História Olhos de Cristal - Capítulo 1


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Categorias Wanna One
Personagens Daehwi, Guanlin, Jaehwan, Jihoon, Jinyoung, Jisung, Kang Daniel, Minhyun, Personagens Originais, Seongwoo, Sungwoon, Woojin
Tags Daniel, Heterocromia, Kang Daniel, Ong Seongwoo, Romance, Seongwoo, Wanna One
Visualizações 56
Palavras 1.631
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Festa, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - O dia que Seongwoo começou a namorar


Eu conhecia muito bem aqueles meninos do time de futebol da escola. Mas, para falar a verdade, quem não conhecia? Era evidente que eles os mais famosos e cobiçados por todo o colégio. Ao contrário de mim.

Diferente da escola toda, era a única mestiça ali. Pele era branca, corpo  magro e cabelos eram pretos escorridos - estava apta no padrão coreano e sempre pensei que poderia ser uma das meninas mais famosas da escola por causa da minha boa aparência, mas, tinha um detalhe: meus olhos.

Mãe coreana e meu pai, canadense de olhos claros. E por fim, Sohee, uma mestiça coreana-canadense. E, por um defeito da genética, eu tinha uma doença rara em meus olhos: heterocromia. O olho esquerdo era de um verde claro e o olho direito de um castanho escuro, parecido com preto.

Eu chamava muita atenção sim, porém também sofri muito por causa de seus olhos. Quando mais nova, era chamada de aberração e viviam falando para ela voltar para o Canadá - sendo que nunca foi para lá na vida e viveu apenas na Coreia em meus longos dezessete anos.

Mas, o foco não era sobre eu mesma e sim sobre Ong Seongwoo o menino que eu estava apaixonada desde que entrei no ensino médio. Ele era a pessoa mais linda, engraçada e simpática do mundo, além de ser um dos melhores no futebol.

Falei com ele poucas vezes, já que o evitava. Não queria que as pessoas vissem que ele estava conversando com a mestiça - meu apelido -, por isso, falava o menos possível com ele e com todo mundo. Não gostava que as pessoas fossem vistas mal por estarem falando comigo, não era muito justo.

Mesmo que as vezes tenha percebido que ele se magoava comigo lhe dando gelo, mas eu jurava que não era por querer.

Para falar a verdade, eu não era completamente sozinha. Tinha minha melhor e única amiga, Yoomi, uma gordinha que estava sempre determinada a fazer dieta enquanto comia um pedaço de bolo de chocolate. Yoomi e eu éramos consideradas a dupla de esquisitas da escola: uma mestiça e uma gorda, por que todos nos viam como alvos fáceis?

Sohee e Yoomi, Yoomi e Sohee. Era isso que significava a nossa amizade. Um pilar onde ambas se apoiavam e se mantinham forte. Juntas, tentamos superar o bullying e todas as pessoas daquela escola até a formatura. Mas, separadas? Era difícil imaginar o que fariamos na primeira tentativa de suicídio. Era muita coisa para suportarmos sozinhas.

Naquele dia, Yoomi me convidou para dormir em sua casa. Aceitei antes mesmo de confirmar com meus pais - o que nem precisava, já que isso era algo que acontecia sempre.

Eu adorava dormir ja casa de Yoomi. Havia comida o tempo todo, além de sua mãe ter uma confeitaria onde podiam comer alguns cupcakes ou pedaços de bolos/tortas de graça. Sempre levava alguns cupcakes para seu irmão mais novo.

Sohyuk era a coisa mais preciosa na vida da minha vida. Estavamos sempre juntos, já que nossos pais eram dois viciados em trabalho que voltavam para casa 23hrs e saíam 06hrs. Quase nunca viamos eles. Para vê-los era necessário marcar horário.

Naquela noite de sexta-feira, quando nossos pais normalmente tinham folga e quando eu normalmente dormia na casa de Yoomi, teria o jogo de futebol do time da escola.

Não via necessidade de ir, embora quisesse muito observar Seongwoo, mas meu irmão e Yoomi insistiram tanto em irem assistir, que fui convencida.

O jogo começava as 18hrs e assim que chegamos, vimos o local lotado de estudantes e pais animados. As líderes de torcidas estavam mais animadas que o normal: sorriam, pulavam e dançavam como nunca. Sempre quis ser uma delas, mas era excluída demais para isso.

Sohyuk e Yoomi primeiro me arrastaram para irem comprar comida e depois irem arrumar um lugar para se sentarem.

Como não gostava muito de futebol, apenas ficou de olho em Seongwoo. Ele estava tão bem e tão animado que sentia meu coração derreter a cada sorriso que ele dava.

O time da escola, Royals, estavam ganhando. Sohyuk gritava a todo instante e Yoomi contava o dinheiro para ver se daria para comprar outro cachorro quente.

Eu estava tão hipnotizada que nem percebi os murmúrios e as risadinhas de Soojung e suas amigas, Hyeri e Yona. As três eram a fonte da onde começam boatos, encrencas, e principalmente bullying. São elas que ninguém ousa passar por cima ou "dar um jeito". Qualquer coisa direcionada a aquelas meninas é voltado para si mesmo 100x pior.

O alvo preferido delas sou eu e Yoomi, a dupla de esquisitas do colégio.

O que diferencia as três meninas de outras meninas quaisquer na hora de fazer o bullying é: Soojung, Hyeri e Yona sabem como perturbar. Elas nunca são pegas, porque não usam o contato físico e sim o psicológico.

Rir e murmurar sobre a pessoa, falar atrocidades e criar rumores, tudo fazia parte de sua tortura psicológica.

Ver uma pessoa qualquer rir de uma piada perto de mim, me fazia ficar totalmente paranoica e pensar que estavam rindo de mim. Olhava para baixo, para tentar esconder meus olhos.

Tentei se concentrar em Seongwoo o máximo possível, mas os sussurros e risadinhas estavam cada vez piores. Assim que o jogo acabou - e Royals ganhou, inventei de que iria ao banheiro. Yoomi sabia o que estava acontecendo, também havia percebido, mas tinha que ficar de olho em Sohyuk.

Fui ao banheiro, joguei uma água em meu rosto e o limpou. Me encarei no espelho por alguns segundos, com raiva de meus pais. Eles me proibiram de comprar uma lente de contato da cor de seus olhos castanhos escuros. Eles disseram que só iria comprar com seu dinheiro próprio, depois que começasse a trabalhar. E como isso só iria acontecer depois que eu me formasse no colégio e passasse em alguma fsculdade, eu teria que esperar bastante ainda.

Ao sair do banheiro, tive que esperar todo o time de futebol passar pelo corredor, para poder seguir meu caminho.

Consegui achar Seongwoo no meio dos meninos. Ele não havia me percebido, mas senti meu coração derreter ao ver seu sorriso, provavelmente por ter ganhado o jogo.

Depois que eles passaram, decidi voltar para onde Yoomi e Sohyuk estavam, porém, não me assustei quando vi as meninas paradas na corredor, olhando diretamente para mim.

Soojung e Hyeri deram um risinho quando me viram. Pensei em ir para em outra direção, mas Yona também estava por la esperando por mim. Ou seja, estava cercada.

- Acha que nunca percebemos sua quedinha pelo Seongwoo? - perguntou Soojung.

- É de dar dó... - disse Hyeri.

- Sim - concordou Soojung. - Sungwoo oppa é meu. Sabia que nos encontramos antes do jogo e ele me pediu em namoro? Aposto que você percebeu a felicidade de Seongwoo enquanto ele corria no jogo. E agora também.

Engoli em seco. Irritar Soojung não era bom, principalmente porque sabia que ela também gostava do Seongwoo. Agora que eles estavam namorando... seria proibido até olhar para ele.

- Acho que você está entendendo o que eu quero dizer, não é? - disse Soojung.

- Sim - murmurei.

As três meninas, agora juntas, riram entre si. Aquele terror psicológico estava de volta e eu não via a hora de sair dali.

- Sua pele é tão feia, Sohee-ah - disse Hyeri.

- Seus olhos me dão vontade de vomitar - disse Yona.

- Você deve se achar com essas pálpebras duplas, não é? - disse Soojung. - Da onde você arrumou dinheiro para cirurgia plástica?

- Você é tão pobre por causa do seu pai canadense que nem deve conseguir se manter direito - falou Hyeri.

- Eu não aguento mais olhar para seus olhos - falou Yona. - Não tem vergonha deles?

Naquele ponto, estava segurando as lágrimas para não chorar.

Não podia fazer nada. Ninguém acreditaria em mim. Meus professores sempre foram preconceituosos comigo por conta de ser mestiça, então acreditariam nas três, porque elas coreanas e acima de tudo, ricas.

- Os boatos estavam certos então... vocês são realmente uns monstrinhos. Seongwoon sabe disso, Soojung?

Não esperava ver Kang Daniel por ali. Ele estava suado por causa do jogo, mas sabia que sua beleza era bem superior do que um simples suor, então não importava como ele estaria, ficaria bonito de qualquer jeito.

- D-Daniel oppa? - disse Soojung, gaguejando. - O que faz aqui?

- Atrás de você. Sungwoo quer te ver.

- Não era mais fácil me mandar uma mensagem? - ela disse.

- Fizemos uma aposta. O perdedor teria que procurar você pela escola e dizer que Sungwoo estava querendo falando com você. Que bom que foi eu quem vi, não é? - falou, irônico.

Soojung ficou quieta.

- Eu irei falar com ele. Vamos, meninas?

As três meninas se foram. Minhas lágrimas ainda estavam por ali, esperando uma brecha para saírem.

- Você está bem...? - perguntou Daniel, um tempo depois.

- Sim, obrigada - falei, ouvindo minha voz amargurada sair.

- Elas fazem isso sempre? - perguntou.

Decidi que era melhor não falar nada. Se Soojung descobrisse que falei demais, acabaria comigo. O melhor era voltar e procurar Yoomi e Sohyuk.

- Você não pode deixar elas continuarem com isso - falou.

- Isso não é da sua conta - falei, com a voz cada vez mais amargurada.

Daniel ficou quieto.

- Mas... obrigada -  Me curvei em agradecimento e se foi.

Enquanto andava, se forçava a não deixar as lágrimas caírem. Muitas pessoas passavam por lá, indo embora. Não podia chorar que nem uma criança na frente delas e de ninguém. E também, Sohyuk e Yoomi não podiam me ver chorar.

Assim que nos encontramos, fomos embora. Não comentei nada com ninguém.



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