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História Onírico. - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Olá! Ainda não é o dia mas cá estou eu, postado a fanfic de presente da @LilithMichaelis que estará fazendo aniversário no dia 01/08. Está ficando velhinha, hm, ksksks. Eu não sei bem o que escrever aqui nas notas então partirei para os avisos.

Avisos: Essa obra é com o gênero "Terror e Horror" sendo assim o conteúdo pode ser pesado ou tenso, contém canibalismo, violência, sangue, insetos — para quem tem fobia de muitos insetos juntos em um lugar — além de mais coisas. Leia por conta própria.

Então é isso, eu espero que gostem.

Capítulo 1 - Chuva.


Fanfic / Fanfiction Onírico. - Capítulo 1 - Chuva.

A cada longa passada o corpo parecia falhar e almejar ceder perante a situação desagradável e alarmante, corria como o diabo corre da cruz e não se importava com os objetos que eram derrubados a cada solavanco, os olhares que recebia e sentia sobre si não eram capazes de fazê-lo parar, embora não houvesse mais ninguém além de si mesmo a sensação de estar sendo vigiado e engolido vivo consumia toda a mente e cada pedaço do corpo. O sistema nervoso buscava meios de trabalhar com aquela agitação toda, a busca por uma saída que parecia estar tão perto mas também tão longe era feita de modo árduo — monopolizado pelos pensamentos e achares. Estava agindo tal qual um hamster numa gaiola; enjaulado e correndo sem cessar por um meio de fuga quando na verdade andava em círculos; isto é o que ele era. Um Hamster, nada mais e nada menos.


Talvez fosse um coelho em cativeiro ou algo do tipo, mas aquilo não vinha ao caso no momento, as paredes brancas da casa pareciam trazer uma luz mórbida e fúnebre enquanto o ressoar das badaladas do relógio ecoavam atrás de si, sem pressa alguma. Wei não se importava em correr e fugir feito um louco, a visão ficava embaçada e tudo parecia estar girando como se pisasse sobre uma cama elástica e a então parecia girar de modo que se sentia correndo no teto e nas paredes para então, somente então, retornar ao chão, queria gritar e chorar, gotículas d'agua escorriam pelo rosto e já não era possível saber o que era suor e o que eram lágrimas, os lábios secos tremiam tal qual as mãos e todo aquele local parecia ser um labirinto infindável, a mente do homem já não era capaz de assimilar tudo com total clareza.


O som do coração batendo firmemente contra os ossos era ouvido na mente perturbada num “Tum, Tum, Tum” ritmado e rápido, os olhos rodavam todos os lados e os calcanhares eram girados a procura de uma rota para a fuga, hiperventilava, o ar adentrava os pulmões e enchiam-nos-ia com uma carga espessa e pesada enquanto o peito subia e descia sem controle algum, as palavras presas na garganta e o grito contido da mesma forma que se prende o ar numa garrafa e que se mantém um objeto em seu lugar.


— Saída, saída, saída... — Proferia oscilantemente, a voz falhando a cada misera tentativa de se fazer mais firme, não haviam meios para conseguir bater de frente com “ele.”


Era impossível, sabia que seria falho, uma folha não é capaz de derrubar uma árvore e um grão de areia não pode ou é capaz de secar o mar, lutar era a maior burrice que poderia se dar ao luxo de cometer enquanto estivesse naquela maldita casa, no território do inimigo, os objetos antigos e de porte sinistro pareciam tomar vida toda vez que dava as costas, sussurrando suas coisinhas baixo e olhando-o dos pés a cabeça. Um pequeno guincho, agudo, ecoou naquele cômodo e automaticamente o corpo foi virado e prostrado em posição de defesa; um rato olhava para si e andava no canto da parede sobre uma estante pequena, guinchando e derrubando as pratarias que estavam sobre a madeira do móvel. O quão ridículo poderia ser? Não imaginou que o melhor amigo estivesse certo quanto a falar com aquele estranho, nunca havia percebido nada de anormal mas agora... Analisando tudo, cada pequeno ato, cada olhada e cada fala, cada silêncio...


Era tão óbvio!


Desde o início sempre fora óbvio e apenas o rapaz de sorriso fácil e alegre não percebera, era ridícula toda aquela situação em que havia se posto por culpa própria, jamais acreditaria se dissessem que um dia iria viver o bastante para passar por algo que julgou ser impossível de ocorrer consigo; o orgulho; o orgulho em se achar tão superior que jamais passaria pelo mesmo, era como pedir para uma criança não passar pela adolescência ou um professor não virar noites e mais noite corrigindo provas e atividades escolares para de tal modo produzir conteúdo e a visagem de um futuro melhor para seus alunos. Cada pequena badalada do pendulo — que mesmo longe ainda insistia em se fazer audível — causava uma reação diferente, de arrepios constantes até ondas eletrizantes transitando por toda e qualquer área da tez e formigamentos irrompiam na derme, era como se pudesse ser posto em uma prova de fogo a qualquer instante e a sensação supérflua de que não iria demorar até que toda a carne fosse consumida pelas chamas dançantes instigava e se fazia muito comum. A sombra de retardo dos músculos era frequente e firme, minuciosamente dura o bastante para manter-lhe em estado letárgico e aguda, relaxava e então tencionava dolorosamente rápido, o ratinho ainda estava lá mas toda aquela pose havia sido desfeita, ao se virar, tudo ficou escuro. 


Foi rápido, sequer pôde analisar os olhos das gárgulas nas paredes — contudo sempre soube que eram elas que olhavam para si em um tom de julgamento — em determinado momento estava firme e de pé, no outro jazia sobre o chão de madeira enegrecida, não conseguiu supor de onde veio o ataque e mais uma vez o medo assolou, era terrível imaginar o que se daria por terceiro ato, o relógio ainda tocava e o ratinho guichava, o vento soprava por entre os vãos das janelas e as árvores movimentavam-se em frenesi.


As pálpebras pesaram e se apertaram ligeiramente, exposto, tinha a sensação fria de estar sendo exposto e a duvida se concretizou quando passos ecoaram; ficou tenso e teso como um pedaço de madeira prestes a ser posto na fogueira. Os passos se tornaram mais altos e com isso a clara certeza de que estavam mais perto, o som do pequeno salto contra o piso fazia com que os espasmos de medo fossem constantes, houve um momento de silêncio e então soou o som de palmas se chocando.


O estômago se revirou, o frio era sentido na região lombar e a dor da queda já não era tanta, Wei Wuxian não estava desacordado de tudo, no máximo ainda não levantara pois fora algo de fato doloroso e os meios de fuga no momento eram quase nulos.


— Já deu seu show. — Grave, a voz era grave e tinha um ar de autoridade, as palmas cessaram e entoou rispidamente. — Levante.


Não moveu um músculo e aquilo resultou em uma série de chutes, seguidos de mais chutes, houve então um pequeno lapso no corpo do homem ao chão e este se impulsionou para cima perante as agressões, um grito gutural reverberou do fundo da garganta ao ter o estômago pisado de forma bruta.


Fugir, fugir, fugir, fugir, precisava fugir! Queria permanecer vivo, queria viver, era jovem ainda e tinha um futuro pela frente junto a toda uma gama de bons objetivos.


E então mãos frias de dedos longos repousaram sobre os fios de cabelo antes de puxarem-no para cima, erguendo a cabeça e arrastando o corpo pelo corredor mal iluminado, lá fora era noite e tudo indicava uma tempestade se aproximando, o som dos trovões já era ouvido junto a sinfonia da saparia e dos grilos, as árvores se balançavam de modo que os galhos longos e finos batessem contra o vidro e fora da casa toda vez que o céu se iluminava a sombra de criaturas pequenas espiando poderia ser enxergada. Adentraram um corredor e depois saíram em uma sala com inúmeros quadros, os olhos pintados pareciam seguir os passos e toda vez que tentava escapar o cabelo era firmemente apertado, o cheiro de mofo e coisas velhas predominava, a madeira daquela área estalava e rangia a cada pequena pisada e servia como aviso de que alguém por ali passava, era trágico, sempre alertara ao irmão e ao melhor amigo sobre coisas daquele tema, dizia para não confiarem em qualquer um mas lá estava, preso numa casa com um homem maluco e psicopata em potencial.


O corpo foi brutamente empurrado para a frente e o cabelo foi solto do aperto, porém, notou estar em uma cozinha estranha, os tons brancos e beges se misturavam em desenhos distintos, não parecia certo que aquele lugar fosse assim. Notou então que haviam coelhos mortos pendurados nas paredes, com cortes que iam da garganta até o baixo ventre, expondo todo o interior rubro e sangrento das criaturas, todos os órgãos, tripas e ademais expostos. Pobres animalzinhos, estátuas de garças empalhadas que pareciam chorar e olhar diretamente para o rapaz com o rabo de cavalo e pele pegajosa pelo suor.


— Me deixe ir — Começou mas logo foi calado por um forte tapa. — Lan Zhan, Lan WangJi, me deixe ir embora!


Outro tapa, não iria se calar, não iria ceder a capricho algum! Iria embora e teria a liberdade novamente. Quando abriu a boca mais uma vez, o homem intitulado como “Lan Zhan” segurou-o pelo pescoço e ergueu o corpo, os dedos se fechando contra a pele e interceptando a respiração correta.


— Você fica. — Os dedos se apertaram mais e agora as mãos do rapaz se debatiam contra o braço em uma tentativa de fazê-lo soltar. — Se tentar novamente... Morre. Se me enganar, se falar algo que eu não goste, se falar com qualquer outra pessoa... Morre, entendeu? Você vai ficar e ser bem bonitinho sentado naquela cadeira, vamos jantar e então você vai dormir comigo, vai ficar caladinho e no dia seguinte você será corrigido.


O corpo foi solto no chão sem a menor compaixão, o rosto do homem mais velho era impassível e difícil de ler, sério demais e complicado para que qualquer um entendesse de primeira, Lan WangJi não era de se expressar muito e na maioria das vezes parecia distante, falava somente o suficiente para que ainda fosse considerado um humano, pigarreou e limpou as mãos em um lenço, o corpo alheio ainda se recuperava do aperto na garganta e o homem de roupas brancas olhava-o de forma indecifrável, os olhos eram de um âmbar dourado tão reluzente que poderia ser considerado afável e ameno. Todavia no momento em questão eles eram frios e sem qualquer brilho ou resquício de emoção, um pequeno e discreto curvar do lado esquerdo dos lábios demonstrava o quanto se agradara com a visão do sofrimento alheio, Lan WangJi não era confiável como Wei Wuxian achara; o jovem aos poucos foi conseguindo levantar do chão e respirar ainda era complicado, o ar entrava cortando e pôde somente manear a cabeça em acordo.


Teria de ceder naquele dia, estava afetado demais para qualquer outra tentativa de fuga obviamente mal sucedida, caminhou junto ao homem e se sentou na mesa longa, haviam dois pratos. Um continha bolo de carne e o outro uma sopa com pedaços de verduras e outras coisas que não identificou. Lan WangJi estalou a língua no céu da boca e entregou ambos os pratos.


— Coma, os dois. — Não disse mais nada, o olhar que direcionou foi mais que claro e com facas na mesa, a situação poderia não ser boa para o moreno pouco menor.


A saliva desceu em seco, a garganta estava fechada e o cheiro daquela comida possuía algo de diferente, tirou primeiro um pedaço do bolo de carne, a faca deslizou e cortou facilmente o pedaço, o garfo prendeu um lado e então a faca deslizou mais uma vez, hesitou mas ainda sim levou o pedaço até a boca. Os dentes se fecharam e iniciaram uma mastigação lenta, a carne era maçante e tinha um gosto estranho que mesmo com os temperos se sobressaía, não perguntou o que era, comeu de pouco em pouco até chegar na sopa. Ela era grossa e escura, os pedaços eram grandes e o caldo era grosso, levou a primeira colherada aos lábios, o gosto era muito estranho, forte e amargo, em uma segunda colherada, pegou um pedaço de verdura e um pedaço cúbico de carne. Levou aos lábios e mais uma vez sentiu o gosto maçante e distinto, não se conteve mais e largou a colher, limpou os lábios e então virou o rosto.


— De que é esse bolo e a sopa? — A pergunta saiu relutante.


— Não está bom?


— Não é isso, está gostoso até. — Não era uma total mentira, mas havia algo que parecia não estar certo naquilo tudo.


— É bom saber que aprecia até mesmo a carne, as vísceras e o sangue de Jiang Cheng e Nie Huaisang.


Petrificou, a sensação de enjôo subiu a garganta e acabou por vomitar no chão, a carne era do irmão e do melhor amigo, o caldo da sopa havia sido preparado com o sangue de ambos e as estruturas que não reconheceu ou possuíam gosto mais distinto eram as vísceras. Havia comido carne humana, poderia ser considerado canibal? O gosto maçante misturado aos temperos e afins tomava conta da cavidade bucal e mais uma vez vomitou, estava enjoado e o homem sentado na ponta da mesa parecia satisfeito com sua reação.


— A carne não estava no ponto? — Ele perguntou e Wei virou o rosto, afastando os pratos e tentando limpar a boca. Um copo foi oferecido e negado. — Beba.


— Não. — Disse firme, a sombrancelha alheia se ergueu e o copo foi oferecido mais uma vez, uma faca dançava por entre os dedos.


O copo foi aceito e relutantemente ele bebeu, apenas um gole e nada mais.


— O que era?


— Sangria. Acho que já sabe com o que foi preparada.


— Você não tem escrúpulos.


Cuspiu no rosto do homem e jogou o resto do líquido na face dele, o clima pareceu pesar ainda mais e algo foi sentido nos pés do rapaz, ele baixou o olhar e notou algumas baratas e centopeias transitando, algumas subindo os pés e indo na direção das pernas, sacudiu-as e então ergueu os pés sobre a cadeira. De modo que ficasse quase como numa posição fetal, não sabia o porquê de ser com ele, não sabia, estava assustado com medo e traumatizado, o frio na barriga era recorrente assim como a sensação de medo, nunca sabia quando poderia ser morto ou quando as coisas iriam extrapolar mais do que já haviam extrapolado. Lágrimas grossas e salgadas rolaram pela face, a frustração, o medo e o ódio sendo transbordados num misto de sensações agressivas.


— Por que você fica fazendo essas coisas? Por que faz isso comigo? Qual a droga do seu problema?! — Gritou, a voz soando alta o bastante para ser ouvida do corredor e as palmas das mãos batendo na madeira da mesa. 


Estava no limite, não aguentava mais, não aguentava mais todo o jogo psicológico que Lan WangJi fazia consigo e todas as outras coisas que era obrigado a passar, em apenas dois dias já havia sido destruído como nunca imaginou que seria, quando olhava os casos na televisão nunca chegava a cogitar que ocorreria consigo.


— Você é meu. — Foi apenas o que respondeu, a voz firme expressando total e plena convicção na ideia fixa.


— Vá pro inferno. — Em um ato súbito as mãos foram para a travessa de sopa e jogaram-na no homem. Foi o momento perfeito para uma fuga rápida, a faca foi pega e cravada na mão, o corpo do jovem se levantou da cadeira com pressa e então correu para fora da cozinha.


— Wei Ying! — Gritou, a faca na mão foi retirada e então foi na direção seguida pelo outro.


Toda a casa se parecia com um imenso labirinto de paredes e lugares iguais, se confundir ou se perder era fácil, Wei Wuxian correu para o lugar que identificou ser o corredor que entrara e saiu na sala com as bifurcações, entrou na primeira que viu e seguiu correndo, o peito estava mais que acelerado e o sangue estava quente, até que ponto a obsessão alheia poderia ir? Não estava com a menor vontade de descobrir a resposta. Aquilo nunca seria saudável para si ou para qualquer outra pessoa, se enganou quando achou que o homem de cabelos castanho escuro e olhos claros pudesse ser sinônimo de boa coisa, se enganou com toda a fachada que era mantida na frente de terceiros e se enganou ainda mais quando havia concordado que seria algo bom passar duas semanas naquela casa na montanha. A grande casa parecia tão bonita do lado de fora, a parte interna que era apresentada às visitas era simplesmente impecável, o comportamento do homem poderia ser tido como "exemplar, calmo e justo" quando na verdade não era nada daquilo.


Lan Zhan não era uma pessoa justa, exemplar e toda a calma era apenas pretexto para suas atitudes calculadas a sangue frio. Outro corredor e mais bifurcações. Entrou na que julgou ser a menos óbvia e seguiu o corredor, parou frente a uma porta, ofegante, não pensou duas vezes antes de entrar.


Abriu a porta rapidamente e a fechou, por um momento pôde respirar aliviado e repousar a mão na parede, no entanto sentiu algo de textura duvidosa subir pela mão e se movimentar sinuosamente até o braço, afastou e buscou um meio de acender a luz. Achando somente uma vela e um isqueiro na mesa adjacente a porta, quando iluminou o local com as faíscas dançantes quase — por muito pouco — deixou que um grito escapasse. Corpos humanos costurados, pele e ossos sendo usados como mobília e tapeçaria, alguns corpos usados como manequins para roupas feitas de pele e outras coisas da mesma estirpe, vários insetos transitavam pelo lugar, o chão e as paredes estavam infestados e haviam restos mortos jogados no chão, apodrecendo e sendo pouco a pouco comidos pelas criaturinhas de vários tamanhos e formas.


Se sentia extremamente enjoado com tudo aquilo, a repulsa era imensa e sem tamanho, estava estático no lugar, o rosto contorcido em uma expressão indescritível perante todas as emoções que expressavam.


— Você encontrou. — A voz soou atrás de si e o corpo rapidamente foi virado. — Daria uma bela peça. Mas seu rosto é bonito.


— Você é um monstro. — Disse num fio de voz. Nojo, raiva, repulsa e afins sendo expressos.


— Sua cabeça ficaria ótima em minha escrivaninha. — Foi a única coisa que disse.


Se aproximou em passos lentos e Wei Wuxian foi de pouco a pouco se afastando, a cada passo dois eram afastados; até que em um momento ficou sem saída. Lan WangJi foi se aproximando, se aproximando e se aproximando. A sensação fria atravessou o tronco do homem com rabo de cavalo e as roupas foram molhadas pelo líquido quente e rubro, houveram mais facadas, o corpo caiu e a última visão que teve foi a de Lan Zhan com as mãos sujas de sangue e uma faca, pegando outros objetos para retirar a pele, a sensação dos insetos cobrindo-o e entrando nas roupas era desconfortável. Um serrote foi pego e um último grito escapou antes da garganta ser cortada.



Wei Wuxian acordou assustado, a face coberta por uma camada pegajosa de suor e o peito acelerado, estava ofegante e trêmulo, lá fora estava chovendo — coisa típica do inverno — e ao lado estava o marido, havia tido um péssimo pesadelo e agora estava em fagalhos, queria chorar pelo que ocorrera, pareceu ter sido tão real. Uma mão quente e conhecida se esgueirou pelas costas, afagando-as docemente.


— Pesadelo? — O homem perguntou, o rosto um tanto amassado pelo recém acordar e os cabelos não tão alinhados como de costume. 


— Eu não deveria ter assistido aquele filme que o A-Cheng e Jin ZiXuan estavam comentando com A-Yao e comigo. — A voz foi baixa e tremida, estava tão abalado quanto da vez que pensou ter perdido A-Yuan no shopping. 


Lan Zhan apenas maneou a cabeça numa concordância muda, Wei não entendia o porquê do marido ter sido o vilão da trama, talvez pela expressão e o comportamento estranho de quando se conheceram? Não tinha certeza alguma. Apenas deixou que o corpo fosse puxado para perto em um abraço quente e confortável, a sensação de conhecimento tomando conta da mente, estava tudo bem. Tinha sido apenas um pesadelo.


Ficaram por algum tempo daquele modo, abraçados enquanto chovia, algumas pequenas lágrimas escorreram — teimosas. Mas nenhum comentário foi feito perante aquilo.


— Quer me falar sobre? — Não costumava ser evasivo mesmo depois de alguns bons anos casados, mas se a situação chegou ao nível de toda aquela cena, não haveria o por que não perguntar.


— Não precisa, Lan Zhan. — Fungou e limpou o rosto, se afastando minimamente do abraço. — Me faça esquecer isso.


Apenas um olhar e o rapaz já sabia a pergunta. 


— Você sabe como, Lan Zhan, não me olhe desse jeito. Ei! Seu danado eu não sou um sem vergonha, você é muito pior, como assim? Você ainda me pergunta isso? Sério mesmo que eu preciso falar? — O homem mais velho suspirou e o outro riu, não eram necessárias palavras ou qualquer outra coisa. 


Se conheciam o suficiente para se entenderem apenas com um olhar, compreenderem um ao outro como outras pessoas não eram capazes. Wei Wuxian não se importou quando as mãos desceram e o ato já não era um simples abraço, estavam acostumados com tanto contato. Lentamente o pesadelo foi sendo esquecido e o som da chuva foi sendo abafado pelos selares que eram distribuídos na face e nos ombros, as marcas do que havia sido feito antes de dormirem comprovava o quanto era íntimo o contato que possuíam, de pouco a pouco os lábios eram tomados em ósculos profundos e suaves.


O momento era delicado e agradável, Lan WangJi estava sonolento ainda e o ato era demorado, as palmas das mãos passeavam pelas costas e pelas curvas sutis no corpo do parceiro, era como reler um livro de grande estima por centenas de vezes, você conhece o conteúdo, sabe de cor e salteado o que se passa na trama, mas sempre que lê parece ser a primeira vez, as ondas possuem seus momentos de revolta e seus momentos mansos, onde beijam a a areia com devoção. Já deitados abaixo do lençol quente e aconchegante, Lan Zhan beijava o torso do cônjuge com a mesma paixão e devoção que ofertava em todas as vezes, as mãos já trabalhavam nos primeiros atos, preliminares carinhosas, lentas, preguiçosas.


Isto porque ambos sentiam que aquilo merecia um carinho diferente no momento e não tardou a unirem-se, fundirem-se, da mesma forma que o gelo se funde a água após derreter, deflorava com delicadeza diferente das outras vezes e os sons eram tão baixos que mal se faziam audíveis. Não houve pedido por misericórdia, não houve nada senão o vai e vem dos corpos e os sons baixinhos entrecortados por beijos e juras.


A chuva já parara e ainda estava tudo tão quente, as mãos do homem mais jovem se ocupava nos cabelos e em deixar pequenas marcas nas costas, o outro, por outro lado deixava beijinhos calminhos e lentos, que queimavam a pele de ternura. Quando os corpos amoleceram e as mãos se apertaram em um contato simples, Wei conhecia bem a sensação que era aquela, a sensação pegajosa e quente que se fazia presente no interior, havia demorado mais que das outras vezes porém sentiam-se completos, não que fosse preciso algo daquele teor para estarem total e completamente juntos e completos de toda e qualquer forma. Lan WangJi se afastou do corpo e puxou-o para deitar a cabeça sobre o peito, o sono se fazendo pesado e mais poderoso, nenhum dos dois reclamou, os olhos foram pouco a pouco sendo fechados enquanto carícias delicadas e suaves eram deixadas, já não lembrava do pesadelo, lembrava apenas de como era bom estar ao lado do rapaz que amava e do quão agradável era.


Não demorou para retornar ao mundo dos sonhos, o onírico, Lan Zhan deixou um selar na testa e se deixou cair verdadeiramente no sono. Pela manhã, um novo dia nasceria e novas possibilidades também, tinham de estar prontos. 


Notas Finais


Então galera, se vocês conhecem filmes de terror vão pegar as referências e se conhecem alguns assassinos também vão reconhecer, eu espero que tenham gostado e eu desejo um feliz aniversário — adiantado — para minha querida Lili que me fez juntar coragem pra escrever isso.


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