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História Ômega - Cidade Cinza - Capítulo 22


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Capítulo 22 - 21.Amargo Parte III


Fanfic / Fanfiction Ômega - Cidade Cinza - Capítulo 22 - 21.Amargo Parte III

 

Rapidamente os dois se trocaram para ir até a escola, Miguel seu uniforme e Aghi umas das roupas da infância de Miguel, desceram as escadas do prédio e no corredor do segundo andar encontraram Bob, o beagle da senhora do apartamento 202. O cachorro deitado ao lado da porta despertou com os passos e olhou fixamente para Miguel que descia na frente. Normalmente a atitude do animal para com ele era de indiferença, mas desta vez o cão rosnava e latia fazendo que Miguel parasse a alguns metros do cachorro que bloqueava a passagem.

— Que isso, Bob? Sou eu garoto, o Miguel.— Disse tentando erguer a mão para acarinhar o cão que em um salto quase abocanhou sua mão com raiva.— Pulguento vagabundo!

Aghi que estava atrás de Miguel posicionou-se ao seu lado para entender melhor a situação e viu o pequeno cachorro latir com força, característica de coragem nunca antes vista por tal animal, contra Miguel. Então Aghi tomou a frente e devagar aproximou-se de Bob que estava concentrado em latir para Miguel.

— Calma garoto, calma. — O cachorro se acalmou e permitiu o carinho do garoto, mas manteve o olhar determinado na direção de seu alvo.— Seu nome é Bob certo? Você é um bom garoto, Bob.

O cachorro virou a barriga para receber carinho e cada movimento da mão de Aghi ele movia a perna esquerda e balançava o pequeno rabo de felicidade.

— Cara, qual o problema desse cachorro? Ele nunca me avançou assim.

Aghi sacudiu os ombros para responder que não sabia o porquê da atitude do animal. Miguel suspirou fundo e fez um sinal com as mãos indicando que deveriam prosseguir e deixar o animal ali no corredor. Continuaram seu percurso até a portaria do prédio onde Miguel parou instantaneamente ao olhar pela porta de vidro. Sua namorada, Isabel, estava parada na porta do prédio. A garota de longos cabelos sedosos e olhos castanhos encarava a rua aguardando que Miguel saísse do prédio para ir a escola naquela manhã.

— Merda! — Disse Miguel sacando o celular do bolso. — Descarregado, como eu não vi isso?

— O que aconteceu? — Perguntou Aghi, esticando o pescoço para ver o celular desligado.

— Aquela garota bonita ali fora é minha namorada. Eu não falo com ela desde ontem, provavelmente ela me mandou umas quinhentas mensagens e meu celular estava sem bateria.

— E por que você não carregou? — As palavras simples de Aghi soaram como um raciocinio completamente errado para ele.

— Puxa! Boa pergunta, Sr. Holmes. Deixa eu ver se sei a resposta... Talvez por ter sido assassinado por um monstro em uma rua escura! Não sei, o que você acha, detetive? — Disse em um tom debochado até mesmo para a paciência de Aghi.

— Hey! Não fala assim comigo! Eu só queria ajudar.

— Não ajudou muito não, filhão. Vamos fazer assim: eu explico alguma coisa e você não fala de Carniçais. Entendido?

— Entendido! — Aghi falou em tom de convicção.

Abriram a porta do prédio e o estalo da trava automática da porta chamou a atenção de Isabel que os encarou com um olhar de curiosidade e inquietação. A garota correu na direção deles e disse:

— Oi! Você está bem? Por que não respondeu minhas mensagens ontem?

— Bom dia, Bel. Me desculpa, ontem foi uma correria. Esse é meu primo do interior o nome dele é... Marcos, isso! Marcos. Ele vai morar comigo agora, sabe? Os pais querem que ele estude aqui. E eu precisava ajeitar as coisas dele lá em casa. Foi uma confusão.

Aghi assustou-se de imediato e encarou Miguel com um olhar sério. O garoto não era do tipo que contava mentiras. Talvez, vez ou outra, omitisse alguns pontos, como a história do Sr. Todorov, mas mentir deliberadamente como Miguel fizera era algo que sua personalidade não permitia.

— Oi Marcos! Você vai passar muito tempo aqui? Seus pais te mandaram pra estudar? — Perguntou Isabel.

— Não me chamo Marcos. Meu nome é Agnathi Galardoni e meus pais morreram, o nome do meu antigo tutor é Sr. Todorov. E apesar de apreciar a amizade da família de Miguel eu não sou primo dele. Ele me encontrou em um beco aguardando. Estou nessa cidade para encontrar o Guardião San...

— É verdade, o nome dele é Aghi e ele é um garoto de rua. — Miguel interrompeu a fala de Aghi com um sorriso amarelo sem entender porque o garoto desfizera o acordo de momentos atrás.

Isabel deu um passo para trás antes de laçar sua pergunta:

— E por que você mentiu dizendo que ele era seu primo Marcos?

— Foi só uma brincadeira, né Aghi? Piada interna, sabe como é?

Miguel olhava para Aghi torcendo para que o garoto não o desmentisse uma segunda vez. Aghi limitou-se a devolver o sorriso sem graça na expectativa de que fosse o suficiente.

— Que piada estranha, eu não entendi mesmo. — Antes que pudesse questioná-los melhor Isabel notou algo do outro lado da rua.

Avistou Ellen, garota da antiga turma de Miguel, andando na calçada do outro lado do grande estacionamento do conjunto habitacional. Ellen andava com uma sacola levando pães e olhava atentamente na direção deles apesar de estar dirigindo-se na direção oposta. Os olhos dela e de Isabel cruzaram-se e Ellen se assustou ao ver a garota com Aghi e Miguel naquela manhã.

— Oi! Oi, Ellen! Bom dia! Tudo bem com você?— Gritava Isabel, acenando a mão levantada e sorrindo para a garota.

Ellen limitou-se a trancar o rosto, em uma feição de seriedade total e olhar para outra direção ignorando totalmente as saudações de Isabel que em vão continuava acenando. Miguel que sabia da indiferença de sua vizinha para com sua namorada se limitou a fingir que nada aconteceu.

— Mas qual é o problema dessa garota? Eu não fiz nada pra ela. — Isabel coçava a cabeça.

— Eu não sei, ela sempre foi meio estranha mesmo. — Miguel dizia essas palavras na tentativa de minimizar possíveis desconfianças.

— Eu não acho que ela seja estranha. Eu gosto dela. — Disse Isabel.

— Por quê?

— Ela é legal, forte, determinada. No tempo que ela estudava na nossa escola ela nunca deixou garoto nenhum pisar nela. E o que mais admiro é que ela se veste sem se preocupar com a opinião de ninguém. Meus pais surtam só de me ver de short.

Para Miguel as duas eram totalmente diferentes, afinal uma era uma garota certinha e cheia de regras quanto a não falar palavrões ou brigar com alguém. Já a outra, sua vizinha, era boca suja e não tinha medo de dizer o que pensa.

— Como pode isso? Vocês são totalmente diferentes!

— E daí? Só por que duas garotas levam a vida de formas diferentes elas não podem se admirar? Quero dizer, existe esse clichê de garota malvada e menina certinha que se odeiam e eu não concordo com isso. Cada mulher é livre pra escolher seu caminho e não são os outros que vão decidir se elas podem ser amigas ou não.

Naquele momento tanto Aghi quanto Miguel abriram um sorriso para Isabel. Miguel podia não concordar com toda a linha de pensamento apresentada por sua namorada, mas a confiança e firmeza nos argumentos dela era de longe para ele as maiores qualidades que alguém podia apresentar. Estava orgulhoso por ela apresentar um maturidade que o próprio não possuía.

— Me desculpa, isabel. Você tem toda razão.

— Claro que eu desculpo, fofinho. Sabe por quê? Porque você é mais fofo que uma criança vestida de porco.

Nesse momento o sorriso de Miguel virou preocupação e ele começou a olhar em volta a procura de outras pessoas e a fazer gestos de negação com as mãos para Isabel.

— Não, não, não. Não faz isso por favor! — Miguel implorava.

Todo aquele desespero de Miguel causaram a curiosidade de Aghi que até aquele momento nunca presenciara o amigo corar o rosto de vergonha. Ele estava com as bochechas vermelhas e Isabel se aproximava dele em um ritmo de uma pequena dança alegre e infantil.

— O Gato mia, o Cachorrinho late. O Rinoceronte só quer leite Parmalat. Mantenha o seu filhote forte vamo lá!

— Ah meu Deus! Que vergonha. — Miguel virava o rosto tentando evitar o contato visual com sua namorada que cantava próximo ao seu rosto.

Aghi gargalhava de felicidade com a vergonha do rapaz. Era difícil de imaginar que alguém tão sério e critico quanto Miguel estava namorado uma garota tão divertida e espirituosa quanto ela.

— Trate seus bichinhos com amor e Parmalat. — Aghi subiu a voz para cantar junto de Isabel o final da música, ela se surpreendeu por um garoto tão jovem saber uma música que ela só aprendeu porque sua irmã mais velha cantarolava pela casa. E no final os dois disseram juntos olhando para Miguel: — Tomou?

Aghi e Isabel riram e Miguel se lamentava por passar por aquela situação na entrada de sua casa onde algum vizinho curioso pudesse ver todo aquele show. Perguntava-se como Isabel podia passar de um pensamento profundo e analítico sobre o papel da mulher moderna na sociedade para um jingle infantil interpretada por crianças vestidas de animais.

— Eu adorei esse Garoto! — Disse Isabel abraçando Aghi.

— É tá bom, ele é ótimo. Só para de cantar por favor!

— Você não gostou? — Perguntou Aghi.

— Vocês cantando? Acho que esse foi o pior merchandising da história! Quem é o dono dessa empresa? Don Corleone?

— Hey! Não fala assim do Sr. Parmalat! — As palavras de Isabel foram acompanhadas de um balançar de cabeça de Aghi que concordava com a garota.

— Será que podemos ir pra escola agora? Eu preciso falar com a direção para matricular o Aghi antes de ir pra sala de aula.

— Relaxa, temos tempo! — Disse Isabel dando um abraço em Miguel. — Sofia e o vovô estão bem?

Nesse momento Miguel lembrou-se de como o avô pela primeira vez em muito tempo dormira bem, o velho não acordara nem com a conversa de Arae. Se não fosse os roncos vindos de seu aposento, provavelmente Miguel acharia de ruim acontecera.

— Sim, estão bem. Menos a Sofia, ela tá muito chata. Queria torcer o nariz dela, como diria minha mãe.

— É mesmo? O que aconteceu com ela?

— Sei lá. Parece que é cólica. Ela até vomitou, nem sabia que as pessoas vomitavam de dor.

Isabel olhava perplexa para Miguel, não conseguia acreditar que seu namorado fosse tão ruim em entender problemas femininos básicos.

— Seu insensível! Você pelo menos deu remédio pra ela?— Perguntou Isabel.

Miguel balançou a cabeça negativamente ao que Isabel, mais perplexa ainda, pegou a mochila e começou a vasculhar em busca de algo. Por sorte a garota tinha um remédio para os desconforto abdominal.

— Me empresta sua chave! Vou lá ver como ela está. — Disse a jovem.

Miguel entregou a chave para Isabel que rapidamente abriu a porta do prédio e subiu as escadas. Isabel tinha um dom de compreender a dor das pessoas e no caso de Sofia a empatia entre as duas era tão grande que ela não se assustaria ao ver a garota entrar em seu quarto sem a presença do irmão.

 

 



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