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História Onde Mora o Coração - Kim Namjoon - Capítulo 9


Escrita por: Suga-Bia

Notas do Autor


Hiiii voltei depois de muito tempo, mas está aqui mais um capítulo saído do forninho

Boa leitura😘

Capítulo 9 - A melhor hora é agora


Fanfic / Fanfiction Onde Mora o Coração - Kim Namjoon - Capítulo 9 - A melhor hora é agora

S/n havia dormido muito mal naquela noite. Ela adoraria poder botar a culpa em toda aquela comida que havia devorado no jantar com Namjoon; mas nem mesmo ela, uma mulher que conhecia as vantagens de se ignorar a verdade de vez em quando, conseguia mentir para si mesma dessa vez.

O jantar não tinha nada a ver com sua noite de sono ruim. Tinha a ver com Namjoon: com seu sorriso, com seus olhos.

Com seu beijo...

E com a desanimadora certeza de que ele não seria capaz de criar vínculos mais sólidos com ela, assim como ele não tinha sido capaz de criar vínculos com sua família, com seu trabalho, com Nina...

Por que com ela seria diferente?

Ela rolou para fora da cama e tomou um banho, e já que ela não tinha mais café em casa, resolveu deixar a maquiagem de lado. Não precisava correr o risco de espetar um olho com um pincel de rímel, não com a porcaria de plano de saúde que tinha.

S/n desceu correndo os quatro lances de escada - o que chamava de exercício - e entrou na sua loja quando faltavam três minutos para a chegada de um cliente antigo. Jessica a havia contratado para tomar conta de Luna, sua nova porquinha, e de Barth, seu bebê — um doce e manso pit bull de trinta quilos. Os bichinhos ficavam sob os cuidados do pet shop uma vez por semana.

Barth era um cachorro de treze anos de idade, já sem dentes, que sofria de artrite, incontinência intestinal e displasia no quadril; mas ele era puro coração. Tanto que Jessica não tinha sido capaz de sacrificá-lo, como sua família havia gentilmente sugerido.

Barth amava S/n, e o sentimento era mútuo. Ele dava bastante trabalho, mas S/n mal podia esperar para vê-lo toda semana.

Jessica, porém, ainda não havia chegado. Imaginando que ela estivesse apenas atrasada, S/n começou a trabalhar nos preparativos do evento de Santa Extravaganza da semana seguinte. Ela percebeu que havia perdido a noção do tempo quando Seokjin apareceu, trazendo dois cafés. Ele parecia bem sério, algo que não era do seu feitio.

Seokjin era o cérebro do grupo. Sossegado, mas nem de longe tímido, ele havia sido recrutado por uma organização governamental quando ainda estava na faculdade - da qual saiu com um diploma de Engenharia Mecânica aos dezoito anos de idade. Ele não costumava falar muito sobre aquele trabalho, mas eles sabiam que ele o odiava. Alguns anos mais tarde, ele e alguns de seus colegas passaram a trabalhar por conta própria, até que venderam seu negócio por um bom dinheiro. S/n não sabia se Seokjin tinha ganho um centavo ou um milhão de dólares; ele jamais tocava nesse assunto.

Desde então, Seokjin andava à procura de um novo caminho. Todos no grupo sabiam que ele estava infeliz e odiavam que se sentisse assim, mas ele não falava quando não queria falar. Seokjin se mantinha ocupado realizando várias atividades, e uma delas era aparecer no pet shop de S/n várias vezes por semana para ajudá-la na tarefa de levar cães para passear. Ela adorava isso. Afinal, nada como um nerd gato para ajudar a turbinar os negócios.

Seokjin era mais próximo de Jessica e dos pets dela que S/n, pois Jessica namorava um dos ex-sócios de Seokjin.

— Entre! — S/n chamou. – O Barth ainda não chegou.

— Eu sei. — Seokjin se aproximou, deixou os dois cafés numa mesa e segurou a mão de S/n. — Querida, Barth se foi essa manhã.

S/n sentiu seu coração parar, simplesmente congelar.

— Oh, não... — Agitada, ela pressionou a mão contra o peito, como se isso pudesse ajudar a aliviar um pouco da dor.  — Como?

— Enquanto dormia. Morreu dormindo, sem dor — ele disse com delicadeza, e a puxou para perto para abraçá-la quando ela caiu no choro.

Alguns minutos mais tarde, aliviada por ter decidido não se maquiar, ela deixou escapar da boca um suspiro trêmulo, ainda na segurança calorosa dos braços de Seokjin. Droga, chorar era uma coisa cansativa. Precisava se recompor e ligar para Jessica a fim de lhe oferecer ajuda. Precisava voltar ao trabalho. Havia muito a se fazer. Foi nesse momento que seus olhos pousaram na janela e no homem em pé na rua, na esquina, com o olhar fixo nela.

Era Namjoon.

No instante seguinte, a porta da loja se abriu e lá estava ele, maior do que a vida, parecendo um pouco tenso, os lábios recurvados, olhando para os braços de Seokjin, que ainda estavam ao redor dela.

— O que há de errado? — Namjoon perguntou.

— O cachorro de uma cliente faleceu hoje de manhã — Seokjin explicou. — A S/n e o Barth eram muito ligados.

Era a imaginação dela ou Namjoon, de repente, pareceu mais relaxado?

— Ah, não. — ele disse, agora com voz calorosa e gentil. — Que droga. Isso é péssimo.

— É. — Seokjin passou a mão no cabelo de S/n. — Péssimo mesmo.

S/n pegou alguns lenços de papel de uma caixa próxima a ela e enxagou as lágrimas, consciente de que Namjoon a observava Ele havia se aborrecido ao vê-la nos braços de Seokjin, mas se recuperou rapidamente, e ela tinha de admitir que isso era um bom sinal. Pelo visto, ele estava correndo. Usava calção preto de basquete, e podia se ver a bermuda de compressão que aparecia por baixo, com uma camiseta de manga comprida à prova de suor que se colava aos ombros e ao peito dele, destacando cada detalhe de seus músculos.

E eles eram muitos.

Seu boné de beisebol preto estava colocado ao contrário na cabeça, e óculos escuros estilo aviador lhe cobriam os olhos. Namjoon empurrou os óculos para o topo da cabeça, sobre o boné de beisebol, revelando seus olhos negros cheios de preocupação.

S/n se sentiu tonta quando olhou para Namjoon, mas atribuiu isso ao fato de não ter tomado o desjejum, e ao impacto da perda do Barth.

— Eu sinto muito — Namjoon disse com voz baixa, e S/n achou que talvez ele não estivesse se referindo apenas ao Barth. — O que posso fazer para ajudar?

S/n não estava preparada para a sensação de ternura que se desencardeou dentro dela ao escutar essas palavras. Não estava preparada nem equipada para lidar com isso. Durante semanas ela havia ouvido alarmes soarem em sua cabeça sempre que se aproximava demais de Namjoon, avisando-a e massacrando-a com a lembrança de que ele lhe dera o cano e ainda por cima nem se lembrava dela.

Mas depois de contar tudo a ele, de ver sua reação e ouvir suas explicações, algo aconteceu com a raiva de S/n. Foi como se alguém tivesse girado um botão e abaixado o volume. Abaixado bastante.

Na verdade, foi como se tivessem tirado completamente o som.

Ou talvez tenha sido o beijo. Era tremendamente dificil sustentar o ressentimento contra uma pessoa quando a lingua dela estava enfiada na sua garganta.

Para piorar, ele beijava como ninguém.

Seokjin apontou para o café que havia trazido.

— Melhor dar um pouco de cafeína para ela antes de começar a conversar — ele avisou a Namjoon, e depois deu um beijo no rosto de S/n. — Te deixo em boas mãos querida.

Ela olhou no fundo dos olhos afetuosos dele.

— Como você sabe, Seokjin? — Ela perguntou, na esperança de que ele tivesse alguma boa explicação para compartilhar. S/n precisava demais disso.

— Porque as pessoas mudam — Seokjin respondeu, com um sorriso malicioso e, ao mesmo tempo, triste. — Você sabe disso tão bem quanto eu.

Ele estava se referindo a si próprio. Seokjin havia mudado um bocado - fora obrigado a fazer isso para poder sobreviver. Ou talvez ele estivesse falando dos outros integrantes do grupo. Haeun, Lisa e Taehyung, e até mesmo o reservado Jimin, haviam experimentado grandes mudanças em suas vidas, coisas que os afetaram de maneira irrevogável.

Ou, quem sabe ainda, as palavras de Seokjin se destinassem a própria S/n, porque ambos sabiam que ela havia amadurecido muito desde que abrira seu pet shop. S/n havia encontrado um rumo graças ao seu trabalho e ao amor dos amigos, o que a proporcionou uma confiança e estabilidade que ela nunca havia experimentado antes.

Seokjin a fitou com um olhar expressivo, como se buscasse lembrá-la silenciosamente de que ela já não era mais aquela menina medrosa e insignificante dos tempos de escola, que ela sabia melhor do que ninguém que as coisas nem sempre eram o que pareciam ser, que as pessoas nem sempre eram o que pareciam ser, e também que... algumas pessoas mereciam uma segunda chance.

Consciente de que Namjoon estava acompanhando toda a conversação, assim como os momentos de silêncio carregados de significado, S/n suspirou e acenou afirmativamente com a cabeça.

— Se precisar de mim, sabe onde me encontrar — Seokjin disse. Então despediu-se de Namjoon com um aceno e foi embora.

S/n se deu conta de que estava totalmente distraída quando um copo de café para viagem foi colocado diante do seu nariz e movimentado para frente e para trás. Ela o agarrou com a avidez de uma leoa que saltava sobre a sua presa.

— Jesus, os seus dedos estão congelando — Namjoon disse, e envolveu as mãos dela com as suas, muito mais quentes.

Ela sentiu os calor ásperos da mão dele, e gostou disse. Namjoon era real, bem real. S/n bebeu um gole de café, e depois outros, e por fim tomou-o de uma vez, sentindo a cafeína invadir organismo produzir uma moda de alívio.

— Melhor agora? — Namjoon perguntou, abaixando-se um pouco para olhá-la bem nos olhos. — Sim, está — ele disse, com expressão bem-humorada por ter respondido a própria pergunta — Aí está você. Ainda falta uma hora para abrir, não é?

Ela olhou para o relógio

— Sim, mas...

Namjoon tirou o avental dela.

— Eu adorei esse. — Ele comentou, sorrindo, depois de ler a frase "Eu não preciso ser boazinha. Eu sou FOFA" impressa no avertal. — E é verdade. — Namjoon pegou a jaqueta dela, que estava pendurada num gancho ao lado da porta, e a fez vesti-la. Como se não bastasse, fechau o ziper da roupa e colocou o capuz na cabeça dela, afastando as mechas de cabelo que pendiam sobre o rosto de S/n.

A sensação dos dedos dele no seu rosto e nas suas têmporas, o toque firme e gentil das suas mãos calosas, deviam ter feito S/n se sentir incomodada.

Mas ela se sentia qualquer coisa, menos incomodada.

— Namjoon.

— Shh — ele disse, e pegou na mão dela. — Eu sei que não te dei nenhuma razão para confiar em mim, mas mesmo assim quero perguntar uma coisa.

Sim, confiar nele realmente não tinha sido uma boa experiência para S/n.

Namjoon deve ter percebido isso pelo modo de olhar dela, porque ele riu discretamente, e não pareceu nem um pouco ofendido.

— Entendi perfeitamente a sua mensagem, mas me deixe propor uma coisa, S/n. Que tal se você esquecesse por um minuto o babaca inútil que eu era na escola, aquele babaca que dizia e fazia qualquer coisa para sair de treinos sem ter que falar com ninguém? Que tal? Concentre-se no cara que eu sou hoje, o cara que está aqui, de pé na sua frente. Você consegue confiar nesse cara?

Dessa vez, S/n hesitou.

— É o bastante pra mim — Namjoon disse, aparentemente sem vergonha de tirar vantagem da hesitação dela, e a puxou pela porta afora.


Notas Finais


Me desculpem pelo os erros<3


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