História One More Drink - Capítulo 9


Escrita por:

Postado
Categorias One Piece
Personagens Nami, Nico Robin, Roronoa Zoro, Sanji
Tags Drama, One Piece, Romance
Visualizações 65
Palavras 5.363
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Festa, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Cá estou eu mais uma vez neste mês. Sim, dessa vez eu não demorei e venho trazer mais um capítulo direto do forno pra vocês!
Férias é tudo de bom, aproveitem! <3

Capítulo 9 - Both...


O andar enigmático que tanto gostaria de provar novamente vinha em sua direção audacioso, delicioso e até mesmo piedoso. Tantas outras características poderiam servir, mas naquele momento em que o caminho dela se desfazia na própria visão, era óbvio que nada mais importava além de poder se deitar com aquele corpo milagroso outra vez. Era fácil segurar os desejos intensos que permeavam fortemente em seu corpo e esta não seria a primeira vez que seguraria tais sentimentos tão inoportunos transitoriamente. Ainda com a posição relaxada e apoiada na bancada de madeira escura, esperava a chegada daquela que o fazia se arrepiar a cada gemido em uma noite na escuridão.

Não pôde evitar um sorriso de canto quando a morena pousara a pequena bolsa negra no balcão, para posteriormente se posicionar cuidadosamente em um dos bancos de frente para si. Pelo jeito, ela ainda estava dolorida da noite anterior e adorava pensar que fora o autor de tanto prazer. Era um sacrilégio se assim comentasse, mas também não conseguiu segurar a vontade de perguntar sobre as marcas que fizera no colo dos seios, pescoço e coxas em seus vários momentos de possessividade repentina.

— Pensei que não viria vestida dessa forma. — O meio sorriso descarado permanecia intacto na face masculina e, a espera de uma resposta desafiadora, inclinou-se para chegar mais perto do rosto feminino. A questão escondida era clara.

As íris azuis miraram o castanho escuro do esverdeado, divertidas, e logo desviaram seu caminho para cima, como se a dona destas pensasse no que responderia. Robin levou o dedo indicador da mão direita até os lábios, demonstrando bobamente que estava pensando e voltou a olhar para Zoro de um jeito sensual, provocando-o com a simples ação. Tinha enfeitado a boca com um batom claro que mal poderia ser visto, mas sabia perfeitamente que um detalhe como esse não seria ignorado pelo outro. Observando a posição do Roronoa, notou como este rapidamente se enrijecera e continuara ainda encostado onde estava. Ambos os jogadores daquele interminável jogo jamais cederiam às provocações fáceis, era preciso mais do que isso para que um dos lados se perdesse nos desafios lançados.

— Maquiagem, senhor Roronoa Zoro. — Explicou apoiando o cotovelo na madeira e se aproximando mais para que assim ele finalmente tivesse visão de parte de seus seios descobertos pelo maiô. Aquele decote que ia até a altura das costelas da outra, realmente o havia deixado abismado, mas era mais forte do que isso e seu orgulho jamais lhe pregaria peças.

— Interessante, hoje em dia as coisas são muito fáceis, não é? — Os dois já nem prestavam atenção direta na conversa que aparentemente estavam tendo.

O jovem barman se segurou com facilidade para não se afogar naquele azul celeste, visto que se encontrava em seu expediente, ainda com a expressão neutra que tanto lhe era característica. A Nico, um pouco decepcionada pela armadilha não ter funcionado, não se deixou cair pela íris que penetrava em sua própria alma como se a lesse por inteiro. Presos naquela infinita troca de olhares, foram infelizmente e finalmente interrompidos com a chegada do jovem cozinheiro, que encostou no balcão para pedir alguma bebida refrescante.

— Zoro, sangria. — A água que escorria até os cotovelos apoiados começara a encharcar uma pequena parte da bancada formando uma pequena poça e deixando o amigo que o atenderia irritado. Este não podia se queixar daquele comportamento, pois era contra a ética trabalhista e, como aquele ser repugnante era um cliente, segurou-se para não reclamar. — De vinho tinto.

Não era necessário que o outro dissesse estas últimas palavras, pois ao passo que este assim o fizera, a experiência acumulada depois de tantos anos de manuseio com as bebidas transformou-o em um perito em observação de cada gosto da clientela. Dessa forma, foi somente com a citação da primeira palavra do pedido que o barman rapidamente cortou a conexão visual com a morena para realizar aquilo que fora designado a fazer. Por sorte, aquele álcool já se encontrava devidamente preparado e guardado em uma garrafa parecida com a de whisky, assim, foi somente preciso pegá-lo e despejá-lo em uma taça para em seguida adorná-la com uma folha de hortelã e um pau de canela.

Pousou o vidro com cuidado na bancada, ação esta tão diferente da própria personalidade normalmente bruta, mas calma em diversas situações. Assistiu-o se sentar no banco ao lado daquela com quem passara a noite e arqueara a sobrancelha com a aproximação nada sutil do amigo de longa data. Robin finalmente reparara no cliente ao lado e reconhecera o rosto e a sobrancelha característica daquele homem, era simplesmente aquele que havia interessado a amiga ruiva, da qual ouvira toda a história constrangedoramente fofa. Sabendo o que este procurava, sorrira em resposta às indagações mentais do rapaz loiro e, antes que este pudesse começar a proferi-las, pôs-se a falar.

— Ela está na parte coberta. — Piscou num sinal de boa sorte e voltou a face fina e delicada para frente, com o intuito de continuar o que tanto a divertia.

Ainda em uma clara expressão neutra, atentou-se aos movimentos do companheiro que seguiu com a taça em mãos até a parte coberta onde anteriormente aquela na frente de si descansara, em busca de quem quer que fosse a outra companhia. Desviou a vista para a mulher bela e de longas mechas levemente onduladas que tanto o agradavam e prendeu o olhar novamente nos orbes tão azuis quanto as águas límpidas daquela piscina no ambiente quente, pronto para recomeçar a troca de mensagens telepáticas e desejosas.

No entanto, ao que tudo indica, aquele não era o melhor momento para que ambos se perdessem mais uma vez em seus próprios mundos. Um cliente se aproximara e se sentara no mesmo banco de Sanji, limpando com as mãos tatuadas os restos de água da piscina que ali residiam. Levantou a vista para poder vislumbrar a próxima pessoa que serviria e se surpreendeu por reconhecê-lo. O mesmo homem com quem se encontrara no elevador, a caminho para aquele local de trabalho, começara a puxar assunto com a morena como se a conhecesse há muito tempo.

— Robin, fico feliz em te encontrar aqui. — Com a citação do próprio nome e reconhecendo a voz familiar, virou-se rapidamente para dialogar com uma das únicas pessoas inteligentes que tinha como amigo.

— Law! — Sorriu para o início de conversa, alheia ao interesse que passava a crescer na cabeça do esverdeado. — Fui convidada pela Nami. Está de férias?

Um sorriso de canto nasceu nos lábios do homem com características quase tão irritantes quanto as do loiro que conhecia de longa data, o cavanhaque. Voltara o olhar para observar a expressão da Nico enquanto esta conversava animadamente com o outro, com esperanças de entender o que realmente estava acontecendo diante de sua presença. Mas tudo que recebera como retorno fora um sorriso de alegria que infortunadamente não era direcionado a si. Tudo o que conhecia daquela mulher eram os desafios, seu corpo, seus mistérios que gostaria de desvendar e ainda as expressões e sons que poderia magnificamente fazer. Talvez o que sabia sobre ela, comparado com a genuinidade que lhe era mostrada naquele exato instante, não para si, mas para outro, era pouco com o que provavelmente aquele homem conhecia da arqueóloga.

Concluíra o pensamento sem precisar de perguntas que o perturbassem constantemente e isso foi um estopim para que um sentimento morno e desconhecido passasse a perambular pela região mais inoportuna do organismo. Franziu as sobrancelhas num ato de incompreensão, sem saber porque se sentia daquela maneira, frustrado. Sim, sentia-se frustrado, só não sabia o porquê ou era burro demais para entender os motivos que o levaram à frustração. Não fritaria os miolos só por estar em uma parte coberta da piscina, protegido do sol, senão estivesse trabalhando possivelmente se perderia em divagações infindáveis e jamais voltaria para o mundo onde nascera.

Agarrando-se às esperanças de se esquecer daquele sentimento dissonante, resolveu dar espaço para que os dois a sua frente pudessem conversar sem que precisasse ouvir mais alguma das conversas nada interessantes. Contudo, no exato segundo em que se moveria, ouviu seu nome ser mencionado pela voz única da mulher e despertou de sua bolha coberta pela ignorância. Ambos pareciam olhar para si naquele átimo e decidiu prestar um pouco de atenção ao que estaria sendo falado sobre a própria pessoa, curioso.

— Este é Roronoa Zoro, o barman. — Analisou a face graciosa da Nico e arqueou vagamente a sobrancelha ao distinguir a emoção carnal nublando parcialmente os olhos, antes puros e celestiais da mesma, ao olhá-lo por completo. — E este é Trafalgar Law.

O jogo interminável.

Foi com esse pensamento que conseguiu sorrir de canto em uma réplica ao olhar totalmente descontrolado que poderia o devorar e, se virar para cumprimentar aquele homem até então desconhecido. A educação não havia sido um de seus fortes no colégio, mas era proclamado como um dos mais sensatos do grupo de amigos e se orgulhava desse título, por mais que não valesse nada na sociedade afora. Dentro dos muros da mansão onde crescera, a rigidez em relação à etiqueta havia sido espartana — assim como os treinos com a espada — logo, indubitavelmente reconhecia as situações em que era necessário que se portasse como um verdadeiro herdeiro, por mais que odiasse tal denominação.

— Prazer em conhecê-lo. — Abaixou a cabeça em um gesto de respeito e cumprimento. Quando voltou o olhar para as íris que anteriormente concluíra ser estranhamente amarelas, notou que o dono destas continha algumas questões que jamais poderiam ser feitas.

Law, educado, repetiu a ação do outro e bagunçou as mechas negras e rebeldes que insistiam em cair e atrapalhar a visão, arrumando-as novamente na posição em que deveriam ficar. Robin, abordada por um outro conhecido que sempre a ajudara em expedições e afins, pediu licença para conversar com este por breves minutos, prometendo que logo estaria de volta e retirando-se posteriormente para um canto mais afastado onde poderia falar sobre negócios. Após a rápida saída da morena, ambos permaneceram em um silêncio perturbador até mesmo para os outros clientes que residiam em seus bancos tomando de suas cervejas.

— Whisky puro, por favor. — Como se para quebrar a situação desconcertante em que foram colocados, o jovem cirurgião pediu uma bebida e se virou para apoiar os cotovelos na madeira escura, ficando de costas para o bar.

Zoro, com maestria, entregou um copo fundo ao recém-conhecido, descansando o vidro com delicadeza em uma região mais afastada dele para que evitasse acidentes. O Trafalgar se virou novamente para provar daquilo que lhe fora oferecido e assim que o fizera, aprovara com a simples continuação do silêncio que antes parecia pesado no ar. Ambos possuíam perguntas, similares e inteiramente inconvenientes. Queriam imensamente satisfazer as próprias vontades de acabar com as dúvidas, mas o respeito entre desconhecidos era maior e continuaram com a taciturnidade. Até que, depois de longos dez minutos, sem mais aguentar esperar, resolveram acabar de uma vez por todas e enquanto ainda dava tempo, com as suspeitas que insistiam em amadurecer nos cérebros.

— Você dormiu com ela? — As perguntas foram ditas em uníssono, para a surpresa de ambos aqueles que as pronunciaram. Envergonhados pela recente cena idiota que vivenciaram, desviaram os olhares.

O suspiro do mais alto foi audível.

— Esqueça, não é importante. — Zoro concordou em deixar o assunto para outra possível vida, pois sabia que a resposta para a pergunta era positiva. Se assim não fosse, o outro jamais teria perguntado e jamais teria pensado em perguntar.

A vida íntima da morena não era da conta de nenhuma das vidas dos dois rapazes que lutavam contra os pensamentos em um simples e majestoso bar, mas não poderiam deixar de se autodenominar rivais e, foi com esse exato parecer que mais uma vez se encararam. Não cheios de dúvidas quanto a um assunto em comum, mas sim certos de que lutavam pela atenção da mesma mulher. O Roronoa nem mesmo a certeza tinha sobre os próprios sentimentos e jamais outrora sentira algo parecido como a paixão, no entanto, agora era questão de honra vencer aquele desafio criado entre eles.

Faíscas eram visíveis e saíam aos montes ao passo que se fitavam. Fato interessante é que a maioria dos clientes também sentados nos bancos e encostados no balcão não faziam ideia do que estava ocorrendo diante de suas habituais presenças, logo, apenas observavam calados o desenrolar dessa competição muda, sem coragem para interromper e pedir outra dose do que quer que estivessem bebendo.

Robin voltou depois de quase vinte minutos e se sentou novamente no banco onde anteriormente residia. Quando estava prestes a se desculpar e continuar a conversa com os dois rapazes, notou que estes pareciam perdidos em um universo paralelo onde eram os únicos existentes, bizarramente fixados nos olhares intrínsecos que dividiam entre si. Observara a situação com outros olhos e sorrira, divertida, resolvendo acabar com aquela tensão no ambiente com uma brincadeira banal.

— Uau, eu mal saio e já estão apaixonados. — Apoiara-se no balcão novamente com as mãos sobre a boca, demonstrando falsamente estar surpresa com o modo como interagiam.

Despertos e perdidos, viraram-se rapidamente na direção da Nico, assustados pelo súbito aparecimento da deusa pela qual lutariam. Depois de poucos segundos assimilando o breve acordo, trocaram novamente olhares cúmplices e certos de que um desafio seguramente fora proposto, voltaram-se — em igual velocidade — sincronizados para a expressão questionadora de Robin. Esta soltou uma risada pela concomitância das ações e pediu mais uma dose da deliciosa bebida na qual se viciara por culpa do esverdeado, sorrindo para os dois homens em seguida, totalmente insciente do que presumivelmente se sucedera há alguns momentos atrás.

***

Acompanhara com o olhar, interessada, os passos que levavam a amiga até o bar. Posteriormente, sem qualquer intenção de continuar interferindo na privacidade dela, ajeitou-se calmamente para que enfim ficasse deitada na cadeira confortável. O estofado azul macio e os poucos raios de sol que passavam pelo teto cuidadosamente ornamentado com tranças de madeira, igual à entrada aformoseada, deixavam uma agradável sensação de calor na pele. Foi com esse breve devaneio que buscou o protetor solar que sempre trazia consigo para onde quer que fosse, alheia aos vários olhares de admiração que eram destinados a si.

Totalmente acostumada a chamar a atenção de tantos homens, continuara com a busca, concentrada em não deixar cair qualquer um dos objetos que permaneciam dentro da pequena e branca bolsa. Quando começava a ficar irritada com a perpétua procura, sentiu a presença de outro ser humano ao seu lado e parou o que fazia para poder distinguir o indivíduo da maneira correta. Olhou para cima e não se surpreendeu com a velocidade que aquele sujeito tivera para a encontrar, era um mulherengo pelo pouco que sabia, mas pelo menos tinha uma qualidade cavalheiresca infindável.

Não queria demonstrar estar estupefata e se segurou para não abrir a boca com o corpo masculino que lhe era mostrado pela segunda vez no dia. Jamais esperaria um físico tão bonito vindo de um cozinheiro e engoliu em seco ao finalmente constatar que estava focando demais no exterior daquele jovem rapaz. Subiu rapidamente o olhar castanho-claro para o rosto de queixo quadrado e coberto pelo cavanhaque tão característico como as sobrancelhas estranhas, encontrando um sorriso na expressão deliberadamente calma, como se o dono desta estivesse esperando eternamente para a encontrar.

Arqueou a sobrancelha com a conclusão, era deveras inteligente e conseguia levar muitos homens para a cama com a simples utilização da lábia, mas aparentemente sempre escolhera errado seus alvos, visto que nem sempre se satisfazia entre quatro paredes com o bendito escolhido. Entretanto, cá estava um homem que lhe trazia, por enquanto, poucas dores de cabeça e que outrora já havia sido assinalado. Ainda tinha suas dúvidas em relação a estabelecer algum tipo de vínculo com o outro e seu passado sempre voltava para a assombrar com ideias negativas quanto ao pensamento anterior.

Os cabelos loiros estavam pingando e estas gotas se apresentavam cautelosamente delineando cada músculo corporal, percorrendo o caminho cuja gravidade demandava. Aquele jovem cozinheiro era atraente, tal fato era transparente e nem ao menos poderia ser negado, pois várias outras jovens no local passaram a observar aquele casal, perdendo as esperanças ao vê-los juntos e pensando que ambos estavam definitivamente ligados em um namoro. Tal acontecimento também se dera com outros rapazes que estavam por perto, tentando chegar até a ruiva com esperanças de que fossem notados, porém, desistiram ao ver que os dois já aparentavam se conhecer.

Suspiros e mais suspiros eram audíveis e todos nem sequer tentavam esconder os sentimentos de frustração que se passavam pelas mentes ainda completamente inocentes e juvenis. As mulheres sentadas ainda tinham expectativas de chamar a atenção daquele jovem rico e loiro, mas mal sabiam que toda a concentração deste era destinada a somente uma mulher naquele exato instante.

— Nami-san, olá novamente! — Sorriu se lembrando do selinho de despedida na porta do quarto da senhorita diante de si, encarava a face naturalmente bela olhando-o de volta.

A modelo entrelaçou as pernas com o simples objetivo de permanecer aconchegante naquela cadeira macia e fez sinal para que ele se sentasse na cadeira oposta, onde a companheira de apartamento descansara antecipadamente. A simples movimentação dos membros inferiores da jovem, fizera com que as divagações pervertidas passassem a acordar no cérebro do loiro e este, ao saber do gênio forte da outra, meramente sentou-se com a educação que tanto lhe fora colocada à força quando pequeno. Fato é que adoraria ter aquelas belas e torneadas pernas ao redor de sua cintura. Suspirou discretamente com a intenção de acalmar os ânimos que começavam a crescer dentro de sua alma, estava acostumado a se controlar e assim o faria.

— Sanji-kun, não esperava te encontrar tão cedo. — Lembrou-se das próprias palavras proferidas antes que aquele homem saísse de seu quarto: “Mal posso esperar”. Fizera com o intuito de provocá-lo e pelo jeito seu pequeno e quase insignificante plano dera certo.

Ela sorriu educadamente e continuou a duradoura caça ao protetor solar, o calor começou a fazê-la transpirar em resposta ao clima e com os longos cabelos ruivos a incomodando, resolveu rapidamente fazer um coque desleixado atrás da cabeça. Deixou poucas mechas junto da franja caírem, transformando a aparência angelical e tornando a região do pescoço visível, vários homens que ainda a observavam atentamente suspiraram ao mesmo tempo, com inveja daquele que estava logo ao lado dela. Contudo, aqueles pobres seres não tinha noção alguma de que até mesmo para Sanji, a companhia se fazia complicada. Ao passo que este começara a notar melhor o traje de banho da moça, a pele deixada inteiramente exposta parecia acetinada, de modo que a vontade de a tocar mal era segurada.

O tecido leve e tingido num rosa-claro combinava tão superiormente com a derme altamente cuidada que parecia brilhar conforme os raios de luz tocavam em cada parte dos membros descobertos. A confortabilidade evidenciada era extraordinariamente concisa no que diz respeito aos elogios que poderiam ser facilmente tecidos. O jovem cozinheiro que com maestria poderia usar de suas mãos grandes para construir pratos considerados obras de arte, agora se encontrava mais uma vez estupefato com a qualidade da modelo, ou melhor, deusa que descansava em uma cadeira descartável à beleza mostrada. Ajoelhar-se-ia perante a existência de uma beldade tão divina se caso ainda estivessem em tempos antigos da realidade humana.

— Achei!

Acordou do mundo onde estivera por um curto período elogiando cada um dos dotes físicos que a outra demonstrava, de dentro de uma bolha onde parecia um espectador que jamais seria apto a estar do lado de tal venustidade. Observou o objeto em mãos delicadas e bem cuidadas e reconheceu com facilidade o nome da marca de um protetor solar, concluindo que era aquilo que ela tanto procurava. Imaginou que esta pediria ajuda para passar aquele líquido salvador de peles, mas logo ignorou a ideia absurda, ela jamais faria isso.

— Sanji-kun, preciso que você passe pra mim. — Piscou três vezes até ter certeza de que ouvira certo. — Se você encostar em qualquer outra parte que não citei, eu te mato. — Notou os castanho-claros cortarem o próprio corpo ao meio e tinha certeza de que aquela ante si não estava para brincadeiras quando dissera a última ameaça.

Nami tinha certeza de que estava sendo cruel, não era burra e poderia ser chamada disso, apenas talvez, em uma vida muito distante. Mas o problema principal é que nem mesmo ela queria ter que pedir a ajuda daquele que primeiramente a interessara na noite anterior, fato é que infelizmente não alcançava as próprias costas e não queria ter que solicitar socorro da amiga que aparentemente se divertia no bar. A jovem moça suspirou e entregou o pequeno pote nas mãos do loiro, este ao perceber como ela parecia desconfortável, após pegar o objeto, passou a mão pelas mechas pouco molhadas e olhou ao redor para procurar por alguém que fosse mais competente naquele momento. Todos aqueles que estavam no local pareciam estranhamente e totalmente rancorosos em relação a si, sustentou os olhares de raiva e irritabilidade sorrindo sem graça. Pelo jeito, não havia escapatória.

A ruiva se ajeitou na cadeira, sentando-se de costas para ele e tirando alguns fios que atrapalhavam o caminho, olhou por cima do ombro e viu o loiro estacado no mesmo lugar. Os olhares se cruzaram e Sanji entendeu que deveria começar, com cautela colocou um pouco do creme suave na mão direita enquanto segurava o pote com a esquerda e se ajoelhou atrás da outra. O coração da ruiva parecia querer pular para fora, tinha a completa noção de que era apenas uma simples ação de solidariedade, passar o protetor solar era nada demais, mas seu trauma passado parecia relembrar o organismo de que algo parecia errado, tremendamente incorreto. Ela fechou os olhos com força e mordeu o lábio inferior, controlando o medo que passava a crescer dentro de seu âmago, a obscuridade que parecia consumir a alma em uma lentidão excruciante à medida que as mãos masculinas exerciam o objetivo dado.

O jovem e habilidoso cozinheiro, concentrado, notou como ela tremia conforme continuava passando com delicadeza o creme e, enquanto tentava prosseguir com a tarefa dada, finalmente percebeu que o tremor não se referia ao sentimento vergonhoso, e sim ao sentimento de pavor. Com a constatação desse fato, automaticamente todos os pensamentos pervertidos que se instalavam no meio da consciência, esvaíram-se da mente à proporção que encostava na pele impecável. A perversão deu lugar à preocupação e com esta tentou rapidamente terminar o trabalho designado, ainda com gentileza, almejando não causar mais tal sensação horrível na jovem por quem se interessara.

Se contasse a algum conhecido sobre o ocorrido, ninguém jamais acreditaria em suas palavras, pois era incomum que se controlasse tão facilmente perante uma mulher, ainda mais uma como a deusa ruiva com um corpo escultural que dava inveja em qualquer outra senhorita pelo mundo. No entanto, diante do orgulho cavalheiresco e protetor, não queria causar o pior dos sentimentos para aquela que o intrigara desde o início. Logicamente não a conhecia bem o suficiente pra ser considerado intimamente como um sequer amigo, mas se preocupou e tirou as mãos das costas pequenas e indefesas assim que terminou, entregando o mini pote para ela em seguida.

— Pronto. — Nami abriu os olhos imediatamente e soltou o ar, tentando disfarçar como se sentira daquele que a ajudara e recuperando a compostura assim que recebera o objeto de volta.

— Obrigada. — Sorriu, colocando profissionalmente a máscara que usara sua vida toda.

Tristemente o loiro concluíra com aquele majestoso sorriso, que a modelo já passara por situações complexas e delicadas no passado. Decidiu fingir não ter percebido nada dos tremores e sorriu em resposta, tentando varrer tal receio para debaixo do tapete. Felizmente, Nami não percebera a simulação, aceitando facilmente e mentalmente que não tinha mostrado um lado fraco para outra pessoa. Ela se deitou outra vez na cadeira e suspirou, tampando a vista posteriormente com a mão direita por conta de um dos raios de sol que passavam e atingiam a região, o coque seria desfeito se assim levantasse e foi com essa ideia que decidiu somente virar o rosto para conversar com o outro em sua presença.

Ao realizar tal ação, deparou-se com o olhar de um homem que a admirava por completo, mas havia algo diferente, algo fora do comum. Aquela apreciação continha algo escondido e desconhecido, eram os olhos de alguém que já havia sofrido, os olhos de alguém que poderia decifrar os problemas que a perturbavam desde antigamente, os olhos de alguém que a desafiavam a aceitar o futuro que ambos poderiam ter. Sanji sabia, via o sofrimento minuciosamente abstruso no brilho daquela perdição de cor castanho-claro, era romântico e poeticamente respeitoso quanto aos problemas de suas parceiras com quem escolhia estar. Seu senso de ajuda apitava ridiculamente alto em seu ouvido e gostaria de amparar aquela mulher, era seu pensamento, talvez sua obrigação se ela o aceitasse. Contudo, ainda tinha um longo caminho pela frente e, com essa compreensão, sorriu para ela sem saber que era prudentemente estudado.

Se a ruiva parasse pra pensar, ambos nunca haviam se olhado no quesito sentimental, o qual se esconde no mais profundo e se revela somente para aqueles que merecem saber da verdade. Encararam-se continuamente pensando apenas na concupiscência, presos em um eterno jogo onde lutariam por quem cedesse primeiro, presos nas armadilhas que armavam para que um ou outro caísse. Nami por um momento pensou em se render à um talvez, mas então, todo o cuidado que tinha com as pessoas que se aproximavam seria em vão, um completo desperdício se assim o fizesse. Seu orgulho forte e inteligente lhe prendera mais uma vez com correntes que a impediam de adquirir uma felicidade ainda maior. No final, era só o medo que lhe lembrava da sensação horripilante de estar presa a alguém indesejável outra vez.

Ambos se encaravam. Ela perdida num vasto mar cinza-azul que poderia lhe trazer tantos tesouros quanto aqueles dos contos de pirata, ele perdido no castanho-claro que parecia sempre lhe pregar peças embaraçosas, mas ainda assim de certa forma aconchegantes. Fixavam-se nas autênticas imaginações, finalmente entendendo a oportunidade que se encontrava defronte de suas próprias vistas. Todavia, eram covardes demais e colocavam o adjetivo precavido para os caracterizar, porque na realidade não queriam sofrer de novo, não queriam se arriscar por algo que no final não valesse a pena. Só o que lhes restava era continuar com o jogo que haviam começado, os dois lados da moeda não tinham coragem para sequer começar a mover alguma peça de xadrez nesta repentina relação entre simples conhecidos.

Mal se conheciam, haviam dormido juntos em uma mesma cama, sem qualquer toque ou sentimento carnal e íntimo. Eram jovens, habilidosos com o que faziam, destemidos diante da sociedade, famosos pelos dotes que carregavam, conhecidos nas capas de revistas. Mas em contraste com a vida social, eram pessoas sem rosto que seguiam um caminho sem rumo, procurando pela luz que poderia os guiar para um futuro ainda mais próspero e feliz. Era a falta de amor. Não maternal e nem paternal, era a falta de carinho quanto a alguém que carregasse a vida do outro indivíduo nas mãos, que carregasse as esperanças de uma nova vida em um anel de compromisso. Eram infelizes e não sabiam, eram cascas vazias que deveriam ser preenchidas e não faziam ideia.

Piscaram harmonizados, enfim acordando da reflexão intensa. Ele querendo tentar alguma coisa, mas com um pé atrás. Ela querendo se livrar daquele temor pretérito, mas sem coragem para sequer dar um passo para frente. Mais uma vez Sanji observou os cílios longos da outra, encantado pela beleza criada a partir de um passado triste, o gênio forte que escondia algum sentimento ancestral, a comunicação através de um olhar caloroso como a cor viva dos cabelos ruivos. De novo Nami observou a cor cinza-azul, deixando se cativar pelo mar que a abrigava como em um refúgio para onde poderia sempre correr.

A modelo suspirou, havia se decidido, queria tentar. Depois de tanto pensar nas ações sempre gentis e cavalheirescas do loiro, de tanto torturá-lo com as brincadeiras, aplaudia de pé a força de vontade do outro, pois sabia que não havia sido fácil. Reconhecia aquele ser humano como apto para se aproximar de sua pessoa e, sem perceber, mostrara um outro lado que jamais tinha mostrado para alguém: o carinhoso. Existia ternura no olhar de cor comum e clara. Sanji arregalou os olhos ao notar no mesmo instante aquele sentimento afetuoso sendo direcionado a si e identificou o coração bater mais forte, confuso com aquelas emoções inebriantes que pareciam enchê-lo. Quando ela abriu a boca para falar, foi interrompida pela voz masculina que reverberara pelos tímpanos.

— Nami-san, eu quero te conhecer melhor. — As palavras saíram instintivas e o dono destas se segurou para não corar. A receptora de tão encantadores vocábulos se assustou com a sinceridade repentina. Desarmada, procurou algum lugar para olhar e sem querer notou como a ponta da orelha daquele homem parecia assumir um tom de cor-de-rosa, ao menos não era a única constrangida pela fala.

Riu, divertindo-se com a situação constrangedora em que foi colocada, deixando o outro desorientado. A coragem que arranjara para dizer aquela pequena frase fora extraordinária, nem mesmo sabia como havia tido a bravura para realizar tal ação, pois era absolutamente diferente do que planejara fazer quando arquitetara um plano previamente. Agora que já o tinha feito — mais cedo do que esperava — só lhe sobrava aguardar pelo retorno de sua afirmação. O rosto sério do loiro a impediu de continuar rindo daquela espécie de pedido e pigarreou antes de voltar a contemplar aquele jovem rapaz sentado no chão, sabia o quanto era frustrante não obter uma réplica apropriada.

— Tudo bem, vamos devagar, certo? — Sorriu, um sorriso verdadeiro, cheio de expectativas para o que quer que acontecesse após essa breve interação.

Ele sorriu consentindo com a opinião dela, feliz por tudo ter dado certo no final. Era estranho considerar que havia feito a pergunta — em forma de afirmação — tão cedo, pois nem ao menos haviam realizado alguma coisa significativa no sentido lascivo. Logicamente esperava que fizessem e expectava que seus desejos se realizassem, o objetivo não era mais meramente se satisfazer e satisfazê-la, agora era a conhecer de verdade, descobrir todos os seus mistérios e quem sabe criar um vínculo mais sério. Tinha confiança de que conseguiria, pela primeira vez em anos queria tentar novamente.

Nami ainda guardava as incertezas no coração, mas sabia que aquele era seu passe para uma nova possibilidade na vida, a de ser feliz com alguém. Piscou duas vezes ao se convencer de que realmente tivera esse pensamento, ainda precisava ver se poderia confiar plenamente naquele homem, mas diante das circunstâncias apresentadas e após concluir que ele era honesto e digno antecedentemente, pelo menos tinha a certeza de que não sofreria do mesmo male na adolescência.

Talvez ambos não fossem tão covardes assim, talvez ambos não fossem considerados duas conchas vazias que deveriam ser preenchidas. Na realidade eram frutas maduras que estavam prestes a se chocar contra o chão, enfim acordando, arbitrárias. O convencimento mútuo entre as partes desse início de amizade era tremendamente gratificante, de modo que os dois já não precisavam ficar remoendo o medo de tentar dentro de seus organismos. Ao contrário do que fora dito outrora, agora eram livres para buscar pelo que lutar, quebravam a barreira que os prendia à grilhões pesados e conectados com as tentativas sem sucesso do passado aos gritos.

Antes que pensassem em seguir para as águas límpidas que com toda certeza clamavam pelo mergulho do homem e da mulher, olharam-se outra vez, encontrando no olhar um do outro a palavra que parecia brilhar no vocabulário dentro de suas psiques: tentar. Sorriram, resolvidos a explorar mais do significado daquele verbo dentro de seus próprios objetivos futuros. Trocaram meras palavras expressando a vontade de nadar enquanto bebiam dos drinques preparados pelo barman e caminharam destemidos até a borda, decididos a apostar uma corrida.

Não havia mais a aura pesada e cautelosa que os rodeara no começo da relação amigável, havia somente o mais puro entendimento da vida em ambos os corações que, cedo ou tarde, encontrar-se-iam conectados.


Notas Finais


Tentei deixar o capítulo focado em ambos os casais, mas foi impossível não deixar mais voltado para os dois que mais estão naquela situação de chove e não molha. Enfim, espero que tenham gostado!
Pode apostar que virão outros capítulos cada vez melhores, minha escrita vem aprimorando juntamente das vezes em que posto, então por favor, acompanhem-me nesta pequena aventura!
Até a próxima! o/

PS: Se encontrarem algum erro peço que me perdoem.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...