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História Ônix - Capítulo 43


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Capítulo 43 - Capitulo 43


Um tanto chocada pela proximidade que ela vinha evitando desde a noite em que me preparara um sanduíche, permaneci imóvel. Seu corpo inteiro vibrava. A mão que envolvia minha nuca tremia ligeiramente.

— Bom, é óbvio que você já desenvolveu algum controle. Posso ajudá-la a aperfeiçoar ainda mais — disse, pousando o queixo no topo da minha cabeça. Pai do céu, aqueles braços, aquele corpo! Ela era tão quente, tão perfeita. — Isso não vai acontecer de novo.

— Lauren. — minha voz soou abafada de encontro ao peito dela.

— Que foi? — ela se afastou um tiquinho e abaixou a cabeça.

— Eu congelei a faca.

Ambas as sobrancelhas se ergueram.

— Ahn?

— Eu congelei a faca. — desvencilhei-me do abraço e brandi a maldita no ar. — Não consegui só detê-la, eu a congelei. Ela ficou suspensa no ar.

Finalmente, a ficha dela caiu.

— Puta que...

Eu ri.

— Isso foi um feito e tanto, não foi?

— Foi, sim. Um... tremendo espetáculo.

Fui tomada por uma onda de animação.

— Não podemos parar os treinos.

— Camila...

— Não podemos! Olha, o fato de ela ter jogado a faca em mim não foi legal. Deus sabe que não foi nada divertido, mas funcionou. De verdade. Estamos conseguindo...

— Que parte de "Ela podia ter te matado" você não entendeu? — Lauren recuou, o que geralmente significava que ela estava muito, muito zangada mesmo. — Não quero que você treine com ela. Não com aquela idiota colocando sua vida em risco.

— Ela não está colocando minha vida em risco. — não além do fato de ter me feito atear fogo nos próprios dedos e do incidente com a faca. De qualquer forma, os riscos valiam a pena. Se eu pudesse aprender a controlar meus poderes e os usasse para proteger a Lauren e a Taylor, então não seria mais apenas uma simples humana... ou uma humana mutante a um passo de expor todos eles para o mundo. — Não podemos parar — argumentei. — Estou aprendendo a controlar e usar a Fonte, que nem você e a Taylor. Vou poder ajudá-la...

— A quê? — Lauren me encarou e, então, riu. — A lutar contra os Arum?

Certo, não era o que eu ia dizer, mas agora que ela havia mencionado, por que não? De acordo com Serena, eu tinha potencial para me tornar mais forte do que minha vizinha. Cruzei os braços diante do peito e tamborilei a ponta da faca num deles.

— E se eu quiser fazer isso?

Ela riu de novo. Senti vontade de chutá-la.

— Gatinha, você não vai me ajudar a lutar contra os Arum.

— Por que não? Se eu puder controlar a Fonte, por que não? Eu poderia lutar.

— Por um monte de razões — gritou ela, já sem nenhum traço de humor. — Em primeiro lugar, porque você é humana.

— Não exatamente.

Seus olhos se estreitaram.

— Certo, você é uma humana mutante, mas muito mais fraca e vulnerável do que um Luxen.

Soltei o ar lentamente.

— Você não sabe se eu continuarei sendo fraca e vulnerável depois de treinada.

— O que não muda nada. Em segundo lugar, lutar contra os Arum não é problema seu. Isso não vai acontecer.

— Lauren...

— Não vou deixar, não enquanto eu viver. Entendeu? Você não vai atrás de nenhum Arum. Não quero saber se você é capaz de fazer o planeta parar de girar.

Tentei engolir a raiva. Uma coisa que eu odiava mais do que o lado babaca da Lauren era ela tentar me dizer o que fazer.

— Você não é minha dona.

— Não se trata de ser dona de ninguém, sua louca.

— Louca? — fuzilei-a com os olhos. — Cuidado com os adjetivos, tenho uma faca em minha mão. 

Ela me ignorou.

— Em terceiro lugar, tem algo errado com a Serena. Não me diga que você não consegue ver nem sentir.

— Ah, não...

— Você não sabe nada a respeito dela... nada além do fato de que ela gosta de surfar e que teve um blog. Grande coisa.

— Isso não é suficiente para me fazer desistir.

— E quanto a... porque eu não quero te ver em perigo? Isso é bom o bastante pra você? — gritou ela, fazendo-me pular. Em seguida, desviou os olhos e inspirou fundo algumas vezes.

Eu não tinha me dado conta de que este poderia ser o verdadeiro motivo por trás de todas aquelas desculpas. Meu coração abrandou e meu mau humor se esvaiu como um floco de neve derretendo sob o sol.

— Lauren, você não pode me impedir apenas para me proteger.

Seus olhos se voltaram novamente para mim.

— Eu preciso te proteger.

Precisar era uma palavra tão forte que roubou tanto meu ar quanto meu coração.

— Lauren, fico lisonjeada... de verdade, mas não cabe a você me proteger. Não sou a Taylor. Não sou uma de suas responsabilidades.

— Claro que você não é a Taylor! Mas é minha responsabilidade, sim. Eu te meti nessa confusão. E não vou te arrastar ainda mais fundo.

Minha mente girava. Os motivos para ela querer que eu parasse de treinar com a Serena eram válidos, porém errados. Eu precisava provar a ela que não era uma fraqueza nem alguém que precisava ser constantemente vigiada. Se Lauren continuasse se arriscando por minha causa, ela ou a irmã acabariam mortas.

— Não vou parar de treinar — declarei.

Ela me encarou.

— Será que faz alguma diferença o fato de eu não querer te ver em perigo? Que não vou compactuar com algo tão idiota quanto te ajudar a se preparar para combater os Arum?

Encolhi-me. Ai, essa doeu.

— Querer ajudar você e sua espécie é algo idiota?

Ela trincou o maxilar.

— É.

— Lauren — murmurei. — Sei que você se importa...

— Você não entende. Esse é o problema! — ela parou, inspirando fundo para se acalmar, sugando todo o ar da sala. — Não vou tomar parte nisso. Estou falando sério, Camila. Se você optar por continuar, então... deixa pra lá. Não vou permitir que isso perturbe minha cabeça diariamente como o que aconteceu com o Christopher. Não vou cometer outro erro compactuando com isso.

Inspirei fundo. Meu peito doía só de pensar na culpa que ela carregava, uma culpa que não era dela.

— Lauren...

— O que vai ser, Camila? — olhou-me no fundo dos olhos. — Diz logo.

— Não sei o que dizer — murmurei, os olhos ardendo devido às lágrimas. Será que ela não entendia? Continuar com os treinos me garantiria uma chance melhor de não terminar como a Bethany e o Christopher, de ser capaz de cuidar de mim mesma e protegê-la, porque um dia ela acabaria precisando.

Lauren recuou um passo como se eu a tivesse esbofeteado.

— Resposta errada. — seu rosto endureceu, os olhos parecendo duas geleiras. O frio que irradiava dela me deixou gelada até os ossos. Ela jamais me fitara com tamanha frieza. — Pra mim chega.



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