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História Olhos D'água - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Memórias - Parte I


"Oi".

Só isso. Oi. Duas letras.

Encarei a mensagem milhares de vezes. Fiquei curiosa. "O que ela quer?", pensei. Nenhuma das minhas suposições se encaixa em um contexto para aquela mensagem. Não por ser simples, mas por ela tê-la mandado. Mas antes, preciso explicar quem é essa pessoa e o espanto que é ela ter me chamado. Começando pelo ano passado...

         2019, julho.

         Ventava muito. Todos nós vestíamos casacos, e eu era teimosa, usava um short bem acima do joelho, enquanto os outros estavam bem empacotados. Era verão em alguns lugares, mas aqui em São Paulo faz muito frio nessa época do ano. Era mais uns dos encontros que eu e meus amigos tínhamos, bem banal. A gente visitava uma praça bem conhecida, que tinha lá seus particulares, onde a gente sentava e conversava bobagens, bebia, ou até fumava. Era costumeiro, quase todos os dias, a gente se reunir ali.

- Não é engraçado? Toda vez que a Geovanna se agacha, ela começa a resmungar do joelho, e toda vez ela parece fazer de propósito.

- Não é assim! Realmente machuca.

- Mas você é teimosa e faz extravagâncias demais!

Sempre discutiam. Geovanna e Gustavo tinham uma longa amizade, antes que eu os conhecesse. Era divertido a forma que eles brigavam porque ele sempre tinha razão e ela apelava com tudo.

Eu e Ana estávamos um do lado da outra, dividindo uma cerveja. Eu lembro de me orgulhar por detestar essa bebida, mas eu sempre me entrego às coisas em um determinado momento. E ela estava linda nesse dia, eu não pude deixar de reparar.

- Vocês vão continuar discutindo? – ela disse.

- Eles nunca param. Ele sempre provoca ela. – respondi.

Geovanna fez um biquinho e continuou resmungando. Gustavo então virou-se para o Andrade e começaram a falar de jogos.

- Às vezes eu queria ser um passarinho. – Ana disse e começou a me encarar.

Devolvi o olhar, e tudo começou a ficar intenso. Eu senti minha pele queimando.

- Por quê?

- Porque os pássaros podem voar. Isso é a maior dádiva que eles têm. Morro de inveja.

Eu estava um pouco fora de mim, e dei mais um gole na cerveja. Que dia era?

 

Ana. Conheci ela no colégio onde estudei pela última vez. Era engraçada e bonita. Ficamos amigas bem rápido, e eu apresentei a ela os meus outros amigos. Até aí tudo bem. Depois de um tempo, eu estava pensando em coisas totalmente diferentes. Eu a via de uma forma diferente do costume. Então eu me toquei: eu estava apaixonada. De início, eu não achava que era sério. Mas depois de uns dias, ou semanas, o meu físico também tinha mudado. Eu nunca tinha me sentido assim antes. Ela causou uma grande diferença em mim, e eu não sabia como controlar direito. Sempre dizia que ela era amada por mim, com segundas intenções ou não. O que eu sentia era verdadeiro, e isso me destruía a maior parte do tempo.

Até quando... ela começar a namorar o meu melhor amigo, o Gustavo. Ele era ingênuo demais e se apaixonava muito rápido. Era minimalista com os detalhes de qualquer garota, e um romântico incurável, daqueles de belas poesias barrocas.

Não era difícil dizer que eles formavam um belo casal, isso era um fato, mas isso me deixava ainda pior, porque os meus sentimentos por ela não desapareciam mesmo que eu fizesse o maior esforço para esquecê-la. É cômico, porque eu também me apaixonei rápido.

Talvez ela seja da espécie de fisgadora. Ela era típica garota que os caras idolatravam, com suas roupas pretas, o seu cabelo arco-íris e seu senso de humor nada convencional. Era basicamente a forma feminina atrativa do momento, que inclusive virou motivo de piada por ser tão popular. E eu era a garota comum, apaixonada pela nova namorado do meu melhor amigo, e convencida de que iria me ferrar completamente. Aquela mensagem queria dizer muito mais do que ela aparentava. Eu tinha me afastado um pouco por estar constantemente incomodada com aquele relacionamento, e não era por eles. O problema era eu.

E isso era apenas o começo.

 


Notas Finais


:D


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