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História One-Shots - Harry Potter - Capítulo 14


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Capítulo 14 - The love you've felt


Aos doze anos de idade, ela não era a principal coisa na sua cabeça. Afinal, a escola estava sendo atacada e havia aquela voz que ninguém mais ouvia além de você e você estava estava morrendo de medo de estar enlouquecendo. Então, você passava por ela nos corredores e ficou morrendo de vergonha quando ela lhe enviou aquele poema ridículo que o assombrou por algumas horas, mas nunca realmente a viu, porque havia tanto que requeria sua atenção naquele momento e ela só parecia mais uma fã irritante de uma fama e de um sucesso que você não queria.

E você se esqueceu que ela te conhecia melhor do que isso.

Então, ela foi levada para aquele buraco fétido de medo e podridão e tudo o que você temia se concentrou nela. E você percebeu que deveria ter prestado mais atenção, porque as pessoas que te rodeavam mereciam aquilo. Por isso você desceu até aquele lugar lúgubre e, quando a encontrou, tão pálida que as sardas do rosto infantil não eram tão visíveis quanto antes, seu coração parou por um momento, morrendo de medo que ela estivesse morta.

Mas ela não estava, e permaneceu viva quando você lutou com a merda de uma cobra gigante enquanto a culpa comia seu coração vivo. E quando ela acordou e os olhos castanhos se fixaram em você, tudo o que pôde sentir foi mais alívio e mais culpa, porque você sabia o que era enfrentar Voldemort sozinho e sabia o quanto aquilo a assombraria. Mesmo assim, você a levou de volta em segurança e lidou com os problemas que te rodearam durante o ano, tentando esquecer o olhar castanho que ela direcionou a você quando acordou.

Perdido.

Desesperado.

Assustado.

Desolado.

 E mesmo assim, aqueles olhos te caçaram durante as férias, enquanto você tentava ter um sono descente. Porque ainda havia culpa em seu coração e ainda havia a certeza de que ela provavelmente não iria querer mais olhar na sua cara e essa ideia lhe parecia, por alguma razão, insuportável. E você decidiu ignorá-la também, mesmo que não tenha sido de forma consciente, mesmo que tenha sido apenas uma reação natural do medo que você não queria sentir.

E você ignorou muito mais do que apenas ela, mas havia tanto acontecendo na sua mente e fora dela, tantos traumas e arrependimentos e culpas e passados que aquele arrependimento foi ficando esquecido, foi ficando de lado até que não fosse mais do que uma poeira nos acontecimentos da sua vida, o tipo que pousaria em seu nariz mais tarde em um momento crucial e o faria espirrar.

Então a sua vida e dela seguiram com todos os seus dissabores e sofrimentos e momentos únicos pelos quais você sempre lutara para ter e aquele fio que os conectava foi ficando cada vez mais longe até que ele se esticou. E, quando isso aconteceu, você se virou. E ela continuou de costas, principalmente porque ela ficara tanto tempo virada para você que era hora de começar a se virar para si mesma.

E você se lembrou.

Lembrou da garotinha de olhos castanhos assustados e cansados, da garotinha que lhe mandou um poema de amor tosco e infantil, da garotinha que o olhava como se você fosse o único no mundo dela.

E você viu.

Viu a garota com olhos castanhos ferozes, prontos para dar medo em qualquer um que se aproximasse, prontos para brilhar com paixão; viu a garota que era a melhor artilheira que você já tinha visto, a melhor duelista que você já tinha visto; e viu a garota mais apaixonada, não por você, mas pela vida que você jamais conheceria.

E você se apaixonou.

Se apaixonou pelo modo como ela sorria, parecendo desafiar o mundo inteiro, parecendo querer fazer o mundo inteiro saber do que ela era capaz. Se apaixonou pela garota de lindas curvas que não escondia seu corpo maravilhoso, não escondia seu temperamento de fogo, nem sua paixão pela família que tinha e pelos esportes que você também gostava. Se apaixonou pela forma como ela era gentil, mesmo com os gestos bruscos e o gênio explosivo. 

Você quis mais.

E foi impedido porque agora ela não estava mais virada para você, mas, por Merlim, como você desejava que ela se virasse e te visse ali, desesperado para poder fazê-la feliz. Mas ela não se virou, então você chamou a atenção dela, fez com que ela se virasse para que, pelo menos por um segundo, você pudesse mostrar para ela que a queria. Que a amava.

A sensação dos lábios dela nos seus era inebriante e silenciou tudo ao seu redor. Você pôde ouvir seu coração batendo e acelerando com o toque dela, quente e carinhoso, mas confiante e não mais hesitante. Ela sabia o que fazer e sabia o que queria, e o agarrou com tanta força quanto você a agarrava enquanto sua mente parecia cheia de fogos de artifício e seu corpo parecia relaxar contra o corpo macio e pequeno dela.

Então, vocês estavam juntos e tudo parecia tão perfeito que por um momento você acreditou de verdade que poderia escapar de seu destino. Ela lhe falou sobre tudo, desde o assunto mais leve até o mais pesado. Ela lhe contou como Tom Riddle mudara-a para sempre e não havia nada que ela pudesse fazer sobre isso. Ela lhe contou como o silêncio dentro da cabeça dela fora uma benção depois de meses mal podendo ouvir os próprios pensamentos, como o tumulto e as multidões lembravam-na dele e de como ela passara a odiar aquilo mais do que tudo. 

Ela contou que, quando estava em uma vassoura e a bola estava em suas mãos, o vento correndo por seu rosto, cortante e atrevido, não havia barulho, não havia multidões. Ela lhe contou que, quando estava com uma varinha na mão e um adversário do lado contrário ao dela, havia vazio em sua mente e poder em suas mãos e como aquela sensação era inebriante e confortava-a.

E você percebeu que era assim para você também. 

Você percebeu que eram iguais. E que se entendiam de mais formas que qualquer um no mundo, até mesmo seus melhores amigos, não poderiam. Porque Rony e Mione eram ótimos, mas havia certas coisas que eles simplesmente não compreendiam. E nunca iriam fazê-lo. E estava tudo bem, porque você a tinha ali. Com você.

E tudo iria ficar bem.

Exceto que não ficou.

E você desceu mais uma vez pela toca do coelho, cada vez mais fundo na escuridão de uma guerra pútrida que você não queria, mas que foi forçado a participar, porque, porra, era sua família que estava morrendo, eram os seus amigos, era sangue vermelho e espesso, e não água, que corria pelas fontes da escola em que você crescera.

Então você a deixou. Precisou deixá-la. E mesmo quando você repetia a si mesmo aquilo, suas palavras se embaralhavam e deixavam de fazer sentido até que você via o rosto dela flutuando diante de si, como uma miragem ou um sonho, um sonho muito bom. Você passou um ano inteiro tentando não pensar em como ela poderia estar morta, porque não queria acreditar que você não saberia se ela estivesse. Você sabia que iria sentir alguma coisa. Qualquer coisa, se ela morresse. E então, no fim, quando ela quase morreu, você não pôde mais se conter, não pôde mais se segurar. Precisava saber que ela estava bem. E, de novo, foi afastado por causa de sua responsabilidade.

Assim que tudo acabou, houve silêncio. Aquele silêncio do que ela lhe falara. Aquele silêncio que te abraçava, mas que ao mesmo tempo fazia parecer que havia uma parte faltando dentro dele, porque independente do quanto relutasse, aquilo fora uma parte sua por tanto tempo que era estranhamente difícil continuar sem ela.

Você se sentou ao lado dela depois de tudo e ela deixou que você se apoiasse nela, fazendo carinho em seus cabelos sem falar uma palavra porque ela sabia. Ela simplesmente sabia que o silêncio era a maior dádiva que poderia lhe dar, isso e a garantia de que ela estava ali por você.

Pouco a pouco, você consegue caminhar de novo e agora não é tão difícil quanto alguns meses atrás, porque você sente que consegue respirar por conta própria então, e pode fazer de sua vida o que quiser. Então você tem esperança e tudo isso é visto nos olhos castanhos ferozes que olham para você como se pudessem te comer vivo.

Suas mãos estão na cintura dela, trêmulas, mas você não vai recuar. Seus olhos estão sobre os dela, tão ou mais intensos. E seus corpos dançam juntos, suando com as sensações novas e estarrecedoras que se apossam de vocês. Ela está arfando contra a sua pele e isso lhe faz se arrepiar, te agarra como se você fosse a âncora dela enquanto ela está se perdendo no mar de sentimentos que ambos estão sentindo. Você pode sentir as pernas dela te rodeando, te puxando para perto de si, mas seu corpo está liderando e tudo o que você pode ver é o rosto corado dela e os olhos castanhos que tanto te assombraram por tanto tempo.

E beijá-la ainda é como era dois anos atrás. 

E você a ama.



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