime, que Hashirama pegou-lhe pelo pescoço, girando seus corpos e fazendo agora com que as costas de Madara fossem as que estavam contra a parede.

— Ah Madara — gemeu num sussurro. Seu quadril se movimentou para frente esfregando-se contra a carne do outro, a pressão sendo uma dor deliciosa no baixo ventre. — Você acha que aqui é lugar disso? — Sua língua projetou-se para a orelha mais próxima. As mãos ainda apertando aquele pescoço claro, a força não era muita, mas só a imposição daquele aperto servia como um cala boca para Madara. Lambendo-lhe o lóbulo vagarosamente, continuou: — Mas é disso que você gosta, certo? — Agora a mão livre invadia os tecidos, o toque no pênis molhado reverberou na garganta dos dois, que grunhiram quase em sinfonia. — Você é tão vulgar, Madara. Está todo molhado e eu apenas te beijei.

O silêncio e os suspiros eram tudo que Hashirama precisava para saber que ele estava adorando. E por saber disso Hashirama não fez nenhum movimento sobre sua rigidez. Estava tão pronto que gozaria em instantes e Hashirama jamais permitiria. Ele queria brincar? Pois então aguentaria as consequências. Continuou lambendo-lhe a orelha, esticando para as partes a mostra do pescoço, em seguida parou no queixo, onde mordiscou e sorriu.

— Você quer gozar? — Quando Madara concordou da melhor forma que pôde, o Senju simplesmente soltou a ereção e se afastou. Quando os olhos vermelhos e negros do Uchiha lhe encararam em confusão e fúria, Hashirama ajeitou a própria ereção e mordeu os lábios antes de dizer, o tom forte e poderoso: — Você não vai até eu dizer que sim.

O gemido de pura frustração foi como música para os ouvidos de Hashirama.

— Diga que entendeu.

Um rosnado deixou a garganta de Madara antes dele enfim sibilar:

— Sim, mestre.

E com isso Hashirama deu-lhe as costas, fechando a porta com cuidado e indo em direção aos seus afazeres. Deixar Madara daquele jeito era divertido, mesmo quando seu membro resmungava desesperado, precisando da atividade. Mas isso também era parte da diversão. A espera levava a coisas muito boas, pensou.

 

Madara não podia acreditar que estava escorado na parede, o pênis duro como pedra pendurado para fora da roupa de baixo, a respiração tão alta quanto um trator. Suas veias estavam tomadas em frustração quando enfim se mexeu. Ajeitando-se, ficou aliviado em ver que suas partes estavam amolecendo. Graças aos céus, precisava dar rápido o fora dali e recobrar sua dignidade.

Saindo da melhor forma que pôde, Madara pôs-se no modo civilizado. As pessoas começaram a chegar. O jardim estava muito bonito agora que estava pronto. A grande mesa para dezenas de pessoas estava ordenada no meio do quintal, com tendas cobrindo cada centímetro de tudo para que não pegassem sol. Ainda faltava alguns minutos para o almoço e o cheiro começara a despontar. Estava realmente gostoso e não foi surpresa quando seu estômago roncou.

Hashirama havia conseguido de novo. O colocou naquela maldita posição que tanto odiava. Mas era isso que queria, não era? Quando atentou contra o Senju, tomando controle com aquele beijo lascivo, Madara estava buscando pela inversão de papéis.

Engolindo em seco, Madara sentiu vontade de chorar. Sua auto aversão chegava a níveis astrofísicos e sabia que precisava lidar com isso em algum momento. Enquanto ia até o outro lado do jardim para sentar-se em uma das muitas redes, Madara sentiu seu coração contrair. Não queria cavar esse tipo de coisa, mas parecia impossível fugir mais.

Por que era tão bom quando Hashirama o fazia totalmente subserviente? Quando o colocava em posições vergonhosas e o fazia agonizar até estremecer e perder a conta de quantos orgasmos tivera? O que havia de tão viciante em Hashirama que Madara não conseguia se fartar? Vivia rodando e rodando e rodando... Até parar na cama do Senju outra vez. Seria a doçura dele? A contraposição disso entre quatro paredes? Talvez fosse um dos motivos.

Para qualquer um que olhasse de fora, Hashirama não faria mal a uma mosca. Exceto pelo fato de que era um assassino nato. E com isso, era capaz de violência. Olhando para o passado, talvez fosse sua culpa que Hashirama fosse assim e sua relação com ele tivesse se tornado uma dessas. O orgulho desceu torto por sua garganta enquanto engolia arrastado. O nó era totalmente psicológico, entretanto, profundamente real. Essa coisa de mestre e escravo. Nossa! Madara mal podia pronunciar em pensamento. Hashirama tinha esse poder, afinal de contas. O transformava em algo que desconhecia e era tão bom, tão libertador, que não tinha outro resultado exceto provocar tudo outra vez para então ser encurralado. E... era exatamente isso que havia feito ao beijá-lo atrás da porta.

Não havia nenhum espelho de verdade ali em sua frente, mas a sensação era de ser confrontado por um. Fechando os olhos, virou-se de lado por sobre o tecido esvoaçante, como se isso fosse fazer tudo ao seu redor sumiu. Enquanto continuava a remoer seus sentimentos, Madara percebeu que aquilo tudo nunca iria desaparecer. Só lhe restava continuar tentando lidar.

 

Do outro lado do jardim, ainda no pátio, Hashirama tinha um bebê de quase dois anos muito pesado em seu braço direito. Enquanto as pessoas iam e vinham lhe cumprimentando, o patriarca da casa fazia questão de exibir seu sobrinho e seu lar, indo checar a todo instante de que toda sua família estivesse acomodada e feliz. Havia perdido Madara de vista, mas isso teria que esperar.

Quando todos se dispersaram, Izuna chegou ao seu ponto de vista de mãos dadas com Tobirama. Enquanto via o casal se aproximar, claramente em busca de seu filho, Hashirama não conseguiu evitar pensar outra vez no Uchiha mais velho.

No final das contas havia sido uma benção que a mãe de Izuna ocultasse o verdadeiro sexo dele, pois foi isso que fez a relação dos dois homens ser possível. Não que homossexualismo entre os clãs não acontecessem, mas entre homens de poder? Completamente impossível. Espera-se dos líderes que eles se casem e façam alianças. Como a que Izuna e Tobirama fizeram pelos Senju e Uchiha. Por isso, outra vez, o segredo do mais novo havia sido um grande fortúnio.

Eles enfim chegaram à sua frente. Antes de Izuna esticar os braços para receber seu bebê, Hashirama pôde ver que Tobirama havia sutilmente lhe dado um beijo na orelha, e falado algo que fez Izuna sorrir. Um sorriso que não tinha nada a ver com o filho em sua frente.

Hashirama ficou momentaneamente chocado consigo mesmo, pois apesar de já ter remoído por horas em cima da teoria, apenas ali, naquele instante, foi que percebeu que ele e Madara jamais teriam aquilo. Entregando a criança e conversando sobre algo que nem sequer ouviu, o Senju viu ao longe a mesa sendo posta, as comidas arrumadas uma ao lado da outra. Quando deu por si já estava sentado em seu lugar, servindo-se de um pedaço de carne.

A mesa era um grande retângulo e ninguém se sentava nas extremidades. Todos se sentavam lado a lado, começando por Hashirama, o líder Senju. Ao seu lado era o assento de Madara. O líder dos Uchiha. Do outro lado da mesa, de frente para os dois, os segundos no comando dos clãs, vulgo Izuna e Tobirama. E assim se fazia o resto da mesa.

O lugar de Madara estava vazio ainda, e ele se aproveitou disso para comer em paz, afinal, do momento que o corpo do Uchiha ficasse tão próximo ao seu, sentindo seu cheiro, ouvindo sua voz, tudo ficaria mais difícil.

Hashirama estava no meio do prato quando começou a olhar para todos ao seu redor. As famílias haviam crescido consideravelmente após o cessar das eras de destruição e preocupação contínua. Ainda havia, claro, mas eles estavam todos unidos agora. Eram muitos, e por isso, fortes. Havia um certo orgulho em ter presenciado o acordo de seus pais no passado, e de agora que não estavam mais ali, de estar liderando e mantendo tudo aquilo. Hashirama sabia como havia sido difícil antigamente e por isso ao passar os olhos por cada um dos rostos sorridentes ali, seu coração bateu mais forte em alívio e felicidade.

Dois sentimentos tão bons, tão... E então Madara apareceu. Rapidamente tudo que sentia foi tingindo por uma ansiedade, temor e claro, luxúria. Continuou comendo, nem sequer cumprimentou quando Madara sentou-se ao seu lado. Pela visão periférica, conseguiu ver tudo: ele projetando os braços pra frente, servindo-se de quase as mesmas coisas que si. Dele voltando e ajeitando os panos da roupa. Dele pegando um pedaço da carne com dois dedos e enfiando na boca, de uma gota do sulco escorrendo pelo lábio inferior.

Grunhindo, fechou os olhos. Concentrou-se no sabor da própria comida. No sabor que a carne servida tinha dentro de sua boca... No sabor que a carne teria naqueles lábios fartos, contra aquela língua... Opa. Alerta de ereção. Amaldiçoando-se, praguejou vários palavrões ao tentar prestar atenção no que Tobirama falava. Alguma coisa tinha sido perguntada para alguém e tinha a leve impressão que fora consigo. Sorrindo como sempre, fez alguma piada, arrancando risos do restante da mesa, e apesar de nem sequer saber o que falara, estava aliviado por ter dispersado a atenção sobre si. Atacou o restante da comida como se ali fosse o único lugar para extravasar suas frustrações.

 

Madara havia caído no sono afinal de contas. Seu cérebro enfim desligado daquele monte de sentimentos estranhos. Quando abriu os olhos não ouviu nada. Por isso, curvando-se sobre a rede, olhou para o jardim e viu que já estavam todos almoçando. Levantou-se devagar, não havia pressa para ir até lá. A comida de fato não acabaria tão cedo, ainda era por volta das duas da tarde, os eventos iriam até o início da madrugada.

Atravessou o jardim, voltando ao pátio principal. Foi até um dos banheiros próximos e se aliviou. Após lavar as mãos e o rosto, sentiu-se fresco e a fome o arrebatou. Então era hora de ir até a grande mesa. Uma grande droga que teria de sentar ao lado de Hashirama. Ou talvez não fosse de todo ruim assim. Essa relação que mantinham só existia porque Hashirama gostava tanto quanto. Hashirama o possuía e o torturava porque sentia algo. E era hora de usar isso contra ele.

            Sentando-se no local correto, Madara não falou nada com ninguém — como era de praxe. Franziu o nariz para o sobrinho, lhe arrancando um sorriso sem dentes, o que fez um próprio querer brotar em seus lábios sérios. Não deixou e logo voltou a concentrar-se na mesa, sempre olhando Hashirama pelos cantos dos olhos.

            Enquanto se servia, percebeu que estava de fato faminto ao colocar a carne, as batatas, então as cenouras. Serviu-se de uma tigela de arroz, e então foi a vez das... Parando de súbito, seu rosto encontrou o de Hashirama retorcido em uma espécie de agonia e excitação. Madara conhecia aquela expressão melhor do que gostaria e ao vê-la outra vez seu corpo se aqueceu, o calor bem vindo subindo desde os dedos dos pés e se alojando em suas bolas, retesando-se em um típico caso de tesão reprimido.

            Quando a onda de luxúria passou, Madara sentiu o calor se transformar em um abraço gostoso ao redor de seu ego. Hashirama estava provavelmente duro por debaixo da mesa, sua mente deveria estar tomada de imagens dos dois fazendo todo tipo de perversões. Sorrindo em uma alegria silenciosa, trouxe o primeiro pedaço de carne até sua boca.

O molho escorregava pelos seus dedos e por seus lábios que não conseguiram conter tal fluidez. Lambendo os dedos vagarosamente, demorou sua língua na ponta, e mesmo sem manter qualquer contato visual com o Senju, Madara sabia que sua isca havia sido mordida. O grunhido baixo foi captado por seus ouvidos, já que estavam tão perto, e aquilo aumentou sua necessidade de fazê-lo provar de seu veneno.

            Hashirama sempre tinha o poder por cima de si, mas isso não significava que Madara não poderia fazer sua jogada. A pequena voz em sua cabeça lhe pedia apenas isso: explore o fato de que ele lhe deseja. O deixe com mais desejo. Faça-o sentir um pouco do que ele faz com você. O faça submergir em prazer.

            Estava a ponto de fazer outro movimento quando seu estômago roncou mais uma vez. Certo, a comida primeiro. Prestando atenção nas conversas ao seu redor, Madara comeu no seu ritmo. Já estava quase terminando quando viu Hashirama se levantar e se servir de alguma coisa que não conseguiu captar, pois ao senti-lo roçar em seu corpo, mesmo que levemente, precisou fechar os olhos e se concentrar.

Ah droga. Hashirama o deixava cego apenas com isso. Ao invés de se questionar pela milésima vez como ele conseguia, Madara resolveu agir. Quando o Senju sentou-se de novo, o Uchiha sentiu uma urgência crescer em seu estômago e se espalhar pelo corpo inteiro, até na pontinha dos pés. Uma necessidade de tocá-lo. Mesmo sabendo que o local não era apropriado.

Na verdade o âmago daquela vontade era justamente esse. Era proibido. Como a relação deles. Era perigoso. Como a relação deles. Era vulgar. Exatamente como eles. E Hashirama não lhe retaliaria ali, ele não poderia. Estavam em público, no meio da mesa do almoço. Sorrindo, Madara só conseguia pensar que uma pequena provocação não mataria ninguém, e sendo assim, quando Hashirama estava prestes a levar um pedaço de pão até a própria boca, Madara esticou a mão por debaixo da toalha de mesa, e o que encontrou foi exatamente o que procurava.

            Hashirama precisou de muito auto domínio para não gemer. Quando a mão de Madara apertou seu pênis, o mesmo triplicou de tamanho, o sangue correndo para a ponta tão rápido que lhe faltou fôlego. A carne pulsante foi acariciada debaixo para cima através do tecido que lhe cobria e Hashirama ondulou os quadris. Respirando fundo, como se o mundo fosse acabar, o Senju sequer meneou a cabeça para o lado. Não encararia Madara ali. Merda, Tobirama estava na sua frente e se ele achasse qualquer movimento suspeito as coisas ficariam feias muito rápido. Fingiu remover o pão do caminho inicial para apenas molhá-lo em mais molho, quando na verdade foi para se ajeitar. Sorrindo para quem quer que tenha falado, Hashirama ajeitou a coluna, mastigando com dificuldade.

            Madara estava usando uma roupa com muitas camadas, o que lhe permitia não causar qualquer movimento suspeito, parecia apenas que sua mão estava parada. Quando esta beliscou-lhe a base, seu pênis pulsou, um orgasmo ameaçando lhe atravessar feito um raio. Mas como sempre, Hashirama tomou controle de seu próprio corpo. E ao fazer isso, bebeu um bom gole do vinho e então baixou uma das mãos.

            Quando encontrou o pulso de Madara, seus dedos travaram através daquele pedaço de pele e osso e apertou com força. A dor era real e podia ouvir Madara sibilar, os olhos demonstrando o pequeno susto, mas logo estavam normais outra vez. Acariciou-lhe como forma de acalmá-lo e então o torceu para o outro lado. Quando Madara curvou-se, Hashirama pegou mais vinho com a mão livre e respondeu algo que lhe fora perguntado.

            Ao ver o Uchiha se recompor, Hashirama estava furioso e excitado. A audácia de Madara sempre lhe regozijava. Ele nunca perdia a graça. E este ato embaixo da mesa foi um tanto inusitado. Apreciou solenemente. Mas não a ponto de deixá-lo se divertir muito. Isso jamais. Nem sequer precisava olhá-lo nos olhos para saber que ele estava atingindo aquele espaço etéreo onde a dor e o prazer se misturavam. E por isso, aproximando-se o mais sutil que conseguiu, Hashirama soltou-lhe os pulsos, e seus dedos ageis foram para onde teria acesso ao local que na realidade queria estar colocando a boca. Mas, agora, se contentaria com as mãos.

     Madara precisou fechar os olhos quando os dedos mornos de Hashirama envolveram seu pau. O maldito tremia tanto que descolaria do resto se continuasse assim. Após a pequena dose de entorpecência, Madara olhou para Hashirama em puro desespero ao mesmo tempo em que empurrava a mão dele para longe. Quando o Senju soltou-lhe a rigidez, Madara suspirou aliviado. Erroneamente, pois Hashirama migrou para seus testículos, onde lhe apertou e torceu. Puxando o ar em uma agonia silenciosa, Madara odiou-se quando a cabeça de seu pênis gotejou. Madara pôde ouvir a risada torta de satisfação que vinha de Hashirama e apesar do desgosto em seu cérebro, seu corpo amaciou-se ainda mais, seu cerne se abrindo, pronto para tudo que ele poderia lhe dar.

            Mas isso também durou pouco. Quando as mãos de Hashirama se fecharam com brutalidade ao redor de todo o falo e começou a subir com força e velocidade, Madara encontrou-se preocupado e confuso. Os picos de prazer lhe revolvendo como uma névoa agridoce. Suas mãos tremiam conforme tentava segurar quaisquer sons e enquanto tentava remexer em seu prato como se fosse comer algo. No fim, elas pararam ao redor do cálice ainda cheio. O toque da palma quente criava uma fricção ridícula e maravilhosa ao seu entorno, quando de repente a rapidez parou, os dedos dedilharam por suas bolas outra vez, acariciando-as com uma delicadeza nada típica. E então rumaram para a ponta, o indicador de Hashirama espalhando seu líquido por toda a circunferência numa carícia deliciosamente carin... Quando a unha se fincou contra àquela parte sensível a vista de Madara escureceu por completo. O maxilar trincou-se tão forte que ouvira seus dentes baterem um contra os outros. Hashirama riu outra vez, mas soltou-lhe e permitiu que o sangue fluísse outra vez, e com ele a endorfina e a adrenalina se misturando causando aquela onda deliciosa que vinha apenas através dessas pequenas torturas.

Foi somente quando sua mente voltou ao normal que Madara se deu conta do que estava acontecendo. Hashirama estava levando aquela provocação ao extremo. Estava indo para uma direção completamente diferente do que havia querido.

Era apenas para ser uma esfregada, uma constatação de que ele o desejava ardentemente. Projetou uma de suas mãos apressadamente para cima da dele, segurando-lhe e chamando sua atenção. Virando o rosto, tentou se expressar, de forma muda, que aquilo era errado e estava saindo do controle. Hashirama deu de ombros e continuou, com a velocidade mais forte agora. Madara sentiu-se perplexo mesmo enquanto tinha ciência de estar perdendo suas faculdades outra vez. O formigamento que vinha antes de um orgasmo havia começado a aparecer, e ele precisou se prender à parte mais sã que ainda havia em seu cérebro inebriado para não fazer qualquer som e nem se mexer. 

            O choro de uma criança cortou-lhe do torpor. E ao abrir os olhos outra vez e encontrar o sobrinho no colo de Tobirama chorando como se sentisse dor, que realizou pra valer a seriedade da situação. Qualquer passo em falso e seriam linchados. Izuna virou-se de costas, pegando a grande bolsa de bebê e procurando algo com pressa enquanto Tobirama se levantava e ninava a criança, tentando distraí-la com as flores e animais às suas costas.

    Ao sentir outro apertão contra sua rigidez, Madara olhou emburrado para Hashirama e percebeu que ele não ia parar. A constatação veio um milésimo de segundo antes de tudo que ele achou que estava se sentindo se intensificar. E o fato de que Hashirama se aproveitou da distração de todos para curvar-se para o lado e alcançar-lhe os testículos com uma mão e continuar segurando o pênis com a outra foi mais um motivo para Madara permanecer atônito.

            O prazer agora era ácido, formigando todo seu corpo, começando a se reunir em um ponto específico. Todos os seus sentidos apagando conforme a fricção crescia e o aperto em suas partes aumentavam. Sua garganta estava tão seca que engolir por reflexo já doía, suas unhas estavam fincadas contra a madeira, a força era tanta que podia sentir as lascas se abrindo sobre suas digitais. A voz estagnada na garganta por forças externas era uma pressão ensurdecedora. Madara estava no limiar do desejo. Iria explodir.

            Tudo que precisava era de mais um pouco e... Virando levemente o rosto, abriu os olhos apenas para dar de encontro com Hashirama o encarando. Então o sorriso que se abriu naqueles lábios rosados era tão malicioso, tão cheio de indecência, que somado aos apertos e a fricção ao redor de seu pênis foi o estopim. Arregalando os olhos em o desespero mais puro, Madara não pôde acreditar que estava gozando.

            Hashirama agora sorria de verdade. Um sorriso de satisfação; e isso só intensificou as ondas que domavam seu pênis. Seu gozo jorrando sem dó por debaixo dos panos. Quando seus ouvidos voltaram a emitir sons e seus olhos a não enxergar tudo borrado, Madara olhou outra vez para Hashirama. Este havia soltado sua ereção e conversava com alguém como se nada tivesse acontecido. A maioria já havia começado a se dispersar, inclusive seu irmão e seu cunhado. Sorveu do vinho em sua frente, o líquido quente descendo por sua garganta era desagradável o suficiente para fazê-lo sentir-se vivo outra vez, apesar de suas pernas ainda tremerem muito.

            O Senju levantou-se, despediu-se momentaneamente de uma meia dúzia e quando estava prestes a ir embora, sussurrou lhe ao pé do ouvido:

— Você vê o que acontece quando me provoca? — Colocou a mão em seus ombros como se fosse um ato cavalheiro, mas tudo era apenas teatral. O aperto era firme o suficiente para doer e reverberar por seu corpo fragilizado. — Você paga o preço.

            Quando finalmente conseguiu se sustentar em pé, Madara foi o mais rápido que pôde para seu quarto. O dia ainda estava na metade, e de uma coisa era certa. Nunca mais duvidaria de Hashirama. Enquanto se banhava afim de lavar os vestígios de outrora, Madara pegou-se pensando em qual seria sua próxima provocação.


Notas Finais


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