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História Ondas de Serpentina - Um conto a ser ouvido. - Capítulo 2


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Capítulo 2 - O Alicerce (parte 2)


Eis ali, as águas mais perigosas de Serpentina: o mar de Tristanas. Dividido por uma grande correnteza conhecida por: Terço do Cruzeiro do Sul. 

Correnteza que só é conhecida assim, por conta de uma única lenda. Um velho e rabugento capitão ruivo, dono do navio Cruzeiro do Sul, passava por aquelas águas todos os dias às 16 horas. Exatamente no momento que ele atravessava a correnteza, um cheiro podre tomava as terras do litoral de Serpentina. 

O Cheiro sempre fora um mistério, mas quem entrava no navio, nunca mais voltava.

Assim, quando o capitão morreu e queimaram seu navio, poucas pessoas souberam a real origem do mal cheiro. Uma dessas pessoas é a nossa querida Capitã Margot.

Um capitão, que na realidade é capitã?

Vamos começar a entender a história do início.

Na aldeia 'Barões vermelhos' ainda sob o comando do Rei, ou melhor, na aldeia mais violenta de toda a terra de Serpentina.

Um ex-capitão pirata chamado Kurt é dono de um bar, e este, não possui regras. Todo ato sujo, repugnante e mais desumano possível era permitido. O bar sempre estivera sujo de sangue, então Kurt sempre contratou algumas moças mais pobres do bairro para serem faxineiras, mas não era nada fácil esse emprego, limpar sangue e retirar corpos de um estabelecimento se tornava uma experiência traumática, fazendo muitas moças desistirem do cargo no primeiro dia. Muitas, mas não todas. Dona Ágatha Budeller era diferente, precisava muito do dinheiro e nem as vísceras do animal mais puro faria ela desistir do trabalho.

Mãe de uma pequena criança chamada Margot, que já aos 5 anos a ajudava no trabalho. Ágatha não era de esconder a realidade de sua filha, sempre tentou explicar de uma maneira que não fosse tão chocante o que ela fazia no bar. 

Desde muito jovem Margot sempre foi obediente e visava não atrapalhar a sua mãe.

_ Limpe o bar e feche-o quando terminar. Deixe a chave debaixo do tapete quando sair. _ Era o que Kurt dizia para a mãe e filha. 

Certo dia, quase terminando o expediente, as duas tiveram que tirar o lixo.

_ Como o caminho até a lixeira vem de dentro do bar para fora, isso pode atrapalhar os clientes, acho melhor te ensinar a jogar o lixo sem passar pelas pessoas. _ Disse Ágatha segurando vários sacos de batatas com lixo. _ Venha até a janela, a gente joga daqui e acerta o lixo.

Não era muito difícil de fazer aquilo, era só jogar os sacos na parede que eles cairiam numa vala, poupando assim o tempo delas.

Esta foi a rotina das duas por dois anos, limpando desde poeira, à sangue de bêbados que se matavam por lá. Até que certo dia, Ágatha teve dinheiro o suficiente para fazer uma boa sopa para sua filha, não era todo dia, nem semana que isso acontecia. 

Elas moravam em uma casa bem pequena, que quase não tinha telhado, a mãe com toda felicidade fazia a sopa e Margot esperava sentada à mesa. 

A sopa foi servida e as duas comeram juntas, apreciaram cada colherada com gosto.

_ Ainda me lembro do dia que nasceu minha criança. _ A mãe inicia um diálogo após a refeição. _ Eu sinto muito por ter te trazido à este mundo terrível... _ Com lágrima nos olhos ela dizia.

_ O mundo se torna menos perigoso e cruel quando a senhora está por perto. _ Margot, agora com sete anos, dizia isso sorrindo para deixá-la feliz.

_ O mar foi bondoso em ter me dado uma criança como você. _ Ágatha disse ao se levantar da mesa com as louças.

_ O mar? _ Margot pergunta fazendo o mesmo.

_ Sim, minha pequena. Você nasceu em meio a uma tempestade, em um velho navio viajante. Naquele dia, tudo estava um caos, mas logo depois o tempo se acalmou. 

_ Então, eu nasci em Tristanas? _ Margot se assusta ao saber disso.

_ Não se preocupe, ninguém precisa saber disso. _ A mãe afaga seus cabelos para acalmá-la e a manda dormir.

O que ela não havia contado na verdade, é que Budeller tem sua origem em Aldebarã, mas devido a falta de dinheiro ela teve de se mudar às pressas para o país falido, mesmo estando grávida.

Uma semana depois daquela refeição, Kurt havia se irritado com Ágatha, ele disse que ela não estava fazendo seu trabalho direito, porém ele estava bêbado ao dizer isso. E naquele momento, ele empunhou sua espada e matou a mulher sob os olhos de sua pequena filha. 

Margot era muito criança para entender certas coisas, mas aquilo, era compreensível em qualquer língua e idade. 

Em choque pelo momento, Margot não consegue se mexer e é retirada dali pelo único homem sóbrio daquele bar. Ele deu dinheiro suficiente a ela e mandou a garota fugir, porém de imediato ela recusou. Disse ao homem:

_ Fico agradecida pela oportunidade senhor, mas tenho contas a pagar por aqui. 

O homem indignado com a situação pergunta:

_ Você deseja se vingar do homem? 

E ela se acalmando e tentando imaginar que sua mãe ficará melhor com Kahli, deusa universal, responde:

_ Eu não sou igual a ele, senhor.

Assim ele percebeu que ela era diferente de qualquer uma criança.

O bom homem respira fundo e arfa ao dizer:

_ Garota, não sei nada sobre você, mas no momento eu ouço o mar, e ele grita o seu nome. _ Seus olhos eram diferentes de qualquer outro, era um tipo de verde que parecia mostrar a essência de sua alma e eles brilhavam como duas esmeraldas quando disse aquilo. Ele abaixou seu grande chapéu e sumiu subitamente na neblina.

Tudo aconteceu muito rápido para uma criança de apenas sete anos. Mas ela guardou na alma o que seu suposto "herói" lhe disse. Ergueu a cabeça e voltou ao bar, porém ao ver sua mãe no chão o choque de realidade veio como um soco em sua face e Kurt exigiu que todos saíssem para ele fechar o bar.

"Se o mar grita meu nome e o vermelho vivo do sangue quente de minha mãe cobre as minhas mãos, no fim, o que eu tenho a perder?"

***

Nove anos trágicos se passaram, a nossa inocente Budeller que restou, cresceu. O pior já havia passado, ela se demitiu do bar que trabalhava, foi para um na cidade litorânea de Maestria e lá decidiu de forma infeliz que precisava vender o seu corpo... O dinheiro já não estava rendendo

"Que assim seja" _ Ela pensou

Procurou no bar o homem bêbado com mais possibilidade de rasgar dinheiro e em pouco tempo o encontrou. Homem, feio, velho, com cheiro de rum e bafo de peixe, nenhuma sereia faminta e desesperada escolheria ele. 

Senhorita Budeller se jogou em seus braços, era um capitão de um navio pequeno, mas farto. Acariciou aquela barba imunda e grudenta, fez todos os homens do bar desejá-la. Até que decidiu subir ao pequeno quarto que havia no recinto.

Lá ele segurou-a pelos braços fortemente e a jogou de bruços na cama. Murmurava coisas do tipo: 

"Este lugar está falido, mas há diversão. Salve Kahli, nossa deusa ainda consegue nos presentear!" 

Enquanto ela ouvia essas coisas repugnantes, percebeu que o "honorável" já estava nu. Ela o atraiu para cama tirando sua blusa, e o enforcou com a peça de roupa, ele demorou um pouco para apagar, e lutou muito, mas os seus marujos que ali embaixo esperavam, achavam que os altos barulhos eram frutos da diversão de seu capitão.

Margot tirou suas vestes e colocou as do capitão, com uns puxões a vestimenta se adequou perfeitamente ao seu corpo. Ela olhou o homem desfalecido na cama e pensou: 

"Pobre coitado, seria muita humilhação a um homem, deixar sua pequena arma de fora"

E para ajudá-lo, o vestiu com suas peças de roupa que ela não usaria mais e cabiam nele, deixando-o como uma donzela na cama.

_ Bons sonhos princesa, foi um honra estar na cama com você. _ Margot diz isso e fez uma reverência à ele, pegando seu novo chapéu e saco de moedas. 

Após isso, ela sai pela janela e corre alguns metros se deparando subitamente com um pequeno cais abandonado.

O mar estava inquieto, gritando por ela. Nem o diamante mais brilhante seduziria ela como as ondas que ali quebravam.

E depois de ser envolvida pelas profundezas do oceano, ela se jogou nas ondas entre os barcos de pescadores quase decompostos  e afundou. Naquele momento sim, ela ouviu o grito por seu nome nitidamente, mas pouco tempo depois, quando as vozes se calaram e o mar e se acalmou, Margot foi puxada cada vez mais para o fundo por algo irreconhecível e começou a relutar, mas seu ar acabou e segundos antes de desmaiar, ela sentiu toda a sua pele rasgar e um dos seus olhos ser perfurado como se um arpão de ferro, penetrasse sua cabeça. 


"Afinal, o que eu tenho a perder..."



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