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História Sonhei Que Amava Você - Dramione - Capítulo 25


Escrita por:


Notas do Autor


Vamos aos avisos muhahahaha.

Todo mundo se beija hoje. Eheeee. Você queria isso, eu sei que sim.
Garotos e garotas são maior de idade nesta fic, okay?
Contém cena de sexo no final.
Boa leitura.

Capítulo 25 - Partes boas e ruins.


Capítulo 25

Partes boas e ruins.

 

Hermione sentou em seu dormitório naquela noite de sábado resmungando para si mesma. A sala estava completamente vazia, devido ao fato de que suas companheiras de dormitório estavam lá embaixo socializando ou em um corredor abandonado, beijando um garoto. Ela assumiu que é o que Lilá Brown estaria fazendo.

As duas garotas passaram o restante da semana trocando uma carranca e, no caso de Lilá, erguendo seu pé para a morena tropeçar. Hermione se esforçou bastante para não se irritar, mas foi salva por Gina, que deu uma rasteira na loira. Escusado será dizer que ver Lilá Brown cair no chão foi satisfatória. Infelizmente, não bastava colocar Hermione de bom humor.

Parecia que em todos os lugares que ela ia na semana passada, Malfoy a estava perseguindo. Ele estava na biblioteca, nos corredores, ele e Harry até a seguiram para fora, nos terrenos, quando já tinha o suficiente deles e tentava obter um pouco de paz. Isso a estava irritando seriamente, e ela estava curiosa sobre o que ele estava planejando.

Ela pensou que, há alguns dias atrás, na biblioteca, ele dissera: “Isso muda tudo”. Mas do que exatamente estava falando e o que havia mudado? Malfoy tem sido estranho ultimamente. Enviava um dos seus olhares sedutores na sala de aula que a fazia corar e derrubar o estojo (isso só fazia ele e Harry rirem de diversão), então nos corredores Malfoy tentara deixá-la sozinha algumas vezes quando passavam um pelo outro. Escusado será dizer que ela correu na outra direção o mais rápido possível.

Esse novo Malfoy era estranho, e isso a deixava nervosa. É por isso que em uma noite de sábado, quando ela normalmente estava na biblioteca ou ficando com Neville e Gina, ela estava escondida em seu dormitório, longe daqueles meninos da Sonserina.

Ela resmungou mais uma vez enquanto se sentava. Estava incrivelmente entediada. Tão entediada que tinha certeza de que poderia enlouquecer. Ela suspirou ao ouvir passos na escada enquanto Lilá Brown entrava no dormitório parecendo um pouco desgrenhada.

“Oh, Hermione, pensei que você estaria na biblioteca hoje à noite.” A loira disse, enquanto se movia em direção a sua cama: “Geralmente é onde você passa a maior parte do tempo. Nariz em um livro.”

Hermione tentou banir a tentação de socar a garota e, em vez disso, deu de ombros. “Eu pensei em passar uma noite aqui. Nem todos nós sentimos a necessidade de beijar meninos aleatórios nas noites de sábado.”

Lilá estreitou os olhos. “Eu não estava beijando um garoto aleatório. Estava beijando meu encontro do baile.” Ela se gabava com orgulho.

“Isso é legal.” Hermione respondeu, desinteressada. Ela se virou para pegar seu lacinho tentando ignorar os olhos de Lilá, amarrando o cabelo em um rabo de cavalo. Depois de um momento, a loira bufou.

“Bem, você não vai perguntar quem é?” Perguntou, impaciente. Hermione apenas balançou a cabeça.

“Pedir implicaria que eu me importo. O que não faço.” Ela sorriu docemente para a garota antes de se levantar e recolher suas coisas. Tinha a sensação de que a biblioteca estaria relativamente vazia, ou pelo menos esperava. De qualquer maneira, era melhor do que ouvir Lilá Brown.

“Bem, eu vou te dizer de qualquer maneira.” Lilá começou, presunçosa. “Só para você não ficar desapontada quando ouvir todo mundo falando sobre isso.”

Se lembram da briga de Hermione e Rony? O que poderia ser dias difíceis e cheios de piadas, nem tiveram a oportunidade de começar. Aparentemente, ninguém acreditava que Hermione fosse no Baile de Verão com Harry Potter, então os rumores meio que desapareceram. Eis a visão da escola: Hermione Pobretona Granger nunca seria par de alguém rico como Harry.

Além do mais, Hermione tem evitado Rony, o que foi fácil já que o garoto tinha seu grupo de amigos irritantes.

Hermione resmungou com a preocupação falsa de Lilá enquanto levantava a mochila por cima do ombro, tentando ignorar a garota atrás dela.

“É Wayne Hopkins.” Lilá explodiu depois de um momento, obviamente percebendo que Hermione estava prestes a sair sem comentar: “Ele me perguntou hoje. Eu não te disse que você deveria se concentrar mais na sua aparência? Talvez ele tenha perguntado a você antes.”

Hermione se virou para encontrar Lilá sorrindo para ela. Sentiu uma onda de raiva, e a extrema tentação de juntar todos os itens da bolsa e brincar de arremesso ao alvo na cara dessa chata.

Hermione, no entanto, já estava ciente de que não iria com Hopkins; de fato, apenas dois dias atrás, ele teve coragem de perguntar a ela, para o qual a mesma disse que já havia um par. Ele parecia desapontado, mas se animou um pouco quando ela prometeu uma dança. Ela chegou a sugerir que ele perguntasse a Lilá, já que a mesma parecia muito interessada nele. Hermione estava arrependida daquele ato altruísta agora, especialmente considerando o olhar presunçoso no rosto de Lilá.

“Bem, estou lisonjeada por você prestar tanta atenção à minha aparência, Lilá.” Hermione disse o mais docemente possível. “Mas eu já tenho um par para o baile.”

Lilá revirou os olhos e deu uma risada um tanto sem graça. Hermione levantou uma sobrancelha para isso.

“Com quem você vai? Neville?” Lilá perguntou, rindo divertida. Os olhos de Hermione se estreitaram ameaçadoramente e mudou a bolsa no ombro, resistindo à vontade de balançá-la na cabeça da menina.

“Eu queria ir com Neville, mas infelizmente ele já tem um par, ele está indo com uma amiga dele, Luna Lovegood.” Lilá bufou novamente com isso e murmurou algo ininteligível: “Então, eu vou com Harry Potter.”

De repente, a sala ficou em silêncio quando a risada de Lilá parou abruptamente. Ela olhou para Hermione de olhos arregalados por um momento, antes de estreitar os olhos. “Isso de novo? Você está mentindo. Sério, Hermione, se você vai inventar coisas, pelo menos faça com que seja possível.” Ela balançou a cabeça e se virou para inspecionar as unhas.

Hermione apenas deu de ombros. “Você verá se eu estou mentindo em breve, Lilá.” Murmurou quando saiu pela porta do dormitório.

Ela não gostava de se gabar de ir ao baile com Harry Potter, porque com toda a honestidade preferia ir com Neville. Ela sabia que iria se divertir; não podia negar, no entanto, que o olhar no rosto de Lilá Brown ao entrar no baile tomada com o braço de Harry seria inestimável.

Ela saiu do Salão Comunal com um sorriso satisfeito enquanto se dirigia para a biblioteca, verificando cuidadosamente cada esquina e examinando todos os corredores enquanto tentava evitar um certo sonserino ou dois.

 

***

 

Na sala comunal da Sonserina, Harry estava sentado no sofá ao redor da lareira com Draco, Nott e Zabini. Os dois últimos do grupo foram presos em abraços íntimos com duas alunas não tão atraentes. Harry compartilhou um olhar de nojo com Draco, e silenciosamente os dois se levantaram e saíram do lugar.

“Eu não vou poder comer por uma semana agora.” Harry murmurou, enquanto eles caminhavam pelas escadas para o hall de entrada. Draco assentiu em concordância, uma expressão de nojo ainda enfeitando suas feições.

“Eu sei. Estou um pouco decepcionado. Pensei com certeza que nunca mais transariam.” Ele fez beicinho.

Harry sorriu com expressão de irritação do amigo: “Não se preocupe, cara, são apenas as garotas desesperadas.”

Isso pareceu animar Draco um pouco.

Eles fizeram o seu caminho para o hall de entrada, que estava completamente vazio. Harry bufou, enfiando as mãos nos bolsos e chutando o chão.

“Estou muito entediado.” Murmurou depois de um momento. “Estava pensando da gente jogar videogame na Torre de Astronomia ou algo assim.”

Ele olhou para cima e viu que Draco não estava ouvindo nada dele e estava encarando a parede pensando profundamente. Harry balançou a cabeça em descrença

“O que você acha que Mione está fazendo?” Draco perguntou, voltando a olhar para o amigo. Harry revirou os olhos; não ficou surpreso com a direção que essa conversa estava seguindo.

“Eu não sei, Romeu.” Harry respondeu o mais pacientemente possível. “Ela provavelmente está se escondendo de você.”

Draco franziu a testa, parecendo um pouco ofendido. “Por que ela faria isso?”

Harry lançou-lhe um olhar fulminante. “Nossa, eu não sei.” Começou sarcasticamente. “Você a seguiu, tentando flertar com ela, tentando pegá-la sozinha. Suponho que ela esteja se escondendo no caso de tentar encurralá-la novamente.”

Draco sorriu. “Ela age como se quisesse que eu parasse, mas na verdade não quer.”

Harry beliscou a ponta do nariz e suspirou cansado. “Se você diz.”

Draco estava falando sobre maneiras de deixar Hermione sozinha há dias. Harry ficou surpreso por não ter perdido a paciência e chutado a cara do seu melhor amigo. Estava realmente começando a irritar.

“Então, vamos encontrá-la?” Draco perguntou depois de um momento, indo em direção às escadas. Harry balançou a cabeça.

“Você pode procurá-la.” Disse, desviando de Draco. “Eu tenho coisas melhores para fazer do que te ver flertar a noite toda.”

Draco deu de ombros, embora parecesse um pouco curioso. “Tudo bem. Alguma ajuda você pode dar. Onde você acha que ela está?”

Harry balançou a cabeça, um olhar incrédulo no rosto. Draco era o único que estava praticamente a perseguindo, mas ele tinha que perguntar-lhe onde ela estava?

“Bem, é sobre Granger que estamos falando.” Lembrou o amigo. “Se ela estiver fora da sala comunal da Grifinória, provavelmente estará na biblioteca.”

Draco assentiu, parecendo pensativo. “Tudo bem.” Ele disse depois de um momento. “Mas para onde você está indo?”

Harry sorriu. “Não importa.”

Eles subiram as escadas juntos e se separaram na biblioteca. Harry deixou Draco olhando curiosamente para ele, sem dúvida imaginando o que estava fazendo. Harry, no entanto, não estava disposto a dizer nada a Draco e continuou subindo as escadas em direção ao seu destino.

 

***

 

Hermione nunca tinha levado tanto tempo para chegar à biblioteca antes. Estava se esquivando em cada esquina ao som de passos, apenas para suspirar de alívio ao ver que não eram as pessoas que estava evitando com tanto cuidado. Não pôde deixar de pensar que se parecia com algum tipo de James Bond, se esquivando e se esgueirando. Ela quase se sentiu um pouco envergonhada com seu comportamento, até ver Harry subindo as escadas.

Ela mergulhou em uma alcova escura e viu quando ele passou, agradecendo a Deus por seu comportamento excessivamente paranoico. Ela só se perguntou onde estava a outra metade do par. Olhando em volta, ela não viu nenhum sinal do incômodo de cabelos platinados em nenhum algum. Só podia supor que isso significava que ele passava a noite nas masmorras, já que ele e Harry raramente não iam a algum lugar sem o outro.

Eram grudados demais. Eles poderiam ser mais que amigos? Ela riu do pensamento.

Suspirou interiormente de alívio; talvez conseguisse fazer algum trabalho hoje à noite, afinal, sem ele a distrair. Quase riu de si mesma por ser tão neurótica.

Ela observou atentamente Harry desaparecer de vista e continuar a descer as escadas de uma maneira mais normal, sentindo que provavelmente não encontraria alguém que não queria ver.

Deu um suspiro de alívio ao entrar alegremente nas portas da biblioteca. Este era o seu refúgio; o lugar onde perdeu o contato com a realidade e deixou todos os seus problemas. Deixou o cheiro de folha nova acalmá-la enquanto caminhava para seu assento. Ironicamente, foi o assento que se se sentou perto de Harry todas aquelas semanas atrás. Pelo menos sabia que ele não estava lá agora.

Infelizmente, isso não significava que o espaço estava desocupado. Ao dobrar a esquina, viu fios de cabelos prateados inconfundíveis que automaticamente aumentavam sua frequência cardíaca. Ela resistiu ao desejo de xingar e, em vez disso, deslizou para trás de uma prateleira próxima, rezando para que ele não a tivesse ouvido.

Espreitando através de uma lacuna na prateleira, o viu olhar para cima do livro em que estava absorvido e olhar em volta com uma expressão esperançosa, apenas para afundar um pouco na cadeira quando não viu ninguém. Ele voltou sua atenção para seu livro, e Hermione ficou distraída por um momento com o quão diferente ele parecia.

Sua boca, que normalmente exibia um sorriso arrogante, relaxou em uma pequena linha. Embora notasse que a língua dele deslizava para fora e molhava os lábios de vez em quando. Ela tentou não se concentrar muito nisso, pois sentiu um pequeno rubor surgir em seu rosto. Voltou seu foco para o resto do rosto dele. Seus olhos estavam encarando atentamente a página que estava lendo, e Hermione não pôde deixar de perceber que já tinha visto aquele olhar em seu rosto antes. Quando ele estava olhando para ela. Esse pensamento enviou uma sensação estranha através de seu estômago.

Suas sobrancelhas estavam franzidas levemente em concentração, e seus braços estavam cruzados na frente dele, com uma mão segurando o livro ligeiramente aberto. Hermione não pôde deixar de notar que seu toque no livro parecia gentil, quase como se ele estivesse com medo de danificá-lo. Ela se perguntou se ele seria assim se a tocasse.

Uau. É sério, Hermione? Está louca.

Respirou fundo e se afastou do adolescente, apoiando as costas na prateleira e tentando firmar o coração. De onde isso veio? Ela deveria odiá-lo. Estava determinada a odiá-lo. O único problema era que estava começando a odiá-lo muito menos ultimamente.

Ela amaldiçoou interiormente. Cho estava certa. Uma vez que a ideia de gostar de Malfoy foi plantada em sua cabeça, estava prestes a acontecer. A estúpida semente da dúvida, ou mais apropriadamente, da atração, já havia sido plantada e já estava crescendo. Firmemente também, pelo que parece.

Sabia no dia em que ele a beijou que ela estava praticamente condenada, sem exagerar nem nada. Ninguém se recupera de um beijo como esse sem alguma forma de trauma.

O que Neville diria se soubesse? O que Cho diria? Ela provavelmente sugeriria que ela fosse ao St. Mungos para uma avaliação de saúde mental.

Hermione se virou e espiou pela abertura na prateleira. Draco ainda estava sentado lendo calmamente, e nunca se sentiu mais confusa, idiota e envergonhada em sua vida. Ela deveria ser forte, não uma vítima fraca que desmaia assim que o objeto de seu ódio mostra alguma decência em relação a ela.

“Merda.” Murmurou baixinho para si mesma. Provavelmente era isso que ele queria o tempo todo. Ele provavelmente estava tentando mandá-la para a o hospital de loucos com seus jogos mentais. Só esperava não ter ido muito longe com sua atração.

Não se distraía mais em Hopkins desde que estava claramente beijando sua colega de quarto. Agora ela não tinha ninguém em quem pensar ou se concentrar, a não ser o garoto etéreo na mesa, a poucos metros de distância.

Teria também Rony, mas ela não sentia nada por ele. E ela também não voltou a falar com ele.

Ela só percebeu agora que todas aquelas horas que passava pensando em quanto odiava Malfoy, em quanto gostaria de tirar o sorriso arrogante do rosto dele, em quanto desejava que simplesmente desaparecesse, estavam apenas ajudando a plantar sua presença em sua vida mais do que nunca. Agora ela estava preocupada que não seria capaz de tirá-lo. Porque ela não tinha certeza de que queria mais. Ela gostava dele.

Ainda. Depois de todo esse tempo?

“Idiota.” Ela murmurou para si mesma. “Você é uma idiota, Hermione. Você deveria ser inteligente.”

Infelizmente para Hermione, perceberia que esse cérebro e inteligência não têm controle sobre o coração.

“Dracooooo! Draco!”

Hermione se encolheu com a voz inconfundível e estridente de Pansy Parkinson que ecoou pela biblioteca. Olhou através da abertura na prateleira e viu Draco pular com o som. Ele ficou em pé, xingando baixinho e pegou o livro da mesa.

“Draco! Você está aqui?” Pansy chamou de novo, desta vez mais perto. Draco olhou em volta, alarmado.

“Porra.” Ela o ouviu grunhir para si mesmo, enquanto se movia em direção à pilha de prateleiras que Hermione estava escondida atrás. Seu coração começou a acelerar quando ela percebeu que ele a encontraria quando se escondesse lá. Deslizou para trás de outra prateleira e depois de outra, até ter certeza de que o havia perdido.

Porém, ela não teve tempo de escapar quando um corpo duro correu pela prateleira e bateu nela, fazendo-a cair no chão de pedra nas costas.

“Porra.” Ele murmurou novamente, antes de olhar para baixo. Draco pareceu congelar no local quando percebeu quem era, antes que seus lábios se transformassem em um pequeno sorriso. “Então você está aqui.”

Hermione zombou enquanto se levantava, se limpando.

“Boa observação.” Murmurou secamente, tentando ignorar o modo como seu coração estava disparado. Tentou agir casual quando se virou para examinar as prateleiras. Não seria bom se ele soubesse o efeito que sua mera presença agora tinha nela.

Draaacoooo!” A voz de Pansy chamou, muito mais perto desta vez. Ao lado de Hermione, Draco congelou novamente.

“Você não vai lá e cumprimentar sua namorada?” Hermione perguntou secamente, enquanto se movia pela prateleira. Ela não podia negar que também estava um pouco amarga. Mas apenas um pouco, se convenceu.

Ela o ouviu zombar. “Não seja nojenta, Granger.” Ele sussurrou, antes de espreitar pela prateleira, obviamente vendo se tinha que tinha jeito de escapar.

Os dois ouviram passos por perto e a voz irritada de Madame Pince repreendendo Pansy por gritar tão alto em um lugar onde as pessoas estavam tentando se concentrar. Ouviu Draco dar um suspiro de alívio quando os protestos de Pansy ficaram mais distantes, quando ela foi expulsa da biblioteca.

Hermione tentou ignorar o fato de que agora estava completamente sozinha com Draco em uma área muito isolada e escura. O menino estava tão perto que podia sentir o calor da respiração dele em sua pele.

“Há quanto tempo você está aqui?” O loiro perguntou, ela ouviu seus passos seguindo atrás dela enquanto tentava se afastar da sensação.

“Não muito tempo.” Mentiu. Não podia dizer exatamente o que realmente estava fazendo o tempo todo, poderia?

“O que você está procurando?” Perguntou depois de outro momento de silêncio.

“Um livro.” Ela afirmou vagamente. Ele riu. Ficou surpresa com a proximidade do ouvido. Virou a cabeça um pouco para descobrir que ele estava parado muito perto dela. Perto demais.

“Um livro sobre o que?” Ele perguntou, sua voz cheia de diversão.

Hermione suspirou aborrecida ao questionar incessantemente: “Um livro chamado: Não é Da Sua Conta, autor Cuide da Sua Vida.” Tentava se afastar o mais sutilmente possível, sentindo-se perturbada com a proximidade.

“Não seja assim.” Draco disse, suavemente, embora a morena ainda pudesse ouvir a diversão em sua voz. “Só estou curioso.”

“Não.” Ela replicou. “Você está apenas sendo um pé no saco, como você tem feito nos últimos dias. Eu não sei que jogo é esse, mas eu realmente gostaria que você parasse e me deixasse em paz.”

Hermione Granger não sabia o quanto disso era verdade.

“Você não quis dizer isso.” Draco disse depois de um momento, quase lendo seus pensamentos. Sua voz havia perdido sua qualidade divertida.

“Você não saberia o que eu quero dizer.” Ela murmurou, seu dedo traçando os títulos dos livros. “Você só reconheceu que existo nas últimas duas semanas.”

Era verdade, até agora não havia como você pegar Malfoy conversando com ela, exceto se fosse uma enxurrada de insultos.

“Eu sabia que você existia antes disso. Desde que eu tinha dez anos. Observava você lendo, sentada perto de uma árvore e olhando outras crianças brincando. Indo embora, puxando aquele carrinho velho de mão com dez livros grossos e velhos que você nem conseguiria carregar.” Malfoy argumentou de volta. Hermione lhe lançou um olhar ameaçador antes de suspirar e se virar para ele completamente. Ele se levantou e pareceu mais atento, vendo que tinha toda a atenção dela.

“Por que você está fazendo isso?” Granger perguntou, perdendo a paciência. Pode ser divertido para Malfoy, mas não era para ela. Estava cansada de ser o alvo de suas piadas, especialmente considerando o fato de que quanto mais ele estava perto dela, mais ela se odiava por não o odiar tanto.

Draco parecia genuinamente confuso. “Fazendo o quê?”

Ela riu tristemente antes de apontar entre eles. “Isso. De falar do nosso passado para me magoar. Por que eu? Não há outra pessoa com quem você possa tirar sarro se é tão divertido? Certamente você pode encontrar alguém para mexer? Eu mal reajo mais.”

Draco cruzou os braços e levantou uma sobrancelha. “O que faz você pensar que estou brincando com você?”

Hermione suspirou e balançou a cabeça.

“Porque você está brincando comigo desde o momento em que entrei para essa escola. Pode ter se tornado inofensivo, o que pode ser apenas porque você cresceu e amadureceu um pouco, mas ainda é ridículo. O beijo, o flerte inesperado, os pequenos comentários maliciosos, eles não são engraçados! Por que você se incomodaria?” Terminou calorosamente, os braços agitando um pouco.

Draco a estava observando com uma expressão divertida e um pequeno sorriso no rosto. “Essa é uma boa pergunta, Granger. Quando você encontrar a resposta, entenderá.”

Hermione o olhou aborrecida por um momento, antes de jogar as mãos para cima em derrota. “Estou tão perto.” Disse depois de um momento, erguendo a mão com um espaço de um centímetro entre o polegar e o indicador. “Tão perto de lhe dar um soco na cara.”

Draco levantou uma sobrancelha novamente: “Você não faria isso.”

Hermione zombou. “E por que não? Eu já dei um tapa e um chute.” Falou arrogantemente, rindo um pouco, cruzando os braços.

“Porque.” Ele começou em um sussurro, inclinando-se um pouco para a frente, como se a estivesse deixando contar um segredo. “No fundo da parte de sua cabeça, cheia de noções nas quais você nunca pensou duas vezes, a parte de seu cérebro que esmaga todas as ideias que não se encaixam na sua vida perfeitamente ordenada, você sabe que sente algo por mim.”

Draco se inclinou para trás, parecendo convencido, enquanto Hermione o encarava com os olhos arregalados.

“Você está sem palavras porque sabe que estou certo.” Comentou depois de um momento de silêncio. Isso a levou de volta à realidade e fez uma careta.

“Não, você é apenas uma ilusão. Mesmo que eu gostasse de você na infância – o que eu não faço agora.” Ela acrescentou apressadamente quando ele abriu a boca para falar. “O que seria isso, de nós? Para você se divertir por um tempo ou algo assim? Há muitas garotas que furam os olhos uma da outra para pegá-lo, e você está aqui me irritando, a garota que você deveria odiar, e provou que odiava. Isso não parece um pouco estranho para você?”

Draco pareceu pensativo por um momento. “Não parece nada estranho, na verdade.” Comentou suavemente, examinando a prateleira à sua frente.

Hermione suspirou. “Sim, é verdade. Ou você é um psicopata que apenas gosta de me causar dor e desconforto, ou você é gay e está intencionalmente indo para garotas que estão emocionalmente indisponíveis.”

Hermione quase riu com o olhar de horror que cruzou o rosto de Draco. “Eu definitivamente não sou gay!! Beijei você, não foi?”

“Porque eu estou emocionalmente indisponível para você.” Ela explicou, sorrindo abertamente, gostando do desconforto dele.

“Espere, o que você quer dizer com isso?” Perguntou, parecendo genuinamente curioso e um pouco irritado.

“Bem, todas essas garotas se jogam em você, elas o pegam em um segundo se você deixar.” Ela disse, pegando um livro aleatório da prateleira e folheando-o: “Eu, por outro lado, desprezo toda a sua existência. Talvez você esteja negando sua sexualidade e não queira admitir quem é você, então você assedia uma garota que você nunca terá, então você pode explicar isso como mera negação de tudo que aponta que você é muito gay.”

Ela se virou para encontrá-lo olhando com uma expressão enojada. “Eu não sou gay, Granger.”

Ela riu. Sabia que ele não era gay, Draco tinha mais garotas do que metade dos garotos da escola, mas de alguma forma gostava de ver a expressão torturada em seu rosto. Era como vingança.

Hermione apenas deu de ombros. “Você parecia muito satisfeito com o rumor de Nott e Zabini, não é? Você quer se revelar também?”

Draco zombou. “Eles não são realmente gays, Granger, era apenas uma brincadeira que eu-”

Ele parou no meio da frase, olhando-a alarmado. Hermione se virou para encará-lo completamente, uma sobrancelha levantada em interesse.

“E como você saberia disso?” Ela perguntou, um sorriso travesso crescendo em seu rosto. Malfoy limpou a garganta, olhando para qualquer lugar, menos para ela.

“Acabei de ouvir por aí.” Draco disse simplesmente, dando de ombros. Não havia como confundir a culpa que atravessou seu rosto, no entanto.

Hermione começou a rir, não apenas pelo desconforto dele, mas pela própria ação. Malfoy tinha feito isso com seus amigos? Era demais, mas o pensamento a deixava muito divertida. Odiava mais aqueles dois garotos que odiava Malfoy. Hermione pensou que era muito divertido depois do que eles fizeram com ela. Só se perguntou por que Draco fez isso. Ela fez uma anotação mental para perguntar a Harry sobre isso em algum momento.

Ela se recuperou do riso momentos depois e enxugou uma lágrima de alegria dos olhos. Olhando para Draco, ela o viu encarando-a com olhos cintilantes; os lábios dele se curvaram levemente, de um jeito que quase parecia um sorriso.

“O quê?” Hermione perguntou de repente, autoconsciente. Ele apenas balançou a cabeça em resposta, antes de desviar o olhar, embora o pequeno sorriso de seus lábios nunca tenha falhado.

“Fazia tempo que não te via rir assim. Feliz. Seu riso costumava me contagiar... Ah, eu, eu, quero dizer, então, você vai me denunciar?” Perguntou depois de um momento, quebrando o silêncio e ficando corado.

Ela ignorou o comentário dele. Tinha que ignorar.

“Como se eu fosse fazer isso, no que me diz respeito, esses idiotas mereciam coisa pior.”

“Eles mereciam muito pior.” Draco concordou, seus olhos escurecendo um pouco.

O interesse de Hermione foi despertado. “O que eles fizeram com você para fazer você ir tão longe assim? Você que aprontou toda aquela cena?”

“Não fizeram nada. E sim, eu preparei para que as maiores fofoqueiras os vissem. Foi só nojento tirar as roupas deles.” Ele disse rapidamente. “Então, onde estávamos? Oh, certo, acho que você estava prestes a admitir que gosta de mim.”

Hermione fez uma careta, sentindo um leve rubor nas bochechas. Como se fosse admitir! “Você realmente é um idiota arrogante. Não mudou muito desde a infância.”

“Isso não é um não.” Draco disse, sorrindo. Quase surpreendeu Hermione como ele poderia ser normal e quase agradável a um idiota arrogante e pomposo no espaço de alguns segundos. Mas ele já tinha sido isso, sete anos atrás.

O Riquinho.

“Desculpe.” Disse, afastando-se dele. “Prefiro meus homens heterossexuais. E eu torço muito para Drarry acontecer.”

“Drarry?” Perguntou, sem entender.

“Juntando seu nome com o de Harry. Temos Drarry... Ah, qual é! Vocês são o melhor casal! Um nunca é visto sem o outro. Não vai admitir que é super estranho você não ficar sem ele um único segundo? Parece dependente.”

Ela o ouviu rosnar de aborrecimento e sorriu. Pelo menos sabia uma maneira de irritá-lo, em comparação com as muitas maneiras que ele tinha contra ela.

Antes que soubesse o que estava acontecendo, sentiu que ele a segurava pelos braços e a girava.

Hermione sentiu seu coração batendo sob a pele. 

“O que-?”

“Eu não gosto de Harry desse jeito.”

Seu olhar era assassino.

Ela riu. “Sério? Está bravo por causa do que falei?”

“Quer saber? Está na hora de conversar.”

“E se eu não quiser?” Ela retrucou.

Mas ele ignorou.

“Quando você foi embora, sem ao menos dizer adeus, eu só tive o Harry. Só esse garoto e não havia mais ninguém comigo. Ele é a pessoa mais fiel que conheci na minha vida, ao contrário de você que não valoriza a amizade!”

Hermione sacudiu a cabeça, com a mente ainda não processando.

“Como assim?” Tentou se desvencilhar.

Um aperto no outro braço, puxando-a.

“Solte-me!” Ela disse, a raiva ultrapassando.

Seus frios olhos cinza estavam queimando de raiva. “Eu pensei que sempre podia contar com você, mas acabou que você foi... você prometeu que nunca...” Não conseguiu falar, em vez disso, seu corpo tremeu. Seu rosto se contorceu em uma carranca.

Ela ficou boquiaberta, respirando com dificuldade. Ele tinha os dentes à mostra. Hermione arrancou o braço do aperto dele.

Qual era o problema dele?

“Eu vou gritar se você fizer algo!”

“Você é uma vadia mentirosa e cruel.”

Ela bufou e foi andando embora, mas ele a puxou de volta pelo cotovelo. Hermione tropeçou e tentou pisar no calcanhar dele. Draco grunhiu e agarrou seus ombros, empurrando-a até encontrar uma parede, seu rosto rosnando para ela.

Hermione sentiu seu hálito e isso a fez arrepiar.

“Talvez você não tenha me ouvido, Granger! Eu tenho coisas para te falar.”

“Oh, eu ouvi você, seu idiota!” Hermione tentou sacudi-lo, mas seus dedos cravaram em seus ombros. “Eu sou uma vadia mentirosa e cruel. Muito obrigada!”

“Mas por que você foi embora sem dizer nada? Pensei que fossemos amigos!” Ele sussurrou a pergunta, sério.

A boca dela se abriu. “Eu tinha onze anos e-”

“Nos passamos por tantas coisas.” Interrompeu, e ele parecia estar com dor, pois suas feições bonitas estavam contorcidas.

Isso a calou. E o escutou.

“Na época que você me conheceu, eu me sentia... vazio, um oco no estômago que nada preenchia... tudo estava obscuro para mim. No viver. Num mundo monocromático.”

Seus olhos claros estiveram cheios de palavras não ditas, mas depois se encheram de outra coisa. Hermione tentou fica longe, tentou ir embora, mas o garoto estava tremendo tanto que ela não conseguia fazer nada. Nunca o viu assim. Parecendo vulnerável.

Draco ficou o tempo todo olhando-a fixamente no rosto, e ela aqueles olhos cinzas com cílios longos.

“Eu apenas escapava da minha realidade e tentava sentir alguma coisa em estar respirando... Eu já me machuquei querendo sentir alguma coisa, você sabe... Eu desejava sentir coisas boas de novo...” Fez uma pausa e engoliu. Sussurrou novamente. “Então sem nem mesmo saber, encontrei alguém que me ajudou. Que iluminou todos os espaços com cores mais vívidas que nunca imaginei conhecer. Com cores verdadeiras.”

Draco ofegou, pareceu adquirir forças de alguma coisa para continuar, pois sua expressão dizia que ele não conseguiria.

“Granger, você é uma aventureira, exploradora, sei lá. Era tudo que queria ser na infância. Crianças podiam ser qualquer coisa com a imaginação. Dizia que havia beleza em todas as partes – inclusive em lugares nada extraordinários, e foi como sua avó te ensinou. E fez essa beleza aparecer para mim também, pois eu a enxerguei. Com você.”

Os ombros dela começaram a tremer, lágrimas enormes e cheias de mágoa escorreram pelas bochechas. Hermione não conseguia respirar, estava emocionada com as palavras dele. Sempre soubera que ele tinha problemas em casa.

É um jogo para ele, é tudo um jogo.

Calma. Hermione pensou, parada e sem falar, deixe ele falar.

Draco estava se abrindo. E isso partiu seu coração.

“Comecei a voltar a sentir. Eu fui atrás de você por curiosidade, mas curiosidade se tornou admiração, e isso... isso me fez ficar preocupado em como eu iria viver minha vida. Com o que fiz comigo mesmo... Eu só tinha dez anos e nunca pensei em encontrar alguém que enxergasse as coisas como você.”

Lembrou-se de mostrar a ele seu mundo, mas não viu algo mais importante. O próprio Draco. Não viu que ele estava sofrendo. Em vez de perguntar: Por que você vive fugindo de sua casa? Hermione apenas aceitou que era somente ela o motivo, mas nunca foi somente a garota. Havia muito mais.  

E uma parte dela queria conhecer. Saber sua história completa.

Serem amigos novamente.

Mas para isso precisava perdoá-lo, conhecê-lo, aceitar tudo o que ele fez com ela, mas como poderia? Como? Por que deveria?

 “Você me fez ver o que eu perderia se não vivesse, me fez ter sonhos tranquilos. Você me ensinou que uma simples caminhada no campo, esconde-esconde e nadar em um lago era sim uma aventura. Que não precisasse ter tanta pressa para crescer, porque tínhamos muito para descobrir a cada dia... Mione, a zeladora do parque infantil que usava roupas de menino, me ensinou muitas coisas.”

Ela fungou, tentando limpar o pranto vergonhoso.

“Mas o que significou tudo isso para você? Pensei que te conhecia bem o suficiente, e eu senti isso sempre que estávamos juntos, mas pensar que você simplesmente fugiria da cidade e me esqueceria? Isso é a pior coisa. Você nem me reconheceu quando eu te vi em Hogwarts, quando eu passava muito tempo pensando em você!!”

Ela se afastou, e viu olhos vermelhos de Draco. Nunca o viu tão triste. Ela nunca sentiu nada como estava se sentindo agora.

Hermione lutou para respirar, observando os olhos dele queimarem nela. “Eu não te esqueci, não sei do que está você está falando!”

Ela sabia.

“Acontece que eu me importava se você ia ficar ou não!” Draco rosnou, sacudindo seus ombros. “Era minha melhor amiga. E você só... foi embora. Quando eu percebi quem você era, eu queria te machucar, porque você me machucou primeiro. Tive minha vingança.”

Ela ofegou, o corpo endurecendo. A respiração dele ofegou sobre o rosto dela. Hermione podia sentir a raiva borbulhando dentro dela, girando baixo em seu estômago. Mais dois batimentos cardíacos, e explodiu. Ela arrancou as mãos dele dos ombros.

“E o que sua vingança conseguiu, Malfoy?” Ela empurrou o peito dele, mas ele não balançou. “Foi tudo o que você esperava e mais? Está feliz? Se sente realizado consigo mesmo?”

Hermione o empurrou novamente e suas mãos se levantaram, agarrando seus pulsos e empurrando-os contra a parede ao lado de seu rosto. Ele entrou nela.

Não. Não estou nada feliz, e faz muito tempo que esqueci o sentimento-”

“Saia de cima de mim!”

“Harry foi o único que se importou-”

“Seu idiota-”

“Eu fui o único que ficou para trás e você falava que eu tinha a merda do seu coração e tudo mais-”

“Você não tem código moral, Malfoy!”

“Eu fiquei esperando você por anos em frente do parque e você nunca apareceu! É uma tortura te ver aqui todos os dias.”

“Peço desculpas por ter ido embora, ok?! Se tem sido uma tortura me ter aqui, então por que você se importa agora? O que você quer de mim?”

Sua mandíbula caiu para baixo, como se estivesse prestes a responder. Hermione esperou, ofegando severamente, as costelas se expandindo em seu peito. Quando nenhuma resposta veio, olhou para cima, encontrando o olhar em sua boca, seus lábios separados.

Seu estômago revirou e seu coração bateu forte.

Ele piscou uma vez, os olhos clareando quando se fixaram nos dela, parecendo que ele tinha esquecido o que os dois estavam falando.

Mas Draco não deu um passo atrás.

Hermione olhou para a boca dele, esperando descontroladamente, inexplicavelmente.

Com apenas o menor movimento, ela ergueu o queixo e observou os olhos dele caírem nos lábios dela novamente. O ar dela a deixou em um sopro, e ele a respirou, como se finalmente tivesse encontrado a superfície depois de anos debaixo d’água.

A boca dele se inclinou para baixo e, com uma piscada final nos olhos dela, pressionou a boca na dela suavemente, como se um deles pudesse quebrar a qualquer momento. Ela empurrou os lábios para trás, ouvindo o batimento cardíaco em seus ouvidos.

E como uma onda lenta e crescente, cada vez maior e mais perigosa, ele a beijou – seus lábios se fechando sobre os dela, seu peito empurrando para frente até que ele a cercava, sua boca abrindo quando os lábios dela se separaram e sua língua pressionando para frente como se estivessem fazendo isso por meses.

Foi um beijo molhado, pois ela esteve chorando. Mas nenhum dos dois se importou com isso. Na verdade, nada no mundo importava naquele momento, apenas existia Mione e Draco. Como sempre existiu, como sempre deveria ser.

Hermione suspirou em sua boca, e seus quadris rolaram para frente, prendendo-a na parede. Ela girou os pulsos em suas mãos, desejando tocá-lo, mas seus dedos só se apertaram.

Draco inclinou a cabeça para o lado e a boca a devorou, arrastando-a para baixo. Seus lábios eram rápidos e inteligentes e sua língua era talentosa.

Sua cabeça estava girando antes que ela percebesse que o joelho dele estava arrancando o dela, deslizando entre as coxas.

Assim como ela o viu fazer com Astória nos corredores. Mas ela não se importou. Nada importava, exceto senti-lo.

Hermione ofegou, tonta de desejo quando o corpo dele pressionou contra ela, sua coxa empurrando para frente para estar mais perto dela, deslizando cada vez mais alto para pressionar contra seu núcleo. Draco fez isso algumas vezes antes dele gemer profundamente.

Quando ela gemeu contra os lábios dele, seus dedos cravaram em seus pulsos e sua boca ofegou na dela, seu quadril se afastou um pouco, mas voltava, uma tortura lenta. 

Hermione gemeu com a realização, e os dedos dele cavaram no rabo de cavalo dela, decidiu inclinar a cabeça para que Draco pudesse prová-la.

“Peça para eu parar.” Ele sussurrou rapidamente, mas nenhuma resposta veio, então ele prosseguiu, beijando-a novamente.

Hermione fechou os olhos, balançando nele enquanto o garoto atacava sua boca, ofegando por ar. Os dedos dele ainda estavam tão apertados no pulso dela e a mão esquerda dela estava presa entre no peito dele. Hermione enrolou os dedos na camisa dele e Draco ofegou. Hermione tentou perseguir a boca dele, deixando sua língua prová-lo.

Draco estava tão perto dela, esmagando-a. Sua mão ainda estava presa em seus cabelos, tentando tirar seu lacinho, ele puxou a cabeça dela gentilmente, levando-a para trás. E finalmente conseguiu deixar os cabelos indomáveis soltos.

Sua boca deixou a dela brevemente e Hermione quase abriu os olhos para perguntar alguma coisa que logo esqueceu, mas Draco soltou um suspiro, a garganta estalando ao redor do ar, antes de se prender a ela novamente. Draco beijou o lado da boca dela, movendo os lábios em pequenos movimentos. 

Ele mordeu seu lábio, uma dor ardente. O loiro rapidamente se afastou. A morena pressionou a língua contra a mordida saliente. 

“Fala pra eu parar, Granger.”

E ela não respondeu, porque não queria.

Hermione estava queimando. As costas dela atingiram com força a parede de pedra e o corpo dele pressionou o dela com mais rudeza. Ele era sólido e quente.

O corpo dela sussurrava: Draco, Draco, Draco.

E o próprio Draco estava atacando a boca dela novamente e fazendo os sons mais deliciosos do mundo. Ela o sentiu pegar a mão no peito e colocar as duas mãos sob a cabeça dela, as mãos dele suavizaram as dela, porém, impedindo-as de se moverem. Hermione queria movê-las. Queria tocá-lo em qualquer lugar. Sentir o peito dele, subir pelos braços e, oh, como queria passar os dedos pelos cabelos dele. Mas as mãos dele forçaram as dela a ficar submissa e exprimida em uma parede de pedra. 

Hermione rosnou, derramou essa frustração na boca dele, lambendo-o e usando os dentes levemente. 

A perna dele empurrou novamente entre as dela e moveu o joelho esquerdo para fora. Ele gostava desse movimento, pelo visto, e fazia muito efeito no corpo da morena.

A mão esquerda dele a soltou, depois de dar um pequeno empurrão, dizendo para ela ficar lá. Draco cuidadosamente colocou a mão na cintura dela. Ela gemeu. Ele a apertou levemente.

A língua dele estava fazendo coisas tão adoráveis ​​para ela e a respiração dela estava ofegante entre os bocados dele. 

“Ah, Deus.” Alguém falou isso, e saiu dos lábios dela.

O corpo dele estava pressionando o dela e a empurrando, como se desejasse se fundir ao dela. Hermione queria tocá-lo. Ela tirou a mão direita da dele e levou-a à mandíbula, os dedinhos no pescoço e o polegar perto da boca.

No contato, Draco ofegou e sua mão esquerda firmou em seu quadril, puxando-a em sua direção, conectando-os, pois nenhum deles devia ficar separado. Era uma fricção gostosa – o membro rígido do garoto esfregando e causando atrito. Os olhos de Hermione rolaram para o alto, ofegando e gemendo. Aquela sensação era tão boa que não queria que parasse.

Hermione podia sentir seus quadris contra os dela, podia senti-lo, duro.

Ela abriu os olhos no momento que o loiro parou, seus lábios já separados. Ele parecendo em pânico, brevemente.

“Quase...” Murmurou, seu rosto ficando rosa-escuro. “Porra, o que você faz comigo?”

Ela nem sabia o que dizer, mas Hermione entendeu uma coisa: Malfoy estava esfregando seu membro grosso e latente no tecido que bloqueava o acesso à área intima dela, então... MEU DEUS.

Draco pulou para longe dela, afastando-se dela como se Hermione tivesse pegado uma doença. 

Seus olhos se abriram e seu corpo tentou segui-lo, magnetizado. Ele ainda segurava os pulsos dela contra a parede, mas ele a libertou, ofegante e parecendo muito descabelado. 

“Você não pediu para eu parar.”

Com os olhos abertos, ela foi andando para trás até sentir as bordas dos livros na prateleira contra as costas.

Hermione não conseguiu pensar nem responder, ela ainda o sentia em toda parte.

Ela teve tempo de registrar esse movimento, no entanto, quando seus lábios foram subitamente cobertos pelos dele, de novo. E ela aceitou, de novo.

“Me empurra quando querer parar.” Ele sussurrou contra a boca dela.

E ela tinha que parar, isso não devia acontecer... mesmo gostando muito.

“Granger.”

O beijo foi frenético, quente e apaixonado. Rapidamente perdeu a noção do pensamento ao sentir a língua dele roçar seu lábio inferior. Ela abriu a boca para permitir que ele aprofundasse o beijo. A sensação da língua dele contra a dela enviou uma onda de adrenalina pelo estômago, e a fez tremer nos lugares certos.

Sem dúvidas Draco Malfoy dera a ela os melhores beijos de sua vida.

A morena estava perdida no calor do corpo dele pressionado firmemente contra o dela, sua cabeça praticamente nadando com a sensação. Hermione ficou surpresa com o quão gentil suas mãos foram comparadas ao seu segundo amasso – e atualmente é o terceiro, quase acariciando-a de um jeito que ela já conhecia.

Dessa vez, as mãos dele subiam e desciam pelos lados dela, Draco decidiu que podia tocá-la, às vezes agarrando suas coxas e puxando-a para mais perto dele, ela podia senti-lo contra ela, Hermione se esfregou contra a dureza dele, deleitando-se com o gemido gutural que saía de sua garganta.

Será que ele faria a idiotice de gozar ali mesmo se ela continuasse?

As mãos dele subiram na parte de trás da cabeça dela, puxando-a ainda mais para que não houvesse espaço. Os lábios dele se moveram da boca para o pescoço e começaram a beijá-la e beliscando-a gentilmente; os quadris dele começaram a esfregar contra ela de uma maneira que provocou arrepios em sua espinha, mas apenas por um momento, porque assim que o gemido de prazer saiu de sua boca, ela parou.

Ela o empurrou e o encarou de olhos arregalados, incapaz de acreditar no que acabara de acontecer. De aceitar, mesmo ele pedindo para ela parar. Ele teria parado? Sabia que gostava muito do fato de que Draco não tivesse parado.

Draco se inclinou contra a prateleira oposta, ofegante, parecendo tão chocado, vidrado e descabelado quanto ela, embora isso passasse rapidamente e logo sua boca se transformou em um sorriso.

O rosto dela corado, as bochechas avermelhadas e seus olhos vidrados. Ele olhou para os lábios úmidos e inchados da garota.

“Você não parou quando eu pedi, Granger.” Draco disse, com dificuldade para respirar. Os olhos dele estavam escuros, quase negros.

Hermione sentiu como se tivesse cometido o ato final de traição para si mesma. Ficou com raiva e desapontada pelo fato de quase ter se perdido em um momento de paixão contra uma parede e depois uma estante de livros com um garoto que claramente a estava levando para passear. Um garoto que ela estava tentando se fazer odiar.

“Vai negar agora que não gosta de me beijar?” Ele perguntou depois de um momento. “Vai negar o que aconteceu?”

Hermione olhou para cima e encontrou os olhos dele, uma poça de raiva borbulhando dentro dela. Esse fato, no entanto, não impediu que fosse direcionado à pessoa errada. “Bem, bom você provou o seu ponto.” Ela cuspiu, esquecendo a conversa anterior.

Draco admitiu que pensava nela, mas do que importava?

Seu sorriso desapareceu e sua expressão se tornou de confusão. “O quê?”

“Nada.” Ela murmurou, querendo fugir o mais rápido possível. “Eu tenho que ir. Vou fazer mais trabalhos de casa no meu quarto.”

Com isso, ela caminhou deixando-o para vê-la de volta quando saiu da biblioteca. Ela sabia agora que seria impossível ignorar o sentimento que crescia rapidamente dentro dela; não depois disso.

Ficou sozinha, os lábios ainda machucados pela boca dele. Sua mente estava entorpecida e sua pele muito quente. Ela vagou de volta para seu próprio quarto lentamente, a mente cambaleando. 

 

***

 

No andar de cima, Harry estava em frente à torre da entrada da Corvinal, tendo um confronto com o guarda da porta; uma maçaneta mecânica falante. Desnecessário será dizer que Harry estava perdendo a batalha.

“Você poderia me deixar entrar?” Ele implorou, sua paciência se esgotando. “Não sei a resposta para sua pergunta estúpida e não me importo particularmente!”

“Não até que você responda à pergunta corretamente, rapaz.” Disse a aldrava de bronze, ficando completamente irritado. “Caso contrário, não posso deixar você entrar.”

Harry jogou as mãos para cima, exasperado. “Esqueça. Não sei por que não fiz isso antes.”

Ele agarrou a aldrava, sob protestos abafados, debaixo da mão, e começou a bater alto na porta. Depois de um momento, ele se abriu e estava cumprimentando com o rosto confuso e um pouco divertido, Mandy Brocklehurst.

“Harry?” Ela perguntou, hesitante, olhando entre ele e a aldrava que agora o repreendia não tão gentilmente: “O que você está fazendo aqui em cima?”

Harry pareceu envergonhado por um momento. “Eu estava realmente pensando se Luna estava aí?”

Mandy deu a ele um sorriso. “Eu acho que ela está no dormitório feminino. Vou pedir uma das meninas para buscá-la. Não vai demorar um segundo.”

Com isso, Mandy o deixou parado do lado de fora da entrada da sala comunal da Corvinal, ouvindo a aldrava de bronze, o guarda, zombar dele.

Harry suspirou cansada. “Você pode calar a boca, por favor?”

Se as aldravas parecessem ofendidas, Harry tinha certeza de que essa seria. “Como você ousa falar comigo dessa maneira! Eu nunca fui tratado com tanta grosseria!”

Harry deu de ombros. “Eu disse por favor e, além disso, você é uma maçaneta de porta sem sentimentos, duvido que muitas pessoas conversem com você.”

Ele ouviu a aldrava ofegar. “Por que você... É por isso que estou feliz em guardar a sala comunal da Corvinal, o céu proíbe se eu fosse forçado a falar com sonserinos tão rudes o dia todo!”

“Ei.” Harry disse com raiva. “Eu poderia facilmente te arrancar por esta porta e colocá-lo em um vaso sanitário. Como você gostaria, raso ou vaso entupido?”

Harry fez um show de dedos do meio, embora não tivesse certeza se a coisa mecânica poderia ver o gesto.

“Você não...” A aldrava disse, hesitante.

“Eu sou um sonserino, afinal-”

“Harry?” Ele ouviu uma voz sonhadora chamar atrás dele. Ele se virou abruptamente para encontrar Luna observando-o com uma expressão confusa. Rapidamente se endireitou.

“Oh, Luna. Oi.” Ele disse, sentindo-se totalmente ridículo.

Luna olhou entre ele e a aldrava de bronze. “Você estava brigando com o Roy?”

Harry ficou surpreso que o desagradável pedaço de bronze tivesse um nome. Atrás dele, a aldrava começou a discutir em voz alta. Harry enfiou a mão no local que supunha ser sua boca e abafou suas palavras antes que pudesse dizer sobre ele.

“Brigando? Não. De jeito nenhum. Eu estava apenas mostrando minhas habilidades... com meus dedos. Isso. Eu sei fazer um joinha muito... muito estranho. Ele ficou bastante impressionado.” Harry ouviu o som das palavras abafadas das aldravas tentando argumentar, mas sua mão estava efetivamente impedindo Luna de entendê-las.

“Oh.” Luna suspirou, animando-se levemente. “Eu também mostro algumas coisas para ele. Eu gosto dele. Ele guarda nossa sala comunal muito bem.”

“Eu sei.” Harry murmurou, estreitando os olhos em direção à aldrava debaixo da mão. “De qualquer forma, eu estava pensando se você gostaria de dar uma volta comigo ou algo assim?”

Luna pareceu pensativa por um momento. “Tudo bem.” Ela concordou brilhantemente. “Eu tenho uma carta que preciso enviar para meu pai, então, ele ama receber cartas escritas a mão, talvez possamos parar no Corujal?”

“Certo.” Harry concordou, rapidamente, desesperado para ficar o mais longe possível da sala comunal da Corvinal.

Ele esperou pacientemente que Luna recuperasse sua carta, e ficou aliviado quando ela finalmente voltou e eles puderam sair da entrada da sala comunal e da aldrava de bronze que ainda o insultava.

“Então, como você está?” Harry perguntou enquanto caminhavam pelo corredor. Era completamente vazio de pessoas, além de ele e Luna.

“Oh, tudo bem, sério.” Luna respondeu brilhantemente. Houve um momento de silêncio em que Harry estava ciente de que a mão dela roçava a dele enquanto caminhavam.

“Suas companheiras de quarto ainda estão lhe causando problemas?” Ele perguntou depois de um momento. Esperava que não.

“Na verdade, eu nem as vi.” Respondeu, pensativa. “Nenhuma das minhas coisas ficou escondida em alguns dias, o que é conveniente.”

Ela se virou para ele com um pequeno sorriso no rosto, ele devolveu.

“Fico feliz em ouvir isso. Se elas começarem de novo, assediando você, quero dizer, me avise.”

Luna parou de andar e se virou para encará-lo, ele fez o mesmo. Ela olhou curiosamente por um momento antes de falar.

“Por que você é tão legal comigo?” Perguntou calmamente. Harry ficou surpreso com a pergunta e apenas deu de ombros.

“Eu não sei. Por que eu não seria?” Ele perguntou.

“Ninguém mais é, na verdade.” Ela disse, inclinando a cabeça para o lado. “Mas você foi legal comigo desde que eu te conheci.”

Harry enfiou as mãos nos bolsos. “Eu não sei por que... eu simplesmente gostei de você imediatamente. Você é diferente, mas não de uma maneira ruim. Posso esquecer meus problemas quando você está por perto, porque vejo como você nunca deixa nada chegar até você. Acho que gosto de estar perto de você.”

Luna sorriu para ele, a ação fazendo seu estômago revirar. “Eu tenho sorte então.”

Harry soltou um suspiro aliviado com o comentário dela e sorriu. “Acho que depende de como você olha para isso.”

Luna se virou e continuou andando pelo corredor, em direção a Torre Oeste. Harry ficou tão encantado com o silêncio confortável que quase pulou quando ela falou. “Acho que, não importa como eu olhe, ainda tenho sorte.”

Ela o deixou boquiaberto quando abriu a porta do Corujal e entrou. Depois de um momento, ela afastou a cabeça e o olhou com curiosidade.

“Você está entrando? Você não precisa se preocupar em pegar percérola das corujas; o tempo está frio.”

Isso chamou a atenção de Harry, e ele entrou depois que Luna se perguntou se ele realmente poderia pegar percérolas de corujas.

A torre Oeste estava congelando naquela noite, com uma brisa gelada fluindo dentro das janelas descobertas. Ele ficou surpreso ao ver que Luna não estava usando sua capa, ela deve estar congelando.

“Você não está com frio?” Ele perguntou com preocupação, enquanto ela chamava por uma coruja. Uma pequena coruja marrom voou de seu poleiro e ficou na frente dela, com a perna esperando que ela anexasse a carta.

“Um pouco.” Ela disse distraidamente enquanto amarrava a carta na perna da coruja. Harry hesitou por um momento, antes de caminhar até ela e tirou sua própria capa, deslizando-a sobre seus ombros.

Ela se virou para ele e sorriu.

“Você é realmente tão doce quanto minhas colegas de quarto dizem.” Luna sorriu. Harry resistiu ao desejo de rir. Ele tinha a sensação de que as colegas de quarto não diziam mais isso, especialmente depois que as ameaçou.

Ele apenas deu de ombros, sentindo-se desconfortável com os elogios. “Então, para quem você estava escrevendo?” Ele perguntou, apontando para a coruja que tinha acabado de voar pela janela ao lado deles.

“Oh.” Luna começou em sua voz melancólica. “Apenas meu pai. Ele gosta que eu o escrevo quando estou em Hogwarts, já que fica bastante solitário em casa.” Olhou para longe por um momento, pelo menos mais do que o habitual, e Harry se perguntou o que estava pensando.

“E a sua mãe?” Ele perguntou, hesitante. Ela voltou-se para ele com um sorriso melancólico.

“Ela morreu quando eu tinha nove anos. Ela gostava de fazer experimentos, ela era uma cientista famosa, tínhamos um laboratório subterrâneo e tudo, mas um dia saiu pela culatra. Ela era adorável, pelo que me lembro dela.”

“Sinto muito por isso.” O garoto disse, sem jeito. “E por perguntar.”

Luna sorriu. “Está tudo bem. Você ainda tem seus dois pais?”

Harry hesitou. A paternidade não era um assunto que ele gostava de discutir, pelo menos quando se tratava dele.

“Uh, bem, eu conheci meu pai pessoalmente, mas ele se divorciou de minha mãe quando eu era bebê e nunca passamos muito tempo juntos. E minha mãe morreu. E meu padrinho cuida de mim atualmente.” Ele deu de ombros, sentindo-se desconfortável por se revelar tanto.

Luna assentiu. “Sinto muito. Espero que você se de bem com seu padrinho.”

“Uhhh, bem, eu me importo com ele.” Ele disse simplesmente. “Mas ele não está por perto. Ele gosta de viajar e costuma preferir isso. Está tudo bem, agora tenho idade suficiente para cuidar de mim mesmo.”

Luna inclinou a cabeça para o lado. “O que você faz no verão quando precisa ir para casa e no Natal?”

Harry esfregou a parte de trás do pescoço, foi um gesto que mostrou seu desconforto, mas os penetrantes olhos azuis de Luna eram implacáveis.

“Eu fico nos Malfoy. Lá é a segunda coisa mais próxima que tenho da família.” Harry olhou em volta por um momento, vendo a coruja como uma desculpa para desviar os olhos, sentindo-se nervoso com seu olhar. Isso dizia muito sobre Luna; muitas vezes as pessoas não podiam chegar até ele assim.

“É por isso que você odeia falar sobre seus sentimentos? Porque você nunca teve alguém mostrando abertamente a você os seus?”

Harry virou-se para olhá-la com as sobrancelhas franzidas. “O que você quer dizer?”

Luna sorriu conscientemente. “Você fica visivelmente desconfortável ao falar sobre como se sente.”

“Hmm...” Harry murmurou, olhando para os pés dele. “Eu não tinha notado.” Era mentira. Sabia que ignorava seus próprios sentimentos e não os compartilhava com tanta frequência. Ele passava o tempo todo lidando com os problemas de Malfoy, porque tornava muito mais fácil ignorar os seus. Olhou de volta para os olhos de Luna e, curiosamente, não se sentiu mais envergonhado.

Houve um momento de silêncio em que seus olhos estavam trancados. Luna parecia perfeita em pé na frente dele, em sua capa que era grande demais para ela, seus olhos azuis brilhando e um sorriso conhecedor em seu rosto.

“Luna-” Ela o interrompeu no meio da frase, segurando o dedo na boca em um gesto de silêncio.

Ela deu um passo à frente até que estivessem a apenas alguns centímetros de distância, e ficou na ponta dos pés até o rosto deles estar a meros centímetros de distância. Colocou os lábios suavemente contra os dele, o calor da boca em comparação com o ar frio ao redor deles fez Harry tremer. Muito cedo para ele, eles se separaram e ela ficou de pé, olhando-o com um pequeno sorriso. Então ela o abraçou, o abraço mais reconfortante de todos.

“Pronto. Vou mostrar meus sentimentos primeiro para que você não precise.”

Ele ficou sem palavras por um momento, olhando para sua cabeça loira, e então a abraçou, colocando seus braços em torno dela. Harry queria dizer a ela que aquele era o melhor momento de seus dias; que pensava nela constantemente, que gostava de tudo nela, mas tudo o que saiu foi: “Eu quero fazer isso faz muito tempo.”

Ela sorriu para ele. Um sorriso que conhecia e estava reservado apenas para ele, e o garoto sabia que ela entendia tudo o que deixara sem ser dito apenas daquela frase.

 

***

 

Harry acordou em seu dormitório na manhã seguinte, sentindo-se contente e completamente satisfeito. Pensou nos eventos da noite anterior e um sorriso bobo apareceu em seu rosto.

“Por que você está sorrindo assim?” Alguém o chamou do outro lado da sala. Ele olhou para cima e viu Draco olhando para ele acusadoramente. Harry sentou-se e descansou contra a cabeceira da cama.

“Bom dia para você também.” Murmurou, passando a mão pelo rosto na tentativa de acordar mais.

Ele olhou para Draco e o viu sentado em sua cama, parecendo infeliz.

“O que se passa contigo?” Ele perguntou ao loiro: “Não houve nenhuma ação ontem à noite?” Sorriu para o amigo, que apenas fez uma careta de volta.

“Não, eu entrei em ação.” Draco falou. “Se você contar minha mão na porra do chuveiro.”

Harry fez uma careta de nojo. “Nossa, cara, isso é algo que eu não precisava saber.”

Draco se levantou e começou a vasculhar com raiva suas gavetas em busca de roupas, ignorando o comentário de Harry.

“Ela não pode simplesmente admitir que gosta de mim, pode?” Murmurou com raiva. Harry não tinha certeza se estava falando com ele ou com ele próprio. “Não, ela tem que ficar chateada de novo e agir como se eu a tivesse agredido sexualmente. Quero dizer, sério, eu pareço que preciso sair por aí abusando sexualmente de garotas?” Balançou a cabeça e arrancou com força algumas roupas da gaveta antes de fechá-la novamente.

Harry observou Draco com as sobrancelhas levantadas, sentindo-se um pouco divertido com as travessuras de seu amigo. Ele sabia que isso só poderia estar relacionado a uma pessoa.

“Granger te rejeitou de novo?” Harry perguntou. Olhou para cima e viu Draco fazendo uma careta para ele.

“Ela me quer Harry. Ela certamente me quer.” Argumentou fortemente. “Mione é apenas uma Grifinória teimosa que não admite isso.”

Ele entrou no banheiro e bateu a porta, para grande desgosto de Harry, cujos tímpanos foram agredidos pelo barulho. Sentou-se em sua cama, se perguntando por que Draco não podia apenas dizer que gostava dela, em vez de empurrá-la para admitir. Então, novamente, era bastante claro.

Draco tinha problemas semelhantes a ele em relação a deixar as pessoas entrar e expressar sentimentos ridículos. Essa foi uma das razões pelas quais eles se deram tão bem; eles nunca esperavam isso um do outro, e podiam dizer o que o outro estava sentindo sem ter que dizer.

Ele sabia que Draco era como ele, e não se sentiria confortável se abrindo, a menos que tivesse certeza de que Granger não o derrubaria. E Draco já sofreu muito para se permitir alguém entrar para o quebrar de novo.

Luna era muito mais compreensiva; ela leu Harry como um livro aberto, e mal teve que dizer algo para ela ver quem ele realmente era.

Infelizmente para Draco, Hermione era tão teimosa quanto o próprio loiro e cega pelo ódio, o que tornou muito mais difícil para o amigo. Se Granger admitisse como se sentia tão cedo, Harry ficaria incrivelmente surpreso.

Ele ouviu a porta do banheiro abrir, e Draco voltou parecendo muito menos desgrenhado, mas ainda tão mal-humorado. Caiu na cama e olhou para a parede. Harry suspirou, sentindo pena do amigo. Ele estava feliz por sua garota ser muito mais compreensiva.

“Não se preocupe, cara.” Harry disse, tentando acalmar um pouco o amigo. “Ela virá eventualmente.”

Draco apenas balançou a cabeça e puxou as cortinas ao redor da cama para ficar fora de vista. Harry suspirou novamente e foi ao banheiro para se arrumar para o dia.

 

***

 

Duas horas depois, Harry se viu sentado à sua mesa na biblioteca, recostando-se na cadeira, olhando para o teto. Ele deveria estar fazendo um trabalho aí, mas se viu distraído quando seus pensamentos voltaram para a noite passada. Luna.

Depois do beijo, eles se separaram, embora não tenha sido estranho. Ele sabia que as coisas estavam diferentes entre eles agora, e mal podia esperar para vê-la novamente.

Ele foi rudemente empurrado para fora de seus pensamentos por um barulho alto. Pulou e sentou-se, quase caindo da cadeira. Olhando para ele, viu Granger com uma grande pilha de livros sobre a mesa dela. Ela parecia tão feliz quanto Draco naquela manhã.

“Apenas solte esses livros mais forte da próxima vez, Hermione.” Ele disse sarcasticamente. Estava um pouco irritado por ser tão abruptamente arrastado de seus pensamentos sobre Luna, mas empurrou o sentimento de lado.

Ela olhou para ele, com uma expressão confusa, como se acabasse de perceber que o menino estava lá. Depois de um momento, balançou a cabeça, sua expressão sombria: “Oh, me desculpe, Harry, eu tenho muito em que pensar.”

Harry recostou-se na cadeira, olhando-a com ligeiro interesse. “Isso teria algo a ver com um certo amigo loiro meu?” Ele perguntou, levemente.

Hermione fez uma careta com a menção de Draco, então ele assumiu que sim. Ela se jogou na cadeira e mal era visível sobre a grande pilha de livros que havia deixado cair momentos antes.

“Então, eu suponho que ele te contou o que aconteceu?” Ela perguntou amargamente. Harry levantou a sobrancelha em interesse. Malfoy não havia dito nada, embora se lembrasse vagamente de seu amigo murmurando algo sobre ‘agressão sexual’. Ele só esperava que não fosse o caso.

“Não, ele não fez. Mas meu interesse é certamente despertado.”

Hermione espiou os livros, um olhar de surpresa no rosto. “Uau.” Ela murmurou, e seu rosto começou a ficar vermelho. “Nós... nos beijamos... além da conta. Eu... eu o deixei me beijar quando ele perguntou se eu queria parar.”

Harry não pôde evitar o sorriso que apareceu em seu rosto. “Novamente?” Ele perguntou, divertido: “Eu não acho que você será capaz de interpretar isso como um erro.”

A cabeça de Hermione se levantou e olhou para ele. “Eu não teria dito se você iria rir disso.” Rosnou.

Harry riu. “Acalme-se, Granger, só estou brincando. O importante é, quando você vai dizer a ele que gosta dele?”

Essa pergunta pareceu pegar Hermione de surpresa, e ela gaguejou e ficou boquiaberta por um momento, parecendo que estava prestes a jogar algo nele, antes de sussurrar: “Eu não gosto dele!”

“Parece muito a sua cara negando assim.” Harry disse casualmente, girando o lápis na ponta dos dedos.

“Você e ele são tão ilusórios quanto um ao outro.” Disse, sua voz tremendo. “Eu não gosto dele. Eu posso tê-lo beijado, mas isso não significa que eu gosto dele. É mera atração física. Eu posso admitir que ele é... ok. É bonito. Mas é apenas meus hormônios, eu li sobre isso. Sou uma adolescente, é de se esperar.”

Hermione terminou sua explicação parecendo sem fôlego e um pouco perturbada; o rosto dela também estava inconfundivelmente vermelho. Harry olhou para ela incrédulo.

“Você leu sobre isso?” Perguntou, lutando para manter o sorriso fora do rosto. Hermione viu isso e fez uma careta.

“Cale-se.” A morena murmurou, pegando um livro da grande pilha na frente dela e abrindo-o.

Harry riu. “Granger, eu não sou especialista, mas acho que se você está preocupada o suficiente para ter que se tranquilizar lendo isso, então você definitivamente tem uma queda por ele. Ou, podemos dizer, uma paixão.”

Harry deu um pulo quando Hermione bateu o livro com força, e a cabeça dela caiu em suas mãos pequenas. Ele a observou hesitante, esperando que não a tivesse tido algum tipo de colapso emocional. Hesitante, ele estendeu a mão e empurrou os livros para que pudesse vê-la melhor, foi quando percebeu que a morena estava chorando.

O garoto de óculos queria correr, fugir o mais rápido possível. Harry não se saia bem com mulheres que choravam, de jeito nenhum. Mas o garoto não podia fazer isso. Hermione era uma amiga, uma amiga que estava obviamente muito chateada agora. Uma amiga que significava muito para seu melhor amigo.

Então, em vez de se afastar como queria, ele se levantou e se moveu ao redor da mesa, ajoelhando-se ao lado dela. “Hermione. Me desculpe. Eu não quis aborrecer você.”

Ela balançou a cabeça, enquanto ainda chorava baixinho.

“Estava apenas brincando. Eu sei que você provavelmente não gosta dele.” Ele garantiu a ela, embora no fundo ele soubesse que realmente não acreditava nisso.

Essa frase parecia fazê-la soluçar mais incontrolavelmente, e o garoto se amaldiçoou por sua falta de tato. Ele pensou que provavelmente deveria parar de falar, pois parecia apenas piorar as coisas, então, em vez disso, estendeu a mão e deu um tapinha nas costas dela, esperando que fosse um gesto reconfortante.

Depois de alguns minutos, seu choro parou e tudo o que podia ser ouvido foram alguns fungos. Eventualmente, a menina afastou a mão do rosto e olhou para Harry, que ainda estava ajoelhado ao lado dela. Os olhos dela estavam vermelhos e ainda lacrimejantes. Harry sentiu uma pontada de culpa atravessá-lo.

“Sinto muito.” Ele disse, genuinamente. Hermione balançou a cabeça e se virou.

“Eu não estava chorando por causa do que você disse, Harry. Estou chorando porque estou com tanta raiva e vergonha e confusa e... Ugh!” Hermione deixou a cabeça cair novamente nas mãos, embora não chorasse. Harry ficou surpreso por ela poder sentir tanto de uma só vez, mas não comentou. Em vez disso, tentou adotar uma abordagem mais cuidadosa.

“Por que você está se sentindo assim?” Perguntou gentilmente, embora tivesse um pressentimento que já sabia.

Hermione fungou por um momento, antes de murmurar. “Ele, o cão idiota.” Harry não precisava de nenhum esclarecimento sobre quem a morena estava falando; só se perguntou por que de repente ficou tão emocionada com Draco.

“O que ele fez?” Ele perguntou, hesitante.

Hermione fungou novamente, antes de responder. “Nada. Ele não fez nada, isso faz parte do problema.”

“...Está bem.” Harry comentou devagar, sem ter certeza do que estava falando. Depois de um momento, a garota se virou para o amigo completamente, parecendo um pouco frenética.

“Eu deveria odiá-lo! Depois de tudo o que ele fez comigo, eu deveria desprezá-lo para sempre, não importa como ele é agora. Mas eu não o odeio, não mais. Eu continuo tentando me fazer odiá-lo, mas ele apenas não vai parar de ser legal comigo!”

Harry olhou para ela com uma expressão estranha, mas rapidamente a baniu quando a garota olhou para ele.

“É um problema que ele esteja sendo legal com você?” Harry perguntou depois de um momento, sentindo-se completamente confuso.

“É claro que é um problema.” Ela retrucou. “Está dificultando lembrar como ele costumava me tratar. Não quero me sentir assim com ele.” Hermione sussurrou a última palavra como se fosse a causa de tudo de ruim que já aconteceu, e de uma maneira que ele era. “Malfoy me tratou tão mal nos últimos meses, você mesmo viu isso! Eu estou ficando doente da cabeça.”

Harry sentou-se nos calcanhares, olhando-a de olhos arregalados. “Hermione.” Começou, hesitante. “Você está dizendo que gosta de Draco?”

A garota ficou sentada, olhando com uma expressão sombria e assentiu, antes de começar a soluçar novamente. Harry sentiu uma onda de excitação percorrê-lo por Draco, embora tivesse que admitir que não era assim que pensava que Hermione reagiria quando ela admitisse seus sentimentos por seu amigo.

“Quando você vai contar a ele?” Ele perguntou, ainda um pouco chocado com a admissão de Hermione.

Ela ergueu a cabeça e ela olhou para ele como se ele tivesse acabado de dizer que a Matemática era inútil. “Você está louco? Contar a ele? É claro que não vou contar para ele, seu boboca! Só vou esperar até que isso passe e, provavelmente, olhar para trás um dia e me encolher com quanto estúpida eu era.”

Harry ficou surpreso com a explosão repentina dela, mas tentou garantir a calma. Garotas emocionais podem ser problemáticas se você as provocar.

“Draco não é tão ruim, Hermione, ele obviamente não pode ser se você gosta dele, certo?”

Ela suspirou exasperada. “Harry, me escute, eu sou uma adolescente, ele é um cara que fica me beijando, é claro que vou sentir alguma coisa eventualmente. E também temos um passado, o que piora as coisas. Você consegue imaginar o que as pessoas diriam se descobrissem? O que Cho e Neville diriam? Eles pensariam que eu sou patética.”

Ela fez uma careta de nojo, e ele assumiu que era direcionado a seus próprios sentimentos. Ela não mencionou a garota Weasley...

Harry sentiu-se cada vez mais frustrado. “Não importa o que as pessoas pensam, Hermione!” Argumentou, deixando sua raiva derrotá-lo: “Isso importa apenas sobre o que você quer!”

“Eu sei disso.” A morena assegurou, parecendo um pouco surpresa com a raiva dele. “E é por isso que não importa, porque não quero sentir isso. Ele é um idiota arrogante e egoísta e me odeia. É apenas insanidade temporária.”

Harry estava frustrado. “Ele não te odeia, Hermione. Isso não é muito óbvio? Você não sai por aí beijando alguém que você odeia.”

Ela desviou o olhar do olhar dele. “Você faz se for Draco Malfoy.” Murmurou amargamente.

Harry balançou a cabeça em derrota e se levantou. “Você está em negação, e eu sei que você está com raiva de si mesma e confusa e tudo mais, mas Draco é meu melhor amigo. Eu sei que ele pode parecer um idiota às vezes, e ele é, mas se eu pensasse que era apenas um imbecil tentando brincar com você, Hermione, eu não o encorajaria, ou você, por sinal.”

Ele queria muito contar a Hermione exatamente como Draco se sentia, mas não podia trair seu amigo assim. Hermione não parecia aceitar isso de qualquer maneira. Ele arrumou suas coisas, ciente de que Hermione estava silenciosamente olhando para ele; não sabia mais o que dizer para ela. Isso era algo que ela tinha que pensar sozinha.

No momento em que ele se virou para deixar a biblioteca com a mochila nos ombros, ele ouviu a pequena voz dela chamando por ele.

“Harry?” Ele se virou para vê-la observando-o com as sobrancelhas franzidas. “Por que Malfoy faria mal aos próprios amigos? Eu escutei que os dois estavam... hã, nus um com o outro.” Ruborizou. “Enfim, por que ele fez isso com Zabini e Nott?”

Harry se perguntou por um momento como ela sabia disso e hesitou em dizer o porquê. Mas se Harry era alguma coisa, era um bom amigo, e talvez dar a Hermione o conhecimento que desejava mostrasse que Draco não era tão ruim quanto pensava.

“Por causa do que eles fizeram com você.” Respondeu honestamente. Podia ver o choque que atravessou seu rosto, mas virou e saiu antes que ela pudesse perguntar mais a ele. Ele temia poder dizer algo que Draco não queria que ela soubesse.

Ao sair da biblioteca e subir as escadas, ele não pôde deixar de imaginar o que aconteceria agora. Ambos haviam admitido sentimentos um pelo outro, agora apenas tinham que superar seu orgulho e se conhecer. Superar a dor. Perdoar. Harry sabia que essas partes eram muito mais complicadas.

Depois de alguns minutos andando e pensando, ele se viu iluminado quando viu os olhos azuis de Luna brilhando alegremente enquanto esperava por ele do lado de fora da sala comunal da Corvinal. Ele sorriu e deu um beijo gentil nos lábios dela quando a alcançou, antes de pegar a mão dela e caminhar pelo corredor.

“Então, o que você gostaria de fazer hoje?” Ele perguntou, sentindo-se completamente satisfeito: “Temos o domingo inteiro para nós.”

Luna cantarolou em pensamento por um momento. “Bem, é um dia surpreendentemente quente lá fora, pensei que poderíamos sair à beira do lago e caçar Narguilés.”

Harry sorriu para ela e balançou a cabeça em diversão. “Parece um plano.”

Ele pelo menos estava feliz que nem tudo tinha que ser terrivelmente complicado.

 

***

 

“Estou fodido.” Blásio resmungou, sentando-se na cama.

Arqueando a perna, descansou sua testa na mão com o cotovelo apoiado no seu joelho.

O pau dele latejava com tanta força que doía.

Ele acordou com constantes ereções e era como se tivesse trezes anos de novo.

Um rangido no soalho interrompeu os pensamentos do garoto, e sua cabeça disparou para fora da sua mão para ver Gina Weasley entrando na Torre de Astronomia.

Ele piscou algumas vezes para se certificar de que não estava sonhando.

Ela disse que viria. E cá estava ela, como prometera.

A garota ruiva fechou a porta e recostou-se contra ela.

“Bem, parece que você está pensando em mim.” Seus lábios eram suaves e brincalhões, ronronando as palavras.

Gina Weasley estava fodendo com a cabeça dele.

Ela mordeu o lábio, se achando muito.

Com seu olhar, feroz e urgente, a garota parecia se deleitar.

Ela tinha uma boca úmida e aberta.

“Você estava falando sério, não é?” Ele levantou as sobrancelhas e apontou para a dura saliência inchada se erguendo através do jeans. “Olha só, eu nem consigo pensar direito, é culpa sua.” Fez beicinho.

A garota debochou.

Blásio pulou da cama e correu até ela. Seus lábios se uniram com ternura sobre a forma como seu corpo de moldava ao dele, e ele lamentou ter esperado tanto para tocá-la.

Gina tinha um gosto bom, como chiclete, maça e refrigerante, e sua língua era tão doce tipo tudo misturado.

“Blásio.” Ela engasgou enquanto ele chupava seu pescoço. “Você sabe me excitar.”

“Espera um minuto.” Blásio sorriu, se inclinando para seu iPod e ligando uma música para abafar o barulho. “Venha aqui, gata.” Sussurrou, puxando-a pelos quadris para seu corpo.

E ela o empurrava.

Decepção e surpresa o torturava. Ela parecia querer jogar, mas ele não estava interessado em joguinhos.

“O quê?” Blásio começou a perguntar, mas se conteve quando ela começou a tirar as roupas.

Puta que pariu.

As vestes se foram.

Calcinha saiu em um único movimento.

Puta que pariu.

Gina veio até ele, Blásio estava com a cabeça tonta e duro pra caralho.

Ele deixou seus dedos pelo corpo dela, e em seguida, para baixos dos seios. Só com isso ele gemeu.

Era perfeita.

Blásio nem sequer teve tempo para chegar a gaveta do criado mudo antes que ela o empurrasse na cama e montasse nele.

Ela não queria joguinhos também.

“Eu preciso pegar um preservativo.” Ele disse, ofegante.

Gina riu suavemente.

Todo o corpo dele tremia com o contato, o calor dela era úmido, friccionando contra ele, bombeando sangue para seu pênis. Ela o deixava louco.

“Tire suas calças.” Gina pediu, e quando ela se inclinou para pegar o preservativo, ele soube obedecer, só desta vez.

Em cinco segundos, com o preservativo colocado em seu pênis, e sem roupa, ele a empurrou para cima e para dentro dela.

MUITO APERTADA.

Os dois buscaram se acalmar, ele estremeceu e ela ofegou, Blásio parecia prender a respiração como se mergulhasse na sensação que era ela.

“Você é tão perfeita.”

Quando Gina escutou isso, ela riu suavemente.

“Você é bom. E duro.”

Ele deu um sorriso diabólico.

Os lábios dela tomaram os dele, e ele mergulhou em sua boca, movendo a língua contra a dela, enquanto respiravam e voltavam para mais.

“Blásio.” Ela gemeu. “Me fode.”

Seus quadris começaram a se mover para trás e para frente, para cima e para baixo do seu pau, fazendo uma tensão doce correr por braços e pernas dele.

Gina era maravilhosa.

Sua pele era celestial e parecia como a neve, salpicada de sardas, e ele agarrou sua bunda em suas mãos, puxando-a para baixo nele quando o quarto se encheu de calor e suor.

Blásio tentou não gemer muito alto, mas ela não conseguia se conter.

“Gata, você faz os melhores barulhos.” Blásio respirou contra os lábios dela, desesperado, perdido em sua necessidade de pele, cheiro e o fogo... ela era incrível, e não conseguia pensar em mais nada quando estava dentro dela, a fodendo, como ela pediu.

Não era um “fazer amor”. Era sexo, e era a melhor coisa que existe no mundo.

“Não pare.” Ela pediu, fechando os olhos e deixando cair a cabeça para trás enquanto seu corpo balançava no dele. “Eu quero gozar trinta vezes, como você prometeu.”

Blásio riu. “Ah, porra. Eu vou te foder até você gozar trinta vezes.”

“Sim.”

A cabeça dela caiu para baixo e seus dedos agarram o cabelo do garoto, se deliciando.

Envolvendo o seu braço em volta da cintura dela, ele os moveu em torno, de modo que ela estava de costas, e ele fodeu duro o suficiente, para que ela pudesse sentir.

Ela gemeu, seu olhar desesperado encontrando o dele.

“Gina.” Ele não conseguiu não falar o nome dela, entrando para dentro dela com mais força e agilidade. O suor apenas facilitava as coisas entre os corpos.

Blásio levou sua boca para o seio dela e sugou seu mamilo com a boca.

Suas costas encharcadas de suor, ambos sentiam, e ele sorriu quando provou sua pele salgada.

Gina já tinha gozado diversas vezes e os pequenos barulhos que pareciam peidos saindo de sua vagina provaram isso.

Ela ficou tão desconcertada. “Desculpe.”

“Pelo quê?”

“Esses barulhos... eu não sei.”

“Não tem nada, gata. É normal.”

“Oh. Ok.”

Gina deu um tapa na cara dele quando ele riu dela. Mas ela acabou rindo também.

As coxas dela apertaram ao redor dele, as unhas afiadas cravando em suas costas, e ele a sentiu pulsar interiormente quando ela prendeu a respiração.

Gina estava gozando, e Blásio olhou para cima para ver seus olhos tremularem. Era delicioso. Depois de alguns momentos, ela soltou um gemido e exalou.

Blásio gemeu, inclinando-se para agarrar as coxas dela, movendo os quadris entre as pernas cada vez mais rápidos. Mais e mais. Cada vez mais forte.

Seus olhos se fecharam, a pressão dentro dele em ponto de ruptura.

E gozou.

Olhou para o rosto feliz dela e mergulhou dentro dela algumas vezes antes de deixar tudo ir.

O prazer em forma de fogo perfeitamente se espalhou por suas veias, e todo ar saiu do seu corpo enquanto ele caia em cima dela, respirando como um corredor de maratona.

“Vem gata, o quarto é só nosso.”

A porta se abriu.

A cabeça de Blásio se levantou, vendo Theodore e uma garota de mãos dadas, Gina gritou, puxando o corpo de Blásio para baixo para cobrir o dela.

“Que porra você está fazendo aqui, Nott?” Blásio gritou, estava malditamente nu, e Theo estava ali, com uma garota estranha, olhos arregalados e os lábios formando um círculo. “Cai fora, caralho.”

Depois de uma pausa, Theodore irrompeu em um riso e bufou. “Ei, você pegou a maldita garota Weasley? Seu filho da puta.” E o maldito Nott apontou para a cabeça ruiva debaixo do amigo. “E você não ia me contar?”

Felizmente, Gina estava protegida por um corpo, mas Blásio não estava coberto. A garota que nem conhecia riu de sua gloria nua, gargalhou alto juntamente com Theodore. Blásio queria se levantar e socá-lo até a morte.

“Eu mandei você sair, Nott. Eu juro que vou te matar.”

Gina espiou e parecia querer chorar.

“Caia fora, seu desgraçado.”  Blásio latiu outra vez, seus olhos queimando assassinos.

“Nem fodendo. Saia você.” Theodore empurrou a garota, que ficou muito ofendida e fechou a porta. “Eu quero participar. Curte um ménage, Weasley?”

“Você está me fazendo cogitar a possibilidade de uma morte.”  Blásio cerrou os dentes. Theodore Nott então brincou, estendendo a mão para Gina.

“Eu estou interessado e excitado também com sua bundinha morena e linda, Blás, eu posso participar? Gina parece bem comestível ainda.”

“Não!” Gina gritou, sua voz histérica. “Faz o favor de sair daqui, seu pervertido do caralho!!”

Que porra é essa?

Theodore se inclinou em um ataque de riso e seu rosto estava ficando vermelho.

“Que porra tá rolando?” Draco também apareceu, abriu a porta e colocou a cabeça para dentro, Gina encolheu-se em uma bola debaixo de Blásio novamente.

“Caia fora você também, Malfoy!”

“Porra, Blásio, quem é...” O rosto chocado de Draco, quando notou os braços e pernas extras, foi cômico. O loiro fez de propósito, sem rodeios. “Wealsey fêmea? É sério isso?” E riu.

Nott e Malfoy bateram as mãos no ar e deram gargalhadas altas.

Filhos da puta, Blásio pensou, irritado.

“TODO MUNDO, SAI.” Blásio gritou, e Zabini saiu, ainda sorrindo e, obviamente, tentando segurar mais risos.

Draco cujo rosto ficou uma mistura de risonho e perplexo, olhando como se quisesse dizer alguma coisa, agarrou a maçaneta da porta e bateu-a fechada.

“Desgraçados.” Gina gritou no peito dele. “Isso somente não aconteceu. Vou me enterrar.”

“Eu juro que vou bater em cada um.” Zabini e Draco eram uma ameaça.

“Eles vão contar pra todo mundo.” Ela olhou para ele, seu cabelo sexy caindo sobre os olhos.

“Eu vou falar com eles e me certificar de isso não vaze, ok?” Blásio beijou a testa molhada dela.

“Eu não deveria ter aceitado.” Ela se sentou, cobrindo-se, parecendo doente. “Eu simplesmente não consegui evitar. Estava excitada, ontem eu nem consegui dormir pensando em você. Merda.”

“Eu também.” Blásio confessou, corando. “Mas está tudo bem, não tem nada de errado no que fizemos.”

“Bem, é proibido fazer sexo na escola.” Ela ficou em pé, pegando suas roupas do chão e colocando-as no corpo.

Blásio seguiu o exemplo e fez o mesmo. “Foda-se. Todo mundo faz sexo aqui neste fodido castelo. Você se arrepende?”

Gina mordeu o lábio e sorriu. “Não. Foi bom. Mas... o que fizemos, só vai ficar por aí?”

Blásio a olhou, profundamente. “Podemos... ter algo casual. Você sabe fazer meu pau subir, gata.”

Ela riu, jogando travesseiro nele. “Não sei.”

“Só tem algo.”

“Fale.”

“Você não pode se apaixonar por mim.”

Gina gargalhou. “Você tirou isso de: Um Amor Para Recordar?”

Ele assentiu, envergonhado. “Sim.”

Ela ficou de olhos esbugalhados. “Você assistiu esse filme, como, tipo, por vontade própria?”

“Na verdade, foi Malfoy que escolheu. Nessa cena Nott já estava roncando. Malfoy já chorou assistindo Diário de Uma Paixão.” Riu muito. “É inacreditável, ele falou que era só suor. Suor?! Dá pra acreditar? Ele é um maior sentimental do caralho.”

“Malfoy, chorando e assistindo Diário de uma Paixão? Eu acordei em um universo alternativo que nada faz sentido.”

Gina e Blásio riram a custo dos amigos dele. E continuaram assim, vestidos e deitados na cama, contando fatos engraçados sobre família e amigos.


Notas Finais


Então aqui está. Lamento que não tenha acontecido mais cedo, e também lamento que a dança não tenha ocorrido agora, mas eu tinha algumas coisas que queria que acontecessem antes disso. O baile de verão será o próximo capítulo.

Enfim, espero que vocês tenham gostado deste capítulo. Se eu nomeasse esse cap, provavelmente chamaria de "O dia do beijo", já que quase todo mundo fica se pegando em amassos, não é?

Pbre Gina... Esses Marotos fdps ksaksksak

Pelo menos as coisas estão dando certo para Luna e Harry, um pouco pra Blás e Gina... se eu pudesse dizer o mesmo para Draco e Hermione! Mas eles também são um pouco mais complicados.
Então, deixe-me saber o que você achou disso e eu agradeço a todos pela leitura, comentários, favoritos.
Se alguém pegou as referencias, me diga.
Beijooos.


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