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História Omori V3 - Capítulo 4


Escrita por: Jake_Sylph

Notas do Autor


Capítulo 2, parte 3, três dias restantes

— cw: vômito (?)
— de novo, obrigado ao @Zayice por betar!!

Capítulo 4 - Mundo real


"— Você também consegue ver? — questionou para o amigo, num tom apavorado. Respondia com uma feição de confusão, como se estivesse ouvindo barbaridades.

Se fazer de tonto numa situação como essa mostrava o quão egoísta Saihara podia ser. Sentia o arrepio em suas costas, aquilo estava lá trás, dizendo como aquele passo falso iria trazer ruína para a dupla.

— Não faço ideia do que está falando — mentiu, com uma expressão seca. Suas emoções já haviam sido esgotadas a muito tempo, amassadas em pedacinhos.

O outro rapaz criava uma feição de medo. Desde o incidente, aquilo estava lá, vigiando cada passo que seu amigo fazia. Aparentava até mesmo ter tomado os sentimentos do amigo. Aquilo era o motivo de Shuichi começar a ser recluso, ficando cada vez mais distante de todos, inclusive daquele que já declarou cúmplice de seu crime.

A culpa era daquela sombra com olhar amedrontador, uma que lembrava ela. Como se ela estivesse dizendo que não podia fugir da verdade.

— Eu consigo ver A Coisa atrás de você — respondia, assustado com a sombra enorme a consumir Saihara. O rapaz não havia mudado sua expressão, como se soubesse que iria receber tal fala, não era uma novidade.

Estava lá, como se fosse uma mãe com seu filho no colo, o desejando longe de perigo. Seu fantasma estava lá, olhando diretamente aos olhos do garoto, esperando que o karma voltasse da pior forma possível para ele. Era verdade, iria persegui-los até que o fim de sua história chegasse.

Podia ter denunciado, não estaria sofrendo daquela forma.

Saihara sabia disso. Esse era seu karma. Não importava morrer naquele exato momento. Sua vida já chegou ao fim no momento que viu aquele corpo. Podia falar a verdade naquele exato momento que iria sentir uma faca lhe perfurando, até mesmo agradeceria por isso.

Mas aquilo significava dar fim à vida de seu amigo junto. Iria preservá-la, mesmo que sua amizade termine, que custe mentir ou se distanciar do próprio. Sua vida seria muito melhor se nunca tivesse conhecido Shuichi Saihara, a tragédia causada era a prova disso.

— Não sei do que está falando."


***


Shuichi Saihara havia acordado.

Sentia como se seus pulmões estivessem cheios de líquido, se afogando lentamente e indo direto para sua pós-vida. Respirava rápido, desejando que o ar entre em seu corpo de uma vez. A comida que havia comido pela madrugada se tornava ácido, seu corpo se recusava a digerir aquilo.

Havia uma cesta de lixo em seu quarto. Acabou se levantando, indo até o móvel e expeliu o alimentício, provavelmente havia sido a causa do sonho ter sido interrompido — e pelo líquido negro ter aparecido repentinamente. Não havia verificado a data de validade, apenas procurou o que havia de comestível.

Se sentiu ofegante, aquilo não acontecia com frequência, sentia seu corpo fraco, o estômago parecia chorar de agonia, odiava ter alimentação irregular, resultava sempre na mesma tragédia. Botava forças em seu físico, precisava se limpar rápido e voltar a dormir.

No momento que havia pensado em agir, notou que já havia amanhecido, eram 08:17 da manhã. Podia simplesmente voltar a dormir, se sentia exausto só de pensar na ideia de ficar acordado, não era acostumado com o mundo real.

Verificou seu computador, seu tio havia mandado mais uma mensagem, dizendo que o caminhão de mudanças chegaria de manhã daqui quatro dias, já tinha decidido a nova moradia, havia três dias para aproveitar antes de ir embora — dormindo o dia todo sem seu parente lhe perturbando sobre o trabalho.

Começava a dar passos até o banheiro. De dia, a casa parecia purificar até mesmo os cantos mais escuros, se sentia seguro com a luz solar — e ficava melhor ainda pela moradia ser a base de energia solar. Se sentia confortável, mas sabia que não iria durar por tanto tempo.

Havia chegado no banheiro, apenas limpando seu rosto e escovando seus dentes. Não havia intenção de acordar de vez, apenas precisava tirar o fedor do vômito. Se olhar no espelho do banheiro enquanto se limpava era frustrante, sua aparência continuava cada vez pior. Não se importava com isso.

Como última coisa: iria beber água. Saiu do banheiro, indo em direção a cozinha. Também precisava lavar o resto de louça de madrugada, não desejaria receber bronca de seu tio apenas por causa de um prato e um garfo sujo. No momento que havia chegado na sala de estar, ouviu batidas na porta da frente.

O coração havia disparado, descontrolando sua respiração o mais rápido possível. Não era seu tio, deixou implícito que não iria voltar antes da mudança acontecer. Seus pais não se importavam com o mesmo, só lembravam de sua existência em seus aniversários. Muito menos seria um primo, seu responsável avisaria caso um chegasse.

Engolindo seco, aproximava-se da porta, torcendo para que fosse apenas uma freira pregando a palavra de Jesus — não duvidaria nada que a própria diria que a casa estava amaldiçoada e que o espírito do Diabo percorria por lá. Não havia olho mágico, esperou que a pessoa fosse dar alguma palavra, seja para identificar ou entender o que queria.

Foi a pior escolha que Saihara havia feito.

— Hey! Shuichi, você 'tá aí? — No momento que ouvia a voz, o corpo do rapaz começava a se tremer, tendo que procurar apoio numa escrivaninha ao lado da porta. Não podia ser ele, era idêntica a sua voz, tentava pensar que era sua mente pregando peças, havia apenas uma única pessoa que lhe chamava pelo primeiro nome. — Você se lembra de mim, né? Seu amigo, Kaito Momota, o luminário das estrelas!

Não, não, não. A vontade de vomitar havia retornado. Não era possível que ele estivesse aqui, pensava que todo o grupo havia lhe abandonado após o incidente — mesmo que quem havia tomado a iniciativa foi o próprio Saihara. Ansiedade percorria em seu corpo, não havia sentido algo assim por meses, precisava dormir naquele exato momento, mas… Ainda desejava ouvir o que Kaito tinha para oferecer.

Um silêncio breve tomava a conversa.

— Err… — Momota continuava, num tom preocupado. — Eu percebi a placa de "vende-se" em sua casa… E ouvi rumores que seu tio havia se demitido porque ia mudar de cidade. Eu nem sei se você tá ouvindo, ou se sequer 'tá aí, mas… — A voz se tornava um pouco animada, misturada com suavidade. — Só queria saber se você não quer sair antes de mudar, sabe, como nos velhos tempos. — Suspirou. — Vou te esperar aqui por uns 5 minutos.

Ouvindo tais palavras, Saihara respirava fundo, tentando controlar seu pulmão e ansiedade. Podia simplesmente voltar para sua cama, fingir que não havia escutado e deixando Momota de lado, mas… Algo lhe dizia para não fazer isso.

Não havia saído de casa por cinco anos, literalmente tinha se tornado um hikikomori, que só dependia de seu tio em questão de alimentação. Não saberia como agir diante a um velho amigo, muito menos se ainda gostava do próprio, o mundo real é tão confuso e assustador, se questionava como seu eu de 13 anos conseguia aturar isso.

Iria se arrepender de fazer isso. Abria a porta, esperando que seu amigo lhe desse um soco no primeiro momento que visse seu rosto. A luz solar havia lhe invadido junto com os sons do pássaro, não pensava que algum dia iria voltar a vê-los, parecia como um adulto encontrando seus brinquedos antigos.

E em sua frente, estava lá, o rapaz que tanto lhe apoiou por meses antes do incidente, aquele que nunca havia desistido do próprio. Momota estava enorme, seu cabelo estava diferente e vê-lo de barbicha também era uma novidade. Usava uma blusa branca com uma jaqueta roxa, seu visual parecia completamente diferente.

Fizeram contato visual, Saihara engolia seco novamente. Não sabe o que havia dado em sua cabeça, seu antigo amigo estava em sua frente, aceitou facilmente abrir a porta para o mesmo, tinha prometido a si mesmo que não iria sair de casa nem se custasse sua vida. Não conseguia ler sua feição, parecia surpreso e curioso, tanto pelo garoto ter aberto a porta, quanto pela sua aparência horrível.

— Você… Realmente abriu a porta. — Kaito quebrava o silêncio, num tom meio surpreso. Coçou sua nuca, pensando no que falar. — Sendo sincero aqui, pensava que você nem tava em casa, já 'tava esperando o bolo. — Botando suas mãos em sua cintura, criava um sorriso amigável para o amigo. — Hey, Shuichi! Faz tanto tempo que não via meu parceiro!

— Err... Oi, Momota-kun. — Tentou responder, dando para notar a indiferença e fraqueza na voz do rapaz. Mordia o lábio inferior, pensando que iria lhe julgar. O rapaz mais alto criou uma risada descontraída.

— Qual é, cara! Pode me chamar de Kaito mesmo! Não somos desconhecidos nem nada do tipo! — Estava animado, como se seu objetivo tivesse sido cumprido. Foi questão de segundos para que sua feição preocupada retornasse. — Mas hey… Você 'tá horrível.

— A-Ah… Eu acabei de acordar. — Não conseguia sequer organizar seus pensamentos, só falava o que parecia mais aceitável para o outro. Aparentava não ter mudado, todavia Saihara não conseguia acompanhar sua animação, nem mesmo antigamente. — Eu só vou tomar banho e me arrumar, aí podemos sair. Pode me esperar aqui dentro.

— Belê, belê!

Ambos entravam na casa, Saihara havia esquecido que seu tio já tinha empacotado inúmeros móveis, deixando apenas os mais grandes e difíceis de levar. Ouviu Kaito espirrar, se lembraria de limpar a casa mais tarde — isso se o dia for adequado. O próprio avisava que iria subir para se arrumar, fazendo Momota se sentar no sofá e assentir.

Enquanto tomava banho, se perdia em seus pensamentos. Kaito estava desejando desperdiçar seu próprio tempo em nome do amigo, acharia fofo se não fosse assustador, já não era o melhor em questão de socialização, piorou após o famoso incidente, com medo de ser julgado pelos amigos. Pensava na ênfase que havia dado em "já 'tava esperando o bolo", será que já tinha tentado chamar Saihara no passado? E os outros também tentaram? Sendo sincero, não gostava muito de pensar nisso.

Logo após entrar no quarto, vestia um uniforme de detetive que seu tio havia lhe dado. Não gostava muito de usá-lo, entretanto não havia muitas roupas de escolha, pegava a mais bonita delas. Seu cabelo estava liso novamente, porém, preferia não se mostrar tão exposto assim, assim colocando um boné. Se sentia estranho se ver tão limpo, tendo apenas as olheiras fundas como único defeito. Se retirava do quarto, indo em direção a sala, avisando Momota que já estava preparado, fazendo ambos saírem da casa.

Saihara nunca pensaria que iria ver Faraway novamente, a cidade não aparentava ter mudado, ótimo. Enquanto caminhavam em direção ao parque da cidade, Kaito começava com sua fala, explicando sobre tudo que havia acontecido enquanto Shuichi estava fora.

Falava que havia conseguido passar num exame de astronauta, porém, como tinham descoberto que o próprio estava com documentos falsos e de que era só um adolescente espontâneo, acabaram o recrutando como estagiário. Repetia inúmeras vezes sobre como seu sonho está mais próximo que nunca.

Além disso, Amami se tornou um explorador famoso, viajando sempre ao lado de suas doze irmãs. Dizia que havia sido reconhecido após sua irmã uma vez ter se perdido, o próprio havia ficado determinado em procurá-la ao ponto de ter ficado dois meses fora da cidade apenas por causa dela — sendo sincero, Saihara não ficava surpreso com isso, Amami era um doce de pessoa. Agora, ele estava numa expedição e só retornaria para Faraway amanhã.

Já Harukawa, raramente tinha uma notícia da garota. Tudo que Momota sabia era que a própria trabalhava como babá numa creche nos domingos. Dizia que já tentou se reaproximar da própria, mas sempre foi respondido com agressividade — algumas vezes ela sequer o respondia.

E Ouma… Sem notícias. Como Saihara, o garoto de cabelo roxo havia praticamente sumido na cidade, nunca mais botou os pés na escola, muito menos no parque ou nas lojas. Porém, nunca teve notícia de que ele havia desaparecido ou morrido, então acreditava que havia igualmente se isolado. Alegou nunca ter tentado se reaproximar por conta da amizade conturbada no passado.

Saihara criava uma leve preocupação por Ouma, mas tentava ignorá-la.

Acabaram de chegar no parque, podia ver pessoas de todas as idades por lá, seja crianças brincando nas areias, quanto adultos conversando nos bancos sobre assuntos empresariais, essas coisas. Nunca pensaria que iria respirar ar puro novamente, sentia como se seu lugar não fosse aqui.

— Segunda de manhã, um ótimo dia 'pra treinar, não concorda? — Momota questionava para Saihara, num tom entusiasmado. Olhou confuso como resposta. — Cara, você parece muito fraco, quero pelo menos te ajudar nisso!

Só foi ter falado isso que Shuichi havia notado a diferença física entre ele e Kaito. O rapaz era 13 centímetros mais alto que o outro, seu corpo parecia definido e até mesmo mais forte, não era mais aquele garoto de 13 anos que chorava porque seu personagem favorito não havia vencido uma luta. Admirava a força de vontade do amigo — apesar que havia crescido e não tinha conseguido ver o desenvolvimento do amigo, o fato lhe deixava cabisbaixo.

No momento que Momota iria remover seu casaco para que ambos fossem treinar, ouviram um barulho perto do parque, numa área um pouco isolada dela. O coração de Shuichi começava a bater rápido, teria ignorado e ficado em seu canto se Kaito não tivesse corrido, guiado pela curiosidade, era óbvio que faria algo do tipo. Não querendo deixar o amigo na mão, o seguiu, mesmo sentindo seu cérebro gritando para voltar atrás.

A dupla se aproximava do local, tentando o máximo para não fazer barulho, chamar atenção não era a melhor opção — pior se fossem um bando de adultos comprando briga com uma pessoa de classe baixa. Ergueram a cabeça para visualizar a situação melhor, talvez tenha sido a pior ideia que ambos tiveram.

Uma jovem de dois rabo-de-cavalos pressionava um garoto contra parede, dava um olhar mortal, como se fosse a policial má procurando informações do prisioneiro. O outro garoto sorria presunçoso, havia algum tipo de orgulho em seus olhos, sua intenção era provocá-la.

Eram Maki Harukawa e Kokichi Ouma. Saihara engoliu seco, se segurava para não ter uma crise de pânico naquele exato momento. Seus dois antigos amigos brigando, nunca havia chegado nesse ponto, Harukawa só batia nele e o ignorava pelo resto do dia, e agora estava fazendo isso com ele. Colocava suas mãos em sua boca, como forma de não vomitar.

— Seu lugar não é aqui. — A voz de Maki havia se tornado mais grossa, até mesmo intimidante e ríspida. — Será a última vez que irei dizer isso, saia daqui e nunca mais volte.

— Poxa, Harukawa-chan, você ficou tão chata. Pensava que agiria melhor agora que voltei! — Kokichi respondia com um sorriso de orelha a orelha. Começava a fazer um falso som de choro. — Buá, buá! Harukawa-chan 'tá brava comigo só porque existo!

— Cai o fora daqui. — Cerrou o punho livre, saindo do seu controle. O tom de voz repentinamente se tornava assustador, como se estivesse lhe ameaçando de morte. — Agora.

— Maki Roll! — Antes que Saihara notasse, Momota começava a se aproximar da briga. Juntava seu punho com a outra mão, preparado caso se aproxime do outro. Seu olhar era determinado e cheio de justiça, pela primeira vez, estava disposto a defender Ouma. — O que diabos você 'tá fazendo?!

Ambos direcionaram seus olhares para Kaito, não iria sair nem mesmo se a garota tivesse uma faca em seu bolso — apesar que sequer desejava estar lá, muito menos era um justiceiro social, só não queria uma briga a céu iluminado. Maki largava Kokichi, criando uma feição assustadora para Momota enquanto se aproximava do rapaz. Estalava os dedos, se preparando para brigar.

— Você quer morrer? — Ameaçava, sem mostrar algum tipo de medo. Havia parado após ter avistado Saihara, que estava escondido atrás do Momota. O coração do rapaz disparou após trocarem olhares por meio segundo. A feição da jovem se tornava de curiosidade e raiva genuína, seu dia estava indo de pior para horrível. — O que Saihara está fazendo aqui?

— Ele mora aqui e é meu parceiro! E irá me ajudar a derrotá-la, não é, Shuichi?! — Criava um sorriso enquanto lhe ameaçava, mesmo que visivelmente esteja suando frio, com medo do que iria acontecer. Não desejava brigar com sua antiga amiga, apenas assustá-la para que ela não fizesse bullying com o outro garoto.

— O lugar de vocês não é aqui. — Voltava a se aproximar cada vez mais dos rapazes, sem ter medo de contra-ataque. — Ninguém precisa mais de vocês. Caiam fora, antes que os guardas do parque cheguem e questionem a perturbação.

Pânico havia entrado no corpo de Saihara, não tendo ideia do que fazer. Momota aparentava ser mais forte que Harukawa, porém pelo suor frio e falsa força de vontade denunciava que havia medo da garota. Shuichi era fraco, procurava por qualquer coisa que fosse lhe ajudar no contra-ataque. Acabou encontrando algo que nunca pensaria ver em seu bolso.

Um estilete. Não se lembrava de ter o posto lá, provavelmente havia levado em um dia de trabalho com o tio, questionava como havia esquecido de guardar isso. A melhor opção era botar de volta no bolso, o próprio sabia disso, mas Maki se aproximando dos dois lhe deixava contra a parede. Não precisava atacá-la, apenas assustá-la, certo?

O rapaz abria o estilete, saindo das costas de Kaito e apontando para a garota. Tremia cada parte de seu corpo, segurava o objeto com as duas mãos para que não caísse. Harukawa deu passos atrás, desistindo de se aproximar. Criava uma feição de repugnância, misturada com surpresa.

— Por que você...? — Harukawa perguntou, franzindo o cenho. Sua raiva aumentava cada vez mais. — Você é insano por estar segurando um estilete tão naturalmente?

— A-Apenas fique distante do Ouma-kun, por favor. — Com ansiedade em sua voz, Saihara se pronunciou. Segurava a lâmina com força, medo de derrubá-la ou de acabar atacando Maki com ela.

Sem saber o que fazer, Harukawa começava a sair do local, guardando rancor pelo ocorrido. Antes de desertar o local, ameaçava num tom calmo que Momota iria se arrepender por estar voltando com amizades ruins — não havia entendido o porquê disso, muito menos o que significava.

Foi questão de segundos para que a garota sumisse da visão deles.

— Céus, isso foi... Assustador. Maki Roll realmente mudou bastante... — Momota declarou, o tom de medo ainda era aparente, amenizando aos poucos. Direcionou o olhar para o parceiro, agora tentando o repreender. — Mas qual é o motivo de ter trazido um estilete?! Isso é errado, me dê isso!

— A-Ah... — Saihara entregou o estilete para o amigo, um pouco ansioso. Se arrependia de ter feito isso, mesmo que tenha sido por autodefesa. — Desculpa, estava tentando assustar a Harukawa-san… Não queria machucá-la.

Kaito suspirava enquanto guardava o estilete no bolso da jaqueta.

— Agora ela 'tá achando que você é louco, cara… — Coçou a nuca. — Vamos tentar conversar com ela mais tarde, 'tu errou nessa . — Cerrou o punho para o alto, agora criando um sorriso. — Mas nosso foco é o Ouma!

— Nishishi, Momota-chan me ama tanto que estava preocupado comigo! — A voz de Kokichi ecoou pelos ouvidos da dupla, fazendo ambos se assustarem pela sua aproximação repentina, sequer haviam o visto lá. — Huh, Saihara-chan também me ama? Eu só posso amar um, se decidam numa batalha até a morte!

— O quê…? — Shuichi dizia, um pouco confuso pelas falas do antigo amigo. Logo que raciocinou direito, sentiu seu rosto ruborizado e começou a remexer os braços, em estado de negação. — C-Calma, Ouma-kun! A gente só se preocupou, eu te vejo como amigo!

Ouviu não só apenas uma risada vinda do rapaz, como também um suspiro de Momota.

— Qual é, Saihara-chan, não sabe identificar uma mentira! Pensava que era um detetive em treinamento! — Brincou.

Então, esse era o atual Kokichi Ouma, aparentemente não havia mudado muita coisa. Parecia mais espontâneo e suas mentiras se tornaram algo de suas pegadinhas — o que achava meio esquisito, já que o próprio havia acabado de ser enforcado pela Harukawa. Fisicamente, quase não havia mudado nada, manteve o cabelo roxo e a roupa com estética preto e branco, dava uma breve nostalgia.

— Saihara-chan? Morreu? — Ouma lhe chamava, fazendo Shuichi sair de seus pensamentos à força. Fez um "uh?" como resposta. — Ah, do nada você ficou calado. E essas olheiras parecem de um morto-vivo! Ou… Você é um zumbi?!

— Aí cara, para com isso. — Momota avisava repreensivo. — Ele sofreu um bocado, você sabe.

— Poxa Momota-chan, se tornou tão chato também — respondia seco, como forma de deboche. Rapidamente havia mudado sua expressão facial para uma animada. — Mas vamos falar de coisa boa. Se não fosse pela chata da Harukawa-chan, nosso grupo estaria unido de novo! Tem eu, você e o Saihara-chan!

— Falta o Amami-kun também. — Saihara alegou. Desviava o olhar, havia pensado nela.

Se sentia nervoso, não sabia tomar iniciativas sociais muito bem. Estava em frente a Momota e Ouma, seus amigos mais antigos, ambos na qual tiveram histórias bonitas e até mesmo um pouco conturbadas. Só desejava sair de lá o mais rápido possível, já havia passado vergonha com Harukawa, não queria passar na frente deles também.

— Ei, moleque. — Kaito chamou por Kokichi, sendo respondido por murmuro de curiosidade. — Por onde 'tu andou? Nem na escola você aparecia.

— 'Tá apaixonado por mim 'pra criar essas perguntas, Momota-chan? — Ouma brincou. Botava o dedo indicador em seu queixo, criando uma feição descontraída. — Na verdade, eu tinha me mudado. De um modo resumido, meus pais estavam achando que vocês estavam me fazendo mal.

Saihara suspirava enquanto mordia o lábio inferior, sabia do que se tratava, não estava apenas falando da tragédia, também deixou implícito que seu isolamento acabou piorando o emocional do outro rapaz. Para animar, Ouma ergueu os braços para os lados, criando um sorriso de orelha a orelha.

— Mas relaxem, estou de volta! E não vai ser a chatonilda da Harukawa-chan que vai me tirar daqui! O grupo vai voltar a ser como era antes!

Saihara e Momota fizeram uma feição embaraçosa, como se estivessem se comunicando por telepatia dizendo "devemos contar para ele", Shuichi havia até esquecido que iria se mudar. Engoliram seco, já preparando para apoiar o rapaz ou algo do tipo — sequer sabiam como reagiria, todos mudaram no período de tempo que se separaram.

— Err, Ouma-kun… — Saihara começava com sua fala, nervoso. — Desculpa, é que eu… Vou me mudar. O grupo não pode se unir novamente, só quero aproveitar meus últimos dias antes de se mudar

— Hm? Você vai se mudar? — respondia com uma pergunta retórica. Sorria novamente. — Então vamos conversar pela internet, ora! Vocês são tão ultrapassados assim?

Ah, menos mal. Saihara soltava um suspiro de alívio, sua ansiedade aparentava ter amenizado — mesmo que achava tal resposta um tanto que incomum vindo de Ouma, o próprio sempre se preocupou com seus amigos mais próximos, especialmente Shuichi. Havia realmente mudado.

— Aliás. — Retornava com a fala. — Eu só vim dar uma passeada para encontrar vocês, preciso arrumar minha casa ainda, tem um corpo morto lá! Não posso deixar lá em decomposição!

— T-Tem o que, moleque?! — Kaito perguntou, tanto ele quanto Shuichi se assustavam com a fala. Ouvia a risada do garoto, num tom provocativo.

— Vocês caem nas minhas mentiras tão fáceis! Me dá dó de vocês!

Depois de uma curta conversa e quase briga boba por causa de uma mentira, Ouma decidiu ir embora, em direção a sua casa — havia sido fofo o vê-lo fazendo "tchauzinho" com a mão para os amigos.

Agora que parava para pensar o que havia acontecido, Saihara se sentia... Estranho. A última vez que tinha visto Ouma não lhe agradava, foi algo que lhe deixava arrepiado só de lembrar. Agora que voltava para cidade, aparentava estar tão alegre, como se nada daquilo tivesse acontecido. Como se a existência dela tivesse desaparecido de sua vida.

Talvez esteja pensando demais. Ele só havia superado e lidado melhor.

— Ei. — Kaito chamou o amigo. — Agora que eles foram embora, 'bora treinar?


Notas Finais


nao sei quando vou postar o proximo cap ja que nao terminei os outros, entao desculpa caso demore !


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