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História One Night and Six Weeks - ADAPTATION CAMREN - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Prólogo


 

I was enchanted to meet you - Enchanted, Taylor Swift

 

 

 

ANTES

 

Lauren finalmente achara o livro há meses procurado, estava ali, em suas mãos, mas, distraída de costume, deixara-o de lado para folhear algum outro que chamara sua atenção. Perdida no tempo, quando deu por si, havia livro algum. Cogitou de algum funcionário tê-lo devolvido à prateleira de origem e voltou ao local onde o encontrara: nada. Conversou com o atendente de sorriso acolhedor e, decepcionada, escolheu um livro qualquer. Apenas quando se dirigiu a fila do caixa, notou uma garota segurando seu livro. Precipitou-se a ela.

 

- Esse livro é meu! - afirmou Lauren pouco convencida.

 

A garota olhou para Lauren, depois para o livro, e novamente para Lauren um tanto incrédula com a cena.

 

─ O livro só é seu quando pagar por ele – respondeu a moça.

─ Eu estava guardando ele e me distraí... - tentou argumentar Lauren – Ele é o último exemplar da loja. Eu preciso dele.

─ Olha só, desculpe, mas eu também quero o livro – respondeu dando as costas sem chance de resposta.

 

Derrotada e cabisbaixa, Lauren largou o livro que segurava em uma prateleira ao seu alcance e foi embora.

Caminhava distraída na rua, reconstruindo a discussão que tivera minutos antes, em que, nela, vencia a garota, quando escutou uma voz atrás de si gritando.

 

─ Vermelha! Ei... Menina vermelha. Espere um pouco.

 

Olhou sobre os ombros, e viu a garota da livraria em passos apressados, vindo em sua direção. Pensou em ignorá-la, mas não conseguiu. Quando foi alcançada, esperou que ela falasse.

 

─ Desculpe – começou ela – não pretendia ser grossa, mas eu queria muito esse livro, também. 

─ Tudo bem – respondeu calma – você já tem o livro.

Virou e começou a caminhar.

─ Espere Vermelha – segurou-a pelo ombro.

─ Meu nome é Lauren, não Vermelha.

─ Tá bom, Lauren, desculpe. Se você quiser, posso te emprestar o livro, após eu ler. Claro, desde que você me empreste algum seu – respondeu sorrindo – A propósito, meu nome é Camila.

 

Lauren ficou pensativa por um tempo. Sentia-se magoada por ter perdido o livro, por sua distração costumeira, e não queria parecer fraca, mas acabou por ceder aos tolos impulsos que a impediam de discutir com os outros e deu seu número de telefone à garota, anotando o dela.

Dois dias depois, Camila ligou.

Conversaram por quase uma hora como se fossem amigas de infância. Ela falava por ambas, enquanto Lauren se prestava a responder uma ou outra pergunta monossilabicamente. Mesmo assim, aquilo a deixara feliz. Há tempos não conversava com alguém próximo da sua idade. Mesmo tão nova, a vida exigia muito dela e isso a fez esquecer o que uma menina de quinze anos deveria desejar ou fazer. Tinha estudado o ano anterior em casa e, naquele ano, abandonara o colégio. Mas não contou nada sobre  si, apenas combinou a troca dos livros no sábado à tarde, na sua casa.

Vista da rua, o aspecto era de uma casa de bonecas. Pequena, toda feita de madeira, paredes na cor salmão, janelas brancas e uma varanda que se projetava para frente. Não havia muros ou cercas no terreno, e o jardim com rosas, cravos brancos, orquídeas, e outras flores que Camila não conhecia, ornamentavam a frente da casa. Um caminho de cascalhos levava à varanda, onde Lauren estava sentada, abraçada aos seus joelhos, chorando. Camila precipitou-se em sua direção sem pensar, sentou ao seu lado e pôs a mão em volta dos ombros de Lauren, afagando-a desajeitadamente.

 

─ Se eu soubesse que o livro era tão importante teria trazido antes pra você, Vermelha – disse Camila num tom suave, e um sorriso leve no rosto.

Lauren forçou um sorriso infeliz.

─ Desculpe – respondeu – devia ter ligado pra você não vir.

─ Você quer ficar sozinha? Eu vou embora, combinamos outro dia, não tem problema.

─ Não. Por favor, fique! – disse Lauren com a voz  triste.

 

Camila a abraçou com mais firmeza. Não sabia o que se passava com ela ou o motivo de sua tristeza, mas sabia que seria indelicado perguntar. Não restava mais nada a fazer, senão ficar ali, dispondo o ombro para que Lauren chorasse. O silêncio era rompido apenas pelo fungar melancólico de Lauren, até que o ranger da porta atrás delas sobressaiu-se a sua respiração pesada. Lauren levantou-se num salto e limpou as lágrimas com as costas da mão. Da casa saiu uma senhora esguia de meia idade, com olhos tão escuros quanto à cor da própria pele. Lauren fitou-a em busca de alguma resposta, algum sinal, uma pista no semblante dela que pudesse indicar as palavras a seguir. A mulher a abraçou. Lágrimas fluíram pelo rosto de Lauren como um rio.

 

─ Ela está bem, querida. Precisa descansar um pouco, mas está bem – disse a mulher, apoiando a mão sobre a cabeça de Lauren – Os remédios contra dor perderam o efeito. Apliquei um pouco de morfina para que ela pudesse descansar. Amanhã de manhã, volto para ver como ela está. Tudo bem?

─ Obrigada, Andrea – agradeceu Lauren, soltando a mulher.

 

Andrea passou por Camila e cumprimentou-a com um sorriso breve. Desceu a escada de três degraus, atravessou o jardim pelo caminho de cascalhos, depois a rua, e entrou na casa logo em frente.

 

─ Preciso ver minha mãe, vamos entrar – disse Lauren.

 

Camila a seguiu.

A porta de entrada dava para a sala, que não possuía qualquer luxo além de dois sofás velhos e uma estante cheia de livros cobrindo toda uma parede. Camila ficou impressionada com a biblioteca da casa. Precisaria de duas vidas para ler todos esses livros, pensou ela, e, também, reparou que não tinham televisão, ao menos não ali. A sala terminava em um balcão que servia como mesa e, do outro lado, a cozinha, com móveis tão simples quanto o cômodo anterior. A casa por dentro parecia ainda menor do que vista por fora, dado que os móveis tomavam maior parte de seu espaço interno. Passaram pela cozinha e entraram num pequeno corredor a direita, e por uma porta entreaberta a esquerda, indo para um quarto grande, bem arejado e iluminado.

Lá, Clara, a mãe de Lauren, dormia um sono pesado. Sua aparência era assustadora, um saco de ossos, sem cabelo e tão pálida quanto um cadáver. Quando a viu, Camila recuou um passo, chocada com a cena. Parou à porta e observou Lauren sentar-se ao lado da mãe, cobrindo o corpo com um lençol branco até a altura do pescoço, deu um beijo na face.

A tristeza de Lauren era visível, quase palpável. 

 

 



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