História Ônix - Capítulo 1


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Categorias Camila Cabello, Fifth Harmony, Lauren Jauregui
Personagens Camila Cabello, Lauren Jauregui
Visualizações 147
Palavras 1.999
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, LGBT, Luta, Magia, Orange, Romance e Novela, Saga, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Intersexualidade (G!P), Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Capitulo 1


Fanfic / Fanfiction Ônix - Capítulo 1 - Capitulo 1

Não mais do que dez segundos após entrar em sala e se sentar, Lauren Jauregui cutucou minhas costas com a ponta de sua maldita caneta. Dez segundos. Virando-me na cadeira, inalei aquele perfume de natureza e especiarias tão típico dela.

Ela puxou a mão de volta e bateu com a tampa azul da caneta no canto dos lábios. Lábios com os quais eu estava bastante familiarizada.

— Bom dia, gatinha.

Forcei-me a encará-la. Seus olhos eram de um verde reluzente, semelhante ao caule de uma rosa recém-colhida.

— Bom dia, Lauren.

Minha vizinha virou a cabeça ligeiramente de lado, e uma mecha de cabelos escuros e rebeldes caiu-lhe sobre a testa.

— Não esqueça que temos planos para esta noite.

— Eu sei. Mal posso esperar — respondi secamente.

Lauren se debruçou sobre a carteira e a inclinou um tiquinho para a frente; o movimento fez a camisa se esticar sobre os ombros e deixar sua barriga amostra. Escutei o suave arquejar de minhas amigas, Carissa e Lesa, e senti os olhos da sala inteira fixos na gente. Ela curvou os lábios mais um pouco como se estivesse rindo de uma piada que só ela entendeu.

O silêncio que se seguiu tornou-se subitamente pesado demais.

— Que foi?

— Precisamos trabalhar no seu rastro — disse ela, baixo o bastante para que apenas eu conseguisse escutar. Graças a Deus. Tentar explicar o que significava um rastro para a população geral não era algo que eu quisesse fazer. Ah, vocês sabem, é só um resíduo de poder alienígena que fica grudado nos humanos e faz com que eles brilhem como uma árvore de Natal, tornando-os um farol ambulante para uma raça de extraterrestres perversos. Querem um pouco?

Ã-hã.

Peguei minha própria caneta e considerei por alguns instantes cutucá-la com ela.

— É, já imaginava.

— Tenho uma boa ideia de como podemos fazer isso.

Eu sabia que “boa ideia” era essa. Eu. Ela. Juntas em um amasso. Sorri, e seus olhos verdes se aqueceram.

— Gostou da ideia? — murmurou Lauren, baixando os olhos para meus lábios.

Um desejo nada saudável fez meu corpo inteiro vibrar, mas me lembrei de que aquela repentina mudança de comportamento tinha mais a ver com seu abracadabra alienígena bizarro do que com ela gostar de mim. Desde que Lauren me curara, após a batalha com o Arum, estávamos conectadas e, embora isso parecesse o suficiente para fazê-la querer mergulhar de cabeça num relacionamento, para mim não era.

Aquilo não era real.

Eu desejava o que meus pais tinham. Um amor incondicional. Poderoso. Verdadeiro. Uma maldita conexão alienígena não era o suficiente para mim.

— Só se for em outra vida, amigona — respondi por fim.

— Resistir é inútil, gatinha.

— Assim como seu charme.

— Veremos.

Revirei os olhos e me virei de volta para o quadro-negro. Lauren era uma verdadeira gata, mas podia ser também uma completa babaca, o que, de vez em quando, anulava totalmente o apelo da beleza. Mas nem sempre.

Nosso caquético professor de trigonometria entrou em sala segurando uma pilha grossa de papéis enquanto esperava o sinal tocar.

Lauren me cutucou novamente com a caneta.

Fechei as mãos e cheguei a pensar em ignorá-la, mas sabia que isso não adiantaria. Ela simplesmente continuaria me cutucando. Virei-me mais uma vez e a fitei com irritação.

— O que foi agora?

Ela se moveu mais rápido do que uma cobra dando o bote. Com um sorrisinho que me provocava uma sensação engraçada no estômago, deslizou os dedos pelo meu rosto, afastando uma mecha de cabelo que caíra sobre meus olhos.

Olhei fixamente para ela.

— Depois da aula…

Comecei a imaginar uma série de situações loucas ao ver seu sorrisinho tornar-se mais malicioso, mas me recusava a continuar jogando aquele jogo. Revirei os olhos e voltei a olhar para o quadro-negro. Precisava resistir aos hormônios… e à maneira como ela mexia comigo como nenhuma outra.

Pelo resto da manhã, senti um leve pulsar incômodo atrás do olho esquerdo, o que só podia ser culpa da Lauren.

Na hora do almoço, a sensação era de que alguém tinha me dado uma forte pancada na cabeça. O burburinho de conversas no refeitório aliado ao cheiro de desinfetante e comida queimada me deram vontade de sair dali correndo.

— Você não vai comer isso? — Taylor apontou para meu prato intocado de abacaxi com ricota.

Fiz que não e empurrei a bandeja na direção dela, sentindo o estômago revirar ao ver Taylor cair de boca na comida.

— Você come o suficiente para alimentar um time inteiro de futebol — comentou Lesa, os olhos brilhando com indisfarçável inveja. Não podia culpá-la. Eu mesma já vira Taylor devorar um pacote gigante de biscoitos recheados de uma vez só. — Como você consegue?

Taylor deu de ombros.

— Tenho um metabolismo acelerado.

— O que vocês fizeram no fim de semana? — perguntou Carissa, franzindo o cenho enquanto limpava os óculos na manga da camisa. — Passei o sábado e o domingo preenchendo formulários de inscrição para as universidades.

— Eu passei o fim de semana inteirinho com o Chad. — Lesa deu uma risadinha.

As duas olharam para mim e para Taylor, esperando que disséssemos alguma coisa. Imaginei que matar-um-alienígena-psicopata-e-quase-ser-morta-no-processo não fosse algo sobre o qual eu pudesse falar.

— Demos uma volta e assistimos a alguns filmes idiotas — respondeu Taylor, sorrindo para mim de maneira conspiratória e prendendo uma mecha de cabelos pretos e brilhantes atrás da orelha. — Nada muito interessante.

Lesa bufou.

— Vocês são tão chatas.

Fiz menção de sorrir, mas senti um arrepio quente na nuca. A conversa cessou subitamente e, segundos depois, Lauren se sentou na cadeira à minha esquerda. Um copo plástico de iogurte de morango (meu predileto) foi colocado diante de mim. Fiquei mais do que um pouco chocada por ganhar um presente da Lauren, principalmente uma das minhas bebidas favoritas. Meus dedos roçaram os dela ao pegar o copo, e uma corrente de eletricidade percorreu minha pele.

Puxei a mão rapidamente e tomei um gole. Delicioso. Talvez aquilo acalmasse a sensação estranha em meu estômago. E talvez eu conseguisse me acostumar com aquela nova e atenciosa Lauren. Muito melhor do que sua tradicional versão insuportável.

— Obrigada.

Ela sorriu em resposta.

— Não trouxe pra gente? — alfinetou Lesa.

Lauren riu.

— Estou aqui para servir uma única pessoa em particular.

Senti as bochechas queimarem enquanto afastava a cadeira um tiquinho.

— Você não está aqui para me servir em coisa alguma.

Ela se inclinou na minha direção, diminuindo o pequeno espaço que eu pusera entre nós.

— Ainda.

— Ah, para com isso, Lauren. Eu estou bem aqui. — Taylor franziu o cenho. — Você vai me fazer perder o apetite.

— Como se isso pudesse acontecer — retrucou Lesa com um revirar de olhos.

Lauren abriu a mochila e pegou um sanduíche. Só ela conseguia matar aula para comprar almoço e não acabar na detenção. Minha vizinha era tão… especial. Afora Taylor, todas as garotas na mesa estavam com os olhos fixos nela. Alguns dos caras também. Ela ofereceu à irmã um cookie de aveia.

— Não temos planos a fazer? — perguntou Carissa, as bochechas brilhando de vergonha.

— Temos, sim — respondeu Taylor, dando uma risadinha para Lesa. — Grandes planos.

Esfreguei uma das mãos na testa para secar a camada de suor frio e pegajoso que cobria minha pele.

— Do que vocês estão falando?

— Taylor e eu estávamos conversando na aula de literatura inglesa sobre dar uma festinha daqui a uns quinze dias — interveio Carissa. — Alguma coisa…

— Grande — completou Lesa.

— Pequena — corrigiu a outra, estreitando os olhos para a amiga. — Algo íntimo para poucas pessoas.

Taylor assentiu, e seus olhos verdes e naturalmente brilhantes cintilaram de animação. Em seguida sugeriu:

— Nossos pais vão viajar na sexta. Teremos a casa só para nós.

Olhei de relance para a Lauren, que deu uma piscadinha. Meu coração idiota pulou uma batida.

— É tão legal seus pais permitirem que vocês deem uma festa em casa — comentou Carissa. — Os meus me dariam uma bronca só pela sugestão.

Taylor deu mais uma vez de ombros e desviou os olhos.

— Nossos pais são muito legais.

Forcei uma expressão impenetrável ao sentir uma fisgada de dor no coração. Eu realmente acreditava que tudo o que a Taylor mais queria na vida era que seus pais estivessem vivos. Talvez a Lauren também. Desse modo ela não seria obrigada a carregar o peso da responsabilidade por sua família.

Durante o tempo em que passáramos juntas, eu acabara descobrindo que grande parte de seu comportamento irascível era decorrente do estresse. Para não falar na morte do irmão gêmeo…

A festa se tornou o principal assunto durante o restante do almoço. O que era legal, pois distraía a atenção do meu próprio aniversário no próximo sábado. Na sexta, a escola inteira já estaria sabendo dos planos. Em uma cidade onde se reunir num milharal numa sexta à noite para beber cerveja era o ápice da diversão, de forma alguma a festa seria “pequena”. Será que Taylor se dava conta disso?

— Você não se importa? — sussurrei para a Lauren.

Ela deu de ombros.

— Como se eu pudesse impedi-la.

Eu sabia que ela poderia se quisesse, o que significava que não se incomodava.

— Quer um cookie? — ofereceu ela, segurando diante de mim um daqueles com gotas de chocolate. Enjoada ou não, não dava para recusar.

— Claro.

Com os lábios repuxados num dos cantos, ela se inclinou na minha direção até parar com a boca a centímetros da minha.

— Vem pegar.

Vem pegar? Lauren prendeu o cookie entre aqueles lábios cheios e altamente beijáveis.

Ai, santos bebezinhos alienígenas…

Meu queixo caiu. Várias das meninas sentadas à nossa mesa emitiram um som que me fez imaginá-las se derretendo entre os pés de suas respectivas cadeiras, mas não consegui me forçar a verificar o que estariam fazendo de fato.

O cookie, e aqueles lábios, estavam bem ali.

Uma onda de calor invadiu meu rosto. Podia sentir os olhos de todo mundo, inclusive os dela, fixos em mim… Deus do céu. Lauren arqueou uma das sobrancelhas de modo desafiador.

Taylor gaguejou:

— Acho que vou vomitar.

A vergonha era tanta que senti vontade de me enfiar num buraco. O que ela achava que eu iria fazer? Tirar o cookie da sua boca como uma versão proibida para menores de A Dama e o Vagabundo? Bosta, eu meio que queria, e não sabia ao certo o que isso dizia de mim.

Ela ergueu a mão e tirou o cookie da boca. Seus olhos brilhavam como se tivesse vencido uma batalha.

— Tempo esgotado, gatinha.

Fuzilei-a com os olhos. Lauren partiu o cookie em dois e me entregou o pedaço maior. Peguei-o rapidamente, um pouco tentada a jogá-lo de volta na cara dela, mas… era um cookie com gotas de chocolate. Assim sendo, comi com profundo prazer.

Após tomar outro gole do iogurte, senti um calafrio estranho na espinha, como se alguém estivesse me observando. Corri os olhos em volta do refeitório, esperando deparar-me com a ex-namorada alienígena da Lauren me lançando seu tradicional olhar de puro ódio, mas Ash Thompson estava conversando com outro garoto. Hum. Seria ele um Luxen? Não havia muitos da idade deles, embora eu duvidasse de que a Ash, sempre tão superior, fosse sorrir para um reles garoto humano. Desviei o olhar da mesa deles e verifiquei o restante da cantina.

O sr. Garrison estava parado ao lado das portas duplas de acesso à biblioteca, mas ele observava uma mesa cheia de grandalhões idiotas que brincavam de fazer desenhos intrincados com o purê de batatas. Ninguém mais olhava em nossa direção.

Balancei a cabeça, sentindo-me tola por ter me assustado por nada. Não era como se um Arum fosse surgir subitamente no meio da cantina de um colégio. Talvez eu tivesse pegado um resfriado ou algo do gênero. Minhas mãos tremeram um pouco ao envolver a corrente que trazia em volta do pescoço. A obsidiana estava fria em contato com a pele, o que era reconfortante um amuleto de proteção. Eu precisava parar de me assustar com qualquer coisa. Talvez fosse por isso que estivesse sentindo a cabeça tão leve e entorpecida. Isso certamente não tinha nada a ver com a garota sentada ao meu lado. 



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