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História Omega - Capítulo 39


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Capítulo 39 - Desencanto


Ajudar deixava Stiles animado. Momentaneamente o fez se esquecer da sensação de estar deslocado de estar a quilômetros e quilômetros de distância do seu pai. Ainda mais ajudar Derek. O cara parecia abatido desde que chegou na casa. Literalmente como um bichinho assustado. Embora estivesse no seio familiar.

Atenção demais as vezes sufoca. Acompanhada de uma enxurrada de perguntas então..

Ficava satisfeito em ver o rosto abatido sorrir. Temia ter pesado a mão com suas palavras na noite anterior. Abusando de uma delicada intimidade. O lobo não pareceu impor de verdade. Contudo, Stiles fez uma nota mental em se conter. Filtrar ao menos algumas palavras antes de deixá-las saírem.

Tornar a conversa bem mais confortável e menos constrangedora. Ele tentaria.

Apesar de um pouco tarde, dormira feito uma pedra. Como se àqueles fossem os seus velhos colchão e travesseiro. A barriga estava cheia da fatia do bolo que praticamente comera sozinho. Dessa vez se certificou de acordar cedo para não se atrasar. Fora para a sala assim que terminou o banho.

A mesa estava posta. Júlia já estava ali, com Talia e os filhos e os amigos de Derek. O moreno sentou na ponta, um pouco afastado da mãe. Quando Stiles fez menção em se sentar Derek sinalizou discretamente, ou na cabeça dele um acenar era, para que o rapaz sentasse do seu lado.

Stiles olhou por um instante, o olhar de Derek reforçava o pedido. E bem, não havia porque negar. Estavam esperando o último para que começassem o desjejum. Foi em meio ao tilintar dos talheres e o bater de xícaras nos pires que Derek se inclinou na direção do castanho.

— Podemos conversar? — Ele cochichou. Os cabelo que não conseguiu prender atrás das orelhas caíram como uma moldura em seu rosto.

Stiles assentiu estranhando o pedido.

— O que houve?

Ele quis saber. Já imaginando que seria sobre Parrish. E começou a se perguntar se algo havia acontecido quando saiu do quarto. Estava ciente dos olhares que recebiam. Fixos e cheios. Diferente de Derek, Stiles percebeu que os pedidos do moreno eram suspeitos. Indicavam segredos. E ele estava no meio. Chegava a ser engraçado.

— Depois. Está bem?

Derek se serviu com um pouco de suco e uma torrada. Não estava com fome. Enrolaria com tão pouco o quanto pudesse. Seu nervosismo criava uma friagem na sua barriga. Ele imaginava que o faria vomitar. Como se estivesse ingerindo gelo. Queria poder falar com Stiles naquele momento. Arrasta-lo para o seu quarto e se trancar alí, para lhe dizer o que a conversa rendeu, para propor. Observava-o. Vê-lo comer tão bem lhe satisfazia, deixava sua fome pequena. Stiles não participava muito das conversas, embora respondesse sempre que lhe chamavam.

“como está Beacon hills?” sua mãe perguntava. “a mesma coisa” Stiles respondia. Derek não se lembrava de nada daquela cidade, a não do tempo que passou ao acordar.

Quando Stiles se levantou com os pratos em mãos Derek o seguiu como um cachorrinho. Ele ficou satisfeito que Miller, o novo cozinheiro, não estava ali. Não conseguia digerir que outra pessoa, e não Amélia, ocupava aquele lugar.

Stiles notou sua presença.

— Certo. Sobre o que quer falar?

— Aqui não. Venha. — Ele pediu. Segurou o pulso do Stilinski e o levou para fora. Bem para o fundo da propriedade.

Stiles deixou-se conduzir. Estava surpreso com a altivez do mais velhos, com o seus passos largos e ligeiros. Quando percebeu que Derek estava lhe levando em direção a árvore, ele estancou.

— Essa árvore não.

Ditou, um pouco ríspido. Tomou as rédeas da situação e levou o moreno para o outro lado. O Sol não estava tão forte. Imaginou que ali, perto do murinho de pedra, seus cochichos estariam a salvo as audição lupina.

— O que aconteceu? — Ele insistiu. Todo aquele mistério estava lhe agoniando.

— É o Parrish. Ele quer me encontrar. Queria uma foto, mas e obviamente não mandei. Agora isso. Cara a cara. — ele soprou numa lufada de ar. Ficara arfante, àqueles passos deixaram suas pernas bambas. Derek odiava não estar cem por cento.

— Isso é bom, certo?

— Não sei. — Derek negou. Apoiou-se no muro e ficou encarando a vegetação lá longe. Ele apertava os blocos de pedra, como se estivesse medindo forças. O que quebraria primeiro? As rochas ou os seus ossos?

— Porque não Derek? — Stiles não estava entendendo. Se o cara queria encontra-lo queria dizer que as coisas não estavam tão ruins assim.

— Eu mudei Stiles. E nem queria. — Ele lamentou. Gesticulou para nenhum ponto específico.

Stiles olhou com atenção. Derek estava magro. A camisa antiga dançava em seu corpo com o sopro do vento. Os músculos que vira nas lembranças haviam murchados. Mas isso não era algo ruim.

— Você mudou por fora Derek. Todo mundo muda em algum momento. Mas por dentro ainda é o mesmo.

Derek ficou em silêncio. Tentava absorver aquelas palavras. Sentiu a mão de Stiles no ombro, lhe apertando, havia certo reconforto. Não dera muito atenção ao próprio corpo desde que acordara. Na verdade tentava ignorar aquele corpo esguio. Vinha comendo aos montes para tentar ganhar peso e ré-esculpir-lo. Mas até isso estava difícil.

— Sarado, magro, ou gordo. Não faz diferença, Derek. — Stiles disse. Envolvendo os ombros do moreno com o braço, puxando-o para um abraço. — Quando você gosta de alguém é pra valer.

— Você têm razão. — Derek murmurou baixinho. Não tinha muita convicção. Mas o mínimo já era o começo.

— É Claro que eu tenho. — Stiles garantiu, chacoalhando-o para frente e para trás. — Eu, Stiles Stilinski, sempre tenho razão.

— alimentar teu ego é um perigo.

— Não pare, por favor.

Stiles soltou-o e se sentou no murinho não tinha mais que um metro e meio. Derek se encostou e ergueu o rosto para encara-lo.

— Não posso ir sozinho. — Dizer em voz alta era mais ridículo.

O Stilinski olhou de relance.

— Hã?

— Você se importaria? — Derek insistiu.

Stiles havia entendido. Só imaginou que havia escutado errado.

— Pra que, cara? — Indagou. Tentando enxergar a lógica do pedido. — A época de segurar vela já passou.

Ele riu do próprio comentário. Esfregava as mãos no muro. As pedras que o compunham eram lisinhas e estavam frias.

Derek mordeu o lábio inferior. Estava se sentindo ridículo de todas as formas.

— Desculpa por pedir isso. — Ele murmurou. Por um momento admirou a grama do outro lado, estava longa e encurvada. — Minha mãe não vai deixar que eu saia sozinho. Sei disso. Merda, pareço um pré-adolescente falando, é um porre.

— Você não pode ter certeza.

Stiles tentou ser otimista.

— Cara. Ela tentou me dar comida na boca. Na boca. Você viu. — O moreno apontou.

— Foi engraçado. — Stiles admitiu, controlando um riso.

— Não, não foi. — Derek grunhiu. E suspirou. — Vamos lá, você é a possibilidade menos constrangedora.

Derek olhou nos olhos. Stiles mordeu a parte interna da bochecha, lembrou-se da cara de pidão de Bruce.

— A cara... Não sei. — Balbuciou coçando a nuca. Estava em uma situação não muito boa.

— O lanche é por minha conta. — Derek murmurou como quem não quer nada, dando ênfases nas palavras certas. Pelo que vira nos últimos dias aquele era o caminho certo para alcançar o rapaz, a barriga

Stiles lançou ao morena um olhar atravessado.

— Isso é golpe baixo Hale. Golpe. Baixo. — Ele ditou. Pressionando o indicador a cada palavra.

— A necessidade faz o ladrão. — O Hale deu de ombros. — E aí, topa?

— você vai se arrepender. — Stiles avisou, saltando do murinho e começando a andar. Eram passos lentos para que o mais velho lhe acompanhasse.

— posso imaginar isso perfeitamente. Meus bolsos sangram de antemão.

Derek balbuciou causando risos no rapaz.




•×•




Derek ficou nervoso após confirmar com Jordan. Isso atraiu a atenção, claro. Sabia que sua inquietação geraria perguntas de mais por tão pouco. Quando saiu do banho sua pele ardia. Se esfregara com toda a força, para garantir que o cheiro do unguento saísse. Estava funcionando. Não tão rápido quanto ele gostaria mas estava. Já até podia dispensar aquela bengala estúpida.

Ele abriu o guarda-roupas e ficou encarando as camisas penduradas nos cabides por um tempo. Percebeu a entrada de Stiles pelo cheiro, ouvindo seus passos e o ranger da cadeira. Ignorou completamente a ideia de lhe pedir mais um conselho. Era demais. Sentiria que estava abusando da boa vontade do outro. E séria certamente, a cereja do bolo.

Derek pegou uma camisa preta. Decidiu que haviam outros problemas além de uma simples roupa. Ele a abotoou com pressa. Queria chegar antes do horário combinado, queria repassar o plano com Stiles. Ele virou-se para o castanho e fora naquele momento que sua mãe adentrou o quarto, aproveitando a porta aberta.

Talia olhou-os com atenção. Ambos arrumados. Derek estava tão distraído com suas divagações que só notou a presença da mãe quando Stiles pigarreou.

— Oi mãe... — O moreno sorriu amarelo. Tinha o breve sonho de se esgueirar pelos cômodos e sair sem ser percebido.

— Vai sair? — Ela perguntou sem rodeios. Poderia ter enrolando o assunto, se aproximando lentamente. Mas a Hale sempre fora direta.

— sim. Vou dar uma volta. — Derek balbuciou. Tentar enrolar só pioraria tudo.

— Onde? Posso levá-lo. — Ela propôs.

— Estou bem mãe. — Derek garantiu. Reprimiu um suspiro e o tom carregado de tédio. Estava mesmo bem. — Não tenho nove anos.

A mulher olhou-o com as sobrancelhas erguidas.

Stiles pressentiu um embate mãe x filho que não estava a fim de presenciar. Já era difícil segurar vela. Embora o pagamento fosse satisfatório.

— Eu irei com ele. — Disse o rapaz. Se empertigando. — Ficarei de olho.

Talia virou o rosto expressivo para o jovem. Como que notando-o somente naquele momento. Olhou de Stiles para o filho algumas vezes.

— É. Ele vai. — Derek exclamou em empolgação. Sentia que uma lâmpada havia clareado sua mente pois havia se esquecido do próprio plano. Poderia dizer que mostraria a cidade.

— Stiles quer conhecer a cidade. — lançou um olhar para o rapaz, que balançou a cabeça. — Vamos no cinema depois.

— Vamos? — Stiles exclamou. O olhar de Derek o deixou constrangido com sua lerdeza momentânea. — Era surpresa, claro.

— Vocês vão juntos? — Ela perguntou. Olhando-os do mesmo jeito. Focando em Stiles por alguns segundos e depois no próprio filho.

— Não. — Derek negou Exasperado.

— Sim. — Stiles confirmou com um dar de ombros.

Os jovens falaram ao mesmo tempo. E com breve contradição se entreolharam com o cenho franzido.

— não entendi. — Talia murmurou pensativa.

— ele vai me acompanhar. — Derek explicou com urgência.

— Da no mesmo. — Ela replicou. Viu o filho olhar para o relógio e suspirou. — Certo, certo. Não vou bancar a mãe chata e tomar o tempo de... Vocês. Mas se forem se atrasar para o jantar avisem.

Talia girou nos calcanhares. Hesitou por um instante, antes de balançar a cabeça seguir para fora.

O Stilinski piscou os olhos incrédulo. Fitou Derek de soslaio. Quando percebeu que fora encarado Derek desviou os olhos

— Sua mãe está pensando que nós....

— sim, é, bem... — Derek se atrapalhou todo e suspirou. — Sei que está cansada de me ouvir dizer isso, mas me desculpe.

Derek não obteve uma resposta.




•×•




O moreno apalpava os bolsos da calça vez ou outro, enquanto seguiam corredor adentro, descendo as escadas. Só para garantir que sua carteira estivesse ali e as suas chaves também. Stiles caminhava do seu lado. Imaginava que toda aquela cautela fosse para não chamar a atenção. Quando chegaram na garagem Derek respirou fundo, como se tivesse prendido o ar durante todo o percurso.

— Você tem um carro ou é... Sei lá, de outra pessoa?

Stiles quis saber. Aquela garagem era bem espaçosa. Não falava desde que saíra do quarto.

— Tenho. — Derek admitiu. Franziu o cenho. — Espero ainda ter.

Apertou o botão da chave e o carro deu sinal. Apitou e os faróis piscaram. Haviam dois veículos encobertos por capas de lona escura. Ele se aproximou do que estava a sua esquerda. Desprendeu os ganchos e dobrou as bordas e começou a puxar. Não pediu ajuda embora tivesse pressa e seu ritmo ainda fosse lento. Queria provar que podia fazer algo sozinho. Ao menos descobrir um carro e ficou feliz por Stiles não se mover.

— Esse é o seu carro?

Stiles indagou lentamente. Apontava o dedo para um camaro preto, a mão chegava a tremer.

— sim. — Derek confirmou distraído. Observa o veículo com nostalgia.

O castanho fazia um cálculo mentalmente. Olhou Derek de esguelha e focou na máquina outra vez.

— Aos dezoito anos você tinha um camaro.

Derek repuxou os lábios. Assentiu com cuidado.

— Era do meu pai. — Explicou. — Ele não quis mais então... Me deu.

— era do meu papai. — Stiles zombou. Infantilizando a voz. — Burguesinho safado.

— Você realmente é cruel as vezes. E aleatório. — Derek sorri.

— Vai chorar? — Stiles ergueu as sobrancelhas. Formaram um arco perfeito acima dos olhos. Foi se aproximando de Derek. — Quer que eu chame a mamãe?

Derek ri balançando a cabeça. Stiles havia se aproximado o suficiente para que pudesse soca-lo no braço.

— Então. Como vamos fazer? — Stiles murmurou. Ainda haviam muitas dúvidas sobre aquele “plano”.

— Vamos sair daqui primeiro. — Derek propôs. — Você vai dirigir. Vamos abastecer no caminho, o tanque não está tão cheio.

Ele observava o painel através das janelas. Stiles arreganhou um sorriso animado.

— Pode apostar que sim. — Garantiu, surrupiando as chaves das mãos de Derek.

— Certo. Vou abrir o portão.

Derek se adiantou em direção a entrada deixando um Stiles maravilhado para trás.




•×•




A viagem demorou um pouco de Albany até Nova Iorque. Stiles se atentou a cada detalhe durante o percurso. Diferente de Derek se distraiu com ato de dirigir. Nas pausas, para abastecer e durante os sinais vermelhos, Derek murmurava coisas e Stiles assentia brevemente.

Haviam repassados o plano. Stiles ficaria na mesa ao lado, lendo um livro ou apenas fingindo. Derek deixaria claro para a garçonete que a conta de Stiles seria paga por si. Daí para frente era só aguardar o mais velho.

Derek estava aliviado. Aliviado por Stiles não estar chateado consigo pelo comentário de sua mãe. O silêncio dele ao sair do quarto até a garagem lhe preocupou até ele comentar sobre o carro.

O ponto de encontro era uma lanchonete próxima ao parque Riverside. Chegaram por volta das onze horas. Derek o guiou, lembrava-se perfeitamente do lugar. Não fora difícil achar um lugar para estacionar, do outro lado da rua um cara ia saindo, deixando o local vago.

Stiles imaginou que aquela não fosse uma simples lanchonete escolhida ao acaso. Que por debaixo daquele toldo amarelinho e as portas envidraçadas havia histórias para se contar.

Estava parcialmente vazia. Como fora pedido Stiles se sentou a mesa ao lado. E não perdeu tempo. Horas sentado, por mais que o banco fosse confortável e dirigir fosse prazeroso, estava com fome. Quando deu por si já havia devorado três sanduíches e copão de copa e já estava pedindo um hambúrguer, deixando Derek assustado.

Um relógio na parede com o seu som incessante os lembravam de que o tempo corria. De que era o único que não parava, era elétrico e incansável. Stiles odiava relógios analógicos – sempre sentiu vontade de jogar o do pai no lixo – também odiava atrasos.

Stiles se apoiou no dorso acolchoado da poltrona que sentava. Havia uma placa que separava a sua mesa da do Derek. Se erguida do chão e alcançava um metro e meio fácil.

— Ele está atrasado. — Observou. Puxou a coca, pelo canudo, com força. Até seu cérebro doer.

Derek tentava não pensar muito sobre. Olhava vez ou outra o celular, mesmo que ele não vibrasse. Minutos atrás havia recebido a resposta.

— Está a caminho. — Garantiu. A demora causava-lhe uma inquietude, uma sensação esquisito na boca do estômago. Olhou para Stiles, flagrou o exato momento em que o rapaz dava uma abocanhada no hambúrguer que acabara de ser entregue.

— Para onde vai tudo isso? — Ele quis saber. Era um modo de lhe distrair também. Stiles fazia aquilo muito bem.

Stiles engoliu o que mastigava, tomando cuidado para não se engasgar na pressa em falar. As vezes acontecia.

— Suspeito que possuo dois estômagos. — Ele murmurou pensativo.

— Talvez seja uma solitária. Ou duas. — Derek supôs.

O hambúrguer parou a centímetros da boca de Stiles. Lançou um olhar azedo para o moreno. Tratou de ignorar aquele comentário e apagar a imagem da sua mente.

Derek negou com a cabeça. Girava o celular sobre a mesa. O refrigerante que havia pedido estava aguado e intocado, o gelo havia derretido e deixado a superfície translúcida. Segurou firme o aparelho, pronto para tentar mais uma chamada.

Foi naquele momento que o sino da porta soou anunciando. Derek ergueu os olhos e aquietou-se ao se deparar com ele. Enfurnado em um terno cinzento, empunhando uma pasta de couro com os cabelos cortados gente o crânio. Olhava em volta, totalmente diferente de anos atrás.

— É ele. — Derek grunhiu com a voz esganiçada.

— Fique quieto. — Stiles resmungou, focando na comida. — Me ignore, não fale comigo, seu besta.

Derek corou. Ele tinha razão. Engoliu em seco quando fora notado. Os olhos esverdeados de Parrish se fixaram em si, os lábios se abriram brevemente. O homem ficara parado, olhando na direção do moreno. Franzia o cenho deixando seu rosto redondo contraído, como se a imagem diante dos seu olhos fosse uma miragem causada pela quentura que sentia.

Stiles olhava-os atentamente. Quando realmente queria, sabia ser discreto. Observou Derek acenar, e para ver a reação do homem bebericou seu refrigerante.

O loiro se aproximou com passos cautelosos. Parecia duvidar da própria visão. Derek sorriu amarelo, um pouco constrangido com o olhar.

— É você mesmo. — Ele disse. Tratou de se sentar a mesa. — Meus deuses. Eu não acreditei até entrar por aquela porta e você acenar.

— Sou. — Derek confirmou mesmo não precisando. — Estranho não?

— Quando acordou? — Parrish indagou. As horas que se passaram, digerindo a informação, não fora suficiente para esvair sua surpresa.

— Há quase um mês.

— Puxa. — Parrish suspirou. — Dois anos. É muito tempo.

— É. Parece que foi ontem. — Derek ficou o encarando. Parrish estava diferente com aquele corte de cabelo, as rugas que se formavam nos olhos.

Eles ficaram se olhando. Dava para ver a tensão. Os anos tiraram-lhe o jeito. A intimidade parecia algo irreal.

— Eu fui. — Jordan murmurou. Afrouxando a gravata. — Queria que soubesse disso. Queria te falar pessoalmente.

— Foi? — O moreno franziu o cenho.

— Atrás de você. — explicou. sentia necessidade de dizer. Que não havia desistido. — alguns diss. Não respondia as mensagens e as ligações. Fui até a sua casa. E soube...

Derek ficou quieto. Seu coração estava acelerado.

— eu... — murmurou baixinho. Ninguém havia lhe contado aquele detalhe.

— sua irmã me explicou a situação. Mas seu pai apareceu depois e me mandou embora logo em seguida. Não deixou que eu te visitasse, montou guarda praticamente...

Embora não tivesse tocado no seu refresco Derek possuía a sensação que havia engolido os cubos de gelo e eles estivessem entalados na sua mão.

Stiles sentiu que era a sua deixa. Que Derek deveria ouvir e falar por conta própria. Era íntimo demais. Ele se levantou e fora até a garçonete que lhe atendia, só para reafirmar o combinado. Ele saiu apressado. Esperaria Derek ao lado do carro.

Ele viu-os conversando, gesticulando. Havia calma e estranheza, Stiles virou de costa e suspirou. Esperava que se acertassem. Ele pega o celular e fica encarando. O sol lhe aquecia a nuca, fazendo-o se refugiar debaixo do sobrado de um prédio antigo. Sabia que tinha feito o certo. Mas imaginar o que eles estariam conversando lhe deixava agoniado. Tentava ignorar sua curiosidade.

Conversar não lhe acalmava. Malia estava ocupada com a avó. Liam estava transando, era apenas um palpite. E Matt dissera que ia banhar e voltava em um segundo. Certamente ele não voltara em um segundo. Aquela inquietude o fez ignorar os latidos que se tornavam cada vez mais alto, abafando a vozinha esganiçada.

Os latidos eram lentos e vividos. Reverberando pelo corredor do beco. Stiles espiou, lá longe viu uma movimentação. Era uma disputa entre homem e cão. Ele foi se aproximando com cautela, observando a cena. Na outra rua uma mulher atarracado puxava a coleira com insistência.

— Vamos, levante. Levante essa bunda gorda Marley. — Ela ia dizendo e dando sacolejos na extensão da coleira.

De fato o cachorro era gordo. Baixinho e largo. E sem quaisquer vontade de se mover.

— Ele é seu?

Stiles quis saber. A mulher agia com impaciência. A forma como puxava a coleira, ele não gostou. Ela se sobressaltou com a presença. Fitou-o com atenção, os cachos estavam grudados na testa suada.

— Não. — Disse-lhe disse com desconfiança. — de um cliente. Esse carinha empacou.

Stiles focou na blusa arroxeada da mulher. Havia uma patinha bordada na altura do peito e os dizeres; Silvano pet shop.

— Pare de puxar. — Ele aconselhou.

A mulher não gostou.

— Sei o que estou fazendo. — Garantiu. Estava impaciente com a fuga.

— Pois assim você só está irritando ele.

Stiles insistiu, se agachando. Fitando o animal por um instante.

A mulher fitou o cachorro, possuía a feição lívida.

— Ele só é preguiçoso.

— Solte. — Stiles pediu, apontava para a coleira. — Apenas solte.

Ela o encarou de esguelha. Duvidando. Afrouxou o aperto da mão e sentiu o objeto escorregar dos seus dedos. Antes que pudesse protestar, Stiles se levantou.

— Ele é gordo. Só está cansado. — disse-lhe. — Para onde quer levá-lo?

A mulher apontou para o lado. Um portão estava aberta, era da espessura de um portão.

— Muito bem. — Stiles de agachou na altura do cachorro novamente. E desprendeu o gancho da coleira.

— Ei. Se ele fugir estarei em apuros.

— seja um bom garoto e entre. Ela foi rude, mas não vai te fazer mal rapaz. — Stiles apontou na direção que a mulher indicou, ignorando-a.

O cão espirou. O nariz ficou melado e ele lambeu, antes de suspirar e seguir para dentro do prédio.

— Como você fez isso. — a mulher gritou exasperada.

— Filho de xerife. — Stiles deu de ombros.

— Isso deveria significar alguma coisa?

Stiles sorriu. Ela tinha razão.

— Canil. As vezes depois das aulas eu ficava lá, alimentando os cachorros e, clandestinamente, brincando com eles. — Ele sorriu. Quase havia se esquecido disso.

— o que faz aqui com ele? — Ele quis saber.

— Miranda. — A mulher lhe entendeu a mão

— Stiles. — Ele a apertou.

— Esqueci de fechar a porta. Na hora do banho ele acabou escapando. É mais ágil do que parece.

— a, sei bem como é.

— Tem um assim?

— Sim. Ego. — Stiles lembrou-se da bola de pelos preguiçosa. — Dorme como se estivesse morto.

Ela riu. Possuía uma risada alta, que preenchia o beco facilmente. Seus olhos eram cor de café e foram atraídos pelo mínimo movimento.

— Pode me dar uma mãozinha, mais uma? — Ela apontou com o queixo, na direção a porta onde Marley estava deitado.

Stiles lançou um olhar hesitante na direção que viera. Se perguntava se já havia terminado. Mas descartou, Derek lhe ligaria.

Ele seguiu em direção a porta e pediu que o cachorro o seguisse. Stiles sinalizou para que Miranda fosse na frente mostrando o caminho.

Haviam pequenas jaulas logo após. Gatos miavam alto e alguns outros cachorros latiam. Stiles teve um vislumbre de uma recepção lá na frente, estantes com utensílios para os animais. Eles foram para o chuveirinho. E Stiles o fez subir os degraus e ficar debaixo, quieto e de mal-humor.

Miranda bateu palminhas excitada. Havia lutado contra Marley minutos antes, para empurra-lo. Se distraiu por um instante com o miado agressivo de um dos gatos e o cachorro aproveitou o momento para fugir.

— Garoto. Você é tipo um mago dos cães.

— É só pratica. — Ele balbuciou, sorrindo internamente. — Bom, eu vou indo.

— Espeea, espera. — Ela pediu com um desespero que o assustou. Fora enfiando um as mãos no bolso e tirou um punhado de cartãozinhos. — Estamos com pouco pessoal. Fiquei na mão hoje, sozinha. Então...

Ela entregou na mão de Stiles e fechou. Como se ele devolver o cartão fosse algo incabível.

— não é o melhor emprego do mundo. Mas pense com carinho. Se estiver interessado, claro.

— Certo, certo.

Stiles balançou a cabeça. Saiu do pet shop um pouco atordoado. A ponto de errar a direção. Ele encontrou Derek já dentro do camaro, no passageiro. O que Stiles estranhou e fez se questionar se não havia travado o veículo. Achando que a conversa fora um tanto rápida.

— Ei. — Ele murmurou. Queria falar sobre a loucura de minutos atrás.

— Pensei que estivesse ido embora. — murmurou o Hale.

— Não, estava bem ali no pet... — Stiles observou com atenção. Os olhos estavam vermelho e o sorriso era forçado. — O que aconteceu?

— Se formou. Meu pai atrapalhando como sempre. Parrish está namorando. — Resumiu em um suspiro.

— Mas que merda. — Stiles balbuciou. Não tinha nada para dizer. E “sinto muito” não parecia certo. Ninguém queria escutar em um momento como aquele.

— Nem sei o que dizer. — Derek admitiu. — Eu não esperava que algo fosse acontecer, na verdade. Mas as vezes o mínimo de otimismo...

Ele se calou. Estava com raiva do pai. Chateado com toda a situação.

— Não é errado ser otimista. — Stiles ponderou.

Derek respirou fundo e o encarou.

— Vamos para esse cinema?

— Está falando sério? — O castanho ergueu as sobrancelhas.

— É isso ou rastejar para dentro daquele bueiro bem ali.

— Sua mãe não gostaria disso. — Stiles argumentou. — Vamos para o cinema então. Por sua conta.

Derek o fitou com tédio.

— Meio a meio? — Stiles propôs, sorrindo amarelo. Tratou de ligar o carro e tirá-los dali.



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