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História Olhos de Cão Azul - Capítulo 5


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Notas do Autor


oi, tem alguém aí? quase meia-noite nesse momento k k k k ainda bem que é sexta hahaha eu acabei esse capítulo há pouco tempo e acho que tá tudo certo pela revisão que dei. é o último dessa fic :( já tô até com saudades dela. mas expliquei pra vocês lá no primeiro capítulo que ia ser bem curtinha e muuuuito simples, como vocês já puderam perceber, eu só queria me habituar a escrever de novo, porque meus estudos são puras exatas. por isso peço perdão se foi ruim em algum momento :p
como eu disse, tô de férias e acho que tenho um plot novo na cabeça. se eu conseguir desenvolver eu prometo que trago outra história.
espero que gostem do capítulo. o fim dele é tudo pra mim aaaaaaaaaa <3

Capítulo 5 - Olhos de Cão Azul


Fanfic / Fanfiction Olhos de Cão Azul - Capítulo 5 - Olhos de Cão Azul

Quando despertei, não precisei abrir os olhos para me lembrar de que eu não estava acordando na minha cama. Não só pelo carinho que Itachi estava fazendo com a ponta dos dedos na linha da minha coluna, mas pelo cheiro doce que eu reconheceria à quilômetros de distância invadindo o meu nariz, este afundado na curva do pescoço dele. Não tardou também para que todas as memórias de ontem voltassem todas de uma vez, como uma bomba. Na hora, pude sentir meu estômago esquentar de ansiedade e minha garganta pesar, porque eu conseguia lembrar de cada mísero detalhe da noite passada.

Lembro de quando abri a porta, sendo recebido pelo sorriso mais terno do mundo e pelo beijo que era sempre único aos meus lábios. Do “volta logo” sussurrado quando o deixei na sala e dos carinhos escondidos que ele fazia na lateral do meu tronco, ao mesmo tempo em que ria e conversava com todo mundo na sala, como se estivesse me lembrando que éramos eu e ele ali, mesmo no meio de todos. Lembro do primeiro olhar cheio de desejo que me lançou, lá no sofá, mas que se tornou algo mínimo perto do jeito que ele me olhava na cama. Por Deus! Eu estava conseguindo sentir cada aperto que ele me deu na cintura, os chupões no pescoço e cada beijo que ele deixou espalhado pelo meu corpo, como se ele estivesse fazendo tudo isso nesse exato momento.

Dei uma risada mental quando lembrei do tanto de vezes que eu pensei coisas como “só estamos no conhecendo” ou “pra quê apressar tudo?” durante essas semanas, porque foi um tiro no pé. Eu acho que… tô me apaixonando, de fato. Ah, droga.

Respirei fundo e movi minha cabeça para olhar para Itachi. Ele encarava o teto com um olhar sério, mas na hora que percebeu minha movimentação, virou o rosto para mim.

— Ei, bom dia — falou ele, sorrindo carinhosamente. Como é que faz para acordar todos os dias desse jeito?

— Oi — não consegui não sorrir de volta — você tá acordado há muito tempo? Parecia pensativo.

— Na verdade, acho que acordei só faz cinco minutos. Tava pensando no quanto vai ser difícil me concentrar nas coisas que eu tenho pra fazer essa semana.

— Ué, por quê?

— Porque vou lembrar toda hora de você comigo, nessa cama — disse, próximo ao meu ouvido.

Apenas voltei a afundar o rosto na curva do seu pescoço num ato de vergonha, murmurando um “idiota”, o que arrancou uma risada gostosa dele.

— Você não parecia com tanta vergonha ontem, sabe, quando você tava…

Eu me remexi rapidamente para tapar a cara dele com um travesseiro. Audacioso do caramba!

— Cala a boca, Uchiha! 

Ele começou a rir sem parar, enquanto tentava se desvencilhar do meu ataque de travesseiro. Começou a revidar com cócegas, e logo estávamos os dois, rolando pelo colchão e rindo alto. Parei de barriga pra cima, já sem forças e tentando normalizar a minha respiração, com ele por cima de mim, um braço esticado e apoiado do lado da minha cabeça. Seus olhos subiam e desciam pelo meu rosto, e eu já sentia o sangue subindo para as bochechas pela intensidade do olhar que ele me dava.

— Para, vai — pedi, desviando o olhar. Ele riu.

— Tá tudo bem? — perguntou — Não tá de ressaca?

— Hn, por incrível que pareça, não — respondi — só com dor muscular, na verdade — dei uma risada baixa.  

— Ah, me desculpa por isso — sua expressão mudou para uma de preocupação na hora. Minha vontade era de gritar com o quão fofo esse filho da puta conseguia ser sem perceber.

— Não seja tonto — falei, erguendo a cabeça e me aproximando do ouvido do moreno — eu faria tudo de novo, você não? — sussurrei. Não adiantava ter vergonha dele mesmo.

O sorriso que ele deu já serviu como resposta. Rapidamente ele quebrou a pequena distância entre nossas bocas e tomou os meus lábios de forma mais calma do que eu esperava, como se fôssemos ficar o resto da vida naquela cama. Eu realmente queria que isso acontecesse, porque eu estava conseguindo sentir toda a tranquilidade que aquele beijo transmitia. Ali, naquele momento, éramos realmente apenas nós dois. 

Ele se separou e deitou por cima de mim, com a cabeça no meu peito. Ficamos em silêncio por certo tempo. Eu fazia carinho nos seus cabelos escuros enquanto encarava o teto. De repente, todo aquele peso na minha garganta voltou, acertando-me em cheio. “Quando é que cheguei nesse ponto?”, pensei, essa pergunta martelando na cabeça pela milésima vez em um período de menos de dois minutos. Não tem essa de ‘acho’. Eu estou, com certeza, apaixonado por Itachi.

Tem muita coisa na nossa vida que temos certeza que conhecemos e, sem dúvida, a paixão é uma delas. Eu cresci assistindo todos os tipos de filmes românticos possíveis, por exemplo. Eram os preferidos da minha mãe. Desde pequeno, uma parcela da minha mente achava que tinha uma ideia do que seria o romance, a paixão e o amor, vendo todos os clichês e fórmulas básicas do cinema. Talvez certas coisas das telas aconteçam de fato na vida real, mas não dá para ficar achando uma vida toda que vai acontecer igual. Depois que crescemos, a gente para de procurar o grande amor em tudo, e parece que muita coisa clareou na minha mente depois disso, porque o amor e paixão sempre estiveram perto, em tudo, em coisas tão pequenas e comuns que nem poderíamos ter imaginado. Nesse momento, a paixão para mim era a respiração morna de Itachi contra meu peito, ressonando calmamente. O silêncio confortável agora já começava a implorar para que eu dissesse alguma coisa para ele.

    — Itachi? — chamei, ainda olhando para o teto.

    — Hã? — perguntou, sem se mover.

    — A gente — quase falhei na voz — o que é que a gente tem?

Senti que ele levantou a cabeça, apoiou o queixo no meu peito e certamente estava olhando para mim, mas eu não conseguia parar de fitar o teto.

    — Tem alguma coisa te incomodando? — perguntou.

    — Não, hm — bufei — é que...

    — Deidara? — interrompeu-me. Eu tive que olhar para ele — gosto de você — sorriu, deitando-se de novo no meu peito, como se tivesse falado a coisa mais simples e óbvia do mundo. Ele nem esperou por uma resposta, parece que sabia exatamente o que eu estava pensando.

    Juro por tudo que meu coração deve ter parado por alguns segundos, porque aquelas palavras me tiraram totalmente de órbita. Do jeito que eu sou, eu provavelmente teria dado um grito, mas não queria estragar o momento. Na verdade, o que ele disse resolvia tudo, mas também não resolvia nada. Não me dava todas as respostas que eu queria, mas… estamos muito bem assim, né? Tenho medo de estragar tudo se ficar fazendo perguntas demais. O que será que Itachi está pensando nesse momento? Ele sempre aparenta estar tão bem resolvido. Talvez isso seja o que mais me tranquiliza. A gente já se conhecia, e ele não é o tipo de pessoa que diz coisas da boca para fora. Será?

    Eu teria continuado com o turbilhão de pensamentos, mas fui interrompido por sua voz.

    — Dei, tá com fome? — perguntou — porque eu tô morrendo. Acho que não foi uma boa ideia fumar um e dormir sem comer nada. A larica bateu mil vezes mais forte — ele disse, e eu não consegui conter a risada alta.

    — Agora que você tocou no assunto, eu tô sentindo fome — respondi — será que já tem gente acordada lá embaixo?

    Ele saiu de cima de mim, estendendo a mão para que eu me sentasse na cama. Sentei na borda, de costas para ele, levando meus braços para cima e prendendo meu cabelo em um rabo de cavalo alto. Senti um beijo seu em meu ombro, e ele colocando seu queixo ali logo depois.

    — Que tal a gente tomar um banho primeiro? — perguntou — Aí descemos, vemos se a casa foi destruída e preparamos algo para comer.

    — Banho, é? — perguntei e ele riu.

    Levantamos e realmente tomamos um banho, mas só trocando carícias e beijos. Ele me emprestou uma calça de moletom dele, alegando que seria mais confortável de usar do que a jeans que eu estava ontem — realmente. Descemos para a sala, e no caminho ele foi me contando que os pais dele viajavam muito a trabalho, por isso que todos estavam já acostumados com as festas aqui. A gente encontrou algumas pessoas em um dos quartos de hóspedes e outras no sofá, todas ainda dormindo. Fomos direto para a cozinha, então.

    Ele pegava algumas comidas nos armários e pediu para eu ir preparando o café enquanto isso. Sentei e ele colocou uma xícara na minha frente, entregando-me a garrafa de café logo em seguida.

— Eu não queria falar nada por medo de inconveniência, mas que casona da porra hein? — falei, fazendo ele soltar uma risada.

— Tá na minha família há um bom tempo, mas meus pais fizeram uma reforma recentemente pra deixar mais a cara deles — bebeu um gole do café e continuou falando — eles são donos de uma empresa grande aqui em Konoha, sabe? Coisa antiga, de família mesmo. Só eu que saí fora da curva Uchiha — brincou, referindo-se ao fato de cursar algo na faculdade que não tinha coisa alguma relacionada à empresa.

— Foi muito difícil quando você decidiu pela Filosofia? Para seus pais aceitarem e tal?

— Eles nunca chegaram e me disseram, com todas as letras, que não aceitavam o curso que escolhi. Porém, esse é o tipo de coisa que a gente consegue ver de longe, né? — eu assentia, escutando-o — demorou um pouco para que eu conseguisse algumas menções honrosas de professores e coisas que escrevi e eles notarem que aquilo era algo sério. Hoje posso dizer que eles tão até que satisfeitos. E como foi pra você? 

— Ah, comigo não foi tão difícil. Na verdade, minha mãe sempre me incentivou a continuar com o que eu fazia. Mas olha, ela não esperava que eu fosse levar isso pro meu futuro, de fato. Ela dizia que achava que era apenas um hobby — suspirei — mas quando ela percebeu que eu também não estava pra brincadeira, foi a primeira a me dar apoio. Ela que me convenceu a vir para Konoha — dei risada, lembrando da festa que ela fez quando eu disse que havia conseguido a vaga.

— Se eu tivesse tido apoio desde o começo, talvez as coisas tivessem sido um pouquinho diferentes. No início foi bem difícil, eu não tirava da cabeça que talvez eu estivesse decepcionando meus pais —  Itachi falou.

— Se não tivesse sido do jeito que foi, as coisas poderiam estar diferentes agora. Um diferente ruim, talvez — falei de repente, e pude vê-lo fechar os olhos e assentir levemente com a cabeça, com um pequeno sorriso.

— Bonitas palavras, Dei.

— É que tô andando muito com um certo estudante de filosofia. Você sabe como é, né? — brinquei ironicamente, arrancando uma risada gostosa dele.

Continuamos em silêncio, bebendo o nosso café e comendo algumas torradas que Itachi havia preparado. "Não seria tão difícil passar todas as minhas manhãs assim", pensei, olhando para ele. De repente, ouvimos o barulho da chave na porta.

— Itachi? — perguntou a pessoa, logo fechando a porta da casa. Essa voz não me é estranha, de onde é que eu conheço?

— Na cozinha — respondeu Itachi, sussurrando "é meu irmão" para mim depois.

— Caralho, você viu o estado da galera na sala? Fazia tempo que… Deidara?

Virei-me para a entrada da cozinha para me deparar com um Sasuke de olhos arregalados. Eu também estava, então ele era o irmão que Itachi sempre comentava sobre! Como é que não descobri isso antes? Eles eram a cara um do outro. Eu nunca havia citado o nome de Itachi para Naruto? 

— Vocês se conhecem? — foi a vez de Itachi expressar sua surpresa.

— O Deidara é primo do Naruto, você acredita? — Sasuke respondeu.

— Do Uzumaki? O seu Naruto? — perguntou para o irmão e olhou para mim, vendo-me assentir — é claro que sim, eita porra! Vocês são muito parecidos! Até na personalidade!

— Não me ofenda, Uchiha — falei revirando os olhos, o que provocou risada nos dois irmãos — é realmente impressionante que a gente não tenha descoberto isso antes. Sasuke e Naruto vivem indo lá em casa. Vocês também são muito parecidos.

— Meu irmão vive na sua casa? Nem eu tive a oportunidade de ir até lá, que fora hein — falou Itachi, fingindo um resmungo.

— Mas eu já te convidei! — respondi.

— Calma, Dei, eu tô brincando — riu em resposta.

— Eu tô perdendo alguma coisa aqui? — perguntou Sasuke, focando os olhos em Itachi, mas não diretamente em seu rosto. Quando segui seu olhar, pude perceber um chupão na clavícula do mais velho, onde a blusa não conseguia esconder completamente.

Ficamos em silêncio. Eu ia falar o quê?

— Vocês se conheceram na faculdade? — Sasuke continuou, para a minha graça, sem tocar no assunto do chupão.

— Sim, o Deidara faz o mesmo curso que o Sasori — Itachi respondeu.

— É mesmo, Artes Visuais, né? Porra, coitado de você. Lembra daquela vez que Sasori acordou a vizinhança toda numa festa aqui, Aniki? — perguntou Sasuke para o irmão, virando-se para mim logo após — eu e Itachi ficamos tipo, uma hora conversando com os vizinhos para convencer eles a não chamarem a polícia. Terrível. Acho que vocês estavam à um ano de entrarem na faculdade. Af, a época do fim de adolescência — Sasuke disse a última frase ironicamente e eu ri muito alto.

— Você é um idoso, né, Sasuke? — perguntei, ainda rindo — Naruto não me conta histórias muito diferentes das festas na casa das suas amigas.

— Em minha defesa, Naruto que me levou pro mal caminho — disse, ainda ironicamente.

— Mas é um mal caminho que você ama — Itachi disse tranquilamente. Virei-me para Sasuke e ele apenas dava de ombros, com um sorriso de canto.

— Bom, mas a noite foi boa, hein? Considerando a cara de vocês o estado de todo mundo. Nem sei como você aguenta duas noites seguidas de gandaia, Itachi — Sasuke disse enquanto se sentava do lado do irmão.

— Você é mais novo, deveria fazer isso mais do que eu — respondeu o mais velho, rindo.

Consegui ouvir um sino tocar na minha cabeça… espera aí. Duas noites seguidas de gandaia? Eu poderia jurar que Itachi tinha dito que era um compromisso de faculdade. Era uma festa então? Outro sino tocou e pude me recordar, com todas as letras, das palavras de Sasuke na sexta à noite, na casa do Naruto.

 

"Se não me engano saiu hoje. Alguém que ele conheceu fora do país, pelo que entendi."

 

Fiquei em silêncio na hora, que felizmente não foi notado: logo algumas pessoas que haviam acordado também entraram na cozinha, animando a conversa entre todos. Eu respondia apenas quando me perguntavam alguma coisa diretamente, totalmente perdido nos meus pensamentos. O que foi aquele “gosto de você”, lá no quarto? A pessoa que Sasuke falava que Itachi estava apaixonado era eu? Ou essa pessoa de fora do país? Provavelmente do intercâmbio, tenho certeza. Por que ele me diria aquilo, depois de termos transado na noite anterior, se estava se encontrando com outra pessoa? Tudo bem, poderia ser apenas algum amigo, mas o que Sasuke disse na noite de sexta estava alojado na minha cabeça de forma imutável.

Pouco tempo depois algumas pessoas começaram a ir embora. Itachi me ofereceu uma carona, mas Hidan e Kisame disseram que poderiam me deixar em casa — o suspiro de alívio que dei foi real. Despedi-me dele, e tenho certeza que seus olhos captaram alguma coisa de diferente em mim, mas eu fingi que não reparei. Cheguei em casa para terminar poucas coisas da faculdade do dia seguinte, logo me jogando na cama. Não vi quando Itachi me mandou uma mensagem perguntando se estava tudo bem, pois eu já havia adormecido.


 

--- 

Era uma quarta-feira à noite e Sasori conseguiu me convencer a sair de casa para visitar uma exposição no centro da cidade. Algum artista famoso que eu realmente não conseguia lembrar o nome agora. “Vai nos ajudar no nosso projeto, confia em mim, nossos orientadores me recomendaram”, repetia para mim no telefone, dizendo que já ia chamar um táxi e passar na minha casa para me buscar. Eu não estava no clima para nada essa semana, de fato, e parece que Sasori notou isso na faculdade, pois antes de desligar o telefone, disse que seria uma boa para eu espairecer.

— Vem, chegamos — disse Sasori, saindo do veículo após pagar o motorista.

— Acho que nunca visitei esse museu. Meu tio costumava levar eu e meu primo em alguns quando éramos mais novos — falei.

— Esse é mais como um instituto, acontecem shows, exposições, teatros, tudo o que você imaginar. São espaços mais novos aqui em Konoha — explicou-me o ruivo.

— Hm, entendi — respondi, olhando a fachada do local, sem percebê-lo me analisando atentamente.

— Você vai me contar o que há, Deidara? Normalmente eu sou o monossilábico aqui — falou-me, buscando minha mente que estava longe. 

— Hã?... Ah, desculpa Sasori, tô só um pouco cansado — sorri, tentando ficar empolgado — vamos, estou ansioso para ver lá dentro.

— Vai ter uma palestra daqui, não sei, acho que daqui uma hora, explicando sobre o artista e a exposição. Quer assistir? — disse ele, andando ao meu lado até a entrada do local.

— Não sei, podemos dar uma olhada primeiro em tudo e vemos se estaremos no clima mais tarde — respondi. Ele apenas assentiu.

Juro por tudo, às vezes me esqueço o quanto Sasori sabe o que faz, de verdade. A exposição era muito boa, um acervo totalmente variado, de um artista que produziu a maior parte das peças num período de reclusão social. Era interessantíssimo notar a evolução de cada sentimento na peça, como saudade e solidão. Sasori me explicava tudo com afinco. Ele poderia ser o chato que fosse, mas eu pagaria para ver o brilho nos olhos que ele tinha falando sobre esse assunto comum à nossa vida. Claro que eu não deixava de alfinetar o coitado com algumas opiniões minhas que eu sabia que ele era totalmente contra, mas ele sempre entendia meus sarcasmos, e logo estava me zoando junto. Ele conseguiu me distrair muito dos assuntos intermináveis que permeavam a minha mente essa semana. Eu realmente não sei o que faria sem a sua amizade nessa nova fase da minha vida. Ele surgiu como uma luz.

O lugar estava bem lotado para uma geração que já não era tão acostumada com exposições de arte. Sasori havia ido ao banheiro e eu continuava olhando as esculturas, no meio do salão do andar que a gente estava. Eu estava tão concentrado que de repente me dei conta que já havia perdido a noção de quanto o tempo o ruivo estava fora. Corri os olhos no salão, tentando achar sua cabeleira chamativa no meio de todos. Quando pousei os olhos na escadaria do lugar, porém, encontrei aquele que tentei tirar da mente a semana inteira. Ele estava subindo as escadas, vindo do térreo, conversando com uma garota que eu nunca havia visto.

Eu não sei em que raios de circunstâncias nos encontraríamos no mesmo dia, em uma exposição que ficaria por duas semanas inteiras na cidade. É uma quarta-feira, oras, quem em plenas condições visita o museu em uma quarta à noite? Por isso que eu acompanhava Sasori. Ele é esse tipo de gente. Mas é claro que o universo havia de pregar essa peça, sou eu, Deidara, é tão óbvio.

Itachi olhava para a garota que o acompanhava, mas quando chegou ao último degrau, subiu a cabeça. Como um ímã, seus olhos recaíram diretamente sobre os meus, e posso jurar por tudo que, nesse momento, lotado do jeito que estava, aquele salão ficou vazio. Era como se seus olhos tivessem parado o tempo ao nosso redor, porque parecia que eu enxergava tudo em câmera lenta. Ele fazia uma expressão de surpresa ao me olhar, e sei que é porque ignorei a maioria de suas mensagens desde a última vez que nos vimos, no fim de semana. Eu odiava fazer isso, mas eu estava muito confuso para qualquer coisa. Sei que ele merecia alguma explicação. Eu só não conseguia. Pude notar que ele se sobressaltou, não demorando muito para começar a andar na minha direção. Parece que eu desaprendi como caminhar, pois meus pés congelaram no chão.

Mas tudo aconteceu rápido demais para o estado em que eu me encontrava. De repente, levei um puxão fraco no braço e quando me achei, estava caminhando ao lado de Sasori, na direção do auditório. 

— Nós estamos indo para…? — perguntei.

— Para a palestra, oras — respondeu, ainda olhando para frente.

— Resolveu assistir do nada?

— Só vamos — falou curto. Foi aí que entendi: ele tentava me tirar de lá.

Sentamos no canto superior do auditório, em uma área meio vazia. Uma voz avisou que ela começaria dentro de dez minutos.

— Então era Itachi mesmo? — começou Sasori.

— O quê? 

— Deidara, você tá claramente abalado. Notei no momento em que coloquei os olhos em você na segunda-feira, na faculdade.

— Eu sou tão transparente assim? Cacete — bufei, abaixando na cadeira e me encolhendo nos meus ombros. Sasori riu da minha ação.

— O que aconteceu? Vocês pareciam muito bem no fim de semana.

— Você nos viu agora, lá no salão, então. Não ficou muito na cara para Itachi que você tava me arrastando para longe? — perguntei.

— Tenho quase certeza que ele acha que não o vi.

— Certo… ah — um bolo se formou em minha garganta.

Eu não sabia nem por onde começar, mas consegui contar a maior parte de forma clara e rápida para Sasori, constrangido como nunca. O ruivo apenas ouviu atentamente, sem me interromper para qualquer coisinha, até que eu terminasse. 

— Eu acho que a garota que estava com ele era sim alguém que ele conheceu no intercâmbio — Sasori disse, olhando para mim. Minha expressão se desfez na hora — calma, você não pode se precipitar, você nem sabe qual o tipo de relação que eles têm — continuou.

— Mas você sabe, não é?

— Isso é algo que você tem que conversar com ele. Você nem deu a chance dele entender o porquê das mensagens ignoradas ainda. Não posso falar qualquer coisa e estragar de vez o que tá rolando entre vocês.

— Hm. Você é lúcido demais, às vezes — resmunguei — isso está sendo mais complicado do que achei, Sasori. Foi tudo muito rápido, nem eu nunca me vi assim por alguém antes. Primeiro, Itachi nunca tocava no assunto ‘nós’, a gente só deixava, e até que eu tava bem com isso. Mas fui me apaixonando. Depois que a gente dormiu junto no sábado, e ele disse que gostava de mim, eu achei que finalmente tudo começaria a acontecer — falei, quase exaltado. Sasori apenas colocou a mão em meu ombro, como se indicasse que estava ali, do meu lado.

— Tem muita coisa aí, Dei. Você não tá dando a chance pra tudo se resolver de uma vez, porque isso é uma coisa que você e ele tem que fazer juntos. Não dá pra você o ignorar, achando que você vai conseguir fazer tudo sozinho — ele falava com o tom mais terno que já ouvi saindo dele, o que me deixou impressionado — Itachi também é meu amigo, um dos mais antigos aliás. Ele merece alguma explicação, não?

— Sim, eu sei, eu só não sabia como — falei, olhando para o chão.

— Deixa eu te contar um segredo, Deidara. Acho que nunca vi ele desse jeito, sabe, como quando ele tá com você — o ruivo disse.

— Quê?

— Os olhos dele, parece que ganham um brilho diferente — os olhos que eu sempre achei tão indecifráveis? Como é possível?

— Eu… nunca reparei — minha fala saiu quase como em um sussurro.

— É claro que não. Mas eu o conheço há muito tempo, dá pra notar essas pequenas mudanças.

— Merda, Sasori. Eu tô agindo feito um idiota com ele, puta que pariu — joguei a cabeça para trás, encarando o teto e soltando um suspiro alto.

— Dei, você já sabe o que fazer — Sasori virou meu rosto pelo queixo, fazendo-me encarar seus olhos cor de mel — você foi uma grande amizade que arranjei esse ano. Não te tirei de casa apenas para ajudar no meu projeto, mas pra você se distrair também, notei o quanto estava com a cabeça longe essa semana — falou para mim. Meu deus, o que era esse lado fofo de Sasori?

— Você não tinha como saber que ele estaria aqui.

— Bom, vamos focar na arte agora então? Pelo menos é uma das únicas certezas da nossa vida, né? Mais como uma sina maldita, na verdade — ele disse e nós dois rimos.

Foi dado um aviso então de que a palestra estava prestes à começar. Ajeitamos-nos nas nossas cadeira.

— Obrigada, Sasori — sussurrei.

Ele apenas me abraçou de lado e me deu um sorriso. Logo a palestra começou.

 

---

— Olha, Deidara, esse tal de Sasori tá certo, essa história tá muito mal contada. E só você para encontrá-lo ontem na exposição mesmo — disse Naruto, com a boca cheia de lámen.

Havíamos descoberto esse restaurante de lámen à umas três quadras do meu apartamento. Não demorou muito para que virasse uma saída quase obrigatória entre eu e meu primo, quando não tínhamos nada para fazer na minha casa. Eu já havia terminado a minha tigela, apenas conversando com Naruto enquanto ele comia sua segunda.

— Sei que tá mal contada. Vou conversar com ele, só não sei quando. Tô reunindo coragem, sei lá — respondi.

— Se liga, você tá sem coragem? Logo você? — perguntou, com um tom meio incrédulo.

— Quer que eu faça o quê? Eu hein — bufei, e ele soltou uma risada.

— Você lembra de quando a gente era pequeno? E aprontávamos todas? — falou — você sempre me protegia nas broncas, às vezes até levava umas no meu lugar — ri com as lembranças enquanto ele falava — quero te ajudar também, por isso que tô dizendo pra você ir falar com ele o mais rápido possível — falou Naruto, terminando a sua tigela de comida — e se der ruim de qualquer jeito, eu prendo o Sasuke no quarto e a gente vai lá dar uns tapas no irmão dele;

— Idiota — falei, rindo da fala dele — obrigada, Naruto. Você é um primo e tanto às vezes. Só às vezes, não se empolgue.

— Ah tá, né — fez um biquinho — ei, você não acha isso o máximo? Nós dois, primos, ficando com os dois irmãos Uchihas — riu, como se tivesse falado a coisa mais extraordinária do mundo — ainda bem que eu tô com o mais bonito.

— Deixa de ser ridículo, meu deus — respondi enquanto me levantava, dando um peteleco na testa dele, o que provocou mais risadas no ser que eu chamava de primo — deixa que eu pago dessa vez, espera aí. 

— Te amo! — ouvi ele gritando, enquanto eu me dirigia ao caixa.

Quando voltei, pude ver que Naruto estava concentrado, mexendo no celular. Eu não podia perder a oportunidade. O amor de família, sabe como é.

— Vai tomar no cu, Deidara! Não te vi chegando, quase morri de susto — falou meu primo, passando a mão na nuca onde eu tinha dado um tapa para assustá-lo.

— Que drama — ri, enquanto revirava os olhos — quem era que tava roubando a sua atenção aí?

— O Sasuke.

— Claro, nem sei porque perguntei — falei, provocando uma risada em Naruto — enfim, você vai voltar comigo?

— Não, foi mal, vou pegar o ônibus aqui na frente mesmo, prometi pra minha mãe que ia chegar cedo — respondeu-me — o que você acha da gente ir no cinema no sábado? Aí jantamos na minha casa. Meus pais iam ficar felizes.

— Claro, minha última prova é amanhã. Cinema no sábado seria uma boa.

— Tá, eu te passo tudo por mensagem então, beleza? — disse-me, dando sinal para o ônibus que se aproximava do ponto — se cuida, e não esquece do que te falei — me abraçou rápido e subiu no veículo.

— Tchau, Naruto — falei, mandando um beijinho que foi recebido por um revirar de olhos dele.

Ri e comecei a andar em direção à minha casa, mais devagar que o costume, observando todo o caminho ao meu redor. O fim de tarde não estava tão frio hoje, e parece que todos resolveram jantar nos pequenos restaurantes que o bairro tinha. Até que estava um clima bem acolhedor, o que me tirou um pequeno sorriso enquanto andava sozinho.

Talvez a minha vida seja aqui mesmo, em Konoha. Eu sinto falta de Iwa, bastante, mas tá tudo aqui agora. Minha faculdade, meus novos amigos, meu pequeno apartamento alugado. Se alguém me perguntasse onde eu estaria daqui um ano, um ano atrás, eu nunca responderia aqui. Mas ainda bem que aconteceu. De verdade.

Cheguei em casa e fui direto para o banho. Eu já tinha a maioria do assunto da prova de amanhã estudado, seria a mais fácil da semana, todo o estresse já tinha passado. Então resolvi esculpir um pouco. Coloquei meu avental e peguei um bloco de argila, logo me sentando na minha mesa, no meu quarto.

Não havia se passado nem vinte minutos de trabalho quando ouvi a campainha tocar, causando-me um estranhamento. "Será que Naruto esqueceu alguma coisa? Cabeça-oca" pensei, lavando minhas mãos e indo direto para a porta.

— Itachi? — eu realmente não esperava vê-lo ali, parado na frente da minha porta. Eu nem consegui segurar o baque, ele estava mais bonito do que nunca, e nem se esforçava para isso.

— Oi… você tá ocupado? — perguntou, e logo percebi que ele analisava o meu avental.

— Não, não. Só passando o tempo — respondi, tirando a peça do corpo — entra, por favor. Fica à vontade — eu nem sabia o que fazer direito, só sai da frente da porta e fui pendurar o avental numa cadeira, na cozinha.

Ele entrou, correndo os olhos por tudo o soltando um sorriso de canto.

— O seu apartamento é muito bonito, Dei. Ele é muito você também — falou, e pude lembrar que eu havia dito isso do quarto dele. Será que ele se lembrava de cada detalhezinho daquela noite, assim como eu?

— Brigada, Itachi — respondi, sorrindo de volta — faz tanto tempo que a gente combinou de você aparecer aqui, né? No dia da festa da faculdade.

— O dia da festa — falou ele, num tom de nostalgia, como se estivesse lembrando de um acontecimento muito bom. Eu quase ruborizei com isso — é tudo tão bonito, Dei. Eu sabia que você era bom no que fazia, mas tudo isso de perto é extraordinário — ele caminhava lentamente entre as pequenas esculturas espalhadas nos móveis da sala. Agora eu tenho certeza que ruborizei.

— Obrigada... de verdade. Eu nem sei o que te dizer.

Ele apenas sorriu de volta. Fui em direção ao sofá para me sentar, e ele ainda olhava tudo atentamente. Um silêncio se instalou na sala, e eu sabia que não poderia continuar daquele jeito.

— Me desculpa — falei baixo. Toda sua atenção se virou para mim, numa expressão de confusão.

— O quê foi? — ele então veio se sentar ao meu lado no sofá, em uma distância ainda considerável.

— Desculpa, Itachi, por ter sumido essa semana, não ter respondido as suas mensagens e ter agido como um completo babaca, ainda mais depois da gente ter transado no sábado. 

— Dei…

— Espera… só um pouco. Na noite anterior eu tinha ido para o Naruto, e Sasuke estava lá. Não sei em que momento eles começaram a conversar sobre paixões, mas Sasuke disse que o irmão tinha saído com alguém que ele conheceu fora do país naquela noite. Eu ainda não sabia que vocês eram irmãos — suspirei alto. Ele continuou em silêncio — aí a gente acordou aquele dia, eu já estava confuso sobre a nossa relação e você disse então que gostava de mim. Ajudou um pouco, mas seu irmão chegou falando de duas noites seguidas de festa, e aí me toquei que você era o irmão dele que saiu na sexta à noite, no dia que você me disse que tinha um compromisso da faculdade.

— Você poderia ter me perguntado, Deidara — respondeu ele, num tom baixo.

— Eu só não me senti no direito, sabe? Nós não temos nada sério, não queria que você me entendesse mal. Eu só estava extremamente confuso, entrei em semana de provas e todo o estresse se acumulou. Não conseguia ler suas mensagens sem ficar com um bolo na garganta. E aí te vi ontem na exposição com aquela mulher que Sasori disse ser a pessoa que você conheceu no intercâmbio e só… sei lá — parei de falar porque comecei a sentir lágrimas se formando no canto dos meus olhos — desculpa por ter sido tão idiota — apoiei o cotovelo nos joelhos, inclinando-me para frente e escondendo o rosto nas mãos. Pude sentir que ele se aproximou, e não demorou muito para que ele colocasse a mão nas minhas costas, num carinho leve.

— Você quase me matou de ansiedade essa semana, sabia? — ele falou eu um tom um pouco divertido e ameno, tentando dissipar um pouco o clima tenso que o lugar tinha. Eu apenas murmurei um “desculpa”, sem me mover — olha pra mim — falou então, puxando o meu rosto de leve e limpando uma pequena lágrima que teimou em escapar.

— Não queria que me visse assim — falei, com vergonha.

— A menina que você viu, a Izumi, eu realmente conheci durante meu intercâmbio. Ela tem família aqui em Konoha também, e me chamou para sair porque veio visitar seus parentes e resolveu aproveitar. Eu fui mostrar à cidade à ela, então. Ela era uma das minhas amigas mais próximas enquanto estudávamos fora.

— Mas vocês não… você sabe. Vocês não tem nada? — perguntei, hesitando um pouco.

— Eu não vou mentir para você. A gente se envolveu fora do país, mas durou muito pouco. Resolvemos parar antes mesmo de voltar para cá. Eu nunca senti nada a mais por ela. E sei que ela também não sentia nada por mim. A gente tava só se divertindo.

— Caralho, eu sou muito babaca — eu queria me matar nesse exato momento enquanto olhava para o rosto dele, que não deixava aquela expressão de ternura e extremamente apaixonante.

— Não foi culpa sua. Eu deveria ter deixado as coisas mais claras pra você — falou e me puxou para um abraço — eu só acho que me enganei quando disse que gostava de você, lá na minha cama — me afastei um pouco dele quando ouvi isso, numa expressão extremamente confusa, e ele continuava lá, com a cara mais calma do mundo, antes de continuar — essa semana que passamos afastados só me fez perceber que eu te quero perto de mim o máximo que eu conseguir. Eu tô perdidamente apaixonado por você, Deidara.

 Agora sim eu estava expressando choque. Foi como se mil fogos de artifício estivessem explodindo dentro de mim, uma sensação que eu nunca havia experimentado na vida. A de ter minha grande paixão aqui junto comigo, nesse momento, extremamente correspondida. Eu teria começado a chorar de emoção nesse momento se o sorriso não tivesse vindo primeiro.

— Itachi — praticamente voei para o seu colo, com a voz embargada por conta dos sentimentos que chegavam todos de uma vez e o abraçando forte e sendo retribuído no mesmo nível.

— Não fica mais longe — pediu, afastando-se um pouco e olhando diretamente no fundo dos meus olhos. 

— Nunca mais — e tomei os seus lábios, no beijo mais carinhoso e terno que já havíamos compartilhado.

Ficamos apenas curtindo a presença e beijo um do outro por um tempo. Não demorou muito para que as carícias pelos nossos corpos começassem. Itachi se levantou comigo no colo, eu o guiando até o quarto. 

Ele me depositou cuidadosamente na cama, ficando por cima de mim e continuando com o nosso beijo profundo, agora com teor mais erótico e carnal.

— Namora comigo? — sussurrou no meu ouvido, mordiscando o lóbulo e fazendo carinho no meu tronco já desnudo, olhando para mim logo após. Eu só tomei os seus lábios com a maior quantidade de desejo e sentimento que eu consegui colocar. Para essas coisas, poucas palavras bastam entre a gente. 

O sexo depois de tanto sentimento e vulnerabilidade expostos é infinitas vezes mais intenso. Fica tudo mais forte. Eu sentia cada beijo, cada chupão, cada estocada que ele me dava como se meu corpo estivesse em brasa. Era tudo tão apaixonante e cheio de amor, e a gente queimava de tesão. As nossas respirações ofegantes e gemidos que soltávamos eram o meu som preferido em tempos. Dizem que o orgasmo quando as mentes e sentimentos estão conectados é muito mais avassalador, e eu juro por tudo que nunca tive um como tive essa noite, quando gozei junto de Itachi, e sei que ele sentia o mesmo pela expressão de pura excitação e satisfação que seu rosto possuía. Eu não queria que esse momento acabasse. Nunca.

 

---  

Despertei com a cama vazia, tateando o lado do colchão procurando por ele.

— Estou aqui — ouvi sua voz amena.

Virei-me para a janela. Pela posição da luz da lua, eu diria que estávamos no meio da madrugada. Itachi estava apoiado na janela, fumando um cigarro e com algo que eu não conseguia identificar na sua outra mão, por conta da escuridão do quarto. Ele tinha sua silhueta iluminada apenas pela luz da lua, numa das visões mais belas que já tive. Ele era realmente uma obra de arte, inalcançável para qualquer um que tentasse reproduzir cada pedaço seu. Eu me levantei e me aproximei dele, abraçando sua cintura.

Pude ver que ele segurava a escultura que eu tinha feito dele.

— Foi a única que nunca senti vontade de destruir — ri — fiz no dia em que a gente se beijou pela primeira vez. Parecia que seus olhos estavam ali enquanto eu esculpia. Eles são tudo para mim.

— Ficou incrível — respondeu-me, sorrindo.

Ele apagou o cigarro e depositou a peça na mesa ao lado, logo retribuindo o abraço. Ficamos assim, colados, só aproveitando a sensação dos nossos corpos juntos sob a luz fraca da noite.

— Eu te amo, Deidara — ele se afastou um pouco, olhando no fundo dos meus olhos, com aquelas ônix que eram literalmente obras de arte, me sugando aos poucos. Eu, como artista, não tinha como recusar o convite deles: eu sempre era completamente absorvido pelas orbes de buraco-negro. 

— Eu também te amo — apertei o rosto contra seu peito — a primeira vez que olhei para seus olhos, tão escuros e bonitos, foi tão… não sei. Você já me tinha desde esse momento.

— Olhos de cão azul, Dei — falou baixo.

— Como assim?

— Você. Esses seus olhos de cão azul, no tom de azul com cinza mais bonito que já vi na minha vida — falou, enquanto acariciava minha bochecha com seu polegar — existe esse conto de mesmo nome, onde um casal se encontrava apenas no sonho dos dois, mas não se conhecia na vida real. A mulher tinha os mesmos olhos que você — falou, depositando um leve selinho no meu olho fechado — e ela escrevia isso em todo lugar que ia, “olhos de cão azul”, na esperança de um dia ele encontrá-la — eu o abracei mais forte ainda, quase chorando com as coisas bonitas que ele dizia — Dei, eu sonhei por muito tempo com esses olhos, esperando um dia encontrar alguém como você. No momento em que te vi, naquela festa da faculdade, eu sabia que tinha encontrado. Sabia exatamente o que ia acontecer dali em diante. Agora somos só nós — disse por fim, retribuindo o abraço e me deixando com a sensação de infinitude.

Eu realmente não precisava de mais nada além de nós.

 


Notas Finais


Mais uma vez referenciando o grande Gabriel Garcia Marquez. Olhos de Cão Azul é um nome de um livro de contos seu, e um conto nesse livro também leva esse nome, e tem esse enredo que Itachi conta para Deidara. Leiam, vocês não vão se arrepender.

MUITO obrigada a todos que leram até aqui <3 nunca terei palavras pra agradecer vocês!


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