História Old Blood (Rivamika) - Capítulo 5


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Categorias Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)
Personagens Levi Ackerman "Rivaille", Mikasa Ackerman
Tags Rivamika
Visualizações 34
Palavras 1.345
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Cinco


Mikasa acordou no fim da tarde de agosto sem saber se era o entardecer ou uma ilusão óptica de que o Sol estava caindo.

Não era o Sol, era uma vela bem perto de seu rosto.

Não estava enganada sobre o que houve, alguém a salvou da prisão, ela tentou lhe atingir na cabeça, lembrava de tentar correr para a floresta, mas se sentiu cercada e abafada, comprimida dentro da coluna de fogo e não lembrava de mais nada.

Sentou na cama e enxergou a luz que tremeluzia na chama, não gostava de fogo. Ela soprou a vela olhando ao redor, o cheiro de cinzas impregnado em seus dedos rastejando pelas suas vias respiratórias. Saiu da cama correndo para a porta, escondeu-se atrás do carvalho quando ouviu o som de passos e uma voz se aproximando. Olhando pela fresta, viu uma moça passando com uma bacia na mão, panos nos ombros.

Ela entrou no quarto cantarolando, Mikasa prendeu a respiração e esperou que a moça estivesse completamente em sua posse para bater a porta deixando as duas na escuridão completa. Houve a tentativa de um grito no escuro e a moça caiu no chão fazendo um barulho alto que doeu nos seus ouvidos, Mikasa soltou seu corpo aos poucos e abriu a porta, saindo lentamente para o corredor longo e mal iluminado. Havia sombras entre os intervalos de luminárias nas paredes, longos corpos de sombras se alongando pelo chão e pelas paredes, um silêncio absoluto.

Seguiu pelo caminho analisando os corredores, eles se dividiam como um labirinto apertado, correndo descalça sentia o frio eletrizante antes mesmo de encostar no chão, e parou vendo o corredor se dividir em várias portas, seis de cada lado, e uma curva no final.

Seguiu à diante parando para checar se o caminho estava livre, nenhum sinal de qualquer alma viva ou morta ao redor, nenhuma voz, nem mesmo a sensação de uma presença escondida. Pela primeira vez, ela não os ouvia.

Tocou nas paredes, era como tocar um cadáver, talvez fosse a época gelada chegando, as pedras ficam frias, Mikasa gostava de se fundir a rocha e fechar os olhos, dormir, era fácil dormir no frio, o calor do seu corpo oscilava como uma chama prestes a apagar, às vezes era difícil acordar, mas às vezes sentia todos os ossos do corpo doendo.

As vozes diziam que a época gelada mata porque o frio penetra a carne e o osso. Mikasa dormia, mas ela acordava, ela via pessoas morrerem, sua carne tremia por dentro, mas não morria. Ela continuava. Rígida como uma pedra edificada na montanha.

Aquele corredor foi mais longo, pensou que ele nunca fosse acabar e desceu três degraus se deparando com um salão amplo, pouco iluminado, o telhado era bem amplo e o lustre sustentava uma coleção de velas. Parecia uma cripta, vazio, escuro e cheio de velas, mas começou a perceber algumas estatuetas brancas de pessoas assustadas nos caminhos que levavam aos outros corredores.

O que realmente chamou sua atenção foi o homem.

Ele estava no meio do salão, sentado em uma poltrona escura diante do fogo, usando roupas sociais, as mangas brancas soltas nos punhos e a palma esquerda abaixo da direita em seu colo. Imóvel. Ele não estava morto, mas havia uma coisa diferente nele, ela percebeu, que a luz dele era mais densa e intensa, diferente de qualquer luz que ela tenha visto antes.

Recuou, tentando fugir, e seu coração disparou ao perceber o homem vindo na mesma direção. Havia uma coisa interessante sobre os vivos, eles tinham a mesma luz, pálida e cintilante como o brilho de uma estrela. Mas aquele, ela via a forma, mas não via cor, não via nada. Ele parecia uma caixa vazia.

Pela primeira vez, Mikasa estava diante de uma escuridão mais tangível que sua luz preta.

Levando a mão ao peito, o Duplo recuou sorrindo. Da última vez ela quase lhe partiu a cabeça e se seus instintos estavam corretos, Sasha teria um incômodo parecido quando acordasse.

- Boa noite. – ele disse tomando uma distância segura e Levi levantou do outro lado encurralando Mikasa, mas não tinha intenção de soar ameaçador.

A moça o olhava fixamente, Levi não esperava que ela falasse alguma coisa. Algo lhe dizia que iria levar algum tempo até ela se sentir a vontade para falar.

Ele apenas não sabia como ser receptivo.

- Nós somos Levi. – o Duplo disse e Levi nunca iria se acostumar com isso.

Ela olhou para os dois, tentou recuar mais, Levi lhe deu mais espaço. Ele era acostumado a dominar pela força, mas sabia que um embate de forças entre eles acabaria de uma forma ruim e ele não tinha intenção de subjugar uma pessoa que esteve presa a vida inteira.

- Você não é uma prisioneira aqui, pode ir a hora que quiser, mas está nevando lá fora. De alguma forma, você conseguiu me chamar, eu não sei exatamente como, mas...

Ela parecia confusa, sem saber para quem olhar, Levi compreendia quão perturbador poderia ser.

- Mas é melhor não ir, é possível que estejam procurando por você. A menos que prefira voltar para a prisão.

Sua expressão mudou rapidamente para uma faceta quase inexpressiva.

- Aqui vai ter comida, um lugar para dormir, segurança e conforto. - o Duplo contava nos dedos e sorriu modesto. – E eu, é claro.

- Você está com fome? Pode tomar banho se quiser, Petra vai ajudá-la no que precisar.

Como ela ficava calada, Levi achou melhor não pressioná-lo. Ela olhava de um para o outro como se estivesse procurando alguma coisa, e ele percebeu, depois de algum tempo, que Mikasa começou a evitar olhar para o Duplo. Ele gostaria de saber o que ela via nele, se via alguma coisa além do jovem arrumado e bem vestido.

- Pode fazer e pegar o que quiser. – ele disse lhe dando espaço. – Alguém vai levar comida no seu quarto.

Ele deu de ombros e começou a ir embora tentando encorajar a moça antes de sair. Ela ficou parada no lugar até o Duplo se mexer lhe dando passagem, e ela voltou pelo corredor.

- O que acha que ela vai fazer?

- Vai andar. Conhecer o castelo.

- E se fugir?

- Se fugir... – Levi enfiou as mãos nos bolsos, algo nele lhe dizia que ela não faria isso. – Se fugir, ela mesma vai voltar.

- Como sabe?

- Ela me procurou, ela quer alguma coisa.

- Pode ter sido inconsciente, Levi, e sabe que tem lugares que ela não pode ir.

Levi sorriu o olhando de canto.

- Ela não vai fazer nada se não mexer com ela, se é esse seu medo.

Ele percebeu que deixou o Duplo engasgado e tentando argumentar, provavelmente soar cínico sobre não ter medo de nada. Levi sentia que sim. Ele tinha medo. Estava apavorado. E isso era perigoso para Mikasa.

Pegou o corredor para o seu quarto pensando sobre a pergunta, como sabia que ela não iria embora? Como foi capaz de perturbar seus sonhos? Ele tinha apenas vagas para serem preenchidas, mas tinha certeza de uma coisa:

Nenhum fantasma ou espírito, assombração, qualquer tipo de morto, nenhum deles poderia perturbar a moça aqui, eles temiam Levi. Enquanto ela estivesse com ele, eles não lhe poderiam fazer mal algum.

E a pergunta que ele não conseguia ignorar voltou. Para ser capaz de ter acesso a ele, ela no mínimo deveria ser como ele, mas já havia percebido que não era, Mikasa era outra coisa, Levi um demônio, ou seja lá como era chamado. Em cada país e lugar, as pessoas o tinham como uma coisa diferente, às vezes boa e às vezes ruim.

Ele não tinha um nome correto, mas sabia que existia a tempo suficiente para ter visto civilizações e reis surgindo e caindo, o mundo em uma constante mudança, seres como o Duplo o perturbavam de tempos em tempos, e ele continuava. 

Era forte o suficiente e por isso ninguém poderia dominá-lo, e por isso, talvez, estivesse secretamente preocupado, curioso, que talvez, ele estivesse esquecendo alguma coisa.

Ou alguém.


Notas Finais


Em termos gerais ele é como um demônio, mas não quero trabalhar com rótulos de nenhuma religião.
Então Levi é uma coisa perigosa que não morre e tem um poder ilimitado, com algumas exceções, geralmente movido para a crueldade.
Eu vou trabalhar melhor ele e a medida que ele for sendo revelado, o Duplo também vai ser e no final, a Mikasa.
Qualquer dúvida só deixar nos comentários que eu respondo.
Bjs
❤️


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