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História Olimpo - Capítulo 9


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Notas do Autor


Oi, bbs! Como prometido, aqui estamos com o início do segundo ciclo, que sinceramente, acho que tá prometendo muita coisa legal, rsrs.

Boa leitura!

Capítulo 9 - Segunda Provação de Hércules


Sakura

Aos sete anos de idade, eu tive uma paixãozinha platônica pela minha professora de Línguas Mortas. Sasuke sabia disso, e adorava me zoar na época. 

Não tenho culpa se ela era muito bonita. 

Era dez anos mais velha que nós, mas parecia tão inteligente quando nos ensinava a ler espanhol, português, italiano, francês. Eu a achava o auge do conhecimento. Queria muito ser como ela um dia, embora talvez não fosse tão bonita quanto. 

Hoje em dia, ela faz parte do comitê principal do Santuário de Atena. Sempre pega as principais traduções da biblioteca central. Não dá mais aulas para crianças. 

Não sou mais apaixonada por ela, mas ainda é estranho quando nos encontramos no refeitório e ela sorri e pergunta como tenho estado. Ainda fico nervosa perto dela. 

Me pergunto se ela está me assistindo hoje. Se está torcendo por mim. Será que ela ficou orgulhosa por eu ter ganhado o Cetro de Cronos? 

Espero que sim. 

Dia 7 | Segunda Provação de Hércules

Aquele amanhecer foi o mais estranho de todos até então. Todos se levantaram e lançaram um olhar para a cama que Neji dormira durante os primeiros dias. Era tão estranho ele não estar mais ali. Sempre que saíam do quarto, havia um sentimento desconfortável pairando no ar da casa principal. 

— É a incerteza. — Naruto comentou enquanto bocejava e mexia sua panqueca de trigo e mirtilo na frigideira em frente ao fogão de lenha. — Ninguém sabe quem vai ser o próximo a pegar as coisas e dar no pé. 

Suigetsu resmungou baixinho, sentando-se no balcão ao lado para observá-lo. Sakura estava encostada na porta da geladeira, sem fome alguma, num estado pensativo mas prestando atenção na conversa dos amigos. 

Karin saiu do quarto esfregando o rosto para acordar e veio preguiçosamente até a cozinha. 

— Bom dia. — falou aos três. 

— Tudo bem, caçadora? — Suigetsu perguntou e ela assentiu. — Como vocês estão? 

Karin passou as mãos pelos cabelos ruivos despenteados, meio absorta nos próprios pensamentos. 

— Sei lá. Acho que ainda não caiu a ficha de que o Neji saiu. — ela respondeu e o encarou. 

— Relaxa, faz parte. — Naruto a tranquilizou. — O jogo bagunçou, então é normal que saia pessoas que a gente não espera. 

Todo mundo sabia que ele estava falando de Sasuke, mas ninguém diria em voz alta. A imunidade do rapaz durante aquele primeiro ciclo tinha desestruturado todo mundo desde o Desafio de Perseu.

— Talvez tudo volte ao curso normal essa semana. — Karin murmurou cruzando os braços, já pensando na eliminação do representante de Hades no final do segundo ciclo. Isso faria tudo ficar igual às outras temporadas e deixaria o jogo estável novamente para que eles pudessem jogar sem tanto medo. 

— E aí? Preparada pra essa prova de hoje? — Sakura brincou. 

— Claro. Vou destruir vocês. — a ruiva disse animada. 

— Tá certo. — Suigetsu debochou. 

— Quem vai? Você? — ela virou para Suigetsu. — Vai ser moleza. 

— Está me subestimando? — o rapaz riu, entrando na brincadeira. — Posso até perder, mas vou fazer você suar bastante, garanto. 

— Estou contando com isso. — ela gargalhou. 

— Irmãzinha, hora de trocar. — Naruto tirou a frigideira de cima do fogão e foi lavar as mãos, indicando as ataduras na perna de Sakura. 

— Ok. 

O representante de Apolo a pegou nos braços e foi levando-a de volta ao quarto. 

— Que mordomia toda é essa? — Sasori brincou, sentado no sofá da sala conversando com Sai, quando viu Naruto carregando Sakura nos braços em direção ao quarto.

— Privilégios de ser Titã, amor. — Sakura retrucou divertida. 

— Ninguém fez isso comigo. — Sai reclamou, fingindo estar chateado. 

Naruto colocou a moça sentada em sua cama e começou a tirar as ataduras em volta da mordida. 

— Nunca sei se eles estão brincando de verdade. — ela murmurou baixinho. 

— Pois é. — Naruto concordou. — Tenho a impressão de que estão tentando nos alfinetar. Mas o melhor é levar na zoeira sempre. Aqui dentro temos que ignorar a fingir de burro o máximo possível. 

Ele observou que o local em volta da mordida ainda continuava roxo, embora já estivesse cicatrizando. 

— Ainda dói quando você pisa? — perguntou enquanto pegava um pouco do álcool que Suigetsu tinha escondido debaixo da cama. Sakura assentiu positivamente. — Certo, não force muito. Você precisa estar com essa perna boa até o fim do ciclo. Semana que vem já volta a participar das provas. 

— Ok. — ela concordou. — Vou deixar vocês me carregarem mais uns dias. — disse divertida fazendo o loiro rir. — Aliás, quem vai pra Provação de Hércules hoje?

— Suigetsu quer ir. — Naruto respondeu enquanto separava ataduras novas para enfaixar a panturrilha dela novamente. — E sinceramente, acho que é melhor que ele vá mesmo. 

— Por causa da Karin? 

— Exatamente por causa da Karin. — Naruto murmurou. — Se for prova de correr, ele é o único da nossa equipe que consegue encarar ela. É o mais rápido de nós. 

— Vai ser prova de correr. Sempre é. — Sakura revirou os olhos. — Mesmo que só um pouco. Quem você acha que Ino vai mandar pra representar a equipe Medusa? 

— Kiba ou Tenten. Shikamaru não pode ir essa semana, ele foi semana passada. Mas acho que a Tenten. — ele opinou terminando de enfaixar. — Kiba acabou de voltar do Coliseu. Se perder, já é quase certo que vai de novo pra lá, já que vão puxá-lo do Chalé de Orfeu. 

— Nós temos que pensar muito bem no que fazer essa semana. — ela disse pensativa. — O Chalé de Orfeu é um ponto bem estratégica do jogo. Nós protegemos Deidara na semana passada por causa dele. Quem for pra lá fica imune à votação interna. 

— Bom, se o Suigetsu perder, já vai estar protegido então. O problema é o Sasuke puxá-lo, já que sabemos que ele será o mais votado. — Naruto a pegou nos braços de novo para levá-la para fora do quarto. — Mas relaxa. Vamos tomar café da manhã e depois pensamos melhor nisso. 

#

— É o seguinte. — Ino começou a falar quando Tenten e Hinata se juntaram a ela, Kiba e Shikamaru na plataforma de madeira. — Hora de decidir a estratégia desse ciclo. Tudo se decide a partir da prova de hoje. O essencial seria pegarmos a Caixa de Pandora de novo, só que isso provavelmente não vai rolar com a Karin participando da prova. 

— Cara, por que tá todo mundo com medo dela? — Kiba reclamou. — Ok, a mulher é rápida e tal, mas não é a Ártemis em carne e osso não. 

— Você realmente acha que dá pra encarar uma caçadora? — debochou Shikamaru.

— A questão toda é que já sabemos que vou ser a indicação da Sakura. — Ino os interrompeu. — Então precisamos orquestrar tudo de uma maneira que eu seja a única da nossa equipe a ir pro Coliseu. Por isso, quem for pra Provação de Hércules precisa ser alguém que não tenha briga com ninguém, e que não seja uma opção para o Sasuke puxar do Chalé de Orfeu. 

— Eu me dou bem com todo mundo da casa. — Tenten deu de ombros. — Posso ir, sem problemas. 

— Certo. — Ino assentiu. — Quanto ao resto… eu só preciso que nenhum de vocês perca o Desafio de Perseu amanhã, então será somente eu da equipe Medusa na próxima prova do Coliseu. 

— É menos chance de enfraquecermos a equipe.  — concluiu Shikamaru. — Se todos se mantiverem na linha, quem sabe continuemos inteiros no próximo ciclo. 

— Você vai voltar da votação do público, Ino. — Hinata a tranquilizou. — Vão tirar o Sasuke. 

— Eu sei, só não quero arriscar mais nenhum de vocês. — a loira concordou. — Com sorte, a gente também sai intacto nesse ciclo. 

— Por que eu não posso ir? — Sasuke indagou de maneira cínica, sabendo exatamente a resposta. 

— A Karin quer ir. — Temari tentou desconversar. 

O rapaz segurou a vontade de rir. 

— Caramba, vocês não aprenderam nada mesmo com a eliminação de ontem. 

A loira parou de mexer a sopa cozida na panela e o encarou, apoiado no balcão ali perto. 

— O que você está insinuando? — ela perguntou num tom contido de irritação. 

— Que vocês continuam jogando isso aqui com o óbvio. — respondeu Sasuke, já puto. — Todo mundo já tá esperando a Karin nessa prova. É muito previsível. As outras equipes nem se surpreendem com a nossa estratégia. Eles já se armam bem antes que nós. 

— O que você espera que eu faça? Não posso participar, Sasori também não e Neji saiu. Não podemos mandar você. 

— Só por que está com medo de vir uma imunidade dentro da Caixa de Pandora? — ele debochou. — Qual é, Temari? Eu sei que vocês não me querem aqui, mas podia tentar disfarçar um pouco melhor. 

Ela não respondeu, apenas voltou a mexer a sopa dentro da panela. 

Sasuke observou Sasori deitado no sofá enquanto aguardava o almoço ficar pronto. Karin provavelmente estava no Chalé de Orfeu, já preparando as flechas e o arco que levaria para a prova. As outras equipes estavam todas reunidas fora da casa principal, discutindo suas próprias estratégias. 

O rapaz concluiu que estava numa equipe que definitivamente não sabia como jogar aquela porcaria. 

Logo após o almoço, todo mundo já começou a ficar ansioso para a prova, apenas esperando o sinal soar novamente e eles pudessem sair para reencontrar Kakashi. 

Karin já estava com seu arco e flechas bem presos nas costas, Suigetsu com uma espada na cintura e Tenten com uma adaga.

Sakura não pôde deixar de notar que Sasuke parecia estressado com alguma coisa, já que ele disse que queria lavar a louça sem ajuda de ninguém, e obviamente, ninguém se ofereceu uma segunda vez. 

Quando a sirene tocou e todos correram para fora da casa principal, Kakashi os esperava ali na margem da floresta, parado bem em frente à trilha. Karin já sorriu animada por saber que iriam para o ambiente que ela mais se sentia confiante ali na competição. 

— Olimpianos, bem-vindos ao segundo ciclo da nossa temporada. — Kakashi abriu os braços, falando alto quando todos se aproximaram. Sakura estava nas costas de Naruto, para continuar dando folga à sua perna. — Parabéns a todos que continuam dentro do jogo. Hoje damos início ao ciclo de provas em homenagem à poderosa deusa Hécate, a regente escolhida pela Metrópole para diverti-los nos próximos dias. 

— Ô, diversão. — Suigetsu comentou e alguns participantes riram. 

— Nossa Provação de Hércules de hoje acontecerá na floresta. Os três representantes das equipes podem se despedir dos outros e vir comigo. 

— Boa sorte. — Temari abraçou Karin. 

Hinata abraçou Tenten enquanto Ino falava baixinho para ela várias instruções sobre a prova. 

— Certo, o que eu preciso saber sobre a Hécate? — Suigetsu perguntou a Sakura e os outros companheiros da equipe Quimera. 

— Deusa da magia, da noite, da névoa. — Sakura respondeu tudo que sabia sobre a divindade. — O símbolo dela é um lobo. 

— Também é a deusa das encruzilhadas. — acrescentou Gaara. — Talvez a prova seja algo relacionado com as trilhas dentro da floresta. 

— Ela também é a grande responsável por trazer fantasmas de dentro do Mundo Inferior para deixá-los vagando aqui na Terra. — Sakura disse. — Além disso, é mãe e cuidadora de muitos monstros da mitologia grega. 

— Que tipo de monstros? — Suigetsu perguntou nervoso. 

— É a mãe da Circe. E o cérbero era o fiel escudeiro dela. — explicou a moça. 

— Quem é Circe? — perguntou Deidara, tão confuso quanto Suigetsu. 

— A feiticeira Circe, cacete. — Sakura explicou. — A feiticeira mais poderosa da mitologia grega. 

— Tá, tá. Isso não vai ajudar. — Naruto segurou os ombros do amigo. — Só se concentra e descobre o segredo da prova antes das meninas. Não importa se Karin é mais rápida, se você matar a charada antes dela, a Caixa de Pandora é sua. 

— Beleza. — ele abraçou o resto dos amigos e foi até Tenten. — E aí, gata? — passou o braço por cima dos ombros dela. 

— Oi, Suigetsu. — a moça riu. 

— Eu e você vamos ganhar essa prova, fechou? — ele brincou enquanto os dois entravam na trilha, seguindo Kakashi e Karin que já estavam andando. — Eu e você, eu e você. 

— Eu e você, só se for no Chalé de Orfeu. — riu Tenten, fazendo-o se divertir também. 

— Boa sorte! — os outros gritavam na margem da clareira. Ficaram lá até que os quatro desaparecessem no interior da floresta e depois começaram a andar de volta à casa principal para esperá-los. 

Kakashi guiou os três em silêncio completo, adentrando bem no interior da floresta, exatamente como fizera no Desafio de Perseu anterior, porém dessa vez ele seguiu bem até o centro, onde ficava a encruzilhada que mostrava as quatro direções do Olimpo. 

Eles pararam bem ao lado da placa que orientava as quatro direções. A do trem, do acampamento, da cidade em ruínas e a das montanhas. 

— Certo, representantes. — ele se virou para os três. — A tarefa é bem simples. Não tem etapas como da outra Provação de Hércules. A Caixa de Pandora está em algum lugar dessa floresta, acorrentada como da última vez. Vocês devem encontrá-la, além da chave que libera suas correntes, e levá-la de volta ao acampamento. 

— Tá, e qual a pegadinha? — perguntou Suigetsu cruzando os braços, adotando uma postura desconfiada. 

— Que pegadinha? — Kakashi sorriu cinicamente por debaixo da máscara e já foi se afastando, dando vários passos para trás. — Boa sorte. 

E do nada, ele começou a correr para fora das trilhas, desaparecendo em meio a arbustos à toda velocidade e deixando-os sozinhos e assustados. 

— Por que ele correu? — indagou Tenten nervosamente. 

— Sei lá, já nem entendo mais esse maluco. — Suigetsu resmungou.

Karin foi inspecionar as placas mostrando as direções, tentando ver se havia algum detalhe escondido que pudesse ajudá-la com a prova. Hécate era a deusa das encruzilhadas, afinal. Talvez não fosse coincidência Kakashi tê-los largado justamente naquele lugar. 

— Alguma ideia, morena? — Suigetsu perguntou. 

— Que nada. — Tenten olhou em volta, procurando por qualquer coisa. — Não entendi. A gente realmente vai procurar pela floresta inteira até cansar? 

— Não, deve ter alguma coisa. — o rapaz se pôs a pensar. — Droga, queria que Sakura estivesse aqui.

— Espera. Que barulho é esse? — Tenten perguntou e os três se calaram, prestando atenção. 

Havia um som baixo ecoando pela floresta, por cima do som do vento que balançava as copas das árvores. Karin já tinha escutado aquilo antes. 

— É o vento? — Tenten perguntou. 

— Acho que não. — Suigetsu opinou, concentrado também em entender o que era aquilo. — Parece estar vindo dos auto-falantes da floresta. 

Era um som parecido com o de um assovio, porém a frequência era muito baixa e eles tinham que se concentrar para conseguir escutá-lo. 

Foi quando Karin se tocou do que seria aquilo. Era exatamente igual ao som que saía dos apitos que sua tribo usava para comandar os cachorros das Florestas de Ártemis que os ajudavam a caçar. A frequência era muito baixa para ouvidos humanos, mas não para ouvidos caninos. Por estar saindo dos auto-falantes, devia estar ecoando por toda a floresta. 

A ruiva empalideceu, pensando no que aquilo significava. E seu medo se tornou realidade quando os três puderam escutar o som de uivo logo em seguida, vindo de algum lugar distante deles, à direta. 

— Opa, opa, opa. — Suigetsu ficou alarmado. — Lobos não caçam apenas à noite? Por que tem lobos acordados quando o sol ainda está acima de nós? 

— Corram. — Karin disse baixinho. — Agora! — ela gritou e começou a correr para fora da trilha. 

Tenten e Suigetsu ainda demoraram alguns segundos para segui-la. Foi preciso escutarem um segundo uivo, dessa vez mais perto deles, para se tocarem que estavam sendo caçados naquele momento. Eles desembestaram a correr para fora da trilha, seguindo Karin enquanto ela praticamente voava por entre as árvores à toda velocidade. 

— Porra! — Suigetsu vinha xingando logo atrás. 

Mais uivos podiam ser escutados, vindo de outras direções da floresta, não mais apenas atrás deles, mas da esquerda e da direita também. O apito ecoando na floresta estava acordando a matilha inteira, fazendo-os saírem das tocas e se juntarem ao alfa naquela caçada. 

Karin parou de correr e se jogou contra uma árvore, começando a subi-la rapidamente. Em menos de quinze segundos, já estava a cinco metros do chão. Suigetsu e Tenten passaram abaixo, continuando a correr desesperadamente pela floresta e logo sumindo da vista dela. A ruiva tentou conter a respiração ofegante, buscando recuperar o fôlego e a energia. 

Menos de um minuto depois dos outros dois desaparecerem, ela arregalou os olhos ao ver a matilha de lobos rosnando e correndo abaixo dela, indo na direção que eles foram. Enquanto os lobos corriam abaixo dela, sem saber de sua presença naquela árvore, ela tentou contá-los. Mais de vinte, sem dúvidas. 

Eram todos de uma espécie chamada lobo-europeu, por terem vivido durante todo o território da antiga Europa. Não eram a espécie mais rápida da família, o que era uma sorte para os dois malucos correndo pela floresta naquele momento, porém eram donos da mordida mais forte. Contanto que não alcançassem Suigetsu e Tenten, eles ficariam bem. 

Karin agradeceu mentalmente à Ártemis por não ser uma matilha de lobos-negros, porque aí sim estariam fodidos. Não teriam chance contra lobos-negros, que eram muito mais rápidos, mais fortes e maiores. 

A ruiva respirou fundo enquanto observava a matilha correndo abaixo dela e desaparecer entre as árvores, indo na direção dos outros dois representantes. Ela começou a pensar em ideias de onde a maldita chave e a urna estariam. 

#

Deitados no sofá da sala enquanto o resto dos participantes circulava pelas varandas esperando pelo retorno dos três, Sakura e Naruto se encontravam pensativos. Os dois estavam abraçados enquanto tentavam dormir e relaxar, mesmo com todo mundo estando nervoso do lado de fora. O loiro estava com os olhos fechados, acariciando os cabelos da amiga enquanto pensava silenciosamente. 

— Posso te confessar uma coisa? — Sakura sussurrou com o rosto escondido na curva do pescoço dele. 

— Hm. — murmurou ele, sonolento. 

— Estou com medo do público. 

Ele abriu os olhos. 

— Por quê? — perguntou baixinho. 

— Estava pensando sobre a escolha deles para o deus que rege nossas provas em cada ciclo. — Sakura começou a explicar. — Eles escolheram Hécate dessa vez, certo?

— Sim. 

— E se estavam tentando nos passar uma mensagem subliminar com isso? 

— Onde você quer chegar, irmãzinha? — perguntou Naruto. 

— O cãozinho de estimação da Hécate era o cérbero. — ela finalmente chegou no ponto principal. — E se o público a escolheu porque queria mostrar que a equipe favorita deles é a Cérbero? 

Naruto suspirou e se afastou um pouco para conseguir encarar os olhos verdes da amiga. 

— É óbvio que a equipe favorita deles é a Cérbero, Sakura. Mas não quer dizer que a gente precise desistir por causa disso. — ele disse devagar, com extrema gentileza e um sorriso. — O jogo só começou. Ainda tem muita coisa para acontecer. Muita coisa pra mudar. Relaxa. 

— Não quero perder nenhum de vocês. — ela confessou. — Prefiro sair primeiro do que ver qualquer um de vocês indo embora. 

— Então é bom a gente começar a jogar com a cabeça. Nossa equipe tá jogando com o coração, não com a cabeça. Por isso que fomos o alvo semana passada. — ele suspirou. — Hora de colocar o coração dentro de um potinho e guardá-lo até o fim do jogo. 

#

Vários minutos depois, Karin decidiu descer da árvore, quando já tinha certeza de que a matilha de lobos já estava distante. Ela pousou seus pés no chão novamente, organizando as ideias dentro da cabeça. 

Muito bem. Talvez os lobos não estivessem ali apenas para dificultar o trabalho deles em encontrar a Caixa de Pandora. Talvez eles fossem a resposta. 

Hécate era famosa na mitologia grega por viver rodeada de cachorros, de todas as espécies possíveis. Uma prova com lobos em seu ciclo já era esperado. 

Se os lobos estavam todos fora de suas tocas, significa que elas estavam vazias naquele momento. E uma toca de lobo era um lugar perfeito para se esconder a Caixa de Pandora.

A ruiva começou a andar rapidamente pela floresta, indo abaixada e em silêncio enquanto olhava em volta, procurando por cavernas ou buracos profundos onde lobos gostavam de se abrigar durante o dia. 

Considerando que os dias naquela região eram muito quentes e as noites eram muito frias, aquelas matilhas deviam se abrigar em cavernas úmidas durante o dia, que preservavam o frio e eram aconchegantes para animais peludos descansarem. Então ela precisava encontrar uma caverna. 

Dez minutos se passaram e ela conseguiu encontrar uma toca. Um buraco embaixo de uma árvore grande, porém vazio, sem sinal de chave ou de urna. Continuou sua busca, sempre atenta aos sons da floresta, para saber se estava perto de algum dos predadores caninos. 

Ainda escutava os uivos à distância, então sabia exatamente onde os lobos estavam, podendo mudar o caminho e ir procurar em outras partes da floresta. 

Ela encontrou uma caverna numa região próxima ao lago, porém parou bem na entrada e deu uma olhada no interior antes de realmente entrar. 

Não era uma casa de lobos. Havia um enorme urso pardo dormindo ali dentro. Ela pôde ouvir a respiração pesada, e distinguir sua silhueta deitada no chão. Assim como chegou, Karin saiu de fininho e em silêncio para não acordá-lo. 

A ruiva decidiu adentrar novamente a parte bem interna da floresta, procurando por mais cavernas. Encontrou mais duas tocas de lobo, porém vazias. Ao encontrar outra pequena gruta, Karin se abaixou para inspecionar o interior e ficou surpresa ao encontrar cinco filhotes de lobo amontoados um em cima do outro enquanto dormiam tranquilamente. Eram recém-nascidos, provavelmente cegos e surdos ainda, completamente dependentes de sua mãe. Ao lado deles estavam uma rocha escura e fria, onde estava acorrentada a Caixa de Pandora. 

Karin começou a olhar em volta pelo lugar, procurando pela chave. De repente, ela escutou o som de passos. O instinto a fez agarrar o arco e a flecha e mirá-la na direção do ser que estava correndo em sua direção. 

Suigetsu saiu de detrás de um arbusto, ofegante e cansado. Karin baixou sua flecha. 

— E aí, ruiva? — ele cumprimentou indo devagar em sua direção enquanto tentava recuperar o fôlego. — Teve a mesma ideia que eu, suponho. 

— É. — ela confirmou. 

Suigetsu espiou o interior da caverna, vendo a urna grega ali. 

— Achou a chave? — ele perguntou pra ela. 

— Não. E você?

— Nem ideia. — ele negou. — Cadê a mãe desses coitados aí? 

— Ela os deixou para seguir a matilha atrás de nós. — Karin explicou olhando em volta, procurando a chave em qualquer lugar. — Está seguindo as instruções do alfa. 

— Que barra. 

Os dois paralisaram ao escutar um rosnado ali perto. 

Um grande lobo de pelo malhado surgiu entre as árvores, grunhindo na direção deles de maneira furiosa. Estava sozinho. 

Ou melhor, sozinha. 

— Oi, mamãe. — Suigetsu murmurou sem se mover, exatamente como Karin, enquanto a loba rosnava e andava devagar, dando um passo de cada vez na direção daquelas ameaças que estava perigosamente perto de seus filhotes. 

Nenhum dos dois se movia, temendo que qualquer movimento brusco a fizesse saltar sobre eles. Os dentes brancos e afiados brilhavam pela saliva e o desejo de tirá-los de perto de suas crias. 

Suigetsu ficou encarando os olhos amarelados mortíferos, tentando não quebrar o contato visual e mantê-la inerte o máximo de tempo possível. Ele podia escutar o som do próprio coração martelando rápido devido ao medo da morte. 

E foi quando Karin notou algo diferente no animal. 

A loba estava com uma cordinha fina ao redor de pescoço, numa imitação barata de coleira. Havia um pequeno objeto pendendo de sua garganta. 

“A chave”, Karin arregalou os olhos. Ela percebeu que Suigetsu estava mais preocupado com a própria vida, então ainda não havia notado. 

Sua mão que segurava a flecha se apertou. Os olhos mortais da loba não deixaram de notar isso. Ela rosnou alto para Karin, as patas dianteiras se abaixando devagar enquanto se preparava para o ataque. Suigetsu engoliu duramente, já que sua boca estava completamente seca de pavor. 

Karin sabia que havia uma árvore a poucos metros de distância dela, à direita. Só precisava correr rápido e chegar numa altura segura e ficaria bem. Ela firmou os joelhos, preparando-se para isso. 

A loba fechou a boca e esperou dois segundos em silêncio antes de saltar sobre eles. Suigetsu se jogou na direção oposta, voltando a correr loucamente para longe dali. Karin correu com toda a sua velocidade até a árvore, praticamente saltando para alcançar qualquer lasca da madeira e se elevar o máximo possível. 

Ela nunca subira numa árvore tão rápido quanto naquele momento, tanto que suas mãos até se cortaram pela velocidade e brutalidade do ato. Quando estava a três metros de altura, ela olhou para baixo, vendo a loba urrando e ganindo enquanto pulava para tentar alcançá-la. 

Mesmo não sendo de uma espécie muito grande e rápida, aquela mãe estava enfurecida por ter humanos tão perto de seus filhotes. Ela dava pulos de quase dois metros de altura, tentando pegar a moça. 

Karin observou a chave presa no pescoço do animal que estava pulando abaixo dela. Tinha que agir rápido antes que a loba decidisse chamar o resto da matilha para proteger as crias. 

A representante de Ártemis se ajeitou melhor em cima do galho, firmando os pés na madeira e se equilibrando o máximo possível para conseguir ter os braços livres, sem precisar ficar se segurando. Assim que conseguiu manter seu corpo firme e reto, ela pegou novamente o arco em suas costas, puxando uma flecha da bolsa e posicionando-a para mirar logo abaixo. 

— Tchauzinho, mamãe. — Karin resmungou e atirou. 

#

Sasuke estava sentado na varanda ainda, sozinho. Sakura saiu pela porta da frente, trazendo duas canecas de café quente. Ela veio mancando na direção dele para se sentar ao seu lado e lhe entregar uma delas. 

— Oi. — disse com um sorriso. 

— Oi. — ele cumprimentou pegando a caneca e a ajudando a sentar sem precisar flexionar a perna e forçar a panturrilha. 

Os dois ficaram observando a clareira enquanto os meninos da equipe Quimera estava brincando de jogar pedrinhas no lago, contando a quantidade de vezes que elas quicavam na água. 

— Sabe que não precisa se preocupar, né? — perguntou Sakura num tom divertido. — Você mandaram a caçadora. 

Sasuke sorriu de canto. 

— Não é exatamente uma garantia. — ele murmurou com uma expressão azeda. 

— O que foi? — Sakura perguntou com num misto de preocupação e curiosidade. 

— Minha equipe que é muito… difícil. — ele resmungou parecendo irritado.

— Ainda estão te excluindo? 

— Também, mas não é nem essa a questão. Eles são muito confiantes de si. — Sasuke explicou. — Agem como se já tivesse ganhado o jogo, sabe?

Sakura achou melhor não dizer nada, mas já tinha notado que a equipe Cérbero era meio prepotente mesmo. 

— Quando se sentir muito sozinho, pode vir falar comigo. Não me importo, você sabe. — ela lhe garantiu. 

— Na maior parte do tempo você está com eles. — ele indicou o grupo Quimera com a cabeça. 

— Mas eles não se importam também. 

Sasuke a encarou com um olhar de deboche. Sakura sorriu amarelo. 

Certo, os meninos de sua equipe tratavam Sasuke bem, mas nunca ficavam perto dele por mais que cinco minutos, ainda nervosos com a opinião do público. 

— Não tem problema. Você sabe que curto meu espaço. — ele murmurou bebericando o café quente. 

Sakura tentou pensar em algo divertido para dizer quando ela viu Karin surgir na margem da clareira, saindo da floresta com um sorriso enorme no rosto enquanto trazia a Caixa de Pandora nas mãos. Atrás dela, Suigetsu e Tenten vinham caminhando devagar e visivelmente cansados. 

— É nosso! — Karin gritou. 

Temari saiu de dentro da casa principal, provavelmente tinha os visto pela janela, e correu na direção da amiga. As duas se abraçaram com força, pulando de animação por terem conseguido os dois poderes. 

— É, você estava certa. — Sasuke murmurou. 

Sakura suspirou vendo que sua equipe novamente perdera aquela prova. 

#

Ino estava perdida em pensamentos enquanto observava Tenten organizando suas roupas e lençóis para levar ao Chalé de Orfeu. 

— Relaxa, tá tudo dentro dos planos. — Shikamaru disse à morena. — Não é, Ino?

A loira não respondeu. Sua mente continuava trabalhando em vários planos alternativos sobre as decisões que deveriam tomar a partir de agora. 

Hinata foi ajudar a amiga a levar suas coisas para lá e deixou Kiba e Shikamaru sozinhos com Ino. 

— Tudo bem? — indagou o representante de Hermes. 

— Claro. — Ino respondeu irritada. — Por que não estaria? 

Ele ergueu as mãos em sinal de paz e saiu do quarto também. 

— Você realmente tá legal? — Shikamaru questionou baixinho. 

Eles escutaram a animação na cozinha da equipe Cérbero enquanto Karin contava para todo mundo como tinha sido a prova. 

— Estava pensando se Sasuke realmente vai puxar o Suigetsu do Chalé de Orfeu. — ela explicou. — Se ele puxar a Tenten, então serei eu e ela no próximo Coliseu. 

— Ino, relaxa. — Shikamaru a segurou pelos ombros. — Ainda nem sabemos se a Sakura realmente vai te mandar. 

— Ela vai. Por que teria motivos para mandar outra pessoa? 

— Talvez ela faça uma indicação estratégica. — ele opinou. — Calma, vamos ver como vai ser o Desafio de Perseu. Talvez você consiga ganhá-lo e pegar a imunidade.

Ino não acreditava que conseguiria tal feito, mesmo Hécate sendo uma grande servidora de Afrodite na mitologia. 

— Tá bom. Vamos ver como vai ser amanhã. — a loira suspirou e tentou abrir um sorriso para deixá-lo tranquilo. 

#

— Foi mal, galera. — Suigetsu murmurou da porta do Chalé de Orfeu aos seus companheiros de equipe, já usando o amuleto branco em formato de nuvem. 

— Não se preocupe. Você fez a prova contra uma caçadora de Ártemis. — Sakura riu. — Já era esperado. 

— Ainda mais uma prova desse tipo. — murmurou Gaara.

O sol já tinha se posto e o jantar da casa principal já estava quase pronto. Tenten estava preparando o interior do Chalé de Orfeu para que ficasse bem confortável para que ela e Suigetsu dormissem durante a noite. Ela já tinha separado duas porções de ração para eles comerem logo mais. 

— Pois é. Pensei que era uma prova onde seríamos caçados, mas na verdade, nós que deveríamos caçar aqueles bichos. — Suigetsu suspirou, decepcionado consigo mesmo. 

— Relaxa, amorzinho. — Naruto brincou. — Daqui uns dias nós voltamos a dividir a cama. 

— É disso que sentirei mais falta. — o outro se lamentou, fingindo estar extremamente triste com isso. — Como vou conseguir relaxar sem você pra dormir de conchinha comigo?

Deidara segurou o riso, assim como Sakura. 

— Sem estresse, galera. — Naruto falou para os amigos. — Estamos tranquilos essa semana. A Sakura tá com o Cetro de Cronos. Contanto que ninguém aqui perca o Desafio de Perseu amanhã, o único que realmente corre o risco de ir é o Suigetsu. 

— A questão é justamente essa. — Sakura disse. — Não quero que nenhum de nós vá pro Coliseu nesse ciclo. 

— Eu seria muito grato se você conseguisse bolar um plano pra ninguém me puxar. — disse o rapaz com um sorriso amarelo. — Não tava muito a fim de ir pro Coliseu tão cedo. 

— Você não vai. — a moça lhe garantiu. — Vou pensar em algo. 

— Não pode pedir pro seu namorado da Casa de Hades não puxá-lo? — Deidara sugeriu. 

— Sasuke e eu não falamos de jogo desse jeito. — ela respondeu. 

— Mas você podia dar uma chorada e pedir para ele não me puxar. — Suigetsu propôs. 

— O trato implícito que eu e Sasuke temos é que não votamos um no outro. — Sakura explicou. — Mas nada o impede de mirar em vocês. 

— Foda. — Naruto se lamentou. — De qualquer forma, vamos nos concentrar no Desafio de Perseu agora. 

#

Enquanto todos comiam animados no jantar na casa principal, Sakura já ia pensando no que fazer. Ela estava começando a pensar se sua indicação deveria ser tão óbvia assim. 

Era o certo mandar Ino mesmo? Ou ela podia aproveitar a chance para mandar outra pessoa que mudasse todo o esquema da votação? 

Enquanto comia ao lado de Naruto, ela o cutucou para falar baixinho perto do ouvido dele. 

— Você vai dormir sozinho hoje? 

— Acho que sim. — o loiro respondeu baixinho também enquanto o resto conversava sobre coisas aleatórias. A maior parte da mesa estava rindo enquanto Gaara contava uma história de uma vez que um protótipo de satélite explodiu durante o teste e quase fez o pai dele perder uma das pernas. — Por quê?

— É que o Sasuke é o único que ainda não tem cama. 

Naruto encarou a amiga, depois olhou para Sasuke, comendo no canto da mesa em silêncio. 

— Por favor, Naruto. — Sakura pediu, quase implorando. 

O loiro franziu os lábios de maneira nervosa com a ideia. 

— Tá bom. Vou dar o lugar do Suigetsu pra ele. — ele concordou ainda receoso. 

— Obrigada. — Sakura sorriu e lhe deu um beijo na bochecha, voltando a comer seu jantar muito feliz. 

Quando ela voltou sua atenção para as conversas da mesa, percebeu que agora estavam falando sobre sexo, o que a fez arregalar os olhos. Como tinham chegado nesse assunto tão aleatório? Não estavam falando de satélites? 

— Minha primeira vez foi horrível. — Temari contava desolada. — Doeu pra caralho, e eu ainda estava muito nervosa porque tinha um teste importante no dia seguinte. E além disso, tava me cagando toda com medo dos meus pais chegarem em casa. 

— Ah, então foi no conforto do lar. — Ino riu. — Minha primeira vez foi no estoque de agasalhos da fábrica. Péssimo, péssimo. 

— Nossa, por que foi num lugar desses? — indagou Sasori. 

— Ah, é que eu já tava com catorze anos e todas as minhas amigas já tinham perdido a virgindade. — a representante de Afrodite explicou. — Sabe como a gente é nessa idade. Fica doido por causa da opinião dos outros. Eu não queria ficar pra trás. 

Todos riram. 

— A minha foi bem romântica. Foi na praia. — Shikamaru comentou. 

— Típico da sua tribo. — Naruto comentou rindo. — A minha foi muito romântica também. Eu e o cara tínhamos acabado de ajudar na cirurgia de uma mulher que durou quatro horas. Aí fomos tomar banho e começamos a nos pegar depois de ficar semanas flertando. 

— Putz, romântico mesmo. — Deidara ironizou. — Imagina que incrível perder a virgindade num banheiro que todo mundo frequenta. 

Naruto caiu na gargalhada, assim como resto. Sasuke até engasgou com a comida que estava mastigando. 

Sakura não podia deixar de rir, embora o assunto a deixasse nervosa. 

— Bora lá, Hinata. Nos conte aí como foi a sua primeira vez. — Gaara incentivou. 

— M-melhor não. — a moça ficou vermelha. 

— É, pô. Hera é a deusa do casamento. O povo de lá é tudo virgem. — Deidara debochou e todo mundo riu, inclusive a própria Hinata. 

— Foi com treze anos. — a moça disse baixinho, ainda meio envergonhada. — Foi legal. O meu namoradinho era muito fofo. 

— Own, que bom. — Naruto disse animado. — Pelo menos alguém aqui teve uma primeira vez legal. 

— Pois é. — Karin concordou. 

— Imagina a primeira vez do Suigetsu. — Gaara comentou. 

— Deve ter sido numa orgia, com certeza. — Naruto riu. — É a cara dele. 

— Perguntem depois. — Shikamaru pediu. — Quero saber a pérola. 

Apesar do assunto ser esquisito, Sakura gostava desses momentos onde todo mundo relaxava e conversava sobre suas vidas fora do jogo, não como competidores, mas como pessoas. Era bom ver a casa inteira se divertindo junto, ignorando a divisão por equipes e todo o resto. 

Após o jantar, ela e Karin decidiram tomar conta da louça. Quando ficaram sozinhas na cozinha em frente às pias, Karin resolveu puxar assunto. 

— E você, Atena? — ela perguntou de bom humor.

— Eu o quê? — indagou Sakura, confusa. 

— Sua primeira vez. Você não disse como foi. — a ruiva esclareceu. 

— Ah, isso. — Sakura baixou a cabeça para Karin não a visse ficando vermelha. — Eu ainda não… não fiz sexo. 

A ruiva ficou surpresa e parou de esfregar o prato que tinha na mão. 

— Sério? Quantos anos você tem? — ela estava chocada. 

— Vou fazer dezessete no próximo mês. — Sakura respondeu, ainda sem encarar a outra garota. 

— Caramba. Que inusitado. — Karin ficou pensativa. — Você é tão bonita que acho que nem passou pela cabeça do resto do pessoal que fosse virgem. 

— Valeu. — Sakura sorriu enquanto colocava os copos recém-lavados na escorredeira. 

As duas terminaram de lavar tudo e colocaram para escorrer. Enquanto limpava a pia, Karin decidiu voltar com o assunto. 

— Mas e o seu primeiro beijo? Foi quando?

Sakura virou de costas enquanto enxugava suas mãos num pano de prato, fingindo não ter escutado a pergunta. 

Karin ficou boquiaberta de novo quando se tocou do que aquilo significava. 

— Caramba, você nunca beijou ninguém na vida? — ela perguntou alto. 

— Ei! — Sakura se virou alarmada. — Já falei que sou esquisita. Para de gritar! 

A ruiva ainda ficou boquiaberta por alguns segundos antes de largar a esponja ali na pia e agarrar outro pano para limpar as mãos. 

— Tá bom. — ela disse decidida. — Senta aí. — indicou o balcão com a cabeça. 

— Por quê? — Sakura obedeceu, confusa. 

Karin terminou de enxugar as mãos e veio para a frente dela, colocando as mãos em sua cintura. 

— Tá fazendo o quê? — Sakura ficou assustada com a proximidade. 

— Relaxa. — a ruiva murmurou com um sorriso e levou seu rosto de encontro em direção ao da participante de Atena. 

Sakura congelou quando sentiu os lábios de Karin sobre os seus. Suas mãos foram instintivamente para os ombros da outra, com a intenção de empurrá-la, porém isso não aconteceu. 

Karin não se moveu por alguns segundos, esperando sentir o corpo de Sakura relaxar sobre suas mãos. Quando isso aconteceu, ela moveu seus lábios nos dela num ritmo bem lento. 

Sakura fechou os olhos, incerta sobre o que fazer. Não sabia se devia se mexer. Não sabia onde pôr as mãos. Nem conseguia acreditar que estava realmente beijando alguém. 

No fim, ela só relaxou e deixou Karin guiá-la. 

Quando sentiu a língua da outra, entreabriu os lábios para deixá-la enlaçar sua própria língua, sentindo o gosto do suco de maçã que Karin gostava de tomar sempre durante as refeições. Suas mãos largaram os ombros de Karin e se espalmaram nas costas dela, puxando-a para mais perto. 

A ruiva se aconchegou melhor entre as pernas de Sakura, tomando cuidado para não encostar na parte enfaixada. Suas mãos seguraram os cabelos de Sakura enquanto ela aproveitava os lábios da rosada. 

Os minutos se passaram enquanto as duas se beijavam lentamente na cozinha vazia. Ainda podiam escutar o som dos outros conversando no quarto enquanto se preparavam para dormir. 

Quando Karin se separou de Sakura, ela deu um sorriso malicioso. 

— Você beija bem, filha de Atena. — murmurou enquanto suas mãos permaneciam no cabelo cor-de-rosa, os dedos se enrolando devagar nas madeixas dela. 

Sakura corou dos pés à cabeça. 

— Bom… — a ruiva a ajudou a ficar de pé no chão novamente. — Melhor ir logo antes que seus amiguinhos venham checar porque a louça está demorando tanto para ser lavada. 

— T-tá. — Sakura respondeu nervosamente. — Boa noite. 

— Tenha ótimos sonhos. — Karin disse num tom maroto. 

Sakura foi mancando de volta para o quarto e deixou Karin terminar de lavar a pia. Enquanto trocava de roupa por uma mais confortável, Hinata notou algo diferente da amiga. 

— Você tá bem? Tá vermelha. 

— E-estou bem. — Sakura respondeu nervosa, sem realmente encará-la. 

Enquanto se ajeitava para dormir, Sakura observou que Sasuke e Naruto estavam dormindo na mesma cama, ou seja, ele realmente ofereceu o lugar vazio de Suigetsu para o participante de Hades como pediu. Isso deixou Sakura mais tranquila. 

Ela se ajeitou sobre os lençóis, agora tendo mais espaço já que era somente ela e Hinata que dividiriam a cama nos próximos dias. 

Karin entrou no quarto alguns minutos depois, apagando a luz e indo se deitar junto com Temari, como sempre fazia. 

Sakura ficou olhando pro teto escuro do quarto, sentindo seu coração ainda acelerado e nervoso, tentando assimilar os últimos momentos. 

Ela demorou algum tempo para conseguir relaxar e dormir. 

Karin

A parte ruim de você se apaixonar por pessoas mais velhas é que, na maioria das vezes, elas te tratam como se você ainda fosse criança. 

Minha namorada vivia querendo me ensinar tudo, dizendo que eu ainda era muito nova para entender as dificuldade da vida, sendo que ela era só sete anos mais velha. 

Minhas primeiras vezes foram todas com ela, e talvez isso tenha sido o motivo para ela viver me tratando como se fosse idiota. Talvez eu realmente fosse mesmo naquela época, já que era uma bobinha apaixonada. 

Depois de dois anos de namoro, ela me largou dizendo que precisava de um tempo porque estava revendo algumas prioridades. Falei que lhe daria o tempo que precisasse. E aí no dia seguinte ela apareceu noiva de outra pessoa. 

Às vezes, quando olho para Sakura, penso o quanto ela é parecida comigo antigamente. Toda ingênua e inocente. E nessas horas eu entendo a minha namorada, já que sinto uma vontade incessante de corrompê-la. De puxá-la para dentro da despensa, onde não tem câmeras e ficar lá por horas. 

Mas talvez seja só o meu lado dominador falando. 


Notas Finais


Vamos lá para minhas considerações:

1. Sobre a sexualidade de alguns personagens, que eu sei que já tem gente surtando com isso, eu decidi trazer isso de uma maneira bem tranquila e tratar o tema como uma coisa normal. Acho que vocês perceberam que durante a conversa deles sobre a perca da virgindade, alguns falam sobre experiências hétero e outros não. A questão é a seguinte: como a sociedade dele resgatou todas as tradições da Grécia Antiga, um posicionamento que veio junto foi sobre a naturalização das relações amorosas, sejam elas hétero ou não. Quem já estou História, sabe que os gregos tratavam a homossexualidade como uma coisa completamente normal, e eu achei que seria interessante tratá-la exatamente dessa forma aqui em Olimpo. Na Grécia Antiga, não existia um termo que realmente definisse se alguém era hetero ou homo, os caras se relacionavam do jeito que eles queriam, no momento em que queriam, então... vamos fazer essa Grécia do século 24 aqui de Olimpo ser do mesmo jeito. Sei que tem muita gente se perguntando agora: "ah, mas a Sakura é lésbica ou não?". Bom, considerem-na bissexual. Na verdade, considerem todos eles bissexuais. Como eu disse, essa sociedade em que eles vivem resgatou muitos costumes antigos e ignorou muitos da nossa época, então lgbtfobia é uma coisa que "desapareceu", digamos assim. Tive essa ideia enquanto estava relendo Percy Jackson e os heróis do Olimpo, e lembrei do meu amorzinho pelo shipp do Nico di Angelo e o Will Solace, o casal que me fazia surtar antigamente. Jamais esquecerei do Apolo reclamando: "não me importo se você namora garotos ou garotas, mas tinha que ser um filho de Hades?" kkkkk, lendário demais.

2. Hécate??? Com a Lissa na votação??? Gente, queria muito entender vocês, kkkk. Eu jurava que iam querer a Lissa já que ela é deusa da loucura e isso ia dar umas provas insanas, mas né. Acho que vocês queriam poupar o pessoal de sofrer bastante. Bom, vamos com a Hécate então. O que acharam dessa primeira prova em homenagem a ela? Sinceramente, achei meio fraquinha comparada à prova da Lissa que eu tinha em mente, mas vamo seguir o baile.

Resultados da votação:
Hécate - 80,1% (2168 votos)
Lissa - 17,8% (463)
Nice 2% (55)

Poder branco da Caixa de Pandora:
"O dono do poder deve votar 3 vezes, um voto em cada equipe" - 88,4% (2217 votos)

Poder preto da Caixa de Pandora:
"O dono do poder deve vetar alguém de votar" - 90% (2256 votos)

Enfim, acho que é isso. Quinta-feira estamos de volta com o Desafio de Perseu, daqui a pouco eu faço o sorteio lá no insta pra saber quem ganha a imunidade e quem já vai direto pro Coliseu. Espero que tenham gostado e até mais <3

Insta: https://www.instagram.com/writer.plutoniana/

Playlist: https://open.spotify.com/playlist/5GHgPG9ZkBwObsc2pRpmeA

PS: VOCÊS VIRAM QUE PERCY JACKSON VAI VIRAR SÉRIE DA DISNEY? EU TO SURTANDO DEMAIS, SOCORRO!


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