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História Ondulações Médicas - Capítulo 1


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Notas do Autor


Quarentena dia 2!

Capítulo 1 - Filé de cinco dedos


- Com licença, enfermeiro, senhor …

 

Tornou-se comum para Philippe em sua vida ser chamado de enfermeiro dentro do hospital onde trabalhava, muitas vezes isso nunca o incomodou - afinal era preferível ser confundido com um enfermeiro, ao invés de um paciente da pediatria como aconteceu algumas vezes. Por causa da sua pequena estatura e seu rosto jovem, ele recebia essa dádiva dia após dia; Philippe Coutinho, médico, não passou dez anos de universidade para isso. 

 

- Prazer, sou o médico. Doutor Coutinho! - Philippe rosnou, em sua voz mais feroz. Que realmente não era realmente intimidadora como ele imaginava. 

 

- Certo, doutor. Eu meio que tenho uma emergência.

 

A cabeça de Philippe girou para o paciente, o rosto corado, porque ele estava cansado e definitivamente de mau humor e no final de um turno de trinta horas e ele queria cair de cara em sua cama. "Merda", era tudo o que ele podia dizer. Ele piscou uma vez, duas, três vezes. Seu paciente parecia ter seus trinta e poucos anos. Muito diferente do que havia acostumado a receber na emergência, esse tinha um belo rosto, e intacto, cabelo desgrenhado e meio que… ele era realmente bonito. 

 

Philippe poderia passar mais tempo analisando o rosto desconhecido, por que não parecia justo que aquele rapaz não acumulasse nenhum defeito por debaixo daquela barba cheia e da pele bronzeada quase avermelhada. Porém, no momento era um médico - um médico em seu fim de plantão. Se o rapaz apareceu em sua emergência, alguma coisa havia o afetado é isso era a única coisa importante. E o que era importante era o fato de que havia uma caneta esferográfica atravessada pela sua palma. 

 

Philippe piscou diversas vezes, pensando em uma boa medida. Mas qual seria o protocolo para isso? Rapaz de trinta anos com uma caneta atravessada em sua mão.


 

- Bem, será que você pode me ajudar? - O bonito perguntou, e seu rosto passou de calmo e hesitante para pânico em tempo recorde. Sua barba escura destacando cada vez mais com a atual palidez da pele. 

 

- O senhor já foi tirado? 

 

O bonitão apenas respondia às perguntas monossilabicamente. Sendo necessário que Philippe o levasse para sala de exames pela mão. Puxando os dados dentro do banco de dados do hospital, Coutinho ficou satisfeito quando encontrou o que procurava, seu paciente galã era Alisson Becker, com vinte e sete anos, e nenhum histórico médico ou condição preexistente, além de que, Becker era apenas alérgico a abelhas e morangos 

 

De acordo com o que a enfermeira da triagem havia escrito nas anotações do arquivo, o incidente com a caneta foi um acidente precipitado por uma discussão, Alisson não fazia ideia se o objeto estava, de alguma maneira sujo e, já não estava sentindo tanta dor.

 

Infelizmente, Alisson, também não tinha um contato de emergência, para qual Philippe pudesse ligar. Não era provável que alguém tão bonito estivesse solteiro e sem ninguém para cuidar daquele ferimento, então Dr. Coutinho apenas imprimiu um novo formulário de papel para que seu paciente assinasse. 

 

- Preencha este formulário enquanto eu consigo algumas gases e curativos. - Philippe bateu no bolso do seu jaleco, procurando uma caneta para que Alisson pudesse assinar. - Você vai precisar de uma caneta? 

 

Becker apenas piscou para ele, olhou para o que estava embutido na palma da mão e depois olhou para cima de volta aos olhos do médico, metodicamente, seu rosto estampado com uma expressão sem graça. Em sua mente, havia se arrependido de ter procurado assistência médica, principalmente diante de todas as opções ter escolhido logo o médico que mais parecia uma criança.

 

Então, Philippe não culpou. Decidido a conseguir uma, outra, caneta para Alisson. E internamente torcendo para que ele não enfiasse essa na sua outra mão. Dr. Coutinho voltou com uma caneta de ponta de feltro, utilizada na pediatria. Tudo para evitar um nível de trauma para o paciente, que poderia apresentar uma reação adversa a outro objeto tão mortal como uma caneta.

 

Ele o entregou e Becker ficou feliz em surpresa antes de dar uma risada alta, seguida de um: "Obrigado!” Um sorriso agora preso em seu rosto, mostrando todos aqueles vários dentes brancos presos em sua boca. Era estranho, sentir seu estômago vibrar como se houvesse várias borboletas presas em suas pregas gástricas. 

 

Seria estranho de qualquer forma estar tão apegado a um paciente, de forma que um médico formado em residência cirúrgica impedir que seus internos resolvessem um simples problema com alguns pontos. 


 

- Então. - Philippe começou, procurando uma conversa e ansioso para ouvir a história por si mesmo, enquanto esterilizava a ferida com álcool. - Como exatamente isso tudo aconteceu? Gesticulando com a garrafa de anti-séptico na ferida, e os lábios de Alisson presos para não deixar nenhuma menção a dor e ardência escaparem. 

 

- Você quer a história que eu dei à sua enfermeira, ou a história terrivelmente humilhante, porém verdadeira?

 

Os olhos encarando duramente o homem de vinte e sete anos, responderam a pergunta de Becker. Esses pequenos gestos, passaram confiança para que os músculos tensionada não face de Alisson alterassem para uma expressão divertida, e Coutinho estava começando a pensar que aquele homem adulto era um idiota. 

 

Então ele começou a organizar as ferramentas para pontear, enquanto ouvia o senhor Becker.

 

- Um amigo  e eu organizamos noites de pôquer com algumas pessoas em nosso escritório. - explicou Becker. - Eu estava sóbrio esta noite, porque era minha vez de levar os amigos bêbados para casa, mas eles não estavam, simplesmente bêbados.. - Philippe apenas acenava, focando seus olhos na ferida e os ouvidos na voz de Alisson. E o tom de voz mudou, quando após um suspiro, iniciou-se a parte vergonhosa da história.  - Na faculdade, costumávamos jogar filé de cinco dedos. 

 

Coutinho não pôde deixar de parar de pensar que este homem não era apenas um idiota, ele era um idiota acompanhado de outros idiotas bêbados.

 

- Você não fez isso.

 

- Claro, que eu fiz. - Toda aquela presunção transformou-se em um pequeno estremecimento. - Esse meu amigo, ele começou a fazer ameaças à minha  masculinidade. E é claro que, como sou corajoso, tive que dar um passo à frente e me defender...  

 

- E você sempre costuma se defender sendo esfaqueado com uma caneta? - O médico julgou com seus olhos.


 

Alisson tinha uma risada que poderia fazer Phillipe passar o resto do plantão sentindo-se abençoado. Mesmo sem uma parte funcional do cérebro, seu paciente era realmente gostoso. Coutinho desviou o olhar o mais rápido que pôde, para aproveitar mais um pouco da visão e mexeu no punho, o calor subindo pelo seu pescoço. 

 

- Você pode levantar a mão um pouco? Eu preciso… 

 

O pânico brilhou no rosto de Becker. 

 

- É tão ruim, Doutor?

 

- Não, não. - Philippe balançou a cabeça. - Está, surpreendentemente limpo. Acho que podemos retirá-lo, agora.

 

 realmente não sabia mais o que fazer.

 

Becker olhou para ele um pouco desconfiado, porque provavelmente não era a coisa mais tranquilizadora do mundo. Retirar uma caneta que estava presa no fundo da sua carne, então Alisson conseguiu se tranquilizar quando Coutinho pegou a mão machucada para poder fazer o puxão.

Era triste saber que após a retirada da caneta, muito provavelmente nunca mais tivesse a oportunidade de agraciar-se com a beleza de seu paciente, muito menos divertir-se com as histórias idiotas que o moreno tinha para contar. Então, se comprometeu a memorizar as linhas dos dedos, e até se surpreendeu com o tamanho da mão do seu paciente. Ele especialmente tentou não notar o fato de que não havia absolutamente nenhum anel no dedo do homem. Coutinho não teve grande sucesso, apesar de tudo, mas achou que a tentativa tinha que contar para alguma coisa. Ele realmente começou a amar odiar Alisson Becker. "Até suas mãos são bonitas", murmurou enquanto segurava a caneta, e realmente, realmente , ele pretendia apenas expressar isso para si mesmo, mas a sorte nunca estava do seu lado.

 

O comentário pegou Becker tão desprevenido que, em vez de ficar parado para que Philippe pudesse, gentilmente, tirar a caneta da mão, ele se virou na direção do puxão. Alisson gritou, um ruído fino, fino até para um homem com todo aquele tamanho, e esquecendo que era médico, Coutinho riu de toda situação que poderia causar um dano maior para o paciente. Felizmente, isso não aconteceu.

 

 

- Estamos na primeira dose de analgesico, o entorpecimento deve começar em breve, mas duvido que você goste de mim depois dos pontos.

 

- Pelo contrário. Acho que ainda vou gostar de você; seria difícil me convencer do contrário, neste momento. - Becker sorriu com as manchas vermelhas no rosto do seu médico. Ele recostou-se um pouco, parecia realmente convencido para um cara que tinha uma caneta presa na mão.

 

- Você realmente tem… suas mãos são particularmente impressionantes. - Philippe sentia-se fraco apenas de observar a diferença do tamanho entre suas mãos. Era complicado a situação, onde um médico precisava controlar seus próprios hormônios para pontear um ferimento em um homem de vinte e sete anos.

 

- Obrigado, mas tenho certeza que as mãos de um advogado não são tão impressionantes quanto as de um médico.

Philippe preferiu prosseguir em silêncio e deu o mesmo tratamento quando terminou. Ele levou um tempo enrolando os dois lados em bandagens. Os olhos de Becker se abriram e, de sua proximidade com o homem, foi uma compensação para todo o tempo que passou costurando carne viva durante a faculdade de medicina.


 

- Então, vamos aos pontos. Mantenha-os secos, aplique pomada antibiótica e mantenha a atividade com esta mão ao mínimo. 

 

Becker assentiu. Coutinho realmente não podia deixar este homem escapar, podia? Ele teve que convidá-lo para sair, ou ao menos conseguir o número dele, ou algo assim. Sabia, que no segundo em que ele chegasse em casa, Gabriel o julgaria, que era errado de alguma forma e um médico não deveria violar as leis de privacidade para obter as informações de contato de Becker. Então, não custaria mentir para conseguir essas informações.

 

- Então… teremos que agendar um acompanhamento para removê-los. Você pode me deixar seu número para que eu o lembre de aparecer no hospital.

 

O paciente olhou um pouco para as bandagens e flexionou os dedos quase experimentalmente antes de enfiar a mão boa no bolso. 

 

- Eu vou chamar minha carona enquanto você faz isso, se você não se importa.

 

Ele acenou com a mão em permissão e virou-se para o computador. Becker estava quieto enquanto descobria como situar o telefone e fazer a ligação. Coutinho podia ouvi-lo tocar do outro lado da sala. Ele fingiu estar ocupado, mas estava principalmente tentando escutar.

 

- Ei, Virgil! Sim estou pronto. - Houve uma pausa quando o homem atrás do celular respondeu, um zumbido no ouvido de Becker. - Sim, bem, você me deve um grande favor. Você não apenas machucou gravemente minha mão, mãos particularmente impressionantes. - O rosto do Doutor Philippe esquentou. - Mas também você me envergonhou na frente de um médico bonito e tenho quase certeza de que ele pensa que sou o maior idiota do mundo.

 

Ele riu, incontrolável. Riu como um garoto apaixonado no colegial. “Apaixonado?” Phillipe pensou. Estava apaixonado com apenas um encontro, em uma sala branca de hospital? Talvez, mas para confirmar precisaria sentar e ouvir mais uma ou duas histórias de bêbados, contadas pelo homem com mãos impressionantes. 



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