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História One More Chance - Capítulo 33


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Notas do Autor


Mais um capítulo com pov América e pov Maxon para vocês ❤️
Muito obrigada pelos comentários, é sempre muito importante ter o Feedback de vocês, isso interfere bastante no rumo que a história toma, em como as coisas acontecem, para dar engajamento etudo mais! Por isso não deixeeem de comentar, preciso de vocês!
Boa leitura...

Capítulo 33 - América.


Fanfic / Fanfiction One More Chance - Capítulo 33 - América.

Point of view América Singer 


3 meses da morte de Sam e todo mundo já sabia que Maxon era o pai da Eadlyn. 

A mãe de Sam começou a me odiar dizendo que eu era interesseira, a irmã deu ideia de tirar a Eadlyn de mim e o Maxon continuava fingindo que eu não existia, ia lá em casa e ficava com Eadlyn, logo que ela dormia ele ia embora. Cada dia que passava estava com mais raiva e então eu comecei a ignorá-lo. 

O pessoal do estúdio estava meio assim comigo e eu não fui chamada para o campeonato de basquete amador que Sam participava. Todos no mínimo achavam que eu havia dado o golpe nele. 

Risos.

Larguei o emprego de maquiadora e fui tomar conta do estúdio. Proibi minha ex sogra de visitar Eadlyn, já estava vendo a hora dela roubar minha filha e sumir no mundo de tanta raiva que sentia de mim. Jurava que se entrasse na justiça ia conseguir pegar a guarda dela.

Com a rotina corrida, Eadlyn ficava na casa da Marlee. Ela não estava trabalhando e se ofereceu para me ajudar. As vezes ela ficava com Celeste, ou Maxon pegava folga e ficava com ela lá em casa. Muitas vezes também eu a levava para o estúdio.

Minha vida estava corrida e cansativa, minha única alegria era a Eadlyn. Eu parecia um zumbi, me arrastava por aí, não tinha certeza de nada, tomava conta de tudo por pura obrigação.

Naquela certa noite, Maxon não foi embora depois de colocar Eadlyn para dormir. 

Eu estava sentada na mesa da casa verificando a parte financeira do estúdio quando ele se sentou na minha frente. Ele colocou a babá eletrônica do lado dele e tirou o boné. 

Revirei os olhos disfarçadamente. Trinta anos na cara…

-A gente precisa conversar né - falou sem me olhar diretamente.

-Por que você fez tanta questão de sair contando para todo mundo que a Eadlyn não é filha do Sam? - comecei explodindo e ele suspirou.

-Porque ela não é. Não sou eu o errado - ele deu de ombros - Foi escolha sua mentir pra todo mundo.

Revirei os olhos.

-O Sam sabia, eu não enganei ele - falei.

Maxon parou para pensar alguns segundos. 

-Massa - e então bateu as mãos sobre a mesa.

-Foi decisão nossa. Eu não ia te ligar pra dizer que eu tava grávida de você! Você foi embora e...

-Mas veio na casa de Sam falar pra ele que estava grávida. De mim. 

Bufei.

-Você é o Maxon…

-E eu não presto né? - ele perguntou puto - E eu não valho nada né, América? 

-Não! - concordei e aí ele explodiu.

Maxon se levantou ficou de costas pra mim por um tempo e depois voltou, apoiou seu peso nas mãos. 

-Você não tinha esse direito - Seu olhos estavam marejados e cheios de ira - Você não pode achar que fez o certo! E se o Sam não tivesse morrido? Eu nunca ia saber? Vocês iam mentir para mim, para ela e para todo mundo pra sempre?

Revirei os olhos.

-Como você descobriu? - perguntei.

-Isso importa agora?

-Importa. 

Ele bufou e se sentou de volta com sangue nos olhos.

-Da pior forma possível. Carter me ligou no dia do acidente falando que Sam havia morrido e perguntou se eu não ia assumir a responsabilidade.

Ele sorriu falso.

-Todos os meus amigos já sabiam, menos eu. E eu saí como o errado da história.

Parei de olhar pra ele.

-Você me jurou América! - ele começou a ficar muito vermelho - Você jurou olhando nos meus olhos. Eu fui lá, eu fui atrás de vocês! Você não tem mais moral nenhuma para me julgar, se eu não assumi foi porque eu não sabia! Eu tava lá, porra… Eu fui lá… era só… só ter falado pra mim… me ofende mais que qualquer coisa vocẽ agir como se eu não fosse capaz de assumir ou de cuidar da minha própria filha!

Só fiquei ouvindo ele despejar toda a sua raiva em cima de mim enquanto as lágrimas rolavam pela minha bochecha.

-Poucas coisas já me machucaram tanto quanto isso - falou por fim.

-Me desculpa - falei me rendendo - Sei que nada que eu te disser vai adiantar. 

-Não vai - ele concordou - Ele morreu brigado comigo - deu de ombros - Você montou sua vida de conto de fadas e passou por cima de todo mundo pra isso. Eu não ligaria se você continuasse namorando com ele e fosse casar, sei la… só queria que você tivesse me contado. Você tinha meu número, minhas redes sociais, você sabe que eu teria voltado.

-Não Maxon eu não sabia se ia - dei de ombros e ele passou a mão brutalmente pelos olhos e me encarou - Nosso relacionamento foi totalmente confuso, você era um mulherengo, instável, passamos pouco tempo juntos…

-Mas foi suficiente para fazer você me amar! - ele me interrompeu e eu não tive o que falar. 

-Sim, Maxon - falei baixinho - Sei que você não vai entender. Mas eu nunca imaginei que pudesse ser mãe depois de tudo aquilo que você já sabe. Descobri por um acaso que estava grávida um mês depois que você foi embora. Eu estava desempregada, confusa, com medo, não tinha dinheiro pro aluguel, porque eu tive que me mudar… tive medo de que meu corpo não conseguisse levar a gravidez a diante. Eu não imaginei que passar essa gravidez de risco ao seu lado fosse fazer bem pra mim, a gente sempre soltou muita faísca junto. Sam estava totalmente disposto a me ajudar, a aceitar a Eadlyn independente dela ser ou não dele. Foi uma decisão de última hora. Eu estava com medo dos meus pais. Estava com medo de Aspen. Eles estavam me seguindo, sabiam onde eu estava morando, me acharam no dia que Eadlyn ia nascer e queriam me levar. Eu estava muito feliz com a possibilidade, mas ao mesmo tempo com tanto medo…

Ele fechou os olhos, depois olhou as horas no relógio e se recompôs. 

-O que te faz achar que eu também não faria isso? Que eu não faria da terra o céu para proteger vocês?

Dei de ombros. 

Maxon mordeu o canto interno da bochecha. 

-Tudo bem. Já vou - falou perdendo o controle de si e então se levantou e foi embora.

Me doeu vê-lo sair com a chave do carro numa mão, o boné na outra, e a cabeça meio baixa. Talvez sentisse culpa, consideração e gratidão por ele ter ficado apesar de tudo.

Um mês da morte de Sam e eu não era ninguém, Maxon fez tudo pra mim. Cuidou do estúdio, cancelou o casamento, o aniversário de Eadlyn e fez uma pequena confraternização na casa de Marlee apenas com a gente, celeste, George, Brice, minha ex sogra e cunhada, fez compras para casa, cuidou da Eadlyn, arrumou alguém para dar faxina na casa e fez comida alguns dias, nos outros ele só pediu. Mesmo saindo cansado do escritório, ele sempre tava lá. 

Não trocavamos muitas palavras, só o necessário. Ele respeitou meu luto e eu respeitei o dele.

Mas, como se já não fosse suficiente eu ter perdido Sam, estava cheia de problemas nas costas para resolver, preocupada com minha filha, sendo julgada por Deus e o mundo…

De última hora me surgiu uma ideia.

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Point Of View Maxon Schreave 


Fechei a porta do carro, tirei da calçada e estacionei na frente da casa do vizinho do lado.

Era lógico o que ela iria falar, era lógico o porquê dela. 

Eu conhecia a cabeça dura de América e sabia que ela faria isso, que por puro orgulho ela não correria atrás de mim, mas não imaginava que ela seria tão… não sabia dizer. 

Quando Carter me ligou naquela noite do acidente puto de raiva me cobrando responsabilidade, eu nem pude me defender. 

Foi horrível.

Tive vontade de matar América ao lembrar dela jurando pra mim no hospital que Eadlyn não era a minha filha. Não pensei duas vezes antes de pegar Brice e vir para cá. Foi uma situação ridícula, e às vezes quando me lembro de tudo tenho que me segurar para não socar qualquer coisa que esteja ao meu alcance. 

Quando cheguei ao velório e a vi, estava tão destruída com Eadlyn no colo, quase não consegui ficar em pé. Chorei por Sam, por ter achado aquela bebê tão linda, por ela ser tão parecida com América e ao mesmo tempo com minha mãe, chorei porque eu nem conseguia acreditar que tinha feito uma coisa tão linda como aquela.

A primeira vez que a peguei no colo, quando riu para mim, quando ela abriu os olhos e me viu pela primeira vez… eu nunca esqueceria daqueles momentos.

Eu não quis ver o corpo de Sam, mas ajudei a carregá-lo. 

Nós éramos muito amigos, mas na fase adulta seguimos caminhos diferentes e nos distanciamos, brigamos por algumas coisas e quando América apareceu foi o fim.

Eu teria feito tudo diferente se pudesse, teria me desculpado, teria feito as pazes, mas nunca imaginei que Sam fosse mortal e que o último dia dele fosse chegar. 

Mas me senti traído por ele também. 

América disse que ele sabia. 

Pelo visto tinha sido novidade apenas pra mim.

Suspirei fundo.

Sem vontade de ir para casa, sem vontade de dirigir fiquei lá parado dentro do carro. 

Tentei relaxar, mas tava puto. 

Eu não poderia perdoá-la por isso. 

Não fui um namorado tão ruim assim. Por que ela escolheu Sam? 

Bufei. 

Eu não sou o quem ela achou que eu fosse, disse que eu não era bom pra ela. E eu sei que não fui perfeito, errei com ela, mas eu sempre dei o meu melhor, sempre tentei ser o que ela precisava. 

É bom saber também que ela não é a pessoa por quem eu me apaixonei. 

Porra.

Não sei quanto tempo passei parado lá na frente para que América conseguisse fazer as malas e colocar dentro do carro.

Observei a maluca pelo retrovisor, ela estava com pressa quando colocou duas malas grandes no porta malas da camionete e então voltou para dentro de casa, atordoada como um bicho. 

Alguns minutos depois apareceu com a bolsa no ombro e Eadlyn nos braços.

Não pensei duas vezes antes de sair do carro. 

Me aproximei e ela estava tão fora de si que nem notou.

-O que você está fazendo? - perguntei e ela tremeu todinha.

Achei que me xingaria, mas simplesmente abaixou a cabeça e saiu do carro.

Olhei para dentro, a minha mini cópia da América estava dormindo. 

Eadlyn era um bebê ainda, mas já tinha uma personalidade forte. Falava não pra tudo, cruzava os braços quando algo não lhe agradava e me olhava de cara feia quando eu a perturbava enquanto ela estava assistindo seus desenhos. Eu conseguia ver América nela todinha, e eu era tão apaixonado por ela que às vezes doía o coração quando eu não podia simplesmente levar ela comigo, ou ficar lá pra sempre com ela. 

Era ruim ter uma filha “longe”, me sentia menos pai, sentia as vezes que ela não me amaria como ama a mãe, e tinha medo de um dia me casar, ter outros filhos e não poder dar a atenção pra ela que eu daria a eles. Não queria que Eadlyn crescesse pensando que eu não fui atrás dela, que eu não fazia questão…

As vezes saia morto de cansado do trabalho, só ia no bar ou em qualquer outro lugar depois que ela dormisse, todo dia estava aqui…

América ainda estava pensando em uma desculpa pra mim.

-Tava indo embora? - perguntei, dessa vez sem julgamentos.

Seus olhos azuis iluminados pela luz do poste me encararam. Ela estava mal, eu podia ver.

De repente senti até um pouquinho de culpa por ter brigado...

-Sim - senti um arrepio correr minha espinha mas não demonstrei - E ainda vou. 

Eu não sabia nem o que dizer a ela, então continuei a olhá-la, esperando uma explicação.

-Não dá… não dá pra ficar aqui. 

Ela tentou olhar para o lado, piscar, fingir que estava tirando os fios de cabelo alaranjado do rosto mas não conseguiu esconder as lágrimas e então começou a desabafar com a voz embargada:

-Não quero mais morar nessa casa, não quero mais trabalhar no estúdio, não quero mais ver toda essa gente, não suporto mais a família dele… eu sei que eu errei mas todo mundo me julga tanto! No estúdio ninguém mais olha direito na minha cara, ninguém sequer pergunta da Eadlyn, as pessoas me odeiam e onde quer que eu vá o clima fica ruim! Aqui dentro é tão… tão grande, Maxon. E é horrível ter essa sensação de que ele vai chegar a qualquer momento sabendo que ele não vai. Ta crescendo uma ansiedade dentro de mim que me sufoca! Eu quero superar tudo isso, mas eu não consigo desse jeito… E eu me sinto uma intrusa. Eu não tenho o direito de estar aqui, não tenho direito de cuidar das coisas dele, não posso vender, não posso me desfazer. Eu estou surtando! Não aguento mais, todos os dias é o mesmo sofrimento, não quero mais voltar pra cá, não quero mais trabalhar lá, não quero que as pessoas me olhem torto para sempre, que façam o mesmo com a nossa filha! Eu só queria poder tentar consertar os meus erros, tentar me recuperar, sair dessa situação toda… mas ninguém deixa. Eu sei que não tem como voltar no passado, e eu voltaria se eu pudesse, mas não tem!

Eu não era um monstro. Não podia fingir que não sentia nada, que ver ela chorar não mexia comigo. Não podia.

Nossa filha. Ela disse.

As lágrimas caíam incessantemente pelas bochechas. No rosto magro e corado de América quase não dava para ver suas sardas, o cabelo estava preso em um coque, mas alguns fios estavam soltos voando. América não tinha maquiagem no rosto, e nem precisava disso, usava uma legging preta, uma regata branca e uma camisa jeans por cima e um all star branco. 

O corpo ainda era igual ao de sempre, as curvas ainda eram tão chamativas quando seus olhos azuis e seu cabelo laranja, ela ainda era a mesma mulher linda por quem eu havia me apaixonado e eu não senti culpa por ter algo guardado por ela, nós tínhamos nos encontrado muito antes de toda aquela situação, eu já a amava antes de tudo.

Eu tinha completa noção de que América não era pra mim, e que eu devia guardar todos esses sentimentos. Mas não precisava se ter amor por alguém para confortar em momentos difíceis então não pensei duas vezes antes de abraçá-la.

No começo, ela ficou para, talvez não esperasse essa minha reação, mas então se rendeu e me abraçou de volta.

Seu abraço começou a me apertar tão forte, mas tão forte, que eu pude sentir sua dor e seu desespero. Seu choro estava abafado no meu ombro, e eu senti vontade de chorar como ela.

Seu coque se desfez, caiu sobre meu rosto e seus ombros, senti seu perfume se misturar com o cheiro do cabelo e pequei.

-Você pode ficar lá em casa - falei baixinho para desviar os pensamentos - Pode voltar a trabalhar com o que gosta. Vou cuidar de tudo, vou tentar conversar com a minha tia, passar a casa para o nome dela, o estúdio, o carro… - ela me soltou e limpou os olhos com a manga da camisa - imagino que Sam tenha deixado tudo isso para Eadlyn, mas se isso faz você se sentir melhor, nós podemos fazer isso. Nunca vai faltar nada pra ela, nem pra você. Isso eu te garanto. 

Ela me olhou perdida, os olhos estavam ainda mais azuis que antes, e então virou para a rua. Não sabia se ela estava pensando na hipótese ou se estava simplesmente longe.

-Vai ser melhor para nós dois. Não precisa se preocupar. Mudei de apartamento, você pode ficar no meu quarto com a Eadlyn. Eu durmo com a Brice ou no outro quarto vazio até a gente arrumar ele pra vocês. 

Ela continuou parada olhando para a rua e eu parei de olhar para ela. 

Um dia eu conseguiria olhar para América e não sentir nada? Era uma maldição mesmo. 

Senti uma leve pontada de arrependimento quando olhei para a grama verde e pensei que eu estava me colocando em uma forca ao tê-la lá em casa, eu não era tão forte assim. Não sei se conseguirei ser imune a América. Eu podeira me controlar se fosse qualquer outra, mas ela não.

Está tudo nas mãos dela. 

-É… - comecei me virando para ela novamente - Pode ser temporário até você se estabilizar. Até você conseguir… sabe…

Ela só balançou a cabeça.

Quem via aquela situação, nem imaginava que há pouco tempo atrás eu estava chorando de ódio dela. 

Me senti culpado então por ter arrumado mais confusão em sua vida estando ela passando por tudo aquilo sozinha.

-E também… - comecei - A Brice tem uma babá, ela é muito boa, vai poder cuidar da Eadlyn enquanto estivermos fora. 

-Maxon, por que você está fazendo isso? - ela se voltou para mim e sem acusações e desconfianças me perguntou.

-Consideração - disse passando a mão esquerda sobre o meu cabelo - Você é a mãe da minha filha, foi uma pessoa que eu amei e apesar de tudo preciso de você bem - fiz uma pausa como se todas as palavras tivessem fugido da minha boca e então desviei o olhar envergonhado - pelo bem dela. 

Em um segundo longo e demorado me senti totalmente estranho ao olhar dentro dos olhos dela. Era como se eu estivesse viajando pelas nuvens e ao mesmo tempo sabendo que embaixo delas havia uma floresta de espinhos.

-Tudo bem - ela respondeu e cruzou os braços - Já tá todo mundo falando mesmo - e então deu de ombros - É temporário, tá bom? 

-Tá bom. 

Ela descruzou os braços.

-Obrigada - falou me olhando nos olhos.

Sei que ela estava fazendo tudo pela Eadlyn. A América de antes teria teimado, feito eu queimar meus miolos, tentaria ir morar na rua e só iria se eu a levasse amarrada.

Fiquei até surpresa com a rápida resposta.

Ela estava mesmo precisando disso.

A ajudei a pegar mais algumas roupas e mais coisas delas, colocamos tudo dentro do meu carro e eu fechei a casa e guardei o carro na garagem.

Eadlyn tinha acordado e América estava dando peito para ela. 

Antes de entrar no carro, olhei mais uma vez para a casa de Sam e senti um profundo aperto no meu peito, senti medo da morte.

Ele havia deixado sua empresa, sua casa, seu carro, sua amada moto… e não era herança de ninguém. Tinha deixado tudo, para nada. Tudo ficaria para trás e aos poucos as pessoas parariam de sentir sua falta, logo deixariam de lembrar dele, voltariam a sorrir e fazer festas sem se sentirem mal pela sua perda. Talvez sua mãe e sua irmã nunca se acostumassem com isso, nem América. 

Dirigindo para casa, olhei América pelo retrovisor. 

Ela ainda amamentava Eadlyn, seus olhos estavam fechados e ela tinha uma feição de angústia.

América nasceu numa família muito rica, viajou o mundo todo, estudou nos melhores colégios, teve das melhores coisas mas já tinha passado por muitas ruins e eu nem sabia de todas elas, tinha uma família ruim, um ex marido horrível, havia perdido dois bebês, havia perdido Sam na véspera do casamento e de tudo o que ela já havia conquistado em sua vida, agora não tinha mais nada. Ela só tinha a si mesma e a Eadlyn. 

E o meu coração, que apesar de machucado ainda pertencia, boa parte, a ela. 

Mas ela nem sabia disso, nem fazia ideia. Eu tinha muito o que contar para América, tinha algo tão surpreendente que às vezes me fazia acreditar que o destino só queria nos unir de algum jeito. 

Eu também quase não acreditei.

Porém um dia eu contaria quando tudo estivesse bem, ou pelo menos ela estivesse melhor, estável e talvez até feliz de novo. 

No fundo eu às vezes até entendia o porquê dela ser assim, achava que a vida estava sempre querendo maltratá-la, e de fato parecia que sempre estava. Era o jeito de alguém que sabia que ia apanhar, mas não ia apanhar sozinha. 

Ela é uma mulher forte e por mais que erre e que tenha uma cabeça tão dura quanto uma rocha, só está o tempo todo tentando se defender. 





Notas Finais


Mudanças repentinas e futuros inesperados!
E aí, o que acharam?
Não deixem de comentar, até semana que vem!
Beijossss


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