História Ônix - Capítulo 3


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Categorias Camila Cabello, Fifth Harmony, Lauren Jauregui
Personagens Camila Cabello, Lauren Jauregui
Visualizações 135
Palavras 2.022
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, LGBT, Luta, Magia, Orange, Romance e Novela, Saga, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Intersexualidade (G!P), Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 3 - Capitulo 3


Fanfic / Fanfiction Ônix - Capítulo 3 - Capitulo 3

Aguentei apenas vinte minutos.

Com as irregularidades do terreno da mata, o vento frio de novembro e aquela garota ao meu lado, eu simplesmente não conseguia mais. Deixei-a a meio caminho do lago e voltei andando para casa o mais rápido que consegui. Lauren me chamou umas duas vezes, mas não lhe dei ouvidos. Assim que entrei no banheiro, botei tudo para fora de joelhos, abraçada ao vaso sanitário e com lágrimas escorrendo pelo rosto. Estava me sentindo tão mal que acordei minha mãe.

Ela entrou correndo no banheiro e segurou meu cabelo para que ele não ficasse todo vomitado.

— Há quanto tempo você está se sentindo assim, querida? Algumas horas, o dia inteiro ou só agora?

Minha mãe: a eterna enfermeira.

— Melhor e pior o dia todo — gemi, apoiando a cabeça na borda da banheira.

Soltando um assobio de preocupação por entre os dentes, ela encostou a mão em minha testa.

— Meu bem, você está fervendo. — pegou uma toalha e a molhou na pia. — Acho melhor eu ligar pro hospital e…

— Não, eu estou bem. — peguei a toalha e a pressionei contra a testa. A sensação de frescor era maravilhosa. — É só um resfriado. Já estou melhor.

Mamãe permaneceu comigo até eu conseguir me levantar para tomar um banho. Levei um tempo absurdo para vestir um camisetão de mangas compridas. O quarto pareceu rodopiar enquanto me metia debaixo das cobertas. Fechei os olhos com força e esperei que minha mãe retornasse.

— Aqui está seu telefone e um pouco de água. — ela botou os dois na mesinha de cabeceira e se sentou ao meu lado. — Agora vamos ver essa febre. — entreabri um dos olhos e vi o termômetro pairando diante do meu rosto. Como uma menina obediente, abri a boca. — Se a temperatura estiver muito alta, vou ficar em casa. Provavelmente é só um resfriado, mas…

— Hummm — gemi.

Ela me lançou um olhar decidido e esperou até o termômetro bipar.

— Trinta e oito e meio. Quero que tome isso. — fez uma pausa e me entregou dois comprimidos. Engoli-os sem questionar. — A febre não está tão alta, mas quero que fique deitada e descanse. Eu ligo para ver como você está por volta das dez, tudo bem?

Fiz que sim e me afundei mais um pouco debaixo dos cobertores. Dormir era tudo o que eu precisava. Ela dobrou outra toalha umedecida e a colocou sobre minha testa. Fechei os olhos, quase certa de que eu estava entrando no primeiro estágio de uma infecção provocada por zumbis.

Meu cérebro parecia estranhamente anuviado. Dormi, acordando uma vez quando mamãe ligou para ver como eu estava e novamente um pouco depois da meia-noite. O camisetão estava encharcado, grudado em minha pele febril. Ao esticar o braço para afastar os cobertores, percebi que eles já estavam do outro lado do quarto, amarfanhados sobre a mesa do computador.

Um suor frio recobria minha testa ao me forçar a sentar. As batidas do meu coração retumbavam em minha mente, pesadas e erráticas. Duas de cada vez, era a sensação. A pele parecia repuxada sobre os músculos quente e formigando. O quarto girou ao me colocar de pé.

Eu estava fervendo, queimando de dentro para fora. Minhas entranhas pareciam liquefeitas. Os pensamentos se atropelavam como um trem descarrilado. Tudo o que eu sabia era que precisava esfriar o corpo.

A porta que dava para o corredor se abriu como que me convidando a sair do quarto. Sem saber ao certo para onde estava indo, atravessei o corredor e desci cambaleando as escadas. A porta da frente parecia um farol, uma promessa de alívio. Devia estar frio lá fora. O que serviria para me esfriar.

No entanto, não foi suficiente. Parei na varanda, deixando o vento sacudir meus cabelos e o camisetão molhado. Estrelas iluminavam o céu noturno, brilhando intensamente. Ao abaixar os olhos e focá-los nas árvores que ladeavam a rua, tive a impressão de vê-las mudar de cor. Amarelo. Dourado. Vermelho. E, em seguida, um tom difuso de marrom.

Eu só podia estar sonhando.

Tonta, desci para o jardim. As pedrinhas do calçamento incomodavam meus pés, mas continuei andando deixando-me guiar pela luz da lua. Por várias vezes, senti como se o mundo tivesse virado de cabeça para baixo, mas forcei-me a prosseguir.

Não levei muito tempo para chegar ao lago. Sob a luz pálida do luar, reparei nas ondulações da água escura e brilhante como ônix. Dei mais alguns passos, parando ao sentir os dedos afundarem na terra molhada da margem. Um calor enlouquecedor fazia com que minha pele parecesse em brasa. Ardente. Cáustica.

— Camila?

Virei-me lentamente. O vento assobiava à minha volta enquanto eu fitava a aparição. O luar projetava sombras sobre o rosto dela, refletindo-se naqueles olhos verdes, grandes e brilhantes. Ela não podia ser real.

— O que você está fazendo, gatinha? — perguntou Lauren.

Ela parecia frágil. Mas Lauren não era frágil. Rápida e meio fora de foco de vez em quando, mas nunca frágil.

— Eu… eu preciso esfriar o corpo.

Um brilho de compreensão iluminou seu rosto.

— Não se atreva a entrar nesse lago.

Comecei a recuar. A água gelada envolveu meus tornozelos e, em seguida, os joelhos.

— Por que não?

— Por quê? — Lauren deu um passo à frente. — Está frio demais. Não me faça entrar aí para te pegar, gatinha.

Minha cabeça pulsava. Eram as células cerebrais se derretendo, sem dúvida. Afundei ainda mais. A água fria aliviou a queimação da pele. Deixei-a cobrir minha cabeça, roubar minha respiração e o fogo que me consumia. A queimação diminuiu até quase sumir. Eu poderia ficar ali submersa para sempre. Talvez ficasse.

Um par de braços me envolveu e me puxou de volta para a superfície. O ar frio açoitou meu rosto, porém meus pulmões continuavam ardendo. Inspirei fundo algumas vezes, tentando aplacar o fogo. Lauren estava me tirando da tão abençoada água, movendo-se tão rápida que, num segundo eu estava dentro do lago e, no seguinte, de pé na margem seca.

— Qual é o seu problema? — demandou ela, agarrando-me pelos ombros e me sacudindo de leve. — Enlouqueceu?

— Não. — tentei empurrá-la, mas estava sem forças. — Estou fervendo.

Seu olhar intenso baixou para meus pés.

— É verdade, você está quente. Molhar um camisetão branco… até que funciona, gatinha, mas um mergulho no meio da noite em pleno mês de novembro? É um pouco ousado, não acha?

Ela não estava fazendo sentido. O alívio se fora, e eu estava queimando novamente. Desvencilhei-me das mãos dela e tentei voltar para o lago.

Seus braços me envolveram e me giraram antes que eu conseguisse dar dois passos.

— Camila, você não pode entrar no lago. Está frio demais. Vai acabar ficando doente. — afastou uma mecha de cabelos que ficara grudada em meu rosto. — Diabos, mais doente do que já está. Você está queimando.

Algo no seu modo de falar desanuviou um pouco a minha mente. Recostei-me contra ela e apoiei o rosto em seu peito. Lauren tinha um cheiro maravilhoso. Um perfume de mulher e especiarias.

— Não quero você.

— Uau, não é bem a hora de conversamos sobre isso.

Era apenas um sonho. Suspirei e passei os braços em volta daquela cintura estreita.

— Só que eu quero, sim.

Ela me apertou de encontro a si.

— Eu sei, gatinha. Você não engana ninguém. Agora, vamos.

Soltei os braços, que penderam flacidamente ao lado do corpo.

— Eu… não estou me sentindo bem.

— Cami. — Lauren se afastou e envolveu meu rosto entre as mãos, forçando-me a erguer a cabeça. — Camila, olha pra mim.

Eu não estava olhando? Minhas pernas cederam. E, então, a escuridão me arrebatou. Já não havia mais Lauren. Nem pensamentos. Nem fogo. Nem Camila.

Tudo parecia distorcido e confuso. Mãos quentes mantinham meu cabelo afastado do rosto. Dedos acariciavam minha face. Uma voz grave falou comigo numa língua suave e musical. Como uma canção, porém… mais bonita e reconfortante. Deixei-me levar pelo som, perdida em sua musicalidade. E, então, escutei vozes.

Em determinado momento, achei que fosse Taylor.

— Você não pode fazer isso. Vai deixar o rastro mais forte.

Eu estava sendo carregada. Alguém tirou meu camisetão molhado e me envolveu em algo quente e macio. Tentei falar com quem quer que estivesse ali, e talvez tenha falado. Não sabia ao certo.

Em algum momento, vi-me envolvida por uma névoa e levada para outro lugar. As batidas ritmadas de um coração pulsavam sob a minha bochecha, acalentando-me até que as vozes sumiram e um par de mãos geladas substituiu as quentes. Estava em algum lugar com luzes fortes. Escutei outras vozes. Mãe? Ela parecia preocupada. Estava falando com… alguém. Não reconheci a voz da outra pessoa. Era ele quem tinha as mãos frias. Senti uma espetadela no braço e, em seguida, uma dor embotada irradiou até meus dedos. Outro burburinho de vozes abafadas e, então, nada.

Não sabia se era dia ou noite; era como se estivesse num estranho intervalo sendo consumida pelas chamas. Mas, então, as mãos frias voltaram e tiraram meu braço de debaixo das cobertas. Não escutei minha mãe ao sentir a nova espetadela. Uma onda de calor espalhou-se por dentro de mim, disparando pelas minhas veias. Com um ofego, arqueei as costas ao mesmo tempo que um grito estrangulado escapava da minha garganta. Tudo queimava. O fogo que me consumia agora era dez vezes pior do que antes. Eu estava morrendo, só podia estar.

De repente, o calor em minhas veias foi substituído por uma sensação fresca, como uma lufada de vento invernal. O frescor espalhou-se rapidamente, aplacando o fogo e deixando um rastro gelado.

As mãos subiram para meu pescoço e puxaram alguma coisa. Uma correntinha… meu colar? Instantes depois, elas desapareceram, mas senti a obsidiana zumbindo, vibrando acima de mim. Em seguida, dormi pelo que me pareceu uma eternidade, sem saber ao certo se um dia iria acordar.

Não me lembrava de quase nada dos quatro dias em que passara no hospital. Somente que acordei numa quarta-feira numa cama desconfortável, olhando para um teto branco e me sentindo bem. Ótima, na verdade. Minha mãe estava ao meu lado; no entanto, só recebi alta depois de passar a quinta-feira inteira reclamando com quem quer que surgisse diante da porta do quarto que desejava ir para casa. Sem dúvida fora apenas um resfriado forte, não algo mais sério.

No momento, mamãe me observava, com os olhos semicerrados, engolir de uma vez só um copo inteiro de suco de laranja. Ela usava um jeans e um moletom leve. Era estranho vê-la sem o uniforme.

— Querida, tem certeza de que está se sentindo bem o bastante para ir à aula? Se você quiser, pode ficar em casa hoje e voltar na segunda.

Fiz que não. Perder três dias de aula já me garantira uma montanha de deveres de casa, os quais Taylor me entregara após dar uma passadinha na véspera para ver como eu estava.

— Estou bem.

— Meu amor, você estava internada. Talvez fosse melhor descansar mais um pouco.

Lavei o copo.

— Estou bem, juro.

— Eu sei que você está se sentindo melhor. — ela ajeitou meu cardigã que, pelo visto, eu abotoara errado. — Will… quero dizer, o dr. Michaels… pode ter te dado alta, mas você me deu um baita susto. Nunca tinha te visto daquele jeito. Por que não ligo para ele e verifico se ele pode vir dar uma olhadinha em você antes de ir para o plantão?

Era bizarro ver minha mãe se referir ao meu médico pelo primeiro nome. Pelo visto, o relacionamento deles evoluíra para algo mais sério durante o período em que eu ficara fora de órbita. Peguei a mochila e parei.

— Mãe?

— Fala.

— Você voltou mais cedo pra casa na segunda, não voltou? Antes do fim do seu plantão? — ao vê-la negar com um sacudir de cabeça, fiquei ainda mais confusa. — Como eu fui parar no hospital?

— Tem certeza de que está se sentindo bem? — ela encostou uma das mãos em minha testa. — Você não está com febre, mas… Foi sua amiga quem levou você.

— Minha amiga?

— É, a Lauren. Embora eu tenha ficado curiosa para descobrir como ela sabia que você estava tão doente às três da manhã. — os olhos dela se estreitaram. — Na verdade, continuo curiosa.

Ai, merda.

— Eu também.



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