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História Older - Capítulo 1


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Notas do Autor


One shot aleatória, inspirada na música "Older", da Sasha Sloan. É uma boa música pra escutar se seus pais forem tóxicos.
Capas feitas por mim, mas podem usar em outras histórias, se quiserem.

Capítulo 1 - Único


Fanfic / Fanfiction Older - Capítulo 1 - Único

[Lance]


-Você 'tá bem, cara? Parece cansado. -Hunk falou, em um tom preocupado.

-Hm? -perguntei, sonolento, piscando pesado enquanto andávamos pela rua depois de mais um dia de aula.

-Eu perguntei se você 'tá bem. -Hunk especificou.

-Ah, eu fiquei até tarde jogando vídeo game. Só isso. -respondi, sorrindo de lado, bocejando.

-Tem...certeza? -insistiu.

-Sim, Hunk. 'Tá tudo bem. -mantive a resposta, enquanto me sentia um merda por esconder coisas de Hunk.

Ele não insistiu mais, mas eu sei que ele continua preocupado. Eu bem que queria contar para ele, mas eu acho melhor não. Eu estou em um inferno na terra, e não quero arrastá-lo para a minha vida fodida também.

Quando eu cheguei em casa, eu olhei pela fresta da porta e, passando pelo corredor, olhava para os lados, atento. Fiquei aliviado ao ver que estava sozinho.

Quando cheguei ao meu quarto, eu me joguei na cama, largando a mochila em qualquer canto, afundando o rosto no meu travesseiro.

Então, eu dei um suspiro ao ver que a luz do corredor havia se acendido. Eu me levantei rapidamente e fui para debaixo da minha cama, puxando minha mochila comigo. Dali, eu vi a porta se abrir e o par de botas do meu pai entrar no quarto. Depois de alguns segundos, ele voltou para fora, batendo a porta quando saiu. Eu dei um suspiro e, quando ouvi a voz da minha mãe, eu ajeitei minha mochila como travesseiro, coloquei os meus fones e peguei um maço de cigarros, acendendo um e tragando a fumaça em meus pulmões, para soltá-la lentamente em seguida.

Meu pai estava irritado com o fato de eu nunca estar em casa. Eu entendia. Sem mim, ele não tinha muitas opções para descontar a raiva e frustração de um dia ruim e estressante de trabalho.

Eu costumo fechar a porta do meu quarto e me esconder debaixo da cama quando a minha mãe começa a gritar na cozinha. Aumento a música no volume máximo e fico chapado para tentar não ouvir. Um cigarro para cada xingamento, já que nenhum deles está certo.

Depois de um tempo, eu saí de debaixo da cama e comecei a arrumar as coisas para amanhã. Programei o despertador para as três da madrugada, arrumei as roupas que eu usaria em cima da cadeira, junto com uma pequena quantia em dinheiro para comprar o café da manhã no caminho para a escola.

Eu apenas peguei uma coberta em meu armário, voltei para baixo da cama e fechei os olhos.

Eu costumava me perguntar por que eles nunca poderiam ser felizes. Costumava repetir a mesma oração quinhentas milhões de vezes. Mas, na época, eu era só uma criança.

Quanto mais velho eu fico, mais eu percebo que os meus pais não são heróis. Nunca foram. Eles são apenas como eu.

São piores do que eu.

E amar é difícil. Nem sempre funciona. Você apenas dá o seu melhor para tentar não se machucar.


Alarme tocando. Três da madrugada. Hora de começar o dia.

Eu saí de debaixo da minha cama, e fui ao banheiro. Escovei os dentes e passei perfume para tirar aquele cheiro de cigarro. Joguei uma água no rosto e pinguei algumas gotas de colirio em meus olhos, para que a vermelhidão deles sumisse até a hora da escola.

Troquei de roupa, peguei meu computador, minha mochila, puxei o capuz para a minha cabeça e pulei a janela do meu quarto.

Andando pelas ruas escuras, eu não sentia medo. Na verdade, eu torcia para que algum serial killer qualquer saltasse de trás de uma árvore e passasse a faca pelo meu pescoço. Mas isso nunca aconteceu. É uma merda o fato de que um assassinato nunca ocorre com quem realmente quer ser assassinado.

Eu passei num mercado vinte e quatro horas, comprei dois lanches e um chocolate quente grande. Detesto café.

Andando pelas ruas novamente, eu apenas me sentei em um banco onde não tinha luz e comecei a comer tranquilamente, dando mole para qualquer assassino que quisesse se dispor a me matar.

Depois de alguns minutos, eu ouvi passos apressados e, logo em seguida, um barulho esquisito.

Resolvi me levantar e segui até o local de onde vinha, e me deparei com uma cena meio peculiar.

Um garoto, que parecia ter acabado de vomitar no pé de uma árvore, estava ajoelhado no chão, com as mãos apoiadas no tronco, parecendo ofegante. Eu peguei o meu celular, o sacudi para ligar a lanterna e, quando apontei a luz para ele, o garoto cobriu os olhos com um dos braços e eu me surpreendi. Eu reconheceria aquele mullet fora de moda em qualquer lugar.

Era Keith Kogane. Ele estuda na mesma escola que eu. Ele é o melhor no clube de robótica, o melhores nos esportes, se dá bem com qualquer matéria. Resumindo, ele é melhor em tudo.

Mas, agora, ele está suado, cansado, ofegante, enjoado, tonto e eu também posso ver cortes em seus braços. Cortes feitos por lâminas. Giletes. Conheço muito bem esse tipo de marca, pois tenho as mesmas marcas em minhas coxas.

-O quê...? -ouvi ele perguntar, com voz fraca, enquanto me encarava. -Que merda.

Ele começou a tossir e tentou se levantar, mas quase caiu de novo. Ele não caiu pois eu o segurei. Os joelhos dele pareciam estar fracos, dando a impressão de que ele poderia cair no primeiro passo que desse.

-Me solta. -ele mandou, mas eu não obedeci, e comecei a guiá-lo até o banco em que eu estava sentado momentos antes.

Ele se recostou para trás, respirando pesado. Eu peguei o copo que continha o que havia restado do meu chocolate quente e o estendi para ele, que me olhou desconfiado.

-Bebe. Vai ajudar um pouco. -eu falei.

Mesmo hesitante, ele aceitou, e eu pude perceber uma expressão de alívio que ele esboçou ao dar o primeiro gole. Eu passei o outro lanche que eu tinha comprado. Eu ia guardar para depois, mas nesse momento, ele parece precisar mais do que eu.

Eu fiquei encostado no poste, observando ele comer rapidamente. Parecia que ele realmente estava com fome.

-Então...'tá fazendo o quê na rua, numa hora dessas? -perguntei, tentando puxar assunto.

-Eu poderia perguntar a mesma coisa. -ele rebateu e deu um pequeno sorriso ladino.

-Touché. -falei, e ele franziu as sobrancelhas. -Eu acordo todos os dias às três da manhã para fugir pela janela do meu quarto e evitar os meus pais.

A expressão dele se tornou surpresa, provavelmente por eu ter dito na lata o que estava fazendo ali, tão cedo.

Keith apoiou o copo no colo e deu um suspiro.

-Eu tenho compulsividade em correr até vomitar, para extravasar o meu estresse. Corro de madrugada porque não tem ninguém na rua. -ele falou, num tom de voz sereno e calmo.

Eu fiquei surpreso também. Não esperava que ele passasse por esse tipo de coisa.

-Isso...é saudável? -perguntei, mesmo já tendo uma vaga idéia da resposta.

-Não. -ele respondeu simples, dando de ombros. -Mas eu não consigo parar.

-Saquei. -eu falei. -Quer ajuda para voltar para a sua casa?

-Hm, pode ser. -ele respondeu. -Eu tenho um apartamento na cidade. Te mostro onde fica.

Ele se levantou do banco e jogou as embalagens de comida fora, começando a andar, sendo seguido por mim.

Nós ficamos em silêncio o caminho inteiro, mas não era um silêncio desconfortável. Era apenas silêncio. Eu na minha, ele na dele. Estávamos apenas sentindo a brisa fria da madrugada, ouvindo os nossos passos ecoando pela rua deserta.

Quando chegamos ao nosso destino, ele parou na frente do prédio e me encarou.

-Quer entrar? Pode ficar aqui até a aula começar. -ele sugeriu e eu pensei que não tinha nada a perder para aceitar. E seria até bom ter companhia para me distrair de toda a minha vida de merda.

-Pode ser. -me limitei a responder, o seguindo para dentro do prédio.

Quando chegamos ao apartamento dele, eu vi que era um local espaçoso.

-Vem. -ele chamou e eu o segui para o quarto dele.

Ele se deitou na cama que, embora fosse de solteiro, cabia nós dois, e deu um pequeno sinal para que eu me deitasse ao lado dele.

Eu larguei a minha mochila perto da cama e me deitei ao seu lado. Nós ficamos olhando para o teto, e vez ou outra, meu olhar se desviava para a janela que tinha ao lado da cama, percebendo que uma leve garoa começava a cair lá fora.

-Então, você tem problemas com seus pais? -ele perguntou, em uma hora.

-É. -respondi.

-Hm, não esperava por essa. Você é sempre tão sorridente. -ele falou.

-E eu não esperava que você fosse tão estressado ao ponto de querer correr até vomitar e se cortar. -rebati, o encarando. Ele também virou o rosto para mim e, de uma hora para a outra, aquele mullet não parecia mais ser tão brega.

-Nunca sabemos a dor que as pessoas tem por dentro. -ele falou. -Somos dois espelhos quebrados.

-Parece que somos. -concordei.

Depois de mais um tempo o encarando, eu aproximei mais o meu rosto e, já que ele não se afastou, aproximei mais ainda, até que nossos lábios roçassem um no outro. E quem quebrou essa distância foi ele.

Alguns beijos superficiais, que foram aprofundados quando ele colocou a mão em meu rosto e eu enrosquei meus dedos nos fios negros de sua nuca. Agora, aquele mullet parecia muito atraente.

Eu desci a minha mão, deslizando-a pela lateral de seu corpo, até chegar em uma de suas coxas, onde eu puxei para cima, para que a perna dele se entrelaçasse com a minha.

As mãos dele acariciavam a minha nuca, enquanto ele ofegava contra a minha boca. Uma de suas mãos desceu até a minha, que segurava a sua coxa, e a subiu para cima, fazendo com que eu apertasse suas nádegas, ouvindo-o soltar um barulho baixo de satisfação.

Keith se afastou um pouco e começou a beijar o meu pescoço, me fazendo ter arrepios por sentir as leves mordidas que ele depositava na região.

Depois de um tempo, ele se afastou completamente e se levantou parcialmente na cama, vindo parar no meu colo, abrindo o zíper do meu moletom azul para tirá-lo e jogá-lo em um canto qualquer do quarto.

Ele se inclinou para frente e me beijou novamente, acariciando o meu peito e meu abdômen com as mãos. Ele começou a descer os beijos pelo meu corpo até chegar no cós da minha calça, puxando-o para baixo, libertando o meu membro que já começava a se animar.

Ele o envolveu com os dedos e começou a fazer lentos movimentos de vai e vem, me fazendo morder um dos meus dedos para conter o gemido.

Mas eu não consegui evitar quando senti a boca dele entrar em contato com o meu membro.

-Ungh, merda...-gemi, inclinando a cabeça para trás.

Minha mão se dirigiu para o cabelo de Keith, o acariciando e incentivando a continuar. Aquela sensação era tão boa. Mas eu não queria que ele ficasse de fora dessa também.

Eu puxei o cabelo dele para trás, fazendo ele tirar a boca do meu membro e me olhar meio confuso.

Eu me levantei um pouco, inclinei o rosto dele para cima pelo queixo e o beijei novamente, o empurrando para trás.

Dessa vez, eu que o ajudei a retirar a camiseta que ele estava usando e puxei seu short para baixo, enquanto beijava o seu pescoço e sua clavícula, sentindo ele segurar os curtos cabelos da minha nuca.

Eu abaixei o meu rosto, descendo os beijos pelo seu corpo, como ele fez comigo. Mas eu passei direto por seu membro e, segurando suas pernas e as apoiando em meus ombros, lambi e mordi levemente a parte inferior de uma das coxas dele, sentindo ele se arrepiar com o meu toque, me fazendo dar um sorriso.

Eu desci o meu rosto mais ainda e introduzi a minha língua em sua entrada, vendo ele arquear levemente as costas.

-Lance...-ele gemeu arrastado, agarrando os lençóis entre os dedos.

Quando eu decidi que já estava lubrificada o suficiente, eu retirei a minha língua e fiquei por cima dele novamente.

-Posso entrar? -perguntei em um sussurro.

-Sim. -ele respondeu em outro sussurro, subindo uma das mãos para a minha nuca e apoiando a outra em um de meus braços.

Peguei em meu membro e o guiei até a entrada dele, começando a penetrá-lo. Senti as curtas unhas de Keith arranharem o meu braço e sua outra mão apertar os fios de cabelo da minha nuca, enquanto ele soltava um gemido falho.

Quando entrei totalmente, eu apoiei minha cabeça no peito dele, com a respiração descompassada.

Depois de um tempo, senti as mãos dele acariciarem o meu cabelo, num gesto carinhoso de conforto.

-Lance, se mexe. -ele pediu, num tom de voz baixo.

Eu atendi ao seu pedido. Eu me ajeitei melhor sobre ele, segurei uma de suas pernas com a mão e comecei a me mexer lentamente, sentindo Keith apertar os meus ombros.

-Mais rápido. -ele pediu e, novamente, atendi ao seu pedido, começando a estocá-lo mais rápido e com mais força

Ele abraçou o meu torso, me fazendo ouvir seus gemidos com ainda mais clareza em meu ouvido.

Sentir o meu corpo entrelaçado ao de outra pessoa dessa forma é ótimo. Sentir o calor que o corpo de Keith emana é incrível.

O contato humano. Temos a necessidade de ser tocados por quem amamos, tanto quanto o ar que precisamos para respirar.

-Keith, eu 'tô quase...-falei entre dentes.

-Vem comigo. -ele pediu, descendo uma das mãos para o próprio membro, começando a se masturbar.

Eu me agarrei mais ainda ao corpo dele, escondendo o meu rosto em seu pescoço.

E dois gemidos altos, em um tempo meio diferente, marcaram a chegada do nosso orgasmo.

Eu apoiei minhas mãos no colchão, ofegante, e o beijei novamente, só para ter certeza absoluta de que ele estava ali. E ele estava.

Quando saí de dentro dele, o ouvi dar um pequeno gemido.

Eu me deitei ao seu lado, apoiando minha cabeça em seu pescoço, abraçando o seu torso e sentindo ele acariciar o meu braço e minha cabeça.

-Sabe, eu estou melhor agora. -Keith falou, olhando para cima. Eu o abracei mais forte ainda.

-Eu também. -falei.


Um mês depois, eu saí da casa dos meus pais, para ir morar com o meu mais novo namorado.

Meu pai ficou me xingando enquanto eu me afastava. Eu costumava ficar bravo quando ele fazia isso, mas agora eu entendo que, às vezes, é melhor deixar algumas coisas irem.

Eu consegui convencer Keith a visitar um psicológo para tratar a compulsividade dele, e decidi me inscrever numa clínica de reabilitação para me livrar dos cigarros.

Não foi tão difícil dele largar a compulsividade dele, e não foi tão difícil para mim largar o cigarro.

Agora, tínhamos outra coisa para ocupar esses lugares.















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