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História One More Weekend - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Chegando cedinho hoje para mais uma historia nova!!! Como vocês estão? Espero que bem!
Hoje é de um shipp bem inusitado ks, e mesmo que eu não shippe muito eles (e vcs talvez não) deem uma chance porque eu fiz essa fic como presente de aniversário para @flxetoiles e eu criei muito amor pelo plot. Então, parabéns pelo seu dia meu amor e obg por ser essa pessoa incrível, talentosa e meiga!!
Sem mais enrolação, vamos pra fic! Bjs e boa leitura <3

Capítulo 1 - Uniq


O sol começava a nascer timidamente naquela manhã fria de sábado, despontando no horizonte ao longe, quando Yuta estacionou seu jipe amarelo fosco em frente ao prédio alto que seu namorado — Lee Minhyung, ou apenas Mark para os mais íntimos — morava. Um sorriso pequeno surgiu nos lábios do japonês ao retirar a chave da ignição e sair do veículo, fechando a porta antes de encostar-se nela e pegar o celular no bolso da jaqueta de couro que usava, digitando as pressas uma mensagem para Mark, avisando o mais novo de que estava ali o esperando. O Nakamoto se curvou e sorriu educadamente quando recebeu um cumprimento do porteiro, este que estava tão acostumado com a presença do jovem japonês no prédio a ponto de sempre o cumprimentar, logo desejando um “bom dia” ao senhor Park de modo tão educado que muitos ficariam surpresos.  

Não era como se Yuta fosse o tipo de cara mal-educado com respostas ácidas e irônicas na ponta da língua, na verdade, as pessoas tendiam a julgá-lo com um simples olhar graças a forma como ele mantinha uma expressão séria no rosto ou pelo jeito natural com o que o maxilar dele — normalmente marcado — o dava um ar irritado. Haviam ainda as roupas, o estilo grunge, com todas aquelas correntes e argolas, calças com rasgos diversos, blusas de cor preta estampadas com nomes de bandas ou traços, as jaquetas de couro e as botas ou coturnos pesados, que contribuíam para que a maioria das pessoas pensasse que o Nakamoto fosse um bad boy conquistador. 

O japonês lembrava-se perfeitamente de que por culpa de sua aparência e estilo, os boatos infundáveis que comentavam sobre si pelo campus tendo visível parcela de culpa, aproximar-se de Lee Minhyung havia sido quase impossível. Yuta claro, tinha apenas as melhores das intenções e de quebra um coração que falhava várias batidas ao ver o garoto entrar pelo portão usando óculos de armação redonda e carregando um violão, mas Mark parecia tão assustado e amedrontado pelo repentino interesse do Nakamoto por si, que apenas fugia pelos corredores, inventando as desculpas mais plausíveis que conseguia encontrar para esquivar-se do mais velho. 

Levou bastante tempo — e paciência por parte de Yuta — para que o Lee finalmente cedesse e o deixasse se aproximar, não tardando para que o canadense percebesse que o japonês era uma pessoa completamente diferente do que costumavam falar sobre ele pelos corredores. Minhyung descobriu que Yuta, diferente do que falavam, não gostava de festas lotadas de pessoas, de motos barulhentas, de rock ou metálica, ou de cigarros e bebidas. O Nakamoto preferia a paz de uma casa isolada da cidade — um fato que deixou o Lee surpreso — o jipe velho, mas bem cuidado que tinha, e de ficar ouvindo Mark tocar alguma música Indie no violão enquanto compartilhavam uma xícara cheia de alguma bebida derivada do café. 

Yuta despertou de seus pensamentos quando escutou o som da notificação de seu celular, uma mensagem curta, um simples “Okki” com um coração, brilhando na tela e fazendo o japonês sorrir para o aparelho em mãos, feliz e ansioso por estar tão perto de finalmente poder passar um momento a sós com o Lee, apenas eles dois, isolados de toda a movimentação da cidade grande. O Nakamoto não odiava Seoul, longe disso, ele apenas sentia falta de poder ficar ao lado de Minhyung sem que o celular do mais novo apitasse para avisá-lo de que precisava ir embora para fazer alguma atividade para a faculdade ou dormir cedo para preparar-se para algum seminário no dia seguinte, sem os sons irritantes de carros, motos e das vozes incessantes das pessoas na rua ou pelo simples de fato de poder ver tão pouco Mark — e quando conseguia, ter a infeliz visão do rostinho do Lee marcado pelo cansaço. Havia sido justamente por isso, que na noite anterior, durante uma das chamadas de vídeo que o casal costumava fazer quando não podiam se encontrar, Yuta propôs que Minhyung passasse o final de semana junto a si no chalé que havia herdado dos pais — uma pequena propriedade na saída da cidade — recebendo uma resposta positiva do mais novo. 

O som de passos chegou aos ouvidos do Nakamoto, fazendo com que ele erguesse o olhar da tela brilhante e travasse o celular, guardando-o no bolso da jaqueta ao ver Mark correr em sua direção, a mochila amarela nas costas balançando de acordo com os passos deles, combinando com os fios escuros levemente ondulados que estavam bagunçados e caiam sobre a testa e as lentes dos óculos de armação redondas. Minhyung jogou-se nos braços do mais velho ao estar finalmente perto dele, deitando o rosto no ombro dele e sentindo o japonês envolver suas costas em um abraço carinhoso que fez o Lee rir alegremente, recuando logo em seguida para poder olhar o rosto do namorado. Ele piscou incrédulo ao ver os fios compridos e ruivos — cor esta que ele não havia reparado na noite anterior visto que o japonês estava usando uma touca — porém antes que pudesse questionar sobre aquilo, os lábios do Nakamoto encontraram os seus em um beijo lento e amoroso, sem pressa alguma, desejando apenas sanar a saudade que tanto sentiam um do outro.  

Eles separaram-se quando o ar se fez se necessário, Yuta acariciando com os dedos magros e beijando cada uma das bochechas gordinhas de Minhyung antes de afastar-se para poder abrir a porta do jipe e indica-la para que o mais novo entrasse, trancando-a após ver o Lee colocar o cinto e abraçar a mochila amarela contra o peito com um sorriso nos lábios. O Nakamoto contornou o veículo pacientemente, logo entrando e não tardando a se acomodar, levando a chave na ignição e dando partida no jipe, iniciando a curta viagem que os levaria ao chalé isolado numa área pouco montanhosa. O silêncio confortável instaurou-se entre eles pois o japonês estava concentrado dirigindo e Mark estava distraído olhando os fios ruivos meio presos em um coque do namorado. 

Você pintou… — sussurrou vagamente, atraindo a atenção de Yuta, que desviou o olhar rapidamente da estrada para ver o rosto sorridente de Minhyung. — Achei que não fosse levar a sério quando disse que ruivo combinaria contigo. — Riu timidamente ao ver o rosto do Nakamoto iluminar-se naquele belo sorriso que apenas ele tinha. 

— Já fazia um tempo que eu queria pintar e quando você sugeriu que eu experimentasse algum tom mais ruivo… resolvi te agradar, bae. — Explicou calmamente e levou uma das mãos a perna do garoto, acariciando com cuidado enquanto mantinha os olhos firmemente na estrada. — Você gostou?

Minhyung acenou positivamente, mordendo o lábio inferior ao perceber que Yuta não poderia ver por estar concentrado na estrada, sussurrando um monossilábico “sim” em decorrência da vergonha que sentia em ter os dedos do japonês tocando o interior da sua coxa. O Nakamoto afastou a mão da perna de Mark ao escutar a resposta curta, mas agradável o bastante dele, voltando a atenção para o caminho à sua frente e pensando em algo que poderia dizer para impedir que eles voltassem a ficar em silêncio. Antes, porém, que ele pensasse em algo, o Lee abriu o bolso pequeno da mochila amarela, pegando por entre os vários CD's — visto que ele ansiava que houvesse um tocador de discos no velho chalé —, um com a capa preta e uma linha branca ondulada sobre o fundo escuro, levando-o a entrada para discos do jipe e pressionando o play. 

Um sorriso se abriu quase instantaneamente nos lábios de Yuta ao identificar o início da música tocada, percebendo que provavelmente se tratava do álbum AM da banda Arctic Monkeys, logo acompanhando o mais novo ao ouvir a voz melodiosa de Minhyung cantando Do I Wanna Know?. Os olhares deles se cruzam durante o percurso e o Nakamoto não pode estar mais aliviado ao ver que Mark não apenas parecia mais relaxado e alegre, como se divertindo e aproveitando o momento. 

⊰ one more weekend  ⊱

Antes que eles percebessem, a paisagem movimentada de Seoul deu lugar a montanhas e árvores com copas largas, campos verdes e floridos com chalés distantes um dos outros tomando as laterais da estrada. Minhyung olhava em volta ansioso, captando cada detalhe daquela área isolada enquanto cantava baixo a última música do CD, sentindo o corpo sacudir contra o banco de couro estofado quando o veículo começou a subir uma encosta sutilmente íngreme. Yuta estacionou o jipe quando o portão que mantinha a propriedade segura ficou visível no caminho, entretanto, antes que ele fizesse menção de descer para abri-lo, Mark saiu do veículo e correu, abrindo o portão e olhando sorridente para o namorado, voltando em passos apressados para o jipe assim que o Nakamoto moveu o veículo e o afastou da área. Durou cinco minutos o curto trajeto que os levaria finalmente ao chalé, os olhos de Minhyung brilhando ao conseguir ver a casa simples de madeira por entre as árvores nodosas, apressando-se para remover o disco e guardá-lo quando percebeu que Yuta estacionava o jipe. O Nakamoto logo tirou a chave da ignição, virando-se para pegar a mochila preta e a bolsa que estavam sobre o banco traseiro, saindo do veículo e contornando com pressa para que pudesse abrir a porta para o Lee. Mark entrelaçou os dedos aos do namorado, beijando a bochecha de Yuta carinhosamente enquanto ele está ocupado trancando o jipe, puxando-o animado em direção ao chalé e rindo ao vê-lo se atrapalhar para pegar as chaves no bolso da calça. 

Minhyung correu para ver cada canto do chalé assim que a porta pesada de madeira se abriu, largando os sapatos na entrada da casa e deixando o namorado para trás, a curiosidade fazendo-o querer conhecer o mais rápido possível o lugar que iria passar o final de semana. Yuta aproveitou a distração do Lee para tirar com calma os sapatos e andar até a cozinha, colocando sobre uma das bancadas de madeira a bolsa que pegou no jipe, tirando de dentro dela alguns potes com comidas prontas para os dois dias que passariam no chalé. Ele estava separando um pote com kimchi e outro com arroz glutinoso quando ouviu o som de passos apressados e a respiração pesada de Mark, seguido por seu nome sendo chamado cheio de manha dele. 

Yuta… Por que não me contou sobre esse lugar ou me trouxe aqui antes? — Inquiriu com um bico adorável nos lábios, cruzando os braços na altura do peito e estufando as bochechas em uma suposta expressão de bravo quando o Nakamoto se virou em sua direção. 

— Porque você estava muito ocupado com suas obrigações da faculdade e eu temi que convidá-lo a passar um final de semana aqui antes pudesse lhe atrapalhar de estudar em um período tão crucial de provas. — Explicou calmamente e se aproximou de Minhyung, envolvendo a cintura dele com os braços e beijando a testa do Lee carinhosamente, sorrindo para ele. — Não diga, eu sei que você aceitaria vir aqui se eu o convidasse, porém, ficaria o tempo inteiro pensando em algo relacionado a faculdade. — Levou uma das mãos a bochecha de Mark e acariciou-a, pressionando os lábios no local antes de se afastar, segurando a mão do mais novo e o levando até a ilha da cozinha, indicando para que ele se sentasse no móvel.

Minhyung se sentou ainda meio emburrado sobre o tampo da ilha, balançando as pernas enquanto observa Yuta mover-se pela cozinha, parecendo procurar uma panela nos vários armários presos pelas paredes. As palavras do mais velho ainda reverberam na cabeça do Lee, fazendo-o sentir-se péssimo por ter passado longas semanas sem ao menos ver o namorado direito, concentrado apenas em estudar para as provas, treinar sua apresentação em um seminário e compor uma música nova, acomodando-se em apenas conversar com o Nakamoto por telefone. O arrependimento fez com que pequenas lágrimas rolassem pelas bochechas gordinhas de Mark, os lábios partindo-se para soluçar e chamar inconscientemente por Yuta, apressando-se em esfregar com as mangas do suéter o rosto úmido pelas lágrimas ao ver o olhar preocupado no rosto do namorado.

Me d-desculpa… — sussurrou baixinho, sentindo os dedos de Yuta afagarem suas bochechas, dando continuidade à sua fala ao perceber que o namorado deveria estar achando que havia odiado algo no chalé ou no passeio preparado por ele. — E-eu quero pedir desculpas por ter deixado nosso relacionamento de lado. E-eu deveria ter pensado mais em nós e arrumado um tempo, ou… — ele interrompeu sua própria fala ao sentir o Nakamoto pressionar os lábios aos seus, ação que o fez rir timidamente e desviar o olhar envergonhado. 

— Céus, Minmin… Olha para mim… — pediu calmamente, sorrindo ao ter seu pedido acatado e beijando repetidas vezes os lábios dele em curtos selinhos. — Eu já disse isso várias vezes, mas não tenho problema algum em repetir: não me importo de que sua prioridade no momento seja a Faculdade, porque ela definirá seu futuro e facilitará que realize seu sonho. Creio que está se culpando por achar que nosso relacionamento está esfriando, entretanto, caso ainda não tenha percebido, isso está apenas nos tornando ainda mais próximos e fortes. — Sussurrou e afastou as pernas de Mark, colocando-se entre elas e abraçando a cintura do Lee. — Acha que eu o teria chamado para vir aqui ou estaria me preocupando tanto com você se estivesse cansado do nosso relacionamento? — Sorriu aliviado ao vê-lo acenar negativamente. — Prometi que o amaria mesmo quando tudo ficasse difícil e justamente por isso eu continuo aqui, arrumando um tempo para nós e cuidando de você após ter se desgastado tanto estudando. Apenas não pense mais nisso, ok? 

— Só se você prometer que me trará para este chalé sempre que perceber que estou me afastando de você apenas para me desgastar estudando e compondo. — Sussurrou envergonhado, mordendo os lábios ao perceber o olhar ainda preocupado no rosto de Yuta — Eu sei que não deveria ser assim e por mais que eu tente, não consigo evitar. Mas eu prometo que vou tentar mudar porque eu também te amo, yu. — Sorriu para o Nakamoto, beijando os dedos dele ao senti-lo deslizar eles por seus lábios. — Por que não comemos e depois saímos para conhecer o resto do chalé? — Propôs animado, escutando Yuta rir e acenar positivamente, parecendo descrente de que o Lee tivesse afastado a tristeza tão rapidamente.

O Nakamoto então se afastou, olhando vez ou outra por sobre o ombro para certificar-se de que o namorado estava bem enquanto terminava de esquentar a comida que havia separado, servindo-as em dois pratos e entregando um deles para Minhyung. O casal se acomodou na mesa pequena da cozinha, comendo e conversando sobre assuntos banais para passar o tempo, rindo de algo dito pelo parceiro e fazendo o que era para ser uma simples refeição se tornar um momento memorável e agradável entre eles. Quando ambos terminaram de comer, dividiram as obrigações para que pudessem terminar de arrumar a cozinha mais rápido, ficando decidido que Mark lavaria os pratos e Yuta os secaria. Eles tiraram ainda um tempo para guardarem as mochilas no quarto, saindo após isso para que o Lee pudesse conhecer o restante do chalé. 

Yuta mostrou primeiro a área do deck atrás do chalé, segurando a mão de Minhyung firmemente antes de guiá-lo pela trilha evidente no chão gramado, seguindo em direção a um local oculto por entre algumas árvores. Mark olhava em volta encantado, apontando e mostrando para o Nakamoto sempre que via algum animal ou planta diferente, entretendo-se com isso e apenas percebendo que havia chegado ao local que o namorado pretendia mostrá-lo quando esbarrou nas costas dele. Ele se afastou e pediu desculpas baixinho, olhando para o espaço à frente e contemplando o belíssimo lago cristalino ao centro, a superfície dele tendo sido decorada naturalmente por folhas amareladas que haviam caído da árvore acima e a área que o rodeava exibindo canteiros das mais diversas flores.

Minhyung desvencilhou-se da mão de Yuta, correndo para próximo do lago e se abaixando rente à água, olhando seu próprio reflexo antes de levar o dedo a superfície, tocando-a e formando pequenas ondas que afastaram as folhas caídas ali. Ele sorriu feliz, apreciando a calmaria da vida fora da cidade e escutando o piar de algum pássaro, erguendo o olhar ao perceber uma movimentação ao seu lado. 

— Quer entrar? Não é muito fundo… — Yuta inquiriu com calma, suspirando pesadamente ao ver o namorado acenar negativamente, uma resposta que já era esperada para si, visto que ele sabia que Mark parecia evitar locais que tinham água em abundância. 

Yuta se inclinou e beijou carinhosamente o topo da cabeça do Lee, afastando-se apenas o bastante para remover cada uma das suas peças de roupas, deixando cada uma delas sobre um tronco caído no chão. Ele caminhou em direção ao lago, sentindo o olhar envergonhado de Minhyung em suas costas, e entrou lentamente, a diferença de temperatura fazendo-o se arrepiar e tremer um pouco. Quando a água cristalina alcançou o queixo, o Nakamoto submergiu, tomando cuidado ao nadar pela curta extensão do lago, voltando vez ou outra a superfície para tomar fôlego. O japonês atravessou o lago e imergiu perto de Mark, levando a mão aos cabelos ruivos para afastá-los do rosto e abrindo um sorriso ao escutar um suspiro vindo dos lábios do namorado, este que logo ficou corado ao perceber o que havia feito.

Minhyung desviou o olhar, tentando não pensar em como o namorado estava naquele momento, encontrando nos canteiros de flores um abrigo para seus olhos. Um pensamento brilhou em sua mente e com um sorriso arteiro nos lábios, Mark levantou-se e se aproximou da área, olhando para as bonitas margaridas que cresciam ali. Ele conferiu se Yuta estava distraído e ao comprovar que sim, pegou algumas das flores brancas — sentindo o coração apertar sempre que arrancava uma do solo — e algumas vinhas que cresciam livremente, começando a junta-las na difícil missão de fazer uma coroa de flores o mais rápido que pudesse. Levou alguns minutos para que ele terminasse de entrelaçar as flores e vinhas, escondendo a coroa atrás das costas e sorrindo pelo resultado antes de chamar pelo Nakamoto. 

Yu… — chamou no tom mais dengoso que conseguiu, vendo Yuta virar-se para olhá-lo. — Vem cá… — moveu o dedo indicador, gesticulando para que o mais velho se aproximasse, disfarçando o sorriso ao vê-lo mergulhar apressado e nadar em sua direção, imergindo próximo a beirada do lago. 

Minhyung piscou inocentemente antes de mostrar a coroa de flores escondida em suas costas, levando-as em direção aos cabelos ruivos de Yuta e mordendo os lábios irritado ao vê-lo se afastar, esquivando-se das tentativas de Mark de colocar as flores em si e balançando a cabeça avidamente em negação. 

Yuta… deixa por favor, só um pouquinho… — pediu com um bico adorável nos lábios, resmungando quando o namorado continuou a negar, mantendo-se afastado de si. — Eu prometo que te ajudo a desembolar e pentear o seu cabelo se alguma flor por acaso ficar presa, mesmo que eu tenho certeza de que prendia elas direito. — Tentou convencer o Nakamoto, suspirando derrotado ao perceber que ele não cederia facilmente ao seu pedido. — Eu faço qualquer coisa que você me pedir, basta deixar… — sussurrou por fim, sorrindo esperançoso ao perceber que Yuta voltava a se aproximar com calma, apoiando os cotovelos na borda do lago. 

— Qualquer coisa? — Perguntou apenas para confirmar, vendo Mark acenar positivamente, o olhar dele entregando que ele parecia arrependido de ter se submetido a algo tão extremo apenas para poder ver o namorado com uma coroa de flores. — Nesse caso… se me chamar de senpai e me dar um beijo depois… posso pensar no seu caso. — Sorriu para Minhyung, vendo as bochechas dele corarem e os braços se cruzarem sobre o peito, claramente contrariado sobre o que havia lhe sido proposto. 

Mark pensou em desistir ao ouvir o pedido de Yuta, mas ele queria tanto aquilo e havia sido um pedido tão fácil, bastava dizer aquela simples palavra e beijá-lo — o que estava e muito acostumado a fazer —, não seria tão complicado assim, apenas um pouco vergonhoso. O Lee respirou fundo e acenou positivamente, aproximando-se do Nakamoto enquanto pensava na pronúncia certa daquela palavra.

Yuta-senpai… — sussurrou incerto, as bochechas queimando em vergonha ao juntar os lábios aos de Yuta, beijando-o carinhosamente e aproveitando da concentração dele para colocar a coroa sobre os fios ruivos dele, sorrindo ao se afastar e ver o resultado. 

O Nakamoto suspirou e sorriu para Minhyung, achando adorável a forma como ele parecia envergonhado em ter lhe chamado daquela forma. Não era como se ele tivesse algum fetiche em ser chamado de senpai, ele na verdade até mesmo preferia quando Mark o chamava apenas de hyung, mas ele nunca perderia a chance de poder escutar o Lee o chamar de senpai com a pronuncia levemente embolada e as bochechas coradas, adoravelmente envergonhado por algo tão pequeno. 

Os dois ficaram por mais um longo tempo no lago, Minhyung até mesmo aceitou entrar na água fria após muita insistência de Yuta, mantendo-se abraçado o tempo todo ao corpo do japonês, mesmo que sentisse seus pés tocarem o fundo do lago. Eles apenas foram embora do local aconchegante quando começou a esfriar e sol escondeu-se atrás das montanhas, obrigando-os a deixarem a água que parecia ainda mais fria. O casal correu ao chalé de mãos dadas, rindo e trocando alguns beijos pela trilha, suspirando em alívio ao estarem finalmente dentro de um local aquecido. O Nakamoto então pediu para que Mark fosse tomar banho primeiro, prometendo que acenderia a lareira enquanto ele se banhava e mesmo que o Lee tivesse insistido muito, dizendo que seria ruim o japonês ficar ainda mais tempo com o corpo molhado, Yuta parecia decidido a priorizar a saúde do namorado primeiro. 

Exatas meia hora depois, ambos estavam no sofá da sala do chalé, a madeira crepitando na lareira e aquecendo-os, Minhyung aninhando-se ainda mais ao corpo de Yuta enquanto tentava continuar lendo o livro em suas mãos, o título “O Retrato de Dorian Gray” sendo visível para o Nakamoto, que beijava os dedos magros que seguravam a capa do livro. 

— Por que não lê esse livro outra hora, Minmin? Irá fazer ainda mais mal para sua visão. — Sugeriu preocupado ao vê-lo esfregar um dos olhos e arrumar os óculos sobre o rosto, piscando algumas vezes antes de voltar a ler. 

Yuta suspirou ao perceber que Minhyung não cederia e mesmo que soubesse que aquilo deixaria o mais novo bravo, afastou uma das mãos das costas dele, tirando o livro das mãos dele e o colocando sobre a mesa com abajur ao lado do sofá, tomando cuidado para não tirar da página que o Lee estava lendo. Ele levou os lábios aos de Mark, silenciando-o com um beijo antes que ele pudesse se irritar, acariciando a cintura dele e brincando com os fios de cabelo escuro, beijando as bochechas gordinhas ao separar os lábios.

— Yu.... Estava na melhor parte, poxa. — Inflou as bochechas falsamente irritado, escutando o namorado rir e o abraçar firmemente, encostando o rosto em seu ombro e beijando seu pescoço algumas vezes, fazendo-o tremer e se arrepiar. — O-obrigado por me trazer até aqui… — cutucou a nuca de Yuta, vendo-o erguer o rosto e olhar para si sorridente, daquele jeito único que fazia o coração de Mark acelerar e as bochechas corarem automaticamente. — Fazia muito tempo que eu não me divertia tanto. — Escondeu o rosto com as mãos, escutando a risada do Nakamoto e sentindo os lábios dele serem pressionados nas dobras de cada um dos seus dedos, de modo calmo e carinhoso. 

— Eu que tenho a agradecer, Mark. Se você não tivesse aceitado vir, nada disso estaria sendo possível, por isso… obrigado. — Sorriu para o Lee, vendo-o afastar às mãos do rosto e se aproximar timidamente, juntando os lábios aos seus em um beijo calmo, lento e sem pressa alguma, uma troca mútua de carinho e amor, apenas uma pequena parte do turbilhão de sentimentos que sentiam ao estarem juntos. 

E mesmo que tivessem tido momentos ruins, o final de semana naquele chalé compensaria o tempo perdido e deixaria para Minhyung uma única certeza: a de que ele ansiava pelo próximo final de semana e por todos os outros que viriam depois daquele ao lado de Yuta.


Notas Finais


E foi isso... espero que tenham gostado! Se floppar a culpa é da aniversariante!!
Beijos e até a próxima <3


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