História One-two - Capítulo 6


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Alicewegmann, Amizade, Amor, Dezoito, Drama, Hot, Romance, Sex, Stephenamell
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Palavras 2.770
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - 5. Rádio peão


Felipa...

Depois de um dia cheio, eu precisava de um pouco de paz interior, todo ser humano precisa, acredito que foi assim que surgiram os passatempos, algumas pessoas meditam, uns ouvem música, outras vão ao shopping, alguns recorrem ao tarja preta, tem gente que cozinha e eu vou para minha estufa. Aproveitei a estação do outono que já se passou para começar a polinização de algumas flores, estou em busca de criar um nova coloração para as minhas orquídeas, pretendo levar alguns vasos para a chácara, lá elas ficarão em melhor estado devido as condições climáticas, vovó mora um pouco distante da cidade, a propriedade fica logo na subida da serra e as plantas parecem mais bonitas por lá talvez por não haver tanta poluição. Possuímos uma grande variedades de flores, há dois ipês amarelos que ficam logo na entrada da casa, ainda tem o meu balanço em seus galhos, mamãe gostava de como o terreno parecia um imenso tapete amarelo, ela dizia ser a nossa estrada de pétalas amarelas, quando eles florescem na primavera, fica tudo tão perfeito, é como voltar ao passado, eu a sinto viva dentro de mim e isso me fortalece.

Programo meu despertador para me acordar um pouco mais cedo, ainda está amanhecendo quando desperto, tomo um banho rápido, ponho meu jeans de lavagem escura e uma camisa branca, faço um rabo de cavalo e vou em direção a parada de ônibus - uma caminhada de vinte minutos - mas estou prevenida Lídia me comprou um par de sapatos para o meu primeiro dia na universidade, ela estava feliz e queria que eu estivesse bem apresentável - minha madrasta achou que scarpins de salto alto e solado vermelho iriam chamar muita atenção - porém achei os calçados formais para o ambiente universitário e optei por continuar usando meus tênis para ir as aulas.

Anteriormente troquei informações com Beatrice sobre qual linha de ônibus pegar para chegar até a empresa, faço uso do transporte durante o período das aulas, entretanto agora o caminho é totalmente oposto e eu preciso me localizar melhor para não entrar na rota errada.

- Bom dia. - ponho a bolsa em cima do balcão.

- Bom dia senhorita Monteiro. - Monalisa me entrega o meu crachá, agora tem minha foto e meus dados nele.

- O senhor Assunção já chegou?

- Ainda não. - sorrio ao receber a informação.

Pego o elevador - está cheio - alguém já apertou o botão do oitavo andar, concluo que não preciso me preocupar, afinal eu chegarei ao meu destino.

- Bom dia Beatrice.

- Bom dia - ela passa a mão no cabelo, seu coque já está perfeito, não há mais o que arrumar - vejo que deu certo em pegar o ônibus, até chegou cedo.

- Eu só precisava saber qual a melhor rota, já estou acostumada andar de lotação.

- É que eu pensei que você era uma daquelas patricinhas...

- Nojentinhas? - concluo - Eu ainda não tenho meu carro próprio, na verdade nem habilitação tenho.

- Eu achava que gente rica ganhava carro do pai quando completava dezoito anos.

- Meu pai não é desses e ele prefere tentar atrapalhar os meus estudos.

- Por quê? - ela se olha no espelho e passa batom nos lábios - que tipo de pai faria algo assim?

- Ele quer filhas advogadas, empresárias ou médicas - imito a voz do César - se visse a cara dele quando disse que ia estudar biologia, acho que se tivesse dito que ia virar prostituta ele teria ficado menos decepcionado.

- Credo! Não fala assim, talvez ele esteja preocupado que você possa ter problemas para conseguir uma estabilidade financeira com esse diploma, eu tenho filhos pré adolescentes e... Eu fico em cima da educação deles, não posso vacilar.

- Mas eu posso dar aulas e continuar meu trabalho com botânica, não tenho a grande ambição de conquistar o mundo, gosto de coisas simples. - apoio a mão na mesa dela.

- Já que gosta de simplicidade, faça trinta cópias para mim deste relatório. - ela me entrega uma pasta fina.

Ainda tenho problemas em lidar com a impressora gigante, Camilo me ajuda a verificar se há folhas suficientes na máquina e enquanto eu espero a impressão, nós conversamos.

- É verdade o que tão falando no RH?

- O que estão falando? - aperto os lábios.

- Nada. - ele nota minha expressão e tenta fugir.

- A não! Agora você vai me contar tudo. - seguro o braço dele.

- Dizem que... Ah... Eu e a minha boca grande. - ele faz um careta.

- Fala agora! - alguns funcionários olham para nós, eu o solto.

- Tão falando que você e o senhor Assunção tem um caso.

- O QUÊ?! - noto que todos ficam estáticos - VOCÊ VAI NO MARACANÃ?! Depois me diz como é, porque eu nunca estive num estádio de futebol! - disfarço - que merda é essa?! - sussurro - eu não estou tendo... um caso com ninguém.

- É que viram vocês dois brigando no ponto de ônibus. - ele se aproximou para falar no meu ouvido.

- Puta merda! - sinto um aperto forte no meu braço.

- Vem comigo agora! - Theodoro esbraveja.

- É que... - sou arrastada - é que eu estou ocupada!

- Obedeça! - ele fala com os dentes cerrados, entramos na sua sala e a porta é fechada com muita força - O que você pensa que está fazendo?!

- Trabalhando. - olho para os lados, ele dá a volta na mesa e senta.

- Por que não estava me esperando?

- Porque se eu não vier com você, não preciso voltar com você. - esfrego a mão na testa.

- Quando vai enfiar na cabeça que trabalha comigo caipira?

- Exatamente, eu trabalho pra você e não precisamos ter uma convivência além disso!

- Do que você está falando? - ele faz cara de confusão.

- Você sabia que as pessoas acham que a gente tem um caso? Por causa  daquele vexame que me fez passar ontem - me aproximo da mesa dele - está gerando uma reação em cadeia entre os seus funcionários.

- Foda-se o que esse povo acha!

- E eu? Eu preciso de respeito! - apoio minhas mãos na mesa e inclino meu rosto na direção dele - Não quero meu nome envolvido nesse tipo de coisa, você é somente o meu chefe.

- Será? - ele se levanta e aproxima o rosto do meu, o que pretende com isso? Quem sabe me intimidar? Sinto sua respiração muito perto do meu rosto - Eu estou pensando seriamente em lhe demitir. - Theodoro senta novamente e me dá um sorriso enigmático, o que está aprontando?

- Perfeito! - se ele pensa que eu vou me humilhar, que vá para o inferno!

- Entretanto seus serviços ainda me são úteis. - babaca!

- Eu deixei meu serviço pela metade, com licença. - viro.

- Me traga café Felipa.

- Eu estou ocupada, não pode pedir para Beatrice?

- Não - ele une os dedos das mãos, como o Sr. Burns personagem de Os Simpsons, respiro fundo quando seguro a maçaneta - não suspire na minha sala, faça isso lá fora. - o encaro e observo que está folheando uns papéis.

- Sim senhor. - sou ríspida.

Eu vou matar esse homem! Nunca passou pela minha cabeça me tornar uma assassina, mas seus joguinhos psicológicos está me dando nos nervos.

- O que é isso? - ele me entrega um papel, enquanto toma um gole do café.

- Leia.

- Eu prometo obedecer as ordens do senhor Theodoro Castanheira Assunção. Quê?!

- Continue. - faz sinal com a mão.

- E evitar qualquer tipo de deboche de agora em diante - jogo o papel na mesa - que espécie de brincadeira é essa?! - noto que está segurando a risada - acha que eu assinaria essa droga?

- Você já leu e afirmou tudo diante de mim, não vejo necessidade de autenticar em três vias. - rolo os olhos.

- O senhor deve estar com o tempo livre é a primeira vez que te vejo fazendo joguinhos durante o trabalho. - bato o pé no chão repetidas vezes.

- Engano seu, meu dia está muito atarefado, mas é que você parece que não entende se eu não desenhar.

- Tá me chamando de burra?

- Não. Você tem uma mente rebelde, no entanto sob os meus cuidados acredito que se tornará uma jovem com um futuro promissor.

- O que você quer dizer com isso?

- Volte para o seu trabalho, se precisar da sua ajuda, eu lhe chamo. - ele me entrega a xícara vazia.

Eu não sabia se Theodoro pretendia fazer da minha vida um pugatório ou se ele gostava de sentir-se um deus, dando suas ordens e fazendo todos lhe obedecerem como em um rebanho de ovelhas. Onde o grande predador encurrala sua presa, afinal para alguns homens a sensação de poder é maior do tudo.

- Para alguns liderar pessoas dá mais tesão que ver outro ser humano se despir. - converso com Camilo na copa.

- Você acha que o nosso chefe é assim? - bebo um gole de café.

- Há sinais, embora eu acredito que ele possa ser do tipo que desconta as suas frustrações sexuais no outros. - Camilo arregala os olhos para mim.

- É sério? - CACETE! - me fale mais sobre isso. - Theodoro cruza os braços e fica me encarando, Camilo nem termina o café e foge na primeira oportunidade, covarde.

- O quê? - faço a louca e coloco um pouco mais de café no meu copo.

- Estava falando sobre mim?

- Eu? Não. - sorrio - Estávamos conversando sobre animais, um documentário que passou na TV. - sinto o líquido quente descer pela minha garganta.

- Que tipos de animais? Talvez eu me interesse pelo bate-papo também.

- Predadores, a rotina de... - Theodoro se aproxima - De um caçador solitário - se ele ficou convencido ou não, nunca vou saber - o senhor precisa de algo? - mudo de assunto.

- Sim, café.

- Poderia ter me pedido. - ele pega uma xícara e se serve.

- Eu pensei que estivesse ocupada trabalhando, mas noto que está com tempo para manter uma conversa paralela. - ele põe açúcar e mexe com a colher, fazendo tilintar a porcelana.

- Opa! Está tendo uma reuniãozinha e eu não fui convidado? - Bento sorri quando nos encontra na copa - Posso entrar ou atrapalho?

- Por favor, no que eu posso te ajudar? - me aproximo dele.

- Aqui tem chá? Não sou um fanático por café.

- Na garrafa vermelha tem chá de erva doce, mas se prefere outro eu posso fazer.

- Felipa, não me recordo de serviço de copa está escrito na descrição do seu serviço. - Theodoro estraga minha tentativa de me aproximar do irmão dele.

- Eu só queria ajudar.

- Qual o problema da Felipa ser prestativa? - Bento passa o braço em torno dos meus ombros, sinto meu rosto ficando meu vermelho e eu tenho a porra de um sorriso babaca no meu rosto - Ainda não tinha lhe visto por aqui, está gostando da empresa?

- Sim. - droga eu preciso parar de sorrir, Bento vai me achar uma idiota.

- Felipa eu preciso que me acompanhe até a minha sala agora! - Theodoro termina de beber o café e a coloca a xícara vazia em minhas mãos.

- Tchau gatinha - Bento me dá uma beijo na bochecha e me aperta em seus braços - a gente se vê por aí. - seu rosto fica próximo ao meu, sinto meu coração batendo tão forte que talvez ele tenha ouvido.

- Agora! - eu vou te matar Theodoro, eu juro!

- Tchau. - falo tão baixo, acho que perdi a minha voz.

Ao passo em que me arrasto até a sala dele aproveito para recuperar o fôlego, essa era última coisa que eu queria na vida, mas eu precisava encarar a fera, era a minha função. Essa é a primeira vez que tenho a oportunidade de encontrar o Bento, me surge o cão dos infernos para atrapalhar.

- Eu odeio quando você suspira.

- Não posso mais respirar? Porque o rei não quer!

- Respirar é totalmente diferente desse suspiro agoniado que você dá quando algo não sai do seu jeito - ele mexe nos papéis que estão sobre a mesa - e que história essa de rei?!

- Você age como um monarca, mas eu não vou abaixar a minha cabeça e reverenciar sempre que vossa alteza passar na minha frente.

- Não precisa disso, uma saudação já é o suficiente. - sim ele tentou ser engraçado, mas não conseguiu.

- No que posso ser útil? - volto a minha postura imparcial.

Nas próximas horas, uso o computador dele para enviar e-mails e digitalizar algumas planilhas, Theodoro foi para a sala ao lado - é uma saleta que ele usa para fazer teleconferência - a porta está aberta, então eu o escuto falar em outro idioma - francês.

Enquanto eu almoço na mesa dele, sirvo sua refeição lá na outra sala, Theodoro volta ao "modo robótico operandi" trocando poucas palavras comigo, nesse momento ele está absorvido pelo próprio trabalho, nada lhe tira a concentração.

- Aqui está o seu café. - ele está falando no telefone e quando vira a cadeira me empurra e eu deixo cair a xícara sobre os papéis.

- Meu Deus!

- Olha o que você fez caipira! - ele desliga o telefone - você estragou o relatório!

- Foi sem querer você que me empurrou! - vou para o banheiro e pego papel para enxugar.

- Merda!

- Eu refaço tudo.

- Não precisa, eu imprimo de novo.

- Eu ajudo. - os papéis estão molhados, balanço e alguns pingos caem na camisa dele.

- Faça um favor a mim - ele segura a minha mão - sai daqui!

- Mas...

- Por que não vai tentar suas chances com o Bento? Ele pode está precisando do seu auxílio. - fico parada digerindo o modo como fui tratada.

- Você fez curso para ser tão grosso ou é a genética do seu pai falando mais alto? - Theodoro afrouxa a gravata, será que ele vai me amarrar?

- No banheiro da minha sala tem uma porta lateral, é um armário pegue uma camisa limpa para mim. - ele desabotoa a camisa suja e me entrega.

Eu não falo mais nada, porém faço o que ele pede. Volto para o meu trabalho no computador e Theodoro retorno para o telefone, agora anda pela sala com a camisa aberta, ele é um homem bonito com um belo corpo, percebo que estou admirando sua beleza.

- De nada adianta, corpinho bonito e alma podre. - resmungo baixinho.

- Já terminou? - ele se aproxima.

- Quase. - evito olhar na direção dele.

- Eu estou precisando usar o meu computador.

- Tudo bem. - me levanto, ficamos frente a frente.

- Me perdoe por te magoar, isso não vai se repetir. - ele toca meu ombro.

- Hum. - eu só quero ir pra casa e esquecer a droga dessa dia! Não por inteiro, afinal Bento me fez feliz por alguns segundos.

- Não vai dizer nada? - Theodoro ergue meu queixo para encará-lo.

- Theodoro... - Santiago nos interrompe - Âââ... Eu volto mais tarde. - ele fecha a porta, então eu percebo.

- Ah meu Deus! Ele acha... - vou em direção a porta.

- Felipa! - sinto-o segurar minha mão - Calma.

- Quê?! Não! As pessoas... As pessoas já acreditam que eu estou aqui porque você está... - me comendo, penso.

- O quê? - aperto os lábios - Eu estou o quê?

- Todo mundo acha que eu estou indo pra cama com você - devo estar vermelha feito um pimentão, a última coisa que eu quero é o meu nome envolvido numa fofoca - que eu só estou trabalhando aqui porque estamos juntos.

- Nós sabemos que isso nunca aconteceu - sinto meus olhos marejar - não se preocupe eu vou falar com o Santiago e explicar o que houve, não quero ninguém falando mal de você.

Ele me abraça, encosto o meu rosto no peito dele, sinto o seu cheiro e a textura da sua pele, Theodoro afunda o rosto no meu cabelo, não era uma atitude correta entre um chefe e uma subalterna, entretanto meus nervos estavam em frangalhos e eu queria aquele afago, naquele instante considero que ele me compreendeu e entende que este tipo de estorinha não faz bem para a minha imagem.



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