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História One-Shot's Musicais - Capítulo 12


Escrita por:


Notas do Autor


Dance Monkey - https://www.youtube.com/watch?v=peWsQ1b_TU4

"Agora eu imploro para lhe ver dançar mais uma vez".

Boa leitura!!

Capítulo 12 - Dance Monkey - Dançar mais uma vez.


Fanfic / Fanfiction One-Shot's Musicais - Capítulo 12 - Dance Monkey - Dançar mais uma vez.

12. Dance Monkey

 

– Bem vindos ao CEETA, na nossa faculdade vamos garantir que todos, sem exceção, tenham um futuro brilhante pela frente. Nesse ano temos um tema especial, o tema da faculdade é: 'Não tenha boas intenções, tenham boas atitudes'.

Alguns aplaudem as palavras do diretor.

– Não queremos que saiam daqui apenas como alunos que concluíram a faculdade, queremos que saiam daqui como profissionais qualificados para fazer o que escolheram fazer. Somos o instituto numero um em ensino, educação, qualificação, notas, esportes e competições por doze anos seguidos. Espero que esse ano vocês tornem possível que sejamos qualificados novamente. Contamos com a ajuda de todos para continuar mantendo a nossa categoria de ensino numero um pela décima terceira vez consecutiva.

Mais aplausos.

– Funcionamos de segunda a sábado como um internato, não são obrigados a sair nos domingos, porem, é o único dia em que é permitido sair. Se forem menor de idade apenas podem sair com o documento de aprovação. Agora os... – olha o papel em suas mãos – Os doze novatos podem ir até a diretória para saber aonde irão dormir e qual será a sua grade de matérias.

O diretor se retira do palco e a plateia de alunos se levanta para andar pelo local.

Um garoto particularmente de cabelo ruivo escarlate e olhos azuis piscina está distraído com a música ressoando em sua cabeça através do fone de ouvido. Os 'calouros', como gostam de chamar os novatos, estão andando em direção à diretoria em uma fila indiana. Em sua opinião aquele lugar mais parecia uma prisão para preparar futuros robôs para a sua vida de robô e ganhar um salário de robô que vai usar para fazer coisas de robô.

– Me desanima saber que ainda tenho mais quatro anos aqui... – suspira tirando a atenção dos calouros e voltando a ler seu livro.

Todos querem estudar aqui, no seu caso acabou ganhando uma bolsa devido ao clube de música na escola que estudava. Ganhou ao todo quatro troféus de ouro para o instituto desde que começou há estudar dois anos atrás.

Porem se tornou monótono, tem amigos, ensaios para o clube de musica e a competição anual em Tókio, queria tentar outra coisa, como o esporte, mas não seria possível fazer algo diferente agora.

O diretor quer que ele seja profissional, uma vez arrumou para si uma entrevista com um produtor musical, mas nada muito empolgante. Devia estar animado! Afinal estuda em uma das melhores faculdades, tem amigos, atenção de pessoas importantes, muitos benefícios, um ótimo salário fazendo musicas para outros profissionais... O que falta para ser feliz?

Levanta do banco de madeira da praça imensa da faculdade e anda até os seu dormitório. Em cada dormitório masculino tem três meninos, o lugar é bem espaçoso, caberiam até oito pessoas e ainda sobraria espaço, não poupam dinheiro para mimar seus alunos de ouro.

Se ele tem algo contra o lugar? Não. De fato gosta muito de estudar no CEETA, mas sente como se algo faltasse. Pode ser saudades da sua família, visto que todos moram em outro estado, pode ser solidão ou vontade de experimentar algo novo.

A rotina pode ser assustadora para alguns e um conforto para outros.

Passa pelos imensos corredores cercados de salas, inúmeras salas idênticas.

Todas as escolas tem uma discussão entre dois temas:

'Todos são iguais', quem defende essa tese distribuem fardas para que todos se sintam incluídos e não haja debate social.

'Ninguém é igual, cada um é especial do seu modo', quem defende essa tese não faz uso das fardas, deixam os alunos expressarem a sua individualidade, pois não querem inibir ninguém a se expressar.

O CEETA não usa farda, então ele gosta de usar na maior parte do tempo o seu casaco preto e branco com um chapéu de aba virada para trás. Diriam que é um estilo jogado, mas se sente confortável de casaco em um ambiente que tem ar-condicionado em todos os lugares.

Ainda em posse do seu fone tocando melodias em sua cabeça, nota que uma das salas está iluminada. Como está no inicio do ano é normal os calouros quererem descobrir mais do imenso local, então o normal se tratando de si seria apenas ignorar e passar reto para o seu destino. Porem deixou a curiosidade fluir em si e olhou para o lado.

Paralisou.

Os movimentos da garota eram hipnotizantes.

Apenas ficou ali paralisado na porta a olhando. Ela se movia de modo tão suave que quase parecia estar se deixando movimentar com o vento, é como se ela não tivesse peso, fosse uma mera e suave pena solitária dançando naquele imenso salão de balé.

A garota tem longo cabelo negro e liso amarrado num rabo de cavalo alto, seus olhos lilás estão fixos no imenso espelho. Está usando um collant preto, saia branca rodada por cima, meia calça preta fina e os sapatos de balé branco.

Retirou os fones e apenas passou a apreciar os graciosos movimentos da garota a sua frente, sem notar que estava se aproximando cada vez mais dela. Está sendo atraído como o imã se apega ao metal.

Quando encerra mais um passo, os olhos dela se encontram com os dele. Uma preciosa ametista de frente a safiras.

– Pode dançar de novo? – ele pergunta ainda sob o efeito dos olhos dela.

– Toda a minha vida eu tenho dançado, agora você me pede para dançar mais uma vez? – brada levemente irritada dando as costas para ele.

– Por favor! – pede segurando a mão dela assim a impedindo de se afastar – Eu nunca vi ninguém fazer as coisas que você faz.

Ela o encara indignada, quem ele acha que é para poder a segurar assim a implorando para que dance novamente?

– Me solta – ordena franzindo a testa.

– Sinto muito... – se desculpa – É que você me deixou paralisado, você parecia brilhar.

– Você é estranho – fala cruzando os braços.

– Nathaniel Fernandez, mas pode me chamar de Nathã – se apresenta sorrindo.

– Kaithy Fullbuster, eu não gosto de apelidos – diz pegando a sua mochila que estava no chão.

– Nome lindo – sorri a olhando hipnotizado – Estuda aqui há quanto tempo? – pergunta puxando algum assunto.

– Apenas há um ano. Se me der licença, tenho que arrumar minhas coisas – avisa passando porta a fora.

– Espera, vou com você! – brada se posicionando ao seu lado a acompanhando assim.

– Não me recordo de ter pedido companhia – fala girando os olhos.

– Não seja tão má comigo – sorri a olhando – Kaithy, faz balé desde quantos anos?

– Sempre – responde indiferente.

– Você é tão incrível, não imagina o quanto alegrou meu dia!

– Nathaniel, não é?

– Sim.

– Não me importo – fala o olhando – Não imagino o motivo de estar tão animado com a minha dança, mas tenho muitas coisas para fazer, não tenho tempo para fazer novas amizades, de fato não consigo dar atenção para as poucas amigas que tenho – suspira – Peço que me entenda.

– Não se preocupe com atenção, podemos conversar apenas quando quiser – sorri – Mas, eu posso lhe ver dançando mais uma vez?

– Não.

– Por favor!

– Não, o campus é enorme, espero nunca mais te encontrar ou esbarrar em ti pelos corredores – Kaithy diz adiantando os passos.

– Nunca diga nunca! – grita parando de andar para ela escutar.

– Nunca! – grita de volta entrando no estabelecimento que fica o dormitório feminino.

Nathaniel sorri vendo a garota sumir através da porta de vidro fume. Não sabe o motivo de aquela estranha ter alegrado tanto o seu dia. Aquela dança era completamente de outro mundo, maravilhosa! Nunca mais esqueceria aqueles passos únicos que nunca havia presenciado em outro lugar antes.

Deixando um pouco de lado, mas sem largar o sorriso do rosto, ele entra no seu quarto e deita na sua cama olhando o teto.

– Ele está com uma expressão assustadora – um dos seus amigos de quarto fala o olhando.

Kevin Kishimoto, loiro de olhos verdes claros. Ele é um coreano que conseguiu a bolsa da faculdade em concursos importantes de conhecimentos gerais, faz parte da turma hard de quizes e sempre vence jogos de xadrez, damas e cartas em geral. Sua maior conquista foi montar o cubo mágico de 5x5 em nove segundos e entrar no guinness book.

– Talvez o Nathã esteja com dor de estomago, eu avisei que a comida daqui é muito bem feita, não colocam muito sal e jogam limão em tudo.

Aruan Felix, cabelo castanho e olhos verdes escuros. Simplesmente um dos melhores jogadores de basquete da faculdade, havia um antes de Aruan entrar, mas ninguém o superou nesses dois anos. Tirando o campeonato trouxe outros troféus de ouro menos significantes para o instituto. Talvez sua maior conquista tenha sido ficar com uma pessoa relevante na mídia a qual não posso citar nomes.

– Estou feliz, as pessoas podem ser feliz às vezes, sabiam disso? – Nathaniel pergunta rindo deles.

Sobre Nathaniel, ele é um cantor incrível, conseguiu a bolsa na faculdade através de contatos da sua antiga escola. Ganhou inúmeros concursos culturais de musica, na faculdade já trouxe troféus de eventos musicais importantes, incluindo shows de talento, instrumentista profissional, sabe tocar atualmente doze instrumentos e está aprendendo a tocar saxofone. Um dos alunos que mais trouxeram troféus e tem notas perfeitas. Não tem maiores conquistas.

– Não você – Aruan diz deitando na cama ao lado.

– Só existe uma coisa capaz de deixar um homem com um sorriso de besta na cara pelo resto do dia ­– Kevin fala sentando ao lado de Nathaniel – Fala logo quem é a garota.

– O Nathã com uma garota? – Aruan brada surpreso – Vala me Deus, quem é a maluca?

– Me deixem em paz! – Nathaniel sorri jogando o travesseiro em Aruan.

– Aruan, ele se apaixonou – o loiro anuncia surpreso. Kevin é bem sensível, muitas garotas gostam dele, mas o mesmo está num relacionamento virtual.

– Garotas são a minha alegria – Aruan comenta sorrindo de canto. Seu maior recorde deveria ser de quantas meninas já caíram em seus encantos.

– Ela era tão... – suspira – Tão perfeita.

– Não acredito que realmente se apaixonou – Kevin começa a rir da situação do amigo.

– Domado está o leão – Aruan comenta suspirando.

– Nunca mais vou vê-la mesmo, ela estuda aqui há um ano e nunca nos encontramos antes. Como a mesma disse: O campus é grande demais. Nunca vamos nos ver de novo.

– Nunca diga nunca – Kevin fala pegando o notebook – Nome dela.

– Kate... Fulbs... – Nathaniel tenta se lembrar – Ela só me disse o nome dela uma vez, não acho que vou lembrar.

– Desse jeito você complica mais a minha tentativa de te ajudar – o loiro brada o olhando.

– Aparência dela, talvez eu conheça alguma amiga próxima a ela, se vacilar, talvez eu a conheça pessoalmente – Aruan sorri olhando o amigo.

– Não sei se ela cairia na sua cantada barata Aruan – o ruivo gira os olhos – Cabelo longo, liso e negro, muito escuro mesmo.

– Descreveu só mais da metade das meninas da faculdade – Kevin fala mexendo no notebook.

– Olhos lilás... Como duas lindas ametistas... – Nathaniel diz sorrindo ao lembrar-se o contato visual que teve com a mesma.

– Mas é um bocó esse garoto – Aruan suspira – O que ela estava fazendo?

– Dançando balé. E que dança maravilhosamente única. Perfeição.

– Perfeição é exatamente o que a faculdade quer, então não é difícil que qualquer pessoa aqui esteja na internet – o loiro sorri ao achar a garota no Google – Kaithy Fullbuster?

– Sim! – o ruivo pula da cama indo até o amigo – Nossa! Ela tem uma pagina só para ela no Wikipédia.

– Tem sim – Kevin da risadas e começa a ler a pagina – Tem dezoito anos, entrou na faculdade ano passado, trouxe prêmios de ginástica olímpica, fez show na Broadway como o Lago dos cisnes, também Cisne negro, Quebra nozes, Don Quixote, A bela Adormecida, A filha do faraó, Chama de Paris, Cinderela, Coppélia, Esmeralda, A história de Giselle, Harlequinade, La bayadère, La fille mal gardée, La Sylphide, Le Noces, O corsário, O espectro da Rosa, O Pássaro azul, O talismã, O Pássaro de fogo, Paquita, Petrushka, Raymonda, Romeu e Julieta, Sonho de uma noite de verão, Scherazade, Spartacus e Sylvia.

 – Ela é uma bailarina profissional apenas com dezoito anos? Não é a toa que está no CEETA – Aruan comenta.

– Tem vídeos – Kevin anuncia iniciando um do quebra nozes.

Os três assistem juntos.

– Ela é aquela ali – Nathaniel aponta olhando – Não... Está diferente, não está com a mesma paixão que a vi dançando mais cedo.

– Você é profissional em balé agora? – Aruan pergunta rindo – Não é tão complicado achar uma bailarina na escola. Você escutou que esse ano de mais de mil pessoas que tentaram entrar na faculdade esse ano, apenas doze entraram.

– Não achei que diria isso, mas o Aruan tem razão – Kevin diz olhando o amigo ruivo – Se tem uma carreira difícil de conseguir fama é com balé, pois embora seja lindo, poucos se importam de verdade.

– Eu só quero a ver dançando de novo.

– Quantas salas de balé tem no CEETA? – Aruan pergunta olhando Kevin.

– Umas quinze eu acho – Kevin responde vendo o mapa da escola, outra habilidade dele é ser muito bem em computação.

– Então amanhã vou procurar ela em todas as salas e perguntar para todas as professoras! – Nathaniel brada determinado.

– Então ela te processa por ser um stalker e pede um mandato de afastamento contra você – Aruan complemente de braços cruzados.

– Nossa... Calma Aruan – o loiro pede o olhando.

– Nosso amigo se apaixonou e vai fazer a garota sair correndo, alguém tem que avisar para ele ir com calma e não começar a seguir a menina pelos corredores.

– Ele sabe que não pode seguir ninguém. Não é Nathã?

– Sei sim, mas quero conversar com ela de modo normal, acho que hoje ela não estava em um bom dia para conversar com alguém e talvez eu tenha sido um pouco inconveniente com a mesma – Nathaniel fala olhando o teto.

– A garota saiu correndo? – Aruan pergunta.

– Adiantou os passos – o ruivo responde.

– Babaca – Aruan complementa.

– Vou tomar banho – Nathaniel levanta da cama indo ao toalete.

– Não faça nada de errado pensando na morena! – grita segurando o riso.

– Aruan, tenha modos! – Kevin brada com o rosto vermelho.

– O que foi loirinho? Não pode mais dar uma advertência para os amigos? – pergunta rindo da expressão do amigo que é muito tímido.

– Calem a boca! – Nathaniel grita do banheiro fazendo ambos sorrirem.

Mais afastado dali Kaithy segue seu caminho.

Kaithy por sua vez entrou no seu dormitório e logo começou a arrumar as suas coisas de volta no quarto em que fica com mais duas colegas. Havia passado as férias de fim de semestre com a mãe e o irmão na casa em que cresceu, essa terapia familiar não é nada agradável.

Organizou algumas coisas  importantes e logo pegou o celular para responder as mensagens importantes. Ao ver as notificações do grupo da sua sala desse semestre começou a analisar com quem estudaria, cada aluno tem um link que segue para o perfil escolar. Se sentia em um episodio de Black Mirror, todos sabem da sua vida através da tecnologia, como se ela fosse um imenso código QR que podiam simplesmente passar o escâner e pronto.

Na letra M desistiu de ler o perfil de todas as pessoas da sua sala.

– Bom dia Kaithy! – Morgana a cumprimenta sorrindo.

Morgana Cooper, ruiva alaranjada de olhos castanhos, leves sarda no rosto e ombros. Trouxe um troféu de natação para a faculdade. É mestre em tecnologia e pode hackear qualquer pessoa na escola, mas ela foi a responsável por criar a proteção para o site da escola, assim que tentarem hackear um vírus se apodera do celular copiando todos os dados e revelando quem é a pessoa. Ninguém vai se atrever a invadir o site da escola do próprio celular. Sua maior conquista foi criar um blog que virou jornal e trabalhar no que ama.

– Bom dia Morgana – boceja se espreguiçando.

– Não passa essa preguiça para mim não! – comenta rindo da amiga – Não te vi no discurso do diretor, estava ensaiando de novo?

– Estava apenas dançando uns passos antigos... – diz sem interesse – Até que apareceu um garoto esquisito e me tirou a vontade de dançar – suspira.

– Um garoto? – pergunta curiosa se jogando na sua cama com o notebook.

– Sim, mas não quero falar dele.

– Eu quero! Conta tudo, como ele era?

– Não me lembro... – murmura mentindo. Se recorda bem de como ele é, mas não é necessário demonstrar que lembra de um encontro ao acaso.

– Nossa, não precisa ser tão má com o menino – sorri olhando seu blog – Posso descobrir a vida dele toda se quiser.

– Não obrigada, não tenho interesse em saber dele. De fato espero nunca mais o ver pelo campus – rola na cama deitada encarando o teto.

– Ocupada demais para se apaixonar senhorita?

– Muito.

– Discordo de você, mas como você não liga para minha opinião sobre a importância de você ter uma vida amorosa vou apenas ficar calada – sorri voltando sua atenção para o notebook – Ah, sua redação ganhou de novo – comenta olhando as premiações que participaram no fim do semestre.

– Viva... – finge uma animação.

– Mais um ponto para Gryffindor! – brada rindo e fazendo Kaithy esboçar um pequeno sorriso com a amiga que ama o mundo mágico de Harry Potter.

– Mais um troféu para o CEETA! – entra na brincadeira.

– Eu sou Slytherin, mas como Gryffindor sempre ganha não posso fazer nada – Morgana mexe mais no notebook olhando todos os novos troféus da faculdade.

– Eu sou que casa mesmo? – pergunta olhando à amiga que esta concentrada no notebook.

– Revenclaw, eu acho uma casa maravilhosa. Na verdade todos dessa faculdade deviam ser Revenclaw, está no nosso sangue ter sucesso para se destacar.

– Legal – sorri olhando seu e-mail.

Sobre Kaithy Fullbuster. Bailarina profissional, assim como boa cantora, o que a levou a fazer bons papeis na Broadway desde os seus sete anos de idade, aonde protagonizou a versão mais jovem da princesa Fiona, em Shek e muito mais no decorrer da sua carreira. Sua mãe era bailarina assim como ela, foi assim que se apaixonou pela dança desde sempre. É profissional em redação e ama escrever tanto quanto ama ler. Ganhou o the voice kids quando tinha cinco anos de idade, talvez sua maior conquista tenha sido sair de casa aos seus dezesseis anos, de acordo a mesma, a sua casa tem o ar pesado e difícil de respirar.

– Não aguento mais andar no meio de tantos seres humanos que não tem a mínima noção de moda! – Wendy grita entrando no quarto, completando a terceira integrante.

Wendy, loira de cabelo longo e cacheado olhos verdes. Modelo profissional e estilista. Faz sua própria moda e ama costurar suas próprias roupas. É filha de um estilista de sucesso, mas superou o pai aos nove anos, quando criou um chapéu que ficou famoso na frança e ganhou destaque em capas de revista. Nunca fez cirurgia plástica e mantém uma dieta rigorosa consigo mesma, já que é modelo da sua própria arte. Trouxe troféu de originalidade para a faculdade quando organizou um enorme evento sozinha. Não tem maiores conquistas, para ela cada dia é uma conquista nova.

– Alguém estava usando calça branca com blusa amarela de novo? – Morgana pergunta rindo.

– Não me lembre daquela tragédia – fala se arrepiando – Um menino veio conversar comigo, ele estava usando um terrível moletom verde com uma calça marrom clara! Eu. Simplesmente. Surtei! Estava horrível!

– Que tragédia... – Kaithy comenta irônica rindo da amiga dramática.

– Achei que ia morrer, e eu não estou com o rosto perfeito para morrer. Se eu morrer quero ao menos estar bonita para ser um corpo bonito na mídia, morrer com classe! – fala jogando os cachos para o lado.

– Que catástrofe... – Morgana diz segurando a risada.

– Parabéns pelo troféu de literatura fofis – Wendy fala para Kaithy sentando na sua cama para tirar o salto agulha.

– Obrigada – boceja.

– A Kaithy saiu com um menino hoje e não quer me contar quem era – Morgana a explana.

– Morgana! Que droga! Agora ela vai me interrogar!

– Ai menina!! Me. Conta. Tu. Do! – fala sentando ao lado da amiga morena.

– Drogaaaaaaa! – Kaithy suspira em alto e bom som fuzilando Morgana com o olhar.

– Reclama menos e fala mais – Morgana sorri.

– Não sai com ninguém do modo que estão pensando, apenas nos encontramos por acaso, bem, ele me encontrou no caso.

– Como ele te encontrou? – Wendy começa o interrogatório.

– Vamos mesmo fazer isso? – Kaithy murmura inconformada.

– Sim! Continua! – Morgana pede animada.

– Eu estava dançando para aliviar o estresse da viagem no final de semestre para a casa da minha família. Quando do nada apareceu uma garoto muito ruivo me pedindo para dançar de novo – se concerta na cama – É muita falta de noção mesmo!

– Não vi nada demais no pedido dele – Wendy comenta a olhando.

– Você que é dramática demais, ele gostou da sua dança e queria ver você dançar de novo, isso não devia ser uma coisa boa? – Morgana pergunta olhando seu notebook.

– Eu não gostei, apenas isso.

– Fale um pouco mais dele, posso o achar no site da escola em poucos segundos.

– Ruivo de olhos azuis, usava um casaco preto e branco... Não me lembro do nome dele.

– Já achei, Nathaniel Fernandez.

– Essa garota me assusta às vezes – Wendy diz deitando de frente para não amassar os cachos.

– Não quero informação sobre ele, o campus é enorme, se só o vi uma vez em um semestre inteiro nunca vou me esbarrar com ele de novo tão cedo.

– Nunca diga nunca – Wendy a alerta.

– Foi exatamente o que ele me disse – Kaithy murmura girando os olhos.

Todas sorriem e logo começam a rir da situação. Permanecem conversando por mais um tempo antes de dormirem. Amanhã começa as aulas.

Três semanas se passaram sem que ambos se encontrassem novamente.

Nathaniel pensou naquela bela dança todos os dias, como pode alguns passos alegrar o seu dia e se estabelecer na sua cabeça durante tanto tempo? Se paixão a primeira vista realmente existe, ele está apaixonado por alguém que não conhece e sequer sabe se vai ver novamente. Se for algo normal ou não nunca saberia, mas é uma sensação meio enjoativa e ao mesmo tempo, de alguma forma, muito boa.

Kaithy passou a semana se concentrando nas suas atividades, não pensou muito no ruivo, porque pensaria em alguém que só viu uma misera vez? Porem, toda vez que via algum cabelo escarlate na multidão acabava por ficar ansiosa que fosse ele. Apaixonada? Fora de cogitação. Não sente nada por tal ser que espera não ver novamente. Já tem problemas demais na sua vida para ter que lidar com mais um.

Porém, naquela tarde em que Kaithy decidiu ir para a estufa da escola ler um livro, acabou encontrando o ruivo de novo.

Nathaniel está dormindo encostado em uma arvore do lugar, tem um livro jogado em seu colo e seu fone está um lado no seu ouvido e outro caído no chão.

Para de andar por um momento olhando a figura deitada no chão de modo troncho. Irá acordar com uma boa dor nas costas, mas isso não devia a importar, não é como se fosse mata-lo uma mera dor nas costas. Mas algo na sua cabeça insistia para que ela parasse o que está fazendo para ir ajeita-lo de modo que não o incomode quando acordar.

"Só posso estar ficando louca" – Kaithy pensa indo até o ruivo e o empurrando um pouco mais para o lado, para que assim possa ficar menos troncho e mais confortável.

Ergonomia simples.

Só não esperava que ele fosse acordar no momento exato em que ela estava a sua frente.

Mais uma vez, de forma inesperada, seus olhos se encontram. Permanecem se encarando um pouco sem saber o que dizer um ao outro.

– Oi, eu est--

– Não leve para o lado pessoal, estava apenas te ajeitando. Você poderia acordar com uma dor nas costas e no pescoço se continuasse dormindo daquele modo, nunca estudou ergonomia? –  Kaithy pergunta se afastando sem demonstrar que está constrangida.

– Ah... Claro que sim, não pensei nada errado, prometo que sim – Nathaniel  sorri levando e se pondo ao seu lado com o livro que estava lendo na mão.

– Fico satisfeita que não tenha entendido errado... – fala olhando para o livro na mão dele – Bom gosto para literatura.

– O seu livro também parece ser interessante. Do que se trata ele?

– É sobre um homem que tem a mulher brutalmente assassinada juntamente com seus outros filhos, sobrando apenas um bebê, ele cria o filho sozinho, mas depois de uma discussão com o pai o filho fugiu de casa e acabou sendo sequestrado, o pai sai a sua busca em um caminho frenético cheio de inúmeros problemas juntamente com uma mulher quem contem uma deficiência mental de esquecimento – explica um pouco animada por ter alguém interessado em um livro que ela está lendo.

– Nossa deve ser incrível! – diz sorrindo e logo se recorda de algo  – Na verdade... Acho que já vi esse filme.

– Tem um filme com esse livro?

– Sim. Procurando Nemo.

Kaithy fica uns segundos raciocinando no que o ruivo disse. Não demora muito e ambos começam a dar risadas.

– Como conseguiu associar um assassinato com procurando Nemo? – pergunta rindo.

– Você descreveu o filme todo, não foi minha culpa – responde rindo juntamente com ela.

Param de rir e se encaram de novo sorrindo.

– Acho que começamos com o pé esquerdo... Vamos tentar de novo. Me chamo Nathaniel Fernandez – estende a mão para a morena na sua frente.

– Kaithy Fullbuster – segura a mão dele num cumprimento – O seu livro é sobre o que?

– Mas creio que você já o leu, visto que elogiou meu gosto para literatura.

– Ora, ora, temos um Sherlock Holmes – brada sorrindo – Acertou, já li umas doze vezes. Eu amo esse escritor.

– Não quero spoiller, ainda estou começando. Não acho que ele vai ser preso no final, mas é fascinante o serial killer ter uma namorada e mesmo assim matar outras mulheres, mas ela não. Como ele decidiu que não devia mata-la?

– Sem spoillers. Mas garanto que vai ficar bem chateado com o final do livro.

– Como na maioria das vezes eu sempre fico – senta de volta em frente a arvore a chamando paras sentar ao seu lado num bater de mãos ao chão.

– Como fui me meter contigo? – se pergunta em voz alta aceitando o convite para sentar ao seu lado – Logo tenho treino, não posso demorar. No meu único tempo livre acabo por lhe encontrar.

– Ora my lady, eu estava dormindo, você que acabou por me acordar.

– My lady?

– Gostou? – pergunta franzindo o cenho e sorrindo.

– Não vou opinar. Mas tem razão por eu ter te acordado – vira o rosto.

– Bem, Kaithy, posso ver o seu treino?

Ela volta o seu olhar para ele de modo duvidoso.

– Porque quer me ver dançar afinal? É balé, pode assistir no youtube ou ver um show na Broadway – indaga o interrogando.

– Porem, nenhum show na Broadway ou peça de balé me fará se sentir como ver você dançando me faz sentir – sorri constrangido.

– Sinto muito, mas não vejo nada de especial.

– Eu vejo. Eu vejo o jeito que você brilha! Não sei explicar o que é, mas o modo que você se movia me deixou tão feliz... Eu estava pensando em como somos robôs feitos para viver nossas vidas assim. Estudar para trabalhar e pronto. Mas um robô não se moveria do modo que você se move, isso talvez tenha me feito ver que talvez, só talvez, não precisemos ser robôs – a olha por fim – Sei o que vai dizer agora...

– Concordo com você... – diz olhando o chão com um leve sorriso.

Ele demonstra surpresa a olhando de olhos esbugalhados.

– Não sabia que iria dizer isso – fala surpreso.

– Está na hora do meu treino... Vamos logo para eu não me atrasar – levanta pegando o livro que havia colocado ao seu lado.

Feliz por ser convidado e sem perguntar mais nada Nathaniel levanta indo atrás da garota para poder vê-la dançar novamente.

No lugar, que é uma sala completamente vazia apenas com espelhos nas paredes e barras de apoio, Kaithy tirou a roupa revelando estar de collant e meia calça por baixo.

Nathaniel se sentou no chão ao lado de uma caixa de som vendo a garota fazer alguns exercícios iniciais de olhos fechados. Perfeita!

Não demora muito e ela começa alguns movimentos base que ele havia visto na internet, de algum modo não parecia que ela estava realmente centrada na dança, confirmando a sua teoria ela abre os olhos o olhando.

– Não consigo me concentrar com você me olhando... – afirma suspirando.

– Podemos dançar juntos – sorri levantando – Na verdade quando você disse treino eu achei que teria mais pessoas na sala, como uma equipe de pessoas.

– Não tem muitas bailarinas por aqui, e mesmo que tenha, são apenas doze salas para caso queiram treinar e cada uma ganha uma chave que abre as doze salas – explica o olhando – Mas imagino que deva ser engraçado ver você tentando ficar na ponta dos dedos.

Ambos sorriem um para o outro.

Kaithy liga a musica e começa a fazer uns passos básicos para Nathaniel tentar a acompanhar. Na tentativa de se movimentar com sua calça e casaco sempre acabava caindo ao se apoiar na ponta do tênis, o que faz a garota dar risada de todas as vezes que ele tinha que pegar o seu chapéu de aba reta do chão.

Num momento de distração Kaithy se empolga na dança e esquece que estava sendo observada pelo ruivo. Começa a dançar junto com o vento em movimentos que tanto o fascinam, lá estava os mesmos movimentos que ele a havia visto fazer três semanas atrás.

Quando nota que acabou ele bate leves palmas sorrindo sem desviar o olhar da mesma.

– Acabei esquecendo que estava ai – se desculpa constrangida.

– Não importa, estou feliz por ter te visto dançar de novo – sorri de modo singelo.

Kaithy suspira meio constrangida e se dirige ao radio o desligando.

– Não me mande embora, mas eu realmente quero poder te ver dançar mais, você me fascina com seus movimentos – pede meio receoso devido ao primeiro encontro em que pediu a mesma coisa.

 Ela o olha de modo analítico. O que será que o faz querer a ver fazendo esses passos de dança? Porem essa pergunta à fez lembrar-se da sua infância.

Aquela época de inocência em que podia dançar livremente com a sua mãe na sala de balé que tem na casa em que cresceu. Sempre que terminavam de dançar a mesma pedia para dançar de novo e de novo. Era a sua paixão, sim, era, pois agora é sua profissão. Não é uma boia ideia levar a vida inteira fazendo algo que não é a sua paixão. Isso era frustrante.

Olhando para ele podia ver uma possível tentativa de voltar a amar o balé.

– Obrigada por se interessar na minha dança Nathaniel – se aproxima dele – Está livre quando?

Ele sorri animado e por impulso acaba a abraçando, deixando-a surpresa.

– Final de semana eu não saio do campus.

– Também não – sorri – Todos os finais de semana que puder podemos dançar um pouco juntos e conversar mais.

– Vou contar os minutos! – brada animado.

– Você está feliz demais – diz rindo dele – Anota meu numero.

Ambos trocam de números e passam a se ver todos os finais de semana sem faltas. Não tinham desculpas para não se verem, estavam na faculdade e não tinham para onde sair, nada mais interessante que se verem e dançarem juntos.

Nathaniel ainda continua tropeçando no próprio tênis arrancando inúmeras gargalhadas da morena. De fato se tornaram bons amigos de final de semana, pois não se viam nem de relance  no meio da semana, mas passaram a se falar bastante pelo celular, não chegaram a fazer ligação, apenas trocas bobas de mensagens.

Se consideram bem próximos, mas ambos evitam falar muito das suas vidas pessoais alem dos portões do CEETA. Não que seja um tabu entre eles, mas notam que até mesmo evitam puxar esse assunto. Sem saber, isso conforta um ao outro.

– Até parece que não gosta dele! – Morgana grita do banheiro.

– Somos amigos! – Kaithy grita de volta do quarto vestindo a saia.

– São sim, vamos conhecer ele hoje? – Wendy pergunta sorrindo – Se ele se vestir mal, eu não irei aprovar ele nunca, jamais vou deixar minha amiga sair com alguém fora de moda.

– Conte comigo! – Morgana grita de novo.

– Não sei mais o que fazer com vocês duas... – Kaithy suspira saindo do quarto por ser a primeira a terminar de se arrumar, como sempre.

Hoje o diretor vai fazer alguns anúncios sobre os troféus novos dos últimos seis meses, e daqui a seis meses mais um evento desse. Nada importante, mas como esse ano ela trouxe mais um troféu tem que estar no palco para ser apresentada.

– Não vai subir no palco de cap! – Aruan brada tentando tirar o cap do amigo.

– Não vou subir lá sem ele! – grita rindo enquanto foge dele correndo pelo quarto.

– Não vai usar terno e esse chapéu aba reta ridículo, me de isso, anda! – sobe na cama correndo atrás do mesmo.

– Parem de quebrar o quarto com essa palhaç-- – Kevin não pode completar a sua fala pois Aruan puxou a toalha da sua cintura deixando-o nu, havia acabado de sair do banho.

– O Kevin tem pelo no saco? – Nathaniel pergunta distraído e é acertado pela toalha molhada.

– Até o ano passado não – Aruan o responde pegando o Cap para guardar.

– É claro que eu tinha ano passado! Mas eu sou quase transparente e loiro, não dá para notar – se explica constrangido.

– Claro, claro, agora vai se vestir meu jovem – Aruan diz sorrindo vitorioso.

Já hora de irem ao palco Nathaniel pegou o seu cap e colocou na cabeça junto com o terno.

No discurso os vencedores de troféus ficaram atrás do palco esperando serem chamados para fazer um breve discurso desnecessário. Enquanto Nathaniel está indeciso sobre o que falar, Kaithy decidia qual discurso usar. Ainda não se viram.

– Premio de melhor cantor a capela, vencedor assim do concurso anual novamente, dessa vez tocando doze instrumentos diferentes ao mesmo tempo, Nathaniel Fernandez! – o diretor diz no microfone e aplausos são escutados.

Assim a atenção de Kaithy foi conquistada, ela observou de longe o ruivo ir ao palco. Deu um breve sorriso para si mesma e foi olhar o amigo fazer um discurso pelo fecho de trás do palco, mas especificamente ao lado.

– Não tenho muito que dizer, só dar um aviso idiota que ninguém vai seguir. Sigam seus sonhos. Eu sonhei em ser um bom musico e estava seguindo isso, mas infelizmente não acredito mais nisso como carreira. Perdi a vontade de ser cantor.

Todos prestam atenção nele, principalmente Kaithy.

– Espero muito que todos possam ter boas vidas de robôs, trabalhando e ganhando bem como um bom robô deve fazer. Obrigado diretor pela consideração, até que eu conclua a faculdade farei o possível para trazer mais troféus!

Aplaudem entre murmúrios.

Quando estava voltando seus olhos azuis safira se encontraram com as perolas.

– Parabéns pelo discurso – Kaithy sorri se aproximando do mesmo.

– Que surpresa agradável, como hoje é sexta significa que irei te ver por três dias seguidos – Nathaniel sorri juntamente com ela.

– Vida de robôs? Me lembrei de cidades de papel – comenta sobre um dos livros que tem em comum. Realmente estão se conhecendo melhor.

– Boa escolha, mas eu gosto de dizer que é minha filosofia pessoal.

Passam mais três a frente antes de chama-la.

– Premio de melhor bailarina do programa dance academy, vencedora por melhor voz em movimento e de brinde melhor redação da faculdade, Kaithy Fullbuster! – o diretor brada.

– Me deseje sorte... – se levanta.

– Você não precisa – fala levantando junto com mesma.

No palco o diretor apresenta os dois troféus e Nathaniel a observa de rabo de olho.

– Obrigada pelos aplausos, mas eles não são somente meus. Acredito que cada um aqui pode escrever uma redação se ela vier de algo pessoal nosso e com muito estudo no nosso idioma, cada um aqui pode dançar e cantar se desejar, cada um aqui é capaz de fazer o que quiser. Então, alunos do CEETA, eu quero pedir aplausos para cada um de vocês.

Batem palmas animadas sorrindo.

Kaithy se retira do palco e continuam as premiações.

– Quer ir para outro lugar? – pergunta com um olhar de canto.

– As suas ordens capitão – sorri o seguindo e acompanhando ele numa risada descontraída.

Seguiram andando pelo local sem rumo, um enorme lugar que talvez nenhum dos dois tenha andado aquilo tudo. A piscina acabou chamando a atenção deles, de modo sorrateiro entraram no local aberto apreciando a água limpa.

Nathaniel foi o primeiro a levantar a calça e tirar os tênis, sentando assim na beira da piscina e colocando os pés na água.

– Está fria – fala rindo – Vem, está perfeita.

– Isso é tão clichê – suspira sorrindo e tirando o tênis – Se me jogar na água eu juro que dou um jeito de te matar afogado.

– Também gosto muito de você – diz a vendo sentar ao seu lado com os pés na água.

– Isso é realmente muito bom... – sorri satisfeita.

Um silêncio confortável se instala entre ambos, ficam apenas balançando os pés na água devagar, aos poucos seus pés foram se entrelaçando um no outro numa mini guerrinha de água e colocando assim um tipo de desafio sem sentido, mas muito importante de ser conquistado por ambos.

– Isso não valeu, seu pé é maior que o meu – Kaithy brada indignada por perder.

– Você que tem nível baixo e quer enfrentar o veterano no jogo – Nathaniel diz rindo de como ela consegue ficar linda até mesmo nervosa.

Kaithy apenas gira os olhos sorrindo da cara de besta do ruivo.

– Me poupe Nathã.

Ele a olha de canto sem esconder a felicidade.

– Achei que não gostasse de apelidos.

– Não gosto.

– Me chamou de Nathã.

– Não chamei não.

– Chamou sim.

– Não chamei nada.

– Sim, me chamou pelo meu apelido.

– Não, eu NÃO te chamei pelo seu apelido.

– Okay.

– Okay.

Ambos se calam e olham para os pés na água. O silencio permanece por menos de um minuto até que ele corte o sagrado som do silencio.

– Mas você me chamou de Nat--

Não pode terminar, Kaithy o empurrou para cair na piscina.

Quando finalmente atingiu a superfície da água de novo teve tempo apenas de ver a morena se jogar na água de pura e espontânea vontade.

Quando ela volta à superfície começam uma guerra de água entre muitos risos.

– Admita que me chamou de Nathã! – grita jogando água nela.

– Nunca! – devolve a onda de água.

Kaithy nada até o ruivo e se apoia em seus ombros o descendo na água. O mesmo sobe novamente e tenta alcança-la, mas ela é rápida.

– Eu não! Eu não! – grita entre risos nadando para longe dele.

Ela ainda consegue afunda-lo mais duas vezes, mas ele não tem conquistas a não ser jogar água na mesma como forma de vingança não efetiva.

– Vai pagar por isso Kaithy! – começa a nadar atrás dela.

– Não! – grita rindo e nadando mais rápido. Em questão de movimentação física, ela vence.

– Droga – brada parando de nadar para recuperar o fôlego.

– Você esta parecendo um tomate molhado – comenta se aproximando dele.

– Vou aceitar como elogio – sorri vendo-a se aproximar.

Kaithy por sua vez fica frente a frente com o ruivo, muito próxima, coloca suas mãos no rosto dele afastando os fios ruivos e molhados dos seus olhos. Aquele contato visual que quando acontece se torna inquebrável. Poderiam se aproximar apenas mais um pouco para se beijar.

Nathaniel em momento algum poderia esconder em seus olhos o quanto está apaixonado por ela, é visível e impossível de esconder.

– Não me olhe assim... – Kaithy fala sem desviar o olhar.

– Assim como?

– Assim... Com esses olhos de... Não sei descrever. Mas não me olhe assim.

Ele passa a analisa-la.

– Do que tem medo? De se apaixonar?

– Sentimentos não fazem sentido. Eles confundem e depois te fazem dar voltas por horas... Até deixarem você onde estava no inicio.

Continuam se olhando.

– Discordo completamente de você, posso te apresentar outro ponto de vista.

– Fique a vontade.

– A vida é curta demais para viver fomentando animosidade e remoendo erros – Nathaniel fala sorrindo sem cortar o contato visual.

– Isso é bestei--

Nathaniel a beija antes que pudesse concluir a frase.

Para ele, sentir que ela está retribuindo só podia ser a melhor coisa que já lhe aconteceu.

Para ela, o beijo foi tão intenso e espontâneo, nunca admitiria que também quisesse aquilo.

Encaram-se mais um pouco após o beijo sem saber o que dizer. O que poderiam dizer afinal? Ela disse que não quer se apaixonar, ele a beijou, ela retribuiu. E agora?

– Melhor a gente sair daqui – Kaithy fala se desvencilhando dos braços dele.

– Concordo, vamos acabar ficando doentes – Nathaniel concorda, está certo de que ela passaria a evita-lo ou coisa parecida. Havia feito algo impensado.

– Vou à frente para ninguém pensar besteira! – grita já fora da piscina. Como ela é rápida!

– Certo! – confirma sem nem ter saído do lugar ainda.

Kaithy começa a andar para fora do lugar e ele acompanha seus passos, antes de passar pelo portão ela se volta para o mesmo gritando novamente.

– Eu tenho apresentação nesse sábado! Encontre-me no portão da escola as oito da manhã para irmos juntos! – dito isso ela se foi.

Felicidade extrema se apodera de Nathaniel. Poderia gritar de empolgação!

No sábado ele colocou um dos seus melhores ternos, e seu chapéu de aba reta.

Chegou ao portão da escola as sete e trinta, está ansioso demais para esperar dar o horário. Viu inúmeros alunos saindo para passar o final de semana fazendo algo que não seja estudar. Podia notar inúmeros casais passando de mãos dadas e sorrindo como se não houvesse mais nada ao redor a não ser eles mesmos. Imagina que isso deva ser maravilhoso.

Na saída viu Kaithy conversando com duas meninas. Sorriu assim que seus olhares se encontraram, cumprimentou as meninas de modo simpático e foram juntos de uber até o local em que teria a apresentação.

– Broadway, já devia ter imaginado – Nathaniel sorri saindo do veiculo e pagando a sua parcela.

– Vocês têm lugares marcados, vou me arrumar – Kaithy os avisa sem desviar sua atenção do ruivo a sua frente.

– Vamos ver nossos lugares logo, não é Morgana? – Wendy pergunta a cutucando.

– Sim, sim, vamos adiantar – Morgana fala tirando uma foto do 'casal'.

– Suas amigas são bem animadas.

– São loucas – gira os olhos rindo – Bem, me deseja sorte?

– Você não precisa – beija a sua testa.

Despedem-se de maneira tímida e ela segue para o camarim se preparar.

Ele achou o lugar e sentou-se entre Morgana e uma morena de estatura alta, Wendy ao lado de Morgana e um moreno ao lado da mulher. Por alguma razão sentiu que os quatro estavam se alfinetando com o olhar e ele no meio, sem saber o que fazer apenas permaneceu imóvel até o show começar.

Cantando na chuva!

Que maravilhoso clássico. A história do cinema, uma bela representação. Kaithy é a esposa do protagonista, ao todo três protagonistas e ela é um deles. Essa mulher é incrível!

Admito que estou me roendo de ciúmes ao vê-la dançar com todos aqueles bailarinos.

Porem a mulher ao seu lado não para de tecer comentários extremamente invejosos contra a Kaithy, apenas contra ela. Isso já está me irritando.

– Se ela continuar a se movimentar assim vai acabar no hospital. Quando digo que balé não é para pessoas simples como ela, ainda ousam me julgar – ela fala pela milésima vez.

– Licença, pode fazer silencio? Tem uma artista maravilhosa no palco dando o melhor de si e eu pretendo apreciar tal talento – pede com educação voltando a ignora-la em seguida.

Por algum motivo Morgana e Wendy não param de segurar a risada ao seu lado.

Na cena final de 'dançando na chuva' Kaithy foi a que mais se destacou. Linda, extrema beleza a cada movimento. Não ele se enjoaria de assistir a todos os seus shows, além de perfeita bailarina ela ainda sabia sapatear!

"Em todos os meus anos nessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso me acontece" – Nathaniel pensa sorrindo.

Assim que a apresentação acaba batem palmas em pé para todos os que participaram, mas Nathaniel especificamente estava aplaudindo à morena que é dona dos seus pensamentos.

Kaithy se aproxima das amigas e do ruivo na hora da saída, e ao longe vê a sua mãe.

– Boa tarde mãe – Kaithy a cumprimenta.

– Ela é a sua mãe? – Nathaniel pergunta sem acreditar.

Sim, a morna que não parava de alfineta-la era sua mãe.

– Esse ruivo mal educado é amigo seu? – ela pergunta o analisando melhor.

– Mal educado? – Kaithy indaga confusa.

– Ele foi de todo muito rude comigo.

– Sinto muitíssimo se meu pedido para que ficassem em silencio ao meu lado lhe incomodou, mas estava me desconcentrando – Nathaniel se defende de suas acusações.

– Não acredito que pediu para minha mãe fazer silencio... – murmura sem acreditar.

Kaithy começa a dar risadas descontroladas chamando a atenção para si.

Morgana e Wendy acompanham as risadas.

Quando o outro moreno que estava ao lado da mãe começa a rir também Nathaniel se vê mais confuso ainda.

A mãe de Kaithy se retira do local batendo os pés.

– Te vejo outro dia irmã – o moreno se despede ainda rindo.

– Foi alguma coisa que eu disse? – Nathaniel pergunta confuso.

– Eu te aprovo! – Morgana grita o assustando.

– Ele até que tem certo bom gosto – Wendy comenta enxugando as lagrimas de tanto dar risadas.

– Nathã, você me faz querer chorar – Kaithy sorri indo até o mesmo e o abraçando.

Sem entender do que se trata ele apenas a abraça.

De volta para a faculdade já de noite as meninas se despedem deixando-os a sós.

Ambos vão para a praça de alimentação da faculdade. Ele pega meio litro de Milk Shake de morango com nutella.

– Me de salada de frutas, por favor – Kaithy pede sorrindo.

– Coloca leite condensado e leite em pó por cima, eu pago o dela – Nathaniel acrescenta a olhando – Você pode fugir só um pouco da dieta de bailarina – diz piscando para ela.

– Só um pouco...

Sentam em uma das cadeiras vazias e apoiam os alimentos nas mesas.

– Obrigada por hoje mais cedo.

– Ainda não entendi a razão, mas não se sinta obrigada a me contar nada – ele sorri olhando-a apreciar o sabor doce misturada às frutas.

– Eu quero te contar, não é um segredo – o olha se ajeitando na cadeira – Não é nada demais também, quando eu era mais nova amava dançar com a minha mãe, aquela dança que eu estava fazendo quando me viu pela primeira vez, eu criei essa dança com doze anos para o aniversario dela.

– Isso é lindo.

– Sim, mas ela ficou muito exigente depois que me tornei famosa com a dança – suspira – Eu estou fazendo faculdade de pediatria, amo crianças. Mas pelo visto vou ser bailaria para sempre.

Ficam uns segundos em silencio.

– Eu já tinha desistido de dançar, dançava apenas por já saber, passos gravados. Perdi o amor pela dança. Mas, Nathaniel, você me ajudou a amar o que faço de novo – admite sorrindo tímida.

– Não diga isso, eu sou tão grato por você ter deixado eu te ver dançar de novo – se anima falando – Uma coisa que você talvez não saiba ou nunca comentou. Eu sou filho do dono da empresa Fernande's.

A empresa Fernande's cuida de tudo que possa imaginar. É uma empresa sem temas. Alimentação, ela está envolvida. Transporte, esta envolvida. Tecnologia, ela está envolvida. É a empresa que lucra trilhões financiando pequenas empresas.

– Não sabia – admite sem demonstrar surpresa.

– Isso não te surpreendeu, você é de outro mundo – dá uma breve risada – Devido a isso obviamente estou me formando em administração de inicio, mas logo vou fazer outra faculdade para continuar me formando e administrar a empresa.

– Isso que quis dizer com vida e emprego de robô.

– Sim... – pega o chapéu – Esse chapéu eu ganhei quando tinha doze anos, meu pai foi comigo no meu primeiro show de musica. Por ser filho de uma pessoa rica me deixaram cantar na abertura do show do meu cantor preferido! Mas depois desse dia meu pai voltou a fazer suas coisas. Esse chapéu era muito grande para mim, mas agora cabe perfeitamente.

– Entendo um pouco de ficar sozinha. Meus pais são ocupados demais, meu irmão é bem mais velho que eu e estuda longe. Parece que só vejo minha mãe nas minhas apresentações para me criticar – suspira – Meu pai é divorciado de umas quatro mulheres e deve ter mais filhos por ai, mas ele é bem divertido, o divorcio deles nunca me incomodou.

– Kaithy, poderia dançar de novo? – pede sorrindo. Ele sentiu que precisava mudar de assunto.

– Vai dançar comigo? – apoia o rosto na mão.

– Não posso apenas apreciar?

– Não, vem dançar comigo! – levanta o puxando pela mão.

Ali mesmo na praça de alimentação ambos deram as mãos e começaram a dançar, a musica estava na mente deles, nem as cadeiras espalhadas os impediam de fazer movimentos sincronizados.

– Pegue as suas mãos e coloque nas minhas e olhe em meus olhos – Nathaniel sussurra em seu ouvido de modo calmo.

– Assim? – ela pergunta cruzando seus dedos.

– Não vai olhar para mim? – indaga parando de dançar.

– Às vezes você me deixa tão feliz que tenho vontade de chorar – afirma levantando o rosto para o olhar.

Ele dá um breve sorriso ao vê-la tão vermelha, dessa vez com a permissão da mesma, se beijam novamente.

– Eu gosto do seu estilo – Kaithy fala após o beijo – Acho que nunca vi ninguém de cap e terno.

– Eu gosto de você interia – sorri afastando o cabelo dela dos seus olhos.

Por iniciativa dela se beijam novamente.

– Kaithy, sei que só podemos nos ver no final de semana e deve ser difícil manter um relacionamento assim, mas eu quero mesmo saber s--

– Sim! Ai meu deus! Sim! Sim! – grita animada.

– Mesmo?! – pergunta sem acreditar.

– Sim!

– Sim!

– Estamos namorando! – ela o beija de novo.

Nathaniel por sua vez a carrega fazendo-a cruzar as pernas na cintura dele.

Aplausos começam a ressoar pelo local.

Os vendedores da cantina se faziam de plateia da cena sem que nenhum dos dois notassem.

Quando estamos com quem amamos parece que só existem os dois no mundo.


Notas Finais


Dance Monkey - https://www.youtube.com/watch?v=peWsQ1b_TU4


Obrigada por lerem!

Menor que três! (<3)


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