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História Ônibus 033 - Capítulo 1


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Notas do Autor


Para minha crush, porque afinal nós sempre teremos crushs, principalmente no ônibus.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Durante os cinco dias úteis da semana eu me levantava cedo e me arrumava pra ir a faculdade de música. Eu tinha que pegar o mesmo ônibus durante todos esses dias, ele passava sempre às 7 horas da manhã.  

A condução levava sempre as mesmas pessoas, gente que precisa acordar cedo pra ganhar a vida. Eu não fazia de propósito mas acabei por decorar os rostos daqueles trabalhadores e estudantes. 

Porém, num dia um pouco mais frio e fechado, você, um rapaz que nunca tinha estado ali embarcou no ônibus e eu fiquei hipnotizado. Os cabelos descoloridos e levemente bagunçados foram a primeira coisa a me chamar atenção, logo depois notei o bonito tom dourado de sua pele.  

Você não se sentou em nenhum assento, pelo visto iria a viagem toda de pé. Aproveitei para olhar mais. 

Era alto, devia ter mais ou menos 1,80m, a minha altura. Não parecia ser do tipo que malhava, era esbelto pelo visto, mesmo que a jaqueta verde pesada lhe aumentasse o volume do corpo. 

Olhava o tempo todo para o chão, como se tivesse perdido em seus próprios pensamentos, assim como eu estava absorto nos meus. Talvez estivesse pensando em alguém, ou nos problemas da vida, nas provas da faculdade... Eu nunca saberia. 

Batem no meu ombro pedindo passagem e só assim noto que minha parada já é a próxima. Pego minha mochila e me levanto, indo em direção a porta do ônibus. Olho rapidamente pro lado que o rapaz de cabelos descoloridos estava. Ele era muito bonito. A porta se abriu e eu desci. 

... 

Você subiu na condução de novo. Nos últimos dois meses eu te via dentro do mesmo ônibus. Você já trocou a cor do cabelo duas vezes, está avermelhado agora. Colocou um piercing nos lábios também. E eu? Eu continuo com os cabelos pretos e naturais, uso os mesmos óculos de grau e ainda não tive coragem de puxar assunto com você. 

É estranho querer conversar com um desconhecido que você viu num ônibus, ainda mais se pensar que eu estou te observando de longe. Me sinto um perseguidor louco. Eu espero que um dia essa sensação passe. 

... 

Hoje, diferente da maioria dos dias, o ônibus estava mais cheio que de costume quando entrei, algo pouco comum, principalmente para uma sexta feira, então não me sentei no assento de costume lá no fundo. Além disso não consegui um lugar na janela, eu gostava de olhar o movimento das ruas, mas dessa vez tive que me contentar com um assento do corredor. 

Umas três paradas depois daquela que embarquei, eu te vi novamente, estava dando sinal pra condução parar. As portas se abriram e você entrou.  

Nossa. Foi a primeira vez que te vi assim tão de perto e era ainda mais bonito do que parecia. Os olhos grandes e escuros pareciam brilhar, mesmo através das lentes dos óculos que você usava.  

Pra minha surpresa você decidiu parar justamente do meu lado no ônibus, se apoiando nas barras laterais do meu banco. Eu fiquei nervoso. Pode parecer bobo, mas realmente fiquei, ainda mais por parecer que você, ao olhar para baixo, olhava para mim.  

Dessa vez você desceu uma parada antes do que eu, fiquei me perguntando oque você faria de diferente naquele dia. Talvez tivesse consulta no dentista ou precisasse comprar uma nova tintura pro cabelo. Sinceramente, espero que seja a primeira opção, pois gostei de você com o cabelo tingido de vermelho. 

Ao me levantar do assento onde estava para poder desembarcar, vejo que um caderninho está caído embaixo do banco. Pego ele. Tem a capa dura num tom de azul cobalto e uma etiqueta sem identificação. Guardo no bolso do casaco e desço da condução.  

... 

Naquele mesmo dia de tarde, depois que cheguei em casa, decidi olhar meu pequeno achado. A maioria das folhas estava em branco ainda, mas as primeiras e mais importantes, tinham desenhos, todos eles muito bonitos, com um traço que parecia rápido e preciso, como se quem os tivesse feito soubesse a sensação que queria passar desde o início. Procuro mais em busca de uma identidade. Na contracapa escrita com letra pequena estava lá um nome, “Song Mino”. 

... 

Acordei tarde na manhã de sábado, já que não tinha faculdade e eu não precisava me preocupar com horário. Ainda na cama fiquei matutando sobre o bendito caderno azul achado na manhã passada e tinha duas hipóteses em mente.  

A primeira era que ele havia caído ali antes mesmo d'eu me sentar naquele banco, afinal não estava prestando muita atenção quando escolhi o lugar e ele já poderia estar jogando lá.  

A segunda é que podia ser do cara bonito do ônibus, já que ele parou do meu lado e deixou a mochila no chão, o que poderia ter feito o caderninho cair pra debaixo do assento. Fora que o nome 'Mino' combina muito com ele. 

Se a segunda hipótese estivesse correta eu teria que devolver o caderno pra ele e só de pensar eu já estava nervoso novamente. De qualquer forma eu teria que esperar o fim de semana passar pra ter uma resposta mais concreta.  

... 

A segunda feira chegou e com ela a rotina que eu seguia semanalmente também. Peguei o habitual ônibus no mesmo horário e me sentei no lugar de sempre. Mesmo seguindo tudo normalmente eu estava ansioso, tanto pra vê-lo, quanto pra saber se esse pequeno caderno de capa azul é dele, e por isso parecia que as três paradas de ônibus que nos separavam estavam demorando mais pra chegar.  

Finalmente você subiu no ônibus, logo após uma senhora de mais idade. O cabelo continuava vermelho, felizmente! Você parou diante do motorista e começou a falar com ele, gesticulando e mostrando algo do seu celular pra ele. O condutor fez sinal de negativo com a cabeça e você agradeceu, seguindo a diante no ônibus.  

Talvez você estivesse perguntando sobre algo perdido, talvez esse caderno que tenho guardado na velha mochila agora. Acho que era o que eu precisava pra arriscar e ir até você. 

Me levantei jogando a bolsa nas costas e fui até o banco onde você estava em pé parado. Engraçado como sempre haviam vários assentos livres mas você nunca se sentava. Enfim, te pedi licença e você tirou os fones do ouvido, aguardando alguma fala minha. Eu travei. Te olhar cara a cara assim, depois de um tempo te observando de longe era de disparar o coração. Eu queria correr mas também queria ficar e ver por mais tempo sua pele bonita, seus traços fortes e ao mesmo tempo gentis, os lábios cheios e lindos com aquele piercing de argola os dividindo... 

Meus pensamentos foram interrompidos quando você riu e perguntou se eu precisava de algo. Então mesmo gaguejando eu falei que tinha achado um caderninho no mesmo dia que você parou do meu lado e achei que poderia ser seu, peguei ele da mochila surrada e te mostrei. Novamente você esboçou um sorriso e falou que era seu sim, que usava ele pra rascunhar para passar o tempo, já que gostava de desenhar quando podia e que tinha perdido na última semana.  

Você disse que se chamava Song Mino, perguntou meu nome e disse que se fosse possível queria pagar um café pra mim como agradecimento. Obviamente eu topei, mas não podia por hoje, já que tinha um projeto na faculdade e que teria que saltar do ônibus dali há duas paradas. 

Então, você pegou um lápis do bolso da jaqueta jeans e pediu meu telefone. Com a mesma letra pequena e rápida de antes eu vi surgir no papel do caderninho o nome “Kang Seungyoon” e os dígitos do meu número de celular logo embaixo.  

Me despedi de você e fui para frente da porta de descida, tentando não sorrir feito um bobo ali, porque você ainda podia me ver. Mas já com os pés na rua, eu andava feliz como quem tivesse ganhado uma bolada na loteria.


Notas Finais


Eu estava pensando em fazer uma continuação com eles indo tomar o café e tals, talvez uns beijinhos depois, mas não sei, caso alguém realmente queira eu posso tentar (isso se eu não estiver falando pras paredes aqui né?).

Enfim, é isso. Obrigada por ter lido, espero que tenha gostado.


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