História Olhos Dourados. - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias Piratas do Caribe
Personagens Personagens Originais
Tags Marujo, Olhos Dourados, Pirata, Pirataria, Sereias
Visualizações 34
Palavras 2.119
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Fantasia, Ficção, Misticismo, Suspense

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Desde que ouvi a canção "Meu nome é Maria", de Piratas do Caribe, que fiquei com ela na mente.
A imagem das sereias me deixaram maravilhados, e loucamente eu me imaginei escrevendo algum tipo de história sobre essas beldades marítimas. Contudo, eu não tinha uma imaginação boa para um conto; não fazia ideia do que escrever. Pensei em alternativas: romances, aventura... suspense; nada me agradava. Eu queria algo que fosse rápido, e deixasse no leitor um sentimento de "Uau, quero mais" (mas isso é tão difícil). Demorei muito tempo, meses e meses, para poder imaginar algo. Finalmente, em meus delírios como escritor, consegui planejar um desfecho que me agradou; e assim espero que também agrade aos leitores.
Sejam bem vindos nesta navegação em alto mar.

Capítulo 1 - Nas profundezas - Capítulo Único.


Fanfic / Fanfiction Olhos Dourados. - Capítulo 1 - Nas profundezas - Capítulo Único.

Viajando em altos mares, uma embarcação solitária se revelava no horizonte. A bandeira negra estava hasteada, sem temer a existência de ameaças ofensivas contra si. O Capitão Salazar era um pirata com um nome amargo nas cidades. A marinha mundial, assim como caçadores de recompensas e outros piratas que buscavam glória, lhe caçava ambiciosamente; enviando frotas em sua perseguição, sem sucesso. As lendas diziam que: “Capitão Salazar havia feito pacto com o demônio, e conquistado o navio mais rápido já imaginado. Ninguém conseguia alcança-lo, exceto se o mesmo quiser que aconteça; isso é, se tiver coragem de enfrentá-lo com espadas e mosquete”.

Já se passaram cinco dias desde que iniciaram a aventura para os desfiladeiros de cristais, um lugar contado de boca a boca sobre uma caverna onde as pedras preciosas brilhavam na noite. “Riquezas quase infinita”, tais palavras atiçaram a ganancia do pirata, que rapidamente preparou seus homens e embarcação, e zarpou em alto mar. Depois de dois dias, eles deixaram de avistar terra firme; dois dias após, nenhum canto de gaivota era ouvido. No quinto dia, quando a solidão fora a última coisa que lhes restou naquele horizonte azul, a comida tinha acabado; porém, isso não os abalava, pois ainda tinham o rum. Nos primeiros dias, a tripulação bebia e cantava de forma empolgada. Entretanto, no quarto dia o tédio lhes abateu, estavam loucos para saquear alguém, mal podiam esperar para atracar.

O Capitão Salazar estava no leme, atento como sempre. A luneta estava a distância de sua mão, na ansiedade de poder avistar qualquer ilha que correspondesse as suas expectativas. O imediato tentava manter a tripulação em ordem, não deixando que seus corpos enferrujassem para qualquer batalha que pudessem sofrer. Neste pensamento, ele promovia duelos entre a tripulação para se exercitarem; graças a isso, o tédio não os consumia completamente.

De repente, o céu limpo se tornava nublado, e trovões fortes puderam ser ouvidos. As nuvens escuras eram um mal pressagio para os marujos, que olharam para o céu, preocupados. Rapidamente, começaram a se mover de acordo com as ordens do capitão: as cordas eram afrouxadas, e em seguida retornavam para um nó apertado; as velas eram abertas e fechadas constantemente. O vento forte afligia suas peles, e as batidas violentas das ondas lhes faziam perder o equilíbrio, precisando se segurar para não caírem no mar. A chuva repentina eram como pequenas agulhas ferindo seus corpos, e o som dos gritos eram sufocados pela maré alta. Num momento inesperado, uma das velas rasgou com a força do vento, em seguida fora o mastro que voou para a água. O casco começou a rachar, e desesperados, foram obrigados a abrir mão dos equipamentos pesados como os canhões; e para a tristeza de muitos, alguns barris de rum. Habilidosamente, Capitão Salazar guiou o leme, firmemente; em nenhum momento ele cedeu à tormenta. Mostrando um sorriso insano, o imediato repassava  todas as ordens do capitão, fazendo com que a tripulação se empolgasse. “Nada melhor que duelar contra a natureza para esquentar os ânimos”, pensavam. E da mesma forma que havia surgido, a tempestade cessara.

O mar voltou para sua tranquilidade habitual, o que deixava os piratas desconfiados. Uma névoa densa se formou, porém não era alta, deixando a visibilidade aceitável. Ofegantes, os marujos ficaram em silêncio, esperando por alguma surpresa que o mar pudesse lhes oferecer. A respiração era congelante, fazendo os pulmões doerem a cada inspiração. A água ondulava, levemente. Era impossível para os piratas perceberem, mas figuras dançantes se aproximavam da embarcação. Após minutos inquietantes, o som rompeu o silêncio:

Tenho a flecha do cupido...”

— Que som é esse, capitão? — perguntou o Imediato, direcionando sua atenção para o mar. Capitão Salazar tinha uma expressão preocupada, assim como o restante da tripulação pirata. O som era como um cantarolar suave e gentil, atrativo.

A riqueza é ilusão...”

— Isso é voz de mulher? — os marujos estavam desentendidos, confusos.

E só pode consolar-me...”

Merda, merda — praguejou o Capitão Salazar, descendo para o convés junto do seu Imediato que não compreendia o assombro repentino.

Meu marujo alegre e bom.”

— Homens! Amarrem-se nos mastros, segurem-se com cordas ou correntes, mas ajam rápido! — vociferava Capitão Salazar, realizando as ações ditas.

— O que está acontecendo, Capitão? — perguntavam, confusos.

— Sereias, homens. Estamos cercados por sereias! — sua voz fez com que a tripulação engolisse em seco, e desesperadamente todos começaram a se amarrar em qualquer ponto livre que a embarcação tivesse.

Venham todas, belas damas, aqui desde lugar”

— Rápido, seus cães sarnentos! Não se deixem enganar pela bela voz, essas criaturas são demoníacas — dizia Capitão Salazar, de forma assustadora.

Que amam um bravo marujo...”

A tripulação pirata havia conseguido se prender nos mastros e laterais da embarcação; cordas firmes, em nós improvisados, mas que não seriam desfeitos de forma fácil. Estavam todos ansiosos para poderem ver suas primeiras sereias durante toda a vida no mar. Capitão Salazar era o único que tinha uma expressão séria, e mesmo amarrado ele mantinha sua arma do lado, para disparar quando quisesse.

Cruzando o alto mar”.

A névoa subiu e o ar se tornava mais gelado. Os piratas engoliram em seco, apreensivos. Ninguém emitia um único ruído, deixando o silêncio inquietante. A maré trazia pequenas ondas e o vento fraco mal movia o navio pirata, lhes deixando presos ao léu. Eles já haviam ouvido lendas sobre as criaturas do mar, mas nunca imaginaram ser reais. Agora, que vivenciavam o momento, tinham medo do resultado final da história. “(...) ninguém sobrevivia. Tudo o que sabemos, são contos dos mortos”, assim terminavam as histórias dos marinheiros.

 

Tenho a flecha do cupido, a riqueza é ilusão.

E só pode consolar-me, meu marujo alegre e bom.

Venham todas, as belas damas, aqui deste lugar.     

Que amam um bravo marujo, cruzando o alto mar”.

 

Repentinamente, da névoa cinzenta, brilho dourado surgiu. Era um vulto misterioso, a imagem de uma mulher de pele clara e cabelos castanhos longos. Os belos seios, visíveis, tinham o tamanho palpável das mãos dos marujos, que imediatamente ficaram excitados. A névoa diminuía, permitindo uma melhor visualização da mulher. Ela se apoiava na margem da embarcação, e mesmo com sua cauda fora da água, bastava que uma onda lhe alcance para reidratar o membro do corpo. Sua beleza atraia os instintos mais selvagem dos homens, que cediam para sua presença. Alguns tentaram se levantar para ir ao seu encontro, mas graças as cordas, não se aproximavam.

A porta abriu, e um dos marujos, que havia bebido rum demais e tinha desmaiado no andar inferior, surgia no convés, ainda sob efeitos da bebida. Ao avistar seus companheiros amarrados e em gritos, pois tentavam impedir que fossem de encontro com a sereia, o marujo se desesperou com a cena; especialmente ao ver seu capitão preso. Ele tentou sacar sua espada, mas havia deixado no andar inferior. Independente disso, ele pegou uma das lâminas no chão, para tentar soltar seus amigos, porém, o som suave começou a adentrar em seu ouvido. O marujo olhava para o lado, onde pôde avistar a beldade de olhos brilhantes lhe encarando fixamente.

— Meu marujo, alegre e bom — ela disse, de forma tímida e mostrando um sorriso lascivo. O homem não resistiu, e começou a avançar em passos lentos. Seus companheiros o chamavam, na falha tentativa de acordá-lo do transe. A hipnose era mais forte do que imaginavam, e quando faltavam alguns metros de distância para o encontro... um disparo estrondoso pôde ser ouvido do convés. O Capitão Salazar havia puxado o gatilho de sua arma, não acertando seu alvo, mas conseguindo afugentá-la. Interrompido a hipnose, o marujo despertou do transe, cético sobre o que havia acontecido.

O navio começou a balançar violentamente, como se algo estivesse o empurrando. O único homem que estava livre das amarras, em sua curiosidade, aproximou-se da borda da embarcação para bisbilhotar o motivo de tal agitação. Quando pôs seu rosto para frente, na tentativa de avistar algo, ele ficou decepcionado por causa da névoa densa que impedia sua visão. Contudo, algo lhe chamava atenção: havia movimentação na névoa, como uma dança na água. O pirata envergou o corpo para frente, ultrapassando o limite da curiosidade.

A água borbulhou, e de repente, a sereia pulou, agarrando o homem pela face e o puxando, abruptamente, para baixo. A tripulação arregalou os olhos ao ver o companheiro sendo sequestrado de forma rápida. O Capitão Salazar cerrou os dentes, sentindo-se impotente. Ele sabia que precisava sair daquelas águas o mais rápido possível, só bastava mover o leme para uma nova direção; caso contrário, iria correr o risco de perder toda a tripulação. Em insanidade, Capitão Salazar se preparou para se levantar quando foi obrigado a se interromper, pois o canto das sereias retornava em seu doce timbre.

Entretanto, desta vez foi uma aparição diferente. A imagem de várias mulheres foram surgindo ao redor da embarcação. Algumas tinham a pele alva como a lua e outras eram negras como a noite profunda; os cabelos em suas diversidades com os loiros dourados, castanhos e escuros. Os lábios seduzentes, com olhares penetrantes eram uma tentação que impedia dos homens resistirem. Um por um, iam se debatendo e levantando, forçando que a corda se soltasse.

— Ratos imundos! Não se deixem enganar! — gritava o Imediato, resistindo ao máximo; mas em vão. Eles iam sendo seduzidos pela beleza divina, e sob efeitos extasiantes, foram sendo raptados passivamente. — Criaturas amaldiçoadas!

— Não gaste suas palavras, não irão ouvir — falou o Capitão Salazar, tentando analisar sua situação, já que o único disparo que tinha de seu mosquete fora gastado para tentar salvar seu subordinado. Foram poucos da sua tripulação que resistiram e não se deixaram ser hipnotizados. Eles se mantiveram firmes, ainda amarrados pelas cordas e correntes. Os sobreviventes começaram a praguejar contra as sereias, numa tentativa de não se deixarem enganar. Suas palavras ofensivas as faziam sorrir, de forma misteriosa. Em meio há tantos rostos seduzentes, Capitão Salazar reconheceu um em particular, que lhe olhava fixamente; era a mesma do qual ele havia disparado antes. “Busca vingança?”, imaginou.

— O que faremos, capitão? — perguntou o Imediato, preocupado.

— “Não podemos fazer nada” — respondeu, conformado.

— Mas capitão... — murmuraram os sobreviventes, indignados com a decisão passiva.

— Acham mesmo que irei deixar minhas riquezas e glórias neste lugar?! — sua voz saiu firme, energizada. Todos o encararam surpresos, confusos sobre suas palavras. Em seguida, eles se soltaram das amarras e pegaram suas armas, compreendendo o desejo do capitão. As sereias se entreolharam, confusas sobre as reações repentinas dos homens. — Durante anos, a marinha e caçadores tentaram me capturar, sem êxito! Conquistei cidades e descobri ilhas, jamais imaginadas antes. Obtive tesouros e executei homens que até hoje não me arrependo. O desfiladeiro cristal será o último lugar que eu, o temível Capitão Salazar, irei conquistar com as próprias mãos! Por isso, saiam do meu caminho sereias das profundezas do mar, ou ousem ficar na frente de minha espada.

Capitão Salazar as ameaçou, pondo sua lâmina para frente, em direção para a mulher que o olhava analiticamente. As sereias se afastaram, após ouvir o bravo discurso do pirata, o que fazia o restante da tripulação se sentir aliviada; porém, elas não se ausentavam pelo medo do homem, apenas esperavam para o momento final. O Capitão Salazar se aproximou da mulher  de pele clara e cabelos castanhos, ainda com sua espada empunhada; ela mostrou um olhar misterioso e em seguida sorriu, dando um impulso e voltando para o mar.

— Capitão... Capitão! — gritavam os marujos.

— O que foi? — gritou de volta.

— Onda gigante! — alarmou o imediato, tarde demais. Eles não iriam conseguir alcançar o leme a tempo, muito menos se amarrar em alguma estrutura. A água ergueu o navio de forma violenta, e quando chegou na crista, foi derrubado brutalmente; a embarcação pirata fora despedaçada em dezenas de pedaços. Partes da madeira flutuavam, abandonadas. Nenhum dos membros da tripulação foi avistado novamente.

Capitão Salazar afundava lentamente. Ele ainda mantinha a consciência, avistando o último brilho de prata da lua. O homem não conseguia mais respirar, já havia  ingerido muita água. Seu corpo pendia para baixo, com as mãos erguidas, na tentativa de retornar para a superfície. Capitão Salazar em seus últimos momentos de vida, ouviu a doce risada feminina no seu ouvido. As mãos gentis da sereia lhe tocaram a face, fazendo com que seus olhos se encontrassem. O homem tentou reagir, mas seu corpo entrava em estado de letargia. Se era um anjo ou demônio, ele não sabia; tudo o que o temível pirata Salazar pôde fazer foi fechar seus olhos, aceitando seu destino. De forma carinhosa, a sereia de olhos dourados abraçou seu corpo, levando-o para as profundezas do mar. A luz de prata ia cedendo, dando lugar para a escuridão abissal.

— Tenho a flecha... do... cupido... É você, meu marujo alegre e bom?


Notas Finais


Obrigado para você que leu até aqui.
Espero que tenha aproveitado a leitura.

Antes que imaginem coisas, o nome do Capitão Salazar não tem conexão com o personagem Salazar do filme "Piratas do Caribe - A vingança de Salazar". A razão da escolha deste nome fora uma atração que tenho em particular; talvez seja até o nome do meu futuro filho (que planejo até daqui a muitos, e muitos, anos à frente). O chamado de "Salazar" tem um aspecto forte, vibrante, que faz o peito encher ao soar seu nome, era perfeito para um pirata; especialmente um Capitão!

Sou um fãs das canções de sereias, apaixonado (não haveria dúvidas que eu me jogaria no mar no primeiro instante). Portanto, fico contente em finalmente poder escrever algo sobre elas, tenho o sentimento de dever cumprido. Bem, terminado o assunto desta história, também possuo outras, que talvez lhe agrade, tais elas:

League of Legends:

--> Eu, Kindred: https://spiritfanfics.com/historia/eu-kindred-7201747
--> Eu, Virtuoso: https://spiritfanfics.com/historia/eu-virtuoso-7762996
--> Eu, O Crepúsculo: https://spiritfanfics.com/historia/eu-o-crepusculo-10862638


Mitologia Grega:
---> A ascensão da humanidade: https://spiritfanfics.com/historia/a-ascensao-da-humanidade-9462052


Original em andamento:
---> Equilíbrio: https://spiritfanfics.com/historia/equilibrio-arco-dos-humanos-7857084


Créditos das imagens:
Artista: Marco Busoni
Link: A trick of the light - Marco Busoni

Imagem de capa: Artista desconhecido.
Espero que goste e sinta-se livre para conhecer todas minhas obras.
Novamente, obrigado por chegar até aqui.
E nos encontraremos numa nova aventura.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...