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História Onde Tem Ódio, Tem Amor - Dramione - Capítulo 17


Escrita por:


Notas do Autor


OLA GATÕES E GATONAS. TUDO BEM COM VCS?
Espero que sim. ♥
Então, estou aqui para avisar algo. Talvez eu demore para atualizar porque minha prima retirou a vesícula, e eu tenho que cuidar dela, e acontece o mesmo fato com minha tia de 86 anos, eu sou praticamente a mãe de duas mulheres adultas exigindo cuidados ksks, mas sério, é uma responsabilidade, não estou sozinha, tenho apoio e sei que vou conseguir. Vão ser dias muitooo longos. Mas vou atualizar sempre que der.
Não tenho paciência então orem por mim /taparei.
Então, era esse o recado.
Boa leitura.

Capítulo 17 - Um adolescente virgem... e muito frustrado


Fanfic / Fanfiction Onde Tem Ódio, Tem Amor - Dramione - Capítulo 17 - Um adolescente virgem... e muito frustrado

Capítulo 17

Um adolescente virgem... e muito frustrado.

 

Fevereiro.

O cheiro de seu cabelo era avassalador. Ela devia ter feito algo.

Ou talvez pelo fato dele não ter estado perto dela há sete anos e o cheiro dela desapareceu da sua mente.

É a segunda semana de aula, e ela já está pulando nos calcanhares, implorando a Slughorn que dê pontos de casa por responder com antecedência.

E por mais que ele se preparou para hoje, por mais que fechou sua mente e se concentrou em tudo que seu pai lhe ensinara, ainda não conseguia desviar o olhar dela.

Granger identificou corretamente os objetos na sua frente. Seus olhos brilhavam quando Slughorn concordou.

Ele tentou não pensar nela desde que percebeu quem ela era e quem foi em sua vida.

Melhores amigos até o infinito!

Mione. 

Seu pai estaria satisfeito com seu progresso, sua capacidade de separá-la de uma bolsista qualquer, mas isso estava na Mansão, antes do início das aulas. Antes de compartilhar as aulas com ela, e antes que o cheiro dela sufocasse o cômodo em que ele estava.

Olhou para o som de sua voz alegre. Ela estava de pé na frente a apenas cinco passos dele. O sangue escorreu do seu rosto enquanto a assistia e o professor relatou informações sobre a matéria que até o próprio Draco esquecera. Que matéria era mesmo? Que cidade estava?

Ela cheirava bem, conseguia senti-la, vinha exalando o perfume dos cabelos dela em sua direção.

É bom assisti-la na sala de aula, quando ela estava orgulhosa e cheia de conhecimento, e não estava ciente dos olhos nela.

Apertou sua mandíbula e virou os olhos para encontrá-la, ver se Mione cresceu durante esse tempo. Se ela também estava sentindo algo por toda a sala. Se o coração dela também estava prestes a explodir. Gostaria muito de traçar mais uma vez os dedos em sua clavícula, onde havia uma marca de nascença muito linda – um coração ligeiramente aberto em cima.

Um garoto o estava observando, olhos apertados. Com o rosto redondo e testa franzida estava Longbottom, olhando para ela uma vez e depois para ele.

Draco fez uma careta para ele. Então virou sua cabeça, imaginando o que seu rosto estava fazendo quando ela respondeu perguntas, entusiasmada.

Conseguiu fazer uma observação para Theo quando Slughorn perguntou se ela era parente de Hector Dagworth-Granger, zombando de sua herança pobre.

 

***

 

Março.

“Você não quer entrar numa sala de aula, Draco? Está tão frio no corredor.”

“Shh. Vou mantê-la aquecida.” Murmurou em seu ouvido, puxando-a contra si. Ela riu.

“E se alguém nos pegar? Não é a noite que Granger patrulha?”

Astória era muitas coisas, mas tola, nunca fora uma delas. Ela estava desconfiada.

Foda-se. 

A mão dele ainda estava no quadril dela. “É?” Beijou seu pescoço. Um pequeno suspiro escapou dela. “Vamos, vamos descer aqui.” Ele pegou a mão dela e a puxou em direção ao cruzamento do corredor.

“Você não quer privacidade?” Astória parou com os calcanhares, e ele quase a puxou para frente. Iriam se atrasar. “Eu não posso fazer todas as coisas que eu quero enquanto estamos no corredor, Draco.” Ela sussurrou seu nome no ouvido.

“Sério?” Draco disse. “Eu posso pensar em muitas coisas que posso fazer com você no corredor.” Enviou a ela o sorriso que sempre funcionava, e a arrastou pelas paredes de pedra. Verificou seu celular enquanto ela estava atrás dele e viu que deviam ter três minutos. 

A menos que Granger seguisse uma rota diferente. A menos que esteja adiantada.

“Draco.”

Ele a silenciou com a sua boca. Pressionando-a contra a parede e deslizando imediatamente sua coxa entre suas pernas. Ela chiou e riu. Ele segurou a cabeça dela enquanto a beijava, abrindo a boca, inclinando a cabeça, derramando seu fôlego nela. Astória apertou seus ombros e ele achou que podia ouvir passos.

Suas mãos deslizaram para baixo e circundaram as costas de Astória. Ela engasgou. Draco a puxou contra ele, deslizando pela sua coxa, pressionando mais alto e ela gemeu.

Draco escutou um suspiro, a vinte passos de distância, perto do cruzamento do corredor. Pressionou sua língua na boca de Astória novamente. Ele massageou círculos em suas costas, e ela estava moendo na coxa dele. Boa menina

Há um silêncio atrás deles. As mãos de Astória se enrolaram nos cabelos loiros e ela puxou a cabeça de Draco para o pescoço dela.  Draco fechou os olhos para não procurar o rosto dela enquanto se apegou ao pescoço de Astória.

Onde estava o pigarro? O barulho indignado antes que ela chamasse seu nome?

Um calafrio percorreu suas veias quando percebeu que ela estava assistindo. Mordeu o pescoço de Astória e ela engasgou. Trouxe suas mãos para o rosto dela, beijando sua boca novamente enquanto deixava suas mãos vagarem na frente dela, roçando seu peito e pressionando contra seu estômago.

Draco quer que Granger veja isso. Quer que ela saiba o que pode fazer.

Escutou passos silenciosos quando chegou debaixo da saia de Astória e deixou seus dedos dançarem em sua direção. Granger estava chegando mais perto? Astória gemeu e ele percebeu que estava estalando seus quadris contra ela.

Ele escutou, esperando ouvir a respiração dela, ou o som de seu batimento cardíaco. E os passos estavam ficando mais suaves.

Draco não podia evitar. Levantou a cabeça e virou para onde ela deveria estar. E há uma figura desaparecendo do outro lado do corredor, cachos saltando, cabeça virada para baixo.

Como se ele não valesse o esforço.

“Draco?” Astória sussurrou na sua bochecha e percebeu que parou. Parou tudo. Sentiu Astória virando-se para seguir seu olhar e ele fechou a distância entre eles, pegando sua boca novamente.

Ela estava a cerca de vinte passos do final do corredor. Ele se perguntou o quão alto Astória podia gemer em vinte passos de distância.

 

***

 

Um mês antes.

Hermione Granger estava na ala do hospital. 

Draco só pensava nisso, ignorando as fofocas, ignorando a sensação de vazio no seu peito. Ele se concentrou em uma linha sólida na frente dos seus olhos.

Bella lhe ensinou uma técnica para meditação. 

E era construído para afastar pensamentos da mente. 

“Você fez aquilo com a Granger?”

Draco piscou, e Astória estava caindo no sofá ao seu lado. Ele sabia que deveria ter escolhido a cadeira de encosto lateral.

Ela era uma das únicas meninas que Draco deixou se aproximar, mas não eram o que diziam ‘superamigos’. Ela conversava e ele somente a escutava, um ouvinte fiel. 

“Claro que não. Não ouviu Theo se gabando de machucá-la como se não fosse nada?” Ele disse, fechando seu livro, esperando dando a dica de que essa conversa seria curta.

Astória bufou. “Provavelmente ela se atrapalhou de alguma maneira na hora de fugir, ouvi falar. Eles não a empurrariam.”

Ele engoliu e enviou um olhar morto enquanto ela brincava com o punho da manga dele.

“Draco.” Ela continua suavemente. “Você está comendo?”

Draco queria puxar seu braço.

“Claro. Por que a pergunta?”

“Porque você não está comendo.” Astória levantou uma sobrancelha para ele.

“A lama que aqui chamam de comida aqui nem sempre desperta meu apetite.” Traçou seus dedos sobre o pulso dela, para que ela não pudesse dizer que não ia tocá-la, e se moveu para ficar de pé.

“Se sente culpado por influenciá-los a machucar uma bolsista, não é?”

Ele parou, desajeitadamente, a meio caminho entre sentar e ficar de pé, e olhou ao redor da sala comunal. Estava vazio.

“Cuidado, Astória. Não comece nenhum rumor.”

“A sala está limpa. Eu já verifiquei.” Astória disse. “Eu só quero que você saiba que pode falar comigo. Sem detalhes. Apenas seus sentimentos.”

Draco riu. Era duro contra as paredes de pedra, e ele mordeu a bochecha. Olhou para ela e sua expressão se transformou em uma careta. Se ela soubesse. Seria mais seguro falar sobre o bully que cometeu do que falar sobre seus sentimentos.

Seu pai estaria furioso. Ele não seria transparente se tivesse com a cabeça no lugar. Se ele tivesse guardado seus sentimentos.

Astória franziu a testa. “Você não é um assassino, Draco. Não foi sua culpa o que aconteceu com ela.”

Mas ele sentia muita culpa.

“Sinto muito.” Ele disse. “Eu acho que não há nada que eu possa falar.”

Ela olhou para ele, através de cílios longos e disse. “Quero ajudá-lo.”

“Não há nada que você possa fazer.”

Ele segurou sua bochecha com a palma da sua mão e, antes que ele pudesse se levantar e dizer boa noite, ela segurou seu pulso, enroscando seus dedos e disse: “Posso pensar em alguma coisa. Para ajudar.”

Astória passou a mão no seu braço. Sua outra mão tocou a coxa dele, movendo-se em círculos lentos. Ele olhou para ela e seus olhos estavam escuros.

Ele não tinha energia para isso.

“Aqui não, Tori.”

“Eu tranquei as portas.” Ela disse, triunfante nos olhos. “E expulsei todo mundo que esteve aqui antes.”

Olhou em volta e percebeu que sim, havia várias outras pessoas aqui embaixo, meia hora atrás. Ele correu por algumas outras desculpas, mas ela estava ganhando, jogando a perna sobre os quadris dele, segurando seu rosto e o beijando.

Um adolescente que não quer fazer sexo com uma garota disposta. O que diriam as fofocas então? Mas claro, ele não podia desobedecer seu pai e fazer sexo antes do casamento. Só podia fazer outras coisas e se masturbar. Patético.

Ela mordeu os lábios dele, deslizou a língua na sua boca, revirou os quadris. Todas as coisas que ele gostava.

Ela recuou para respirar e ele disse: “Não quero decepcioná-la, mas posso estar cansado demais para isso.”

Astória fez uma pausa, com os dedos nos botões da camisa dele. Ele estragou tudo. Ela vai dizer a todos que ele era gay. Eles iriam discutir e ela finalmente vai passar para o próximo. Não que Draco a achasse promíscua ou coisa do tipo.

Astória olhou nos olhos dele. Ele quis fingir ficar tonto e desmaiar. Afinal, ele não comia desde o jantar de ontem à noite.

“Apenas relaxe então.” Astória sussurrou. O olhar que ela lhe deu era pecador e estava feliz que não iam passar a próxima meia hora brigando porque tudo entre eles era segredo, Draco a beijou de volta quando Astória pressionou seus lábios nos dele novamente.

Astória se moveu para o pescoço dele, beijando a mandíbula, o pulso, desabotoando a camisa, as mãos deslizando pelas costelas. Draco manteve suas mãos na cintura dela. Era bom, mas ainda não há muita coisa acontecendo nas suas calças, e quando percebeu que esse era o próximo destino dela, correu suas mãos até o peito, tentando encontrar alguma inspiração.

Sutiã. Os peitos de Astória eram fartos e macios. A maldita coisa não lhe deu tesão. Os dedos dela estavam em sua cintura agora, e Draco tentava descobrir como dizer a ela que não estava com disposição novamente antes que ela pudesse sentir por si mesma.

Talvez ele apenas conte qualquer coisa a ela: “Eu sinto culpa, mesmo odiando bolsistas”, isso parece mais fácil do que explicar isso.

Astória nem sequer olhou-o nos olhos quando pressionou contra a virilha e não encontrou nada para trabalhar. Ele podia sentir um rubor se espalhando pelo seu peito, mas os dedos femininos continuavam a desabotoar a calça dele. Ela se inclinou no seu ouvido e sussurrou. “Feche os olhos.”

Draco engoliu em seco, e ela beijou sua garganta. Ele fechou os olhos e encostou a cabeça nas costas do sofá. Ela deslizou pelo seu corpo, beijando seu peito no caminho, e seus abriu seus lábios quando percebeu que Astória estava tentando lhe chupar quando ainda não estava nem meio duro.

A mão dela o envolveu e ele a sentiu subir entre os joelhos.

Isso vai ser árduo. Então, Draco apertou seus olhos com força e tentou. Pensou quando Astória fez isso pela primeira vez e ele durou apenas três minutos entre seus lábios. Pensou no momento em que os dois compartilharam a banheira dos monitores no ano passado. Seu corpo brilhava com a água e a luz da lua, e ela o beijou na banheira, seu rosto próximo ao dele, e Draco fechou os olhos quando a garota se abaixou sobre ele, e pensou em um par diferente de coxas... Respirou fundo. 

Astória esfregou seu quadril e percebeu que sua boca já estava nele. Estava ficando mais fácil, pelo menos.

Isso vai acabar logo, e talvez eu até durma esta noite.

Sim, isso pode ser útil. Ele pensou em dormir. Pensou em deitar na cama nos últimos dias, olhando para o teto. Apenas algumas noites chegou abaixo do seu pijama e se libertou. Sentiu seu pau deslizando em sua boca novamente, e pensou na última vez que fez uma bagunça nos meus lençóis. Ele dormiu tão bem naquela noite.

Draco tinha escondido tudo na sua mente e focado apenas nas coisas que o faziam ficar duro. Coisas que o aqueceram. Ele pensou em Granger, é claro. Pensou nas mãos dela em volta dos seus ombros, pensou nela sentada no seu colo, gemendo contra a orelha dele. Pensou em como seria seu rosto quando ela sorrisse só para ele, pensou em quão rápido poderia levá-la ao orgasmo com os dedos e depois em como levaria seu tempo com ela pelas próximas horas. Pensou nos seios dela contra seus lábios enquanto Draco viajava pelo corpo dela, pressionando as pernas abertas e mantendo os quadris imóveis enquanto ele tentava usar sua boca nela, enquanto a provava e a chupava até que ela gritasse para que ele a deixasse gozar...

Astória começou a balançar a cabeça nele, e ele abriu os olhos para o teto para perceber que estava totalmente duro, e Astória devia pensar que ele gostava do que ela estava fazendo.

Ele podia vomitar mais tarde.

Mas o pensamento de perder sua ereção... Astória poderia fofocar que ele simplesmente broxava do nada. Última coisa que precisava era ser motivo de risos.

Draco olhou para a bela jovem, encontrando seus olhos claros observando seu rosto, seus lábios apertados ao redor do seu pau enquanto deslizava através de sua boca. Draco correu os dedos pelos seus fios em agradecimento, e ela o chupou com força.

Ele achou isso muito legal. Seria muito melhor se Granger fizesse isso ao invés dela.

Seus lábios saíram dele e ela respirou fundo. “Relaxe, Draco”

Lembrou-se da primeira vez que a ouvira falar depois de ter seu pau na boca. Agora, com Hermione presente em sua vida, não era a mesma coisa. Ele só pensava nela e isso tinha que parar.

Draco fechou os olhos novamente enquanto ela o lambeu. Entrou em sua boca novamente e ele imaginou outra boca. Suspirou.

Astória faz de novo... o que ela fazia de melhor.

São os lábios de Granger ao redor da cabeça do seu pau, e ele podia assistir enquanto deslizava em sua  boca. Ela bateu os olhos lindamente para ele, perguntando se Draco gostava do que ela estava fazendo.

“Sim.” Ele sussurrou no vazio.

Astória cantarolou ao seu redor.

Só que era a voz de Granger, cortada pelo seu pau. Sua voz lutando para lhe dizer a resposta correta para as equações e consoantes na hora de armazenar no papel, e seus lábios apimentando suas palavras enquanto ela o dizia como transar com ela.

Uma mão na sua nuca, e era a dela com as unhas curtas e o aperto firme, como se ele fosse um lápis e ela estivesse pronta para o exame.

O cabelo faz cócegas na coxa dele quando uma língua deslizou para baixo, para suas bolas, levando tudo para o fundo da garganta. Eram os cachos dela dançando em volta do rosto.

Seu cabelo, ele levando com os dedos para trás de seu rosto bronzeado.

Sua garganta se movendo ao seu redor, lhe implorando para ele gozar em nome dela.

O fôlego dela nele.

Hermione.

Ele gemeu, engasgando com a própria voz, e tudo desceu pela garganta de Granger que engolia cada gota, como se fosse preciosa para ela. Como se ela quisesse que ele fizesse amor com a boca dela todos os dias.

Um pop molhado.

Sofá.

É um sofá na sala comunal.

Seus olhos se abriram para o teto, o fantasma de um sussurro saltando pelas paredes, como uma pipa que você não conseguia pegar no vento.

Seus pulmões respiravam ar e sentiu Astória aos seus pés.

Ele a escutou mastigar um chiclete.

Draco sentiu o corpo dela contra a panturrilha dele, tenso. Draco falou o nome dela em voz alta?

E não sabia se realmente disse isso. Não sabia o que aconteceu fora da sua mente nos últimos dez minutos.

O coração dele estava batendo forte e estava dolorido no peito.

Então Astória estava o escondendo, abotoando sua calça. Ela abotoou sua camisa também. Quando ela chegou ao topo, ele levantou sua cabeça para encará-la.

Havia uma tensão no rosto dela, mas ela estava sorrindo para ele.

“Melhor?”

Draco concordou. Ele a beijou.

“Obrigado. Você foi excelente.”

Mas precisava acabar com aquilo antes que piorasse. Astória conseguiria alguém que gostasse dela de verdade. 

Apenas Granger poderia fazer isso sumir. Sua coisa com ela. Precisava dela.

“Mas precisamos acabar com isso, Tori. Você sabe que eu já tenho uma noiva e ela vai se mudar ainda este ano ou o ano que vem. Seria ruim continuar isso se algum de nós sentir alguma coisa.”

Com ele seria pouco provável.

Seus olhos pareciam treinados. Parecia saber que era só uma desculpa patética para terminar o lance casual que ninguém sabia. Nem Harry sabia.

“Ok, eu também queria transar e você não quer. Parece que nem Cho Chang foi digna. Acho que essa Fleur deve ser uma Deusa.”

Draco quis rir disso, pois ela não sabia que ele era um total virgem. Talvez ela saiba e nunca tenha falado. No entanto, virgem com experiência em satisfazer uma mulher.

 

***

 

Draco descobriu tantas coisas de Granger e simplesmente nunca cansou de se lembrar dessas coisas. Granger bebia café quando era época de estudar para as provas. Passava horas na biblioteca. E ele a assistia. Ela ria para si mesma com mais frequência do que ri em voz alta.

Na infância ela gostava de pirulitos que manchavam a língua, por alguma razão.

Ela usava roupas de meninos quando se conheceram... Ele pegou o boné do pai dela e nunca devolveu. Mione deixou com ele. 

Mione tinha um coração na clavícula, uma marca de nascença que Draco queria muito tocar... Essa revelação o levou a um buraco de coelho de fantasias sombrias que Draco gostaria de nunca ter seguido...

Draco desejou tirar férias para clarear sua mente. Sem aulas, sem corredores, sem refeições compartilhadas. Ela não estaria lá, invadindo seus dias. Mas ainda poderia com toda certeza ouvi-la. Pouco antes de ele acordar de manhã, sussurrando coisas emocionantes em seu ouvido para lhe acordar com força, ou lendo a tarefa de História para ele à noite, assim como seus olhos deslizavam para fora das páginas. Draco tentou não pensar nela à noite, tentou imaginar outra pessoa enquanto se masturbava. Mas ela sempre serpenteava, assim que ele estava quase terminando, e seriam os olhos dela olhando para ele quando desapareceu em sua boca, e suas mãos deslizando em volta dos ombros dele. Tentou desistir de masturbar por alguns dias, para encontrar um pouco de paz. Talvez um reset. Durou quatro dias antes de desistir e se deixar construir um mundo de fantasia em torno dela, imaginando seus lábios nos dele e as mãos no seu rosto.

Draco era um idiota pervertido, supôs.

Mas imaginou que um adolescente normal e virgem com 18 anos seria assim, ainda mais se estivesse tão frustrado por não poder ter a garota que quer. Sempre quis.

Nunca poderia ter Granger. Mas se a beijasse, uma única vez, será que tudo isso acabaria? Se a tocasse, porque ele iria desistir de uma eternidade para tocá-la. Desejava que soubesse como ele se sentia de alguma maneira.

Granger foi o mais próximo de uma vida feliz para ele. Como um lar de verdade. Só que passou. Faz anos. Sete anos. E... Então foi egoísta e desejou poder voltar para casa.

 

***

 

Atualmente.  

Hermione acordou com a luz brilhando em seu rosto; gemeu e rolou do outro lado. Estava na ala hospitalar por mais ou menos um mês desde que acordou e estava completamente cansada de acordar com a luz do sol cegando-a todas as manhãs.

Insistiu que estava bem, mas Madame Pomfrey não permitiu que partisse, era obrigatório ficar de repouso depois de uma cirurgia, sendo forçada a ficar semanas até que estivesse com melhor saúde. Hermione se sentia bem, no entanto, e estava mais preocupada com a quantidade de trabalho escolar que estava perdendo, mas isso não parecia importar para a enfermeira, que era ainda mais teimosa que Hermione.

Entrementes, Neville sempre levava o dever de casa depois de mais um dia na escola, Hermione ficou suspensa do seu trabalho de meio-período, e Gina a visitava trazendo novidades do seu novo ficante, um tal de Marcus Flint, ele era da Sonserina e um garoto mais velho. Hermione permaneceu neutra e preferiu não dizer que é uma péssima ideia ficar com alguém da Sonserina.

A paciente rolou em sua pequena cama de hospital e olhou para o relógio. Já eram 7 horas da manhã e podia ouvir Madame Pomfrey em seu escritório se mexendo. Hermione jogou os lençóis e ergueu as pernas sobre a beira da cama, determinada a mostrar à enfermeira que estava bem o suficiente para escapar desse lugar chato, embora provavelmente não quisesse dizer isso para ela.

Madame Pomfrey saiu do escritório com uma pilha de roupas dobradas. Hermione suspirou aliviada ao reconhecê-las como suas próprias roupas da Grifinória. A enfermeira veio para o lado dela e sentou a pilha ao lado dela.

“Agora eu sei que você está desesperada para receber alta, mas ficar era para seu próprio bem.” Insistiu a enfermeira, quase parecendo ofendida por ninguém parecer gostar da estadia na ala do hospital.

“Eu sei.” Hermione concordou entusiasmada. “Me sinto muito melhor. Obrigada.”

A enfermeira concordou altivamente. “Bem, você está livre para ir então. Eu peguei novas roupas para você. Vou deixá-la se vestir.”

Com isso, puxou a cortina ao redor da cama de Hermione e a deixou em privado para se vestir.

Dez minutos depois, Hermione estava pronta e animada para sair da do hospital e ir para as aulas. A enfermeira se despediu e ela praticamente pulou as escadas para a sala comunal da Grifinória para esperar Neville.

Quando ela entrou na sala comunal, percebeu que estava praticamente vazia, exceto por alguns estudantes que pareciam estar terminando algumas tarefas de última hora. Vasculhou a sala; apesar de saber que Neville ainda não estaria acordado. E Gina? Ah, provavelmente com o ficante da casa rival.

Foi para a biblioteca, entrou e pensou que ficaria sozinha, no entanto, encontrou um par de olhos que estavam fixos nela.

Cho Chang estava olhando para Hermione com interesse desenfreado. Ela estava sem suas seguidoras/lacaias. Hermione deu um sorriso constrangedor, que a asiática retornou, antes de passear e sentar em seu lugar preferido. Cho estava indo atrás dela e sentou-se perto.

Que diabos?  

Hermione pegou um livro abandonado da mesa e começou a ler quando sentiu o assento ao lado ranger. Ela olhou para cima e viu que Cho havia se mudado para o local ao lado dela.

Ela não sabia por que a garota havia se mudado para lá, mas olhou sem jeito para ver que Cho estava olhando-a com curiosidade, com a cabeça inclinada para o lado. Isso estava deixando Hermione cada vez mais desconfortável, e resistiu à vontade de se mexer desajeitadamente em seu assento, continuando a ler o livro que estava aberto em suas mãos, embora mal conseguisse se concentrar.

Depois de um momento, ela ouviu Cho suspirar. “Você é muito bonita, sabia disso?”

Os olhos de Hermione saltaram de sua cabeça quando se virou para a asiática, que parecia estar examinando casualmente suas feições. Hermione não concordou, mas, na tentativa de terminar a conversa e todo o embaraço presente, apenas disse “Oh, não, mas obrigada” antes de voltar para o livro, esperando que Cho deixasse por isso mesmo. Não estava com sorte, no entanto.

“Então, como você está se sentindo? Está sumida faz um longo tempo.” Cho perguntou, recostando-se na cadeira. Este não era um bom sinal para Hermione, pois significava que ela estava pensando em ficar por aqui.

Granger folheou distraidamente seu livro. “Estou bem agora.”

Viu Cho acenar pelo canto do olho. “Sinto muito pelo que Theo fez. Principalmente fico muito atordoada por Blás participar disso.” Começou, parecendo cansada. “Então, sempre soube que Theo era um idiota, mas não achei que fosse tão longe. Se isso faz você se sentir melhor, eu escrevi para a mãe de Blás e o pai de Theo ontem. Eu conheço os dois desde criança, e sei que a mãe de Blás vai ficar histérica. Provavelmente surtar.”

Hermione olhou de soslaio para a garota e notou que tinha um sorriso divertido no rosto. Hermione tentou não sorrir, embora o pensamento de Zabini recebendo algum castigo de sua mãe fosse certamente satisfatório.

“Aconteceu uma vez no fundamental, e eu lembro disso porque foi muito hilário... Ela ligou e pediu para ele colocar no viva-voz... Coitado. Espera só pra ver, ela liga em situações tão inusitadas, talvez no café da manhã já grite com ele!”

“Eu vou ter certeza de não perder isso.” Hermione assegurou. Ela então lembrou que todo mundo provavelmente estaria muito focado nela para perceber Zabini; se inclinou consideravelmente. Cho parecia entender seus medos.

“Não se preocupe.” Assegurou-a. “Todo mundo está ocupado demais falando sobre a chamada extraordinária saída do Nott e Zabini. Eles não mencionaram você ultimamente.”

Hermione deu a Cho um olhar interrogativo. “Saída?” Perguntou.

Cho Chang acenou com a mão no ar, descartando o termo. “Todo mundo parece pensar que os dois foram pegos em uma posição comprometedora na torre de Astronomia. Dizem que fizeram sexo por horas. Agora parecem acreditar que são gays.”

Os olhos de Hermione estavam arregalados de choque. “Gays? Eu realmente não consigo ver Nott sendo gay.” Murmurou, pensando em todas as vezes que Nott jogou uma palavra pervertida nela. Estremeceu com as lembranças.

“Oh, eu também não.” Cho concordou, brincando com a barra da saia. “Mas isso não impede os rumores. Pessoalmente, sempre que alguém pergunta, eu tenho dito a eles que Theo sempre brincava com minhas bonecas quando éramos mais jovens, e que não estou exatamente surpresa com a virada dos eventos. Escusado será dizer que ele não ficou feliz quando descobriu isso.” Sorriu com a lembrança.

Hermione olhou para a garota com surpresa e pavor. Ela nunca teria pensado que Cho seria tão sorrateira. Ou que não seria como seus amigos de infância. Hermione teve que se lembrar de que Cho era da Corvinal, e seus melhores amigos eram da Sonserina, e havia uma razão para isso.

Ainda assim, ela nunca imaginou que Cho Chang fosse tão... ótima. Por que Malfoy não queria namorar essa garota? Então lembrou que Malfoy era um idiota e decidiu que ele não era inteligente o suficiente para tomar uma decisão correta.

“Uau.” Hermione disse, com um pouco de reverência. “Eu nem acredito que você cresceu junto com esses idiotas.”

Cho riu. “Sim, bem, amigos de família nunca nem sempre são bons.” Ela disse, embora parecesse longe de ser lamentável.

Hermione riu.

“Então.” Cho disse, de repente: “Não se preocupe com meus amigos. Se Theo ou Blás ainda são horríveis com você, eu tenho muita sujeira deles. Como o fato de Blás ainda dormir com sua boneca de pelúcia Rabbity e Theo ter uma coleção nojenta e muito perturbadora de carrinhos mastigados.”

Hermione riu. “Obrigada, isso pode ser útil.”

“Sem problemas.” Cho disse, colocando a lição de casa na bolsa aos pés. “Então... por que Draco não teve problemas por machucar você?”

Hermione interiormente gemeu com a menção do nome dos meninos. “Aparentemente, ele não fazia parte disso.” Admitiu: “Embora não tenho certeza se acredito nisso.” Sentou o livro com a mão novamente na mesa.

Cho assentiu lentamente, parecendo extremamente interessada. “Ele te disse isso?”

Hermione deu de ombros. “Mais ou menos. Ele e Harry vieram à ala hospitalar para tentar me convencer disso.”

Cho levantou uma sobrancelha. “Sério? Draco a visitou? Isso certamente é alguma coisa.”

Hermione olhou para Cho pelo canto do olho. Ela parecia subitamente tensa. Hermione desejou nunca ter mencionado o incidente da ala hospitalar.

“Tenho certeza que ele só chegou a ver quanto dano seus amigos conseguiram causar.” Hermione insistiu.

Cho assentiu, embora não parecesse convencida. “Sim, provavelmente. Ele é um idiota. Tenho certeza que você já ouviu falar sobre a nossa história. É metade do motivo de eu não estar interessado em ajudar Theo. Eu disse a ele sobre como Draco me usava, e ele disse é o que eu ganho por, e cito, me prostituir.”

Cho fez uma careta ao pensar em seu amigo. As sobrancelhas de Hermione estavam na linha do cabelo. Naquele momento, ela ficou completamente chocada. Mesmo sendo amigos íntimos, ela pensou que ele pelo menos seria protetor com sua amiga, quase uma irmã.

“Sinto muito. Eu até entendo. Eu sei em primeira mão como esses meninos podem ser.” Hermione disse, pensando em todas as vezes que a provocavam.

Cho assentiu. “Eu sei. Apenas... tenha cuidado com eles.” Avisou sombriamente. “Com Draco. Às vezes é melhor que ele te odeie.” Ela disse, conscientemente.

Hermione lançou um olhar curioso, imaginando o que a garota estava dizendo. Não teve tempo de questioná-la, no entanto, porque Neville e Gina apareceram naquele momento e estavam muito felizes em vê-la.

De fato, Granger estava tão distraída com a conversa; não tinha visto que todos estavam acordados e indo para o café da manhã.

“Hermione!” Neville exclamou alegremente, parando ao lado dela e de Cho. “Você voltou! Estou tão entediado.” Ele bufou.

Gina a abraçou e sorriu. A ruiva teve sorte que Theo Nott a poupou de um castigo, seja lá o que tenha acontecido após o dia do soco. “Eu senti sua falta demais, nunca era o mesmo sem você nas refeições para fofocar...” Parou quando viu que havia mais alguém presente. “Ah... Oi, Cho Chang.” Gina cumprimentou, estendendo a mão. Cho deu um beijinho de cada lado do rosto da ruiva, o que a fez ficar perplexa.

Chang seriamente cumprimentava as pessoas com beijinhos?

Hermione sorriu para os amigos. “É bom estar de volta, pessoal.” Virou-se para Neville. “Diga... você poderia pegar aquelas anotações que você prometeu noite passada?”

Neville assentiu. “Eu vou pegá-la pra você. Eu não esperava você sair tão cedo, nem fez um mês exato.”

“Droga, eu esqueci minha mochila na ala hospitalar.”

“Eu pego para você também.” Neville disse como se não fosse nada.

“Valeu.” Hermione agradeceu. "Você é incrível.”

“Você é um fofo, Neville.” Gina deu um soco no ombro dele, fazendo um elogio.

“Ah, obrigado, eu acho.”

Ele corou, então se virou e correu de volta para os dormitórios dos meninos.

“Se importa se eu for tomar café com vocês?” Cho perguntou, feliz, olhando para a interação entre Hermione, Gina e Neville com diversão.

Hermione ficou surpresa, mas concordou com um sorriso. “Ah com certeza.”

“Claro, por que não?” Gina ponderou, mas não queria mais receber beijinhos na bochecha.

Alguns minutos depois, Neville voltou com a mochila de Hermione com as anotações e, juntos, ele, Hermione, Gina e Cho saíram da biblioteca.

Se Neville estava curioso para saber por que Cho estava andando com eles, não perguntaram. No entanto, Gina estava louca para saber. Hermione, por exemplo, só falou com a garota por um total de cinco minutos e já gostava dela agora que não era devotada pelo grupo dos Marotos.

 

***

 

No Salão Principal, Harry sentou-se em frente a Draco enquanto tomava seu café da manhã, para grande aborrecimento do primeiro. Draco não parou de bater no pé e olhou para a porta o tempo todo que eles estavam sentados lá. De fato, as últimas semanas foram um inferno para Harry, porque Draco parecia estar passando por algum tipo de abstinência por não ter interagido com Hermione.

Harry tentou ignorar o bater do pé do amigo, mas finalmente ele não aguentou mais. Apontou um bom chute na canela de Draco e ficou secretamente satisfeito quando seu amigo sibilou de dor e se virou para encará-lo do outro lado da mesa. Harry não se importava, desde que o levasse a parar de olhar para a porta.

“Que caralhos foi isso?” Draco sibilou com raiva, esfregando a canela debaixo da mesa.

Harry mordeu a torrada. “Pare de ser um idiota patético.” Disse entre as mastigações.

Draco fez uma careta para o insulto. “Do que você está falando?”

Harry revirou os olhos e suspirou cansado. “Você sabe exatamente do que estou falando. Você está lançando olhares para aquela porta nos últimos vinte minutos. Você parece patético.”

No olhar mortal de Draco, Harry levantou as mãos na defensiva.

“Estou dizendo isso como amigo.” Assegurou ao loiro, embora secretamente gostasse que o Draco tivesse perdido a compostura por um momento.

Draco esfaqueou uma salsicha no prato, emburrado. “Não enche, Potter.”

Harry riu do quanto o garoto à sua frente o lembrava de uma versão de Draco de oito anos e não de 18. Isso lhe valeu um olhar do garoto em questão. Harry suspirou cansado, largando o garfo.

“Como você vai lidar sem a provocar se você é assim depois de quase quatro semanas?” Harry perguntou. “Não é como se você pudesse simplesmente ir falar com ela... a menos que você queira ser chutado na cara.”

Draco balançou a cabeça enquanto brincava com a comida. “Não tenho certeza do que você está falando, Potter.” Disse, fingindo ignorância.

Harry estreitou os olhos. “Sim, Malfoy. Você sente falta dela.”

Draco bateu o garfo com irritação, fazendo alguns rostos ao redor deles olharem para eles com curiosidade. Inclinou-se para a frente e sussurrou: “Você pode calar a boca? Eu não quero falar sobre isso.”

Harry não se encolheu com a explosão de seu amigo; tinha visto momentos semelhantes muitas vezes; embora tivesse que admitir, quanto mais velho Draco ficava, mais raros eles se tornavam. “Se você diz, companheiro.” Harry disse, deixando o assunto cair.

Ele notou que desde que Draco parou de usar o bullying como desculpa para chegar a Hermione, estava ficando cada vez mais temperamental. Harry só podia assumir que isso tinha a ver com a ausência dela; especialmente porque Draco teve uma reação semelhante apenas um mês antes, quando Hermione ignorou suas tentativas de causar problemas. Ele agiu como um viciado em drogas que ficou sem seu vício.

Nesse momento, Harry sabia que Draco não tinha mais uma desculpa para se aproximar dela. Nott e Zabini seguiram em frente, não vendo problema; e mesmo assim Draco se arriscava a ser expulso se ele mexesse com ela, especialmente agora que Snape estava de olho.

Harry tinha certeza de que Snape havia pressionado sua influência o máximo que podia para não causar problemas para a hospitalização de Hermione, sabendo muito bem que se Nott e Zabini se metessem em sérios problemas, provavelmente retornariam a Draco. Harry tinha certeza de que não teriam tanta sorte se acontecesse uma segunda vez.

Não ser pego é uma das regras de Lúcio. Uma regra suja.

No geral, Harry não tinha certeza de como seu amigo lidaria com a distância da Grifinória nerd, e até agora não parecia que ele estivesse lidando bem com isso. Havia rumores que ele estava se encontrando com uma garota, mas Draco negara tudo.

“Você sabe, se você fosse mais charmoso com as mulheres, eu não teria esse problema.” Draco disse de repente, sem levantar os olhos do prato.

Harry levantou a cabeça do prato para encarar Draco, incrédulo. “Como isso é culpa minha?”

“Se ela não estivesse com raiva de você, ela estaria perto de você e, portanto, de mim.” Ele disse, olhando para cima do prato.

Harry levantou uma sobrancelha. Ele estava falando sério? “Sim, e se você não fosse tão idiota o tempo todo, ela não iria te odiar em primeiro lugar.”

Draco não respondeu e voltou a encarar o prato, empurrando a comida com o garfo. Harry sabia que seu amigo estava apenas tentando arrancar sua frustração com alguém, quando ele costumava descontar em Granger, a causa real. Mas Draco disse que Granger o magoou profundamente indo embora sem se despedir, o que não parece algo tão grave para você atormentar alguém. Se ele tivesse mais detalhes de tudo... Se Draco fosse mais aberto que nem era antes...

Harry estava certo de que Draco não iria durar muito sem fazer algo para chamar a atenção de Granger, ele só esperava que não voltasse a machucá-la, especialmente se ele quisesse algo com a Grifinória. Isso se Draco decidisse exatamente o que ia fazer com ela.

Harry olhou para o amigo; ainda estava olhando emburrado para o prato. Ele balançou a cabeça, decidindo que até preferia Draco quando estava mal-humorado, em vez de se afundar em auto piedade.

Os olhos de Harry foram desviados de Draco e foram para as portas quando notou um flash de cabelo vermelho entrar. Ele foi desviar o olhar, percebendo que era apenas Gina Weasley. Lembrou-se instantaneamente de seus amigos que não decidiram se vingar dela.

Zabini havia sido muito escasso nos últimos vinte dias, apenas aparecendo nas refeições. Draco riu, dizendo que provavelmente estava tentando consertar sua reputação manchada, provando que realmente queria de fato garotas. Harry não pôde deixar de acreditar que isso pode ser verdade.

Focou sua visão em Cho que já fora uma fonte de angústia e nervosismo para Harry, quando de repente percebeu com quem ela havia entrado no corredor.

Hermione, Gina e Longbottom estavam andando ao seu lado. Ele não estava tão interessado em Longbottom e a garota Weasley, mas Hermione? Desde quando ela e Cho eram tão... próximas? E certamente pareciam amigas. Cho estava dizendo algo que obviamente era muito engraçado, e Hermione e Gina estava rindo alegremente.

Harry ficou atordoado por um momento, imaginando quando aquela amizade havia começado, antes de ouvir Draco murmurar. “Porra...”

Harry olhou de volta para o amigo, para perceber que estava olhando na mesma direção que Harry, e também não parecia muito feliz com isso.

Harry olhou de volta para a cena do outro lado da sala e viu que Cho e Draco estavam com os olhos fixos. Cho deu um pequeno sorriso e estreitou os olhos um pouco, o que era bastante perturbador, antes de voltar sua atenção para Hermione.

Draco desviou os olhos da vista e encarou Harry acusadoramente. “Ela sabe. Como ela sabe, Potter? Você me disse que a convenceu naquele dia na biblioteca de que não havia nada acontecendo.”

Harry ficou tão chocado quanto Draco. “Eu juro, cara, pensei que ela acreditasse em mim.” Garantiu ao amigo honestamente. Obviamente, Cho não era tão ingênua quanto pensara. Ele se amaldiçoou por não fazer mais para convencê-la naquele dia na biblioteca.

Draco balançou a cabeça com raiva, antes de se virar para espiar a mesa da Grifinória. Harry seguiu seu olhar e percebeu que Cho e Hermione ainda estavam conversando. Gina empurrou Neville de repente e ele engasgou com a comida.

Draco se virou, parecendo bastante desconfortável. “Eu só posso imaginar as coisas que Cho está dizendo a ela sobre mim. Acho que essa é a ideia dela de vingança.” Murmurou amargamente.

Harry sabia que provavelmente era esse o caso, mas pelo bem do humor de seus amigos e de sua própria cabeça, mentiu. “Tenho certeza que elas não estão falando de você... talvez estejam falando de Nott ou Zabini?” Harry sugeriu esperançosamente.

Draco lançou um olhar ameaçador. “Não me engane.”

Harry decidiu não fazer, e apenas deu de ombros. “Desculpe, companheiro. Mas, sério, Cho diria a ela qualquer coisa que ainda não saiba ou suspeite de você?” Perguntou, empurrando sua comida ao redor do prato. “Hermione já sabe que você é um idiota, a opinião dela sobre você não pode ser exatamente melhor.”

Ele pegou alguns ovos e foi levar o garfo à boca, mas parou quando viu o olhar mortal que Draco o estava mandando do outro lado da mesa. “O quê?” Harry perguntou inocentemente.

“Você realmente sabe como fazer alguém se sentir melhor, não é, Potter?” Draco comentou, sua voz pingando sarcasmo.

Harry deu de ombros, finalmente enfiando o garfo na boca. “Você disse para não mentir para você, essa é a verdade.”

Draco fez uma careta.

Harry suspirou. “Olha, cara, você pode ver isso como uma coisa boa. Você só pode melhorar a partir daqui.”

Draco pensou por um momento, antes de sua expressão mostrar que não achava que era uma coisa tão ruim, afinal. “Você tem razão, Potter. Você não é tão estúpido quanto parece.”

Harry fez uma careta e estava prestes a responder o insulto, quando Zabini veio e sentou-se ao lado deles, parecendo mais temperamental do que nunca.

“Bom-dia.” Ele murmurou, pegando um prato de bacon, embora parecesse que a manhã tinha sido tudo, menos boa.

“Onde está o seu namorado, Zabini?” Alguém da mesa adjacente da Lufa-Lufa chamou em voz alta. Algumas pessoas riram. Zabini fez uma careta, seu punho se fechando com força no garfo.

Harry ouviu Draco rindo. Claramente, o infortúnio de Zabini o fazia se sentir melhor sobre seus próprios problemas.

“Bom-dia, Zabini.” Harry cumprimentou, ignorando o comentário dos Lufanos. “Como estão as coisas hoje?” Teve a sensação de que já sabia a resposta, apesar de perguntar.

Zabini suspirou miseravelmente entre as mordidas de seu café da manhã. “O que você acha, Potter? Eu não transo há mais de três semanas porque todas as meninas pensam que eu sou muito gay. Sem mencionar todos esses comentários idiotas.” Ele virou-se para fazer uma careta para os Lufanos, a maioria dos quais ainda ria.

Harry viu Draco sorrir por trás de suco e resistiu à vontade de revirar os olhos.

“Isso é muito ruim, cara.” Harry disse o mais simpático possível. “Onde está o Nott?”

Zabini acenou com a cabeça em direção ao final da mesa. Harry olhou para onde Blásio apontou e viu Theo sentado com um grupo de garotas da Sonserina, incluindo Pansy. Elas pareciam estar fascinadas com a conversa dele, e muitas estavam inclinadas, ouvindo atentamente.

“Por que ele está sentado lá?” Harry perguntou, voltando-se para Blásio.

Zabini deu de ombros. “Não sei, não falo com ele há semanas. Concordamos com a distância o máximo possível até os rumores desaparecerem; embora eu ache que ele possa estar usando os rumores a seu favor. Na noite passada, ele me disse que Pansy o deixou entrar no banheiro das meninas enquanto ela tomava banho para falar de ‘coisas de garotas’, uau.” Ele imitou com uma voz infeliz.

Harry zombou. Isso soou exatamente como Theo Nott. Ao lado dele, Draco não parecia tão surpreso.

“É Pansy.” Draco disse. “Ela não é exatamente de primeira classe. Então, ela provavelmente vai passar alguma doença.” Sorriu, enquanto Zabini fez uma careta amarga.

Blásio deu de ombros. “Não sei. Mas eu sei que isso não funcionou para mim. Toda garota com quem eu converso começa a reclamar comigo sobre seus ex-namorados, pensando que eu entendo como elas se sentem.” Resmungou.

Draco bufou, ganhando outra carranca de Blásio.

“A única coisa positiva que surgiu é que tenho mais garotas conversando comigo do que nunca, é que nenhuma delas quer transar.”

Draco deu um tapinha nas costas de Zabini com simpatia, embora parecesse muito divertido com a situação de seus amigos.

“Não se preocupe, cara. Não pode piorar, tenho certeza de que há alguns caras na escola que ficariam felizes em ter você.”

Zabini fez uma careta para Draco e deu de ombros, o que fez o outro garoto rir.

“Cai fora, Malfoy. Não estou com disposição para suas piadas.” Blásio sibilou, nem um pouco divertido.

Draco apenas deu de ombros e voltou para o café da manhã, embora o sorriso no rosto nunca vacilasse.

Dez minutos depois, os sons de conversas no corredor foram abafados pela algazarra de um celular.

Harry se assustou quando Zabini tirou um celular muito barulhento do bolso na frente deles, derrubando a jarra de suco.

“Droga!” Draco retrucou, enquanto pegava um guardanapo para limpar o derramamento antes que o atingisse. “Você por acaso é tão desastrado assim?”

Zabini não respondeu, porque estava olhando para a tela de olhos arregalados, com algo semelhante ao medo. Harry olhou para suas mãos e de repente percebeu por que estava com tanto medo. Estava escrito MAMÃE.

A mãe de Blásio... Porra, ele estava tão fodido. Ela costuma fazer escândalos.  

Harry ouviu Draco rindo. “É melhor atender a sua mãe, Zabini, antes que ela venha te gritar pessoalmente.”

Zabini engoliu nervosamente, antes que sua mão trêmula aceitasse a ligação. Ele hesitou por um momento, antes de respirar fundo e dizer “Alô?”

“Coloque no VIVA-VOZ AGORA!”

“Mãe...”

“Não me interrompa!”

“Por favor.” Blásio pediu misericórdia.

“COLOQUE AGORA!!”

“Sim, senhora.”

Após sua derrota que não durou muito, ele assentiu com a cabeça, parecendo prestes a vomitar, ofegou profundamente, antes da sua mãe começar a gritar do outro lado da linha.

“BLÁSIO ZABINI!” A voz berrante de uma furiosa senhora Zabini ecoou pelo corredor, fazendo com que todos voltassem sua atenção para o som. “ESTOU ABSOLUTAMENTE HORRORIZADA AO SEU COMPORTAMENTO! MACHUCANDO UMA ALUNA ADOLESCENTE! O QUE ESTAVA PENSANDO? VOCÊ TEM TANTA SORTE EM ME TER COMO MÃE E NÃO TERMINAR EM AZKABAN!”

Draco riu disso.

“Me desculpe, senhora. Eu sinto muito!” Blásio respondeu, amargo.

“Há, mas tem que sentir é mesmo. Se algo assim acontecer novamente, garanto que não vai valer a sua vida, pois irei te mandar para um reformatório.”

Blásio parecia horrorizado.

“Sim, entendido.”

Alguns segundo se passaram, então ele suspirou, acreditando que a ligação estava acabada, antes que sua mãe começasse a gritar novamente, embora não tão alto.

“E Theo, criança!” O celular berrou. “Eu pensei que você teria mais senso do que machucar alguém, especialmente considerando a morte da sua mãe!”

Harry viu Nott abaixar a cabeça, parecendo envergonhado.

“Estou completamente decepcionada por você! E espero um comportamento melhor de você no futuro! Ah, e deixe Cho saber que eu enviei roupas da França, Blásio. Adeus!”

Com isso, a ligação se encerrou e o celular só existiu sobre a mesa, como um rato morto. O silêncio repentino comparado ao que acabara de ser, foi esmagador. Blásio ficou lá, olhando para o celular, chocado, de fato por um momento Harry estava preocupado com o adolescente.

Ao redor do corredor, as pessoas começaram a rir e sussurrar sobre o que acabara de passar.

“Que romântico!” Alguém gritou. “Os dois amantes estão com problemas juntos!”

O salão começou a rir e Nott e Zabini se viraram para encarar a voz anônima.

Ao lado de Zabini, Draco estava sorrindo às suas custas, muito divertido. “Gostaria de saber como ela descobriu isso?” Perguntou ao amigo. O garoto apenas fez uma careta para ninguém em particular.

 

***

 

Do outro lado do corredor, Hermione ficou rindo da expressão de horror de Zabini. Ao lado dela, Cho parecia muito satisfeita consigo mesma.

“Pontos para nós, eu diria.” Comentou, sorrindo enquanto o rosto de Blásio ficava vermelho.

“Isso foi ótimo, Chang.” Hermione disse, ainda sorrindo. Ela não podia acreditar que alguém criaria uma situação tão embaraçosa para o próprio amigo, mas achou que era brilhante, especialmente porque ninguém a merecia mais do que Zabini.

“Foi, não foi? Mas acho que devo sair antes dele tentar algo comigo.” Disse, descaradamente.

Hermione olhou para os Marotos, e encontrou Zabini olhando furioso para sua melhor amiga de infância, um olhar de pura raiva em seu rosto.

Cho se levantou, dando um rápido adeus a Hermione antes de dar uma corrida pelas portas do Salão Principal, seguida pouco depois por um furioso Blásio Zabini, ele a perseguia.

“Espero que ela esteja bem.” Neville comentou, tendo visto a fuga de Cho.

“Espero que ela nunca mais me beije na bochecha.” Gina disse, exasperada.

“Eu acho que ela é capaz de se cuidar.” Hermione disse, orgulhosa. “Na verdade, estou mais preocupada com Zabini.”

Neville sorriu para ela, e não pôde deixar de devolvê-lo. Gina bufou, não gostando da possibilidade de acrescentar uma outra garota ao trio. Aí seriam quatro.

O momento terminou rapidamente, no entanto, quando Hermione sentiu repentinamente a sensação inconfundível de olhos nela, causando um arrepio na espinha. Ao olhar para o outro lado do corredor, seus olhos encontraram um par de cinza. Draco Malfoy estava olhando para ela, nem se importando com o fato de ele ter sido atingido.

Por que estaria olhando para ela?

Hermione odiava admitir, mas seu olhar penetrante fez seu estômago revirar. Ela não podia deixá-lo pensar que a enervava; então, em vez disso, fez o que costumava fazer nos dias de hoje, e enviou a ele sua carranca mais cheia de ódio antes de desviar o olhar.

Do outro lado do corredor, Harry ouviu Draco suspirar. “E aí?” Perguntou, olhando para o prato quase vazio.

Draco deu de ombros, seu rosto mascarado em uma expressão vazia. “Nada. Nós provavelmente deveríamos ir para a aula, agora.” Disse, pegando sua mochila e saindo da mesa, indo direto para as portas.

Harry ficou surpreso com a partida repentina de seus amigos e seus olhos foram atraídos para a única razão pela qual ele poderia pensar nisso; a Grifinória sentada do outro lado do corredor. Ele não estava esperando muito, mas na verdade ficou surpreso quando a viu observando a saída de Draco, secretamente, sob seus cílios.

Suspirou, olhando-o como nunca olhou antes.

Ela pareceu recuperar a razão um segundo depois, porque se virou rapidamente, parecendo extremamente desajeitada e corando. Harry não pôde evitar o pequeno sorriso que apareceu em seu rosto. Talvez ela não odiasse Draco tanto quanto afirmava.

Porque ela se lembrava dele, coisas boas, presumiu.

 

***

 

Em química naquele dia, Hermione não ficou surpresa quando o assento ao lado dela foi puxado e Wayne Hopkins sentou-se, olhando-a com interesse desenfreado. Ela se acostumou à companhia dos meninos, então não questionou por que estava sentado ao lado dela agora.

“Como está se sentindo, Frufru?” Ele perguntou, depois de um momento.

A cabeça de Hermione virou-se para fazer uma careta, mas ele apenas colocou as mãos em defesa e sorriu.

“Estou brincando, Hermione.” Ele assegurou sinceramente. “Mas sério, como está se sentindo?”

Hermione relaxou um pouco e deu de ombros. “Eu me sinto bem agora, não graças a Nott.” Ela disse, lembrando como ele tinha sido o único a assustá-la.

Wayne pegou seu lápis. “Fiquei bastante surpreso com Nott, na verdade. Eu nunca pensei que ele fosse tão longe. Mas, novamente, eu também nunca pensei que ele fosse gay.”

Hermione olhou para baixo sorrindo. “Sim, é uma grande surpresa.” Ela concordou.

Wayne ficou pensativo por um momento. “Não sei, sempre achei que Nott me odiava demais. Ele provavelmente tem uma queda por mim.” Fez uma careta. Hermione ficou divertida.

“Você não pode estar falando sério, certo?” Perguntou incrédula.

Encolheu os ombros. “Você nunca sabe. Eu sou o melhor.” Ele sorriu para ela. Hermione revirou os olhos em boa natureza.

“Tenho certeza que sim.” Disse divertidamente, antes de voltar ao trabalho. Ela notou pelo canto do olho que Hopkins ainda a estava observando. Ela suspirou antes de se virar para ele.

“O quê?” Ela perguntou. Ele tinha um sorriso torto no rosto. Balançou a cabeça, ainda sorrindo.

“Nada.” Disse, voltando ao seu próprio trabalho.

Hermione sentiu que realmente era mais do que nada, mas não questionou, decidindo que preferia não saber. O olhar no rosto de Wayne Hopkins a deixou um pouco preocupada, e ela achou difícil se concentrar pelo resto da lição.

 

***

 

Oito anos atrás.

“Eu não entendo você, Draco. Como você pode ser amigo de Theodore?”

Harry não estava feliz com isso. Theodore simplesmente sentou em cima de seu coelho de estimação. Um pequeno e indefeso filhote. E ele morreu, era um pequeno bebê inocente.

Harry e Theo brigaram por dias seguidos, um exigindo desculpas e outro não admitindo que errou, Blásio e Draco não podiam escolher um lado. Os garotos eram um quarteto, entende?

“Ele é um psicopata. Você concorda comigo, certo, Draco?”

Draco apenas ficou calado, olhando seu amigo andar ao redor do seu quarto.

A luz entrava pelas janelas, fazendo com que as sombras dançassem na cabeça de ambos. Quando Draco empurrou a uma foto deles quatro no fundamental para as mãos de Harry, ele teve um sobressalto. Não costumava ser tenso e esperava que seu amigo não percebesse.

“Por que ele faria algo tão cruel assim?” Perguntou, segurando a fotografia. Pareciam felizes, unidos. Como uma foto podia mentir.

“Eu sei porquê, mas você tem que jurar que não vai falar nada.” Guardou o retrato novamente na mobília.

“Eu juro.”

Harry cruzou as pernas no chão e ficou esperando a resposta do amigo. Era também uma criança curiosa.

Suas pernas estavam pinicando por ficar no tapete esquisito do novo quarto de Draco durante tanto tempo o esperando falar, e a parte de trás dos seus joelhos suava muito.

Draco olhou para as janelas do quarto enquanto parecia mais pálido que o normal.

“Sabe como a mão de Theo morreu?”

Então Draco falou, logo provocando um pânico que havia se instaurado no estômago de seu amigo.

Meu Deus.

Harry acenou com a cabeça. “Theodore havia me falado que ela tinha se suicidado.”

Arrepios atravessaram o corpo de Harry Potter com as palavras do loiro, aterrorizado.

“Ele também tinha me falado isso.”

“Que horror!” Completou o garoto de óculos.

Ficaram em silêncio. Seus olhos não saíram um do outro conforme a expressão de Draco ficava mais tensa.

“Essa é a história oficial que a polícia contou e o que ele conta. Mas não foi isso... Foi muito pior.”

Harry levantou-se, de pé, trêmulo e enjoado querendo saber sobre Theodore. O que poderia ser pior que suicídio?

“Escutei meu pai conversando com senhor Nott certa vez, sobre o incidente... Ugh, eu não gosto de lembrar disso. É perturbador.” Falou, com os olhos semicerrados.

“Não conte, então.”

Draco suspirou, mordendo o lábio. “Mas ai você não vai entendê-lo.”

“Entender o quê?” Perguntou, insolente. “Não estou entendendo nada.”

“Que Theo é diferente pelo que aconteceu com a mãe...” Puxou seu amigo para perto e sussurrou em seu ouvido. As palavras pareciam perigosas. “Ela tinha fugido de casa, e eu escutei, fiquei um minuto, ou mais esperando continuarem a conversa. Ela levou Theo para algum lugar, se escondendo de um perseguidor.”

“Que perseguir? Por que ela estava sendo perseguida?”

“Não faço ideia.” Continuou a sussurrar, com medo de alguém escutá-los, ficou atento à porta. “Mas ela foi encontrada morta, havia muito sangue e uma arma. Encontraram Theo segurando a arma, no meio do sangue da mãe dele... Nosso amigo matou a própria mãe.”

Harry enrijeceu, seu corpo como uma pedra, engoliu o desconforto na garganta. “Não é possível. Por que ele faria assim? Era a mãe dele!!”

“Shhh! Fica calado. As paredes têm ouvidos.” Draco o repreendeu, aborrecido. “De qualquer maneira, ele só tinha cinco anos e não sabia o que estava fazendo... Foi o que o pai dele disse e eu então sai correndo, pensando no que eu ouvi. Fiquei pensando semanas nisso, nem conseguia dormir.”

Deve ter sido a coisa mais assustadora do mundo, Harry pensou, calado e muito perplexo.

“E ele matou a mãe dele...? Cara, eu não sei o que dizer.”

Ficaram em silêncio por um longo tempo antes de Draco quebrá-lo.

“Já conversei com isso com Theo uma vez e nunca mais toquei no assunto.” Draco disse as palavras com um leve tremor. “Sabe o que ele disse?” Harry negou com a cabeça, mas nem precisava. “Disse que se lembrava de tudo... Sua mãe que havia levado uma arma carregada a um hotel barato. E quando aconteceu, demorou muito tempo para alguém escutar os gritos dele, ele ficou sentado, tentando colocar tudo de volta na cabeça dela. Achava que iria consertá-la.”

Harry levou a mão à boca. Seu suspirou saiu alto e nem conseguiu disfarçar. Precisava se levantar e respirar. Ele fez isso, segurando a boca com força. Iria vomitar, imaginando a cena acontecendo como nos filmes.

Draco se aproximou do amigo, segurando suas mãos e o puxando para a janela. Ele entendia também, pois sua reação foi parecida.

No entanto, o loiro não estava demonstrando nada, em uma máscara estoica e firme.

“Eu acho que é por isso que ele se comporta assim, sabe. Sendo violento.” Draco falou com firmeza nos olhos. “Ele disse que não controla algumas coisas. Fica bravo e perde o controle de suas ações. Ele machucou a Michelle, a irmã do meio... Também faz terapia desde a morte da mãe, e é isso que eu sei.”

“Mas isso não é desculpa pra ter matado meu coelho.” Harry sentiu lágrimas nos olhos. Theodore Nott nunca havia lhe confidenciado nada, e nem se surpreendeu pois não eram tão íntimos como era com Draco, mesmo assim... Harry chorou, demonstrando dor. “Por que ele faria algo assim? Por que ele passou por isso? Por que a mãe dele o levou para longe? Quem era o perseguidor?”

“Eu não sei, Harry. Nem gostaria de entender. É muito... muito assustador. O mais assustador é que Theo está só aceitando a sua parte feia.”


Notas Finais


Então, o que acharam, gatões e gatonas?
Olhe, o título parecia tão engraçado na minha cabeça, pq é verdade, resume bem Draco atualmente.
E olha que os flashbacks são importantes, prestem atenção, hein!
Quem disse que os Marotos são normais? Só Harry é a fada sensata.
Fale o que você pensa agora, eu não mordo okay? Uma força aqui que eu preciso muito que a vida não está fácil.
Compartilhe a fanfic com seus amigos, isso me deixaria muito feliz, pois é minha primeira fanfic de HP.
Até a próxima amores.

Entrem no grupo Cabaré Dramione no wpp rs:
https://chat.whatsapp.com/Hc49YT8C88mCyMvlBt6F4v

Trilha sonora da fanfic; https://open.spotify.com/playlist/6DNvvhfhZgYUSX0ymO5Oty?si=90atMiBXRcq4BcENnKUg9g


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