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História Onier - Capítulo 27


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Notas do Autor


Ah...
Que noite-madrugada-dia bonito, cheio de paz e amor....
Perfeito pra regar a planta do OdeiusKlaozis em nossos corações.
:v

Capítulo 27 - O espião


Fanfic / Fanfiction Onier - Capítulo 27 - O espião

- O clima entre eles ficou abalado heim... Muito bom, isso vai facilitar meus planos. – Klaoz disse para Esvion, agachado ao lado dele esperando o momento certo de atacar.

Andor havia reunido um exército considerável para invadir a fronteira de Omoh antes que a passagem se fechasse pela tempestade e Álnaz fosse condenada a viver mais tempo com o pai psicopata. O ataque deveria ser surpresa, Andor se cercara de todos os cuidados e nem mesmo para Nike contara o plano. Mesmo assim, como sempre, Klaoz fora informado e aguardava na fronteira com um exército muito maior. Não era só pra não dar falsas esperanças à Nike que Andor não contara nada. A verdade é que ele tinha uma triste certeza de que Nike fingira a própria fuga só para desviar a atenção de Lena e ajudá-la a fugir. Nike estava furiosa com ele e qualquer tentativa de diálogo entre os dois agora terminava em discussões acaloradas, um sempre magoando o outro tanto quanto podia. Nike passou a jogar na cara dele suas tentativas frustradas de resgatar Álnaz só para ferí-lo tanto quanto ela se sentia ferida por ele não acreditar na palavra dela. Andor, com o orgulho ferido e a sensação de traição por Nike ter ajudado Lena a fugir, jogava na cara dela todas as coisas que ela fizera lutando ao lado dos sapiens no passado. Parecia que para o noivado ser desfeito era só uma questão de tempo.

Agora, em meio à batalha, pegos de surpresa de novo pela informação vazada ao inimigo, Andor começava a desconfiar que Nike era a espiã de Klaoz e até que tudo o que ela viveu com Klaoz, os abusos, tudo pudesse ser parte de um plano dos dois para destruir os sneipas por dentro de sua própria nação.

O ataque sangrento revelou um problema sério para os sneipas. Alguns sapiens haviam desenvolvido um tipo de luta mais sutil, com movimentos suaves, se aproximando mais sorrateiramente, sem aqueles gritos e aquela força bruta animalesca deles. Antes que os sneipas percebessem a mudança na técnica de luta, vários sapiens se aproximaram o suficiente pra abrir a boca do inimigo, enquanto outro sapiens mais violento vinha pela frente, enfiava a mão em sua boca, puxava a língua e a cortava com machados, facões, espadas, etc, arrancando junto a lorpat do pobre coitado que caía se debatendo e espumando até morrer. O sapiens nem precisava mais tocar na joia pra tirá-la. Agora ele simplesmente cortava a língua, evitava o jogue do sistema de segurança da joia, e matava o inimigo. Aquilo era o pior que a mente sneipas podeira imaginar. Mas ninguém pensou em fugir. Não quando a vida da futura rainha sneipas estava em perigo. Na verdade, esse fato só tornou tudo muito mais sangrento.

Sneipas, vermelhos como sangue, até mesmo em suas íris, revoltados com um golpe tão cruel e herege em suas crenças, partiram pra cima dos sapiens com muito mais vigor. Eles se moviam tão rápido que às vezes pareciam sumir e reaparecer do nada de uma sombra a outra. Uma tática desenvolvida por Nike que elevou o poder de ataque dos soldados e agora se mostrava incrivelmente útil. O ataque acabou sendo repelido quando Klaoz e Esvion atraíram os inimigos mais para dentro do território Omoh, parando em um vale, cercado por uma floresta pequena. O exército sapiens correu para dentro da floresta, com os sneipas a quilômetros de distância. Os dois magos, com as mãos no solo, ocultos por duas árvores, esperaram que seus inimigos pisassem no vale e quando o fizeram os dois enviaram uma onda de energia mágica azul clara que brilhou como finas e gigantescas veias embaixo do solo. Cada uma dessas ‘veias’ luminosas encontrava um pequeno círculo enterrado que brilhava junto e explodia, destroçando o corpo dos sneipas que estivessem sobre ele ou nas proximidades. Foi uma cena terrível. Corpos voavam e se despedaçavam no ar antes de atingir o solo, gritos ecoavam e eram cortados por explosões e mais gritos dos comandantes com ordens de recuar.

Andor que não queria mais ver seu povo sofrendo, sabendo que em breve não haveria mais nenhum soldado ali pra lutar, recuou mais furioso do que nunca. Ao longe, vendo apenas a forma pequena e distante de Klaoz, ele pôde sentir mais do que ver o sorriso de triunfo do sapiens. Naquele momento ele decidiu que, não importa o quanto custasse, não importa a quem isso fosse ferir. Ele iria encontrar o traidor que estava trabalhando para o inimigo.

~o~

- Trouxe logo antes que aquela maldita tempestade se intensifique. – O espião entregou o frasco com o líquido amarelado.

Esvion, verificando os sinais vitais de Álnaz antes do procedimento, estava sentado na cama, a uma distância respeitosa, fazendo seu trabalho em silêncio.

- Muito bom. – Klaoz pegou o frasco com adoração, lembrando que aquilo era uma criação de sua adorada Nike. – O noivado patético já foi cancelado?

- Ainda não, mas será. Andor está conquistando o ódio até de seus amigos mais próximos. Nem eu sei mais se quero deixar ele vivo depois que eu conseguir o meu prêmio. – O espião disse e Klaoz o olhou curioso.

- Mesmo? Não posso dizer que não apoio a ideia. – Klaoz disse. – Só o deixarei vivo por causa de nosso acordo. Se dependesse de mim eu arrancaria a cabeça dele com um machado e beberia seu sangue.

- Eu sei. Mas ainda quero dar uma chance à ele. Mas garanto que ele está por um fio comigo. Álnaz conseguiu de novo?

- Ainda não. O desgaste mágico foi muito forte. Ela acordou poucas vezes e não conseguiu falar por dias.

- Imagino. Mas ela é forte. E hoje, de qualquer forma, ela vai falar.

- Estamos prontos. – Esvion disse quando Álnaz começou a acordar.

- Apliquei isso no pescoço dela e conte um minuto. – O espião disse.

Esvion pegou a seringa, colocou o líquido amarelado e injetou no pescoço da moça antes que ela pudesse perguntar qualquer coisa. Ela se sentiu tonta, seus pensamentos ficaram lentos, meio bagunçados, seus lábios ficaram um pouco dormentes e ela não mais conseguia raciocinar.

- Faça uma pergunta qualquer usando a mentira como base para ela confirmar. – O espião disse.

- Álnaz. – Klaoz chamou atraindo o olhar da filha por puro reflexo ao ouvir seu nome. – Você foi criada a vida toda em Omoh, certo?

- Não. Fui criada em Rígel. – Álnaz respondeu e, no fundo de sua consciência, não sabia como tinha feito aquilo. Era quase como se as palavras tivessem escorregado por sua língua sem nenhum controle.

- Álnaz, - Esvion chamou – quem é seu melhor amigo?

- Gareth, meu namorado. – Álnaz disse e Klaoz conteve a vontade de esbravejar. Não era hora de deixar seu ciúme tomar conta. Ele tinha que focar na tarefa antes que o efeito da poção passasse.

- Ela está pronta. Vai sempre responder à tudo que perguntar apenas com a verdade e pode acabar falando mais do que foi perguntado se a resistência dela à poção não for alta. – O espião disse.

- Muito bem. Álnaz quero sua mãe criou uma arma capaz de acabar com a guerra? – Klaoz começou.

Intimamente Álnaz estava lutando pra mentir, pra dizer que não, perguntar de onde ele tirou essa ideia, mas era inútil. As palavras estavam saindo e nada do que ela tentava fazer surtia efeito, só a deixava mais tonta. – Sim. Foi um acidente, mas minha mãe achou o fim da guerra.

- Sua mãe contou ao rei Andor? – Esvion perguntou.

- Não. A mamãe não vai entregar a arma pra ninguém. É perigoso. – Álnaz estava se xingando mentalmente por estar falando algo que ela não deveria falar nunca.

- E porque ela não quer entregar a arma pra ninguém? – O espião perguntou.

- Porque o mundo vai acabar se alguém usar. Mamãe quer que as espécies se dêem bem, mas eu não acredito nela. Minha mãe é muito fraca se acha que a paz é uma opção. Nós sneipas odiamos os sapiens e isso nunca vai mudar. Não mudou mesmo quando o planeta sneipas natal foi destruído pelo ódio e pela guerra. Sneipas não conseguem parar depois que o ódio se instala.  – Ela respondeu.

- Onde está a arma, Álnaz? – Klaoz perguntou.

- Não sei. Mamãe não deve ter deixado no laboratório porque ela não é burra. Ela deve ter escondido. – Álnaz respondeu.

- Ela não teria destruído? – Esvion perguntou.

- Não. É impossível destruir aquilo. – Álnaz disse. – Talvez ela resolva usar pra me salvar desse lugar asqueroso. Só precisaria de bastante sneipas com as lorpat pra ativar aquela coisa e...

Álnaz piscou algumas vezes, a tontura e a confusão um pouco mais intensas. Ela não lembrava momentaneamente o que tinha dito até que a confusão em sua mente foi substituída pela memória. Ela virou a cabeça para o chão da cama e vomitou enojada consigo mesma e com o efeito colateral da poção. O espião teve o cuidado para não dizer mais nenhuma palavra e não correr o risco de que a menina o reconhecesse pela voz. Não era muito provável, mas era melhor evitar. Sempre usando uma máscara escura, um manto longo e capuz, só Klaoz conhecia sua verdadeira identidade e, talvez, Esvion desconfiasse. Tudo que ele não podia arriscar era ser descoberto justamente por Álnaz, a garota que seria uma arma poderosa na luta para tirar Andor do poder e colocar ele próprio no lugar. Klaoz sinalizou liberando o espião e ele saiu silenciosamente enquanto Álnaz ainda vomitava ao lado da cama. Ele andou tranquilamente, uma figura misteriosa, mas muito familiar à todos os guardas e moradores do palácio em Omoh. De repente ele parou e, se não fosse por sua máscara de tecido escuro, o homem quem saía de um quarto ainda dando uns amassos na jovem Sila teria visto o enorme sorriso em seus lábios.

- Interessante. – O espião disse.

Miror deu um pulo, sacando sua espada, pronto pra matar qualquer um. Mas o espião com um golpe mais ágil, sacou a própria espada com aquela lâmina prateada de ferro e jogou a espada de Miror longe.

- Seu espião idiota! Quase me matou de susto! – Miror bradou.

- Acho que você deveria começar a se preocupar com a própria morte mesmo. – O espião colocou de volta a espada em sua bainha. – Porque eu só imagino o que Lena diria se soubesse que o namoradinho secreto dela transando com a falsa da Sila enquanto ela está só os deuses sabem onde.

- Eu não estou transando com ela!

O espião gargalhou. – Ora, Miror, me polpe. Não nasci ontem. Essas marcas de unhas e chupões no seu pescoço não vieram de uma simples conversa ne. Eu, no seu lugar, iria rezar à todos os deuses conhecidos e desconhecidos para que Lena não reapareça.

O espião saiu gargalhando enquanto Miror pensava se matava ele enfiando sua espada pelas costas ou não, mas não seria sábio de qualquer forma. Ele não sabia quem o espião era, mas era óbvio que era alguém extremamente hábil com as espadas. Sem saber a identidade do inimigo não era sábio enfrentá-lo.

Bem, se, algum dia, Lena souber, eu vou explicar tudo com calma. Miror pensou.

~o~

- Oi, Lena. – O espião chamou, entrando pela porta da casa humilde, mas muito bonita.

- Oi. E então?

- Aqui está o que você me pediu. – O espião entregou algumas roupas que trouxera para a menina. - O velho acordou?

- Ainda não, mas o efeito da poção da verdade ainda não passou. Ele revela coisas que fez a quase 40 anos, mesmo dormindo.

- Sim. Quanto mais velha é a pessoa, mais o efeito demora a passar. – O espião revelou.

- Ainda não consigo acreditar que ela disse a verdade... Meu pai nunca foi um santo e confesso que eu fui tomando cada vez mais raiva dele, mas daí a ser tão... Tão nojento? Sabe... É... Revoltante.

- Sim. Eu sei. Mas lembre-se do nosso acordo. Primeiro tiramos Andor do poder por tudo que aquele sonso fez e escondeu de todos. Depois derrubamos seu pai do pedestal nojento dele.

- E aí eu assumo o trono de Omoh e Álnaz o de Rígel. – Lena disse.

- E a guerra perderá o sentido.

- Parece um bom plano. Bem ou mal, tanto eu quanto Álnaz temos sangue mestiço e ninguém pode contestar nosso direito legítimo a cada um dos tronos. – Lena pensou.

- Fico feliz que você me entenda e compartilhe o mesmo sentimento.

- Se você não tivesse me revelado quem você é eu não teria motivos pra acreditar em seu desejo de nos ver no trono. – Lena disse. – Mas, sabendo o que sei, não tem como não entender.

O espião tirou a máscara e abaixou o capuz para sentir a brisa suave que entrava na casa. – Essa coisa esquenta horrores. Está com fome?

- Sim.

- Ótimo. Vamos comer então. – Ele disse e foi para cozinha, seguido por Lena, e ambos se dividiram na tarefa de preparar a comida e um suco para eles e uma sopa para o pobre sapiens idoso que estava dormindo balbuciando verdades que ele próprio já havia esquecido a décadas.


Notas Finais


Alguém sabe o endereço dessa casa?
Sei la ne... De repente consigo vender essa informação valiosa por umas espadas maneiras cheias de magia...
Nunca se sabe
;)


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