História Olá, Jeongguk (jikook) - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Park Jimin (Jimin)
Tags Bts, Darkfic, Jikook, Jimin, Jungkook, Kookmin
Visualizações 51
Palavras 2.374
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


oi, eu tava com essa one shot guardada e lembrei dela no meio do banho, resolvi postar

só pra lembrar mesmo assim um pequeno lembrete nada demais: nADA DISSO É REAL, É TUDO A MAIS PURA F I C Ç Ã O, ok?

obrigada por entrar em "olá, jeonguuk" e tenha uma boa leitura :D

Capítulo 1 - Com amor, Park Jimin


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Olá, Jeongguk

Acho que é impossível medir a inutilidade dessa carta, mas não tem nada de errado com coisas inúteis, não é mesmo? Digo, o único perdendo tempo com isso sou eu, então que satisfações eu devo? Exato, nenhuma, então aqui estou eu. Na verdade, nem sei bem o que colocar aqui, eu só estive fazendo um monólogo interior nas últimas horas e pensei em como eu te devia algumas palavras depois de tudo.

Sabe, neném... As cores mais tristes sempre me foram as mais alegres.

Os dias mais feios sempre me pareceram os mais bonitos.

Os sentimentos mais dolorosos sempre me pareceram os mais prazerosos.

Você sabia como eu era. E dizia gostar desse meu lado, eu não duvidava. Você era diferente, Jeongguk. Estranho. Para eles e para mim. Entende, um meio termo que por alguma razão eu aceitei. 

Você sabia como eu via beleza no lado do qual todos fogem. Sabia o efeito que um bom masoquismo psicológico tem em mim. Você sabia como o meu prazer de viver é morrer, como eu me sinto vivo quando estou afundando. 

Você sabia que a tristeza é a beleza para mim. 

Você sabia como tudo o que pode me destruir é o que mais me atrai.

Você sabia como eu amo me destruir.

Nunca entendi o porquê de você ter criado certa fascinação comigo. Eu poderia ser objeto de fascínio de alguém? Nunca engoli isso. Mas porra, você era insistente, Jeongguk. Sempre que me via deitado no gramado do colégio, lá estava você atrás de mim. Aquele lugar continua sendo meu lugar favorito, por alguma razão. 

Eu gostava de deitar lá, colocar meus fones e deixar a fumaça dos cigarros nublarem um pouco o Sol. Até então, a nicotina e quaisquer vozes que estivessem cantando nos meus ouvidos eram minhas companhias, as únicas que eu queria ou precisava.

Tem noção do susto que levei quando você surgiu do nada e decidiu deitar do meu lado?

Eu lembro bem. Era um dia de chuva, um muito bonito inclusive. Eu estava usando a minha mochila como travesseiro e acomodado debaixo de uma árvore, alguns pingos gelados ainda caíam em mim por entre a folhagem. A fumaça parecia mais densa naquele dia, a quentura do cigarro parecia mais acolhedora. 

Então você apareceu todo molhado, dos pés a cabeça, e sentou debaixo da árvore junto comigo. 

E ainda teve a porra da audácia de reclamar que eu estava fumando! Quem tinha invadido o espaço de quem?

Sinceramente, eu tive vontade de chutar sua cara naquela hora e te jogar de volta na chuva. Você nem devia ter aparecido pra início de conversa, era pra estar na sala de aula assistindo os malditos discursos sobre política da senhora Jung, quem vez ou outra dava a aula de química que o cronograma dela exigia.

Mas eu estava confortável demais pra me incomodar. Então decidi só soprar a fumaça da próxima tragada na sua cara. Você lembra de como ficou com isso? Eu lembro, porque foi muito engraçado te ver puto. A sua voz ficou tão alta quando começou a me xingar a ponto de ultrapassar a música que eu estava ouvindo, tem noção disso?

Foi hilário.

E mesmo assim você ainda continuou lá, debaixo da árvore comigo. Claro, estava chovendo horrores e eu não te culpo se estivesse enrolando pra poder faltar à aula da Jung, ninguém aguenta aquela mulher. Pelo menos, acho que foram essas as suas motivações na primeira meia hora de contato. Depois, você começou a querer puxar conversa comigo. A primeira de muitas.

Pra quê?

Você nunca me contou direito. Aliás, eu nunca perguntei direito. Como eu disse, você era estranho, Jeongguk. Estranho porque você sustentava toda aquela pose de bom moço, futuro homem de família e esses caralhos, mas ficava atraído por mim. Eu sei que dizem que os opostos se atraem, mas nosso caso chegava a ser ridículo. 

O que você via nos meus olhos vermelhos? Nos meus olhos fundos? O que você tanto via no meu sorriso que eu mesmo nunca via? O que você tanto via na minha voz, na minha pele, no meu corpo, em mim?

Você dizia que gostava dos meus lábios. Eu gostava de quando você os maltratava com os seus beijos. Você dizia que gostava das nossas transas. Ah, Jeongguk, Jeongguk... Estranho como sempre. Mas não posso mentir, eu amava quando toda aquela sua máscara caía. Você podia se parecer com um mocinho saído diretamente de uma série americana da Netflix como todos os outros, mas você sabia entrar no meu jogo quando queria. Sei que você sabia como eu amava. 

Eu via seu sorriso entre as lágrimas que saíam dos meus olhos quando eu me engasgava com o seu pau ou os gemidos de satisfação que você dava quando acertava suas mãos pesadas na minha bunda. Pelo menos nesse ponto nós nos entendíamos bem. Você dizia achar atraente quando me via destruído, afundado em alguma fossa, afogado em fumaça, álcool, nicotina e até sangue. Mas nunca se juntava a mim, claro. Você era um entusiasta, só isso.

Mas não quando se tratava de me foder com tanta força a ponto de me fazer chorar ou deixar meu corpo cheio de marcas. Nesse ponto, você fazia questão de ser o responsável pelos meus gritos, fazia questão de que fosse a sua mão em volta do meu pescoço enquanto metia em mim de novo e de novo e de novo. 

"Eu sei que você gosta quando eu te fodo como a vadia que você é", era o que você me dizia. E é, parabéns, Sherlock, eu gostava mesmo. Inclusive, ainda me masturbo muito pensando em quando era você fazendo isso ou no seu pau fodendo minha boca. Então é, eu gostava.

Sabe do que mais eu gostava? Nossas conversas. Eu sei, um tópico completamente diferente, mas qual é, nós tivemos outros momentos além de sexo. 

Eu não falava muito, mas gostava de te ouvir. Sabe, saber como outras pessoas veem o mundo. Como toda esse bagunça era aos seus olhos. Você me dizia gostar dos dias de Sol e eu ria da sua cara. Também ri da sua cara quando você me confessou gostar de coelhinhos e biscoitos caseiros em forma de bichinhos. Mas eu te ouvia, porque... Não sei. Eu gostava de ouvir sua voz. Havia alguma coisa nela que fazia eu me arrepiar ao mesmo tempo que me acalmava. Não me trazia exatamente paz, mas me trazia o suficiente pra me fazer querer deitar na cama e fechar os olhos, ouvindo as palavras que saiam da sua boca.

Você também me levava para sair. Lembra de quando você me levou para uma sessão no teatro? Eu lembro. Entrei no seu carro e quase não saímos da porta da minha casa, porque você começou a tocar minha coxa com as suas mãos quentes, dizendo alguma coisa sobre como aquela calça ficava bem em mim. E quando eu vi, já estava rebolando no seu colo com você me masturbando.

E eu tive que voltar pra casa e trocar de blusa, porque enchi a que eu estava usando de porra. E nós fomos pra bendito teatro. E eu dormi na metade da sessão. 

Não me arrependo.

Você também me levou pro quintal da sua casa naquele dia. Passamos num mercadinho e compramos todas as garrafas que encontramos no caminho. Eu nunca tinha tomado um porre como aquele, mas também não me arrependo. Obviamente eu não lembro bem do que aconteceu, mas alguns flashes trazem a memória da sua risada e algumas estrelas acima de nós, testemunhando a imbecilidade das nossas conversas sem sentido.

E no dia seguinte, era o céu nublado testemunhando o carinho que você fazia no meu cabelo bagunçado enquanto me abraçava forte contra o seu corpo, os dois ainda deitados no quintal depois de ter passado a noite por ali mesmo.

Acho que eu comecei a sentir algo por você. Sim, acho que foi isso. Eu posso não entender muito de amor, paixão e essas merdas, mas eu tenho certeza que algumas das coisas que eu sentia faziam parte da lista de sintomas. Entende, um pouco de taquicardia quando você aparecia, ou uma vontade latente de te tocar sem malícia em alguns momentos, ou ainda lembrar do seu sorriso quando fechava os olhos.

Era bizarro.

E eu não sabia bem como lidar com tudo aquilo. 

Eu nem precisava de tudo aquilo. Estava bem sem alguém ocupando meus pensamentos e me fazendo ver beleza também em coelhinhos felpudos. 

Eu juro, Jeongguk, era demais pra mim.

Ou talvez, era pouco.

Sim, o termo certo é esse: pouco. 

Veja bem, o nosso sentimento era bonito. Havia o toque, havia você por perto. Havia a sua voz, havia a sua estranheza, havia momentos. Mas era pouco pra mim. Entende? Apesar de sentir algo, você se tornou monótono. Tudo aquilo que estava acontecendo entre nós tinha sido legal nos primeiros meses, deixar você me foder como quisesse e onde quisesse, ouvir você me dizer o quanto eu era lindo fosse chapado ou sóbrio e até entrar um pouco no seu mundinho de falso cidadão exemplar.

Mas tudo se torna monótono uma hora. E você se tornou monótono. 

O problema é que eu ainda queria você, Jeon. Eu tinha descoberto algo novo e basicamente uma guerra estava sendo travada dentro de mim. Eu não precisava de você, mas eu queria prolongar aquelas sensações. Era divertido em certo ponto. 

Bom, não dizem que todo casal precisa de algo pra "apimentar" a relação? Não que fossemos um casal, mas seja lá em qual categoria nós nos enquadrássemos, "apimentar" — que patético — era válido.

E você me conhecia, neném.

Os sentimentos mais dolorosos sempre são os mais prazerosos.  

O nosso sentimento era bonito.

Mas ele podia ficar ainda mais.

E olhe só pra mim agora, eu estou afogado na versão mais bela que ele jamais poderia assumir. 

 

Espero que não esteja bravo comigo. A morte não é uma coisa tão ruim assim, pelo menos não para quem se foi. Eu estou sentindo sua falta, Jeongguk. Sua falta está doendo. Eu sinto a dor de não ter mais o toque, não ter mais você por perto. Não ter mais a sua voz, não ter mais a sua estranheza, não ter mais momentos.

E essa dor é que deixa tudo mais interessante.

Também espero que você não tenha ido para o céu. Nada pessoal, mas eu quero te encontrar de novo. Quero te sentir de novo. Não sei se você fez algo tão ruim em vida pra merecer ir para o inferno... Hum, quem sabe o fato de você ter sido gay te mande pra lá, acho que eu posso tomar partido dos héteros babacas que dizem isso. Só pra esse caso. Porque  bom, nós dois já sabemos que depois de ter dado aquele tiro na sua cabeça, eu não vou colocar nem os pés no céu. Então nos vemos no inferno, neném.

 

Com amor,

Park Jimin

 

»»————-  ————-««

 

A noite era amena. Nem fria, nem quente. Um meio termo broxante. 

Jimin terminava de ler a carta escrita a mão pelo próprio e sorria por vezes. Relia cada uma de suas palavras enquanto brincava com um isqueiro na outra mão, acendendo e apagando. Acendendo e apagando, lançando sombras por seu rosto e suprimindo-as.

Ele ainda não sabia bem por que tinha feito aquilo. Como tinha escrito no primeiro parágrafo, era mais um monólogo interior, uma explicação dele para ele mesmo a fim de tentar justificar suas decisões egoístas para manter seus desejos masoquistas.

Jimin realmente tinha gostado de Jeongguk. Do jeito dele, mas tinha. E foi esse sentimento que o levou a matá-lo. 

A dor do luto era o prazer que Park queria. Acreditava já ter experimentado tudo o que Jeon poderia ter oferecido a ele em vida, todos as variáveis de excitação e quaisquer que fossem as coisas que um relacionamento deveria trazer. Então o garoto com o isqueiro na mão teve de recorrer ao último recurso para manter aquela chama, criada dentro dele, acesa (e mais forte do que nunca). E o último recurso era a dor da falta. 

Era hora de experimentar o que Jeon poderia lhe oferecer morto.

Matá-lo tinha sido um ato de amor, certo?

E sim, machucava. Machucava de uma forma tão boa que Jimin queria gritar. Com a carta nas mãos, ele fechava os olhos e se recordava de todos os momentos passados com Jeongguk... Tinham sido tão bons. A presença dele fora tão boa, o calor dele fora tão bom. Tudo nele fora bom. Tudo a sua mercê.

Não mais. Essa falta cortava, dilacerava Jimin por dentro.

Mas isso também era bom. Até nisso Jeon era bom.

O garoto de cabelos escuros voltou a passar os olhos pela carta. Leu aquelas linhas escritas num momento de reflexão pela última vez e suspirou. 

Ah, as coisas que não somos obrigados a fazer...

Park tornou a acender o isqueiro e, devagar, levou a chama à ponta do papel, até que este entrasse em combustão. E ele queimou... Aos poucos, foi sendo consumido, resumido a cinzas ante o fogo que devorava letras, tinta e sentimentos distorcidos. Jimin ficou ali, observando aquela pequena destruição com os olhinhos brilhantes até deixar o papel flamejante cair no chão, sobre a terra remexida. Uma modesta cova cavada por ele para quem tinha lhe feito tanto bem.

Suspirou e enfiou as mãos nos bolsos do casaco de couro. Permaneceu observando até que o que havia escrito não passasse de um mínimo montante de pó enegrecido em meio aos grãos de terra. 

Olhou em volta e, como esperava, não viu ninguém. A estrada estava vazia e mergulhada na penumbra, iluminada por postes de luz aqui e ali. Isso agradava o Park. Ninguém tinha a necessidade de testemunhar aquela cena íntima que envolvia seu último ato de devoção. Suspirou novamente e voltou-se para o chão abaixo de seus pés:

— Descanse em paz, amor.

 

Com um sorriso no rosto, dirigiu-se ao seu carro estacionado no acostamento da estrada. Jeongguk ficaria sempre bem acomodado em seu coração ou o que quer que fosse que Jimin tivesse no peito, sempre o futucando com as lembranças.

Sim, Jeon ficaria bem acomodado ali.

E claro, também debaixo de sete palmos de terra.


Notas Finais


ei, obrigada por ter lido :D

eu sabia o que tava fazendo quando escrevi isso? não, mas eu gostei, então k espero que tenha gostado também

é isso, view em epiphany e não matem pessoas


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