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História Omega Regnans - Capítulo 43


Escrita por: e ItsRainy


Notas do Autor


Um capítulo para acalmar vossos corações... Boa leitura!

Capítulo 43 - Quadraginta tres


À tarde, todas as ômegas chegavam na casa de Jo Haseul, por último, a esplêndida Jeon Heejin chegara de táxi após descer no heliporto mais próximo, devido a um viagem de Seul até Daegu. O almoço feito por Ha Sooyoung, com uma pequena ajuda de Wong Kahei, que estivera ocupada em seus últimos momentos com Im Yeojin, já estava à mesa.

— Nós sentimos tanto a sua falta. — Park Chaewon e Choi Yerim apertavam a pequena gama, uma de cada lado.

— Ela ficou tão bonitinha com esse cabelo pintado. — Kim Jiwoo aproximou-se por trás, e bagunçou os cabelos de Yeojin.

— Eu vou ter uma falta de ar. — Yeojin riu, estava sendo tão apertada pelas outras.

— Ei, parem, assim não vai ter Yeojin pra mim. — A voz grossa de Heejin foi ouvida por todas, que deram espaço para a ômega, que retirou os óculos escuros, e as abraçou em conjunto. — Eu espero que tenha aprendido a usar a sua katana em alfas.

— Nossa, já começamos o dia assim? — Jo Haseul riu ao chegar na sala de estar.

— Por que esse ódio gratuito? — Wong Kahei riu, ao acompanhar Haseul.

— Vivi! — Heejin correu para cumprimenta-la. — Quanto tempo!

— Vocês podem se abraçar, ok? — Haseul disse. — Eu sempre deixei.

— Então... — Os olhos de Heejin brilharam por um instante, após abraçar Vivi. — Vocês estão juntas novamente? — Sorriu. — Como ousam dizer que não?

— Amiga, como eu disse, essa é uma longa, bem longa, história. — Jiwoo aproximou-se, e com isso, Ha Sooyoung saiu da cozinha, com o avental do chefe.

— Você também decidiu voltar com ela? — Heejin sussurrou para Jiwoo.

— Eu não as julgo porque também estou me acostumando. — Chaewon sussurrou para Yerim e Yeojin.

— Senhorita Jeon. — Sooyoung curvou-se, intimidada.

— Não é a primeira vez que diremos isso hoje, Soo, e ela não vai te demitir. — Haseul disse à alfa, e Heejin arregalou os olhos, assustada.

— Eu estou fora dessa. — Vivi saiu de perto, indo em direção das outras ômegas, e Yerim abraçou-lhe, já que também era uma grande admiradora da delta.

— Sabe, a longa história. — Jiwoo disse, na tentativa de ajudar Haseul. — Elas estão juntas. — Apontou para a barriga da ômega mais velha.

— Que tipo de brincadeira é essa, Ji-chuu?! Eu não posso acreditar! — Heejin deu passos para trás. — Então foi com ela que você...? — Apontou para Haseul e Sooyoung.

— Pois acredite, Senhorita Jeon. — Sooyoung pôs a mão na cintura de Haseul, que se intimidou, enquanto isso, Heejin fingiu desmaio.

 

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No almoço propriamente dito, as ômegas se calaram, talvez as bençãos à Haseul e Sooyoung pudessem ser dadas naquele momento.

— Eu não sabia que era tão boa na cozinha quanto nas contas. — Heejin deu o braço a torcer e elogiou Sooyoung.

— Obrigada. — A alfa respondeu, tímida.

— Eu ainda prefiro o tempero da Vivi. — Yeojin disse, de implicância, enquanto a delta lançou um olhar tímido para a gama.

— Nós não precisamos comparar as nossas cozinhas. — A delta respondeu. — Eu sou de Hong Kong, e não abuso da pimenta desta forma. Porém, aprecio sempre o seu elogio, feijãozinho. — Disse à Yeojin.

— Eu queria que alguém me chamasse assim também. — Jiwoo disse.

— As suas outras namoradas não fazem isso? — Sooyoung implicou com Jiwoo.

— Quando você vai sair com as alfas hoje, Soo? — Haseul perguntou, já na tentativa de livrá-la de julgamentos pela sua falta de noção pertinente.

— Vocês sairão? — Chaewon perguntou.

— Elas ainda não sabem, mas nós vamos. — Sooyoung respondeu.

— Hum. — A ômega murmurou, pensativa. — Eu não quero soar intrometida, mas vocês chamaram Hyejoo?

— A última vez que levamos ela, quase brigou com a Jinsoul. — Sooyoung disse.

— Eu lembro. — Vivi completou, e riu. — Eu achei que brigariam na hora do chuveiro. — Sooyoung acompanhou Vivi nas risadas.  

— Ela estava achando que a Jinsoul quereria ver aquela minhoquinha. — A alfa riu, e recebeu todos os olhares repreensivos da mesa. — Bom, acho que já estou satisfeita da minha deliciosa comida. — Tentou disfarçar. — Nós a convidaremos, Senhorita Park. Com licença, meninas. — Ha levantou-se da mesa.

— Eu vou pegar mais refrigerante. — Vivi também se levantou da mesa, envergonhada pelo diálogo que ela participara.

— Haseul, por que me mataste? — Heejin perguntou à amiga. — Como se já não bastasse o gosto extremamente duvidoso de Jiwoo. — Jeon fingiu choro. — Mas ainda acho que o pior gosto de todos é o da Chaewon. — A loirinha revirou os olhos. — Yerim, pelo menos, está se divertindo com a Jinsoul. — Choi desviou o olhar. — Agora, Yeojin, por favor, diz pra mim que não gosta de alfas. — Olhou para a gama, com esperança.

— Eu não gosto de alfas. — Yeojin disse, e Heejin levantou as mãos para o céu. — Mas eu gosto de deltas. — Yeojin disse, desconcertando a ômega, e riu.

— Que história é essa, Im Yeojin?! — Haseul perguntou, desesperada.

— Ei! É apenas uma brincadeira. — A gama defendeu-se, mas os olhares continuaram desconfiados. — Eu só queria dar um susto na Heejin.

— Assim espero! — Heejin disse.

— O que deu em você? Eu achei que Hyunjin havia feito você criar uma trégua. — Yeojin rebateu, e as outras a observaram.

— Alguém está precisando se atualizar. — Jiwoo disse. — Aliás, eu nem conto a vocês sobre o que Jungeun e eu quase fizemos.

— Alguém quer refrigerante? — Wong chegou bem na hora.

 

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Após a refeição, Ha pegou as chaves da sua Mercedes de coloração Borgonha. Dirigindo em direção ao apartamento de Kim Jungeun, uma vez que Kim Jiwoo havia dito que a alfa estaria em casa, telefonou para Jinsoul e Hyunjin.

— Eu não estou em casa! — Jungeun gritou enquanto as três amigas batiam à porta.

— Nós sabemos que está aí, Jungeun. — Sooyoung respondeu. — Vamos sair?

— Sair pra onde? — Abriu a porta, sem camiseta, com os piercings rosas amostra.

— Você vai ver. — Sooyoung disse, e Jungeun olhou para as outras.

— Eu também não faço ideia do que seja. — Jinsoul respondeu, e Hyunjin tinha uma feição péssima, de quem havia chorado uma boa parte da noite.

— Eu também já chamei a Hyejoo, e ela esperará a gente bem em frente. — Ha disse, entrando no elevador com as outras três.

As três alfas e meia cruzaram os braços enquanto o elevador parava toda hora, pelo visto, todas as ômegas e gamas do apartamento estavam saindo também. Além disso, algumas lançaram olhares curiosos para Sooyoung e Hyunjin, e Jinsoul, sendo que para a última, até alfas pareciam encantando com a mesma.

— Jungeun não está com nada, hein. — Jinsoul zombou da antiga paquera.

— Ah, elas já estão cansadas de me verem pelada na varanda. — A alfa deu de ombros. — Às vezes eu medito pelada do lado da minha maconha, e o meu pau enrudece.

— Eu não precisava saber disso. — Hyunjin disse, e fingiu nojo.

— Como não entra um inseto na tua bunda? — Jinsoul perguntou.

— Ei! Sem baixaria. — Sooyoung abriu as portas da sua Mercedes.

— Eu sempre bato de cabeça quando entro neste carro. — Hyunjin bateu de cabeça ao sentar-se no banco de trás, ao lado de Jinsoul, enquanto Jungeun sentou-se ao lado de Sooyoung.

— O seu chifre deve estar muito grande. — Jungeun disse.

— Ah, quem dera. — A alfa mais jovem disse.

— Vai me dizer que você queria assistir alguém comendo a Heejin na sua frente? — Sooyoung perguntou.

— Se sim, Jiwoo e eu estamos disponíveis. — Jungeun disparou.

— Ah, é mesmo, Kim Hyunjin deixou Jeon Heejin escapulir. — Jinsoul aumentou o tom de voz.

— O que você fez pra conseguir afastar aquela mulher?! Você não consegue parar com nenhuma?! — Sooyoung perguntou, em alto e bom tom, incrédula.

— Ei, caras, parem com isso, a Hyunjin ainda está descobrindo que gosta de alfas. — Jungeun zombou.

— A Hyunjin perdeu a madame de vista. — Jinsoul reclamou. — Olha, a Sooyoung está conseguindo dormir na casa da celebridade que esnobava ela. — Hyunjin manteve-se calada, e de cabeça baixa, enquanto Jinsoul dava chilique. — Até a Jungeun tem mais iniciativa que você, Hyunjin.

— Ei, deixa o meu nome fora disso. — A alfa dos piercings reclamou.

— A Jinsoul tem razão, Hyunjin, se eu estou conseguindo conquistar a Haseul, por que você não consegue ficar um tempinho com a Heejin? — Ha perguntou.

— Eu já falei que ela tem medo de bo... — A Kim mais velha foi interrompida.

— Menos, Jungeun. — Hyunjin, por fim, se pronunciou. — Eu sei que eu sou um lixo em deixar a Heejin ir, mas eu não tive opções, e era pro bem dela. — Jinsoul sabia o porquê, mas ainda assim, não aceitava aquela desculpa.

— Mas a Heejin não é como outras pessoas, você pode contar com ela pra tudo. — Jinsoul pontuou. — Ou você vai esperar ela ficar à solta e cair nas mãos daquele japonês com quem vocês trabalham? — Jinsoul perguntou, e as outras fizeram coro para provocar.

— Você vai perder a Heejin para o pica-pau, Hyunjin? — Jungeun riu, fazendo alusão aos cabelos vermelhos do possível pretendente. — Por isso você também virou ruiva? — Jungeun franziu o cenho.

— Até que ele poderia fazer um galã de cinema com aquele maxilar. Ele é bonitão. — Sooyoung disse. — Quem sabe agora as ômegas não estejam falando sobre ele. Quando eu saí da casa de Haseul, estavam todas com cara de santa, mas provavelmente falem dele.

— Eu não aceito isso! — Hyunjin cerrou os punhos. — Eu aceito ser corna todos os dias da semana, mas não aceito perder pra ele! — Rosnou.

— Então você dá um jeito de voltar com a Heejin antes que seja tarde demais, ou eu mesma darei um coro. — Jinsoul ameaçou.

— O que?! — Hyunjin arregalou os olhos.

— Brincadeira, agora eu sou delta de uma ômega só. — Jungeun e Sooyoung se olharam, sabiam muito bem que Jinsoul estava com Yerim, mas a própria havia pedido para não contarem à Hyunjin.

— Essa história novamente, Jinsoul? — A amiga estranhou.

— É sério! Ela sempre me escolhe a Catwoman pra bater no meu Batman.

— Ela também é gamer? — Jinsoul temeu que a alfa descobrisse, mas Yerim não era a única.

— Sim. — Suspirou. — Nós jogamos videogame agarradinhas.

— É isso que vocês fazem sozinhas em casa? — Hyunjin estranhou ainda mais.

— Ela não me trata como um vibrador gigante. — Jinsoul sorriu. — Passamos mais tempo de mãos dadas do que... você sabe.

— Eu sei. — Hyunjin franziu a testa. — Eu acho que nunca vi você assim antes.

— Nunca? — Jungeun perguntou. — Nunquinha mesmo? Em todos esses anos de amizade? — Kim piscou várias vezes, observando-as pelo retrovisor. Jungeun queria ter sido uma melhor amante para Jinsoul, mas agora parecia ser tarde.

— A Jinsoul está caidinha por esta ômega há um tempo. — Sooyoung retrucou. — Eu lembro desde os primeiros flertes que presenciei, isso porque não sou tão próxima.

— Espera, vocês duas a conhecem, e eu não?! — Hyunjin reclamou. — Eu sou uma péssima melhor amiga.

— Ainda bem que você sabe. — Jungeun provocou.

— Não escuta ela, Hyunjin, Jungeun nunca sabe o que diz ou faz. — Jinsoul provocou de volta. — E sim, eu acho que estou ficando caidinha.

— Alfas apaixonadas, chegamos. — Sooyoung estacionou em frente a uma loja de móveis, onde Son Hyejoo realmente esperava, com a sua moto estacionada.

— Está de sacanagem?! Eu não tenho dinheiro nem pra comprar um micro-ondas novo. — Jungeun disse. — O que estamos fazendo aqui?!

— Vocês me ajudarão com o enxoval da minha filhinha. — Sooyoung disse, com os olhos brilhando, estava tão ansiosa que namoraria os berços antes mesmo de ir compra-los com Haseul.

 

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Após os comes e bebes, as ômegas reuniram-se nos fundos da casa da anfitriã, juntamente à gama, e a delta, que já estava acostumada com os assuntos das amigas. No entanto, não havia nada de mais naquele assunto, a CEO Jeon conversava o que não conseguia deixar de conversar: trabalho.

— Eu achei melhor adiar o seu estágio na Jeon Vitae. — Contou à Yerim. — Agora que está de férias, sinto que seja o melhor momento.

— Eu estou revendo a minha área ultimamente, mas agradeço, Heejin. — A ômega cumprimentou.

— As portas continuarão abertas para você.

— E você, Dona Chuu, quando vai me dar um estágio na sua rede de sex shop? — Chaewon perguntou à amiga.

— Você queria? — Jiwoo surpreendeu-se. — Acho que o Senhor Park não vai gostar muito.

— Ele não tem que gostar. Só em estar na faculdade, a mesada voltou a cair na minha conta, mas eu quero me sustentar, comprar ao menos algumas maquiagens novas. — A loira comentou. — Ou alguns novos jogos.

— Eu ando um pouco afastada da empresa por causa do museu, mas posso falar com a GyuRi. — A ruiva disse. — Eu ando tão de saco cheio do mundo dos negócios que você até pode ser a nova CEO dos brinquedinhos. — Pegou o celular para ligar para a sua assistente.

— Você pediu um estágio e ela vai te dar a empresa?! — Haseul espantou-se.

— Olha, acho que eu fiz amizade com as ômegas certas. — Yerim deu uma risadinha, e bebeu o coquetel, realmente havia se adaptado a um alto padrão de vida ao participar do grupo das ômegas. — Brincadeira, meninas. Eu gosto mais da companhia de vocês do que tudo isso.

— Nós também gostamos da sua companhia, Yerim. — Haseul disse. — A Yeojin sentia falta de alguém mais inocente no grupo.

— Onde que Yerim é inocente, Haseul? — Chaewon riu. — Ela está pegando a Jinsoul há semanas. — A ômega mais jovem escondeu o rosto. — A Haseul é ingênua.

— Você continua ingênua, Seullie? — Vivi perguntou.

— Você sempre me achou ingênua? — A atriz lançou um olhar melodramático, e as outras riram da interação, no fundo, ainda torcendo pela volta das duas.

— Claro, você falta acreditar em papai Noel. — Vivi deu uma risada meiga, com os olhinhos quase fechados.

— Vocês podem parar de avaliar se sou inocente, ok? — Choi defendeu-se.

— A Chaewon e a Jiwoo falam da Jinsoul de um jeito... que eu achei que era uma pervertida. — Heejin admitiu.

— Mas ela é muito diferente disso. — Yerim a defendeu. — Ela é uma das pessoas mais meigas que eu já conheci.

— Ela faz umas piadas engraçadas. — Yeojin contou. — Sacaneou a Hyejoo com a piada do passeio.

— Que passeio? — Inocentemente, Haseul perguntou, e Yeojin não perderia a oportunidade.

 

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Enquanto isso, as alfas rondavam pela loja de móveis luxuosos. Son Hyejoo e Kim Jungeun pareciam perdidas, ora tentavam ajudar, ora disfarçavam a falta de jeito. Jung Jinsoul e Kim Hyunjin auxiliavam bem à Ha Sooyoung, que não compraria nada naquele dia, já que escolheria com Haseul, mas a sua ansiedade não a permitia esperar mais, queria, ao menos, ter algo em mente, e impressionar a sua ômega.

— Por que você não essa cama em forma de carro? — Os olhos de Hyunjin brilharam.

— Eu não sei se é bem o estilo que Haseul gostaria. — Sooyoung falou.

— A Sooyoung gosta de assistir hipismo e golfe, enquanto come caviar, Hyunjin, não liga muito pra carros populares. — Jungeun disse.

— Ela está certa. — Sooyoung deu uma risadinha, e seguiu para outra seção.

— Talvez eu compre pra um futuro filhote. — Kim deixou escapulir o desejo.

— Ah, até você?! — Jungeun amarrou a cara. — Ainda bem que você está comigo, não é, Hyejoo? — Hyejoo e Jungeun fizeram um High Five.

— Sem filhotes. — A alfa mais jovem disse.

— Olha esse berço, Soo, madeira maciça— Jinsoul bateu na superfície.

— Esse é o de melhor qualidade que encontramos até agora. — Sooyoung cheirou a madeira. — Provavelmente dê pra ser usado até uma idade mais avançada.

— Então vamos pra casa? — Jungeun deu saltinhos.

— O que eu mais gostei foi disso. — Jinsoul ativou o chocalho. O sonzinho para acalmar o filhote e fazê-lo dormir foi o que mais chamou a sua atenção, juntamente à de Hyunjin e Sooyoung, cujos olhos brilhavam. — Dá até vontade de ter um pirralho nessas horas. — A voz da delta soou entristecida.

— Ei, eu vou chamar você pra ser a madrinha do meu filhote. — Sooyoung deu tapinhas nas costas de Jinsoul.

— O que?! Eu sou a sua amiga há muito mais tempo. — Hyunjin rebateu.

— Depois discutimos isso, agora reservarei esse berço pra mostrar à Haseul. — Sooyoung. — Já reservamos o guarda-roupas, a cômoda, e agora...

— Por que não esse lobão? — Hyejoo acariciou uma pelúcia que deveria ter a sua altura. — Eu tenho um enfeite desses de quando eu era bebê.

— Isso! Agora vocês me ajudarão com os brinquedos! — Ha exclamou.

 

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— Um brinde à mais nova CEO da Persici! — Jiwoo homenageou. — Parabéns, Park Chaewon. — Abraçou a amiga, ainda incrédula.

— Eu ainda não sei como agradecer. — A loira sorriu.

— Não tem porque agradecer. — Jiwoo continuou abraçada a ela. — Eu queria que pudéssemos marcar também as nossas amizades para que ficássemos juntas pela eternidade.

— Eu também. — Heejin disse. — O amor tem tantos altos e baixos, que toda hora, eu ia querer remover a marca. — Reclamou.

— Fora que alguns relacionamentos, mesmo que duradouros, não serão pra sempre. A marca é uma grande responsabilidade. — Vivi opinou.

— Remover também não é tão fácil. Eu lembro que o meu pai queria remover a da minha mãe quando se divorciaram. — Chaewon contou. — Só é possível substituindo.

— Vocês se imaginam marcando alguém algum dia? — Yerim, por fim, perguntou.

— Você já quer morder a sua delta, Yerim? — Yeojin perguntou, e Yerim intimidou-se por imaginar-se íntima de Jinsoul naquele nível.

— Nós sequer estamos namorando. — Deu de ombros. — Chaewon e Jiwoo?

— Eu tenho um grande receio de fazer isso algum dia. Os meus pais faltaram se matar pela marca. — Chaewon admitiu. — Hyejoo também é um pouco afobada demais com o assunto de eternidade. Ela acha que o pra sempre não é tão longo.

— Então. — Jiwoo suspirou. — Tem algo que eu ainda não contei.

— A Jungeun mordeu você?! — Heejin perguntou, preocupada.

— Eu tentei marcar a Jungeun anteontem. — Admitiu.

— O que?! — As outras perguntaram uníssonas.

— Você tem certeza que quer marcar a Jungeun e sentir tudo que ela sentir pra sempre? — Jeon Heejin logo perguntou, com um tom desesperado.

— Vocês vão ficar ligadas em outras reencarnações, não vão? — Haseul perguntou, também era muito ligada à espiritualidade, por criação das antigas.

— Isso significa que o cheiro dela diminui no cio, e as outras não vão prestar tanta atenção nela? — Chaewon perguntou.

— Então as outras não vão querer a sua alfa?! — Os olhos de Yerim brilharam só de pensar, passava por uma fase de ciúmes, era cansativo lidar com as antigas amantes da delta, mas também não era nenhuma possessiva.

— A marca de mordida estranha fica pra sempre? — Yeojin perguntou, tendia a enjoar das coisas, e encontrava isso como uma regra.

— Você tomou uma decisão eterna em apenas três meses? — Vivi espantou-se.

— Sim, para todas as perguntas. — A ruiva deu de ombros. — Isso é pra sempre, meninas, nós nos amamos, e se quiséssemos ficar com outras pessoas, poderíamos. Nós não temos motivos para nos separar, embora pudéssemos desfazer a marca.

— Talvez enjoar uma da cara da outra, já que vocês trabalham juntas agora. — Haseul disse. — Não deve ser possível retirar uma marca eterna, ou é? — Haseul ficou curiosa por demais. Embora tenha tido muitos anos ao lado de Kahei, e quisesse levar uma mordida, nunca considerou que poderiam terminar um dia.

— Não é fácil, mas também não é impossível, e além do mais, ela teria que tirar, não eu. — Deu uma risadinha. — Mas eu não consegui.

— Por que não? — Yeojin perguntou, tentando acompanhar a conversa.

— É doloroso, precisa sangrar, e a pessoa marcada desmaia por algumas horas. — Jiwoo explicou. — A Jungeun é uma das alfas mais medrosas que eu já conheci.

 

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Naquela hora da noite, as alfas já estavam exaustas, apesar de terem testado vários sofás e camas, Sooyoung era muito seletiva para algo simples como reservar móveis que Haseul ainda escolheria. As aventuras terminaram no apartamento de luzes neon mais querido de todos.

— Este é o jardim mais lindo do mundo! — Kim Jungeun apresentava, orgulhosamente, os pés de maconha gigante.

— Isso é maconha, cara? — Hyejoo perguntou, confusa. — Eu posso tocar? — Aproximou-se, e cheirou.

— É claro! Nós podemos até fumar!

— Jungeun, eu estava errada esse tempo todo ao julgar você como o Coringa. — Jinsoul disse. — Você está mais pra Hera Venenosa com esse papo de ser contra filhotes, até parece que não gosta da humanidade, ainda por cima prefere vida vegetal.  — Pontuou. — A sua namorada é doidinha feito a Arlequina, que tem um relacionamento aberto com Hera.

— Talvez você esteja certa, Jinsoul. — Jungeun recolheu algumas flores da planta, onde mais se concentrava o tetrahidrocanabinol. — Provavelmente a Hera e a Arlequina  cultivem  maconha juntas, mas o lado bom é que continuo uma vilã do Batman, seu herói.

— Você sempre vai querer implicar comigo, não é? — A delta cruzou os braços.

— Até o último dia da minha vida.

 

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Kim Jiwoo terminou de contar toda a história sobre a marca, evitou contar sobre o seu medo de gravidez, não queria parecer uma insensível ao lado de Jo Haseul, então mudou de assunto.

— Vocês acham meus dentes grandes? — A ômega mostrou-se, com os olhos azuis, e caninos desenvolvidos.

— Não é nada muito incomum. — Yeojin respondeu, e mostrou a sua forma gama, com os olhos azuis claros, e caninos até maiores que os de Jiwoo.

— Feijãozinho, os seus são assustadores. — Vivi riu, e logo mostrou a sua forma, com olhos vermelhos alaranjados, e presas não tão assustadoras e letais.

— Isso virou uma competição? — Chaewon perguntou, mostrando os seus com Yerim, ambas sem levar muito jeito em parecerem ferozes.

— Os meus são pequenos. — Haseul também decidiu participar.

— Você não vai amedrontar quando decidir marcar a sua.... parceira. — Jiwoo disse à Haseul, que ficou envergonhada por estar na presença de Vivi. — Ai, mordi a língua. Eles são afiados.

— É tão estranho ver o lado animal de vocês. — Heejin riu.

— Faz também. — Yerim disse, e fingiu que morder Chaewon.

— Eu nunca vi os seus olhos. — Yeojin, com seus azuis claros disse.

— Tá bom. — Heejin fechou os olhos, e abriu, mostrando os grandes dentes caninos, e unhas que também desenvolviam. As outras ômegas, por um momento, assustaram-se com os olhos de Heejin, cuja tonalidade era anil, bem mais forte que o azul.

— Os seus são mais escuros. — Yeojin logo pontuou. — Como?!

— Eu não sei. — Heejin deu de ombros, enquanto voltava ao normal.

— Será que você seria uma ômega lúpus se tivesse só um pouquinho a mais de genes? — Vivi questionou.

— Eu realmente nunca pensei nisso. — Heejin disfarçou. — É estranho estar no nosso estado mais animalesco. Imagine como eram antigamente?

— Com pelos cobertos no corpo? — Chaewon fez cara de nojo. — Infelizmente nem sempre a depilação a laser existiu. Só de pensar que nem existia pó descolorante.

As ômegas, a gama, e a delta riam ao pensar em como seria a vida em outra época, mas o mesmo tempo, preocupavam-se e prestavam condolências às suas castas em termos de sobrevivência mais extremos. 

 

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Enquanto isso, os brownies de maconha preparados por Kim Jungeun estavam prontos. As outras alfas pareciam desconfiadas quando a menor, sem camiseta, portando apenas piercings rosas nos mamilos, apareceu com um tabuleiro e brownies cortados.

A Jiwoo disse para não fumarmos maconha. — Sooyoung disse.
Mas não disse nada sobre comer! — Jungeun riu. — Fala sério, Soo, eu estou superando o meu trauma. Na última vez que fiquei muito chapada, eu me esfreguei em você, e agora, cá estamos, quero ficar chapada com você.
Eu acho que você está procurando uma desculpa pra pegar uma alfa. — Hyunjin disse, e Jinsoul lançou um olhar curioso.
Olha pelo lado bom, você está disponível. — Lançou um sorriso de lado. — Sooyoung está brincando de casinha com a Haseul, Hyejoo namora a blogueirinha, e a Jinsoul encontrou a sua mulher-gato. — Jungeun suspirou.
Bom, amanhã mesmo eu vou falar com a Heejin, então não estou tão disponível. — Hyunjin disse, envergonhada.
Que seja. Eu não quero nenhuma de vocês. — Mordeu o brownie.
Então, quando vamos começar a ter alucinações? — Hyejoo perguntou. — Digo, eu nunca fiz isso, também não tenho muitos amigos pra sair, e beber soju. A minha principal companhia é a Chaewon, mas também era a Yerim.
Agora você tem. — Sooyoung disse. — Mas eu parei de beber por um momento, e Hyunjin também.
Jinsoul e eu estamos aqui. — Jungeun deu tapinhas nas costas da delta.
A Jungeun é meio fraca de beber, mas dá pra acompanhar você. — Jinsoul implicou.
Olha quem fala, Jinsoul. — Rebateu.

 

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Wong Kahei saiu da roda de ômega por um momento para que pudesse atender ligações confidenciais, enquanto isso, Im Yeojin mostrou-se tentada  por um certo assunto.

— Como vocês sabem que estão gostando de alguém? — A gama perguntou, baixinho.

— Eu comecei a gostar quando senti o meu coração partido por poder estar enganando as duas. — Jiwoo contou. — Eu me sentia uma pessoa horrível em machucar as minhas alfas.

— Bom, acredito que tenha sido quando a minha vida de curtição perdeu a graça. As noites na balada não se comparavam mais a uma noite assistindo-a jogar. — A loira admitiu. — As minhas amigas nunca apoiaram, e mesmo assim, eu não consegui me importar, e ainda não consigo.

— Vocês três não têm nada a dizer? — Yeojin perguntou sobre a irmã, Heejin e Yerim.

— A primeira pessoa que eu goste na vida era uma figura, digamos que... — Yerim pensou na melhor palavra, mas nenhuma parecia soar bem o suficiente. — Ah, eu gosto de pessoas maduras que cuidem de mim, provavelmente os psicólogos expliquem que seja por eu ser órfã. Eu sempre soube que gostava, mas também sabia que não era fácil de admitir. — A revelação tirou uma boa parte do fôlego das amigas.

— Vocês são todas muito meigas. — Heejin riu, envergonhada. — Eu sinto que reproduzi o que os alfas fazem com a gente, com ela, como uma reparação histórica, mas ela nunca mereceu isso. Ela era como um desafio pra mim, por ser a única que não parecia estar nas minhas mãos, e eu consegui com tanta facilidade, mas quando achei que havia conquistado, só havia encontrado o quanto ainda faltava para conquista-la. Assim, eu descobri. E Haseul? — Todas as outras lançaram os olhares para a mesma.

— Eu demorei bastante pra perceber que eu gostava dela, que ainda tenho as minhas dúvidas. — Riu. — Até tenho medo de parecer que estamos juntas pelo filhote, porque é tão clichê, uma forma de trazer os alfas para si. — Revirou os olhos. — Eu percebi que gostava dela quando notei que estava contando com ela pra tudo, e só assim eu percebi, que ela não está na minha vida por outros interesses, e sim por mim, então posso dizer que fui conquistada.

— Tudo isso diz alguma coisa pra você, Yeojin? — Chaewon perguntou.

— Ah, diz. — Coçou a nuca, envergonhada.

— Agora chega à parte que você conta o seu caso e descobrimos porque você fez essa pergunta. — Jiwoo disse. — Você acha que está gostando de alguém?

— Não, agora é a parte que vocês contam como conquistaram elas! — A gama disse, animada, e as outras disseram um “ah” uníssonas, mas fariam a vontade da pequena.

 

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A maconha cultivada por Kim Jungeun possuía flores lilás para roxas, originárias da Purple Haze, responsável por criatividade, uma vez que era uma estimulante cerebral. Ela era bem útil no dia a dia da alfa, e também sua ômega, gerando desde a euforia ao relaxamento.

Com isso, as alfas cantavam Under Pressure, a magnífica colaboração de Freddy Mercury e David Bowie, que tocava na vitrola de Kim Jungeun.

Pressure, pushing down on me,

Pressing down on you, no man ask for.

Under pressure that burns a building down,

Splits a family in two, puts people on streets.

— Esse efeito é muito bom. — Hyejoo disse enquanto balançava com a música. — Mas por que eu estou vendo um lobo gigante ao redor de vocês? É a aura?

— A Hyejoo está vendo nossos alfas. — Hyunjin gargalhou, e jogou-se no sofá de Jungeun, quebrando-o.

— Você tá doida?! O meu nome tá sujo de tanta prestação, e eu não vou comprar um sofá novo. — Jungeun deu tapas em Kim.

— Ei, caras, por que eu estou sentindo o cheiro da Jinsoul ficar mais doce. — Sooyoung deu um cheiro no pescoço da delta.

— Ei, sai fora, Soo. — Jinsoul a empurrou. — Lembrando que o ativo na relação homocasta também é homocasto, ok? A Haseul não vai gostar disso.

— Eu estava apenas brincando, ok? — Sooyoung continuou próxima, sentindo o cheirinho doce. — Eu poderia ser bicasta que nem você.

— Sooyoung, cai fora. — Jungeun puxou a alfa para longe de Jinsoul.

— Alfas não podem ficar chapados que já querem chupar outros alfas. — Jinsoul reclamou, e todas as outras gargalharam.

— Isso nunca aconteceu comigo, ok? — Hyunjin defendeu-se.

— Nem comigo, mas essa é só a primeira vez. — Hyejoo pôs a cabeça para trás.

— Se você tivesse que pegar uma alfa, qual seria? — Jungeun perguntou.

— Vocês não são bem o meu tipo. — Son rebateu.

— Ah, você gosta das loirinhas, não é? — Jungeun disse. — Ruivinha serve? — Jogou Hyunjin para cima de Hyejoo.

— Você é tão ridícula, Jungeun. — Hyunjin riu, e jogou-se em cima de Jungeun, caindo no chão.

— Vamos matar a Jungeun. — Jinsoul jogou-se em cima de Hyunjin, e Sooyoung jogou-se em cima de Jinsoul, até que Hyejoo perdeu a vergonha e jogou-se em cima de Sooyoung.

— Estou ficando sem ar! — A Kim mais velha se bateu debaixo das alfas.

— Bom que você deixa a sua ruivinha viúva, hum? — Hyunjin zombou.

— Bom mesmo, assim ela fica com a Heejin, já que você tem medo de ômegas. — Jungeun defendeu-se.

— Agora vocês já podem sair de cima de mim, ok? — Jinsoul disse, e Hyejoo saiu, mas Sooyoung continuou abraçada à delta.

— Estou com saudades da Haseul. — A alfa disse. — Ela está com a ex namorada nesse exato momento. — Fez bico enquanto ainda abraçava Jinsoul, e Jungeun abraçou Hyunjin, mas logo puxou Hyejoo.

— Ih, alguém vai ficar solteira, fique alerta, Jinsoul. — Jungeun zombou.

— Soo, você tem que confiar mais no seu taco. — A delta deu tapinhas nas costas da amiga. — A Haseul está tão na sua.

— Eu duvido. — Abaixou a cabeça. — Ela não liga pra mim.

— Eu também pensava isso da Heejin, mas ela parece se importar muito comigo. As ômegas só não dão o braço a torcer com facilidade. — Hyunjin pontuou. — Elas são bem duronas, mas a gente merece.

— Verdade. A Chaewon fez jogo duro comigo por um bom tempo. — Hyejoo disse. — Talvez a Haseul só siga a mesma linha.

— Eu não tenho do que reclamar da Jiwoo. Ela veio fácil pra mim, mas eu fiquei de quatro muito rápido pra ela. — Jungeun disse. — Eu sou a cadelinha da minha ômega. — As outras riram.

— Engraçado, todas nós namorarmos alguém do grupinho das ômegas. — Hyejoo disse, e Jinsoul lançou um olhar desesperado por quase entregar a sua relação com Yerim. — Só falta você, Jinsoul. — Hyejoo tentou consertar.

— Ela não está a fim dessa nova ômega? — Hyunjin perguntou. — Vamos deixar assim, até porque, Yerim e a irmã da madame são café com leite.

 

ㅂㅂ

 

— Agora conta, Yeojin, por que você quer saber o nosso jogo de sedução? — Haseul perguntou novamente para a irmã.

— Eu queria saber como as ômegas adultas fazem, e pelo visto, são coisas que eu não quero e não posso fazer. — Fez cara de nojo.

— Ah, Yerim e eu só demos uma surra nelas no videogame. — Chaewon defendeu-se. — Eu não fiz quem nem elas, então você pode seguir a minha dica.

—  A minha também, pelo menos a primeira, se declare pra ela, e pronto. — Yerim disse. — Mas quem é a pessoa?!

— Ninguém! Eu só quero saber! — Deitou-se na rodinha de travesseiros.

— Você estava no telefone até agora? — Haseul perguntou assim que Kahei chegou à roda novamente. — Estava falando com alguma ômega?

— Surto de ciúmes?! — Jiwoo perguntou, e as outras riram. — A Soo não vai gostar.

— Apenas curiosidade, ok? — Haseul rebateu. — Yeojin e você são tão misteriosas que podem ocultar um cadáver. — As duas se olharam, envergonhadas, já haviam ocultado um cadáver.

— A Vivi deve saber quem é, e a gente não. — Yerim reclamou. — Até pergunta no tarô a Yeojin deve ter feito.

— Do que vocês estão falando? — Kahei perguntou, e Yeojin levantou-se rapidamente.

— Você não disse que queria ver a sua mãe?! — Yeojin mudou de assunto.

— E eu vou, antes da viagem, por que?

— Ah, nada. — Desviou o olhar. Enquanto Jiwoo olhou para as outras, e sussurrou para Yerim não tocar mais naquele que era mais um dos assuntos secretos de Im Yeojin. — Que fome. — Disfarçou, para ir até a cozinha.

— Hum, eu também estou com fome, mas é fome de doce. — Haseul levantou-se da roda também.

— Vivi, como você sabe que está gostando de alguém? — Jiwoo perguntou.

 

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No apartamento de Kim Jungeun, Ha Sooyoung correu para desligar a vitrola, e atender o telefonema de Jo Haseul, já que estava tão desorientada, que sequer achava o caminho pra varanda.

— Soo? — Haseul perguntou manhosa.

— Oi, Seulie. — A alfa disse, com uma voz fofa, e as outras pararam para observar, e também, rir.

— Você já está vindo pra casa?

— Eu ainda estou aqui na Eun, por que?

— Eu estou com desejo de comer Tteok, e você sabe, se eu não comer, o nosso filhote vai nascer com cara de bolinho de arroz. — Jo acariciava a barriga saliente do outro lado da linha. — Você pode trazer pra mim, Soo?

— Claro, amor, quer dizer, Seulie. — Sorriu, envergonhada. — Eu levo pra você. — Olhou no relógio. — Mas será que tem alguma loja aberta?

— Soo... nem que você tenha que invadir uma festa de casamento... eu quero Tteok! — Soou bastante mandona.

— Está bem, está bem. — Sooyoung pegou as chaves do carro na vitrola quando a ômega desligou. — Foi um prazer estar com vocês, caras, mas a Haseul...

— Quer comer Tteok, não é? Estava no viva-voz e você nem percebeu. — Jungeun zombou. — Boa sorte, mamãe, ou a Haseul vai fazer picadinho de salsicha se perceber que você comeu brownie de maconha.

 

ㅂㅂ

 

Depois da bonança vinha a tempestade na casa das alfas. Ha Sooyoung foi embora, mas as outras continuaram o festival até se cansarem. Son Hyejoo foi a primeira a ficar exausta, e cochilar no sofá recém quebrado, enquanto Kim Hyunjin suava frio.

— Eu vou tomar um banho. Você tem cueca extra? — A Kim mais nova perguntou.

— Tem umas que eu nunca usei. Depois você vê. — Jungeun deu uma toalha para a amiga, e observou Jung Jinsoul encostada no outro sofá, parecia um pouco estranha.

— Vou lá, e espero que tenha água quente. — Hyunjin saiu, deixando-as a sós.

— Está tudo bem, Soulie? — Jungeun sentiu um frio na barriga ao aproximar-se. — Você parece um pouco abatida.

— Por que eu estou vendo sair um monte de Z imaginário da Hyejoo dormindo? — Jung perguntou e Kim riu.

— É assim mesmo, só uma onda. — Estendeu a mão para levantar Jinsoul. — Você já está na larica?

— Eu acho que aceito Cup Noodles.

— É a única coisa boa que eu sei fazer, hum? — Jungeun perguntou enquanto iam até a cozinha.

— O seu brownie é legal também. — Jinsoul abaixou a cabeça ao sentar na mesa.

— Você está muito chapada, não é? — Preocupou-se.

— Eu estou bem, sério, só estou um pouco cansada. — Levantou a cabeça.

— Você está sóbria? A sua mente está sã?

— Claro que sim. — Deu de ombros. — A água já ferveu. — Apontou para o fogão.

— Você está mesmo na larica. — Jungeun riu. — Eu acho que já estou até acostumada.

— Jiwoo e você devem passar dos limites, não é?

— Até que não. — Suspirou. — Yerim parece comportada, devo imaginar que vocês estão curtindo com juízo?

— Estamos. Ela é uma boa garota. — Jinsou sorriu ao lembrar-se. — Eu já estou com saudades de dormir com ela todos os dias.

— Ela acostumou você muito mal.

— Digamos que sim. Ela é muito diferente de tudo que já vivenciei. — Jungeun sentiu o maxilar afrouxar-se.

— Mas ela é a pessoa por quem você mais nutriu sentimentos? — Entregou o macarrão instantâneo à delta. — Em toda a sua vida?

— Eu já gostei de muitas que não me retribuíram, mas essa é a primeira vez que eu não me frustro com alguém, e esse já é um diferencial para meus sentimentos.

— Entendi. — Jungeun pegou o macarrão com o hashi. Jinsoul, antes sóbria, passou a idealizar a ômega.

 

ㅂㅂ

 

Ha Sooyoung chegou em casa, suada, cansada, e com os olhos quase fechando pelo efeito, apesar de Purple Haze deixar os olhos não tão vermelhos. O importante é que havia encontrado o bolinho doce de massa de arroz recheado de pasta de feijão doce azuki.

— Soo! — Haseul faltou dar pulinhos ao morder o primeiro. — Esse é o Tteok mais gostoso que eu já comi.

— Então o rostinho do nosso filhote está a salvo?

— Está, óbvio! Ele é nosso! Imagina como vai ser com os meus olhos e o seu formato de rosto? — Haseul comeu mais um doce. — E também tem as suas bochechas. — A ômega apertou-lhe a bochecha, e deu um beijo no rosto de Ha.

— Melhor que eu tome um banho. — Afastou-se. — Você não faz ideia de como eu consegui esse Tteok.

 

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Kim Jungeun tratou de lavar a louça da bagunça que fizeram, e perdeu a delta de vista por alguns segundos. Kim Hyunjin estava tomando um banho bem demorado, milagrosamente, mas era mais pelo efeito de excitação que a droga propiciava. Então, já não a procuraria no banheiro, indo direto para o único quarto.

— Jinsoul...? — Kim chamou pela delta ao entrar no quarto, onde não encontrou o interruptor de luz. — Você está aí?

— Eu estou aqui. — A voz rouca parecia vinda da cama, onde Jungeun sentou-se. Kim estava ainda nostálgica por encontrar Jung na sua cama novamente, que ficou calada por um momento. — Eu estava esperando por você. — Jinsoul pôs a mão por cima da mão de Jungeun, e acariciou.

— Soulie. — Kim engoliu seco, e nervosa. — Você está sóbria?

— Por que não estaria? — Riu. — Eu acabei de comer um monte de macarrão.

— Porque... você sabe... — Jungeun entrelaçou os dedos nos de Jinsoul. — Talvez eu esteja alucinando.

— Eu sou real, e você também. — Pôs as mãos na cintura de Jungeun. — Você sente o que eu sinto? — A respiração pesada de Jinsoul contra o pescoço de Jungeun arrepiou a alfa. — Hum? — Aproximou os lábios da pele do pescoço de Kim.

— Eu sinto, Jinsoul. — Jungeun aproximou-se ainda mais, e acabou por se sentar no colo da delta, que a puxou ainda mais para perto de si. — Eu sempre senti, e me arrependo por não ter demonstrado o suficiente para você. — Jung ignorou a última frase, e progrediu, juntando os seus lábios aos de Kim. As duas estavam acostumadas com os beijos mais afobados, e mais quentes, mas desta vez progrediam com mais calmaria após a tempestade.

 

ㅂㅂ

 

— Você já lavou o principal? — Ha Sooyoung tomou um susto com a pergunta ao deparar-se com a ômega despida abrir o vidro do boxe.

— S-sim... — Escondeu a sua intimidade, como se a outra nunca tivesse visto. — Você quer tomar banho também? — Observou-a desligar o chuveiro.

— Não era só de doce que eu estava com desejo, Soo. — Juntou os lábios nos da alfa, que continha gotículas d’água por todo o corpo.

— Você não quer que nasça com a minha cara? — Soltou uma risadinha boba ao separar o beijo.

— Hum... então tá! Eu vou me satisfazer de outra forma. — Ligou o chuveiro, e saiu do boxe, deixando Sooyoung intimidada pelas ações.

 

ㅂㅂ

 

Na despedida de Wong Kahei, o Agente Hwang seria quem faria seu trajeto até a casa da mãe antes aeroporto, mas enquanto ele não chegava, as ômegas despediram-se da delta querida, até o momento em que ficou a sós com a gama Im Yeojin.

— Você promete que vai voltar? — A gama perguntou, com uma voz embargada, durante o abraço.

— Prometo, feijãozinho. — A abraçou forte. — Promete que vai se cuidar?

— Eu prometo. — Encarou os olhos da delta. — Promete que não vai demorar muito? — Fez um biquinho.

— Eu não posso prometer o que eu não posso cumprir, mas eu quero voltar o quanto antes, o meu lugar pode ser uma incógnita no momento, mas eu sei com quem eu posso estar. — Acariciou o rosto da gama.

— Kahei, tem mais um motivo pelo qual eu quero que você volte. — Abaixou a cabeça, envergonhada. — O motivo pelo qual eu não quero ficar longe de você.

— Qual? — Franziu o cenho, e Yeojin lançou um olhar tímido.

— Eu gosto de você. — Sentiu as borboletas do estômago escaparem e pousarem na delta, com uma feição um pouco embasbacada.

— Eu também gosto de ti, feijãozinho! — Bagunçou os cabelos da gama.

— O que?! — Por um momento, sorriu, mas por outro momento, não. — Espera, você entendeu o que eu quis dizer? — Encarou as orbes novamente.

— Você quis dizer algo que eu não sei? — Im balançou a cabeça para a situação.

— Eu quis dizer que eu... gosto..., mas de outra forma! — Foi direto ao ponto.

— Ah. — Kahei coçou a nuca, encontrava-se em uma situação inimaginável. Apesar de estar nos vinte e quatro anos, enquanto a menor estava em seus dezoito, reagiu como se nunca tivesse ouvido uma declaração antes, tendo as bochechas enrubescidas, e o rosto queimando.  — Isso é sério? — Riu, mas a menor tinha uma expressão séria, e nervosa. Com isso, respirou fundo.

— Eu nunca falei tão sério. — Pôs as mãos trêmulas para trás. — Você aceita os meus sentimentos? — A delta deu um passo para trás, intimidada.

— Eu... — Respirou fundo novamente. — Eu não posso. — Abaixou a cabeça. — A sua mãe e Haseul confiam em mim como a figura de alfa que você não teve na adolescência. Eu não posso desrespeitá-las. — Continuou com a cabeça baixa.

— Você não aceita por você, não é? — Yeojin aproximou-se. — Não aceita porque está se sacrificando mais uma vez pelo que acha certo. — Aumentou o tom de voz, ainda mais embargada, irritava-se em ser tratada como uma criança.

— Eu sinto muito, Yeojin, mas eu não posso. — Kahei a encarou novamente. — Por favor, me perdoe por decepcionar você. — Tomou coragem em olhar para a gama novamente.

— Eu sabia. — Desviou o olhar, queria que a outra não percebesse a primeira lágrima escorrida em seu rosto.

— Por favor, não deixe as coisas entre nós ficarem... estranhas. Eu não quero que se afaste de mim por isso. — Kahei pediu, com jeito. — Por mais que eu não aceite os seus sentimentos, não significa que eu não queira você por perto.

— Eu não desistiria de você assim. — As palavras deixaram a delta estática. — Eu esperarei o tempo que for necessário por você, Kahei. — Aproximou-se mais, e pressionou os lábios em uma das bochechas da delta, despedindo-se.

 

ㅂㅂ

 

Os beijos que antes eram calmos, tornaram-se, sim, afobados. Agora, a delta beijava o pescoço de Jungeun por trás, assim como beijava as suas costas, e segurava com uma certa firmeza nos seus cabelos. A nudez já era explícita, e a maior já estava prestes a encontrar-se em um contato ainda mais íntimo com a alfa, que a impediu.

— Você se importa se a gente ficar só assim? — Deitou Jinsoul na cama, e a abraçou, colocando-se em uma conchinha onde a alfa ficava na frente da delta. — Eu sinto falta de quando podia ter o seu carinho. — Entrelaçou os dedos nos da delta.

— Eu já sinto falta de você por inteiro. — Acariciou as costas de Jungeun. — Você sempre foi especial pra mim, mas eu não sabia.

— Por que nos sentimos assim? — Kim estava pensativa. — Desde quando nos encontramos pela primeira vez, foi como um encontro de almas, de repente, eu me sentia tão segura com você, que parecia que a conhecia por anos.

— Isso é sério? — Jinsoul deu uma risadinha, e apertou a bunda de Jungeun. — Eu nunca imaginei que me notava desse jeito.

— Acredite, eu sempre notei você, só não tinha assumido pra mim mesma antes. — Contou.

— Você amava outra pessoa desde quando nos conhecemos, é impossível. — Rebateu. — Bom, mas pelo menos estamos juntas agora.

— Sim, estamos juntas. — Kim Jungeun mal podia acreditar que aquilo havia se tornado realidade. — Mas como faremos com o mundo? Eu não imaginei que aceitaria com tanta facilidade.

— Ah, eu só me faço de difícil, mas você sabe como é.

— Você nunca precisaria se fazer de difícil pra mim se eu não fosse idiota.

— Para com isso, você não é idiota.

— Sério que você não acha? — Virou-se para Jinsoul, notando que a delta tinha os olhos bem fechados, como se estivesse sonhando, mas Eun imaginou que fosse o sono propiciado pela sensação de relaxamento.

— Por que eu acharia você idiota? Você se entregou pra mim de corpo e alma, e seria um erro meu não conseguir fazer o mesmo. Aliás, está proibida de se chamar assim na minha frente. — Deu um selinho em Kim.

— Eu fico feliz que tenha me interpretado assim. — Acariciou o rosto de Jinsoul, fazendo um cafuné nas suas madeixas.

— Você me faz me apaixonar por você também todos os dias, Yerim. — A idealização de Jinsoul, por fim, ficou explícita para Jungeun.

As declarações amorosas eram para Yerim aquele tempo todo, como na vez em que Jungeun declarou-se para Jinsoul como se fosse Jiwoo, no primórdio da decepção da delta. Agora, a alfa sentia na pele como era enganar-se com alguém por quem se nutre tantos sentimentos.

— Yerim? — As lágrimas acumularam-se nos olhos de Jungeun, mas logo, percebeu Jinsoul cair no sono.

Kim Jungeun levantou-se da cama, incrédula, dolorida, nunca havia sentido algo tão devastador em seu peito. Com isso, foi em direção à sacada do prédio, onde tanto soprava fumaça de cigarro para a janela do vizinho do andar acima.

Por um momento, a instabilidade mental provocada pelos seus vícios, a garantiram que tudo aquilo poderia mudar apenas com uma ação. Ela apoiou-se nas grades, e sentiu as lágrimas caírem do décimo terceiro andar, imaginando-as como chuva de primavera. Porém, os pensamentos foram interrompidos quando Kim Hyunjin chegou por trás, tocando o seu ombro, e abraçando-a.

— Jungeun, por favor. — A alfa temeu pela vida da outra por um momento, uma decepção amorosa não bastava, mas o maldito vício misto a dor, sim. Apenas a sobriedade salvaria a noite. 


Notas Finais


Ops


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