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  3. 19 de Março

História Olhos Místicos - Capítulo 7


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Notas do Autor


Dois jovens lobos, sentimentos em conflito. O que o destino me reserva?

Capítulo 7 - 19 de Março


Fanfic / Fanfiction Olhos Místicos - Capítulo 7 - 19 de Março

Cansado, dormi o dia todo e sonhei coisas sem nexo das quais não me lembraria ao acordar. Despertei no início da noite, recuperado do cansaço e sem nenhuma marca de ferida, sequer uma cicatriz. Estava em uma cama de casal maior que a do Scott, mais luxuosa, assim como o quarto enorme onde ela ficava, todo ricamente decorado. Uma grande porta dupla indicava a entrada daquela suíte e tapetes caros enfeitavam o chão. Não sei como vim parar aqui, mas o cheiro gostoso que preenchia o lugar não deixava dúvida: aquele era o quarto do jovem ômega que me resgatou. Como estava sozinho e não ouvia nenhum barulho, resolvi bisbilhotar seus armários e gavetas, onde acabei encontrando além de muita roupa masculina, armas brancas e armas de fogo em compartimentos escondidos. Não mexi nas armas e fechei de volta o local onde estavam e me pus a ver a gaveta de cuecas do Derek. Ele tinha umas quarenta ali naquele quarto, não sei pra que tantas, mas era bem divertido imaginá-lo usando cada uma delas. Acabei encontrando cuecas marcadas com o nome de membros do bando, inclusive do Scott, o que eu sabia bem como acontecia – Derek não se importava em usar a roupa dos outros que estivesse a mão – e escolhi uma boxer azul com elástico branco, que tinha o nome Derek na parte de trás, para usar depois do banho que eu tomaria ali mesmo. Depois de ficar bem cheiroso e limpo, vesti a boxer e calças novas que trazia na mochila e uma camiseta branca, com um casaco jeans por cima. Ajeitei o cabelo, calcei meu tênis e saí pela porta dupla para explorar o local. Acabei encontrando, do lado de fora do Loft, uma cena com a qual eu já havia sonhado.

Derek e Scott discutiam na grama externa da entrada.

– Ele fugiu porque você é um idiota!

– O que você tem a ver com isso? – retorquiu Scott. – Aconteceram coisas e não tivemos chance de conversar sobre.

– Eu pretendia levar ele pra sua casa quando acordasse – disse Derek com raiva – mas vou deixá-lo decidir se quer ir. Ele está bem aqui comigo.

– Ele faz parte do bando agora – Scott falou alto se exaltando – você tem que me deixar levá-lo!

– Já disse que ele só vai se quiser – Derek disse ainda mais alto, liberando suas garras e forma de lobo.

Scott também se transformou e eu corri para lá para tentar evitar que meus amigos brigassem de verdade por minha causa.

– Por favor, não – eu falei sem jeito.

– R! – Scott disse correndo até mim, mas Derek entrou na frente e o impediu de chegar. – Você está bem? Porque fugiu?

– Tem uma coisa que eu preciso fazer – falei com a voz tímida – vou passar a noite aqui e irei para a sua casa de manhã.

– Tudo bem – disse Scott conformado, olhando feio para o Derek que ainda estava em forma de lobisomem e pronto para a luta – se é o que você quer. Eu...

Scott não disse mais nada, apenas respirou fundo devagar, colocou as mãos nos bolsos do jeans e foi até a moto que havia parado não muito longe.

– Até amanhã bem cedo – ele frisou e sorriu.

Fiquei o observando partir, com um aperto no coração. Derek voltou a forma humana e sorriu pra mim.

– Viu o que eu tinha te dito? – Moleque topetudo, gosta de dar ordens para todos.

– Ele só se sente responsável, dá pra entender.

– Ele não gosta de você como eu gosto R!

– Eu sei – respondi – não se controla essas coisas.

– Suas feridas desapareceram – ele disse mudando o assunto e levantou minha camisa para olhar o que me deu um frio na barriga. – Parece que sua cura é muito eficiente.

– É melhor a gente entrar – eu disse com calma – tem algo que preciso fazer.

– Sim, do que você estava falando? É algo que eu possa ajudar?

Não respondi essa última. Fui andando até a suíte onde Derek dormia e ele me seguiu, depois de trancar a entrada e ligar o sistema de segurança do loft.

Acendi as luzes do quarto e me sentei na cama, quando Derek entrou, reparou no lugar totalmente iluminado e pareceu não gostar muito. Ele se aproximou com um sorriso safado em seu belo rosto jovem, mas fui eu quem falei primeiro.

– Tira a roupa.

– O que? – ele se espantou com o quanto eu fui direto.

– Falei para tirar a roupa, toda ela. Preciso ver você.

– Sou eu quem dá as ordens aqui – ele falou sorrindo e tirando a camisa devagar – você tá muito saidinho hein.

- A cueca também – eu disse tentando parecer sério, quando vi que ele tinha parado de se despir.

– Bancar o mandão pra cima de mim pode te custar caro – ele sorriu daquele jeito sacana – está mesmo pronto pra isso?

– Me mostra seus olhos sobre-humanos – ordenei de novo e ele os “ligou”. Me perdi por algum tempo naqueles olhos e Derek falou impaciente, já ficando ereto.

– O que você tá fazendo? – ele perdeu o sorriso, ficando um pouco encabulado.

– Eu posso ler as pessoas pelos olhos. – Respondi com calma – e é mais fácil quando estão sem roupas.

– Isso é só uma desculpa pra me ver pelado – ele disse e sorriu, me derrubando de costas na cama. Sua rola dura entrou embaixo da minha camisa e ele me encarou com o rosto bem perto do meu. – Agora você vai pagar por me dar ordens.

Derek tirou minha roupa e deu um sorriso safado ao ver que eu usava uma de suas cuecas. Me colocou de bruços enquanto eu remoía tudo que tinha lido nele e ficava em conflito com meus sentimentos. Dominado pelo sofrimento que eu vi em sua vida e pelo desejo libidinoso que se apossava de mim perto dele, acabei me entregando, tentando não pensar no que havia acontecido na noite anterior e em como seria com Scott daqui para frente. Derek me penetrou por um bom tempo e fazia com força e velocidade, dizendo que era meu castigo por ter sido tão mandão. Depois de quase uma hora, ficamos deitados lado a lado, nus e recuperando o fôlego. Aquele jovem lobo era incrível de todas as maneiras que se podia imaginar.

– Era isso que você tinha que fazer? – ele perguntou presunçoso.

– Não. – respondi e calei.

– E o que era? – ele insistiu.

– Eu queria saber mais sobre você. Obrigado por me deixar ler.

– E o que você viu?

– Quando Ennis mordeu Paige, não foi sua culpa. Você não tinha pedido pra ele fazer isso.

– Você não sabe o que tá falando – ele se sentou com raiva.

– Por favor – me escuta – eu gosto de você e não quero que você viva sempre assim.

– Eu queria que ela fosse um lobo como eu – ele falou entredentes, com raiva – e eu a fiz morrer.

– Não é verdade – eu insisti. – Mesmo que você me odeie por falar nisso, eu preciso dizer. Foi Peter quem falou com Ennis, sem você saber. Quando ele te contou, já não dava para evitar. Você aceitou na esperança de que ela virasse uma lobisomem como você, mas não tinha como saber que ela morreria. Você não a quis morta, nunca quis. Você não é culpado!

Derek enfiou as garras no colchão e uivou com força, liberando sua forma de lobo. Fiquei com receio de que ele se virasse contra mim, mas ele enterrou a cara nas mãos e chorou em silêncio. Quando se virou para mim, desligando sua forma sobrenatural, notei espantado que seus olhos não estavam mais azuis brilhantes: um vermelho vivo de alfa deu lugar aos poucos, ao castanho natural de seu lado humano.

– O que você fez comigo – ele perguntou sem entender.

Levantei da cama – sem roupas – e o levei pelo braço até o banheiro. Pedi que mostrasse seus olhos sobrenaturais diante do espelho e ele se assustou ao ver o reflexo de um alfa, não de um ômega matador de inocentes.

– Eu não entendo... – ele balbuciou.

– No fundo, você sabia que não tinha culpa. – falei devagar – Eu só te mostrei a verdade e você a aceitou e se perdoou.

– Eu estou sentindo uma coisa em mim. Uma coisa meio irritante que me faz lembrar o Scott. – disse Derek pensativo.

– Você não é mais um ômega, é um alfa parte do bando do Scott.

– Um bando normalmente só tem um alfa – ele contestou.

– Um alfa e um alfa genuíno – conclui e ele ficou em silêncio.

– Eu consigo sentir a angústia dele. É irritante. Acho que devíamos ir lá.

– De manhã – eu disse com um sorriso – ainda temos o resto da noite pela frente.

Voltamos para a cama e dessa vez, apenas dormimos. Inicialmente, cada um de seu lado, mas quando me virei para a direita, ele me abraçou por trás colando seu corpo no meu. Não dá para dizer que foi uma noite ruim.

No dia seguinte, bem cedo, Derek me acordou. Já estava vestido e arrumado, pronto para tudo e me disse que a gente deveria ir logo na casa do Scott. Olhei o relógio, marcava seis e meia da manhã e fiquei impressionado. Não quis perguntar porque ele estava ansioso e porque tão cedo, mas acredito que o novo vínculo o estava incomodando e ele queria por um fim nisso, se possível. Por sorte, Melissa não tinha dormido em casa e encontramos apenas Scott dormindo em seu quarto e Theo e Liam no de hóspedes, mas só acordamos o primeiro. Impagável a cara de raiva que Derek fez diante da cara feliz e sarcástica do Scott. Achei que o jovem Hale ia romper o vínculo ali mesmo, mas ele suspirou conformado enquanto conversaram. Fiquei de lado apenas ouvindo, enquanto pareciam que iam brigar de novo, mas Derek acabou concordando que era bom ele fazer parte do bando e ter um vínculo com Scott, facilitaria muito nossa vida e os planos futuros, porque ambos concordavam que era preciso caçar e eliminar a ameaça do homem carneiro. Meu coração gelou ao ouvir essa parte, imaginando o fim de minha primeira família e os dois alfas me olharam preocupados, ouvindo meus batimentos com suas audições sobrenaturais.

– Você está bem? – perguntou Scott parecendo angustiado, segurando meu braço direito.

– O que houve? – perguntou Derek não menos preocupado, segurando meu braço esquerdo.

– Esse monstro – eu disse desanimado – matou minha família e me caça há muito tempo. Não quero colocar vocês em perigo, não quero perdê-los!

– Tá duvidando da nossa força R? – Derek questionou orgulhoso. – Não lembra do que eu fiz na floresta?

– A gente consegue, cara – completou Scott e inquiriu – o que houve na floresta?

Enquanto narrava seu feito na floresta para o dono da casa, o barulho despertou Theo e Liam, que já estava bem melhor e Melissa chegou ao mesmo tempo acompanhada do senhor Argent, seu namorado. Fomos todos para a cozinha e Chris – esse era o primeiro nome dele – disse que ele e Scott fariam o café. Melissa não gostou muito da idéia de ter homens mexendo na sua cozinha, mas adorou não ter que ser a cozinheira, só por ser a única mulher ali. Constatamos que precisávamos renovar a despensa e hoje era minha vez de pagar, eu mesmo me ofereci e não aceitei recusas ou argumentos contra. Faríamos isso logo depois do café da manhã. O clima família ali era incrível, gostoso, perfeito. Mesmo Derek parecia membro daquela família e isso eu notei bem antes de sua mudança de cor dos olhos. Comemos cereal, bacon, ovos, leite e café preto, que eu fiz questão de fazer e jogamos todo tipo de conversa fora. Aprendi algumas coisas bem interessantes nessa manhã, como o fato de Chris Argent ser caçador de lobisomens e pai da falecida primeira namorada de Scott. Ele também perdera pessoas em batalhas contra e a favor dos seres sobrenaturais de Beacon Hills e estava bem satisfeito com sua nova família, padrasto do jovem alfa genuíno e recrutador de uma nova linhagem de caçadores que pretendia equilibrar a balança entre bem e mal, antes ainda que entre humanos e sobrenaturais. A limpeza da cozinha sobrou para Corey e Theo – o primeiro chegou durante o café – e eu e Liam saímos para fazer a feira, uma vez que hoje não teria aulas e Chris se juntou a Derek e Scott para planejar a caçada ao homem carneiro, enquanto Melissa se preparava para seu primeiro turno no hospital local.

O supermercado ficava a duas quadras da casa, então fomos a pé mesmo para poder aproveitar o ar da manhã fria que fazia. Estava nublado e Liam vestia jeans, tênis vermelho e camiseta branca, com os músculos do braço expostos e um volume que parecia maior até que o do Scott. Tentei não admirar muito seu corpo definido e me concentrei em seu rosto alegre e até comentei que tinha um belo sorriso. Ele agradeceu e disse que nem sempre fora assim, que era revoltado e raivoso e até já tentara matar Scott. Sem nunca parar muito tempo em lugar nenhum, nunca tive a chance de usar o dinheiro que meus pais me deixaram. Acabei exagerando nas compras, mas por sorte faziam entregas. Saí comendo uma barrinha de chocolate e Liam pegou uma cerveja gelada. Beacon Hills é uma cidade linda, apesar de pequena e do histórico sobrenatural sangrento. Voltamos rápido, já que ele queria ficar a par dos planos de caça que estava sendo criado em casa. Assim que entramos na casa, estavam nos esperando. Chris queria tentar me tirar alguma informação esquecida que pudesse ajudar a abater a presa. Fiquei apreensivo, com medo de que eles estivessem indo para a morte. Teria que convencer Scott a me deixar ir junto, mesmo não sendo um bom lutador, mas faria isso quando estivéssemos sozinhos. Contei tudo o que sabia: o homem carneiro quase nunca aparecia perto de mim para me pegar, sempre influenciava ou possuía outras criaturas sobrenaturais e até humanos para me caçar. Eu não sabia dizer como não tinha sido capturado até hoje, em seis longos anos, mas me ocorreu uma coisa que Derek me dissera na noite anterior, sobre não sentir meu cheiro quando não me via, então resolvemos fazer alguns testes.

Nos fundos da casa, eu e Corey nos afastamos do grupo. Em determinado ponto, ele me fez desaparecer junto de si e mudamos de lugar. Derek, Scott, Chris e Liam vieram até nós seguindo as pegadas e rastros físicos deixados, mas constataram que perderam meu cheiro assim que eu sumi de suas vistas.

– Alguma coisa em você mascara seu cheiro – falou Scott impressionado.

– E seu rastro também – constatou Chris demostrando apenas as pegadas que Corey deixara ao andar comigo.

– Como prender ou matar uma criatura que vira fumaça? – perguntei tentando tirar o foco de mim, o que não me deixava muito confortável.

– Tramazeira – Scott falou animado. – Ela pode prender a criatura em uma área pequena.

– Acredito que dá pra matar com fogo ou eletricidade – Chris constatou pensando na pior parte.

– Deaton chega hoje – lembrou Derek – talvez ele tenha mais informações sobre a coisa.

– Ele vai gostar de conhecer você – Scott disse ao me abraçar de lado e começar a me guiar para a casa.

Não ousei olhar a cara de Derek quando ele fez isso, apenas ouvi sua voz ficando distante, enquanto ele falava com Argent. Nos sentamos na pequena escada na frente da casa e eu aproveitei o momento para fazer o que eu planejei.

– Eu preciso ir junto – falei de uma vez.

– Sem chance! – Scott foi categórico – Não vamos levar você direto pro cara que quer te pegar.

– Se ele matar vocês – insisti – nunca vou me perdoar.

– Se ele capturar você, eu que não vou conseguir conviver com isso – ele argumentou.

– O lugar mais seguro para mim é com vocês então – retorqui.

Scott pareceu pensar um pouco e não argumentou contra outra vez. Sua presença de alfa era intensa. Eu podia sentir dentro de mim sua influência, mas não sabia dizer se era sobrenatural, medo ou desejo. Talvez um pouco de cada.

– Como foi a noite com o Derek – ele perguntou de repente. Percebi algo diferente em sua voz.

Eu não sabia como responder na hora. Não tinha certeza do que ele sabia ou queria saber. Do que ele estava realmente perguntando.

– Foi legal – falei inocentemente – ele gosta de mim.

– Eu também gosto de você. Foi difícil ter que te deixar lá ontem.

– Eu entendo – respondi sem ter certeza sobre que tipo de gostar ele falava.

– Aquilo que aconteceu – ele falou baixo, meio sem graça – no box há duas noites...

– A gente não precisa falar disso se você não quiser – ajudei ele a se decidir.

– Eu quero falar, mas é melhor outra hora. Tem muitos ouvidos sobrenaturais aqui e o Derek, ele...

– Parece incomodado com alguma coisa – encorajei.

– Sim! – ele concluiu animado – Ele está diferente hoje também. Eu o estou sentindo, como sinto você, Liam, Stiles e os outros do bando.

Contei sobre nossa conversa, a mudança de cor de olhos de Derek e a constatação de que ele era membro do bando, omitindo apenas a parte em que ele estava sem roupas quando o li. Conversamos e fizemos graça para quebrar um pouco a tensão do reencontro e combinamos de conversar tudo mais claramente depois de eliminar o problema do inimigo atual. Após a conversa com o druida – o veterinário chefe da clínica onde Scott trabalhava, Deaton – a caçada começaria para valer. Muita coisa estava por vir naquele novo dia e eu rezei em silêncio pedindo que fossem coisas boas para Scott e sua alcateia. Nossa alcateia – pensei e sorri.


Notas Finais


A calmaria antes da tempestade.


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