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História On The edge of boldness ( imagine Jeon Jungkook) - Capítulo 15


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Notas do Autor


Desculpe qualquer erro...
Boa leitura ⚾️💜

Capítulo 15 - Frustrada. Irritada. Traída


Fanfic / Fanfiction On The edge of boldness ( imagine Jeon Jungkook) - Capítulo 15 - Frustrada. Irritada. Traída

Anteriormente em On The edge of boldness 

— Quer me contar o que está acontecendo entre você e a minha sobrinha? 

 Eu congelo. E é isso que eu chamo de mudar de assunto. O Oliver perde o sorriso tranquilo, e eu percebo que ele tem os mesmos olhos da Sam. Ele também não pisca. Hora de virar homem. "

(...)

— Eu chamei ela pra sair. — Por causa de um desafio. — E ela disse sim. Disse que você ia querer falar comigo antes.

— Aonde você vai levar a minha sobrinha hoje à noite?

— Na minha aula de treino de arremesso, depois pra qualquer lugar que ela escolher pra comer. Tem um... — Taco Bell: melhor pular essa. — McDonald’s e um Applebee’s ali perto.

O Oliver faz que sim com a cabeça, como se estivesse processando como realizar uma cirurgia no cérebro.

— Aonde você vai levar a Sam na sexta-feira?

— Não muito longe. Na verdade, é perto da sua propriedade e da propriedade do meu pai. Meu melhor amigo mora do outro lado da sua casa, e nós convidamos alguns amigos pra ir lá.

O Oliver luta contra a alegria e fica tenso ao mesmo tempo. 

— Você vai levar a minha sobrinha pra uma festa ao ar livre.

Engulo em seco.

— Eu cresci a vinte e cinco quilômetros de Groveton — diz ele. — Eu sei o que é uma festa ao ar livre. Já participei de várias.

Me pegou.

— Achei que era uma boa oportunidade pra ela passar um tempo com os meus amigos.

O Oliver esfrega o maxilar.

— Não sei.

Tenho que dar mais a ele. Muito mais.

— Eu gosto da Sam. Ela é bonita. — É, mesmo. — Ela é mais que bonita. Ela não é como as garotas que eu conheço. A Sam me deixa tenso. Com ela, eu não tenho ideia do que vai acontecer, e eu acho isso... —  Emocionante. — Divertido.

O Oliver não diz nada, e eu fico feliz. Até eu dizer as palavras — palavras que eu achei que estava criando para impressionar o cara —, eu não tinha ideia de que eram verdadeiras.

Uma voz atraente, que eu conheço bem demais, faz meu estômago levitar, como se eu estivesse no alto de uma montanha-russa, e depois mergulhar. A Sam ouviu cada palavra.

— Tá brincando.

— Não é educado ouvir atrás da porta. — O Oliver  continua de costas para ela, com os olhos grudados em mim.

— Pelo menos eu não falei "Ta brincando, porra" — ela responde.

Ele inclina a cabeça para a direita, como se concordasse que isso é um grande progresso.

— A que horas?

— A que horas o quê? — pergunto.

— A que horas você vai pegar a Sam na sexta-feira?

— Às sete.

— Quero que ela esteja de volta às nove hoje à noite. E à meia-noite na sexta.

— Sim, senhor.

O Oliver vira para a Sam.

— O que você vai fazer enquanto ele estiver treinando?

— Olhar.

Ele abaixa a cabeça, sem acreditar.

A Sam suspira profundamente.

— Tá bom. Vou fazer o dever de casa. Vou virar estudiosa e acrescentar “nerd total” ao meu rótulo de esquisita. É isso que você quer, né?

— É o meu sonho. Vão. Divirtam-se. — Ele entra no vestíbulo, e os lábios da Sam se curvam naquele sorriso maligno. Onde diabos eu me meti?


Sam P.o.v 

De vez em quando, o destino sorri para mim. Sim, eu sei, é difícil de acreditar, mas hoje é um desses raros dias. Na semana passada, a Megan me disse que o garoto de ouro ia para Louisville todas as quartas-feiras para treinar, e ontem ela me falou que o centro de treinamento fica na parte sul de Louisville, a exatos oitocentos metros da minha casa.

Do lado de fora de um grande armazém de metal, o Jungkook  pega uma sacola cheia das porcarias de beisebol dele na traseira do jipe, e eu faço o possível para não parecer animada. Meus nervos não me deixam ficar parada. Estou tão perto da minha mãe que quase consigo sentir o gosto do cigarro. Calma, Sam. Esse lance deve ser feito com cuidado.

— Quanto tempo leva o treino?

— Uma hora. Talvez mais. — O Jungkook pendura a sacola no ombro. 

Ele está usando uma camisa azul marinho, e o meu estômago dá umas voltas minúsculas quando a camisa se levanta um pouco, expondo o abdome.

Eu suspiro e afasto esses pensamentos. As características de lindo e decente não se misturam com me querer. E, apesar de o Jungkook ser um idiota, ele é... decente. Não precisa ser um cientista brilhante para saber que o que eu estou fazendo com ele é errado.

Errado, mas necessário.

Além do mais, o que está acontecendo entre nós é algum tipo de jogo. Eu só não descobri ainda qual é a jogada dele. Não que isso importe. No fim da noite, o Jungkook vai me odiar, e o Oliver também. Mas não vou me sentir mal pelo Oliver. Foi ele que me arrastou para essa confusão, e ele vai ficar muito mais feliz sem mim. Daqui a uma hora, eu terei encontrado a minha mãe, feito contato com o Hao-nan  e estaremos fora da cidade. A agenda é apertada, mas é possível.

— Onde você quer jantar? Tem um Applebee’s aqui perto e um T.G.I. Friday’s. Espero que a nossa conversa no jantar seja bem melhor que o silêncio do caminho. — Ele faz uma pausa. — Podemos ir num fast-food, se você preferir. Sei que você adora tacos.

A primeira brisa do outono sopra pelo estacionamento, e meus braços ficam arrepiados. Daqui a uma hora, vou estar a caminho da praia.

— Eu disse tacos, Sam. Cadê a palavra com F que normalmente vem em seguida?

Olho para ele e pisco. Eu vou fazer isso. Vou fugir de verdade.

As sobrancelhas do Jungkook se juntam, e ele se aproxima de mim, bloqueando a brisa, ou talvez seja o calor que irradia do corpo dele me aquecendo.

— Está tudo bem?

— Sim, eu estou bem. — Ele é mais alto do que eu. Gigante. Não vou mais ver o cara, então me permito avaliar o Jungkook como ele realmente é. Sexy e gostoso, com os ombros bonitos, os músculos esculpidos, a bagunça fofa do cabelo castanho escapando por baixo do boné de beisebol e os olhos castanhos, atraentes e encantadores. Por um segundo, finjo que a sinceridade nos olhos dele é real — e é para mim.

O vento sopra de novo, mais forte dessa vez, e vários fios de cabelo se movem pelo meu rosto. O Jungkook se concentra neles. Os dedos dele sussurram no meu rosto, depois descem pela pele sensível do pescoço enquanto ele ajeita os fios sobre o meu ombro. Seu toque faz cócegas e queima ao mesmo tempo.

O calor dispara até o meu rosto, e minhas mãos imediatamente cobrem as bochechas. Que diabos? Estou corando. Caras não me fazem corar. Caras não querem me fazer corar. Confusa com a minha reação, eu me afasto e enfio a mão no bolso de trás para pegar um cigarro que consegui com o maconheiro na escola.

— Dá um tempo, tá?

— Se você ficar entediada enquanto espera e quiser olhar, eu peço pro treinador deixar você...

Balanço a cabeça.

— Não.

Ele aperta os lábios e vai em direção à entrada. Dou uma olhada na silhueta que se afasta, e meu coração afunda. Esse momento esquisito que a gente acabou de viver não muda nada. O Jungkook  se apaixona por garotas como a Ariana e transa com garotas como eu. Não dá para mudar destinos que já foram traçados. Isso só acontece em contos de fadas.

Sinto pena dele. O Oliver vai matar o garoto até o fim da noite.

— Jungkook?

Ele olha por cima do ombro. O que devo dizer? Foi divertido sacanear você, mas tenho que salvar a minha mãe. Sinto muito, mas, quando você voltar para Groveton sem mim hoje à noite, o meu tio vai arrancar suas bolas.

— Obrigada. — A palavra tem um gosto estranho na minha boca.

Ele tira o boné de beisebol, passa a mão no cabelo e o volta no lugar. Desvio o olhar para impedir que a culpa me mate.

— Me desculpa — ele diz.

Eu pisco, sem saber por que ele está pedindo desculpas, mas não peço uma explicação. Já falei o que queria, e ele também. Estamos quites.

Um adolescente sai do prédio e segura a porta para o Jungkook. Ele entra enquanto o garoto balança as chaves do carro. Obrigada, destino, por me dar uma mãozinha. Enfio o cigarro de volta no bolso de trás e sorrio de um jeito que faz o garoto achar que tem uma chance.

— Pode me dar uma carona?

(...)

Os nervos vibram no meu estômago, e respiro fundo várias vezes. Não importa quantas vezes eu inspire, ainda tenho dificuldade para encher os pulmões de ar. Por favor, meu Deus, por favor, faça com que o babaca tenha ido embora.

E, por favor, por favor, por favor, faça com que o Hao-nan concorde com o meu plano maluco quando eu aparecer com a minha mãe.

Pensei em contar antes para ele sobre o meu plano, mas, no fim, eu sabia que ele não ia concordar em levar minha mãe junto. Ele a culpa pelos problemas da minha vida, mas eu conheço o Hao-nan. Quando eu aparecer com ela,implorando para ir embora, ele não vai me deixar na mão. Ele vai levar a gente — nós duas.

O bar está vazio, mas daqui a uma ou duas horas vai estar cheio. Mesmo à luz do dia, o lugar é escuro como uma masmorra. Usando os jeans e o moletom   de sempre, o Jin está sentado no bar e inclinado sobre um notebook, que faz o rosto dele ficar com um brilho azulado. Pelo canto do olho, ele me vê.

— Ouvi dizer que sua mãe perdeu a custódia.

— É.

Ele dá um gole numa cerveja long neck.

— Sinto muito, garota.

— Como ela está? — Minha boca seca, e preciso de toda a força que tenho para agir como se a resposta dele não me importasse.

— Quer saber mesmo?

Não. Não quero.

— Quanto eu te devo?

Ele fecha o notebook.

— Nada. Volta pro lugar de onde você veio. Qualquer lugar é melhor que aqui.

Saio pelos fundos. É o caminho mais rápido até o apartamento da minha mãe. À noite, o lugar é assustador. Durante o dia, o condomínio de apartamentos decadentes só parece triste e patético. O administrador cobriu com spray branco partes da parede de tijolos dos anos 70 para esconder os grafites. Trabalho inútil, porque de noite o pessoal picha os palavrões tudo de novo.

Como a maioria das janelas está quebrada, os moradores usam papelão e fita cinza para cobrir o vidro, exceto nas janelas com aparelhos barulhentos de ar-condicionado que pingam água como se fossem fontes. Minha mãe e eu nunca tivemos um desses. Nunca fomos tão ricas nem tão sortudas.

O babaca do Trent mora no condomínio do outro lado do estacionamento do prédio da minha mãe. A única coisa na vaga de estacionamento dele é uma grande poça de óleo preto que escapa do seu carro quando está estacionado.

Ótimo. Inspiro de novo para acalmar a tremedeira. Ótimo. Depois que o meu pai foi embora, a minha mãe se mudou comigo para Louisville e oficialmente nos tornamos ciganas, mudando para um apartamento diferente a cada seis ou oito meses. Alguns eram tão ruins que a gente saía por vontade própria. Outras vezes nos expulsavam por falta de pagamento. O trailer em Groveton e o porão da tia Stacie são os únicos lares estáveis que eu conheci.

Esse apartamento perto da Stacie é onde minha mãe ficou por mais tempo, e é uma droga que o Trent tenha tudo a ver com isso. Bato na porta bem de leve.

A porta estremece enquanto a minha mãe destrava as diversas fechaduras, e, como eu ensinei, ela deixa a corrente fechada quando a porta se abre um pouquinho. Ela estreita os olhos, como se eles nunca tivessem visto a luz do sol.

Está mais branca que o normal, e o cabelo loiro na parte de trás da cabeça está espetado como se ela não o escovasse há dias.

— O que é? — ela grita.

— Sou eu, mãe.

Ela esfrega os olhos.

— Samantha?

— Deixa eu entrar. — E deixa eu tirar você daí.

Minha mãe fecha a porta, a corrente se mexe enquanto ela destrava, e a porta se abre de repente. Em segundos, ela me abraça. As unhas dela se enterram na minha cabeça.

— Meu bebê? Ai, meu Deus, meu bebê. Achei que nunca mais ia te ver.

O corpo dela se sacode, e ouço o conhecido fungado que acompanha seu choro. Descanso a cabeça no ombro dela. Está cheirando a uma estranha combinação de vinagre, maconha e álcool. Só o vinagre parece fora do lugar.

Parte de mim está animada por ela estar viva. A outra parte está mais do que chateada. Odeio o fato de ela estar chapada.

— O que você tomou?

Minha mãe se afasta e passa os dedos pelos meus cabelos, em movimentos sucessivos muito rápidos.

— Nada.

Percebo os olhos vermelhos,suas olheiras  e as pupilas dilatadas e inclino a cabeça.

— Tá, é só um pouco de maconha. — Ela sorri enquanto uma lágrima escorre pelo rosto. — Quer um trago? Temos novos vizinhos, e eles gostam de compartilhar. Vem.

Agarro a mão da minha mãe e a empurro para dentro do apartamento.

— Você precisa fazer as malas.

— Samantha! Eu não posso!

— Por que? — O lugar está uma zona. Não uma zona normal. É muito mais do que pratos sujos, chão com terra e embalagens de fast-food sobre os móveis. As almofadas do sofá estão largadas sobre o carpete surrado, as duas rasgadas. A mesinha de centro agora podia ser usada como lenha. A parte interna da televisão pequena da minha mãe está exposta perto da cozinha de um metro quadrado.

— Alguém arrombou a porta e entrou aqui — diz minha mãe, fechando a porta e trancando uma das fechaduras.

— É mentira. — Eu viro e a encaro. — As pessoas que invadem apartamentos roubam coisas, e você não tem merda nenhuma pra ser roubada. E que diabos é esse fedor?

— Estou limpando — diz minha mãe. — O banheiro. Vomitei agora há pouco.

As palavras dela me atingem com força. Vomitar é sinal de overdose. Meu pior pesadelo com a minha mãe.

— O que você tomou?

Ela balança a cabeça e ri de um jeito nervoso.

— Eu já disse: maconha. Um pouco de cerveja. Não estou nem tonta.

Ai, que inferno.

— Você está grávida?

Odeio quando ela tem que pensar antes de responder.

— Não. Não. Estou tomando aquelas pílulas. Ainda bem que você descobriu um jeito de me mandarem as pílulas pelo correio.

Esfrego os olhos com as palmas das mãos e reúno forças. Nada disso importa.

— Pega as suas coisas. A gente vai embora.

— Por quê? Eu não recebi nenhuma ordem de despejo.

— Somos ciganas, lembra? — digo, tentando aliviar o clima. — Nunca ficamos paradas.

— Não, Samantha. Você tem alma de cigana, não eu.

A declaração dela me faz parar, e espero uma explicação. Minha mãe balança de um lado para o outro. Tanto faz. Ela está chapada, e eu não tenho tempo para isso. Pulo por cima da mesa de centro destruída.

— O Hao-nan se ofereceu pra me levar pra praia, e você vai com a gente.

Vamos ficar escondidas até eu fazer dezoito anos no próximo verão, e depois ficamos livres.

— E o Trent?

— Ele te bate. Você não precisa daquele babaca! — Vejo duas sacolas de plástico no canto. Vão servir. Minha mãe tem poucas coisas que valem a pena empacotar.

— Samantha! — Minha mãe chuta o resto da mesa de centro enquanto vem rápido atrás de mim. Ela agarra o meu braço. — Para!

— Para? Mãe, a gente tem que ir. Você sabe que, se o Trent voltar e me encontrar aqui...

Ela me interrompe e passa os dedos pelos meus cabelos de novo.

— Ele vai te matar. — Os olhos dela se enchem de lágrimas, e ela funga de novo. — Ele vai te matar — ela repete. — Não posso ir.

Meu corpo todo afunda, como se eu estivesse ficando rapidamente sóbria de um barato.

— Você tem que ir.

— Não, meu bebê. Não posso ir agora. Me dá umas semanas. Tenho uns negócios pra cuidar e depois vamos embora juntas. Eu juro.

Negócios?

— Vamos embora. Agora.

Os dedos dela se enroscam no meu cabelo e apertam, puxando até o ponto de doer. Ela inclina a cabeça para baixo e encosta a testa na minha. O fedor de cerveja se espalha através de seu hálito.

— Eu juro. Eu juro que vou com você. Me escuta. Tenho que limpar algumas coisas. Me dá umas semanas, depois a gente vai.

Amaçaneta da porta se mexe, e meu coração dispara. Ele voltou.

Minha mãe agarra a minha mão de um jeito doloroso.

— Pro meu quarto. — Ela me arrasta pelo apartamento e perde o equilíbrio ao tropeçar nos pedaços de móveis quebrados. — Sai pela janela.

A bílis sobe pela minha garganta, e começo a tremer.

— Não. Não vou sem você.

Deixar minha mãe aqui é como observar a areia caindo numa ampulheta sem poder fazer nada para parar o tempo. Algum dia, o Oliver  vai exagerar e não vai ser apenas uma mancha roxa ou um osso quebrado. Ele vai tirar a vida dela.

O tempo com o Trent é um inimigo.

— Izzie! — O Trent grita quando entra no apartamento. — Eu te falei pra deixar a porta destrancada.

Minha mãe me abraça com força.

— Vai, meu bebê — ela sussurra. — Vem me pegar daqui a algumas semanas.

Ela arranca o papelão da janela, e eu pulo para trás quando uma mão entra pela janela já aberta.

— Me dá ela.

O Hao-nan enfia a cabeça para dentro e me agarra com as duas mãos. Paro de respirar e percebo que, de um jeito ou de outro, um desses caras vai me matar.


Jungkook P.o.v 

Jogo o braço para frente. Com um baque surdo, a bola atinge o lado de fora da caixa laranja, presa à sacola preta de lona que serve de alvo. Minha mente não está focada hoje, e eu preciso que esteja. Acertar os arremessos é a prioridade. Se o Taehyung manda acertar dentro, tenho que acertar dentro. Se o Taehyung  manda acertar fora, tenho que acertar fora. Se ele manda acertar a placa, tenho que acertar essa porcaria também.

Continuo pensando na Sam. Ela parecia tão pequena e perdida que eu queria pegar a garota nos braços e protegê-la do mundo. Definitivamente não é uma reação que eu teria imaginado com a Garota do cabelo azul. Bato com a luva na perna.

Vou descobrir o que está acontecendo com ela no jantar. Não vou mais aceitar o silêncio.

Giro o ombro, num esforço para encontrar vida nele, mas está vazio. Estou arremessando há uma hora, e os músculos do meu braço estão moles como geleia.

O centro de treinamento não é grande coisa, só um barracão com carpete verde e um ar-condicionado preso ao teto. O aparelho faz barulho lá de cima, e, de poucos em poucos segundos, um taco acerta a bola.

Meu treinador, John, se afasta da parede de metal.

— Bom, mas você ainda está jogando com o braço. Sua força e sua consistência precisam vir das pernas. Como está o braço?

Cansado.

 A Sam deve odiar esse lugar. Um galpão cheio de caras batendo bolas em redes e arremessando dentro de sacolas. Estou meio desapontado. Ela não se levantou nem uma vez para olhar.

— Posso arremessar mais algumas, se você quiser.

— Você tem descansado o braço como a gente combinou?

— Sim, senhor. — Não tanto quanto eu deveria. Sei apontar o ponto exato do meu manguito rotador: aproximadamente cinco centímetros abaixo do ombro e, nesse momento, ele dói.

— Vamos parar por hoje.

Rolo a bola nos dedos. A Sam não é a única questão que me incomodou nesse treino, e, não importa quanto eu ignore os pensamentos, eles continuam voltando.

— Posso te perguntar uma coisa?

— Manda.

— Se você tivesse que escolher entre jogar bola na faculdade e sair do ensino médio como profissional, o que escolheria?

O John coça o rosto enquanto me encara com um misto de curiosidade e confusão.

— Você quer ir pra faculdade?

— Se você tivesse escolha, o que teria feito?

— Não tive essa escolha. Jogar bola na faculdade era minha única opção.

— Mas e se tivesse?

— Eu teria ido pra liga profissional.

Bato com a bola na luva. Exatamente. Todo mundo que vem com essa conversa de faculdade e concursos literários está tentando me ferrar.

— Obrigado.

— A questão não é o que eu teria feito. A questão é: o que você quer fazer?

— Jogar bola


Sam P.o.v 

O Hao-nan envolve o braço com força ao redor da minha cintura e me puxa pela janela. Os olhos castanhos  e vazios da minha mãe têm uma dor melancólica enquanto ela me olha pela última vez antes de fechar o painel de vidro e colocar o papelão sobre a janela.

— Não! — Eu a deixei para trás. De novo.

O aperto dele se torna de aço e, quanto mais eu tento me agitar de volta para a janela, de volta para o apartamento da minha mãe, mais ele me puxa para longe. Meu coração está literalmente se despedaçando, uma dor que corta como vidro.

Minhas pernas se embolam com as do Hao-nan. Ele continua apertando firme os meus quadris ao me levantar e me carregar na direção oposta à da minha mãe. Eu me esforço para voltar ao chão, chuto a perna dele e bato em seus joelhos.

— Hao-nan, o Trent está lá. Ele vai matar a minha mãe.

— Vamos embora. — O rosnado dele faz um estrondo no meu ouvido.

— Você me ouviu? — Não podia ter ouvido. O Hao-nan nunca me deixaria para trás para morrer, então nunca deixaria a minha mãe. A única pessoa de quem eu preciso.

— Ouvi. — Ele faz força contra mim, e meu corpo menor se rende ao dele. Não. Meus cotovelos se dobram e, com as mãos abertas, eu atinjo o peito dele.

Meu coração se choca com a batida das minhas mãos no corpo dele. Eu bati nele — meu melhor amigo.

Vou fazer isso de novo se ele não me largar.

— Eu te odeio!

— Ótimo — ele diz. As narinas dele se dilatam quando ele sacode os meus quadris. — Porque assim eu não vou me sentir mal por te jogar no ombro e te enfiar no maldito carro.

Minhas palmas, ainda doendo por bater nele, repousam no seu peito. Seu coração bate de um jeito selvagem, combinando com o brilho maluco em seus olhos. O Hao-nan está falando sério.Eu também.

— Não vou embora sem ela.

— Entra no carro antes que eu te obrigue.

As mãos dele me apertam. Um alerta. Uma ameaça. Meu peito se contrai, tornando impossível respirar. Impossível pensar.

— Ele bate nela.

Digo como se fosse um segredo. Porque é. O meu segredo. O segredo que eu escondo de todo mundo. O segredo que leva ao meu pior segredo: ele bate em mim. O Hao-nan  já sabe disso, mas é diferente. Estou falando em voz alta. Estou transformando em realidade. E estou pedindo para ele me salvar. Estou pedindo para ele salvar a minha mãe.

O Hao-nan coloca o rosto de um jeito inimaginavelmente perto do meu.

— Ele nunca vai te tocar de novo.

Minha garganta incha, e minha voz sai baixinha.

— Eu deixo ele me bater, se for pra salvar ela.

Um tremor visível passa pelo corpo dele, e suas mãos soltam a minha cintura. Como uma parede de tijolos, o Hao-nan planta os pés no chão e cruza os braços sobre o peito, praticamente me desafiando a passar por ele.

Dou um passo à esquerda. Hao-nan  me acompanha. Dou um passo à direita.

Ele espelha o movimento.

— Pro carro, Sam. Agora.

— Sai da minha frente! — Ele não sai, e eu me sinto um gato preso numa caixa. Arranho o peito dele. Empurro. Bato. Grito. Berro. Xingo. Até minhas mãos baterem nele de novo, e de novo, e de novo. Frustrada. Irritada. Traída.

Os braços dele são mais fortes que o meu ataque, e ele coloca as mãos quentes no meu rosto, afastando a umidade das minhas bochechas. Uma umidade que eu não entendo. Soco os braços dele para longe de mim.

— Se você fosse meu amigo... Se você se importasse, você me ajudaria!

— Porra, Sam, estou fazendo isso porque eu te amo!

Meu coração bate uma vez e paralisa enquanto o mundo se torna terrivelmente parado. Eu vejo sinceridade nos olhos dele e balanço a cabeça.




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