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História Olhos Místicos - Capítulo 85


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Notas do Autor


Muita confiança pode acabar cegando mesmo os olhos mais atentos. Quem acha que está seguro porque conhece tudo à sua volta, pode se surpreender com as coisas mais simples.

Capítulo 85 - Ressentimento


Fanfic / Fanfiction Olhos Místicos - Capítulo 85 - Ressentimento

– Que bom que você tá de volta! – Scott falou alegre apertando o ombro de Mason que ainda se mostrava bem tímido por tudo o que aconteceu. – Você sempre foi parte da alcateia.

– É muito bom ouvir isso – ele respondeu encarando o piso, com as mãos atrás do corpo.

– Eu te falei – Corey disse sorrindo com um brilho de alegria no olhar.

– Já está de noite – falei com Elliot no colo que havia acordado – quero ver esse poder das sombras novo.

– Eu também quero – meu alfa se animou – deve ser herança de tudo o que você passou.

Apagamos as luzes e demos alguma distância. O jovem negro respirou fundo, se encostou na parede que dividia sala e copa e por um segundo nada aconteceu, mas em seguida, as sombras se moveram e tragaram seu corpo, como se uma névoa negra o cobrisse. Logo depois ele atravessou o portal vindo do outro cômodo.

– É isso que eu faço – respondeu encabulado e coçando a nuca.

– Isso foi incrível – meu alfa elogiou. – Você pode se infiltrar em qualquer lugar e se estiver junto com Corey então, ninguém nunca pega os dois.

– Somos uma dupla de invasão, baby – brincou Bryant, beijando o namorado.

Eu e meu noivo fomos para a cozinha preparar a mamadeira do bebê e eles foram namorar na varanda. Tinham mais privacidade aqui, já que os pais do quimera andavam pegando no pé dele desde a volta de Mason que era emancipado agora e não tinha casa na cidade, passando a noite no hotel.

– Tem duas camas no quarto de hóspedes – sugeri enquanto ele dava a mamadeira de Elliot e eu lavava a louça suja do processo – será que Isaac se importaria de dividir com Mason?

– Acho que não, vou falar com ele, assim o rapaz não precisa ficar gastando com hotel.

Me lembrei que Isaac era claustrofóbico e dormia pelado, mas seria um esforço pequeno para ajudar um amigo, acredito eu.

– Scott – tomei coragem – Peter vem aqui amanhã a tarde com Alícia. Falar de negócios ele diz.

– Você quer que eu fique em casa quando ele vier?

– Eu não sei que horas vai ser, mas acho que não vai tentar nada com a mulher junto. Não sei o que ele quer que não pode tratar com Mateus e não gosto do jeito dele.

– Acho que ele nunca superou eu ter virado alfa, enquanto ele deixou de ser.

– Qualquer coisa eu o levo até o sol e largo lá.

– Tenho tanto orgulho de você – ele me beijou ao se levantar para por o bebê para arrotar – tão corajoso meu milagreiro.

– Não sou mais aquele menino indefeso que você resgatou no bosque. Tudo em mim mudou e se tornou mais forte, principalmente meu amor por você.

– Qualquer coisa você salta pra clínica, vou fazer o dia todo, pra recuperar as últimas folgas e dar conta de todo o trabalho acumulado.

Me senti mais leve e protegido compartilhando o problema com meu alfa. Realmente esperava que nada desse errado, especialmente porque Peter Hale, apesar de toda a pose, é apenas um lobisomem ômega, que tem dinheiro e um certo charme, mas sem muita coisa no futuro. Tenho esperança de que ele não acabe com a vida de Alícia para ficar com o dinheiro dela, mas também acredito que uma mulher vivida como ela deve ter se precavido contra esse tipo de golpe clássico.

Ficamos na cozinha com o bebê e preparando algo para o jantar, Mason e Corey saíram para um encontro noturno e não voltariam hoje, Chris chegou conversando com um dos caçadores mais velhos do grupo Argent. Eles organizavam duas novas expedições para Montana e Novo México respectivamente, onde aconteceram novas aparições de insétimus e pareciam animados com o sucesso das primeiras incursões contra aquelas criaturas, já que basicamente todas tinham a mesma fraqueza: o fogo. Isaac mandou mensagem dizendo que estava com Chloe, Melissa só chegou bem mais tarde, quando já havíamos nos recolhido no quarto para dormir e eu estava ansioso que ela começasse a trabalhar logo no centro de controle sobrenatural de Beacon Hills, com turnos mais justos e salário melhor e com mais folgas também. Finalmente teríamos tempo para aquele dia de beleza com Lydia, que a banshee sempre se lembrava de cobrar. Quando até que enfim Elliot pegou no sono, aproveitei a noite com meu noivo e acabamos, para variar, indo dormir quase na manhã do dia seguinte.

Quando acordei (quase meio dia), dei uma arrumada na casa, ajudando minha sogra que pôde se concentrar melhor no almoço. Tudo correu normal e tranquilo e Scott levou o bebê para o trabalho na parte da tarde com o pretexto de que estava com saudade de ficar com Elliot, mas eu sabia que ele não queria que Peter chegasse perto de nosso filho e isso me deixava satisfeito. Logo que meu alfa foi para a clínica, Liam e Maltec vieram para uma visita, mas eu sabia sem precisar espionar, que tinham sido chamados pelo líder do bando, para que eu não ficasse sozinho com aquela visita inoportuna que aguardava, já que Isaac passaria o dia todo fora com Chloe e eu estava deixando os dois aproveitarem antes de começar com nossas aulas de idiomas.

– Ele é aquele da cabana? – Maltec perguntou preocupado trocando um olhar sério com o namorado.

– Ele mesmo. Totalmente cara de pau, se metendo nos meus negócios depois de me sequestrar.

– Eu dei conta dele uma vez – respondeu o puma branco todo convencido como sempre – não vai ser problema se ele tentar alguma coisa. Aposto que vai ficar todo com medo ao me ver por aqui.

– Puxa, seu ego é bem grande hein? – Liam comentou puxando o outro pelo pescoço.

– Não só o ego – respondeu mordendo a orelha do beta nervosinho.

– Gente isso é uma casa de respeito – brinquei – se comportem!

– De respeito? – Eles disseram ao mesmo tempo e se entreolharam – não é o que parece. – Maltec falou sorrindo descarado.

– Eu tô aprendendo a diferenciar cheiros – contou Liam e achei que era algo sério – você e Scott, meu deus, fedem a sexo o tempo todo.

Corri atrás dele pela casa para dar uns cascudos e Maltec se jogou no sofá gargalhando.

Liam atendeu a porta um tempo depois e eu fui para a sala com meu melhor sorriso complacente, ouvindo a voz espalhafatosa de Alicia elogiando o beta, enquanto Peter soltava alguma coisa que ele devia achar engraçado.

– Gabriel, querido, que bom ver você – ela cumprimentou exagerada como sempre beijando meu rosto de ambos os lados. – Onde está o resto das pessoas dessa casa? Quero conhecer seu filho, me falaram que é muito lindo!

– Minha sogra está no trabalho, assim como meu noivo – falei meio sem graça e acabei olhando o rosto de Peter que mantinha aquele meio sorriso cafajeste de sempre. Liam estava estranhamente quieto.

– Ótimo, assim fica mais fácil – falou a mulher mudando para um tom de voz menos agudo e mais áspero.

Troquei um olhar com Liam e percebi que ele estava vidrado, com a visão focada em algo muito distante dali. Pego de surpresa, não consegui reagir a tempo. Alícia Laviollete apontou para mim com a mão esquerda aberta como se dissesse “pare” e fez movimentos estranhos com a direita, enquanto pronunciava palavras que eu nunca tinha ouvido na vida. Senti meu corpo enrijecer e minha visão ficar desfocada, como se eu estivesse muito longe daquela cena e tive certeza de que meu beta estressadinho passava pela mesma experiência. Maltec entrou na sala naquela hora, limpando a mão em uma toalha.

– Cuida do outro – ordenou a mulher com uma autoridade assustadora e a voz muito diferente daquela perua riquinha que ela interpretava.

Peter Hale brilhou os olhos azulados e expôs suas garras e presas, se movendo cautelosamente na direção do puma branco, que encostou no portal, jogando a toalha no sofá e sorrindo confiante.

– Já passamos por isso uma vez – ele disse – quer apanhar de novo velhote?

Quando o lobisomem ômega investiu contra o puma branco, ele se esquivou veloz e se preparou para cortar o outro com as garras, mas Peter deteve o próprio ataque e desviou de lado, se jogando pesadamente sobre Maltec e o levando ao chão.

– Já sei como você luta, gatinho, hora de morrer.

Com os movimentos presos pelo peso e fúria do mais velho, a velocidade do rapaz não seria de muita ajuda.

– Não o mate, não foi o planejado – advertiu Alícia enquanto eu tentava desesperadamente recobrar o controle de meu corpo e forçar a visão a funcionar direito.

Peter rugiu furioso quando as garras de Maltec perfuraram a lateral de seu pescoço. Ele segurou o braço direito do rapaz, mas levou uma joelhada no meio das pernas que o fez quase vomitar.

– Será que eu tenho que resolver tudo? – Reclamou a mulher, gesticulando na direção da luta e pronunciando palavras estranhas.

Percebi que seus olhos ficavam roxos como uma noite estrelada sempre que usava seu poder, o que não adiantaria muito naquela situação. Maltec emitiu um grito horrível quando os dentes de Peter entraram na lateral de seu pescoço e eu comecei a perder a consciência logo depois, compartilhando a dor que ele sentia e a agonia de sua morte iminente. Meu último pensamento, foi para a clínica veterinária onde meu alfa deveria estar distraído cuidando da vida.

– Scott, precisamos de você! – Pensei, apagando em seguida.

Não consegui nem mesmo sonhar e não sei quanto tempo fiquei inconsciente. Despertei um pouco depois, ainda com o coração em brasa e o corpo estranhamente dolorido, em um lugar que parecia o depósito de alguma empresa que mexia com cosméticos. O galpão quadrado era amplo, suas laterais abarrotadas com muitas caixas de produtos, ironicamente, todos com a marca da Galido’s estampada nelas. Meus braços estavam presos para cima outra vez e meus pés atados com cordas firmes. Na pouca iluminação do lugar, sem saber se era dia ou noite e quanto tempo havia se passado, vi Maltec e Liam caídos ao lado das caixas e por não estarem amarrados, temi que estivessem mortos. Busquei intensamente minha luz para me soltar e meus antebraços, costas, peito, costelas e coxas doeram horrivelmente, revelando símbolos desenhados ali que brilhavam em resposta a minha tentativa de usar meu dom. A bruxa maldita havia me marcado, impedindo meus poderes de funcionar como deveriam.

– Não se exalte, curandeiro, você não vai a lugar nenhum. Alícia é muito eficiente quando se trata de contenção. – Disse o lobisomem ômega Hale se aproximando, com seu sorriso irritante estampado no rosto.

– Por favor... – implorei não aguentando a dor, especialmente a que afligia meu coração.

Ele veio do meu lado e cheirou meu pescoço. Me contorci violentamente tentando atingi-lo com o corpo, mas ele segurou meus braços já esperando por isso e olhou em meus olhos com um sorriso ainda mais largo.

– Vamos nos divertir agora, Gabriel. Estamos bem longe de seu precioso alfa genuíno e nem todo o seu dinheiro pode te ajudar agora.

– Por favor... gemi desesperado, ainda sem conseguir falar direito, as marcas mágicas continuavam castigando meu corpo.

– Quanto mais você lutar, mas vai doer – ele disse em meu ouvido com a voz arrastada – e não estou falando só das runas místicas de Alícia.

Peter Hale colou seu corpo no meu por trás e beijou minha nuca, depois meu pescoço e um arrepio horrendo percorreu todo o meu ser, mas não era pior que a dor da necessidade de ajudar meus amigos feridos. Sua mão esquerda ergueu meu queixo enquanto sua direita desceu para dentro da parte da frente de minha calça, apertando meus genitais e seus dentes entraram em meu pescoço, enquanto ele bebia meu sangue.

– Por favor, por favor, por favor – implorei forçando  a voz a funcionar – me deixa curar o Maltec. Eu não vou lutar contra você, mas não deixa meu amigo morrer.

– Aaah – ele gemeu e suspirou se afastando – seu sangue, é incrivelmente saboroso. Mais incrível é sua preocupação com seus amigos fracotes.

– Não deixa eles morrerem, por favor. Você não precisa disso.

– Acha que consegue curar o rapaz? – Ele perguntou segurando meu queixo e me olhando nos olhos.

– Eu preciso tentar. Faço o que você quiser se permitir que eu o salve.

Peter soltou as correntes e eu caí no chão como um saco de legumes. Me arrastou até perto dos corpos e eu percebi aliviado que ainda respiravam. O puma havia perdido muito sangue e estava muito próximo da morte. Liam estava sedado e preso, com símbolos estranhos pelo corpo assim como eu. Toquei o rosto de Maltec com as duas mãos amarradas e busquei meu poder de cura com tanta intensidade, que foi como mergulhar em um abismo infinito de dor. Cada uma daquelas marcas queimou horrivelmente, como ferros em brasa simultaneamente por todo meu corpo, mas consegui fechar a ferida no pescoço do rapaz e vi um pouco de cor voltar a sua face.

– Satisfeito? – Meu captor perguntou com uma cara irritada. Tudo ficou escuro em seguida.

– Acorde-o – despertei com a voz de Alícia e tapas na cara dados por Peter Hale. – Está quase amanhecendo e meu poder enfraquece com o sol. Esse rapaz é ligado a luz solar, não podemos arriscar.

– Não podemos levá-lo junto? – Peter perguntou e percebi um tom de súplica em sua voz. Ao que parece, ele era o escravo naquela relação.

– Não tente saltar até mim, filho do sol – Alícia disse ameaçadora olhando em meus olhos. – Nós somos muitos e vamos fazer o que pretendemos, graças às informações que extraí de você essa noite.

Minha testa doeu horrivelmente, mas consegui perceber que ela mentia, na parte em que disse que eram muitos. Haviam apenas três magos da noite envolvidos nisso, infelizmente, não consegui saber mais naquele momento.

– Temos que sair daqui, Hale – ela disse se afastando rápida – não deixe o seu cheiro para não ser seguido. Ainda não podemos arriscar ter que enfrentar o alfa deles.

– Você escapou dessa vez – ele disse baixo em meu ouvido – mas na próxima teremos mais tempo, eu vou garantir isso, Gabriel. – Antes de sair, roubou um beijo rápido e eu quase vomitei, cuspindo várias vezes em seguida para limpar minha boca.

Nunca havia me sentido tão invadido. Ouvi o barulho de uma moto logo depois que saíram e um forte calor preencheu meu peito. Liam e Maltec se mexeram doloridos e ainda inconscientes e um baque poderoso quebrou a porta lateral do galpão, por onde entraram Scott, Kira, Malia e Stiles.

– Só podia ser esse – falou feliz o agente do fbi com a arma na mão e vestindo seu costumeiro colete a prova de balas.

– Eu ouvi você! – Disse Scott encostando a testa suada na minha e percebi que seus olhos estavam muito vermelhos. – Me perdoa por ter demorado tanto!

Nunca fiquei tão feliz estando amarrado, trancafiado, dolorido e seminu em toda minha vida.


Notas Finais


Me senti sujo por deixar ir tão longe, mas infelizmente, faz parte da história e seria inverossímil se não acontecesse nada. Pelo menos, aparentemente, tudo acabou bem.


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