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História One's and shortfics: Selections Dofia - Capítulo 2


Escrita por: fckszombie

Capítulo 2 - Hawái - Part I


Sofia's POV 

 

Havia acabado de desembarcar novamente em Los Angeles, após duas semanas de férias no Hawaii com minha namorada. Estava cansada, foram dias meio loucos. Depois de algum tempo esperando na esteira, após pegar toda a bagagem a loira me olhou com um sorriso largo, colocando os óculos escuros no topo de sua cabeça, aquela imensidão poderia ser comparada a um calmo oceano num par de íris claras, adorava seus olhos, ela era belíssima, eu não poderia reclamar! Enquanto eu organizava todas as malas em um dos carrinhos, a baixinha se balançava nos próprios pés, brincando com a aliança em seu dedo, não pude deixar de notar o movimento

 

– Está feliz? — perguntei depositando a última mala naquela pilha considerável, ela aproximou-se e deixou um casto beijo em meus lábios 

 

 

– Eu não poderia estar mais! Não acredito que vamos casar!

 

– Ora, você disse sim, não disse?! — sorri 

 

– Diria mil vezes mais se precisasse! Estou ansiosa para finalmente conhecer sua família esse fim de semana, temos tanta coisa para ajustar, quer dizer, nós vamos casar! — sorri fechado para a empolgação desmedida da mulher — Já sei exatamente onde vamos comprar nosso vestidos, irei pedir ajuda a Tanya com todo o resto, você não precisa se preocupar com nada, além do cartão de crédito, é claro — brincou 

 

– É claro — concordei, já estávamos perto do meu carro, ele havia ficado no estacionamento do próprio aeroporto, eu detestava perder tempo com coisas que podia agilizar.

 

– Sei que é uma mulher ocupada! Seu trabalho é mesmo exaustivo, precisamos dar um jeito nisso depois do casamento...

 

– Ahn, eu não estou certa que alguma coisa possa mudar, eu sou CEO da empresa meu bem, não é como se meus pais não fossem arrancar meu couro caso eu dê algum vacilo

 

– Paulina poderia assumir, te sobraria mais tempo 

 

– Ela não tem experiência, é uma empresa de biotecnologia, a Paulina tem formação em literatura, não tem absolutamente ligação alguma! 

 

– Bem, era só uma ideia, não precisa se estressar, amor, eu só quero passar o máximo de tempo que eu conseguir com você — senti suas mãos cercarem a minha cintura, enquanto eu fechava a mala do carro, suspirei virando-me de frente para ela, apoiando as mãos em sua cintura enquanto ela passava os braços sobre meus ombros — me desculpa, por favor... É que você sabe, as vezes não é fácil namorar uma mulher do seu patamar, eu sou só uma fotógrafa 

 

– Pare com isso, você sabe que não me importo ... Mas nunca te enganei quanto a minha rotina, já perdi muitos relacionamentos por esse motivo, sabe bem como foi o último... — encolhi os ombros ao lembrar 

 

– Não vamos falar dela, sim? Águas passadas — antes que eu pudesse responder a mulher já me beijava, não demorei a retribuir mas cortei rapidamente o contato pois era uma mulher discreta e não gostava dessa exposição, já me bastava o tanto que minha namorada nos expunha nas redes sociais — vamos para casa? 

 

– De jeito nenhum — falei enquanto nos acomodamos no banco do veículo — fiquei fora duas semanas aquele empresa deve estar de pernas pro ar! Eu vou deixar você em meu apartamento e vou direto pra lá 

 

– Céus Sofia, acabamos de chegar 

 

– Exatamente, quanto antes eu resolver tudo, mais cedo estarei em casa para aproveitar a noite com minha bela noiva, huh? — deixei um selinho rápido em seus lábios e arranquei com o carro dali.

 

Fizera como havia dito, depois de deixá-la em casa, dirigi imediatamente para a sede da DC Corporation , assim que deixei o elevador no último andar do prédio, que era ocupado apenas por mim e uns poucos funcionários de minha confiança, senti o velho impacto que minha presença sempre atraía, pessoas fingindo que não estavam dispersos, arrumando gravatas e voltando para suas mesas, antes de me cumprimentar com um sorriso cordial, eu achava engraçado, mas eles nunca saberiam disso, Sofia Carson tinha uma imponência a manter. 

 

– Senhorita Carson, o que faz aqui? –– Rose, minha secretária e amiga perguntou gentil assim que pousou os olhos sobre mim

 

– Olá Rose, como você está?

 

– Eu estou muito bem, mas a senhorita não deveria estar voltando das férias hoje?! 

 

– Bem, é exatamente o que estou fazendo, cá estou — falei enquanto entrava em meu escritório 

 

– Oh não, eu quis dizer que era para a senhorita está de volta à cidade hoje, o que faz aqui? Sequer deve ter descansado do voo.

 

– Eu já descansei demais Rose — tirei o blazer que usava e o estendi sob as costas de minha cadeira, sentando-me em seguida — céus, olha essa mesa! — haviam várias pilhas de pastas, perfeitamente organizadas por cores, eu sabia exatamente de quais setores aquelas cores pertenciam, Rose realmente fazia um excelente trabalho 

 

– Eu verifiquei previamente cada um desses documentos, descartei vários que provavelmente não teriam sua aprovação, estão no armário — ela apontou — esses são os que considerei que mereciam sua atenção imediata, posso trabalhar com a senhora nisso — ela me serviu uma dose de uísque e entregou-me, eu raramente precisava dar um comando aquela mulher, ela sabia exatamente cada passo que eu dava dentro daquela empresa 

 

– Perfeito, eu preciso trabalhar nisso agora Rose, se eu precisar de sua ajuda lhe chamo okay? 

 

– Sim senhora, com licença 

 

– Toda. 

 

Logo a jovem me deixou sozinha, caminhei até as grandes janelas que ficavam atrás de minha mesa, eu tinha uma vista excelente do centro de LA, mas àquela altura, o caos de uma grande metrópole não existia, e aquilo me trazia certa paz. Ouvi quando meu celular tocou em algum lugar dentro de minha bolsa, suspirei pesado enquanto mexia o gelo em minha bebida com o indicador, tomando todo o líquido num só gole em seguida, eu desconfiava de quem se tratava, minha ex namorada, a mulher que eu achei que iria dividir todos os meus dias e minha vida inteira, aquela que tinha deixado lembranças em cada canto daquele escritório, de meu carro, apartamento, e tantos outros lugares em que fomos inconsequentes e nos deixamos levar pelo tesão como duas adolescentes, céus, eu nunca amaria alguém daquela forma novamente, e nem era só pelo sexo, que era incrível diga-se de passagem, mas ninguém, nunca, deixou a mim completamente rendida quanto Dove Cameron

 

Dove era uma das mais brilhantes biotecnólogas que eu já conhecera, a conheci quando com um currículo perfeito a mulher chegou a mim, segura de si, até um pouco arrogante, afirmando que ela era o tipo de profissional que eu precisava, tal como o nome de minha empresa era o que ela precisava em seu currículo, seria um excelente negócio, e de fato, foi.

 

Nós trabalhamos juntas, lado a lado, diariamente em meus laboratórios e fizemos avanços juntas em meses que minha equipe não conseguiu em anos, como eu já dissera, a mulher era brilhante.

 

Um dia eu fiquei até muito tarde no escritório, revisando tudo que tinha acumulado durante a semana por eu ter passado tempo demais no laboratório, e Dove, por ironia do destino, ou não, também ficou até mais tarde na empresa aquele dia, nós duas vivíamos para nosso trabalho e nossas carreiras, até aquela noite. 

 

Flashback on 

 

– Senhorita Cameron, o que faz aqui a essa hora? Não tem mais um funcionário sequer aqui além dos seguranças...

 

A loira assustou-se com minha aproximação, estava concentrada demais no que estava fazendo. 

 

– Que horas são?

 

– São quase meia noite!

 

– O que? — a mulher me olhou de olhos arregalados — céus, eu não me dei conta! Eu já estou indo senhorita Carson, me perdoe... estava fazendo avanços importantes aqui e não pude parar! — ela tirou o jaleco que usava e eu pude prestar um pouco mais de atenção em seu belo corpo, não podia negar, Dove Cameron era uma mulher estonteante!

 

– Por favor, não deixe que isso se repita, a última coisa que preciso agora é de um bando de repórteres em meu hall de entrada me acusando de trabalho escravo! — nós duas rimos 

 

– Oh, então a poderosa chefona faz piadas? — mordi o lábio para conter o sorriso, precisava recuperar a compostura — me perdoe, limites, eu entendi! Bom, até amanhã senhorita Carson.

 

– Até amanhã, senhorita Cameron. 

 

A mulher passou rapidamente por mim e seu cheiro me deixou um tanto quanto inebriada, como alguém que passava o dia enfurnada num laboratório podia cheirar tão bem? Sem pensar muito, comecei a seguir a mulher que já se encaminhava para a saída do prédio. 

 

– Cameron — chamei — ei Dove! Espere — ela me olhou por sobre o ombro antes de virar em minha direção — como vai voltar pra casa? — perguntei ao me aproximar o suficiente 

 

– Táxi — respondeu simples

 

– Você não tem carro?

 

– Tenho mas tive problemas com ele, está na oficina 

 

– Entendi, bem... venha comigo, eu te levo

 

– Isso não é necessário 

 

– Cameron, eu estou de carro, não vou te deixar pegar qualquer táxi a essa hora, é perigoso 

 

– Senhorita Carson, isso não é apropriado 

 

– Isso o que? Dove, eu cuido de meus funcionários! Não vou deixar uma mulher na rua a essa hora, venha comigo, isso não é um pedido 

 

– Eu devo lembrá-la que não estamos mais em horário de expediente?

 

– Não seja insolente mulher, venha 

 

Eu comecei a andar sem olhar para trás, por alguns instantes o barulho de meus próprios saltos fora a única coisa que eu ouvira, até ouvir os dela, sorri satisfeita e caminhei até o estacionamento, destravando a GT 63 que eu dirigia aquele dia. 

 

– Não estou surpresa — a ouvi dizer enquanto eu rodeava o carro até a porta do motorista 

 

– O que? 

 

– É claro que uma mulher extravagante como você dirigiria um carro ainda mais extravagante — ela revirou os olhos 

 

– Ah isso? — apontei sarcasticamente — é um dos básicos, vamos logo — entrei no carro antes que não conseguisse conter o sorriso presunçoso, Dove entrou em seguida, acomodou-se e logo colocou o cinto — coloque seu endereço no gps, por favor — pedi e logo a mulher atendeu-me — hm, é um pouco distante mas não pegaremos trânsito a essa hora, espero que não se incomode de passar um tempo a sós comigo

 

– Eu não tenho outra escolha. 

 

Ela revirou os olhos e eu ri, sintonizei em uma rádio qualquer apenas para não ficarmos naquele silêncio constrangedor. Tentei puxar conversa algumas vezes, mas a mulher não parecia a fim, aquilo me chamou atenção, não costumava acontecer comigo. 

 

– Está entregue. Tire a manhã de folga, está tarde, você precisa descansar.

 

– obrigada por isso, senhorita Carson, mas eu honro os meus compromissos profissionais, estarei lá no início do expediente, tenha uma boa noite. 

 

Antes que eu pudesse dizer alguma coisa a loira saiu batendo forte a porta, não pude deixar de analisar cada detalhe de seu corpo novamente enquanto ela caminhava até a porta de entrada de sua casa, que droga! Eu nunca havia sido tratada com tamanha indiferença, eu não precisava de muito para ter a mulher que quisesse mas Dove Cameron? Parecia impenetrável. Obviamente, eu aceitei o desafio de seduzi-la. 

 

O que eu não contava, era que me apaixonaria perdidamente por ela.

 

Flashback off 

 

Assim como eu desconfiava, era mesmo mais uma ligação de Dove, nosso fim não foi legal e ela não aceitou bem, eu muito menos, mas eu fingia muito melhor, e ignorava qualquer contato que a mulher tentasse. 

 

Nosso relacionamento já começou conturbado, no início eu só queria a levar pra cama, fui insistente, inconveniente e por vezes até abusei do meu poder,  não ligando se estava sendo antiprofissional, eu a queria, e fiquei obcecada.  

 

Depois de muita insistência e joguinhos de gato e rato, eu conseguira meu objetivo, havia finalmente transado com ela, mas infelizmente, não foi só sexo. Por mais que eu tentasse me convencer do contrário. 

 

Não precisou de mais de dois meses para que eu estivesse nas mãos dela, e felizmente ela retribuía a altura. Estávamos apaixonadas e tudo o que gritava contra nós, parecia não ter importância. Meus pais surtaram com a notícia, apesar de adorarem a mulher, sabiam que seria um escândalo de marca maior se vazasse o meu envolvimento com uma funcionária, era uma de minhas maiores preocupações, e tentando resolver, Dove demitiu-se e acabou na concorrência. Para nós, fora uma solução inteligente, para meus pais, nem tanto, e os problemas começaram a surgir. Eles não admitiam que uma ex funcionária nossa trabalhasse para as concorrência e ainda namorasse a filha deles, queriam que Dove abrisse mão da carreira dela para ficar comigo, mas ela não admitia viver às minhas custas, para mim não era problema, ela não precisaria trabalhar, mas ela jamais aceitaria tais condições.

 

Com a saída dela da empresa, começamos a nos ver muito menos, não demorou para assumirmos que estávamos juntas, um tiro no pé para os negócios eu diria, pois assim que descobriram onde Dove trabalhava, a credibilidade da DC foi questionada. Eu virava noites no escritório, segurando as pontas administrativas e as pesquisas, me sentia exausta e não conseguia dar conta do meu relacionamento. Estava absorta demais em trabalho e praticamente comecei a tratar minha namorada como um objeto, por mais que a amasse, vinha sendo uma perfeita imbecil, e não demorou para que nos tornássemos tóxicas uma para a outra, ficamos juntas por dois anos e meio, até que ela decidiu pedir um tempo, e eu aceitei, porém na minha cabeça, tínhamos terminado e eu simplesmente passei a ignorar sua existência, até conhecer Sabrina. 

 

Dove e eu estávamos separadas a quase um ano. 

 

Em três meses de relacionamento com Sabrina, a pedi em casamento.

 

Meus pais queriam me matar. 

 

Meus amigos diziam que eu havia perdido o juízo.

 

Sabrina estava perdidamente apaixonada.

 

E eu? Completamente perdida.

 

A cada mensagem ou ligação de Dove que eu ignorava, meu coração se partia de uma forma diferente, mas o que eu poderia fazer naquela altura?



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