História One-two - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Alicewegmann, Amizade, Amor, Dezoito, Drama, Hot, Romance, Sex, Stephenamell
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Palavras 2.730
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - 4. Fruta cítrica


Theodoro...

- Como vai o trabalho? - ele parece cansado.

- Tudo sob controle. - dou um sorriso.

- Sua mãe diz que você não para. Nunca. - respiro fundo.

- Ela está sendo exagerada, todos nós estamos trabalhando em conjunto.

- Eu gostaria de estar na ativa.

- Sabe que não pode, em uma semana você irá passar por uma cirurgia séria, neste momento o que mais precisa é relaxar.

- É o que eu mais faço - ele se mexe e sente um incomodo, faz uma careta.

- Não se esforce. - o ajudo arrumando o travesseiro em suas costas.

- Como foi a festa na casa do vizinho?

- Boa.

- Seu irmão está enciumado - ele aperta os lábios e depois solta - vocês dois estão gostando da mesma mulher? - sorrio.

- Não, ela que está me perseguindo. - faço um gesto com as mãos.

- Como sempre, é muito interessante... - Osmar toma fôlego - Você nunca corre atrás, as mulheres que se jogam aos seus pés.

- Eu não posso evitar. - ele tenta gargalhar e sente dor.

- Isso é muita arrogância sua, um dia - ergue o dedo indicador - você vai precisar conquistar uma mulher.

- Eu sei do que elas gostam, a isca para pegá-la é usar um bolo de notas de cem. - brinco.

- Você se casaria com uma mulher que só ama o seu dinheiro?

- Não penso em me casar. - observo as máquinas que estão ligadas a ele.

- Até eu me casei - vejo um sorriso no seu rosto - e note que eu sei que não sou o ser humano mais agradável para se conviver neste mundo.

- Não devia falar assim. - toco sua mão - eu sou muito pior.

- Precisa parar com essa competicão, eu nunca perco. - dou uma gargalhada.

- Com licença - um enfermeiro entrou no quarto - eu preciso aplicar o medicamento no paciente.

- Claro - me levanto - até amanhã.

- Se cuida. - ele ergueu o punho fechado, fiz o mesmo sinal.

Vou para o meu quarto, tiro a camisa e me deito na cama, meu corpo inteiro dói, não é nada fácil, mas todos os dias eu estou tentando me tornar um pouco mais forte. Fecho meus olhos e me concentro apenas na minha respiração - eu beijei uma mulher, seu perfume possuía um toque cítrico e inebriante, seus lábios tinham sabor de tutti frutti típico de goma de mascar - eu pensei estar beijando a Laura, ela falou em meu ouvido que gostaria de me encontrar no escuro. À vista disso fui até o seu quarto, já conhecia a casa, jantei por algumas noites aqui, no período em que minha mãe esteve acompanhando meu pai no hospital, Daniel me emprestou um livro de economia que ficava no quarto dele, foi assim que conheci cada cômodo do andar de cima.

Quando abro a porta, fica tudo escuro, imaginei que ela houvesse preparado aquilo. Eu a avistei e contei mentalmente - um segundo, dois segundos - a tomei em meus braços e lhe roubei um beijo, fui correspondido, a seguro firme pela cintura, eu a tenho totalmente entregue a mim, ela é quente sua língua se une a minha, seus dedos tocam os meus e logo em seguida sou empurrado, se afasta de mim indo para direção oposta, ouço a porta sendo fechada com força. A luz retorna e estou só, quando saio me deparo com um verdadeiro cenário de pessoas andando de um lado para outro nos corredores, mulheres, homens, eles falam sobre a falta de energia, por fim me encontro com Davi.

- O que houve?!

- Uma queda de energia atingiu o condomínio inteiro, talvez o bairro alguns convidados ficaram assustados, tinha uns adolescentes fazendo baderna no andar de cima, agora nós estamos checando tudo, vai que ainda tem algum engraçadinho pelas dependências da casa.

- É bom ficar de olho - passo as mãos no cabelo - e cuidar para não ter havido roubo.

- Você tem toda razão - ele bate no meu ombro e abre a porta de um dos quartos - ei! É melhor vocês descerem, porque a festa é lá embaixo.

O garçom me serve uma bebida, esfrego meus olhos, tento melhorar a aparência do meu rosto, não quero parecer assustado. Ando pelo jardim, converso com algumas pessoas, me vejo obrigado a atender um pedido do anfitrião da festa - César não aceita que a filha opte por ser uma bióloga, para ele todo o estudo que Felipa faz não passa de jardinagem - descubro que ela possui uma estufa, com diversos tipos de plantas e flores, em cada jarro está escrito o nome científico dos vegetais, a mesa é bem organizada, sua letra é bonita, Laura me acha - ela é insistente e pegajosa - seus lábios estão gelados do champanhe que está bebendo, seu beijo tem excesso de saliva, evito que algo mais ocorra saindo do local.

Felipa é a filha mais nova do senhor Monteiro, ele estava divorciado da mãe de Laura quando conheceu a mãe da caipira - eles tiveram um breve relacionamento e se separaram, mas nasceu uma menina e quando ela ainda era uma criança, sua mãe veio a falecer, desde então passou a morar com o pai - eu nunca cheguei a me interessar pela intimidade dos vizinhos, mas o Bento é amigo de toda a família e me passou o histórico de cada um.

Ela é uma jovem mulher, muito bonita, porém arisca tem o visual desleixado típico de quem não liga para a própria aparência, a vi poucas vezes com roupas que ressaltam sua forma física e a deixam mais atraente, entretanto seus modos continuam lá na roça.

No nosso primeiro dia trabalhando juntos, pude notar que ela é paciente quando executa uma tarefa e principalmente quieta, trocamos algumas palavras durante o tempo que compartilhamos, mas ela se torna uma cabeça de vento quando meu irmão está por perto, o idiota sequer nota que ela se derrete por ele, prefere correr atrás de uma mulher que o faz de tolo.

Me sento na cama e olho através da janela, observo a árvore a minha frente e além dela vejo a casa da família Monteiro, a janela que fica em frente a minha consigo ver alguém do outro lado. Estreito meus olhos e enxergo Felipa, seu quarto está escuro, mas vejo que está sorrindo - parece que conversa com alguém ao telefone, nossos olhares se encontram e as cortinas se fecham.

- Caipira. - balanço a cabeça e dou um sorriso.

As noites passam tão depressa, sinto que não durmo o suficiente, vou para academia que fica no subsolo da casa, os antigos donos usavam o espaço para uma sala de jogos e um cinema particular.

- Bom dia. - Bento já está correndo na esteira.

- Madrugou? - começo a me aquecer.

- Tenho muito trabalho hoje e a tarde tem o cursinho preparatório para o exame da ordem. - ele põe os fones de volta no ouvido.

Faço o mesmo, estico meu treino em uma hora, tomo banho, visto meu terno e vou para a cozinha.

- Bom dia querido. - mamãe me beija o rosto e me entrega uma xícara de café.

- Bom dia, ele já acordou? - ela nega.

- Acabei de vê-lo ainda está dormindo, seu pai precisa descansar.

Tomo meu café da manhã e vou para a garagem - dou um longo suspiro.

- Claro que está atrasada - entro no meu carro assim que chego a calçada a encontro parada como uma pedra, está segurando uma garrafa térmica, destravo a porta para que possa entrar.

- Bom dia.

- Bom dia, ponha o cinto - ela fica puxando a fita com bastante força, perco a paciência - não é assim que se faz caipira!

Me inclino na direção dela, sinto o seu perfume, o reconheço é cheiro de fruta cítrica, o mesmo daquela noite nossos rostos estão muito próximos.

- Puxe... Com suavidade. - coloco o cinto nela.

- Vou me lembrar de fazer isso da próxima vez. - murmura.

Não pode ser! MERDA! NÃO PODE SER! Parece que a minha cabeça vai explodir, ficamos em silêncio o percurso inteiro, meus dedos doem acredito que apertei o volante forte demais.

- Bom dia senhor Assunção. - a recepcionista me cumprimenta.

- Bom dia Monalisa, esta é Felipa minha assistente, preciso que consiga um crachá para ela.

- Sim senhor.

Pegamos o elevador, estou tenso - puta merda! - o nó da gravata começa a me incomodar. Quando as portas se abrem, tomo um novo fôlego.

- Beatrice me acompanhe, por favor. - minha secretária se levanta assim que termino a frase.

- No que posso ajudá-lo senhor Assunção?

- Preciso de um comprimido para enxaqueca - desatei o nó e jogo a gravata sobre a minha mesa - Felipa ficará trabalhando comigo, enquanto eu estiver no Brasil - não consigo olhar para ela, foco em Beatrice - acho poderá lhe ajudar com o... O... No que precisar, agora podem ir. - faço um aceno com a mão.

Eu só tenho que respirar fundo e colocar os pensamentos em ordem, parece muito fácil quando eu digo, mas é um pouco complicado principalmente porque gostei de beijá-la, será que ela sabe? Não. Estava escuro demais.

- Peguei chá pra você, acredito que pode ti ajudar, algumas enxaquecas são causadas por problemas no fígado, a erva vai ajudar a desintoxicar. - Felipa me entrega uma xícara e o comprimido que havia pedido.

- Obrigado.

- Você pode ter comido ou bebido algo que não lhe caiu bem. - ela se aproxima, eu recuo na cadeira.

- Já chega! Não estou aqui para escutar esse papo de naturalista. Volte para o seu trabalho.

- Mas você me diz o que eu tenho que fazer. - evito olhar nos seus olhos.

- Só apareça quando eu chamar, Beatrice vai lhe dizer o que fazer.

- Sim senhor! - ouço o deboche na sua voz.

Como eu posso conviver pelas próximas semanas com essa onça? Guardo meus questionamentos para mais tarde, preciso focar no meu trabalho, tenho duas reuniões pela frente e não posso perder mais nenhum minuto pensando nela.

Felizmente tudo ocorreu conforme o planejado, Bento em trabalho com os advogados redigiram os contratos e esclareceram as cláusulas para os possíveis investidores, foi pedido a nós um tempo para a análise dos papéis e enfim fecharmos o acordo. A tarde tive uma seção com o pessoal do escritório de contabilidade, eles preciso entender que o 'jeitinho brasileiro' de trabalhar dos empresários deste país não funciona conosco.

- É comum a sonegação de imposto, aqui e em outros países, mais comum ainda é ver empresários culpando a sua assessoria contábil, vocês raramente veem um milionário que burlou as leis do leão ir preso, embora isso seja criminoso. Nós temos um nome a zelar, eu não admito esse desvio de conduta por parte de vocês, pois no fim, quem irá responder na justiça?

- Nós? - Rafael respondeu com uma questão.

- Exato e ninguém aqui quer um processo criminal, não é? - todos respondem um sonoro não - lembrem-se disso da próxima vez que forem ludibriados por promessas rentáveis aos seus bolsos, assegurem-se que para toda desonestidade há um preço a pagar. Pois na frente do juiz a colaboração encerra e a frase "eu pensei que o meu contador estivesse cuidando disso pra mim" é a primeira coisa que eles vão falar, claro que recebendo os devidos conselhos de advogados bem treinados para isso. Isto é tudo, espero que tenham assimilado cada palavra dita, podem ir. - dou um longo suspiro.

- Essa galera nunca aprende. - Santiago senta-se na cadeira próxima a minha.

- Talvez eu tenha que separar algumas frutas podres do cesto.

- Dou todo meu apoio - ele bate no meu ombro - hoje você trabalhou como nunca. Parece que está ligado no 220 volts cuidado para não sofrer uma estafa.

- É apenas mais uma segunda-feira normal.

Ponho o celular no bolso e ando em direção a minha sala. Vejo que Beatrice já está se organizando para ir embora.

- O senhor ainda vai precisar dos meus serviços? - ela segura a alça da bolsa com as duas mãos.

- Está tudo bem, vá pra casa - abro a porta - você viu a Felipa? - entro.

- Ela terminou o trabalho e disse que ia pegar o ônibus.

- O QUÊ?! - volto e a encaro - VOCÊ DEIXOU ELA IR EMBORA? - Beatrice se assusta.

- Todos já estavam indo e... E ela... Acabou de... De sair. Me desculpe senhor, por favor, não me demita.

- Certo, certo! - pego minhas chaves e desço para o estacionamento.

Quando passo pelos portões dirijo um pouco mais devagar e a encontro de pé na parada de ônibus, baixo o vidro do carro.

- Entra.

- Eu vou pegar um ônibus. - ela cruza os braços.

- ENTRA! - isso está me dando nos nervos.

- Eu já disse que prefiro pegar o ônibus! - respira! Se acalma, essa mulher não vai enlouquecer você. Encosto o carro no meio fio e desço, ela vira de costas quando me vê, eu a pego em meus braços e a jogo por cima do meu ombro - me solta! Droga!

- Você veio e vai voltar comigo! - a ponho sentada no banco e passo o cinto nela, fecho a porta.

Alguns funcionários e pessoas aleatórias estão olhando na minha direção, mas quando os encaro, eles desviam o olhar.

- Da próxima vez seja boazinha - dou na chave - e evite todo esse constrangimento.

- Não haverá próxima vez, porque eu estou me demitindo! - ela responde com voz de escárnio.

- Você não pode se demitir! Sou eu quem toma as decisões e você continuará trabalhando comigo, assim eu queira.

- Que merda!

- Melhore o seu linguajar, não estamos na roça.

- Você é... - ela fecha os dedos da mão.

- Lindo? - tento acalmar os ânimos.

- Eu ia dizer desprezível, mas o adjetivo que lhe cai melhor é arrogante.

- Cala boca caipira, você não passa de uma 'porta'. - falo a última palavra com sotaque do interior.

- Nossa! Isso é tudo o que você tem no seu estoque de piadinhas? - paro no sinal vermelho.

- Eu tenho outras qualidades.

- Ocultas. - ironiza.

- Você não merece que eu as exponha. - ela mantem os olhos fixos na janela do carro.

- Você é a pessoa mais desagradável que eu infelizmente tive o desprazer de conhecer.

- Sua irmã não concordaria com o que você fala.

- Ela só está enfeitiçada pela sua beleza. - Felipa se balança no banco enquanto fala.

- Hum... Então você me acha bonito?

- Eu não falei isso.

- Mas admite que eu sou.

- Beleza não é tudo, não adianta ter uma casca bonita se por dentro está podre.

- Ótimo, agora você está me comparando a um ovo, só para não reconhecer que me acha bonito.

- Sim, você é lindo!

- AÊêê... Até que fim! - dou um sorriso.

- Mas isso não é suficiente para mim! - chegamos na entrada do condomínio, sinto que o trajeto se tornou curto.

- E quais são as suas exigências? - tiro o cinto e espero o portão se abrir.

- Você não faz parte da minha lista.

- Não me daria nenhuma chance? - reduzo a velocidade, estamos em uma área residencial.

- Quem sabe se você fosse o último homem do planeta.

- Então eu teria que matar muitos homens para ter uma oportunidade contigo?

- O certo seria esperar eles morrerem.

- Até parece que eu vou esperar tanto tempo assim. - o veículo se aproxima das nossas casas, ela desafivela o cinto.

- Valeu por tentar me animar, logo depois de me fazer passar vergonha. - ela dá uns tapinhas no meu ombro e sai do carro.

Felipa era dona de um gênio difícil e o meu temperamento não ficava por baixo, agora que teríamos uma convivência maior, não conseguíamos nos adaptar a essa proximidade. E quanto ao beijo, acredito que o melhor a se fazer é passar uma borracha, afinal tudo que ocorreu foi culpa minha, um engano que não voltará a se repetir.



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